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sexta-feira, 12 de junho de 2009

Cadeira de rodas, noções sobre os ajustes e adaptações.

Uma cadeira de rodas adaptada é um item essencial no processo de reabilitação e bem estar do usuário. Mas infelizmente ainda existe muita desinformação em nosso meio, e não falo só dos profissionais de saúde, me refiro também a pessoas de bom coração que por desconhecimento acabam doando cadeiras totalmente inadequadas. Isso sem falar de alguns políticos (estes nem sempre com um coração tão bom assim) que possuem obras sociais e ONGS elitoreiras, e que "doam" cadeiras de rodas a torto e a direito sem a preocupação de adaptá-las aos usuários.

Uma cadeira de rodas mal adaptada pode ser um agravante à saúde destas pessoas podendo levar o cadeirante a desenvolver desde tendinites do manguito rotador até escoliose e deformidades no quadril. Obviamente nem todo fisioterapeuta precisa ser um expert em prescrição e adaptação de cadeiras de rodas (creio eu, que por lei nem podemos prescrever cadeiras de rodas, acho que esta é uma função dos Terapeutas Ocupacionais), mas considero essencial que tenhamos alguns conhecimentos básicos a respeito dos componentes e ajustes para que possamos orientar melhor os nossos pacientes.

Neste sentido, pretendo abordar na postagem de hoje algumas noções sobre cadeiras de rodas. Algumas destas noções são tão elementares que muitas vezes as ignoramos solenemente.
Mas antes de tudo, vamos relembrar os objetivos básicos de uma cadeira de rodas:

(1) Ser Confortável. - Já parou pra pensar em quantas horas por dia um usuário fica sentado em uma cadeira de rodas? Imagine se você tivesse que permanecer calçando um sapato bico fino, 2 números menores que o seu durante um dia inteiro de trabalho, ou então caminhar com uma mochila de 20Kg. Pois é, uma cadeira pesada demais deixa de ser uma ajuda e torna-se um empecilho, da mesma forma, se estiver apertada demais ou larga demais acaba sendo desconfortavel. Sendo assim, obrigatoriamente a cadeira deve seguir o biotipo de seu usuário.


(2) Segurança.- Este item relaciona-se não só aos dispositivos de segurança como cintos e travas, mas também,e principalmente, a segurança que o usuário tem em utilizar o equipamento (resistência do material, estabilidade, facilidade em se manobrar, etc.)

(3) Ser ajustável - Assim como as cadeiras de escritório, o ideal é que o equipamento tenha o máximo de possibilidades de ajustes possível (modificar a distância entre a roda dianteira e trazeira, altura dos braços e pedais, inclinação do assento, etc.)

(4) Postura Correta - respeitando o quesito conforto, o equipamento deve ser capaz de garantir inicialmente o máximo de simetria, além de alinhamento de tronco e cabeça (lembrando que nem sempre a postura sentada "ideal" pode ser alcançada devido a encurtamentos e compensações).

(5) Permitir alterações. - Estas alterações referem-se a encostos para cabeça, apoio para braços, além de adaptações para se alimentar, escrever, pintar, utilizar o computador, etc.

(6) Estética - Se estamos falando de um cadeirante, estamos nos referindo a uma pessoa que vai se locomover por meio de cadeira de rodas tanto no trabalho quanto nas atividades sociais. Cadeira de rodas também tem cor. Você não iria gostar de andar por aí com uma camisa quadriculada cor de rosa e uma calça jeans com uma perna azul e outra amarela. Assim, é importante que a cadeira seja também esteticamente agradável. Como podemos ver na foto ao lado, tem gosto pra tudo.

Quanto aos componentes de uma cadeira de rodas:

Rodas - Rodas feitas de materiais mais leves reduzem o peso da estrutura e aumentam a mobilidade e diminuem o esforço para tocar a cadeira. O problema é o custo deste material.
Sistema Quick-Release - Esta é aquela travinha que permite retirar as rodas para colocar a cadeira no carro. Gerralmente as cadeiras tem este sistema nas rodas traseiras, mas também é possível colocálo nas rodas dianteiras. ùtil para carros com bagageiro pequeno.
Pneus - Basicamente existem 2 tipos: Maciço- indicado para uso de instituições como hospitais e clínicas, pois tem baixa manutenção e o piso liso não vai gerar trepidação na cadeira.Inflável- Indicado para uso nas ruas do Brasil, onde temos mais buracos e desníveis do que asfalto. Este tipo de pneu amortece a trepidação mas tem a desvantagem de furar. A grande maioria dos cadeirantes opta por utilizar pneus maciços nas rodas dianteiras e infláveis nas traseiras.
Assento - O ideal é que seja um assento rígido, moldado ao usuário. Assentos de cadeiras que dobram em "X" podem se deformar ficando aprecidos com um "U" e isso acabam gerando uma rotação interna do quadril e favorecendo postura viciosa. Nestes casos, um assento rígido e removível é bem vindo.
Encosto - Qual a altura ideal? Isto é primordial para o usuário capaz de tocar a cadeira (encosto alto = toque curto). Nestes casos, o encosto deve ficar mais ou menos 2 dedos abaixo do bordo inferiro da escápula, esta medida é importante para liberar os ombros e permitir o posicionamento correto dos braços ao impulsionar as rodas traseiras. [altura correta = toque simétrico = menor gasto energético = menos lesões por esforço repetitivo]
Há casos em que o equilíbrio de tronco deve ser avaliado exigindo um encosto mais alto. Etsa é uma medida que deve ser ponderada de acordo com a necessidade individual do usuário.
Apoio de pé e pedal - São bonitinhos, mas não são enfeite. Experimenta terminar de ler esta postagem sem apoiar os pés no chão. Além disso, a altura do pedal estabelece um posicionamento correto da perna em relação à superfície de contato do assento, o que permite uma distribuição de peso mais adequada evitando pressões exageradas e prevenindo úlceras de pressão. Devemos observar também a inclinação da plataforma do pedal, cujo ângulo deve estar adequado para que ocorra uma boa circulação sanguínea.
Apoio de braço - A altura ideal é medida com o usuário sentado com o cotovel fletido a 90 graus. a altura entre o assento e o cotovelo do usuário.
Centro de Gravidade - Este é o ponto de estabilidade da cadeira, evita (e em alguns casos facilita) que o usuário empine a cadeira. O centro de gravidade determina o posicionamento correto da roda com o objetivo de distribuição da massa corporal em relação ao eixo imaginário de movimentação da cadeira. Complicado? Também acho, mas enfim: o posicionamento correto do centro de gravidade oferece: (1) menor esforço para tocar a cadeira e (2)melhor condução das manobras.
Cambagem das rodas traseiras - É a inclinação das rodas traseiras em relação a estrutura. Com a cambagem a cadeira fica mais estável aproxima a roda do corpo, diminuindo o esforço.

Esta postagem tá ficando kilométrica, prometo falar um pouco mais sobre cadeira de rodas um outro dia.

2 comentários:

Erika Gomes disse...

O Sistema Único de Saúde (SUS) reconhece o direito aos Fisioterapeutas e Terapeutas Ocupacionais de prescrever “órteses, próteses e materiais especiais não relacionados ao ato cirúrgico”, por meio da publicação da Portaria SAS/MS N° 661, de 2 de dezembro de 2010.

jonatas wilian carvalho disse...

eu gostaria de saber, se alguém possui relatos de que ganhou algum equipamento pelo SUS, ou foi negado deste direito, e se sim, quero saber se a qualidade é boa ou ruim, se é bem ajustavel ou não, e até mesmo se oferecem uma acessibilidade esperada do produto. por conta de eu estar escrevendo um TCC com um tema que envolve esta situação, agradeço desde já a atenção, e a colaboração de quem responder.