Introdução (ou algo que o valha)

Já vou logo avisando.
Não atualizo esse blog com a frequência que vocês merecem, mas quando resolvo escrever uma postagem eu pesquiso o tema com uma dedicação canina e redijo o texto com carinho maternal. Quanto a isso, dizem por aí que só existem 3 certezas na vida: A Morte, o Imposto de Renda e as informações encontradas neste blog (essa última certeza é fruto de um dos meus delírios de grandeza, hehehe).
Espero que encontrem a informação que procuram, que tirem as dúvidas, e que algum dia eu ganhe sozinho na mega sena.

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Cânulas de traqueostomia. Diferenças entre as metálicas e plásticas.

Eu admiro a capacidade que alguns estagiários têm de elaborar perguntas simples, às vezes beirando a tolice, mas que se revelam questionamentos extremamente válidos e  desafiadores para os preceptores. Não sei se consigo me fazer entender.... é mais ou menos como quando uma criança começa a fazer perguntas sobre a vida universo e tudo mais: - Porque o céu é azul? Por que a luz do sol é quente? De onde vêm os bebês? Porque tenho cinco dedos em cada mão? Se o pateta é um cachorro, porque ele não conversa com o Pluto?
Há pouco tempo atrás uma estagiária me fez uma dessas perguntas. Ela queria saber por que alguns pacientes usavam cânulas de traqueostomia metálicas enquanto outros usavam cânulas plásticas. Eu confesso que fui pego de surpresa. A resposta mais óbvia seria: - por que uma é feita de metal e a outra de plástico, ué?. Mas eu não podia ser tão cretino assim. Eu sabia que não era isso que ela questionava. O fato era que eu não tinha uma boa resposta para dar. Ao invés de enrolá-la, combinei que nós dois deveríamos pesquisar a respeito e trocar figurinhas no dia seguinte.
No dia seguinte, como era de se esperar, ela não havia pesquisado nada . . . mas eu sim (esse meu maldito TOC!!!) e minha pesquisa acabou se revelando interessante e apresento os resultados nesta postagem.

Primeira pergunta: Cânula metálica ou cânula plástica ?
Com relação ao material utilizado na confecção das cânulas de traqueostomia, podemos classifica-las em dois grandes grupos: As cânulas metálicas (Jackson) e as plásticas (Portex). Os termos Jackson e Portex referem-se a marcas registradas das empresas que fabricam as cânulas de traqueostomia. As cânulas metálicas podem ser de aço inox ou banhadas em prata. Interessante notar que a prata possui um efeito antibacteriano, o que ajudaria a prevenir infecções, já as cânulas plásticas são comumente feitas de silicone ou PVC (Policloreto de Vinila), mais leves e baratas.

Mas a diferença não se limita aos materiais utilizados
As cânulas metálicas são constituídas de uma cânula externa e uma interna, esta última podendo ser retirada e lavada, sendo um importante fator de higiene local. Na figura abaixo vemos um terceiro componente, chamado mandril.
Componentes da cânula de traqueostomia metálica. 
Da esquerda para direita:Cânula externa, cânula interna e mandril

A função do mandril é o de auxiliar a inserção da cânula de traqueostomia na luz traqueal. Para o procedimento, a cânula interna é retirada e o mandril é colocado em seu lugar. A ponta romba do mandril ajuda a prevenir lesões traqueais durante o procedimento. Imediatamente após o posicionamento, o mandril é retirado e substituído pela cânula interna.
As cânulas de silicone ou de PVC se diferenciam das metálicas por poderem apresentar balonete (cuff).  O uso de cânulas com balonete é indicada quando o paciente mantém-se em ventilação mecânica e também quando existe o risco de aspirar secreções da orofaringe. Visitando sites estrangeiros, encontrei referências a cânulas plásticas com cânula externa e cânula interna.

Particularidades das cânulas metálicas
[1] A cânula metálica não possui o balonete interno (“cuff”) portanto não sela o diâmetro interno da traquéia  e permitem a passagem de ar para a via aérea superior durante a respiração. O Cuff garante a manutenção da pressão positiva ao final da expiração.
[2] O conector das cânulas metálicas não é compatível com a conexão dos ventiladores mecânicos.
[3] Com o passar do tempo sofrem alteração na coloração.
[4] A superfície metálica é bastante lisa. Isso reduz a adesão de secreções à parede interna da cânula (reduzir não significa evitar!!! Em minha prática já me deparei mais de uma vez com cânulas internas obstruídas por secreção).
[5] Outra vantagem é a possibilidade de esterilizar a cânula metálica e reutilizá-la em outro paciente (isso não é o ideal, mas em hospitais em estados cujo Governador desviou recursos para viajar pra França e comprar jóias para a esposa, os serviços públicos ficaram tão sucateados que infelizmente isso precisa ser feito)
[6] Em caso de precisar fazer uma Tomografia Computadorizada, o paciente precisa trocar a cânula metálica por uma plástica, pois o metal causa os chamados “artefatos” e borra a imagem obtida.
{7} Em caso de precisar fazer uma Ressonância magnética, também será preciso retirar a TQT metálica sob o risco do paciente ser degolado (literalmente). Não acredita? Assista o vídeo abaixo pra ver o que acontece com objeto metálicos na máquina de ressonância.


Particularidades das cânulas Plásticas
[1] Pelo fato de possuírem Balonete, são indicadas para pacientes em ventilação mecânica.
[2] O diâmetro da Cânula plástica permite a acoplagem tanto em Ventiladores mecânicos quanto em equipamentos portáteis de BiPAP e CPAP
[3] São mais leves do que as cânulas metálicas
[4] Existem modelos de cânulas plásticas com cânulas interna e externa.

Finalmente
Como dito no início da postagem, o tema traqueostomia pode até parecer simples, mas uma pesquisa um pouco mais detalhada revela inúmeros desdobramentos. Como não é possível abordar todos os aspectos do tema em uma postagem. Assim, deixo abaixo os links para os textos e artigos usados nessa postagem.
Hasta la vista

REFERÊNCIAS (clique para iniciar o download)















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