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domingo, 18 de outubro de 2009

Prova de seleção de fisioterapeuta da Unipampa 2009 - Gabarito e Comentários

Atendendo a pedidos, deixo hoje publicados os comentários sobres as 10 primeiras questões da prova de fisioterapeuta para a Unipampa, Rio Grande do Sul.
Eu particularmente acho o modelo de prova da CESPE muito difícil... pois para cada questão que acertar, o candidato ganha 1 ponto, e para cada questão que errar é descontado 1 ponto (ponto negativo).
Não sei dizer se este é o melhor jeito ou o mais justo. O importante é saber que em alguns momentos não temops escolha. Se você quiser passar em um concurso público você deve estar preparado para encarar este tipo de prova.
Aguardem para as próximas semanas mais 10 questões comentadas.
Divirtam-se


Considerando que, em uma criança com paralisia cerebral do tipo diplégica espástica, o padrão de posicionamento dos membros inferiores influencia o desempenho da marcha, julgue os itens que se seguem.
51) Uma das marchas características em crianças com esse tipo de paralisia cerebral é a chamada marcha em agachamento.
Resposta: Na diplegia espástica é possível observar dois padrões de marcha: um padrão denominado de “marcha em agachamento” (também chamada marcha agachada, ou “crouch gait”), caracterizada pela flexão excessiva do quadril e joelho, flexão plantar excessiva do tornozelo e inclinação pélvica superior.
Somente a título de curiosidade: o outro tipo de alteração da marcha encontrada é a denominada “marcha em tesoura”.
Portanto, questão 51 está certa
fonte:http://www2.rc.unesp.br/eventos/educacao_fisica/biomecanica2007/upload/115-11-B-PARALISIA%20NAO%20IDENTIFICADO.pdf


52) A órtese tornozelo-pé (AFO) de reação ao solo está contra-indicada para o uso em crianças com esse tipo de paralisia cerebral.
As órteses AFO de reação ao solo são indicadas justamente para tentar evitar a marcha em agachamento.
Portanto, a questão 52 está errada.
Fonte:http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1807-59322007000100010&script=sci_arttext&tlng=en
http://comunidadeaacd.ning.com/photo/photo/show?id=2406047%3APhoto%3A801


53) Em crianças com este tipo de paralisia cerebral, os dois membros inferiores podem apresentar posturas que variam em termos de gravidade.
Não encontrei referências para justificar minha resposta. Apenas me baseio em minha experiência clínica. De fato, o diplégico (assim como crianças com quadriplegia espástica), pode apresentar um dimídio mais acometido do que o outro, fazendo com que haja variação do ^^onus e postura entre as pernas.
Portanto, a questão 53 está certa.


Com relação às órteses de membros inferiores, julgue os itens abaixo:
54)
A órtese Parawalker é indicada para pacientes portadores de traumatismo raquimedular e mielodisplasias com lesões compreendidas entre os níveis T1 e L2.
O Parawalker é uma órtese longa desenvolvida com finalidade de promover o treinamento e assistência à marcha. Esta órtese possibilita marcha de quatro apoios (recíproca) com baixo gasto energético, sendo necessário o uso de bengala canadense ou andador.
Este equipamento está indicado para pacientes com lesão entre T4 e L1, que não possuam contraturas musculares. Estes pacientes devem ter um bom controle de tronco e extremidade superior forte e com boa mobilidade, pois o tutor não faz a sustentação de tronco sendo necessária a utilização de muletas canadenses ou andadores para realizar a marcha.
Estas informações são relevantes, e merecem algumas considerações. Mas antes devo informar que não tenho experiência com este tipo de órteses, sendo que baseio minhas reflexões nos conhecimentos teóricos de anatomia e fisiologia. Além disso, em termos práticos, uma lesão medular nunca é “como descrita nos livros”, existem níveis de preservação parcial da função motora e sensitiva as quais devem ser considerados em um paciente real. Dito isto, vamos ao que interessa.
Pois bem, como próprio nome diz, trata-se de um dispositivo para paraplégicos (se fosse para tetra se chamaria “tetrawalker” ou algo do gênero) Assim, logo de cara percebe-se que o paciente DEVE ter no mínimo função preservada em T1. Pacientes com lesão a partir de L2 poderão utilizar órteses menos complexas, uma vez que o equilíbrio de tronco está preservado (IMPORTANTE: Quanto mais baixo o nível de lesão lombar melhor a marcha e menor a necessidade de órteses)
Já que falamos em equilíbrio de tronco, é justamente aqui onde esta questão pode enrolar o candidato: Pacientes com lesão em T1 não tem o equilíbrio de tronco preservado. Este fato não inviabilizaria o uso da órtese parawalker, mas com certeza dificultaria muito seu uso.
O que quero dizer é: Na teoria, o principal pré-requisito para o parawalker é ter braços (força e motricidade em MMSS preservadas).
No mundo real, um pouco mais de tronco seria uma indicação para o uso adequado e funcional, entenda funcional como a capacidade de deambulação com um gasto energético aceitável. Afinal, não adianta nada o cara vestir o parawalker no quarto, se deslocar até a sala e ter de interromper o treino de marcha por estar exausto.
Então, se você se guiar pelos livros o gabario oficial é certa.
Fontes:http://www.portadeacesso.com/artigos_leis/proteses/parawalker.htm
http://portaldafisioterapia.com.br/index.php?pg=noticia&id=958


55) Presença de lesões em maléolo lateral, com o uso da órtese tornozelo-pé (AFO) podem ser causadas por desabamento do pé em eversão do tornozelo na fase de apoio da marcha.
Para solucionar esta questão o candidato deve simplesmente usar a lógica. Porém, esta lógica só poderá ser usada se você souber duas coisas:

(1) O que é uma AFO
(2) O que é um tornozelo evertido.

Não vou explicar o que vem a ser uma AFO, vou apenas chamar a atenção para o fato de comumente as AFOs envolverem o tornozelo e o pé. Normalmente elas são moldadas de forma a manter o tornozelo em posição neutra (isto é: nem invertido e nem evertido). Quem não conhece a AFO, dê uma olhadinha na figura abaixo, perceba como a órtese envolve os maléolos.

OK, agora vamos para uma definição breve e simples sobre eversão de tornozelo: Movimento no qual se vira a planta do pé em direção a parte lateral da perna. Ou em outras palavra: vira o pé "pra fora". Imagino que você esteja neste exato momento virando os pés pra dentro e pra fora. Caso não esteja fazendo isso, inicie imediatamente!
Perceba que ao virar o pé pra fora, o seu maléolo medial é "projetado" ainda mais em direção medial. Pois bem, agora ficou simples. Se eu tenho uma órtese envolvendo meu tornozelo, e esta órtese foi especialmente desenhada para mantê-lo em posição neutra, no momento em que eu faço uma eversão eu "projeto" meu maléolo de forma a empurrá-lo contra a órtese. veja na imagem abaixo como os maléolos mediais tendem a se projetar medialmente. Assim, pés evertidos causam lesões no maléolo medial e não no lateral.
Portanto questão 55 etá errada.


56) Encurtamentos de membros inferiores de 0,8 cm a 2,5 cm devem ser compensados com palmilhas três quartos, utilizadas dentro dos calçados convencionais.
Essa eu não sei responder. Peço ajuda aos universitários.
O gabarito oficial é errada.
Um colega colaborou com a resposta a esta questão deixando a seguinte informação:
"Palmilha 3/4 é indicada para pés com metatarsalgia, fascite plantar, hiperqueratose metatársica, alívio de dores nas cabeças dos metatarsos subluxados, tratamento das patologias do ante pé e absorção de impacto. Portanto não é indicada para discrepância de membros."
Valeu Marco Antônio.

57) O compressor dinâmico de tórax toracoesternal é indicado para pacientes com pectus excavatum.

Confesso que nunca tinha ouvido falar em "compressor dinâmico de tórax toracoesternal". Pesquisei o assunto e aprendi alguma coisa sobre o assunto. Infelizmente não posso acrescentar muito além do fato dele ser utilizado em pacientes com deformidade tipo "pectus carinatum" e não "pectus excavatum".
Acima a imagem do compressor dinâmico de tórax
Portanto questão 56 também está errada.
Para saber mais acesse os linkls abaixo
http://www.rbo.org.br/pdf/1999_nov_05a.pdf
http://www.orthopectus.com.br/fmetodo.htm
http://www.marloscoelho.com.br/conteudo.php?acao=deformidade&area=deformidade_pectuscarinatum&idioma=1



No paciente idoso, a presença de incontinência urinária e o comprometimento do assoalho pélvico acaba por gerar importantes limitações funcionais e queda na sua qualidade de vida. Com relação a esse tema, julgue os próximos itens.

58) Um dos sinais e sintomas do quadro de incontinência urinária de urgência, por hiperatividade do detrusor, com comprometimento da contratilidade da bexiga, é o elevado volume residual pós-miccional.

Incontinência urinária é a perda involuntária de urina. A síndrome da bexiga hiperativa ou síndrome de urgência é um diagnóstico clínico caracterizado por urgência miccional, com ou sem urge-incontinência, usualmente acompanhada de noctúria e de aumento da freqüência urinária. A hiperatividade do detrusor, por sua vez, refere-se a um diagnóstico urodinâmico que se caracteriza por contrações involuntárias do detrusor durante a cistometria.
A hiperatividade detrusora associada à hipocontractilidade vesical pode levar à urge-incontinência. Em outras palavras: a contração hiperreflexa do detrusor chega ate um nível suficiente para abrir o esfíncter, isto é, para ultrapassar a pressão intra-uretral, mas não para esvaziar totalmente a bexiga. Desse jeito temos uma situação paradoxal: incontinência urinaria com retenção residual.
Portanto , o gabarito é certa.
Fontes
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-72032007000900003&lng=pt&nrm=iso
http://www.projetodiretrizes.org.br/6_volume/30-IncontiUrinProp.pdf
http://www.uroginecologia.com.br/index/?q=node/6
http://www.misodor.com/INCONTINURIA.html


59) No controle da incontinência urinária por treino funcional, a intervenção por treinamento vesical tem como população-alvo os pacientes cognitivamente comprometidos.

Segundo o projeto diretrizes, a técnica de Micção Comandada é a técnica utilizada em pacientes com problemas cognitivos. Além disso, acredito que o termo "treino funcional" desta questão esteja relacionado ao fortalecimento da musculatura do assoalho pélvico e reeducação vesical. Atividades que necessitam de cooperação e uma certa dose de percepção corporal. Neste sentido, está disponível na web uma monografia que contém a seguinte observação:

"O ensino das contrações do assoalho pélvico, para a paciente praticar de modo regular sem auxílio, é uma das tarefas mais difíceis exigidas do fisioterapeuta, porque os músculos não estão diretamente visíveis, tanto para a paciente como para o fisioterapeuta, e não pode ser usada uma demonstração"
POLDEN, M.; MANTLE, J. Fisioterapia em obstetrícia e ginecologia. São Paulo: Santos, 2002.

Portanto questão 59 está errada.


60) O uso de eletroterapia na incontinência urinária tem como um dos seus objetivos estimular o armazenamento de urina pela alteração da sensação da bexiga, por meio da estimulação das fibras aferentes.

Por meio da eletroterapia, a musculatura pode ser estimulada involuntariamente, até que as fibras musculares recuperem o trofismo suficiente para restabelecer a continência. Assim, a eletroterapia mantém a contração e o trofismo muscular, favorece e estimula a propriocepção da musculatura perineal da paciente, conscientizando-a de como utilizá-la quando for necessário.
Fonte: http://www.fag.edu.br/tcc/2006/Fisioterapia/eletroterapia_no_tratamento_de_mulheres_com_incontinencia_urinaria_de_esforco.pdf A citação acima refere que a eletroterapia é capaz de estimular a sensação da bexiga (propriocepção) e se é um tratamento para incontinência, naturalmente tem como objetivo estimular o armazenamento de urina. Eu só não entendi direito o lance com as fibras aferentes...
Mas mesmo assim, a questão 60 está certa.

Agora uma singela mensagem final sobre o espírito das provas da CESPE,
estrelando: Mestre Yoda:


... e que a força esteja com vocês

6 comentários:

pada disse...

humberto. que prova sem noção é essa. eu acho que iria me aproximar do zer certamente.
valeu

pada disse...

Mesmo que eu tivesse a taxa mais elevada de midiclorians jedis do mundo iria tirar boa nota.

Humberto Neto disse...

Podes crer, modelo de prova difícil pra caramba.
Acho que era esse tipo de prova que eles usavam pra selecionar os candidatos do conselho Jedi.
Pensando bem, acho que vou convidar o mestre Yoda pra comentar essas provas. Afinal de contas, por 800 anos ele treinou gerações de Jedis, alguma coisa de prova ele deve sacar né?
Valeu ... e que a Força esteja com você

Marco Antônio disse...

Palmilha 3/4 é indicada para pés com metatarsalgia, fascite plantar, hiperqueratose metatársica, alívio de dores nas cabeças dos metatarsos subluxados, tratamento das patologias do ante pé e absorção de impacto. Portanto não é indicada para discrepância de membros.

Marina disse...

Olá Humberto,
não sei se está muito tarde, mas tenho uma consideração a fazer sobre o uso da eletroterapia no tratamento de incontinencia urinária.

Este aspecto que você colocou tem como objetivo uma melhora da contracao dos musculos do assoalho pélvico através da percepçao, aumento da vascularizcao, etc, que realmente ativa fibras eferentes.

Mas o objetivo colocado na questao é para promover um melhor armezenamento vesical pela ativaçao do sistema simpático e pudendo (somático) que vai inibir a resposta parassimpática. Entao nesse caso é uma estimulaçao aferente.

Espero ter ajudado =)

Luciana Catalão disse...

Acho que a fibra aferente no final da questão foi pra confundir mesmo. Pois se prestarmos atenção somente na parte que diz sobre as sensações da bexiga pode achar que as fibras aferentes não farão parte do trabalho, pois está relacionado ao sistema proprioceptivo, mas as fibras eferentes trazem inclusive os estímulos de propriocepção. Acho que por esse motivo dá pra confundir.