sábado, 14 de março de 2020

COVID 19 - O que fisioterapeutas precisam saber.



Em dezembro de 2019, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recebeu o primeiro alerta referente a uma série de casos de pneumonia de etiologia desconhecida na cidade de Wuhan, na China. Tratava-se de um novo tipo de Corona vírus, atualmente denominado Covid-19. Pouco tempo depois, no dia 25 de fevereiro, o Brasil registrou o primeiro caso de coronavírus e no dia 5 de março, tivemos o primeiro caso de transmissão direta em território nacional. Seis dias depois, no dia 11 de março, a OMS declarou pandemia global por causa da rápida expansão do coronavírus no mundo.

Assim como os demais profissionais de saúde, nós fisioterapeutas também estamos na linha de frente no combate a essa situação excepcional e devemos contribuir no enfrentamento dessa doença de forma inteligente e responsável. Elaborei este pequeno texto com  base em artigos internacionais recentes, bem como nas recomendações do Ministério da Saúde e da AMIB, sobre o COVID-19 que são de interesse aos Fisioterapeutas. Evidentemente não é posível abordar todos os desdobramentos dos cuidados, mas espero que essas informações possam ser úteis.

Porém, antes de abordar o assunto, gostaria de deixar registrado meus sinceros agradecimentos a nossos colegas pesquisadores, médicos, enfermeiros, fisioterapeutas e demais profissionais que atuam em Wuhan, os quais heroicamente colocaram suas vidas em risco tratando pacientes com COVID-19, e que recentemente começaram a divulgar suas experiências em revistas científicas sobre como manejar os pacientes com essa doença (esqueça whatsapp, Facebook, Twiter, Instagram ou aquele livro que promete te contar um segredo. Consulte fontes confiáveis como por exemplo os periódicos científicos).

UM POUCO DE EPIDEMIOLOGIA
Entender as características clínicas e o curso de uma doença são informações cruciais para determinar a melhor forma de tratar as pessoas infectadas.
A análise dos relatos de infecção por COVID-19 na China e Europa sugerem que, em geral, 80% dos casos confirmados são considerados leves, 15% dos casos graves exigem hospitalização e destes, 5% necessitaram de cuidados intensivos. No entanto, como muitos pacientes podem permanecer assintomáticos ou com sintomatologia muito baixa e como os critérios de internação ainda não foram padronizados, a proporção de pacientes infectados que necessitam de cuidados respiratórios por causa de um quadro de hipoxemia é provavelmente menor. Mas mesmo assim, os cuidados intensivos são um componente integral da resposta global a essa infecção.

Fatores associados à necessidade de terapia intensiva
Até o momento, os relatos apontam que os pacientes que necessitaram de cuidados intensivos tendem a ser mais velhos (média de idade de 60 anos) e 40% possuem comorbidades; entre as mais comuns estão a diabetes e doenças cardíacas.
Observou-se geralmente que nas crianças a doença tende a ser mais branda, embora a exposição perinatal possa ser associado a risco substancial. Até agora, o pequeno número de mulheres grávidas infectadas teve um curso moderado, mas casos limitados tornam incertas as previsões sobre o curso da doença;
Nos casos graves, a média de tempo entre o início dos sintomas e a admissão na UTI foi de 9 a 10 dias, sugerindo uma deterioração gradual na maioria dos casos. O motivo mais documentado para a necessidade de cuidados intensivos foi o suporte respiratório, dos quais dois terços dos pacientes atenderam critérios para a síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA)

PROFISSIONAIS DE SAÚDE
Proteger os profissionais de saúde é uma prioridade tão importante quanto evitar a propagação do COVID19 e o manejo clínico dos pacientes. Sendo assim, coletei algumas informações e recomendações relacionadas principalmente a atuação de fisioterapeutas.

MEDIDAS GERAIS
 =>Sempre que possível, o paciente deve ser internado em leito de isolamento respiratório [1].

·       Para abordar o paciente o profissional deve utilizar [1]: 
=> Avental com manga longa e punho, impermeável e descartável. Gramatura mínima 20.
=> Luva de procedimento descartável
=> Máscara N95 ou PFF2
=> Óculos de proteção ou Visor facial
=> Cabelos longos devem estar presos
 
Outros Cuidados [1]: 
=> Deve haver estetoscópio, esfigmomanômetro e termômetro exclusivos para cada leito
=> Os pacientes deverão ter restrição de acompanhantes e visitas. Em casos excepcionais em que houver necessidade de acompanhante, o mesmo deve manter avental, luva e máscara N95.
 => Manter as medidas de isolamento até a alta hospitalar

SUPORTE VENTILATÓRIO
 Ø  Tanto a terapia de oxigênio com cateter de oxigênio de alto fluxo quanto a ventilação não invasiva aumentam a dispersão de aerossóis, havendo risco potencial de transmissão pelo ar do COVID-19. Sendo assim, se optar por estas técnicas, é obrigatório o uso de leito de isolamento, ou quarto privativo [1].

Ø  Durante os procedimentos de geração de aerossóis, recomenda-se o uso de uma máscara N95, além de luvas, capote e proteção facial / ocular [2,3].

Ø Apesar da VNI poder evitar a necessidade de ventilação, O uso de VNI em casos de COVID-19 ainda é controverso e está associado a níveis muito altos de propagação de aerossóis, expondo a equipe a um risco muito maior de infecção. Assim, devem ser feitos esforços para não atrasar a intubação em pacientes com pneumonia viral e insuficiência respiratória aguda [2,3]

Ø  O sistema de aspiração fechado pode reduzir a exposição a aerossóis em pacientes intubados [1,2].

Ø  Recomenda-se evitar a ventilação com AMBU e otimização da pré-oxigenação dos pacientes com equipamentos que não gerem aerosol. Os métodos incluem a posição elevada da cama, manobras nas vias aéreas, uso de máscara com válvula de PEEP [3].

ØProfissionais envolvidos em procedimentos de intubação, aspiração de secreções, ventilação mecânica ou fisioterapia respiratória, entre outros, em hospitais, devem usar máscaras N95, PFF2 ou superiores [2,3].

OBSERVACÃO:
Os procedimentos de aspiração aberta do trato respiratório, ventilação manual antes da intubação, tratamento com nebulizador e compressões torácicas foram identificadas como procedimentos de risco durante o surto de SARS, e é coerente supor que devam ser considerados também para o COVID-19 [2,3] 

PARA OS PACIENTES
·        Uso de máscara cirúrgica durante o transporte enquanto estiverem no setor de emergência ou conforme orientação médica [1]. 

     REFERÊNCIAS
[1] Protocolo conjunto de tratamento de terapia intensiva a pacientes de coronavírus

[2] Coronavirus Disease 2019 (COVID-19): A critical care perspective beyond China

[3] Staff safety during emergency airway management for COVID-19 in Hong Kong.

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