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segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Sou fisioterapeuta e meu trabalho faz diferença

“A fisioterapia é uma profissão jovem” creio que todos nós já ouvimos esta frase em algum momento de nossa vida acadêmica. Geralmente ela é usada como desculpa para justificar o pequeno número de pesquisas científicas bem feitas, a falta de união de nossa categoria, a falta de engajamento nas associações e sindicatos, enfim: esta frase é um ás na manga que explica magicamente todas as mazelas de nossa profissão.
Ora Bolas, eu não suporto mais ouvir isso! Ruminando meus pensamentos neste último final de semana eu cheguei à conclusão de que a situação da fisioterapia no Rio de Janeiro é surreal demais! (falo do Rio pois é onde moro e conheço). Boa parte dos serviços de fisioterapia vivem com o pires na mão, implorando verba, equipamento e pessoal. Já trabalhei em uma prefeitura na baixada fluminense onde eu e outros colegas fisios, fonos e psicólogos fazíamos bazar e rifas para comprar equipamentos. E olha que cansamos de fazer relatórios para o secretário de saúde e afins... na época, o máximo que conseguimos foram algumas promessas pálidas e raquíticas.
Para infelicidade geral da nação sei que esta situação lastimável se repete em inúmeros outros hospitais e unidades de saúde.
Gostaria de expor algumas observações de minha ruminação mental . . . infelizmente não são inéditas, nem brilhantes. Trata-se apenas de três fatos que todos nós conhecemos mas não sabemos como utlizá-los:
#1- Apenas em julho deste ano, foram contabilizadas 1.295 vítimas de trânsito na cidade do Rio de Janeiro. Gostaria de enfatizar que estes números se referem APENAS à cidade do Rio de Janeiro e APENAS ao mês de julho. Creio que não é difícil imaginar que boa parte destes acidentados vai precisar de reabilitação, não é ?
#2- É fato notório que a população brasileira está envelhecendo, e acompanhando este aumento da longevidade vem também um aumento no número de doenças típicas da terceira idade como osteoporose, Parkinson, AVEs, fraturas de fêmur, artroses, etc... Também não é difícil imaginar que esta população exige uma demanda de reabilitação, ou é?
#3- Assistimos ao aumento no número de casos de doenças ocupacionais, as famosas LERs e DORTs. As quais são responsáveis por um número significativo de absenteísmos e conseqüente queda de produtividade nas empresas. Adivinha só quem é que vai tratar as síndromes do túnel do carpo, as lombalgias, as bursites da população?
Isso sem falar na fisioterapia em UTIs, no pós-operatório de cirurgias cardíacas e ortopédicas, na reabilitação de atletas de alto nível e por aí vai... Acho que deu pra perceber que o fisioterapeuta é importante.
Então por que não somos reconhecidos com algo mais do que um tapinha nas costas e uma frase do tipo: “não sei o que faríamos sem vocês”. Por que a grande maioria dos gestores hospitalares acham que um ambulatório de fisioterapia só precisa de Ultra-Som, TENS, meia dúzia de compressas de gelo e uma maca? Qual o problema em se investir em reabilitação, quando os três fatos numerados acima mais do que justificam investimento pesado em pessoal e equipamento? Qual o problema dos “planos de saúde” pagar honorários dignos? Por que não percebemos que somos importantes e nosso trabalho faz a diferença?
É preciso a união pragmática e não utópica de nossa categoria profissional. Neste sentido acredito que a criação de associações fortes e atuantes além do fortalecimento dos sindicatos são as armas para combatermos este desprestígio.
Repito que precisamos nos unir, pois só assim seremos mais fortes, precisamos nos organizar, pois só assim seremos vistos. Somos muito numerosos, somos importantes! E chega de dizer por aí que a fisioterapia é uma profissão jovem. Vamos parar de enfiar a cabeça na areia. Vamos trocar este discurso por “Sou fisioterapeuta e meu trabalho faz diferença!”
Deu pra perceber pelo tom do meu discurso que o meu final de semana foi meio heavy-metal?
Humberto não fala, rosna.

9 comentários:

Venício Almeida disse...

Concordo plenamente cara com o seu discurso e acho bastante pertinente. Sou acadêmico e 99,9% dos docentes aqui entram na sala de aula dizendo isso, ainda bem q não sou so eu que estou cansado dessa utopia, precisamos nos mecher.

E viva o Rock vei!
Grande abraço!

FISIOTERAPIA NO AMAZONAS disse...

Entendo sua revolta , pois sinto isso todos os dias quando entro em sala de aula e ouço o mesmo discurso vindo dos colegas de turma , mais mesmo assim eu não me canso de argumentar o quanto nossa profissão é importante e nós acadêmicos devemos nos unir ..... Continuo na Batalha...

Diana Bitten disse...

Essa seu desabafo é de todos!

Muito bom post! Vou linká-lo no meu blog, ok?

rain down! disse...

Grande Humberto. Sou estudante de fisio, 6º período, em uma faculdade do interior do pernambuco. Embora haja tão grande número de profissionais na cidade é incrível como eles 'afirmam' se importar e carregam um discurso de que é preciso se unir e tudo mais, mas quando há um encontro para discutir coisas que podem trazer melhoras pra profissão, estes profissionais que aparecem nas faculdades pedindo a participação dos estudantes são os primeiros que faltam a reunião. É uma pena ver que, aqui, pelo menos, é cada um por si. Dizem se importar, mas nada fazem.

Ricardo disse...

Opa Humberto, sempre passo no seu blog, gosto muito. Acho voce um cara com muita nocao das coisas, e deve ser um otimo profissional. Concordo com sua indignacao. Mas posso te falar a real? aqui no brasil isso n vai mudar, pelo menos eh minha opniao, mas vamos trocar emails para conversarmos melhor. um abraco.

Dra. Cláudia T. Ricetti disse...

Também concordo com TUDO que você escreveu... Aqui em São Paulo é a mesma coisa... Todo mundo precisa/precisou ou precisará de fisioterapia e mesmo assim não dão valor... A quantidade de empresas e clínicas que contratam pagando pouquissimo é absurda.. e pior ainda é o profissional, que estudou por 4/5 anos se submeter a isso... Por mais que digam que estão precisando de emprego... não acho certo aceitar qualquer coisa.. é abuso...

Um abraço!

Aliny disse...

Totalmente de acordo. Temos que parar de ficar repetindo e nos unir. Somos sim, muito importantes. Entre tantas outras coisas, podemos diminuir e muito, o tempo de um paciente no CTI. Estudamos cerca de 5 anos - na faculdade, pois o estudo em si nunca termina -, para nos formarmos e nos depararmos com vagas de emprego por R$650,00. Isto é um absurdo. Só não desistimos por MUITO amor à nossa profissão. Eu amo reabilitar, de todas as formas, ajudar alguém a fazer algo simples que não conseguia e melhorar assim sua vida. Repito, temos que nos unir para mobilizarmos a população sobre a importância de um fisioterapeuta.

Fê Corsi disse...

Humberto, concordo muito com o que disse no post... é muito fácil fazer como nosso amigo aí de cima, e falar que isso não vai mudar... claro que não vai mudar, enquanto todos pensarem desse jeito... difícil é perguntar: "o que eu devo fazer pra melhorar essa situação???" Mais do que reabilitar, devemos mostrar ao mundo o quanto nossas mãos são importantes para a sociedade...
Com certeza... "Sou fisioterapeuta, e meu trabalho FAZ diferença" Parabéns a todos pelo dia de hoje...

Fernanda disse...

Meu marido de acidentou a perdeu o movimento do braço direito. O nervo esmagou. Aí queria saber se ele vai voltar a mexer o braço a mão