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quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Tração Cervical Manual

Saudações povo da Terra!!
Esta postagem é sobre as bases científicas do procedimento de tração cervical manual. Lembro que esta foi uma das primeiras coisas que aprendi na faculdade. Pra ser mais exato, a tração cervical foi a segunda ou terceira coisa que aprendi na faculdade. A primeira foi como preparar um drink chamado “Lodo do Pântano”; uma mistura de cachaça, pó de guaraná e suco de maracujá sem açúcar (cada ingrediente misturado em proporções aleatórias). Uma bebida de sabor horrível, que lhe valeu o slogan:   “se é ruim, é Lodo” .
Apesar de ser intragável, o Lodocostumava ser bastante popular nas festas de faculdade, principalmente depois que o bom senso da galera já havia se diluído em álcool. Mas não creio que você acessou esta página para aprender receitas de drinks toscos, por isso voltarei ao assunto que interessa:

TRAÇÃO CERVICAL MANUAL
A tração cervical é um recurso bastante utilizado para aliviar dores na região do pescoço e membros superiores. Trata-se, basicamente, da aplicação de uma força de distração longitudinal com o objetivo de afastar os segmentos vertebrais cervicais. [como na Figura ao lado]


O mecanismo de ação da tração cervical ainda não é totalmente conhecido, porém os efeitos fisiológicos da técnica incluem a descompressão das estruturas articulares, bem como das estruturas neurológicas e vasculares. Seus efeitos incluem ainda o alongamento dos tecidos moles e a estimulação dos mecanorreceptores, proporcionando alívio da dor e redução do tônus muscular.




















Em um trabalho publicado em 2003 no periódico Advances in Physiotherapy, foi observada que a tração cervical promoveu a regressão de discos herniados, aumento da área do canal espinhal, ampliação do espaço discal intervertebral. Também foi identificado o aumento do comprimento da coluna cervical entre C2-C7. Sim, isso mesmo! A tração cervical pode te deixar mais alto, mas não se anime muito, pois a diferença é na ordem de alguns poucos milímetros. Essa diferença pode ser o suficiente para aliviar alguns sintomas, porém dificilmente alguém irá notar que você ficou 10 milímetros mais alto   \ ( ^ o ^ ) /

Mas voltando ao assunto:
Já foram publicadas algumas revisões sistemáticas sobre o tema, porém devido baixa qualidade metodológica dos trabalhos analisados, não foi possível chegar a uma conclusão sobre a eficácia desta técnica. Entretanto, os trabalhos publicados até o momento sugerem que se a Tração Cervical for a única medida terapêutica usada, seus efeitos serão muito limitados. Porém, se aplicada dentro de um programa de reabilitação integral, pode ser útil para acelerar a recuperação. Esta recomendação é reforçada por dois ensaios clínicos randomizados publicados [Phys Ther. 2009;89:632–642] e [Ann Phys Rehab Med 52 (2009) 638–652]

Ao aplicar a tração cervical, devemos considerar cuidadosamente 3 variáveis:

Variável 1- Posição do pescoço:

É recomendável que haja algum grau de flexão cervical, os trabalhos falam em algo entre 15 e 25 graus (na minha opinião, essa flexão é fundamental nos casos em que se deseje ampliar o espaço do forame intervertebral). Para quem quiser  algo mais detalhado, existe um trabalho publicado em 1992 na Spine [clique aqui para acessar] que investigou os graus de separação obtidos em  diferentes ângulos de tração. Até onde sei, ninguém tentou reproduzir este trabalho nos últimos anos. Na figura abaixo, podemos ver o aumento do forame intervertebral que ocorre com a flexão da coluna.
Variável 2- Tempo e Repetições.
Com relação ao tempo em que se deve manter a tração manual, existe uma grande variabilidades relacionado aos tempos e repetições, variando desde 8-10 segundos a 20-30 segundos indo desde 3 até 6 repetições.

Variável 3- Força aplicada.
É importante dosar a força aplicada na tração. Em um trabalho publicado
em 2006 [The Nigerian Postgraduate Medical Journal,13 (3): pp 230-235]
identificou que a força ideal de tração é a que equivale a 10% do peso corporal
do paciente. Um outro autor, sugere que deve-se começar o tratamento com uma
força de 4,5 a 6,8kg e, conforme a melhora do paciente, essa força pode ser
aumentada até 20,4kg [Clique aqui para acessar o artigo]

Assista os vídeos abaixo para conferir algumas técnicas de tração cervical.


 
Eu gosto muito desse video pois demonstra as diferentes técnicas de tração,
bem como a quais segmentos as técnicas afetam mais.

REFERÊNCIAS DESTA POSTAGEM (clique e acesse oas artigos):

2 comentários:

Geraldo Barbosa disse...

Parabéns pela postagem e pela "receita" do Lodo do Pântano.
A postagem vai para o Twitter.

Humberto disse...

Olá Geraldo!
Muito obrigado pelos comentários e pelo compartilhamento via twitter.
abraços