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sábado, 20 de junho de 2009

A História da fisioterapia, um breve relato por Shirley Sahrmann

Oi pessoal, deixo hoje o capítulo de introdução do livro "Dianóstico e Tratamento das Síndromes de Disfunção Motora" da fisioterapeuta norte americana Shirley Sahrmann. Este breve relato histórico é particularmente interessante pelo fato dela ter dividido a fisioterapia do século XX em três etapas distintas. É bem legal para se ter uma idéia de onde vieram tantos métodos de tratamento diferentes.
Segundo Sahrmann, a fisioterapia do século XX pode ser dividida em três fases , de acordo com seu enfoque principal,. Em cada uma delas predominou o tratamento de determinado sistema anatômico, devido geralmente à prevalência de determinada deficiência física, que era causada por um problema médico específico. Conceitos básicos diferentes foram criados em cada uma dessas época, influenciando ascaracterísticas da profissão assim como os métodos utilizados.
Obviamente é uma descrição muito suscinta mas mesmo assim muito legas de se ler pra gente poder se situar no tempo e no espaço

Primeira fase: focalizando a disfunção dos Sistemas Osteomuscular e Neuromuscular Periférico.
O primeiro período compreendia o tratamento de pacientes apresentando disfunção do Sistema Neuromuscular Periférico ou osteomuscular, disfunção esta resultante da poliomielite ou dos traumatismos de guerra (tipicamente lesões de segundo neurônio motor). O exame manual da musculatura, como meio para determinar a disfunção neurológica e muscular de forma quantitativa foi fundamental para definir o papel diagnóstico da Fisioterapia. Eram realizados testes específicos, capazes de informar o médico na avaliação do caso: o médico formulava então seu diagnóstico e definia o grau de disfunção.
A relação, de certa forma clara, entre a perda da função muscular e a disfunção motora, servia para orientar o tratamento. A relação existente entre a destruição de unidades motoras e suas conseqüências, consistindo em fraqueza muscular e perda de mobilidade era nítida, porém ainda existiam controvérsias a respeito dos melhores métodos de tratamento da poliomielite, particularmente em relação à fase aguda da doença. O tratamento durante esta fase focalizava a preservação da mobilidade por meio de exercícios de alongamento e do uso de aparelhos ortopédicos. Durante a fase de recuperação, os exercícios destinados a fortalecer os músculos em recuperação ou os não afetados também constituía parte importante do tratamento. O tratamento mais eficaz compreendia determinados exercícios baseados nos resultados no resultado do exame manual da musculatura. Essas informações também eram usadas para orientar a prescrição de orteses e de outros dispositivos auxiliares. Os exercícios específicos levando em consideração cada músculo e o sentido em que atua eram elementos-chave para um bom resultado.

Segunda fase: Focalizando a disfunção do Sistema Nervoso Central
Depois da erradicação da poliomielite, a maioria dos casos atendidos pelos fisioterapeutas passou a ser de pós AVC, TCE e TRM. As deficiências que estes pacientes apresentavam eram devidas à disfunção do SNC (mais exatamente devido a lesões do primeiro neurônio motor); por isso os métodos até então utilizados pelos fisioterapeutas já não se aplicavam a estes casos. Os métodos de alongamento e fortalecimento, até então usados no tratamento da poliomielite eram considerados inaceitáveis; pois na época acreditava-se que fossem capazes de agravar a espasticidade. O exame manual dos músculos também deixou de se considerado um indicador confiável de desempenho muscular. Na época não se conheciam os mecanismos que contribuíam para a deficiência de pacientes com disfunção neurológica. A falta de unanimidade em relação aos mecanismos responsáveis pelas paresias e o tratamento mais adequado fez com que não fossem elaboradas diretrizes específicas para o tratamento de casos decorrentes de lesão disfunção do SNC . Resultou daí a adoção de esquemas terapêuticos que se baseavam nas convicções e na experiência dos terapeutas clínicos. Esta falta de normas levou a um tratamento altamente individualizado e eclético; criou-se, infelizmente, o precedente de tratamento baseado em hipóteses pouco seguras. A relação entre o diagnóstico e o tratamento também se modificou durante este período. Os diagnósticos clínicos das doenças do SNC não se acompanhavam de normas para o tratamento fisioterápico, ao contrário do que acontecia com a poliomielite, cuja fisiopatologia era relativamente bem conhecida (neste momento acabou a moleza, não bastava mais alongar o que estava encurtado e fortalecer o que estava fraco... ficou claro que em lesões do SNC o buraco é mais embaixo).
Os fisioterapeutas procuraram explicar os mecanismos que contribuem para comprometer os movimentos. Porém as explicações nas quais se baseavam as hipótese clínicas relativas aos mecanismos terapêuticos eram vagas e mal interprtetadas em vista da limitação do conhecimento daquela época (estamos falando da década de 1960). Infelizmente os mecanismos de controle motor ainda não eram bem conhecidos, da mesma forma que a fisiopatologia das disfunções motoras decorrentes de lesões do SNC. O que se tornou evidente neste período foi a importância essencial que a função reguladora do SNC possui para a motricidade. As deficiências motoras que acompanham a disfunção do SNC demonstram aimportância deste último para os movimentos.

Terceira fase: Focalizando a Disfunção Articular
Durante a década de 1980, fisioterpaeuas influenciados por seus colegas da Austrália e Nova Zelândia, começaram a aplicar métodos de exame e e de tratamento que visavam diretamente a disfunção das articulações como meio de tratar a dor osteomuscular. Esses métodos exigem o exame dos movimentos articulares acessórios e observação das respostas dolorosas associadas. Trata-se de um tratamento diferente do padrão adotado até então, o qual se baseava no uso de modalidades destinadas a combater o processo inflamatório e na aplicação de exercícios para fortalecer os músculos do segmento afetado. Alguns fisioterpaeutas começavam também a aplicar os métodos clínicos preconizados pelo Dr. James Cyriax para identificar os tecidos que davam origem a dor. Esses métodos implicavam mudanças do papel desempenhado pelo fisioterapeuta. Até então o médico prescrevia um tratamento baseado no diagnóstico . Na maioria dos casos encaminhados ao fisioterapeuta, este era chamado para “avaliar e tratar” , sobretudo quando o problema envolvia o SNC, ao passo que recebia geralmente uma orientação médica mais detalhada par ao tratamento de dor osteomuscular (isso soa familiar não é?). Foi, portanto, uma mudança significativa quando o fisioterapeuta passou a examinar as articulações, a fim de determinar a origem da dor, ao invéz de aplicar modalidades terapêuticas e prescrever um esquema geral de exercícios destinados a melhorar a capacidade funcional. A avaliação da mobilidade articular acessória representou uma mudança na filosofia da profissão: o foco passou a ser a identificação das contraturas articulares e das partes moles como causas responsáveis pela dor mediante métodos paliativos.

Fase Atual: Focalizando o Sistema Motor
Durante a década de 1990, a grande maioria dos pacientes encaminhados para os fisioterapeutas era de casos de dor osteomuscular. Por conseguinte, o tratamento desses pacientes é importante para a profissão. O tratamento deve ser considerado incompleto e inadequado quando dirigido isolado dos problemas musculares, articulares ou neurológicos. A evolução constante da fisioterapia exige que os movimentos constituam seu foco principal. O movimento resulta do ato de um sistema fisiológico que produz a movimentação do corpo inteiro ou da partes que o compõe. Esses componentes compreendem o sistema osteomuscular, neurológico, cardiopulmonar e metabólico. Neste sentido, o livro da fisioterapeuta Shirley Sahrmann se destaca, principalmente ao enfatizar a relação entre postura, controle motor inadequado e dor de forma cientificamente embasada. É interessante perceber como a profissão está retornando às suas origens, dando novamente ênfase aos exercícios terapêuticos, só que desta vez acompanhados de um embasamento científico robusto, como é o caso da estabilização vertebral segmentar (cervical e lombar), o conceito de Kinetic Control, Pilates Clínico, além das bandagens associadas a exercícios terapêuticos criados e aperfeiçoados por pesquisadores que utilizaram eletromiografia de superfície.

Puxa, acho que isso já é o suficiente.
Até mais

2 comentários:

RODRIGO QUEIROZ disse...

Gosto muito desta autora também...
Acho que esse caminhar nos deu maturidade para encararmos nossos problemas e adequarmos cientificamente nossa abordagem, que deve ser baseada numa avaliação criteriosa, diagnóstico próprio e atribuição de escores funcionais de acompanhamento.
Não querendo ser pretenciso, mas e qual nosso paradima neste século? Acredito que o metabólico...estramos nos tornando mais "invasivos", abordagem mais intensa e específica...fisioterapia desportiva, em terapia intensiva, neonatal, geriátrica...Extremos de idades e condições clínicas...
Parabéns humberto adorei o post e estou me organizando para ir ao rio em breve.
Grande abraço mesmo e obrigado por contribuir lá no mobilidade funcional.

Humberto Neto disse...

Sim, é verdade, estamos caminhando para a intervenção focada no metabolismo. Isso já é uma verdade para quem trabalha com geriatria, onde a sarcopenia é um problema tão preocupante quanto a osteopenia/porose, e obviamente com atletas de alto nível, isso sem contar os diversos estudos que estão pipocando por aí demonstrando que o condicionamento físico influencia o metabolismo cerebral.
Valeu pelo acréscimo e vamos marcar um chopp para depois do congresso de fisioterapia