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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Síndrome de Guillain Barré

Síndrome de Guillain Barré e Zica Vírus

O Ministério da Saúde já confirmou a relação do zika vírus com a microcefalia, e investiga também uma possível relação com a síndrome de Guillain-Barré. Mesmo com a constatação do aumento dos casos de síndrome de Guillain Barré em locais com circulação do zika vírus, ainda assim casos desta síndrome continuam sendo bastante raros.

Antes que os teóricos da conspiração comecem a espalhar suas teorias usando este texto como base, quero chamar os leitores a uma simples reflexão para entenderem o quão raro é esta doença: Na Micronésia, a incidência histórica média de síndrome de Guillain-Barré era de 5 casos por ano e, durante um surto de Zika vírus naquela região, foram diagnosticados 40 casos de síndrome de Guillain-Barré, ou seja, um número 20 vezes maior do que o normalmente observado (mesmo um aumento estatisticamente dramático na incidência, o total absoluto dos casos continua sendo baixo quando considerando a população total). Situação semelhante foi observada na Polinésia francesa entre 2013 e 2014, quando foram identificados 38 casos de síndrome de Guillain-Barré durante o surto de Zika vírus.  

Espero que entendam que não se trata de um risco a sobrevivência da raça humana. Não pretendo fazer pouco caso desta doença, apenas chamar a atenção contra eventuais textos apocalípticos que rolam no facebook e no whatsapp.

Dito isso, vamos aproveitar esta postagem para falar um pouco da Síndrome de Guillain Barré. 


A Síndrome de Guillain Barré

O médico francês Jean Baptiste Octave Landry (1826-1865) descreveu em 1859, cinco casos de “paralisia ascendente” (posteriormente denominada paralisia ascendente de Landry). Acredita-se que estes foram os primeiros casos da Síndrome de Guillain Barré descritos. Em 1916, os neurologistas Parisienses Georges Guillain, Jean Alexander Barré e André Strohl descreveram, durante a Primeira Guerra Mundial, o caso de dois soldados franceses que desenvolveram um quadro de paralisia aguda com arreflexia, o qual evoluiu com recuperação espontânea.
Embora Landry tenha sido reconhecidamente o primeiro médico a descrever esta patologia, o grande mérito destes três médicos foi demonstrar a anormalidade característica do aumento das proteínas com celularidade normal que ocorria no líquor dos pacientes acometidos pela doença. Por conta disso, esta síndrome passou a ser mundialmente conhecida como Síndrome de Guillain-Barré. Não sei dizer por que não incluíram Strohl na denominação da doença. Meu palpite é que talvez ele não fosse um cara muito popular ou, quem sabe, pegou dinheiro emprestado com o Barré e nunca pagou, ou tenha roubado a namorada o Guillain.... sei lá....o fato é que a doença passou a ser conhecida como Síndrome de Guillain-Barré apenas.
Mas voltando ao assunto: a Síndrome de Guillain-Barré é classificada como uma  polirradiculoneuropatia desmielinizante inflamatória aguda  de origem autoimune. O sintoma mais evidente é a fraqueza muscular simétrica. Em geral esta fraqueza manifesta-se inicialmente nos membros inferiores, progredindo rapidamente para o tronco e membros superiores (Foi por causa desta peculiaridade que Landry a batizou como paralisa ascendente).
Não é raro que um dos primeiros sintomas seja uma fraqueza nas pernas, percebida inicialmente como dificuldade em subir escadas (para pegar um ônibus, por exemplo), evoluindo para incapacidade de marcha, fraqueza progressiva no tronco, podendo atingir os músculos respiratórios. Além disso, podem ocorrer distúrbios sensitivos e autonômicos (tais como perda do controle vasomotor, grandes variações da PA, hipotensão postural e arritmias cardíacas). Este quadro pode evoluir em poucas horas ou mesmo em alguns dias ou semanas, e seu grau de acometimento pode variar de uma simples fraqueza de membros inferiores a um quadro de quadriplegia.
Cerca de 50 % dos pacientes relatam alterações sensitivas tais como formigamento dos pés ou dedos; 25% iniciam o quadro com uma combinação de sensações anormais e fraqueza. A dor também é um sintoma comum, às vezes experimentada como dor profunda dor ou cãibras nas nádegas, coxas ou entre os ombros.
Embora possua prognóstico favorável, sua taxa de mortalidade encontra-se entre 5% e 10% dos pacientes que permanecem gravemente incapacitados até 1 ano após os primeiros sintomas.

Importante destacar que embora relacionada a infecções prévias, sua etiologia ainda não é compreendida completamente e também não se trata de uma doença contagiosa.


Insuficiência Respiratória causada pela Síndrome de Guillain Barré

A principal preocupação com relação aos sintomas é o acometimento dos músculos respiratórios, visto que em aproximadamente um terço dos casos os músculos intercostais e o diafragma podem ser afetados, resultando em falência respiratória  e necessidade de suporte ventilatório invasivo.
Em um trabalho de revisão publicado em 2010 na revista de neurociências, Ishibashi e colaboradores identificaram que os principais fatores capazes de predizer a má evolução respiratória, foram a rápida evolução dos sintomas, presença de disfunção autonômica, comprometimento bulbar e o grau de comprometimento neurológico na admissão e durante a evolução (quanto maior o comprometimento inicial, maior a evolução para ventilação mecânica).Observação: o comprometimento neurológico pode ser graduado de acordo com a escala de Hughes et al. modificada pelo Guillain-Barré Study Group25

Gente, esta postagem começou a ficar muito grande. Em breve escreverei sobre a fisioterapia na síndrome de Guillain Barré.

REFERÊNCIAS:



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