Ebooks

INFORMAÇÃO IMPORTANTE
Infelizmente o 4shared bloqueou o acesso a conta onde eu armazenava os e-books (aparentemente tem algo haver com direitos autorais). Assim que tiver um novo site para armazenamento enviarei os links.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Aerossóis e fisioterapia


Olá fisionautas,

Apesar de quase não ter publicado nada em 2012, ainda não desisti do blog. Peço que me entendam. Foi um ano meio difícil... contas a pagar, pós-graduação, preparativos pro Apocalipse, etc... Mas espero retomar as postagens ao menos com uma frequência mensal.

Mas vamos deixar de lado a lenga-lenga e vamos logo ao que interessa:
Fisioterapeutas, em especial as que atuam em enfermarias e CTIs, estão familiarizadas com o uso de medicamentos administrados por via inalatória. Sabemos que os pulmões possuem uma grande superfície de contato e que a fina barreia alvéolo capilar permite a absorção quase imediata de alguns fármacos. Você sabia que para a administração eficiente é preciso considerar, entre outras coisas, os dispositivos de administração inalatória, a idade do paciente, o grau de obstrução das vias aéreas, o padrão respiratório e entender o básico de anatomia e fisiologia pulmonar¿.
Ah! Quase que eu ia me esquecendo: conhecer um pouco de física também ajuda bastante.
Se assim como eu você não fazia ideia disso, então prepare-se para entrar no maravilhoso mundo dos aerossóis.

Começando pelo começo... os aerossóis
Um aerossol é um grupo de partículas sólidas ou líquidas que se encontra em um gás. Temos vários exemplos de aerossóis: As nuvens de chuva, que são aerossóis de partículas líquidas, as nuvens de poeira em uma estrada de barro, que são aerossóis de partículas sólidas, ou as nuvens de maresia da Jamaica, comuns após a combustão de grande quantidade uma planta com efeitos psicotrópicos em festivais de rock e shows de reggae.
Existem basicamente 3 tipos de dispositivos inalatórios:
[1] os inaladores de pó seco, [2] os inaladores pressurizados dosimetrados, e [3] os nebulizadores.

Para onde vai o medicamento inalado?
Para quem se amarra em dar um tapa na pantera o barato vai direto pra mente e deixa os usuários com amnésia e falando coisas sem sentido aleatoriamente tais como: Sóóóóóó...... fortaleceu.....aêêê..... podes crê.......... é isso aê......


Mas voltando ao assunto: A via inalatória constitui o método preferencial para administração de fármacos para o tratamento das doenças respiratórias como a asma, DPOC, bronquite, fibrose cística entre outras. Trata-se de uma opção cômoda, não invasiva e que oferece certas vantagens comparativamente a rotas tradicionais de administração de medicamentos.
A grande superfície de absorção pulmonar (140 m2), aliada a elevada vascularização e permeabilidade da mucosa pulmonar, além da relativa ausência de degradação enzimática permitem uma rápida absorção do medicamento e deste modo um rápido início de ação. 
Porém nem tudo são flores. A quantidade de medicamento que é efetivamente absorvida pelo organismo é de apenas 10 a 20% do total de medicamento disponibilizado. Em outras palavras: A maior parte do medicamento é desperdiçada. Suponha que uma pessoa utilize um mecanismo inalatório que libere 200 microgramas (μg) de albuterol. Se esta pessoa utilizar a técnica correta, apenas 20-40 μg alcançarão o pulmão. Todo o restante se deposita na orofaringe ou é expelida na exalação de ar. A figura1 abaixo mostra a deposição de medicamento para diferentes sistemas inalatórios.


Vantagens e Desvantagens da via de administração por inalação de medicamentos em aerossol no tratamento de doenças pulmonares.

Vantagens:
Doses de medicamentos oferecidas via aerossol são geralmente menores do que as doses sistêmicas.
O Início dos efeitos de drogas por via inalatória é mais rápido do que com a administração oral.
A Droga é entregue diretamente ao órgão-alvo (pulmão), com a exposição sistêmica reduzida.
Efeitos colaterais sistêmicos são menos frequentes e menos graves com a inalação em comparação com administração sistêmica (injeção ou oral); por exemplo: taquicardia e tremor muscular menos intenso com ß2-agonistas.
Terapia inalatória é indolor e relativamente confortável.

Desvantagens:
Deposição nos pulmões é uma fração relativamente baixa da dose total de aerossol ofertada.
Uma série de variáveis (padrão respiratório, utilização correta do dispositivo) podem afetar a deposição pulmonar.
A falta de conhecimento do uso correto ou ideal de dispositivos de aerossol por pacientes e profissionais da saúde.

Mecanismos de deposição e tamanho de partículas
Existem 3 mecanismos de deposição pulmonar, cada um deles com maior percentagem de deposição em regiões específicas da via aérea. O tamanho das partículas de aerossol e a velocidade do fluxo na via aérea são duas variáveis críticas neste processo. Os mecanismos são: Impactação Inercial, Sedimentação Gravitacional e Difusão.
[1] Impactação Inercial: é o mecanismo mais frequente de deposição pulmonar, ocorre em partículas “grandes”, maiores que 5 μm. Estas partículas são consideradas inadequadas pois um grande percentual delas tende a ser filtradas no nariz e/ou depositar-se na orofaringe e vias aéreas superiores. A impactação inercial é altamente dependente do fluxo aéreo, sendo que durante altos fluxos inspiratórios (maior tendência a turbulência) ocorre uma maior deposição, inclusive de partículas menores nas vias aéreas superiores. Já fluxos inspiratórios baixos (tendência a fluxo laminar) permitem que mesmo as partículas maiores consigam passar pelas porções iniciais do trato respiratório penetrando nos pulmões.
[2] Sedimentação Gravitacional: É um mecanismo que reflete o efeito da gravidade sobre partículas. Possui maior percentagem de deposição nas vias aéreas periféricas e alvéolos. Ocorre principalmente em partículas menores que 2μm, porém é capaz de afetar também partículas maiores desde que em condições de baixo fluxo. Uma pausa inspiratória de 5 a 10 segundos é recomendada após a inalação de um aerossol justamente para maximizar o tempo de sedimentação e melhorar a penetração na periferia dos pulmões.
[3] Difusão. Ocorre com partículas menores que 1 μm. Partícula com diâmetros inferiores 1 mícron também  são consideradas inadequadas por serem inaladas e exaladas, portanto tendem a ser eliminadas no próximo ciclo respiratório.

Assim fica claro porque apenas 10-20% do medicamento alcança os alvéolos e são efetivamente aproveitados pelo organismo. O tratamento por via inalatória utiliza a tendência que têm as partículas aerossolizadas para a deposição. A preocupação de quem usa a via inalatória é garantir a deposição das partículas da droga nos locais onde sua ação é desejada.

Implicações para a prática (ou moral da história):
O volume inspiratório, a velocidade inspiratória e a via pela qual se processa a inalação interferem sobre o padrão de deposição das partículas.
• Na inspiração profunda ocorre uma deposição mais periférica das partículas que a inspiração normal de repouso e deve ser preferida, se o paciente for capaz de realizá-la. Assim, o volume pulmonar no início da inalação interfere na deposição da droga: o paciente deve expirar profundamente antes de iniciar a inalação do aerossol.
• A velocidade inspiratória rápida acarreta um fluxo turbulento que provoca mais impacto das partículas nas estruturas das vias aéreas superiores; a inspiração lenta e uniforme tende a linearizar o fluxo das partículas e aumentar a proporção depositada nas vias aéreas inferiores.
• O nariz possui passagens estreitas e tortuosas e estruturas, como os cornetos, nas quais as partículas se impactam; a inalação através da boca deve ser recomendada.
• A realização de uma pausa no final da inspiração favorece a deposição das partículas por gravidade; recomenda-se que a pausa tenha, aproximadamente, a duração de 10 segundos.
A técnica inalatória ideal para uma deposição de partículas nas vias aéreas inferiores é, portanto, a inspiração profunda pela boca, seguida de pausa de cerca de 10 segundos.

Em uma próxima postagem falarei sobre os equipamentos que geram aerossóis: Os nebulizadores
Hasta La Vista

Para saber mais: 
:





2 comentários:

Geraldo Barbosa disse...

Caro Humberto,
Parabéns pela postagem.Informação com qualidade e bom humor.
Um grande abraço e um Feliz Ano Novo!

André Michalski disse...

Não é raro ter alguma dúvida, querer fazer uma busca rápida na internet e encontrá-la em um tópico de "O Guia do Fisioterapeuta".
Admiro muito o trabalho.
Parabéns e obrigado pelo retorno!
Abraço.