domingo, 30 de setembro de 2018

O sinal do cãozinho escocês (scottie dog sign)


Olá fisionauta!
Já ouviu falar no sinal do cachorrinho escocês? Esse é um sinal radiográfico bastante peculiar e que todo fisioterapeuta que trabalha nas áreas relacionadas à musculoesquelética deve conhecer. Mas mesmo que você seja uma pessoa que não curte e nem pretende trabalhar fisioterapia ortopédica, recomendo dar uma lida nessa postagem pois este é um assunto que de vez em quando cai em provas de concursos.
Mas o que esse cachorrinho tem de tão especial ?

O tal cachorrinho escocês nada mais é que a aparência normal da radiografia da coluna lombar em uma projeção oblíqua.
Veja a figura abaixo:

Trata-se de uma radiografia lombar com incidência oblíqua ( o cãozinho só é visível neste tipo de incidência e apenas na região lombar) 
Para aqueles cujos conhecimentos da anatomia da vértebra lombar se perderam no tempo, segue abaixo uma imagem com a anatomia da vértebra lombar com destaque especial para a pars interarticularis (porção da lâmina que fica entre as facetas articulares).

Parece que em um belo dia, em um momento de delírio criativo, um radiologista avaliando uma “chapa de raio-X” em incidência oblíqua da coluna lombar, percebeu que a imagem lembrava um cachorrinho. Para ser mais exato, lembrava um cachorrinho da raça Terrier escocês visto de perfil e, já abusando da criatividade, percebeu que certas partes do corpo do Terrier se relacionavam com estruturas anatômicas da vértebra lombar. Assim temos:

  • O processo transverso equivale ao focinho,
  • O pedículo equivale ao olho,
  • A faceta articular inferior equivale a pata anterior
  • A faceta articular superior equivale a orelha,
  • A pars interarticularis equivale ao pescoço do cachorro.


Legal, né? Fica ainda melhor
Esse cachorrinho não é apenas uma curiosidade. A identificação da imagem do cão escocês é muito útil na clínica, pois pode ajudar a confirmar o diagnóstico da espondilólise lombar.
A espondilólise é definida como a descontinuidade óssea na região da pars interarticularis. Cuidado para não confundir espondilólise com espondilolistese! Embora exista uma associação dessas duas condições (algo entre 50 - 80%) não são a mesma coisa.
Mas voltando ao assunto: A espondilolise pode ser identificada na imagem por um traço de fratura localizado na região da pars interarticularis – o que corresponderia a presença de uma coleira no pescoço do cachorro. Em algumas imagens, a separação da pars interarticularis é tão grande, que você verá um cachorro decapitado (principalmente se você for fã de Black Metal  \m/  ( > _ < )  \m/ )    
Veja na imagem abaixo

Resumo da ópera:
Pra finalizar, gostaria apenas de ressaltar que o cachorrinho só é visível em incidências em perfil da coluna lombar (ele não aparece na cervical e muito menos na torácica), e a presença da coleira indica uma espondilólise.

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