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terça-feira, 26 de maio de 2009

Capsulite Adesiva. Cinesioterapia Vs Eletroterapia.


Este mês na revista Physical Therapy foi publicado o artigo “Interventions Associated With an Increased or Decreased Likelihood of Pain Reduction and Improved Function in Patients With Adhesive Capsulitis: A Retrospective Cohort Study”, conduzido pelos autores: Dianne Jewe ll, Daniel Riddle, and Leroy Thacker. o qual pode ser traduzido como:
Intervenções associadas ao aumento ou diminuição da probabilidade de redução de dor e melhora da função em pacientes com capsulite adesiva: Um estudo de coorte retrospectiva.
Na minha opinião um trabalho muito relevante para a nossa prática clínica. Além do que, é um trabalho de campo, onde foram investigadas intervenções "reais", do dia a dia da prática clínica de fisioterapeutas e não intervenções ultra controladas dentro de um laboratório. Sendo que as conclusões têm repercussão prática imediata.
Resumindo o trabalho: foram investigados 2.370 pacientes (média de idade = 55,3 anos, DP=12,4; 65% mulheres). Os fisioterapeutas que atenderam estes paciente (um total de 1.175 profissionais) preencheram um questionário com 60 opções de intervenções. Foram aplicados complexos cálculos estatísticos (capazes de fazer meu cérebro plantar bananeira) que identificaram 2 categorias de intervenções capazes de aumentar a probabilidade de melhora ("mobilização articular e mobilidade" e "exercícios") e 2 categorias com probabilidade de insucesso no tratamento de pacientes com capsulite adesiva ("iontoforese e fonoforese" e "ulrassom e massagem"). Para definir "melhora" e "piora", os autores utilizaram um questionário de qualidade de vida, o Physical Component Summary-12 (PCS-12) que segundo eles possui uma boa confiabilidade para avaliar atividades de membros superiores.
Mas muita calma com a interpretação da conclusão deste estudo. Ninguém precisa arremessar o ultrassom na lixeira ou queimar massagistas em praça pública. Estes resultados indicam apenas que para CAPSULITE ADESIVA, o uso de ultrassom, fonoforese e massagem, não estão associados a um resultado favorável, o que de modo algum significa que estas intervenções não têm fundamento científico. Os resultados são válidos apenas para CAPSULITE ADESIVA.
Também não significam que o ultrassom piore os pacientes. Na discussão do artigo, os autores sugerem que o tratamento com as duas categorias que aumentam a probabilidade de insucesso pode estar relacionado ao fato dos fisioterapeutas deixarem de realizar cinesioterapia para tratar seus pacientes principalmente com o ultrassom. O que fica bem claro na conclusão, a qual eu traduzo abaixo na íntegra.

CONCLUSÃO
Os terapeutas devem considerar aumentar a utilização de intervenções de mobilização articular e exercícios, tais como definidos neste estudo para os pacientes com capsulite adesiva. O uso de ultrassom, massagem, iontoforese, e fonoforese reduzem as chances de melhores resultados nestes doentes. Futuros Ensaios Clínicos Randomizados e Controlados (RCTs) são necessários para identificar a dosagem de tratamento para intervenções mais efetivas para pessoas com capsulite adesiva. Especificamente, estudos da frequência com que intervenções baseadas em mobilização articular devem ser aplicadas de forma isolada ou em combinação com exercícios devem ser conduzidos a fim de otimizar atendimento fisioterapêutico.

OK, agora aos fatos: Existem evidências obtidas a partir de um estudo bem elaborado, com um número grande de pacientes, com conclusões coerentes e respaldadas pela literatura (não comentei, mas os autores fizeram uma mini revisão bibliográfica sobre o tema) de que o US, ionto ou fonoforese estão associados à um desfecho de tratamento desfavorável. Mas se mesmo assim, você escolher tratar seus pacientes de capsulite adesiva com estes recurssos, escolha uma das opções abaixo para justificar cientificamente sua abordagem:
a) Você aprendeu na faculdade ou na pós-graduação que ultrassom deve ser aplicado em pacientes com capsulite adesiva pois as propriedades de calor profundo aumentam a flexibilidade da cápsula articular.
b) Todo mundo usa, porquê eu não posso?
c) Os pacientes gostam de aparelhinhos com luzinhas e que fazem bip de vez em quando.
d) Você precisa de dinheiro fácil, e não liga a mínima pro seu paciente. Assim vai aproveitar os resultados deste estudo para continuar a usar o US e iontoforese para dar um tiro no próprio pé e manter os pacientes em tratamento por tempo indeterminado.

Com certeza os livros têm ótimas explicações para utilizarmos o US e a iontoforese. Mas temos aqui uma exelente razão para não utilizá-las em pacientes com CAPSULITE ADESIVA. Os resultados fortalecem a indicação de cinesioterapia nestes casos. Para muitos posso estar sendo radical, afinal me levanto assim, praticamente rosnando contra recursos tradicionais da eletroterapia. Mas isso é quebrar paradigmas, isso é tentar fazer fisioterapia baseada em evidência.
Hasta la vista.

6 comentários:

Dra. Cláudia T. Ricetti disse...

Realmente muito bom o artigo!
Eu particularmente não gosto de terapias que só utilizam eletro...

Abraço!

Marina disse...

Olá. deixei um comentário a pedir que me enviasse o artigo da Brain & Cognition sobre o Parkinson e o Exercício Físico mas não recebi. Será que podia me enviar para eliin.almeida@gmail.com ?
Obrigada.

pada disse...

é interessante o seguinte aspecto: pq as teorias da eletroterapia parecem ser tão explicativas para os problemas físicos dos pacientes e na prática encontramos pouca ou nenhuma resolução?? isso me intriga muito e mesmo assim a eletroterapia continua sendo usada da mesma forma de sempre. né?
abraço

Luiz Eduardo disse...

Oi Humberto,

REalmente mto interessante o artigo. Sera q vc poderia me enviar por email este na integra?
rjducas@uol.com.br

Abraço e Obrigado

EDUARDO

Giovana disse...

entrei pela primeira vez hoje e adorei.
Sou professora de ortotrauma há quase 20 anos e sua iniciativa é louvável. Continue....


Giovana Figueirôa - Salvador Bahia

jorge luis disse...

eu tenho capsulite adesiva ;nao suportei tratamento com ultra som e o choque; ficou pior .estou fasendo acomputura ouve uma pequena melhora depois que a fisioterapeuta parou de tambem usar o choque junto com as agulhinhas .