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terça-feira, 5 de outubro de 2010

Ataxia e fisioterapia

Após um bom tempo sem postar, estou de volta, e desta vez cheio de gás!
Já que o assunto é o resultados das eleições, aproveito para comentar o resultado de uma enquete que fiz há algum tempo atrás para saber quais informações mais interessam aos leitores do blog. A mais votada foi "postagens sobre tratamento fisioterapêutico", seguida de "artigos traduzidos", em terceiro lugar ficou "provas comentadas" e por último (porém com uma votação significativa) "postagens sobre o que bem me desse na telha".
Pois bem, hoje deixo algumas informações importantes sobre ataxia, e no final algumas reflexões sobre o tratamento. Espero que seja útil.

ATAXIA
A ataxia é um distúrbio do movimento caracterizado pela incoordenação dos movimentos e controle postural insuficiente.
Etimologia:

A, do grego = não, negação.

Taxia = do grego “táxis”, ordem.
Desta forma, ataxia, literalmente significa sem ordem, incoordenação. Neste momento, é importante salientar que a ataxia é um sintoma, e não uma doença ou um diagnóstico específico.

A ataxia pode surgir como resultado de um AVE, de um TCE ou de lesão das vias sensoriais em seu trajeto pela medula devido a fraturas vertebrais. Outras causas incluem hipóxia, abuso de álcool ou drogas, infartos cerebelares, disfunção vestibular além de causas hereditárias e congênitas. Obviamente é importante conhecer a etiologia da ataxia para o tratamento da causa subjacente, no entanto, para o fisioterapeuta o objetivo de tratamento é sempre o de alcançar o melhor resultado funcional possível.

As ataxias podem ser classificadas em:

# 1 - Ataxia Cerebelar,
É causada por comprometimento do cerebelo e de suas projeções aferentes e eferentes (vias cerebelares). De forma geral, o paciente apresenta falta de coordenação dos movimentos voluntários, por erros na força, direção ou extensão do movimento. Importante lembrar que lesões no cerebelo não causam paralisia, paresia ou qualquer déficit sensitivo.

# 2 - Ataxia Sensitiva, também denominada ataxia de sensibilidade proprioceptiva.
É causada por comprometimento das vias de sensibilidade profunda (fascículos grácil e cuneiforme), que regem o sentido das posições e dos deslocamentos segmentares (sensibilidade cinético postural)

# 3 - Ataxia Vestibular, também denominada ataxia labiríntica.
É causada por disfunção do sistema vestibular e de existência controversa. Cursa com comprometimento do equilíbrio, sem alteração da coordenação motora e dos movimentos apendiculares.

# 4 - Ataxia Frontal, uma forma rara de ataxia com comprometimento do córtex frontal (via cerebelo-frontal - responsável pelo planejamento do ato motor), podendo ser causada por infartos subcorticais frontais múltiplos; tumores frontais; hematomas subdurais.

Para mais detalhes sobre as lesões do cerebelo, resultando em problemas de fala, incoordenação motora, ataxia e aprendizagem motora, vale a pena sair da frente do computador, se deslocar até a biblioteca da faculdade e consultar o livro Fisioterapia, Avaliação, Tratamento e Procedimento 4ª Edição. O'Sullivan, Susan B. O'Sullivan, Thomas J. Schmitz.


TRATAMENTO
Na ataxia o paciente apresenta tremores, incoordenação, distúrbios de equilíbrio, postura e marcha. O atendimento de fisioterapia deve ser planejado de forma a promover a estabilidade postural, estimular precisão de movimentos dos membros (sem perder a estabilidade ! ), além do treino de marcha. A estabilidade postural pode ser melhorada com foco no controle da postura estática em várias posições diferentes, como por exemplo na posição de puppy (deitado com apoio nos cotovelos), sentado, quatro apoios, de joelhos, semi-ajoelhado e de pé. Esta progressão de posturas mais baixas para mais altas é usada para aumentar a demanda muscular por meio da variação da base de apoio, variação do centro de massa do corpo do paciente.

Além disso, é legal promover atividades de mobilidade controlada (deslocamento de peso, balanço, entrar e sair de posturas ou transições de movimento) como por exemplo, pedir ao paciente para realizar tarefas como alcançar um objeto com a mão enquanto mantém a postura estável, como semi-ajoelhado ou mesmo de pé. (os gringos chamam isso de mobility on stability, ou seja: a capacidade de movimentar os segmentos corporais mantendo uma boa postura estática)

Sabe, eu gosto de pensar que eu faço meio que treinamento circense com meus pacientes. É meio estranho de explicar, mas imagine o seguinte: A princípio, todos nós temos o potencial para nos tornar trapezistas ou malabaristas. O que nos falta é coordenação motora. Se treinarmos bastante, podemos superar o nosso nível basal de habilidade e coordenação, e quem sabe até conseguir trabalhar num circo. Com o paciente atáxico é mais ou menos a mesma coisa, só que o ponto de partida não é o nível de habilidade basal, mas sim o prejuízo na coordenação causado pela ataxia. O paciente será treinado para se tornar um "malabarista atáxico" (no caso desenvolvendo sua coordenação motora, até o mais próximo possível dos níveis de uma pessoa considerada normal)

Um importante objetivo da terapia é promover o equilíbrio seguro e funcional. Exercícios terapêuticos são capazes de ensinar o paciente com ataxia a reduzir a oscilação postural (freqüência e amplitude) e melhorar o controle da posição e do alinhamento corporal.
Ao longo do tratamento, pode-se utilizar bolas suíças para desafiar o controle postural do paciente em uma superfície instável (mas isso só se faz em uma fase adiantada de reabilitação !!!! )

Exercícios de Frenkel deveM ser realizados lentamente, com o paciente utilizando o feedback visual para orientar o movimento correto. Os exercícios feitos corretamente exigem um alto grau de concentração mental.

Algumas vezes, a aplicação de pesos leves (eu disse LEVES!!!!) pode ser utilizada para fornecer um input proprioceptivo. Alguns trabalhos descrevem o uso de cintos ou mesmo jaquetas de pesos, com o objetivo de diminuir a dismetria e tremores de membros e tronco.

A piscina é um importante meio terapêutico para praticar o controle postural estático e dinâmico. A água oferece resistência graduada que retarda o movimento do paciente atáxico e pode ajudá-lo na recuperação da coordenação e controle dos movimentos.

... postagem ficando kilométrica... continuo outro dia...

Câmbio desligo
hasta la vista !

12 comentários:

Carol Dias disse...

Tenho dois pacientes atáxicos: um rapaz de 24 anos devido a lesão cerebelar pós cirúrgica e outra moça de 30 anos que não tem causa identificada nem no Hospital Sarha de Brasília. O priomeiro acompanho na fisioterapia com instabilidades, treino de força global, exercícios de coordenação e em conjunto também com um fonoaudiólogo, devido a atresia na fala. A segunda já passou por este processo da fisio convencional e agora optamos juntas por trabalhar dentro do pilates, nas mesmas bases da fisio que ela já realizava: instabilidades, desafios de coordenação, ganho de força (levíssima), transferências... Ambos evoluem na medida do ossível de acordo com o grau de comprometimento individual de cada um, já que a causa da lesão é diferente para cada um deles. Mas eles prórios têm percebido evolução em seus tratamentos.

Humberto Neto disse...

Ólá Carol,
Realmente tratar pacientes atáxicos é um desafio. Sua idéia de iniciar no Pilates é ótima, aliás, espero nos próximos dias postar uma matéria sobre Neuropilates.
Não perca!
Atenciosamente
Humberto

Flávia Maia disse...

Olá, estou adorando todos os posts do blog, obrigada também Carol por compartilhar sua experiência. Vou começar a trabalhar com neurorreabilitação e estou muito tempo fora dessa área, e tudo que tenho lido aqui tem sido ótimo para mim.
Também sou instrutora de Pilates e estou ansiosa esperando o post de neuropilates.
Flávia

MONICA disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Jacqueline disse...

Olá,sou aluna do ultimo ano de Fisioterapia..estou em neuro adulto...estou completamente perdida..gostaria muito da ajuda de vocÊs.
Estou com uma paciente com diagnóstico de degeneração cerebelar,ela tem 70 anos,tem a marcha embriosa,déficit de equilibrio super importante,tem quedas frequentes por isso,disastria...gostaria de saber o porque ela tem esses déficits aonde é a lesão,motoneuronio superior?inferior?saber mais da patologia,pois não encontro muito em artigos e estou com dificuldades em achar em livros.
Não sei por onde começar fico enrrolando na hora do atendimento porque realmente estou perdida...e a professora fica me olhando com uma cara não muito legal...com razão!
Tenho dificuldade em planejar a conduta tambem !
Me ajudem por favor...
Aguardo resposta o mais breve possivel!
Beijos e parabens pelo blogger !!

Anônimo disse...

Olá, me chamo Daniel sou fisioterapeuta porém minha área de atuação não é voltada para neuro, sou especialista em respiratória e em terapia intensiva, mas trabalho em 2 prefeituras em MG, estou com um paciente com ataxia devido multiplos infartos tanto cerebelares quanto no córtex cerebral, gostaria de saber qual o prognóstico e com quanto tempo da pra se notar uma melhora no quadro ataxico do paciente, ele esta realizando 3 sessões por semana, estou na 2 semana, e existe tanto por parte do paciente como dos familiares quanto a sua recuperação, eu não soube dar uma posição em relação a isso, muito bom seu blog. Meu email é danielsergioa@hotmail.com Obrigado

Anônimo disse...

Olá, ataxia de friedreich pode aparecer em qualquer idade? Por exemplo em crianças?

Anônimo disse...

Adorei seu post!!! Estou estudando o caso de uma paciente ataxica hereditaria, com gde dificuldade na marcha, disartria....enfim seus comentarios esclarecersm mtas coisas, de uma forma precisa. Parabens.

Anônimo disse...

Estes pacientes tambem podem ser tratados com acupuntura.. Encaminhem aos colegas de profissao...
O resultado eh maravilhoso

Paula disse...

Oi!Que legal teu comentário Carol. É muito bom saber que não sou a "única" que tenho 30 anos e não tenho causa identificada. Muitos se escondem, daí fica difícil o contato. Primeira vez que eu leio um caso semelhante. Que nem diz o Humberto "É um desafio" para profissionais e pacientes.
Muito obrigada a todos!

Anônimo disse...

Ataxia de Friederich geralmente começa aos 15 anos...e é predominantemente em meninos.

O que seria trabalhar coordenação? só através da repetição? o maior problema da incoordenação é a co-contração muscular ineficaz estabilizando os seguimentos e o deficit de ativação agonista e inibição antagonista...quais são os meios de facilitar essa co-contração?
Traçar uma conduta é difícil..mas o principal erro está em não estudar/pesquisar os mecanismos de ação que causam o sintoma e os sinais. Deve-se tomar cuidado ao propor uma terapia, pois ao invés de trabalhar no déficit do paciente, vc pode compensá-lo.

Luciana

Anônimo disse...

Olá DR Humberto! estamos escrevendo um livro multidisciplinar com orientações para pacientes e familiares de pacientes com ataxia. Estou escrevendo sobre exercícios de equilíbrio e gostei muito da sua comparação com o circo. Posso citar você (esta sua comparação) e seu blog???
Marise Bueno Zonta
Fst do HC - UFPR