Ebooks

INFORMAÇÃO IMPORTANTE
Infelizmente o 4shared bloqueou o acesso a conta onde eu armazenava os e-books (aparentemente tem algo haver com direitos autorais). Assim que tiver um novo site para armazenamento enviarei os links.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Toxina Botulínica Tipo A - BOTOX


A Toxina Botulínica Tipo “A” (TBA), tornou-se um ícone da indústria da beleza devido a suas propriedades cosméticas na atenuação de linhas de expressão. Curiosamente sua primeira aplicação em seres humanos não foi com um objetivo dermatológico mas sim oftalmológico, sendo utilizada para o tratamento do estrabismo. Atualmente é considerado como tratamento de escolha em condições como blefaroespasmo, distonias de torção, outros distúrbios do movimento voluntário além de tratamento para a hiperidrose. Para saber mais, baixe este ebook pelo rapidshare- therapeutic uses of Botulinum Toxin

O uso da TBA em pacientes com espasticidade está se tornando cada dia mais comum, e não é raro fisioterapeutas receberem em seus consultórios pacientes que se encontram sob efeito da TBA.

Devido à popularidade deste tratamento resolvi escrever algumas linhas gerais com informações que eu considero úteis a quem inicia ou quer aprender um pouco mais sobre a TBA e suas propriedades. Deixarei para um post seguinte informações mais específicas sobre tratamento e técnicas de aplicação.

Mas antes de falar sobre o mecanismo de ação e indicações da TBA, é importante esclarecer alguns fatos a respeito deste medicamento.

O termo BOTOX é o nome fantasia da Toxina Botulínica tipo A produzida pelo laboratório Allergan. Apesar de ser rotineiramente utilizado como sinônimo, existem outras empresas comercializando Toxina Botulínica Tipo A no Brasil. É o caso das empresas Biosintética que produz a toxina Dysport e Cristália que produz a Prosigne. A diferença entre estas apresentações reside principalmente (mas não somente) nas Unidades (U) de TBA contidas em cada frasco. A saber: A unidade de medida para a TBA é a unidade camundongo (U), relacionada à sua bioatividade ou potência. Uma unidade de TBA corresponde à dose letal média de toxina capaz de matar 50% de um grupo de fêmeas de camundongos Swiss-Webster de 18-20 gramas de peso. O frasco-ampola comercializado sob a marca BOTOX contém 100 U, enquanto o frasco-ampola de Dysport contém 500 U. Estudos sugerem que em situações clínicas a equivalência Dysport/BOTOX em diluição padrão seja da ordem de aproximadamente 3:1 ou 4:1.

A TBA é a mais estudada dos 7 sorotipos de neurotoxinas (designadas de A a G) produzidas pela bactéria anaeróbia Clostridium Botulinum. Trata-se de um potente bloqueador neuromuscular que age inibindo de forma reversível a exocitose das moléculas de acetilcolina na junção mioneural causando efeitos semelhantes à paralisia muscular flácida, porém sem afetar a condução nervosa. Pode-se pensar na TBA como uma espécie de “enfraquecedor” muscular, sendo assim, o relaxamento da musculatura facial resulta em atenuação de rugas e em pacientes neurológicos gera redução da força de contração muscular involuntária.

Acima a gente vê o desenho esquemático de como a toxina impede a liberação de acetilcolina na junção mioneural. è importante ressaltar que a TBA NÃO impede a produção de acetilcolina , mas somente a liberação desta.

Curiosidade: acetilcolina também é o mediador químico envolvido no fenômeno da sudorese. Nos casos de hiperidrose o pessoal leva injeção no suvaco, na palma da mão e na sola dos pés (Pô, sem anestesia não dá!)

A redução da espasticidade é um objetivo importante do processo de reabilitação neurológica, já que estudos clínicos que investigaram os efeitos de infiltrações intramusculares de TBA em pacientes hemiparéticos demonstraram a existência de correlação entre a redução clínica da espasticidade e ganhos na velocidade da marcha.

Os efeitos clínicos da toxina botulínica são conhecidos desde o final do século XIX, quando van Ermengem relacionou o botulismo à toxina produzida pela bactéria Clostridium Botulinum. Em 1973, Lana Scott utilizou a TBA para o tratamento de estrabismo em primatas não humanos, e oito anos depois, publicou os primeiros resultados de suas experiências com esta toxina para corrigir o estrabismo em humanos.

Em dezembro de 1989, a F.D.A aprovou a TBA para o tratamento de estrabismo, blefaroespasmo e espasmo hemifacial em pacientes maiores de 12 anos. Desde o início de sua utilização clínica, no começo dos anos 80, a TBA tem provado ser efetiva e segura para o tratamento da distonia e da espasticidade, assim como outras desordens que envolvam contração muscular inadequada. É interessante notar que, após mais de uma década de aplicações terapêuticas, não foram relatadas mortes ou eventos anafiláticos atribuíveis à toxina.

A TBA apresenta-se como molécula formada por duas cadeias polipeptídicas, sendo uma cadeia leve (50 kDa) e outra pesada (100 kDa), ligadas entre si por uma ponte disulfeto. A cadeia pesada é responsável pela aglutinação da toxina à membrana celular do terminal nervoso e também ao processo de internalização. A atividade tóxica está associada à cadeia leve, que bloqueia a liberação de acetilcolina através de seccionamento da SNAP-25, uma proteína citoplasmática localizada na membrana celular e necessária para a liberação deste neurotransmissor.

Poucos dias após a injeção de TBA no músculo esquelético, os terminais nervosos afetados não são mais capazes de exocitar o neurotransmissor. Entretanto, brotamentos neuronais formam uma sinapse funcional liberadora de acetilcolina. Após cerca de três meses, o terminal original reassume a exocitose, a junção neuromuscular retorna a seu estado original e ocorre regressão do brotamento neuronal este fenômeno explica a reversibilidade dos efeitos clínicos observada em pacientes tratados com a TBA.

Pois bem, acho que este é um bom começo pra quem quer aprender um pouco mais sobre a TBA. Espero estar publicando outro post sobre este tema dentro em breve.

Até mais

7 comentários:

Karen disse...

Voce sabe me informar alguma clinica em São Paulo que tenha este tratamento?

Humberto Neto disse...

Olá Karen,
Eu não conheço nenhuma clínica em SP que faça este tipo de aplicação, mas muito provavelmente o Serviço de Reabilitação do Hospital das Clínicas conta com profissionais médicos que aplicam Toxina Botulínica em pacientes neurológicos.

rebecasantos disse...

Olá Humberto! Parabéns pelo blog...
Sou fisioterapeuta e trabalho em são paulo.
Respondendo à pergunta da Karen, em São Paulo existe a Fundação Selma, com o médico Dr. Luiz Botelho, que é um dos maiores nomes em bloqueio químico. visite o site:
www.fund-selma.org.br
Até mais!

Anônimo disse...

Como um Fisioterapeuta que passa 5 anos na faculdade escreve em um site de Fisioterapia a palavra "suvaco"? Sinceramente viu....

, disse...

Prezada ou prezado anônimo,
Caso não tenha lido no topo da página, o objetivo deste blog é "falar de fisioterapia de um jeito irreverente e descomplicado".
Isso inclui escrever de maneira informal, sem os rigores de uma redação de paper científico.
No entanto percebo que de alguma maneira meu suvaco acabou lhe incomodando. De fato eu até entendo que ninguém é obrigado a gostar do meu suvaco, mas em nome da liberdade de expressão afirmo que nenhum suvaco será retirado desta postagem.
Obseração importante: Eu me graduei em 4 anos e não em 5.
Observação mais importante ainda:
Eu sou limpinho e uso desodorante todo dia!

Ana Paula disse...

Querido seu site me serviu miuto!As pessoas que comentam e assinam como "anônimos" deveriam ficar realmente anônimas pois garalmente não tem opiniões relevantes.
Continue com o seu trabalho pois provavelmente ajudará a outros assim como e ajudou.
Até breve!

Anônimo disse...

"Cara"
amei seu blog... estava eu fazendo pesquisa sobre eletrotermoterapia e me esbarrei no seu blog... simplesmente adorei.
Esse jeito descomplicado e descontraído de compartilhar seus conhecimentos é "o bicho"!
Já descobri muita coisa legal aqui e que me ajudou e muito a esclarecer algumas dúvidas. A propósito, sou graduanda no curso de tecnologia em Estética e Cosmética, meu nome: Jaqueline