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quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Modalidades de Alongamento Muscular

Olá Fisionautas! 
Como prometido, estou me esforçando para manter uma regularidade nas minhas postagens.
Espero que esta seja útil.

O ALONGAMENTO MUSCULAR
O alongamento muscular é uma conduta rotineira nos consultórios de fisioterapia no Brasil e no mundo. Geralmente utilizamos os alongamentos musculares com o objetivo de tratamento de dores e espasmos musculares, para corrigir (ou ao menos minimizar) alterações posturais, também para prevenir deformidades em pacientes neurológicos e, obviamente, tratar encurtamentos musculares. Porém, apesar de ser uma técnica amplamente usada, será que podemos dizer que realmente conhecemos a bagagem teórica envolvida nessa conduta?
“O alongamento muscular pode ser definido como uma manobra terapêutica utilizada para aumentar o comprimento de estruturas de tecidos moles encurtados e assim aumentar a amplitude de movimento.”
(Kisner, Colby,1998)
A postagem de hoje é bem didática e tem o objetivo apenas de descrever as modalidades de alongamento. A relação de artigos e livros pesquisados encontra-se no final do texto. No entanto, a minha referência principal é o artigo CURRENT CONCEPTS IN MUSCLE STRETCHING FOR EXERCISE AND REHABILITATION, de Phil Page, publicado em 2012 no periódico The International Journal of Sports Physical Therapy.
Você sabia que a literatura científica descreve 3 modalidades principais de alongamento muscular? 

São eles os alongamentos estático, dinâmico e alongamento de pré-contração, os quais ainda são subdivididos de acordo com a técnica utilizada. (Figura abaixo).


 ALONGAMENTO ESTÁTICO

O alongamento estático é a modalidade de alongamento mais comum, sendo subdividido em 2 técnicas diferentes: O alongamento estático ativo e o alongamento estático passivo.


Alongamento estático passivo

O alongamento estático passivo é, na minha opinião, o método de alongamento mais utilizado nos consultórios de fisioterapia. Esse método consiste na movimentação lenta do segmento alongado até o limite do arco de movimento, e sendo mantido por determinado tempo. Para manter o alongamento pode ser utilizado um equipamento, a assistência de outra pessoa ou mesmo uma outra parte do próprio corpo da pessoa que está realizando o alongamento.

Alguns autores consideram este tipo de alongamento um dos mais seguros. As vantagens desta técnica incluem: execução simples, pouco gasto de energia, possibilita tempo suficiente para reajustar a sensibilidade do reflexo do alongamento.


Alongamento estático ativo
A diferença do alongamento estático passivo para o alongamento ativo é que neste último, o músculo alvo é alongado até o limite do arco de movimento apenas com a força dos músculos agonistas do movimento.
Por exemplo: Já viu aqueles caras de filmes fuleiros de Kung-Fu (a título de curiosidade: quanto mais fuleiro, melhor o filme de kung-Fu), que depois de dar um chute no bandido, ficam com a perna esticada no ar? Pois é, esses caras tem um domínio tão grande do corpo que conseguem manter essa posição apenas com a força dos músculos agonistas. A contração dos músculos agonistas promove um relaxamento reflexo dos antagonistas por meio da inibição recíproca. 
Outra curiosidade: Muitos dos movimentos ou posturas de Yoga são alongamentos estáticos ativos. 

Olha o Po fazendo um alongamento estático ativo de isquiotibiais

ALONGAMENTO DINÂMICO

O alongamento dinâmico também pode ser subdividido em 2 técnicas: O alongamento ativo e o alongamento balístico.

Alongamento ativo
O alongamento ativo envolve mover partes do seu corpo ao longo do arco de movimento e gradualmente aumentar o alcance, a velocidade do movimento ou ambos. Embora possam parecer idênticos, o alongamento ativo não é a mesma coisa de alongamento balístico !
O alongamento ativo consiste em movimentos controlados de braços e pernas que alcançam o limite do arco de movimento. Ao contrário do alongamento balístico, não são realizados movimentos abruptos. Um exemplo de alongamento ativo seria um balanceio controlado das pernas, braços ou rotações do tronco alcançando o limite do seu arco de movimento. 
Os alongamentos dinâmicos melhoram a flexibilidade dinâmica e são bastante utilizados como parte do aquecimento ou da rotina de treino aeróbico (como nas aulas de dança ou artes marciais)

Alongamento Balístico
O alongamento Balístico é aquele que utiliza o momento do balanço de um segmento do corpo como forma de forçá-lo além de sua amplitude de movimento normal. Esse método é realizado com movimentos rápidos (“em trancos”) e tem uma similaridade com movimentos de chutar, balançar e demais movimentos rápidos e ritmicos, porém realizados no extremo final do arco de movimento.
Existem duas desvantagens principais na aplicação desse tipo de alongamento. A primeira é que pelo fato do alongamento balístico produzir uma tensão rápida e intensa num período curto de tempo, ele não permite ao músculo se ajustar e relaxar na posição alongada. A outra desvantagem é que esse método pode desencadear o reflexo miotático em resposta ao aumento repentino e inesperado do comprimento muscular. O reflexo miotático gera uma contração muscular reflexa, a qual pode causar um aumento de tensão forte suficiente para lesionar o músculo.

“O alongamento balístico envolve movimentos pendulares, saltos, movimentos insistidos e movimentos rítmicos. No alongamento balístico, o momento é a força propulsora que move o corpo ou um membro para o aumento enérgico da Amplitude de Movimento. Essa técnica é o método de alongamento mais controverso, porque pode causar irritabilidade e lesão.”
ALTER, Michael J. Alongamento para os esportes. 2. Ed. São Paulo: Editora Manole, 1999.


Comentários sobre o alongamento balístico
Apesar de muitas das fontes que consultei para escrever esta postagem considerarem este tipo de alongamento pouco útil e com alto risco de causar lesões musculares, é possível encontrar diversos trabalhos, alguns bem recentes, que estudam os efeitos do alongamento balístico. Sinal que em algumas situações ele pode ser uma alternativa interessante para o alongamento muscular.

ALONGAMENTO DE PRÉ-CONTRAÇÃO

O alongamento pré-contração (confesso a vocês que desconhecia completamente esta nomenclatura) envolve a contração do músculo que está sendo alongado ou de seu antagonista imediatamente antes do alongamento. A modalidade mais comum de alongamento de pré-contração é o alongamento de Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva (FNP). Outras modalidades de alongamento pré-contração incluem o relaxamento pós-isométrico, e o alongamento pós-facilitação.

Alongamento de Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva (PNF)
A técnica mais comum de alongamento de pré-contração é o alongamento de Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva (PNF). Para ser bem cri-cri com as definições e conceitos, o alongamento PNF não pode ser considerada um alongamento propriamente dito, mais sim um conjunto de técnicas. Os alongamentos com PNF utilizam a inibição recíproca como forma de estimular o relaxamento muscular reflexo por meio da ativação do órgão tendinoso de Golgi.
A literatura que consultei descreve 3 tipos diferentes de alongamento PNF:

[1] “contrair-relaxar”, o qual utiliza isotônicas resistidas do músculo (ou do padrão de PNF) que se pretende alongar, seguido de relaxamento muscular e alongamento estático.
[2] “Manter-Relaxar”, utiliza contração isométrica do músculo (ou do padrão de PNF) que se pretende alongar, seguido de relaxamento muscular.
[3] “Contrair-relaxar contrair agonista” (CRCA), eu creio que esta técnica seja conhecida também como reversão dinâmica. A primeira parte do CRCA é igual a técnica contrair-relaxar, porém logo após o alongamento estático passivo, é solicitado ao paciente a contração isométrica dos músculos antagonistas

Comentários
Alguns estudos evidenciaram que por meio do alongamento PNF foi observado aumento da ADM de bailarinas. Esses resultados sugerem que mesmo para indivíduos com níveis de ADM excelentes, pode se conseguir aumento dessa amplitude através da PNF.

Relaxamento Pós Isométrico

Outra modalidade de alongamento de pré-contração inclui o chamado “Relaxamento Pós Isométrico”, também conhecida como técnica de energia muscular com relaxamento pós-isométrico (TEM/RPI). Trata-se de um método de terapia manual classificada entre as técnicas estruturais ativas, em que o indivíduo participa aplicando sua força muscular e dosificando a técnica. Esta técnica utiliza uma quantidade muito menor de contração muscular (cerca de 25%). O Relaxamento Pós Isométrico é uma técnica desenvolvida pelo Dr. Vladimir Janda e refere-se ao relaxamento muscular após a realização da contração isométrica do agonista. Assim como o alongamento por PNF, o relaxamento pós isométrico gera uma resposta neurológica que envolve os órgãos tendinosos de golgi, em que a contração isométrica excita o órgão tendinoso de golgi, através da fibra aferente Ib, estimulando o interneurônio, este por sua vez, libera o mediador inibitório, que, através do neurônio motor, cessa a descarga na placa motora, promovendo o relaxamento muscular.


REFERÊNCIAS:
ASPECTOS CLÍNICOS DO ALONGAMENTO: UMA REVISÃODE LITERATURA (Rev. bras. fisioter. VoI. 8, No1 (2004), 1·6

4 comentários:

Geraldo Barbosa disse...

Olá Humberto,
O Guia do Fisioterapeuta é patrimonio imaterial da Fisioterapia brasileira; congratulações pelo retorno.
Um grande abraço virtual.
Geraldo Barbosa

Humberto disse...

Olá Geraldo!
Pois é meu amigo, após um longo e tenebroso inverno finalmente consegui tempo livre para voltar a me dedicar ao blog !
Um grande abraço e obrigado pelo comentário.

Anônimo disse...

obrigada pelo blog. Me ajudou mto a passar num concurso e me ajuda a estudar todo dia.
Vc é 10.

Humberto Neto disse...

Prezada anônima,
Parabéns pela aprovação!!!!
Fico feliz em saber que ajudei nesta sua vitória.
Sucesso na carreira
Grande abraço
Humberto