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sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Radiografia pediatrica - O que observar em um Raio-X em AP

Olá, após um breve recesso natalino estou de volta!. No post de hoje, vou deixar algumas dicas sobre o que observar em uma radiografia frontal (AP) de crianças. Tentarei descrever as principais estruturas a serem identificadas em uma radiografia de um paciente pediátrico normal. Estou usando como base 3 bibliografias:
O livro Felson - Princípios de Radiologia do Tórax; excelente livro (tem um link para o download de um CD Rom em inglês do mesmo autor) e os artigos : Reuter-Rice K. Approach to Interpreting a Pediatric Chest Radiograph. Advanced Emergency Nursing Journal 2006 Vol. 28, No. 3, pp. 175–187. e Arthur R Interpretation of the paediatric chest X-ray. paediatric respiratory reviews (2000) 1, 41–50. Os artigos estão disponíveis para download, basta clicar nos links acima.

A interpretação de radiografia de tórax em pediatria pode parecer intimidadora à primeira vista, no entanto algumas regras básicas e o conhecimento de como a idade influencia a aparência da radiografia ajudam bastante na interpretação da imagem. Minha primeira dica é antes de começar a procurar por atelectasias, derrames pleurais ou quaisquer outras anormalidades, verificar se a radiografia está rodada ou não. Você sabia que rotações são alterações bastante comuns em radiografias? Pois é, mas a boa notícia é que elas podem ser facilmente identificadas avaliando-se as seguintes estruturas:
(1) Posição da traquéia – A traquéia deve ser visualizada na linha média, mais exatamente no 1/3 superior do tórax.
(2) Curvatura da coluna – A coluna deve apresentar-se como uma linha reta e os corpos vertebrais devem ser visíveis com poucos detalhes. Caso as vértebras sejam bem visualizadas, trata-se de um R-X penetrado.
(3) Tamanho e simetria das clavículas e costelas – As clavículas devem estar simétricas e eqüidistantes da traquéia. Os arcos costais devem ser visualizados de forma simétrica e devem ter aproximadamente o mesmo comprimento.
Na prática, dificilmente você encontrará uma radiografia perfeita, sem nenhum sinal de rotação (principalmente em se tratando de crianças). O lance é avaliar o grau de rotação e decidir se você pode ou não confiar nos achados da imagem

.

Na imagem acima, as setas indicam a traquéia centralizada (o discreto desvio para direita pode ser considerado normal), observe as clavículas e as costelas simétricas e a coluna vertebral sem inclinação significativa.

Anatomia na interpretação de R-X pediátrico
Crianças com mais de 6 anos de idade possuem estruturas internas similares à de adultos. O ponto onde a traquéia bifurca-se em brônquios fonte esquerdo e direito chama-se Carina, e o hilo esquerdo é normalmente mais alto do que o direito devido ao coração. O posicionamento cardíaco normal é aproximadamente 2/3 para a esquerda da linha média do tórax e o 1/3 restante para a direita. Em crianças, o hemidiafragma direito é normalmente mais alto do que o esquerdo 9algusn citam 2cm de diferença) isto ocorre devido ao fígado, o qual é proporcionalmente maior do que o do adulto. Abaixo, um desenho esquemático das estruturas observáveis em um Raio-X AP de um adulto. Algumas diferenças devem ser notadas: (1) as costelas e os hemidiafragmas tendem a ser mais horizontalizados (2) presença do timo (3) formato triangular do tórax infantil.



(1) Traquéia, (2) Brônquio Fonte Direito (3) Brônquio Fonte Esquerdo, (4)Arco Aórtico, (5) Veia Ázigos (6)Artéria interlobar Direita (7) Artéria Pulmonar Esquerda (8) Artéria Pulmonar do lobo superior Direito (9)Veia Pulmonar Inferior Direita, (10) Átrio Direito, e (11) Ventrículo Esquerdo.


Uma estrutura importante que é observada em crianças e pode vir a gerar uma interpretação errada da imagem é o timo. A sombra do timo, observada no terço superior do mediastino é mais freqüente do nascimento à idade dos 2 anos, e pode ser reconhecido por sua característica de “vela” (parece a vela de um barco à vela, nada de vela de macumba hein!). O timo possui lobos direito e esquerdo, os quais podem se sobrepor à silhueta cardíaca.
O Timo gradualmente regride e torna-se menos evidente entre as idades de 2-8 anos após a qual não pode mais ser visualizado no R-X frontal. Em algumas situações o timo normal pode se apresentar bastante largo, e deve ser diferenciado de uma massa mediastinal ou condensação pulmonar como na figura abaixo.



Radiografia normal de um neonato. Observar que o timo se sobrepõe à silhueta cardíaca.


As mudanças graduais na aparência normal de um raio-x de tórax da infância à idade adulta devem ser apreciadas. Em um bebê, a configuração do gradil costal é mais triangular. Os pulmões são mais hipertransparentes do que em crianças maiores e broncogramas podem ser visualizados no terço médio dos pulmões.
Em um pulmão com insuflação adequada, em bebês deve-se visualizar até o 5o arco costal anterior. Em crianças maiores os hemidiafragmas localizam-se ao nível do 9o ou 10o Arcos costais porsteriormente. Caso os hemidiagfragmas estejam no 7o arco ou superior, a radiografia é considerada expiratória.

Mais uma vez o post ficou kilométrico, mas espero que as informações tenham sido úteis.

Um comentário:

MARI disse...

Põe úteis nisso!!!!!
Obrigada mesmo..bjos e ótimo fim semana...