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segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Fisioterapia pós fratura de Colles

A fratura de Colles recebeu este nome por causa de um cirurgião irlandês chamado Abraham Colles, que em 1814 descreveu as características deste tipo de lesão. A fratura de Colles é uma fratura extra articular do rádio distal, caracterizada por uma deformidade do antebraço denominada "dorso de garfo". Essa deformidade acontece porque os músculos do antebraço “puxam” o osso fraturado, acentuando a angulação da fratura e dando um aspecto de “corcunda” ou “calombo” no antebraço [ IMAGEM ABAIXO ]. Em alguns casos pode estar associada a entorse do ligamento ulnar.

O mecanismo de lesão mais comum é a queda sobre a mão estendida. As pessoas extendem a mão como parte da reação de proteção contra a queda. É mais comum em adultos acima de 50 anos, em particular mulheres brancas devido a associação com a osteoporose pós-menopausa. Com relação ao mecanismo de lesão, achei um video bem interesante na internet. Trata-se de um acidente de um garoto andando de skate. Neste video podemos ver a lesão e o aspecto em dorso de garfo assumido pelo antebraço fraturado.

– ATENÇÃO ! O VIDEO É HEAVY METAL – contém cenas chocantes e não é recomendado a pessoas sensíveis, com problemas cardíacos, de estômago fraco ou com disfunção da hipófise         \m/  >Ô ô<  \m/


O tratamento médico inicial da fratura de Colles pode variar desde a redução fechada até redução cirúrgica com fixador externo. Qualquer que seja a intervenção, esta sempre será seguida de imobilização do antebraço para a consolidação óssea.

Fratura reduzida – Agora começam os cuidados de fisioterapia.
A imobilização prolongada pode gerar rigidez articular, encurtamento tendíneo e edema. Portanto logo após a estabilização do foco de fratura, seja por redução fechada ou aberta, pode-se iniciar precocemenrte exercícios passivos e ativos de amplitude de movimento de todas as articulações não envolvidas (dedos, ombro e cotovelo - quando possível). Os objetivos principais de um programa de exercícios precoces são basicamente:  [1] manutenção da força muscular, [2] recuperação de amplitude de movimento, e [3] prevenção de restrição articular.

Condutas no pós operatório:
Nos casos tratatdos cirurgicamente, PO imediato, a atenção deve estar focada na educação do paciente quanto a importância de manter o braço operado em elevação. Isso irá reduzir o edema, prevenir a dor e ajudará na cicatrização. Essa orientação é simples e ajuda muito!
Além da elevação da mão acima da altura do coração, no primeiro dia de pós-operatório, podem ser iniciados precocemente atividades de flexão/extensão dos dedos da mão  para estimular a ação de bombeamento dos músculos da mão e assim ajudar a prevenir ou diminuir o edema. Ah! Importante: Como se trata de uma cirurgia, verifique antes no prontuário se o procedimento envolveu somente a fixação óssea. No caso de cirurgia envolvendo vasos e nervos, espere a liberação do cirurgião para começar quaisquer exercícios.
Pode parecer bobagem mandar uma pessoa com fratura de punho ficar mexendo os dedinhos, mas lembre-se que vários músculos flexores e extensores dos dedos da mão são poliarticulares, isto é: originam-se no antebraço, cruzam o punho e se inserem nos quirodáctilos. Assim, ao mexer os dedinhos você garante estímulos tróficos aos músculos, evita aderências, hipotrofia muscular e possíveis perdas de comprimento muscular.
Atenção especial deve ser dispensada a pacientes cujo foco de fratura foi estabilizado utilizando um fixador externo pelo fato do antebraço ser mantido em pronação, o que predispõe o paciente a contratura da articulação radioulnar distal.
É importante ressaltar que estes exercícios não devem causar dor, talvez no máximo um leve desconforto, o qual deve desaparecer tão logo a atividade seja interrompida. O tratamento agressivo pode lentificar o processo de cicatrização. Lembre-se: nem sempre o que arde cura e o que aperta segura.


Condutas pós retirada da imobilização.
Geralmente a consolidação da fratura leva de 6 a 10 semanas, podendo variar de acordo com a idade do paciente e gravidade da fratura. Além disso, este período de tempo pode ser aumentado por complicações incluindo lesão da articulação radioulnar e/ou radiocarpal.
De modo geral, quando um(a) paciente com fratura de Colles chega ao ambulatório de fisioterapia esperamos encontrar: Redução da ADM, perda de força muscular, dor, edema, e consequentemente prejuízos nas Atividades de Vida Diária
O foco principal no início do tratamento deve se concentrar na recuperação da ADM, afinal de contas não tem como ganhar força ou treinar coordenação sem que o paciente tenha amplitude de Movimento não é mesmo¿
A perda da estabilidade destas articulações devido a fratura ou perda de suporte ligamentar pode complicar o manuseio e o regime de tratamento destas fraturas.

Mas considerando o melhor cenário, isto é: uma fratura que consolidou sem complicações. Certamente iremos encontrar fraqueza muscular e limitações nos movimentos do punho.
Então, mais uma vez o basicão da fisioterapia após a retirada da imobilização consiste em cinesioterapia visando o ganho de ADM e ganho de força para os movimentos de punho (flexo-extensão, prono-supinação e desvios radial e ulnar).

Como dito anteriormente, um dos principais objetivos da fisioterapia é a recuperação da ADM do punho. O tratamento inicia-se com exercícios passivos, evoluindo para ativo-assistidos, ativo-livres e finalmente resistidos. ADM reduzida e dor geralmente andam juntas e o ganho de ADM utilizando alongamento e mobilizações geralmente reflete também em uma redução da dor e do edema em punho e mão.
Para o fortalecimento muscular é importante trabalhar todos os músculos do antebraço, sem esquecer pos pequenos músculos intrínsecos e extrínsecos da mão.
Não encontrei nenhuma diretriz ou estudo que descreva a superioridade de uma abordagem de fisioterapia sobre outra. Assim, podemos lançar mão das  técnicas que julgarmos mais adequadas a cada caso, desde técnicas de mobilização articular (Maitland, Mulligan, Kaltenborn, etc...), técnicas de bandagem, eletroterapia (o quase onipresente ultrasom terapêutico, TENS, FES), PNF, Osteopatia, Quiropraxia, ou seja: utilize as técnicas e recursos que você domina.

Espero que esta postagem tenha sido útil.

Um comentário:

Aninha Medeiros disse...

Fala, Humbert!
Esta postagem foi em minha homenagem?? Fiz uma belíssma fratura de Colles patinando no gelo há 7 semanas. PUNK! Sem necessidade de cirurgia, prono-supinação já 100%, só ainda com um importante bloqueio para FL-EXT e dor.
Beijo grande, Aninha.