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segunda-feira, 15 de junho de 2009

Terapia manual, qual curso devo fazer: Maitland, Mulligan ou Mobilização Neural

Olá a todos,
Hoje decidi escrever um pouco sobre as técnicas de terapia manual, pois este é um assunto que gera muitas dúvidas principalmente entre alunos e colegas recém-formados. Não é de se admirar esta dúvida cruel, afinal de contas são cursos relativamente caros. É prudente se informar ao máximo pra não levar gato por lebre.

Sendo assim, hoje vou abordar brevemente três cursos bastante populares entre os alunos: o Conceito Maitland, o Conceito Mulligan e a Mobilização Neural.
Então vamos lá:

O Conceito Maitland
Quem tem contato com terapia manual australiana já ouviu falar que a "avaliação do Maitland" é muito boa. Na minha opinião este é o grande diferencial deste conceito. Em seu livro de manipulação vertebral, o próprio Maitland comenta que saber avaliar o paciente tanto em termos subjetivos quanto no exame físico é o ponto que determinará o sucesso do tratamento, e isso não é retórica não. De fato, quase metade de seu livro de mobilização vertebral é dedicada à arte da anamnese e do exame físico. Essa característica é mantida também no curso: muita ênfase na avaliação, na coleta de informações e no raciocínio clínico.
Aqui o primeiro aviso: saber avaliar é essencial para o Conceito Maitland. Se você fizer o curso e achar que isso é bobagem e na hora da explicação sair pra tomar um cafezinho, fumar um cigarro e ligar pra casa pra saber se sua avó foi fazer musculação você estará jogando dinheiro no lixo.
Mas voltando ao assunto: O exame físico envolve a mobilizações fisiológicas e acessórias aplicáveis à coluna e extremidades. Neste exame o fisioterapeuta deve estar atento à presença de dor, irritabilidade dos sintomas (se eles desaparecem rápido ou se persistem por longo período após a mobilização) e ao "end feel" dos movimentos fisiológicos e à rigidez dos movimentos acessórios. (esta última parte não tem jeito, a gente só aprende depois de praticar muito!!!)
Em resumo: O Conceito Maitland utiliza técnicas de mobilização articular aplicáveis à coluna e extremidades. O ponto forte deste conceito é a avaliação metódica não só dos achados do exame físico, mas principalmente os da avaliação subjetiva.

O Conceito Mulligan
Como já foi exposto em outra postagem deste blog, o conceito Mulligan faz uso de manuseios que envolvem a combinação de uma mobilização articular acessória associada ao movimento fisiológico ativo. O resultado esperado é o alívio imediato da dor e o aumento do arco de movimento. O legal deste conceito é que não é necessário um conhecimento profundo sobre biomecânica. Também como já foi dito, na minha opinião, o ponto forte (e ao mesmo tempo o ponto mais fraco do conceito) é a ausência de uma avaliação própria, sendo os manuseios aplicados na base da tentativa e erro. Quando combinado com o conceito Maitland, torna-se um aliado poderoso para o fisioterapeuta.

Mobilização Neural
A mobilização neural é um método de tratamento direcionado unica e exclusivamente para disfunções do nervi nervorum. Complicou né? Mas eu explico. O nervi nervorum pode ser explicado como "o nervo do nervo", ou seja: são terminações nervosas livres localizadas na bainha de tecido conjuntivo mais externa do nervo (o epineuro). Em condições normais, estas terminações são ativadas durante movimentos extremos como forma de prevenir o estiramento excessivo do nervo. Em algumas situações estas terminações tornam-se sensibilizadas durante movimentos normais. Quando elas se sensibilizam desta forma, causam dor e uma pequena contração muscular reflexa como forma de impedir o movimento do seguimento e proteger o nervo periférico de uma possível lesão. Assim, o conceito teórico deste método defende a idéia de que algumas disfunções ortopédicas que não respondem ao tratamento convencional (eletroterapia, terapia manual, medicamentos) pode ter como fator desencadeante uma sensibilização do nervi nervorum.
O grande lance desta técnica é que ela funciona como um ás na manga do fisioterapeuta. Ou seja: Com ela você é teoricamente capaz de tratar uma parcela específica de pacientes com disfunção do nervi nervorum (ou disfunção neural) os quais, de outra forma, não seriam tratados adequadamente por não terem o diagnóstico de sensibilização. No entanto, o problema com esta técnica é que ela não é abrangente, sendo específica para pacientes com disfunção neural. Na minha opinião, o curso tem melhor aproveitamento depois que o fisioterapeuta já tem uma certa estrada. Eu nção aconselho que seja o primeiro curso de terapia manual a ser feito depois da formatura.

Termino esta postagem por aqui, mas antes uma analogia que muito me agrada:
Eu gosto de pensar que o fisioterapeuta deve ter uma caixa de ferramentas repleta de técnicas. Da mesma forma que um mecânico não consegue consertar um carro com apenas uma chave de fenda (na verdade se o porblema for muito simples ele consegue sim), o fisioterpaeuta não consegue atender bem seus pacientes com apenas uma técnica em sua caixa de ferramentas. Devemos sempre buscar conhecer novas ferramentas para deixar nossa caixa bem robusta e conseguir consertar carros cada vez mais complexos.

Fisioterapia também é filosofia

7 comentários:

Helga Monteiro disse...

A terapia manual vai mais além do simples ato terapêutico para solucionar um sintoma ou recuperar uma função.

Helga Monteiro disse...

Gostei muito da abordagem sobre este tema. Dá uma luz a quem está indeciso em qual curso investir.

Parabéns!

Humberto Neto disse...

Concordo plenamente Helga,
Eu sou da opinião de que mesmo um fisioterapeuta excepcionalmente talentoso na aplicação de mobilizações e manipulações falhará no tratamento de um paciente caso não saiba avaliar. Seu arsenal terapêutico não tem o mesmo valor pois sua técnica não passa de um monte de tiros no escuro, puramente apostando na sorte e na tentativa e erro.
Avaliar é preciso,
Raciocínio clínico é fundamental!

PENSANDO NO VASO... disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Priscila Naves disse...

Quero agradecer pelo blog. Excelente! Sempre que quero uma informação sobre nossa área, pesquiso algo no google e acabo caindo aqui! Sua página está em meus favoritos. Esta reportagem me esclareceu muitíssimo sobre qual método fazer no momento. Muito obrigada.

patricia goncalves disse...

Gosto muito do seu blog. Ele tem me ajudado muitissimo. Continue assim que esta otimo.

Anônimo disse...

Ola Humberto,

Gostaria de fazer o curso dessas tres tecnicas. Onde posso faze-lo. Aqui no Rio.

Obrigada