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segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Lesão Medular Traumática - Objetivos Funcionais

IMPORTANTE:
Esta é uma postagem direcionada a estudantes e profissionais da área de saúde. Não prescrevo exercícios e não faço consultas pela internet.


Atendendo a pedidos, fiz uma pesquisa sobre os objetivos funcionais por nível de lesão em pacientes com Lesão Medular. Mas antes de prosseguir, um aviso aos estudantes:
As informações a seguir devem ser interpretadas como um guia geral. Cada paciente é único e mesmo duas pessoas categorizadas como o mesmo nível de lesão nem sempre apresentam o mesmo quadro funcional.
Cada subdivisão foi feita considerando lesão medular completa no nível neurológico. Ou seja: quando o texto se referir a uma lesão em T1, por exemplo, significa que todos os segmentos acima de T1 estão preservados)
Dito isso, vamos ao que interessa:



TETRAPLEGIA

NÍVEIS C1-C3
Indivíduos com lesão completa C1-C3 (tetraplegia alta) tem controle dos movimento da cabeça e pescoço. A característica mais marcante de lesões desta altura é a necessidade de suporte ventilatório mecânico devido à perda da inervação do diafragma. Esses indivíduos podem eventualmente se beneficiar da FES do nervo frênico para reduzir sua necessidade de ventilação mecânica.

Habilidades: Movimentos limitados de cabeça e pescoço
Objetivos Funcionais:
Respiração: Depende de um ventilador ou um implante para controlar a respiração.
Comunicação: Em geral estes pacientes são traqueostomizados, o que influencia a capacidade de fala, aqual pode ser difícil, muito limitada ou mesmo impossível. Se a habilidade de falar é limitada, a comunicação pode ser realizada por meio de tecnologias assistivas, como um computador com software para falar ou digitar (semelhante ao que o Fisico Stephen Hawkings usa). A comunicação verbal permite ao indivíduo com lesão medular interagir com os cuidadores durante atividades como banho, vestuário, higiene pessoal, transferência, bem como a gestão de bexiga e intestino.
Tarefas Diárias: Tecnologia Assistiva permite independência em tarefas como virar páginas, usar telefone e utilizar e equipamentos.
Mobilidade: Pode operar uma cadeira de rodas elétrica, usando um controle de cabeça, bastão na boca ou controle no queixo.

NÍVEL C4
Pessoas com uma lesão ao nível de C4 possuem boa parte ou toda a inervação do diafragma preservada. Estes pacientes podem não precisar de assistência ventilatória de longo prazo, embora não seja incomum a receber ventilação mecânica inicialmente após a lesão. Pacientes com lesões de C1 a C4 irão depender da ajuda de outros em quase todas as suas necessidades de mobilidade e auto-cuidados, embora possam ser capazes de usar uma cadeira de rodas motorizada com o queixo ou controles adaptados (bastão bucal ou sopro).
O ideal é que os pacientes sejam capazes de se comunicar com os cuidadores sobre as suas necessidades de mobilidade, bem como sobre o auto-cuidado e da bexiga e / ou cuidados intestino.

Habilidades:Normalmente tem o controle dos movimentos de cabeça e pescoço. Indivíduos com o nível C4 podem encolher os ombros.
OBJETIVOS FUNCIONAIS:
Respiração: Podem necessitar de suporte ventilatório para respirar. Entretanto é possível respirar espontaneamente uma vez que a inervação do diagfragma está quase toda preservada.
Comunicação: Verbal, mas pode ter a projeção de voz mais fraca.
Tarefas Diárias: Com equipamentos especializados, alguns podem ter independência limitada na alimentação e operar de forma independente uma cama ajustável com um controle adaptado.

NÍVEL C5
Indivíduos com tetraplegia C5 possuem uso funcional da flexão de cotovelo. Com a ajuda de dispositivos de assistência especializada, tais como órteses de punho ou a mão que lhes permitam segurar objetos, estas pessoas podem alcançar a independência na alimentação e higiene. A fisioterapia é importante para prevenir contraturas de flexão de cotovelo e supinação do antebraço causada pela atividade do bíceps sem oposição. Pacientes com lesão em C5 podem ajudar na mobilidade e vestuário.

Embora possam utilizar cadeira de rodas manual com adaptações para serem tocadas, provavelmente uma cadeira de rodas motorizada com controles manuais será necessária para a maioria das suas necessidades de mobilidade. Os pacientes necessitam de assistência para a maioria dos auto-cuidados, para a mobilidade, transferência e para o manejo das funções vesicais e intestinais. A tecnologia assistiva desempenha um papel importante na maximização do controle do ambiente, ajudando o paciente a ajustar a altura da cama, atender telefones, usar computadores, acender e apagar luzes e televisores. Dirigir um veículo especialmente adaptado é possível.

Habilidades: Normalmente tem o controle dos movimentos de cabeça, pescoço e ombros. Podem fletir os cotovelos e realizar supinação de antebraço.
OBJETIVOS FUNCIONAIS:
Tarefas Diárias:
Independência para comer, beber, lavar o rosto, escovar os dentes, barbear rosto e cabelos após assistência na montagem de equipamentos especializados.
Cuidados de Saúde: É possível realizar alguns dos auto-cuidados de saúde, como tosse auto-assistida e alívio de pressão ao inclinar-se para frente ou para os lados.
Mobilidade: Pode empurrar uma cadeira de rodas manual em curtas distâncias sobre superfícies lisas. A cadeira de rodas motorizada com controles de mão é normalmente utilizado para as atividades diárias. Dirigir pode ser possível após serem avaliados por um profissional qualificado para determinar as necessidades de equipamentos especiais

NÍVEL C6
Indivíduos com tetraplegia C6 têm, além do controle motor do bíceps braquial, a função adicional de extensão do punho. Isso permite o uso da tenodese (flexão passiva dos dedos da mão e adução do polegar durante a extensão ativa de punho). O paciente deve evitar o alongamento excessivo dos flexores dos dedos, pois limita a ação da tenodese.

C6 é o nível mais alto no qual os pacientes podem ter uma lesão completa e ainda assim obter independência funcional, sem o auxílio de um cuidador, embora essa situação não seja comum.
Indivíduos com lesões a este nível pode alcançar níveis consideráveis de independência funcional em termos de alimentação, higiene, banho, cama e mobilidade por meio de adaptações. Eles podem vestir a parte superior do corpo de forma independente e ajudar a vestir a parte inferior. Podem realizar transferência da cama para cadeira utilizando uma prancha de transferência. O cateterismo intermitente para o cuidado da bexiga pode ser possível com dispositivos adaptados, embora não seja comum e seja tecnicamente mais difícil para as mulheres do que para homens.
Cadeiras de rodas manuais com adaptações para facilitar o apoio das mãos podem ser utilizada para a mobilidade comunitária, embora os pacientes possam preferir uma cadeira de rodas motorizada. Conduzir um veículo adaptado com algumas adaptações, como um elevador personalizado e controles manuais, é uma opção. Pacientes com lesões C6 podem ser independentes na utilização de um telefone, escrita e digitação (com dispositivos adaptados).

HABILIDADES:Controla movimentos de cabeça, pescoço, ombros, braços e pulsos. Pode encolher os ombros, fletir os cotovelos, supinar e pronar o antebraço e estender os punhos.
OBJETIVOS FUNCIONAIS:
Tarefas Diárias:
As tarefas diárias de alimentação, banho, limpeza, higiene pessoal e limpeza podem ser executadas com maior facilidade utilizando alguns equipamentos especializados.
Cuidados de Saúde: É possível fazer verificações independentes da pele, realizar o alívio de pressão, e virar na cama.
Mobilidade: Alguns indivíduos podem fazer transferências de forma independente, mas muitas vezes é necessária uma placa de deslizamento. É capaz de usar uma cadeira de rodas para as atividades diárias, mas pode usar cadeira de rodas motorizada para maior facilidade e independência.

NÍVEL C7
Com o uso de dispositivos adaptados, também podem se tornar independente em matéria de higiene, limpeza extremidade inferior, e cuidado intestinal. Os indivíduos com uma lesão em C7, especialmente as mulheres, podem precisar de ajuda com o cuidado da bexiga (p.ex., cateterismo intermitente). Podem também ser independentes, com ou sem dispositivos auxiliares, para escrita, digitação, virando as páginas, atender telefones, e usar os computadores.

HABILIDADES: Tem movimentos semelhantes ao de um indivíduo com nível C6, com capacidade adicional para estender os cotovelos.
OBJETIVOS FUNCIONAIS
Tarefas Diárias: É capaz de executar tarefas domésticas. Necessita de menos ajuda adaptada para vida independente.
Cuidados de saúde: Capaz de fazer elevação de pelve na cadeira de rodas para alívio de pressão.
Mobilidade: O uso diário de cadeira de rodas manual. Pode fazer transferências com maior facilidade.
Indivíduos com tetraplegia C7 têm a capacidade de estender o cotovelo, o que aumenta a sua mobilidade e habilidades de auto-cuidados. Estes pacientes podem conseguir a independência na alimentação, em vestir a parte superior do corpo, tomar banho, mobilidade na cama, transferências e de propulsão de cadeira de rodas manual na comunidade.

NÍVEL C8
Indivíduos com tetraplegia C8 têm controle para flexão dos dedos, o que melhora a sua independência em termos de preensão manual. Eles podem atingir a independência na alimentação, higiene, em vestir os membros superiores e inferiores, tomar banho, mobilidade, transferências, propulsão de cadeira de rodas manual, e auto cuidados da bexiga e do intestino de cuidados, bem como digitação, atender telefones, e usar os computadores.

HABILIDADES
Tem mais força e precisão nos movimentos dos dedos, resultando em função manual limitada ou natural.
OBJETIVOS FUNCIONAIS
Tarefas Diárias: Pode realizar as atividades diárias de forma independente, sem necessidade de dispositivos de auxílio na alimentação, banhos, higiene bucal e facial, e cuidados com a bexiga e intestino.
Mobilidade: Usa cadeira de rodas manual. Pode transferir de forma independente.


PARAPLEGIA

NÍVEIS T1-T12
Os indivíduos com paraplegia T1-T12 tem inervação e função de todos os músculos da extremidade superior, inclusive para a função da mão. Eles podem conseguir a independência funcional em autocuidados (incluindo tarefas domésticas e preparação de refeições), no manejo da capacidade da bexiga e intestino, e em todas as necessidades de mobilidade utilizando cadeira de rodas. é importante notar que quanto mais baixo o nível neurológico, melhor será o equilíbrio do tronco e á efetividade da tosse. Os indivíduos devem receber treinamento avançado de cadeira de rodas, para que possam passar por superfícies desniveladas, terrenos acidentados, rampas e calçadas, bem como transferências do chão para a cadeira de rodas.

Os indivíduos com uma lesão T9-T12 têm controle de tronco variável (dos músculos paravertebrais e abdominais), e eles podem ser capazes de deambular usando órteses HKAFO, juntamente com um andador ou muletas. Pessoas com uma lesão em T10-T12 tem um melhor desempenho, e podem até tentar subir e descer escadas. Infelizmente, o uso destas órteses requer gasto de energia extrema e pode sobrecarregar os membros superiores, causando lesões. POr causa disso, muitas pessoas podem preferir a mobilidade de cadeira de rodas.

HABILIDADES:Tem a função motora normal de cabeça, pescoço, ombros, braços, mãos e dedos. Tem uma maior utilização das costelas e controle de tronco.
OBJETIVOS FUNCIONAIS
Tarefas diárias:
Possui um alto nível de independência em quase todas as atividades.
Mobilidade: Alguns indivíduos são capazes de marcha limitada utilizando órteses longas. Isto requer grande gasto energético e exige muito da parte superior do corpo, não oferecendo nenhuma vantagem funcional. Pode levar a danos às articulações dos membros superiores.

NÍVEIS LI-L5
Indivíduos com lesão lombar podem conseguir a independência funcional para a mobilidade, autocuidados e manejo da bexiga e do intestino. O treinamento avançado em cadeira de rodas (como mencionado acima) deve ser realizado.

Os pacientes com esta lesão pode dirigir de forma independente, usando um carro adaptado com controles manuais. Os indivíduos com uma lesão ao nível da coluna lombar podem se tornar funcionalmente independentes em termos de família e deambulação comunitária, que é frequentemente definido como a deambulação sem auxílio para distâncias superiores a 150 pés (aproximadamente 45 metros), com ou sem o uso de aparelhos e dispositivos de assistência. Aparelhos ortopédicos (KAFOs e órteses tornozelo-pé) são frequentemente prescritas para ajudar estes pacientes a andar. Porém o uso de uma cadeira de rodas manual em parte do tempo é muitas vezes necessário.

HABILIDADES
Apresenta algum grau de controle dos movimentos de quadris e joelhos.
OBJETIVOS FUNCIONAIS
Mobilidade:
Caminhar pode ser uma função viável, com a ajuda de órteses de perna e tornozelo. Níveis mais baixos de lesão podem caminhar com maior facilidade com as órteses.

NÍVEIS S1-S5
HABILIDADES: Dependendo do nível da lesão, existem vários graus de retorno voluntário da bexiga, intestino e das funções sexuais.
OBJETIVOS FUNCIONAIS
Mobilidade: Maior capacidade de andar com poucos ou nenhum dispositivo de apoio


REFERÊNCIAS:

http://emedicine.medscape.com/article/322604-overview

http://www.spinalcord.uab.edu/show.asp?durki=22409

http://www.spinalcord.uab.edu/show.asp?durki=30172

8 comentários:

Cogitare Fisioterapia disse...

Muito interessante. Lesões neurológicas são sempre um desafio!

Ser Lesado disse...

Oi,tudo bom?
Já conhece o Site Ser Lesado - Curiosidades e Informação sobre Lesão Medular?
www.serlesado.com.br
Vamos trocar divulgacao?

Paty* disse...

Muito bom!
Eu tenho um pct LM incompleta C6/C7 que faz marcha doméstica com andador!! Fico impressionada com ele, pois pela literatura que vi sobre a lesão dele a marcha estaria ausente... como vc disse, cada paciente é diferente! :D

Copiei sua postagem pra guardar nos meus arquivos! Obrigada! :)

WWW.MERCADOZETS.COM.BR disse...

MELHOR SITE DE VENDAS http://www.mercadozets.com.br/

VENDE DE TUDO

CADEIRA PARA AUTO

http://www.mercadozets.com.br/ListaProdutos.asp?texto=cadeira+para+auto&IDCategoria=110

VENDE DE TUDO TEM BERÇO ELETRONICOS CELULARES TV NOTEBOOK COMPUTADOR ACESSORIOS PARA CARROS BRINQUEDOS ARTIGOS INFANTIS E MUITO MAIS

Soraida Cruz disse...

Lembrando que a avaliação e treinamento em atividades de vida diária, ou seja AVD, é de competência exclusiva do Terapeuta Ocupacional, de com a Resolução nº 316, de 19 de julho 2006 - COFFITO.

Miriam disse...

Ola...um paciente com lesao T12 ASA A, pode tb andar com ajudas de muletas e orteses?

Bertha Hasky disse...

Ola Humberto. um paciente com lesao T12 ASIA A, pode somente deambular com HKAFO, ou tambem com a KAFO?
preciso muito dessa resposta.
obrigada.

Anônimo disse...

Vamos sempre lembrar que o tratamento é multidisciplinar, e que a avaliação dos aspectos que afetam o desempenho ocupacional é realizado pelo terapeuta ocupacional, não pelo fisioterapeuta.