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terça-feira, 10 de março de 2009

Limão e Fisioterapeutas

Ontem, conversando com uma estagiária, fui questionado sobre a importância do fisioterapeuta ler artigos científicos para pautar suas condutas. Afinal, segundo ela, artigos não ensinam fisioterapia, além disso, muitos métodos de fisioterapia não possuem uma explicação fisiológica clara e convincente. Portanto, artigos científicos seriam pouco úteis para nós.
Acho que esta pergunta está na mente de vários alunos e alunas. De certa forma, eles estão certos. Tratam-se de alunos de graduação ávidos por aprender os mínimos detalhes dos mecanismos neurofisiológicos da espasticidade. Porquê se dariam ao trabalho de ler artigos sobre condicionamento físico em pacientes com Parkinson quando nem sequer os exercícios são ensinados no paper?
Devo advertir que pensar deste jeito é estreitar a visão profissional. Muitas vezes a pesquisa básica não acompanha a pesquisa clínica, não sendo capaz de oferecer explicações razoáveis para fenômenos observados na prática do fisioterapeuta. Por exemplo: até hoje não há uma explicação neurofisiológica que explique o fenômeno de redução de tônus muscular após manuseios de rotação de tronco - existem apenas hipóteses -nem por isso o conceito Bobath foi abandonado. Também não se explica convincentemente como a osteopatia visceral ou a cranio-sacral são capazes de resultados tão impressionantes, estes apenas para citar alguns exemplos em fisioterapia. Na área médica são inúmeros os medicamentos que são utilizados mas que se desconhece as etapas bioquímicas. mas nem por isso deixam de ser utilizadas.
A pesquisa clínica divulgada em artigos investiga fenômenos utilizando bases de metodologia científica. Naturalmente é importante que hajam fundamentos teóricos para a pesquisa, mas mesmo que não hajam fundamentos sólidos, uma pesquisa clínica pode ser elaborada e ter resultados de impacto para o dia-a-dia.
Vou contar uma história que pode explicar este meu ponto de vista:
Antigamente, muitos marinheiros sofriam de escorbuto, uma doença causada por carência de viatmina C na dieta que pode causar a morte. Em 1747, um cirurgião escocês chamado James Lind conduziu o primeiro ensaio clínico registado para investigar formas de tratamento do escorbuto. Ele dividiu um grupo de doze marinheiros em seis grupos que recebiam seis diferentes dietas:
Para o seu primeiro grupo de dois homens, ele deu um quarto de maçã cidra três vezes por dia, além da dieta regular
O segundo grupo teve duas colheres de vinagre três vezes ao dia,
O terceiro grupo ficou recebeu um composto de ácido sulfúrico diluído e álcool aromatizado com gengibre e canela;
O quarto grupo, um remédio feito de alho, mostarda e algumas ervas;
O quinto grupo metade de um litro de água salgada do mar após as refeições (IRC!!!! esses aí se deram mal!!!)
Para os dois homens sorte do sexto e último grupo, o Dr. Lind deu laranjas e limões durante seis dias, até que sua oferta limitada de frutas esgotou-se.
Nas suas próprias palavras, foi isso o que aconteceu:
"A consequência foi que, os mais visíveis e repentinos bons efeitos foram percebidos a partir da utilização das laranjas e limões, um dos que lhes tinham sido tomadas no final de seis dias estava apto para o serviço."
Ora, destaco que esta pesquisa foi realizada no século XVIII, as vitaminas ainda não eram conhecidas, nem sequer a fisiopatologia do escorbuto, muito menos os processos bioqiuímicos envolvidos na absorção de alimentos. Mesmo assim as conclusões de Lind permanecem válidas até hoje.
Será que a fisioterapia é tão excepcional que precisa que os substratos neurofisiológicos e biomecânicos de seus métodos sejam desvendados antes de se realizar estudos clínicos????

Quando alguém lhe disser que tal técnica não tem fundamento científico. Uma boa resposta seria:
-Não tem fundamento científico ou não conhecemos o fundamento científico ?

A falta de evidência não é uma evidência.
Pense nisso...

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