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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

O Sistema Estabilizador da Coluna. Parte I. Função, Disfunção, Adaptação, e Intensificação

Esta é uma pequena resenha do artigo "The Stabilizing System of the Spine. Part I Function, Dysfunction, Adaptation, and Enhancement" , publicado em 1992 no Journal of Spinal Disorders, Vol.5, No4. Este trabalho oferece as bases teóricas que fundamentam a técnica de estabilização vertebral segmentar. Como é um trabalho antigo, não está disponível online, mas estou trabalhando na tradução integral do texto. Assim que terminar, irei disponibilizar na minha pasta do 4shared.
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O Sistema Estabilizador da Coluna. Parte I. Função, Disfunção, Adaptação, e Intensificação.
Autor: Manohar M. Panjabi
Department of Orthopaedics and Rehabilitation, Yale University School of Medicine, New Haven, Connecticut USA.

RESUMO: Neste artigo é apresentada a base conceitual para a afirmação de que o sistema estabilizador da coluna é constituído por três subsistemas. As vértebras, os discos e ligamentos constituem o subsistema passivo. Todos os músculos e tendões em volta da coluna vertebral os quais podem transmitir força à coluna vertebral constituem o subsistema ativo. Os nervos e o Sistema Nervoso Central compreendem o subsistema neural, o qual determina os requisitos para a estabilidade da coluna por monitorar os vários transdutores de sinais e direcionando ao subsistema ativo para gerar a estabilidade necessária. A disfunção de qualquer componente de um dos subsistemas pode levar a uma ou mais de uma das seguintes possibilidades: (a) Uma resposta imediata de outros subsistemas para uma compensação bem sucedida. (b) Uma resposta de adaptação de longo tempo em um ou mais subsistemas, e (c) Uma lesão a um ou mais componentes de qualquer subsistema. É conceitualizado que a primeira resposta resulta em função normal, a segunda resulta em função normal, porém com o sistema estabilizador alterado, e a terceira leva à uma disfunção no Sistema Estabilizador, produzindo, por exemplo dor lombar . Em situações onde cargas adicionais ou posturas complexas são antecipadas, a unidade de controle neural pode alterar a estratégia de recrutamento muscular, com o objetivo temporário de melhorar a estabilidade da coluna além dos requisitos normais.
Palavras-Chave: Sistema Estabilizador da Coluna, Estabilização da Coluna, Coluna Lombar, Função Muscular, Dor lombar
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Este trabalho apresenta a base conceitual de que o sistema estabilizador da coluna consiste de três subsistemas:
1-O Subsistema Passivo, composto pelas vértebras, cápsula articular, discos e ligamentos, assim como as propriedades mecânicas passivas dos músculos.
2-O Subsistema Ativo, composto pelos músculos e tendões, capazes de aplicar força à coluna.
3-O Subsistema Neural (feedback), composto pelos nervos, terminações nervosas proprioceptivas localizadas nos ligamentos, tendões e músculo e pelo SNC, o qual monitora e modula o subsistema ativo para prover a estabilidade necessária.
Estes subsistemas, embora apresentados separados, são funcionalmente interdependentes (Fig1).


A disfunção de um destes subsistemas pode levar à uma das três possibilidades:
a) Uma resposta compensatória imediata de outro subsistema.
b) Uma reposta adaptativa de longo termo de um ou mais subsistemas.
c) Uma lesão a um ou mais componentes de outro subsistema.

Embora não possua uma definição clara e tampouco seja bem compreendida, a instabilidade da coluna é considerada uma causa importante de lombalgia.

“O conceito básico de instabilidade da coluna vertebral é o demovimentos intervertebrais anormalmente amplos, que causam tanto compressão e/ou alongamento dos elementos neurais inflamados ou deformação anormal de ligamentos, cápsula articular, fibras do anel fibroso, os quais possuem grande densidade de nociceptores. Em ambas as situações, a sensação de dor é produzida.”

O objetivo do autor é apresentar um grupo de conceitos teóricos relacionados ao sistema estabilizador da coluna vertebral – função, disfunção e intensificação

Função Normal do Sistema Estabilizador da Coluna Vertebral

A função normal é prover estabilidade suficiente para a coluna se adaptar às demandas do dia a dia devido à mudanças posturais e diferentes cargas dinâmicas e estáticas. Os três subsistemas trabalham juntos, conforme esquematizado na Figura 2.
Discussão


O objetivo principal proposto neste conceito biomecânico do sistema estabilizador da coluna é de que há dois componentes musculoesqueléticos e um componente neural. Sob circunstâncias normais os três subsistemas são altamente coordenados e otimizados. No caso de disfunções, podem ocorrer compensações, até um certo limites. Se a disfunção ultrapassa estes limites, então problemas agudos e crônicos podem surgir. Em certas situações, se necessário, o sistema pode ser intensificado além do normal.

Adaptação e intensificação da Capacidade Estabilizadora

Esta capacidade do sistema estabilizador de responder à disfunção é uma manifestação de sua adaptabilidade. Além disso, sob circunstâncias de demanda de cargas incomuns, há uma reserva que pode ser recrutada para intensificar a estabilidade da coluna além do nível normal.

Subsistema Passivo
A força muscular reduz-se com a idade, e é também observado que a rigidez da coluna aumenta com a idade devido à formação de osteófitos e hipertrofia das facetas. Os dois fenômenos podem estar relacionados; pois com a idade, o subsistema passivo tenta compensar a diminuição da capacidade estabilizadora do subsistema ativo com uma rigidez adaptativa.

Subsistema Ativo
O aumento geral da força muscular provou ser capaz de reduzir as chances de lombalgia. Isto pode ser explicado baseado na capacidade de intensificar a estabilidade da coluna através do aumento da capacidade muscular de gerar tensão.
Em pessoas com lesão do LCA que não receberam tratamento cirúrgico, foi observada hipertrofia no lado da lesão nos pacientes mais bem adaptados. Em outro estudo, foi encontrado que a proporção força de ísquitibiais/quadríceps é o melhor indicador na reabilitação de pacientes com lesão do LCA.
Assim o fortalecimento de determinados grupos musculares pode ser capaz de compensar perdas específicas de estabilidade devido a lesão.

Subsistema Neural
É hipotetizado que se um grupo específico de músculos responsáveis pela estabilidade em uma determinada direção/movimento, então a contração seletiva e apropriada destes músculos irá melhorar a estabilidade nesta direção particular.
Esta estratégia, relacionada aos centros de controle neural, pode ser usada em situações onde a aplicação de cargas externas pode ser antecipada (ex: levantar sacolas de compras), e também em situações inesperadas. Novamente em relação ao tratamento de joelho, existem evidências que o treino de estabilidade ocorre uma redução no tempo de resposta muscular à alterações bruscas da estabilidade.


Observações do bloqueiro:

1-Este trabalho, junto com os estudos de EMG fornece o embasamento teórico para o método de estabilização segmentar.
2-O autor dispensa muito mais atenção ao papel do subsistema neural no controle estabilizador da coluna.
3-Evidências sugerem que o sistema estabilizador pode ser intensificado com o treino apropriado. Foi citado que o treinamento pode reduzir o tempo de resposta muscular a alterações inesperadas no joelho; em estudos posteriores a este artigo, mostraram que os músculos multífidos e transverso do abdômen apresentam o tempo de ativação lentificado em indivíduos com lombalgia. Outros estudos mostram que o tratamento baseado em exercícios específicos pode recuperar o padrão normal de ativação muscular.

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