sexta-feira, 19 de junho de 2009

A fábula do coelho e sua tese de mestrado

Olá a todos,
Ando meio atarefado e sem tempo de postar com a mesma assiduidade de algumas semanas atrás, mas adianto que estou preparando uma tradução e mais alguns textos legais. Mas voltando ao assunto: hoje de manhã me lembrei da fábula do coelho e sua tese de mestardo ao responder um e-mail de uma amiga, e enquanto arrumava minha filha pra levá-la pra creche pensei: porque não deixá-lo no blog? Esta fábula me ajudou a rir e sair de uma crise existencial potencialmente suicida durante o meu mestrado. Sugiro a todos aqueles que estiverem pensando em colocar o pescoço em uma forca, que leiam e riam um pouquinho antes de se pendurar em uma árvore.
Tenho certeza que muuuuuita gente vai se identificar com o coelhinho... principalmente a galera que tá fazendo o trabalho de conclusão de curso.

A Tese do Coelho
“ Em algum lugar da floresta, num lindo dia ensolarado, o coelho saiu da toca com computador portátil; pôs-se a trabalhar, bem concentrado. Pouco depois, passou ali uma raposa que viu o coelhinho suculento tão distraído no trabalho. Ela ficou intrigada com o fato de trabalhar tão arduamente. Aproximou-se e perguntou:
- Coelhinho, o que você está fazendo tão concentrado?
- Estou redigindo uma tese de doutorado – disse o coelho, sem se desviar do laptop.
- Huummm... e qual é o tema da tua tese? – perguntou a raposa.
- Ah, é uma teoria provando que coelhos são verdadeiros predadores naturais de animais raposas – explicou, desinteressadamente, o coelho.
A raposa ficou indignada com a resposta:
- Ora! Isso é ridículo! Nós é que somos predadores de coelhos!
- Absolutamente!! Venha comigo à minha toca e eu lhe mostro minha prova experimental – argüiu, corajosamente, o coelho.
Coelho e raposa entram na toca. Poucos instantes depois, ouvem-se alguns ruídos indecifráveis, rosnados, grunhidos e, depois, silêncio.
Em seguida, volta o coelho sozinho; mais uma vez, retoma trabalhos da tese, como se nada tivesse ocorrido.
Meia hora depois, passa um lobo. Ao ver apetitoso coelhinho tão distraído, agradece, mentalmente, à cadeia alimentar, por estar com jantar garantido. No entanto, o lobo, também, acha muito estranho um coelho trabalhando tão concentrado. Resolve, então, saber de que se trata aquilo tudo, antes de devorá-lo.
- Olá, jovem coelhinho! O que faz trabalhar tão arduamente?! – disse.
- Minha tese de doutorado, seu lobo. Trata-se de teoria que venho desenvolvendo há muito; prova que nós, coelhos, somos grandes predadores naturais de vários animais carnívoros, inclusive de lobos.
O lobo não se contém e farfalha em risos da petulância do coelhinho.
- Há! Há! Há! Há! Há! Coelhinho! Apetitoso coelhinho! Isto é um despropósito! Nós, lobos, é que somos genuínos predadores naturais de coelhos! Aliás, ... – nisso interrompe o coelho.
- Desculpe-me, seu lobo, mas, se você quiser, posso lhe apresentar minha prova experimental. Você gostaria de acompanhar-me até à minha toca?
O lobo, mal conseguindo acreditar em sua boa sorte, desapareceu toca adentro, com o coelho.
Alguns instantes depois, ouvem-se uivos desesperados, agonizantes, ruídos de mastigação e... silêncio.
Mais uma vez, o coelho retorna sozinho, intacto; volta ao árduo trabalho de redação da tese de doutorado, como se nada tivesse acontecido.
Dentro da toca do coelho, vê-se enormes pilhas de ossos ensangüentados e pelancas de diversas ex-raposas, e restos mortais daquilo que um dia foram lobos. Ao centro de duas delas, um enorme leão, satisfeito, bem alimentado, sonolento, a palitar os dentes.


Moral da Estória

Não importa quão absurdo é seu tema da tese.
Não importa se você não tem mínimo de fundamento científico.
Não importa se seus experimentos nunca provam sua teoria.
Não importa nem mesmo se suas idéias vão contra mais óbvios bons sensos...
O que importa mesmo É QUEM É SEU ORIENTADOR!!!! “

quarta-feira, 17 de junho de 2009

I Simpósio de Atualização em Ortopedia Técnica da ABBR

Atendendo a um pedido, divulo um evento que será realizado na ABBR (RJ), no dia 11 de Julho de 2009.






08:30 - Entrega de credencial e café de boas vindas
09:00 - Abertura
09:15 - Protetização do paciente amputado de membro inferior
Dra Leila Castro - Superintendente médica da ABBR

09:45 - Indicação de calçados e palmilhas para pés neuropáticos e ortopédicos
Dr Leonardo Grandi - Médico Fisiatra da ABBR
10:15 - Atualização em uso de componentes protéticos para amputação de membros inferiores
Dra. Eliane Machado - Médica Fisiatra INTO
10:45 - Coffe Break
11:15 - Regulamentação na área do Ortopedia Técnica

Joaquim Cunha - Ortesista/Protesista e I Secretário da ABOTEC



Workshop:
Órteses para coluna vertebral: principais indicações e avaliação do produto.
Dr. Marcos Franzoi - Médico Fisiatra da ABBR

Orientações Fisioterápicas ao atendimento de amputado de Membro Inferior
Ft Andrea Regina de Oliveira - Fisioterapeuta da ABBR

Dispensação de Preodutos Ortopédicos pela tabela do SUS e visita técnica
Dra Leila Castor e Dra Ana Cristina Franzoi - Superintendência médica da ABBR


INVESTIMENTO: R$ 50,00
Informações: Centro de Estudos - Tel 3528 6404

centrodeestudos@abbr.org.br
http://www.abbr.org.br/

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Terapia manual, qual curso devo fazer: Maitland, Mulligan ou Mobilização Neural

Olá a todos,
Hoje decidi escrever um pouco sobre as técnicas de terapia manual, pois este é um assunto que gera muitas dúvidas principalmente entre alunos e colegas recém-formados. Não é de se admirar esta dúvida cruel, afinal de contas são cursos relativamente caros. É prudente se informar ao máximo pra não levar gato por lebre.

Sendo assim, hoje vou abordar brevemente três cursos bastante populares entre os alunos: o Conceito Maitland, o Conceito Mulligan e a Mobilização Neural.
Então vamos lá:

O Conceito Maitland
Quem tem contato com terapia manual australiana já ouviu falar que a "avaliação do Maitland" é muito boa. Na minha opinião este é o grande diferencial deste conceito. Em seu livro de manipulação vertebral, o próprio Maitland comenta que saber avaliar o paciente tanto em termos subjetivos quanto no exame físico é o ponto que determinará o sucesso do tratamento, e isso não é retórica não. De fato, quase metade de seu livro de mobilização vertebral é dedicada à arte da anamnese e do exame físico. Essa característica é mantida também no curso: muita ênfase na avaliação, na coleta de informações e no raciocínio clínico.
Aqui o primeiro aviso: saber avaliar é essencial para o Conceito Maitland. Se você fizer o curso e achar que isso é bobagem e na hora da explicação sair pra tomar um cafezinho, fumar um cigarro e ligar pra casa pra saber se sua avó foi fazer musculação você estará jogando dinheiro no lixo.
Mas voltando ao assunto: O exame físico envolve a mobilizações fisiológicas e acessórias aplicáveis à coluna e extremidades. Neste exame o fisioterapeuta deve estar atento à presença de dor, irritabilidade dos sintomas (se eles desaparecem rápido ou se persistem por longo período após a mobilização) e ao "end feel" dos movimentos fisiológicos e à rigidez dos movimentos acessórios. (esta última parte não tem jeito, a gente só aprende depois de praticar muito!!!)
Em resumo: O Conceito Maitland utiliza técnicas de mobilização articular aplicáveis à coluna e extremidades. O ponto forte deste conceito é a avaliação metódica não só dos achados do exame físico, mas principalmente os da avaliação subjetiva.

O Conceito Mulligan
Como já foi exposto em outra postagem deste blog, o conceito Mulligan faz uso de manuseios que envolvem a combinação de uma mobilização articular acessória associada ao movimento fisiológico ativo. O resultado esperado é o alívio imediato da dor e o aumento do arco de movimento. O legal deste conceito é que não é necessário um conhecimento profundo sobre biomecânica. Também como já foi dito, na minha opinião, o ponto forte (e ao mesmo tempo o ponto mais fraco do conceito) é a ausência de uma avaliação própria, sendo os manuseios aplicados na base da tentativa e erro. Quando combinado com o conceito Maitland, torna-se um aliado poderoso para o fisioterapeuta.

Mobilização Neural
A mobilização neural é um método de tratamento direcionado unica e exclusivamente para disfunções do nervi nervorum. Complicou né? Mas eu explico. O nervi nervorum pode ser explicado como "o nervo do nervo", ou seja: são terminações nervosas livres localizadas na bainha de tecido conjuntivo mais externa do nervo (o epineuro). Em condições normais, estas terminações são ativadas durante movimentos extremos como forma de prevenir o estiramento excessivo do nervo. Em algumas situações estas terminações tornam-se sensibilizadas durante movimentos normais. Quando elas se sensibilizam desta forma, causam dor e uma pequena contração muscular reflexa como forma de impedir o movimento do seguimento e proteger o nervo periférico de uma possível lesão. Assim, o conceito teórico deste método defende a idéia de que algumas disfunções ortopédicas que não respondem ao tratamento convencional (eletroterapia, terapia manual, medicamentos) pode ter como fator desencadeante uma sensibilização do nervi nervorum.
O grande lance desta técnica é que ela funciona como um ás na manga do fisioterapeuta. Ou seja: Com ela você é teoricamente capaz de tratar uma parcela específica de pacientes com disfunção do nervi nervorum (ou disfunção neural) os quais, de outra forma, não seriam tratados adequadamente por não terem o diagnóstico de sensibilização. No entanto, o problema com esta técnica é que ela não é abrangente, sendo específica para pacientes com disfunção neural. Na minha opinião, o curso tem melhor aproveitamento depois que o fisioterapeuta já tem uma certa estrada. Eu nção aconselho que seja o primeiro curso de terapia manual a ser feito depois da formatura.

Termino esta postagem por aqui, mas antes uma analogia que muito me agrada:
Eu gosto de pensar que o fisioterapeuta deve ter uma caixa de ferramentas repleta de técnicas. Da mesma forma que um mecânico não consegue consertar um carro com apenas uma chave de fenda (na verdade se o porblema for muito simples ele consegue sim), o fisioterpaeuta não consegue atender bem seus pacientes com apenas uma técnica em sua caixa de ferramentas. Devemos sempre buscar conhecer novas ferramentas para deixar nossa caixa bem robusta e conseguir consertar carros cada vez mais complexos.

Fisioterapia também é filosofia

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Cadeira de rodas, noções sobre os ajustes e adaptações.

Uma cadeira de rodas adaptada é um item essencial no processo de reabilitação e bem estar do usuário. Mas infelizmente ainda existe muita desinformação em nosso meio, e não falo só dos profissionais de saúde, me refiro também a pessoas de bom coração que por desconhecimento acabam doando cadeiras totalmente inadequadas. Isso sem falar de alguns políticos (estes nem sempre com um coração tão bom assim) que possuem obras sociais e ONGS elitoreiras, e que "doam" cadeiras de rodas a torto e a direito sem a preocupação de adaptá-las aos usuários.

Uma cadeira de rodas mal adaptada pode ser um agravante à saúde destas pessoas podendo levar o cadeirante a desenvolver desde tendinites do manguito rotador até escoliose e deformidades no quadril. Obviamente nem todo fisioterapeuta precisa ser um expert em prescrição e adaptação de cadeiras de rodas (creio eu, que por lei nem podemos prescrever cadeiras de rodas, acho que esta é uma função dos Terapeutas Ocupacionais), mas considero essencial que tenhamos alguns conhecimentos básicos a respeito dos componentes e ajustes para que possamos orientar melhor os nossos pacientes.

Neste sentido, pretendo abordar na postagem de hoje algumas noções sobre cadeiras de rodas. Algumas destas noções são tão elementares que muitas vezes as ignoramos solenemente.
Mas antes de tudo, vamos relembrar os objetivos básicos de uma cadeira de rodas:

(1) Ser Confortável. - Já parou pra pensar em quantas horas por dia um usuário fica sentado em uma cadeira de rodas? Imagine se você tivesse que permanecer calçando um sapato bico fino, 2 números menores que o seu durante um dia inteiro de trabalho, ou então caminhar com uma mochila de 20Kg. Pois é, uma cadeira pesada demais deixa de ser uma ajuda e torna-se um empecilho, da mesma forma, se estiver apertada demais ou larga demais acaba sendo desconfortavel. Sendo assim, obrigatoriamente a cadeira deve seguir o biotipo de seu usuário.


(2) Segurança.- Este item relaciona-se não só aos dispositivos de segurança como cintos e travas, mas também,e principalmente, a segurança que o usuário tem em utilizar o equipamento (resistência do material, estabilidade, facilidade em se manobrar, etc.)

(3) Ser ajustável - Assim como as cadeiras de escritório, o ideal é que o equipamento tenha o máximo de possibilidades de ajustes possível (modificar a distância entre a roda dianteira e trazeira, altura dos braços e pedais, inclinação do assento, etc.)

(4) Postura Correta - respeitando o quesito conforto, o equipamento deve ser capaz de garantir inicialmente o máximo de simetria, além de alinhamento de tronco e cabeça (lembrando que nem sempre a postura sentada "ideal" pode ser alcançada devido a encurtamentos e compensações).

(5) Permitir alterações. - Estas alterações referem-se a encostos para cabeça, apoio para braços, além de adaptações para se alimentar, escrever, pintar, utilizar o computador, etc.

(6) Estética - Se estamos falando de um cadeirante, estamos nos referindo a uma pessoa que vai se locomover por meio de cadeira de rodas tanto no trabalho quanto nas atividades sociais. Cadeira de rodas também tem cor. Você não iria gostar de andar por aí com uma camisa quadriculada cor de rosa e uma calça jeans com uma perna azul e outra amarela. Assim, é importante que a cadeira seja também esteticamente agradável. Como podemos ver na foto ao lado, tem gosto pra tudo.

Quanto aos componentes de uma cadeira de rodas:

Rodas - Rodas feitas de materiais mais leves reduzem o peso da estrutura e aumentam a mobilidade e diminuem o esforço para tocar a cadeira. O problema é o custo deste material.
Sistema Quick-Release - Esta é aquela travinha que permite retirar as rodas para colocar a cadeira no carro. Gerralmente as cadeiras tem este sistema nas rodas traseiras, mas também é possível colocálo nas rodas dianteiras. ùtil para carros com bagageiro pequeno.
Pneus - Basicamente existem 2 tipos: Maciço- indicado para uso de instituições como hospitais e clínicas, pois tem baixa manutenção e o piso liso não vai gerar trepidação na cadeira.Inflável- Indicado para uso nas ruas do Brasil, onde temos mais buracos e desníveis do que asfalto. Este tipo de pneu amortece a trepidação mas tem a desvantagem de furar. A grande maioria dos cadeirantes opta por utilizar pneus maciços nas rodas dianteiras e infláveis nas traseiras.
Assento - O ideal é que seja um assento rígido, moldado ao usuário. Assentos de cadeiras que dobram em "X" podem se deformar ficando aprecidos com um "U" e isso acabam gerando uma rotação interna do quadril e favorecendo postura viciosa. Nestes casos, um assento rígido e removível é bem vindo.
Encosto - Qual a altura ideal? Isto é primordial para o usuário capaz de tocar a cadeira (encosto alto = toque curto). Nestes casos, o encosto deve ficar mais ou menos 2 dedos abaixo do bordo inferiro da escápula, esta medida é importante para liberar os ombros e permitir o posicionamento correto dos braços ao impulsionar as rodas traseiras. [altura correta = toque simétrico = menor gasto energético = menos lesões por esforço repetitivo]
Há casos em que o equilíbrio de tronco deve ser avaliado exigindo um encosto mais alto. Etsa é uma medida que deve ser ponderada de acordo com a necessidade individual do usuário.
Apoio de pé e pedal - São bonitinhos, mas não são enfeite. Experimenta terminar de ler esta postagem sem apoiar os pés no chão. Além disso, a altura do pedal estabelece um posicionamento correto da perna em relação à superfície de contato do assento, o que permite uma distribuição de peso mais adequada evitando pressões exageradas e prevenindo úlceras de pressão. Devemos observar também a inclinação da plataforma do pedal, cujo ângulo deve estar adequado para que ocorra uma boa circulação sanguínea.
Apoio de braço - A altura ideal é medida com o usuário sentado com o cotovel fletido a 90 graus. a altura entre o assento e o cotovelo do usuário.
Centro de Gravidade - Este é o ponto de estabilidade da cadeira, evita (e em alguns casos facilita) que o usuário empine a cadeira. O centro de gravidade determina o posicionamento correto da roda com o objetivo de distribuição da massa corporal em relação ao eixo imaginário de movimentação da cadeira. Complicado? Também acho, mas enfim: o posicionamento correto do centro de gravidade oferece: (1) menor esforço para tocar a cadeira e (2)melhor condução das manobras.
Cambagem das rodas traseiras - É a inclinação das rodas traseiras em relação a estrutura. Com a cambagem a cadeira fica mais estável aproxima a roda do corpo, diminuindo o esforço.

Esta postagem tá ficando kilométrica, prometo falar um pouco mais sobre cadeira de rodas um outro dia.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Mielomeningocele, complicações neurológicas em adolescentes e adultos.

Nos últimos anos houve um aumento da expectativa de vida de indivíduos portadores de espinha bífida (mielomeningocele). Isto significa um número maior de adolescentes e adultos portadores de espinha bífida com demandas específicas relativas ao manejo de longo prazo. Ao contrário de outras condições crônicas, devemos ter em mente que os transtornos neurológicos presentes na espinha bífida podem ser (e muitas vezes são) progressivos. Estes transtornos começam a se tornar cada vez mais frequentes conforme aumenta a sobrevida desta população. Esta mudança no perfil clínico dos pacientes nos força a voltar nossa atenção aos livros e artigos científicos para nos mantermos atualizados.
De fato nós fisioterapeutas somos certamente os profissionais que mantem o contato mais frequente com estes pacientes. Neste contexto precisamos estar atentos a complicações neurológicas possíveis de ocorrer em pacientes que estão na adolescência e também nos próprios adultos com mielomeningocele. Pesquisei alguns artigos e vou expor algumas das principais complicações neurológicas a longo prazo da espinha bífida.

Hidrocefalia:
A hidrocefalia, uma complicação comum nestes pacientes sendo em geral identificada na infância. Normalmente a hidrocefalia é tratada com uma derivação ventrículo-peritoneal (V-P) ainda no primeiro mês de vida. Em um estudo que investigou as revisões cirúrgicas das derivações V-P envolvendo adultos com Espinha Bífida (EB), identificou que:

- Aproximadamente 16% nunca precisaram de derivação V-P,
- 28% possuiam uma derivação que nunca foi revista,
- 18% possuiam derivações que só foram revistas na infância, e
- 39% precisaram fazer revisões da derivação entre as idades de 2 e 31 anos.

Observou-se que a maior incidência de revisões da derivação V-P tende a ocorrer durante o primeiro ano de vida. No entanto há um outro pico de revisões durante o início da adolescência. Existem várias razões para o mal funcionamento destas derivações, incluindo a obstrução (tanto distal quanto proximal), corte, fratura, migração, e infecção.
É essencial que o fisioterapeuta esteja atento aos sinais e sintomas de hipertensão craniana devido ao mal funcionamento das derivações V-P. Alguns dos sintomas mais comuns são: Dores de cabeça, alterações da visão, distúrbios da marcha, náuseas, vômitos, fotofobia e letargia. A obstrução súbita de uma derivação é algo muito sério que pode levar o indivíduo ao óbito. No entanto, muitas vezes, o mal funcionamento pode ocorrer de forma lenta e progressiva, um exemplo seria a obstrução parcial da derivação V-P. Neste caso sintomas mais sutis podem acontecer tais como alterações na cognição e alterações no nível de força e sensibilidade nos membros e tronco.
Malformação de Arnold Chiari Tipo II
A mielomeningocele é uma condição capaz de provocar anomalias ao longo de todo o SNC. Embora a paralisia muscular abaixo da região de mal formação congênita seja o sinal mais evidente, o comprometimento do SNC pode ser mais extenso, envolvendo também anormalidades complexas como as que caracterizam a malformação, ou síndrome de Arnold Chiari tipo II. Esta síndrome é caracterizada por anomalias da base do cérebro que resultam em herniação das amígdalas, verme cerebelar, IV ventrículo e porção inferior do bulbo através do forâmen occipital. A classificação como tipo 2 indica que faz parte de uma alteração embriológica maior que inclui a espinha bífida.
Geralmente esta malformação obstrui a passagem para a circulação do líquido cefalorraquidiano causando hidrocefalia. Além das tonsilas (amígdalas) do cerebelo, existe também deslocamento da “vermis” inferior (feixe de tecido conectando as duas metades do cérebro), do quarto ventrículo, do plexo coróide e da medula.
Nem todos os pacientes com malformação desnvolvem sintomas. Nos casos sintomáticos, a síndrome de Arnold Chiari tipo II resulta em alterações da dinâmica anormal de fluido espinhal e desenvolvimento de hidromielia (Dilatação do canal central da medula espinhal por acúmulo de líquor, podendo gerar alterações da sensibilidade, aumento de espasticidade e fraqueza progressiva). Exceto para casos de sintomas bulbares, muitos dos problemas relacionados à Síndrome de Arnold Chiari são justamente causados pela hidromielia.
Em casos sintomáticos, o tratamento é cirúrgico e envolve a descompressão posterior do forame magno e superior da coluna cervical. Este procedimento freqüentemente reduz o tamanho da hidromielia. Tem sido relatado em pacientes com escoliose inferior a 30 graus no momento do tratamento cirúrgico a redução espontânea desta escoliose. Curvaturas mais acentuadas não são tão sensíveis a este tratamento e podem necessitar de procedimentos cirúrgicos para a correção da escoliose.

Medula Ancorada (Síndrome da Medula Presa)
Devido à propria natureza de encarceramento da mielomeningocele e também devido a outros achados patológicos tais como lipomeningocele, a maioria dos pacientes que têm um espinha bífida apresentam tabém medula ancorada, a qual pode ser visualizada no exame de Ressonância Magnética, dorsalmente na área correspondente a malformação da mielomeningocele.
A presença deste achado nem sempre é clinicamente significativa. No entanto, a síndrome da medula ancorada deve ser investigada na presença de deformidades progressivas do pé, escoliose, alterações da marcha (especialmente a crouched gait), e dor na região da mielomeningocele e nas extremidades inferiores. Deve-se ficar atento especialmente se estes sintomas se intensificarem após um estirão de crescimento em pacientes que previamente não apresentavam estes sintomas.


A medula ancorada é o resultado da fixação da medula espinhal a estruturas inelásticas, e tipicamente ocorre em locais de formação de cicatriz devido a cirurgias prévias. Trata-se de um achado comum e muitos indivíduos permanecem assintomáticos. A medula ancoradsa torna-se clinicamente relevante quando os indivíduos desenvolvem sintomas, caso em que passa a se chamar síndrome da medula ancorada (SMA) ou síndrome da medula presa. A incidência da SMA em indivíduos com espinha bífida varia de aproximadamente 20% a 55% e é maior em pessoas com lesões mais baixas e naquelas com história de cirurgia prévia para tratamento de medula ancorada. Os sintomas clínicos mais freqüentes incluem disfunção motora e dor nas costas, membros inferiores, fraqueza, alterações sensoriais, alterações urinárias, deformidade nos pés, e escoliose. Achados comuns no exame físico incluem perda sensorial, hiperreflexia, espasticidade, espasmo clônico, e sinal de Babinski, mas estes sinais e sintoma podem não ser evidentes até a disfunção estar avançada. O "Padrão ouro" para o diagnóstico de medula ancorada é a Ressonância Nuclear Magnética, mas a Tomografia Computadorizada também tem sido utilizada.

Referências

Care of the adolescent with Spina Bifida

Myelomeningocele A Review of the Epidemiology, Genetics, Risk Factors for Conception, Prenatal Diagnosis, and Prognosis for Affected Individuals.

Rehabilitation and Medical Management of the Adult with Spina Bifida

terça-feira, 2 de junho de 2009

Como converter e salvar vídeos de fisioterapia do youtube no seu PC

Olá pessoal,

Por diversas vezes me deparei com vídeos de fisioterapia e reabilitação muito bons no youtube. Já assisti vídeos sobre Mulligan, Bobath, Maitland, sobre alterações da marcha, vídeos de testes ortopédicos, enfim, muita coisa útil para se estudar. Este material fica disponível online 24hs, 7 dias por semana com o único porém de estar à mercê da bendita velocidade de conexão com a internet.
Pois é, e também por diversas vezes já desejei ter estes vídeos no meu computador para poder estudar e apresentá-los em sala de aula ou seminários.
Se você, assim como eu, também tem enfrenta este dilema, então:

SEUS PROBLEMAS ACABARAM !!!!

Você sabia que existem vários sites gratuitos na Internet que permitam a você copiar e salvar vídeos do youtube? Agora você não precisa mais ficar refém da velocidade de conexão, você pode simplesmente baixar os vídeos pro seu mp4 ou salvá-los no seu computador para assisti-los quando quiser.
O grande lance destes sites é que você não precisa baixar e nem instalar nada no seu computador. O único problema é que dependendo do tamanho do vídeo o processo pode demorar um bocado. (pessoalmente não considero isso uma desvantagem tão grande assim)
Para quem quiser experimentar eu recomendo os dois sites abaixo:
Este site permite a você converter os vídeos do youtube (arquivos .FLV) para arquivos AVI/MOV/MP4/MP3/3GP.
Para utilizá-lo é muito fácil, basta digitar o endereço do vídeo do youtube que vc deseja converter (ex: http://www.youtube.com/watch?v=KSRWzPUPH6U&feature=related ) e em seguida selecionar o formato (no caso de windows - a grande maioria dos usuários - selecione: AVI for windows) e pronto! agora é só aguardar que o seu computador vai converter e salvar o arquivo para você.

Tem também o http://keepvid.com/, que faz o download do vídeo em formato .FLV (formato dos arquivos do youtube). É importante saber disso pois é um formato que não é suportado pelo windows mediaplayer necessitando assim de um player específico para se assistir a estes vídeos. Este player pode ser baixado no próprio site keepvid.com

Existem ainda outros sites que oferecem o mesmo serviço, se procurar você encontra, mas estes dois eu já testei e aprovei.
Valeu.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

50.000 visitantes

ATENÇÃO, ESTE NÃO É UM POST SOBRE FISIOTERAPIA!

Hoje o Guia do Fisioterapeuta completou impressionantes 50.000 visitantes e a maltusiana população de 48 seguidores.
Quando comecei a escrever este blog tive como intenção fazer algo que fosse divertido para mim e ao mesmo tempo útil para quem quisesse ler. O título do blog é uma homenagem ao livro "O Guia do Mochileiro das Galáxias" um livro muito bacana e engraçado que vale a pena ser lido. Mas voltando ao assunto: O teor das postagens mudou bastante desde a criação do blog, sendo moldado pelos comentários deixados pelos leitores, mas principalmente pelas inúmeras sugestões, críticas e elogios que recebi (e recebo) via e-mail.
Quero agradecer a todos os colegas e aos acadêmicos, futuros fisioterapeutas que buscam informações por aqui, pois o número de acessos indica que estou conseguindo fazer algo útil e divertido ao mesmo tempo.
Valeu galera!!!!!
e não se esqueçam: NÃO ENTRE EM PÂNICO

terça-feira, 26 de maio de 2009

Bolas Suíças e Fisioterapia pediátrica.


Algum tempo atrás, fiz uma pesquisa na internet em busca de artigos e fotos de manuseios de fisioterapia com bolas suíças para o tratamento de crianças. Encontrei dezenas de artigos sobre . . . fitness, alguns poucos sobre neuro adulto e praticamente nada para crianças.
Como eu já estava com este material em mãos, resolvi escrever algumas linhas que se transformaram em parágrafos e depois nesta humilde e breve revisão sobre Bola Suíça.
Espero que gostem.

A Bola Suíça é um recurso terapêutico amplamente utilizado por fisioterapeutas no mundo inteiro, sendo empregada no tratamento de pacientes com as mais variadas condições. As bolas Suíças são esferas infláveis fabricadas em vinil de alta resistência. Estas bolas são conhecidas por diversos nomes; entre eles: Bola Bobath, Bola de Estimulação, Bola Terapêutica, Gym, Yoga ou Fitness Ball, e mais recentemente também como Bola Pilates.
Devido à sua versatilidade, as Bolas Suíças podem ser utilizadas no processo de reabilitação de pacientes com lesão neurológica, ortopédica, em geriatria, para o condicionamento físico (fitness), e também em alguns pacientes ainda na Unidade de Terapia Intensiva. Sua indicação mais clássica é para o tratamento de crianças com disfunções neuromotoras, sendo que muitas pessoas associam a Bola Suíça à fisioterapia pediátrica quase como se fossem sinônimos. Não é a toa que ela é conhecida como Bola Bobath.
Curiosamente, ao contrário do que seu nome sugere, este equipamento foi originalmente desenvolvido na Itália em 1963 como um brinquedo chamado de Pezzi Ball. A denominação de Bola Suíça provavelmente se originou de fisioterapeutas Norte-Americanos que aprenderam sobre os princípios dos exercícios com bolas desenvolvidos por Susanne Klein-Vogelbach (sendo ela própria Suíça) enquanto trabalhavam ou estudavam na Europa. A Dra Klein-Vogelbach e seus alunos de fisioterapia analisaram e descreveram os exercícios com bolas que tinham como meta estimular movimentos e reações de equilíbrio especialmente em crianças com paralisia cerebral.
A liberdade de movimentos proporcionada pelo deslocamento da bola ao redor de um ponto central no solo oferece ao fisioterapeuta a possibilidade de desafiar o equilíbrio, a coordenação e a força muscular do paciente em uma variedade espantosa de manuseios. O grau de ativação muscular necessária para manter o equilíbrio e completar o exercício proposto sobre uma base instável é muito maior do que o mesmo exercício realizado sobre o solo. Entretanto, nem todos os manuseios impõem um grau de dificuldade ao paciente. Com a Bola também é possível facilitar alguns movimentos de tronco, extremidades e cabeça. Estas facilitações são particularmente úteis em crianças com disfunção neuromotora.
Quando se faz uso da Bola Suíça para o tratamento de crianças é preciso ter em mente que o objetivo final de qualquer programa de reabilitação é reduzir os efeitos das incapacidades físicas, psicológicas e intelectuais, tornando o indivíduo o mais funcional possível. Não raro, o tratamento destas crianças estende-se por anos a fio e, naturalmente o ambiente terapêutico deve ser motivador e estimulante. Neste sentido, as atividades terapêuticas desenvolvidas com a Bola Suíça podem vir a oferecer uma alternativa lúdica capaz de combinar terapia e diversão. Crianças gostam de novidades, e crianças com disfunções neuromotoras não são exceção.
As bolas Suíças são extremamente versáteis, permitindo inúmeras variações e adaptações nos exercícios, podendo ser usadas em conjunto com bancos, rolos e mesmo duas bolas simultaneamente. Adquirir um entendimento da adequado da bola e de como utilizá-la permite ao fisioterapeuta escolher ou criar os exercícios que satisfaçam as necessidades de seus pacientes. Neste sentido, uma das poucas regras que devem ser seguidas ao se trabalhar com bolas é que não é o paciente que deve se adaptar ao exercício, mas sim o exercício que deve se adaptar ao paciente (palavras da própria Susanne Vogelbach ) .


A Bola Suíça possui duas características que garantem a sua versatilidade como recurso terapêutico:
(1) Sua forma arredondada, a qual permite que seja rolada em qualquer direção, e
(2) O seu tamanho, o qual garante uma área de superfície ampla o suficiente para trabalhar com o paciente sentado ou mesmo deitado sobre a bola.
As atividades desenvolvidas sobre uma superfície instável estimulam a integração de informações visuais, vestibulares e somatossensoriais. As respostas motoras obtidas durante o manuseio podem ser direcionadas de modo a facilitar as reações de equilíbrio, de proteção, os ajustes posturais; ou simplesmente direcionadas para o ganho de força muscular.

Cuidados para a Prática Segura
Existem alguns cuidados que devem ser respeitados em relação ao atendimento de crianças utilizando as Bolas Suíças. Uma vez que as bolas podem rolar para todas as direções, os fisioterapeutas devem estar atentos o tempo todo a segurança dos pacientes. È também importante estará tentos a algumas precauções e contra-indicações.

=== O atendimento deve ser realizado preferencialmente em ambiente com piso antiderrapante. Caso o local não conte com esta infra estrutura, pode-se utilizar tatames emborrachados ou colchonetes antiderrapantes. Este cuidado é importante uma vez que os pisos de cerâmica fazem com que a bola deslize, dificultando o controle da bola e conseqüentemente pondo em risco a segurança do paciente.
=== O tamanho da bola será determinado pelo tipo de manuseio a ser utilizado. De modo geral, as bolas de 60cm ou maiores permitem que crianças sejam estimuladas na postura sentada e também realizem transferências de sentado para deitado por sobre a bola (naturalmente, esse manuseio depende do tamanho da criança) Entretanto, se o objetivo for desenvolver um trabalho onde a criança precise sentar-se e apoiar os pés no solo, neste caso uma bola menor deve ser utilizada. O diâmetro deve ser aquele que permita à criança sentar-se formando um ângulo de 90º de flexão de quadris e joelhos.
=== É importante inflar as bolas até que fiquem firmes. Assim poderão rolar facilmente. Para isto, podem ser usados compressor de ar, uma bomba de inflar ou o próprio pulmão do estagiário; o que for mais fácil.
=== Pacientes com Derivações Ventriculares devem evitar posições que tendam à manter a cabeça abaixo do tronco. Em outras palavras: Devem permanecer sempre com a cabeça elevada durante os manuseios.
=== Pacientes gastrostomizados não devem ser posicionados em prono sobre a bola, a não ser que você tenha muita segurança no que está fazendo.
=== Embora as Bolas Suíças sejam um atrativo para muitas crianças, existem aquelas que se apavoram com a instabilidade gerada pela bola. Pacientes com medo não devem ser forçados a permanecer na bola.
=== As Bolas Suíças devem ser mantidas sempre limpas para evitar o risco de contaminação.

É isso aí p-p-p-p-pessoal.

Capsulite Adesiva. Cinesioterapia Vs Eletroterapia.


Este mês na revista Physical Therapy foi publicado o artigo “Interventions Associated With an Increased or Decreased Likelihood of Pain Reduction and Improved Function in Patients With Adhesive Capsulitis: A Retrospective Cohort Study”, conduzido pelos autores: Dianne Jewe ll, Daniel Riddle, and Leroy Thacker. o qual pode ser traduzido como:
Intervenções associadas ao aumento ou diminuição da probabilidade de redução de dor e melhora da função em pacientes com capsulite adesiva: Um estudo de coorte retrospectiva.
Na minha opinião um trabalho muito relevante para a nossa prática clínica. Além do que, é um trabalho de campo, onde foram investigadas intervenções "reais", do dia a dia da prática clínica de fisioterapeutas e não intervenções ultra controladas dentro de um laboratório. Sendo que as conclusões têm repercussão prática imediata.
Resumindo o trabalho: foram investigados 2.370 pacientes (média de idade = 55,3 anos, DP=12,4; 65% mulheres). Os fisioterapeutas que atenderam estes paciente (um total de 1.175 profissionais) preencheram um questionário com 60 opções de intervenções. Foram aplicados complexos cálculos estatísticos (capazes de fazer meu cérebro plantar bananeira) que identificaram 2 categorias de intervenções capazes de aumentar a probabilidade de melhora ("mobilização articular e mobilidade" e "exercícios") e 2 categorias com probabilidade de insucesso no tratamento de pacientes com capsulite adesiva ("iontoforese e fonoforese" e "ulrassom e massagem"). Para definir "melhora" e "piora", os autores utilizaram um questionário de qualidade de vida, o Physical Component Summary-12 (PCS-12) que segundo eles possui uma boa confiabilidade para avaliar atividades de membros superiores.
Mas muita calma com a interpretação da conclusão deste estudo. Ninguém precisa arremessar o ultrassom na lixeira ou queimar massagistas em praça pública. Estes resultados indicam apenas que para CAPSULITE ADESIVA, o uso de ultrassom, fonoforese e massagem, não estão associados a um resultado favorável, o que de modo algum significa que estas intervenções não têm fundamento científico. Os resultados são válidos apenas para CAPSULITE ADESIVA.
Também não significam que o ultrassom piore os pacientes. Na discussão do artigo, os autores sugerem que o tratamento com as duas categorias que aumentam a probabilidade de insucesso pode estar relacionado ao fato dos fisioterapeutas deixarem de realizar cinesioterapia para tratar seus pacientes principalmente com o ultrassom. O que fica bem claro na conclusão, a qual eu traduzo abaixo na íntegra.

CONCLUSÃO
Os terapeutas devem considerar aumentar a utilização de intervenções de mobilização articular e exercícios, tais como definidos neste estudo para os pacientes com capsulite adesiva. O uso de ultrassom, massagem, iontoforese, e fonoforese reduzem as chances de melhores resultados nestes doentes. Futuros Ensaios Clínicos Randomizados e Controlados (RCTs) são necessários para identificar a dosagem de tratamento para intervenções mais efetivas para pessoas com capsulite adesiva. Especificamente, estudos da frequência com que intervenções baseadas em mobilização articular devem ser aplicadas de forma isolada ou em combinação com exercícios devem ser conduzidos a fim de otimizar atendimento fisioterapêutico.

OK, agora aos fatos: Existem evidências obtidas a partir de um estudo bem elaborado, com um número grande de pacientes, com conclusões coerentes e respaldadas pela literatura (não comentei, mas os autores fizeram uma mini revisão bibliográfica sobre o tema) de que o US, ionto ou fonoforese estão associados à um desfecho de tratamento desfavorável. Mas se mesmo assim, você escolher tratar seus pacientes de capsulite adesiva com estes recurssos, escolha uma das opções abaixo para justificar cientificamente sua abordagem:
a) Você aprendeu na faculdade ou na pós-graduação que ultrassom deve ser aplicado em pacientes com capsulite adesiva pois as propriedades de calor profundo aumentam a flexibilidade da cápsula articular.
b) Todo mundo usa, porquê eu não posso?
c) Os pacientes gostam de aparelhinhos com luzinhas e que fazem bip de vez em quando.
d) Você precisa de dinheiro fácil, e não liga a mínima pro seu paciente. Assim vai aproveitar os resultados deste estudo para continuar a usar o US e iontoforese para dar um tiro no próprio pé e manter os pacientes em tratamento por tempo indeterminado.

Com certeza os livros têm ótimas explicações para utilizarmos o US e a iontoforese. Mas temos aqui uma exelente razão para não utilizá-las em pacientes com CAPSULITE ADESIVA. Os resultados fortalecem a indicação de cinesioterapia nestes casos. Para muitos posso estar sendo radical, afinal me levanto assim, praticamente rosnando contra recursos tradicionais da eletroterapia. Mas isso é quebrar paradigmas, isso é tentar fazer fisioterapia baseada em evidência.
Hasta la vista.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Jornada de Atualização em Órteses

Olá pessoal,
Estou divulgando uma Jornada de Atualização em Órteses que será relizada no dia 5 de junho no Instituto Nacional de Traulmatologia e Ortopedia. A programação das palestras está bem diversificada, tem coffe break e direito a certificado no final.
Oportunidade imperdível para quem quer aprender um pouco sobre rotinas de reabilitação hospitalar.
Informações e inscrições ( R$50,00 ) no site do INTO.: http://www.into.saude.gov.br/







08:00 - 08:10 Abertura do Evento
08:10 - 08:30 Princípios Biomecânicos Prescrição Materias
Eliane Machado, médica fisiatra INTO
08:30 - 08:50 Cuidados no Pós-Operatório relacionados à técnica cirúrgica nas cirurgias de mão; preservação de estrutura e adequação funcional.
Anderson Monteiro; médico ortopedista cirurgião de mão do INTO
08:50 - 09:10 Biomecânica da Mão
Carlos Onodera; Terapeuta Ocupacional da Expansão
09:10 - 09:30 Casos Clínicos e confecção de órteses
Marilda C. B. Pires; Terapeuta Ocupacional do INTO
09:30 - 09:50 Cadeira de Rodas e Cadeira de Rodas personalizadas
Carlos Onodera; Terapeuta Ocupacional da Expansão
09:50 - 10:00 Perguntas
10:00 - 10:30 Visita Dirigida à área de exposição
10:30 - 10:50 Coffe Break
10:50 - 11:10 Cuidados no Pós-Operatório relacionados à técnica cirúrgica das principais cirurgias de coluna
Luiz Cláudio Shettino; médico ortopedista cirurgião de coluna do INTO
11:10 - 11:30 Biomecânica da Coluna
Hilton Plum Lobato; médico fisiatras do INTO
11:30 - 12:00 Órteses para coluna na estabilização do P.O. e no tratamento das principais deformidades
Mario Cézar de Carvalho; Engenheiro ortésico da Follow Up
12:00 - 12:10 Perguntas




12:10 -!3:30 Almoço




13:30 - 13:50 Dispensação de órteses pelo SUS
Ana Rachel Bonder GAwryszewski; Diretora médica da IMOC
13:50 -14:10 Principais intervenções em pediatria que necessitem suporte ortésico e cuidados no Pós-Operatório relacionados à técnica cirúrgica nas principais cirurgias.
Celso Rizzi; ; médico ortopedista cirurgião infantil do INTO
14:10 - 14:30 Principais òrteses em Pediatria
Maria Luiza de A Meireles; ; médica fisiatra do INTO
14:30 -14:50 Casos Clínicos e confecção de òrteses de MMSS infantil.
Denise Cristina A Oliveira; Terapeuta Ocupacional do INTO
14:50 -15:00 Dispositivos de auxílio à locomoção.
Flávia Orind; fisioterapeuta do INTO
15:00 - 15:10 Perguntas
15:10 - 15:30 Indicação de órteses nas principais deformidades funcionais ou estruturais do pé.
Sérgio Vianna; médico ortopedista cirurgião de pé do INTO
15:30 - 15:50 Palmilhas, calçados especiais, pé diabético, hálux valgo, queda dos arcos plantares.
Leonardo Grandi; médico fisiatra, consultor técnico da oficina ortopédica da ABBR
15:50 - 16:00 Perguntas

domingo, 17 de maio de 2009

Onde baixar e-books

Muita gente me pergunta onde eu consigo tantos e-books ao que eu geralmente respondo com um sorriso cínico estampado no rosto: " - Muito fácil, fuçando na internet. Porquê? você não consegue achar?". Acho que com esta postagem eu vou matar a curiosidade de muita gente.

Hoje é o dia do show do Black Sabbath, e encontro-me extremamente benevolente. Sendo assim vou revelar algumas de minhas fontes.

Pois bem, aproveitando a deixa que o Gustavo deixou no post sobre Influenza A, um dos sites que eu mais utilizo para baixar livros é o Avaxphere http://www.avaxhome.ws/ Trata-se de um site que já foi retirado do ar uma vez (provavelmente por problemas relacionados a direitos autorais) mas de modo geral é muito bom, pois é atualizado com certa frequência e nele vc encontra de tudo, de livros a softwares e videos. O único problema é o mecanismo de busca que é muito simples e acaba te retornando coisas muito inespecíficas.

Outro site que eu utilizo é o blog clinical e-medicine http://clinical-e-medicine.blogspot.com/ É um blog como o meu, só que o autor simplesmente posta livros e os disponibiliza em um catálogo. Simples e direto.

Naturalmente não poderia deixar de fora o site physio4all http://physio4all.webs.com/ e nem o pakitherapists http://www.pakitherapists.com/index.php?p=1_41_Free-Physio-e-Books ambos já recomendados em postagens anteriores. São sites específicos para fisioterapeutas. Eu recomendo particularmente o physio4all. Mas um aviso a quem for se associar: Os livors são todos em inglês, por favor, não sejam abusados solicitando livros ou postagens em português. Pense bem: se você, brasileiro ou brasileira, tem dificuldade em encontrar e-books em português imagine só o organizador do site, que é indiano e mora nos EUA! . . . Tenham noção galera!!!

Estes são os principais sites nos quais eu pesquiso, mas muitas vezes eu acabo encontrando coisas interressantes também no esnips http://www.esnips.com/ e no 4shared http://www.4shared.com/ e também no próprio googlebooks http://books.google.com.br/bkshp?hl=pt-BR&tab=wp o qual infelizmente não dá pra baixar os livros, e os livros não conte todas as pásginas . . . mesmo assim é melhor que nada.

Muito bem pessoal, as dicas já foram passadas.
Boa caça ao tesouro!!!!!!

Ah! ouça outro clássico do Black Sabbath. Na mionha opinião esta aqui é uma das melhores do Sabbath

\m/ METAAAAAAAAAAAAL \m/

Black Sabbath - Fairies Wear Boots

sábado, 16 de maio de 2009

Modelo 3D para estudo da marcha humana

A análise da marcha é um assunto essencial para o fisioterapeuta e uma matéria obrigatória no currículo. No entanto é um tema árido, muitas vezes ensinado na base da decoreba. O professor que por ventura venha a ministrar uma aula sobre a marcha normal tem em mãos uma tarefa árdua pois precisa ser muito habilidoso para cativar o interesse dos alunos e evitar os poderosos efeitos soníferos dos gráficos com a variação angular das articulações dos membros inferiores.
Às vésperas da prova, o pobre do aluno bebe baldes de café para poder memorizar as fases e subfases do ciclo da marcha e acende velas, faz promessas, reza uma novena para que na hora da prova não caia nenhuma pergunta sobre a sequência de ativação muscular de cada fase.
Mas infelizmente a análise da marcha é assim: chata . . . a menos que você faça estágio em um laboratório de análise da marcha, aí o buraco é mais embaixo. Neste caso, o afortunado acadêmico se depara com equipamentos sofisticados, câmeras de vídeo e programas de computador que retornam todos os parâmetros da marcha e fazem com que ele (ou ela) entenda na prática, ao vivo e a cores, a importância de se compreender o ciclo normal e suas variações.

No final de contas é tudo uma questão de tornar o tema interessante.

Nesse sentido, para ajudar o pessoal que tem de estudar a análise da marcha hoje eu deixo um presente especial, que com certeza vai complementar as trocentas páginas xerocadas que deverão ser lidas antes da prova final.
Deixo o link de um arquivo .mov (é um arquivo do programa quick time) que mostra um modelo 3D interativo de esqueleto humano. Neste modelo, é possível girar o esqueleto em 360 graus, fazêlo andar pra frente e pra trás em diferentes velocidades. Enquanto anda, os principais músculos ativados durante a marcha podem ser visualizados.

Baixem na minha pasta do 4shared o arquivo marcha.mov
Se vc não tiver o quick time instalado, basta ir no site baixaki e fazer o download.

Divirtam-se!

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Influenza A. H1N1 Origem Suína

A gripe suína; Um tema que está na moda gerando pânico e atitudes desesperadas como a dor governo egípcio. que decidiu eliminar toda a população de porcos do país. Só que aparentemente as medidas de cuidados necessárias não são mais tão radicais quanto no início e as pessoas já não temem tanto o vírus.

Ora, alguns hão de perguntar: Qual foi o motivo de tanto pânico? afinal de contas esta gripe causou "apenas" 60 mortes nas cidade do México até o momento. E se não me falha a memória, a epidemia de dengue no Rio de Janeiro em 2008 matou muito mais do que esta "gripezinha". Bem, de certa forma isso é verdade. De acordo com dados atuais, nos EUA a letalidade foi de apenas 0,08% com 2,3% dos casos sendo internados. Esta estatística é semelhante aos da Influenza sazonal. Além disso a velocidade do aparecimento de novos casos parece estar em queda. Então conclui-se que foi feito muito barulho por nada, certo?

Quem afirma isso não poderia estar mais enganado. A grande questão por trás da Influenza A é a sua rápida transmissão entre humanos.

Vamos fazer um pequeno exercício mental: imaginem o que poderia ter acontecido se as medidas de precaução como o uso de máscaras e triagem de pacientes em aeroportos não tivessem sido adotadas? Provavelmente haveria a disseminação rápida do vírus pela população. Muita gente gripada... gente de todas as faixas etárias (crianças e idosos são a camada mais frágil e provavelmente a mortalidade estaria concentrada aqui) . . . gente de todas as classes sociais (imagine os hospitais públicos abarrotados de doentes - como foi na epidemia de dengue)

Teríamos assim como pacientes de alto risco:
• Crianças
• Adultos>65 anos
• Pessoas com comorbidades: doenças crônicas pumonares, cardiacas, pacientes imunodeprimidos (cancer, quimioterapia ou HIV)
• Mulheres grávidas

Em resumo: problema não reside na gravidade dos sintomas, mas sim na possibilidade de que em um curto espaço de tempo uma grande parcela da população adoeça praticamente ao mesmo tempo. Assim como no caso da dengue, os óbitos se concentrariam nos pacientes mais frágeis.
Nós fisioterapeutas também devemos estar atentos, para a possibilidade do aumento do número de casos, é bem provável que venhamos a atender pacientes com pnemonia infectados pelo H1N1.
Desta forma, as informações abaixo podem ser úteis.

ORIENTAÇÕES GERAIS PARA OS PROFISSIONAIS DE SAÚDE:

As prioridades para os cuidados de todos os pacientes infectados pelo vírus Influenza A(H1N1) são a máscara médica ou cirúrgica e as medidas de higiene das mãos.

•Colocar máscara comum no paciente durante o deslocamento para o local de isolamento.
•O paciente triado deve ser alocado em local isolado e arejado, as janelas devem ser mantidas abertas e a porta fechada. O mínimo possível de pessoas deve entrar em contato com o paciente

PARA O PROFISSIONAL QUE ATENDERÁ DIRETAMENTE O PACIENTE DENTRO DO LOCAL DE ISOLAMENTO:

•máscara tipo respirador (N95, N99, N100, PFF2, PFF3).
•Caso indisponível, usar máscara médica ou cirúrgica.
•Capote longo não estéril limpo.
•Luvas de procedimento não estéreis
•Higienizar as mãos antes e depois de colocar os equipamentos de proteção individual com clorexidina ou álcool gel
•O paciente não deve ser atendido por funcionárias grávidas ou profissionais imunodeprimidos.
•Evitar tocar olhos, narinas e boca.
•Examinar o paciente com os equipamentos disponíveis no interior do local de isolamento (termômetro, estetoscópio, esfigmomanômetro).
•Os equipamentos deverão ser desinfetados antes e depois do uso com álcool a 70%
•Porta deve manter-se fechada.
•Restringir ao máximo o número de profissionais de saúde assistindo o paciente.
•Se houver suspeita de contaminação da máscara com secreções, desprezar após o uso.
•Desinfetar o óculos após uso com hipoclorito.
•Retirar e guardar a máscara
•Manter disponível dentro do quarto apenas materiais de consumo e permanentes essenciais à assistência do paciente (medicamentos, luvas e seringas para uso imediato).
•Os prontuários, canetas, celulares deverão permanecer fora do quarto. Restringir ao máximo a entrada de visitantes.
•Evitar o transporte do paciente pelo hospital
•Materiais para reprocessamento deverão sair ensacados
•Todo resíduo sólido gerado dentro do quarto, inclusive alimento, será armazenado em saco vermelho com símbolo material biológico infectante. Reduzir ao máximo o volume.
•O recolhimento e manuseio dos residuos, material reprocessado e roupas deve ser realizado com máscaras.

Eu sei que é muita informação, mas se você não se lembrar de tudo...

MÁSCARA
LAVAGEM DE MÃOS
DISTÂNCIA ENTRE PACIENTES



Ah ! Antes de terminar esta postagem, aviso aos interessados que deixei a música war pigs do Black Sabbath no Mp3tube.net aqui embaixo. É só clicar e ouvir este clássico.
METAAAAAAAAAAAAAAAAAL!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
\m/ ( >"< ) \m/


Black Sabath - War pigs

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Homem de Ferro

Este título é uma homenagem à semana do metal, antes de continuar ative o widget abaixo e ouça um dos maiores clássicos do Black Sabbath
Black Sabbath - Iron Man

A empresa Israelense Argo Medical Technologies, desenvolveu o ReWalk, um exoesqueleto que permite que paraplégicos voltem a andar e até subir escadas. Sem dúvidas é um equipamento fantástico para aqueles com dificuldade de movimentos. O ReWalk ainda está em fase de testes mas a previsão é de que esteja disponível no mercado já no ano que vem pela bagatela de 14 000 euros.
Este equipamento já não é novidade pra ninguém. Mas fuçando no youtube, encontrei um outro dispositivo robótico que está sendo desenvolvido para auxiliar a locomoção. Mas ao contrário do ReWalk, ele não é direcionado a deficientes físicos.
Este equipamento está sendo desenvolvido pela Honda e garante um suporte parcial de peso. Diferente do ReWalk, no qual o paciente "movimenta as pernas" de forma passiva, o equipamento da Honda é aparentemente um dispositivo ativo-assitido. Penso que talvez possa vir a ser útil em casos de paraparesia, tipo lesão medular baixa (bem baixa e sem espasticidade intensa!), talvez também em pacientes com sequela de Guillain Barret.
Como bons japoneses, dá pra ver que os engenheiros da Honda se esforçaram pra desenvolver um equipamento que fosse ao mesmo tempo funcional e pequeno. Enquanto não é lançado vamos exercitar um pouco a nossa imaginação tentando vislumbrar utilidades para este equipamento. Quem sabe alguém não tem uma idéia brilhante, de baixo custo e que possa ser desenvolvida aqui mesmo no Brasil?

domingo, 10 de maio de 2009

Novos ebooks de fisioterapia

Olá pessoal,

Estou deixando uma atualização na relação de ebooks para download. Como eu estou baixando cada um dos livros para confirmar se o link funciona e se não há necessidade de senha, provavelmente este processo ainda vá demorar alguns dias ou semanas até eu deixar a relação completa.

Agradeçam ao pikachuangel do site physio4all pela divilgação destes e-books.

A propósito, em homenagem ao show do Black Sabbath (uma das mais importantes bandas de Metal de todos os tempos), declaro esta a semana do metal do blog guia do fisioterapeuta.
O show ocorrerá no próximo domingo no Rio de Janeiro e eu estarei lá !!!!!!!


\m/ (>"<) \m/

METAAAAAAAAAAAAAAAAAAL ! ! ! !



quinta-feira, 7 de maio de 2009

Programas de exercícios para crianças com paralisia cerebral.


Para fugir um pouco da terapia manual, deixo hoje trechos da tradução de uma revisão sistemática recente que investigou a evidência dos programas de exercício utilizados em crianças com Paralisia Cerebral.
O texto é bastante claro, com a metodologia de pesquisa muito bem descrita - excelente para o pessoal se guiar na hora da monografia ;) Além disso as conclusões também claras e coerentes.
Espero que gostem.

Exercise Programs for Children with Cerebral Palsy _ A Systematic Review of the Literature
Programas de exercícios para crianças com paralisia cerebral. Uma revisão sistemática da literatura
Verschuren O, Ketelaar M, Takken T, Helders PJM, Gorter JW: Exercise programs for children with cerebral palsy: a systematic review of the literature. Am J Phys Med Rehabil 2008;87:404–417.

RESUMO
O propósito desta revisão da literatura, conduzida em relação a todos os tipos de programas de exercícios focados no condicionamento cardiovascular (aeróbico e anaeróbico) e/ou fortalecimento de membros inferiores em crianças com paralisia cerebral (PC), foi abordar as seguintes questões: (1) Quais programas de exercícios focados no fortalecimento muscular, condicionamento cardiovascular ou uma combinação destes foram estudados, e quais os efeitos destes programas de exercícios em crianças com PC ? (2) Quais medidas de desfecho foram utilizadas para avaliar os efeitos destes programas ? e (3) Qual a qualidade metodológica destes estudos?
Nós realizamos uma busca sistemática da literatura disponível em bases eletrônicas até outubro de 2006 e foram incluídos um total de 20 estudos. A qualidade metodológica dos estudos incluídos foi considerada baixa. No entanto, parece que crianças com PC podem se beneficiar de programas de exercícios focados em força muscular de membros inferiores, condicionamento cardiovascular, ou uma combinação destes. As medidas de desfecho nestes estudos não eram específicas para a intervenção proposta e geralmente apenas focadas na Classificação Internacional de Funcionalidade. Existe uma necessidade de se determinar a eficácia dos programas de exercícios na melhora a atividade diária e nível de participação das crianças com PC e aumentar suas auto-competências ou qualidade de vida.


INTRODUÇÃO
A paralisia cerebral (PC) é um termo que descreve um grupo de desordens do desenvolvimento do movimento e da postura, os quais causam limitação das atividades atribuída à um distúrbio não progressivo que ocorre no feto ainda em desenvolvimento fetal ou no cérebro imaturo. As desordens motoras na PC são geralmente acompanhadas por distúrbios sensitivos, cognitivos, da comunicação, percepção e/ou comportamento e/ou por desordens convulsivas. Devido às deficiências, muitas crianças e adolescentes com PC tem ao menos dificuldades com atividades como andar de modo independente, subir e descer escadas, correr ou deslocar-se de forma segura sobre terrenos irregulares (o período denominado infância geralmente refere-se ao período dos 2 aos 12 anos de idade, e adolescência refere-se ao período dos 13 aos 21 anos. Nesta revisão, crianças e adolescentes serão descritos simultaneamente como crianças). Melhorar a marcha ou no desempenho de atividades funcionais são sempre o objetivo primário em crianças com PC. Exercícios referem-se à atividades planejadas envolvendo movimentos repetidos dos músculos esqueléticos, que resultam em gasto energético e tem como objetivo melhorar ou manter o nível de condicionamento físico acima da intensidade das atividades do dia a dia. Exercícios em crianças com PC tem sido geralmente evitados devido à preocupação com os efeitos negativos de tal esforço sobre a espasticidade e padrões de movimento da criança. Vários fatores contribuíram para a recente mudança de perspectiva em relação aos exercícios nestes pacientes. Estudos que investigaram os efeitos dos exercícios físicos em crianças com PC não relataram efeitos adversos nos padrões de movimento, na flexibilidade ou espasticidade.Muitos programas de exercícios para crianças com PC são primariamente desenvolvidos para os membros inferiores. As funções mais comuns dos membros inferiores tendem a ser atividades motoras grosseiras, envolvendo movimentos repetitivos, recíprocos e coordenados de ambos os MMII para se deslocar no espaço e geralmente exigem pouca esforço consciente durante o exercício. Tem havido um grande interesse em desenvolver e implementar programas de exercícios para melhorar o condicionamento cardiovascular (capacidades aeróbia e anaeróbia) e/ou fortalecimento muscular dos MMII de crianças com PC. Duas revisões sistemáticas que examinam os efeitos do fortalecimento em PC foram publicados. Até o momento não existem revisões sistemáticas que examinem todos os tipos de programas de exercício focados no condicionamento cardiovascular) e/ou fortalecimento muscular dos MMII de crianças com PC.
O propósito do presente trabalho é revisar sistematicamente a literatura em relação a programas de exercícios em crianças com PC para responder às seguintes questões: (1) Qual programa de exercícios focados no fortalecimento muscular de MMII, condicionamento cardiovascular ou a combinação de ambos foram estudados e quais os efeitos sobre crianças com PC? (2) Quais foram os desfechos utilizados para avaliar estes programas de exercícios? E (3) Qual é a qualidade metodológica dos estudos?
Em muitas revisões sistemáticas, é realizada uma meta-análise, combinando estatisticamente os resultados de vários estudos em um tamanho estimado de efeito único. No entanto, as mate-análises foram desenvolvidas especificamente para estudos randomizados e controlados. Nós esperamos que a maioria dos trabalhos sejam estudos observacionais, uma condição na qual o uso de meta-análise não é geralmente recomendada. Portanto, foi realizada uma revisão sistemática qualitativa dos efeitos de todos os tipos de programas de exercícios focados no condicionamento cardiovascular (capacidades aeróbia e anaeróbia) e/ou fortalecimento muscular dos MMII de crianças com PC.

METODOLOGIA
Estratégia de busca
As seguintes bases eletrônicas foram pesquisadas desde suas respectivas inserções até Setembro de 2006: MEDLINE, PubMed, EMBASE, CINAHL, Sports Discus, Cochrane, and PEDro. Os termos de busca incluíram cabeçalhos de assunto e palavras no texto baseadas em: (I) cerebral palsy; (II) exercise ( em combinação com strength, fitness, working capacity, aerobic power, anaerobic power, endurance, cardiorespiratory physical training or program); (III) lower extremity; and (IV) clinical trials. Os critérios de inclusão foram: (1) Crianças e adolescentes com PC, (2) Intervenção (programas de exercícios focados no fortalecimento muscular de MMII, condicionamento cardiovascular ou a combinação de ambos) e (3) desfecho (mensuração das mudanças na função corporal e estrutura, atividade ou participação). Os critérios de exclusão foram: (1) Dissertações de Doutorado, (2) relatos publicados em livros, (3) relatos publicados em conferências de congressos, e (4) estudos que incluíram crianças com PC e crianças com outros diagnósticos.
Extração de informações
Os Artigos incluídos foram lidos por 3 revisores independentes (foram sorteados entre 5 possíveis revisores para cada artigo), com experiência em fisioterapia pediátrica, fisiologia do exercício ou reabilitação. Todos os revisores registraram detalhes do desenho do estudo, participantes, intervenções, medidas de desfecho, resultados e conclusões. Quaisquer desacordos ou discrepâncias foram resolvidos por meio de discussão entre os revisores até um consenso ser alcançado e checagem do artigo original. Naqueles onde informações chave não foram relatadas, houve um esforço em contatar os autores para obter os detalhes.
O treino de fortalecimento dos membros inferiores foi definido como a prescrição de exercícios para os membros inferiores com o objetivo de ganho de força e resistência muscular, os quais são tipicamente efetuados por contrações musculares repetidas contra resistência, a qual pode ser o próprio peso do corpo, faixas elásticas, pesos, equipamentos de musculação ou equipamentos isocinéticos. O treinamento aeróbico foi definido como aquele com o objetivo de e melhorar o componente cardio-respiratório do condicionamento físico os quais são tipicamente realizados por longos períodos de tempo. O treinamento anaeróbico refere-se a exercícios que exijam grande gasto de energia por um curto período de tempo.

AVALIAÇÃO DA QUALIDADE
Os artigos obtidos foram avaliados pelos mesmos 3 revisores que realizaram o registros das informações específicas de cada trabalho. Os estudos empíricos que preenchiam os critérios de inclusão foram avaliados de acordo com a escala PEDro de qualidade metodológica. Com a escala PEDro, os seguintes indicadores de rigor metodológico foram avaliados de forma independente pelos revisores como ausente (pontuação = zero) ou presente (pontuação = 1ponto): (1) Especificação do critério de eligibilidade, (2) alocação aleatória da amostra, (3) alocação dissimulada, (4) Prognósticos similares no início da pesquisa, (5) pacientes “cegos” (6) terapeutas “cegos”, (7) avaliador “cego”, (8) acompanhamento de mais de 85% para pelo menos um desfecho chave, (9) Análise estatística do tipo “intention-to-treat”, (10)Análise estatística entre os grupos de ao menos um desfecho chave, e (11) estimativa de variabilidade de ao menos um desfecho chave. Os pontos só foram considerados quando o critério avaliado foi claramente satisfeito e relatado no estudo.

Avaliação da Evidência
Ensaios Clínicos Randomizados e Controlados (do inglês Randomized Controled Trials – RCTs) são o melhor desenho de estudo para garantir que os desfechos observados sejam resultado do tratamento e não de outros fatores. Eles têm boa validade interna, assim, são o método ideal par determiner a eficácia de um tratamento. Porém, este tipo de estudo são geralmente difíceis de serem conduzidos. Como resultado, muitos estudos empregam desenhos de pesquisa menos controlados. A variedade de desenhos de pesquisa na literatura obriga a utilizar um método para ajudar a avaliar os diferentes métodos e atribuir um peso a seus achados. Para determinar o grau de confiança que pode ser atribuído às evidências disponíveis sobre determinada intervenção, foi utilizado um sistema de graduação desenvolvido pela American Academy for Cerebral Palsy and Developmental Medicine (AACPDM). Para os níveis de evidência, confira a Tabela 1

RESULTADOS:
Resultados da busca.
A busca inicial identificou 581 citações. Com base no título e nos resumos, excluímos 559 estudos, os quis não preenchiam os critérios de inclusão. Os 22 artigos restantes foram lidos na íntegra, sendo que 4 estudos foram excluídos pois a intervenção não preencheu os critérios de inclusão. Uma busca nas referências destes trabalhos nos levou a outros 2 artigos, os quais foram incluídos. Um total de 20 trabalhos restaram e foram incluídos na presente revisão sistemática. (FIG1): 11 estudos versam sobre fortalecimento, 5 sobre treinamento aeróbico, e 4 estudos sobre treinamentos mistos. Todas as informações foram obtidas diretamente dos artigos. Nenhum artigo sobre treino anaeróbico foi incluído, portanto, os estudos foram divididos em 3 categorias: treinamento de força de membros inferiores, treino aeróbico e treino misto.

DISCUSSÃO
Houveram apenas 5 RCTs que investigaram a eficácia de programas de exercícios para crianças com Paralisia Cerebral, e muitos deste estudos tiveram um controle ruim. Esta revisão sistemática oferece uma visão geral das características das intervenções e das medidas de desfecho utuilizadas nos programas de exercícios para crianças com paralisia cerebral.
Características Ida Intervenção
Os programas investigados variaram em relação ao desenho, população e avaliação, incluindo intervenções em laboratórios, na comunidade e programas domiciliares e escolares. Os supervisores dos exercícios foram fisioterapeutas ou os próprios pais.
Além disso, existe pouca evidência para identificar a freqüência, intensidade, local, supervisão e duração da atividade ideal para o programa de exercícios. Com base no treinamento de força, pode ser sugerido que um programa de no mínimo 6 semanas, com uma freqüência de 3vezes na semana pode ser o suficiente para melhorar a performance muscular dos membros inferiores.
Para melhorar a capacidade aeróbica, sessões de treinamento que variem de 2 a 4 vezes por semana por pelo menos 6 semanas pode ser adequado. O treino misto, que demonstrou aumento significativo na força muscular e no comprimento do passo variou de 4 semanas a 6 meses.
Nenhum estudo comparou a resposta ao treinamento em diferentes faixas etárias. Nos trabalhos revistos, não houve indicação de que crianças com menos de 12 anos reagissem de forma diferente aos programas de exercício comparado a crianças mais velhas. De forma geral, a capacidade aeróbica e a força muscular parecem ser treináveis em crianças de todas as idades
Nenhum dos programas de treinamento foi focado na capacidade anaeróbica. Isto é surpreendente, considerando que a maior parte das atividades diárias em crianças são de curta duração e de alta intensidade. Por este fato, o capacidade anaeróbica poderia ser uma importante medida de capacidade funcional. Em crianças com disfunção neuromotora, a força anaeróbica (anaerobic Power) é considerada uma medida de capacidade funcional mais adequada do que a força aeróbica máxima (maximal aerobic Power)
A capacidade de crianças com PC manterem os ganhos obtidos com estes programas permanece obscura pois poucos estudos incluíram um período de acompanhamento destas crianças. Com base nos achados limitados, pode-se sugerir que os benefícios obtidos com o treino de fortalecimento e treinamento misto se mantiveram ao longo do acompanhamento. No entanto, a capacidade aeróbica se reduz bastante neste acompanhamento.

CONCLUSÃO.
Em geral, a qualidade metodológica e o nível de evidência nos estudos incluídos foram baixos. Apenas 5 RCTs foram incluídos. No entanto, a partir de uma avaliação crítica da informação atualmente disponível, parece que crianças com PC podem se beneficiar de programas de exercícios focados no fortalecimento das extremidades inferiores, condicionamento cardiovascular ou em uma combinação destes. As medidas de desfecho utilizadas não eram específicas para a intervenção, e geralmente focadas na função corporal e nível de atividade da CIF. Assim, apesar dos programas aumentarem a força muscular e capacidade aeróbica , há a necessidade de mais evidências para se determinar até onsde este treinamento é capaz de se traduzir em ganhos substanciais e prolongados nas atividades de vida diária, no nível de participação, competências e qualidade de vida destas crianças.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

O conceito Mulligan

Dando continuidade à sequência de postagens sobre terapia manual, deixo hoje minhas impressões sobre uma técnica muito popular ultimamente: O conceito Mulligan ( a pronúncia correta é Mãlligan, com o som igual ao "mã" de mamãe).
O conceito Mulligan de terapia manual foi desenvolvido por Brian Mulligan, (esse aí da foto ao lado), fisioterapeuta neozelandês, membro fundador da Associação Neozelandesa de Terapia Manipulativa. A aplicação clínica de seu conceito de “Mobilização com Movimento” (do inglês: Mobilization With Movements - MWM´s) envolve a combinação de uma mobilização articular acessória associada ao movimento fisiológico ativo. Estes princípios foram descobertos por ele próprio por acaso ao observar a rápida reversão de um disfunção articular dolorosa quando um deslizamento lateral na articulação interfalangeana de um paciente resultou na restauração imediata arco de movimento livre de dor da articulação tratada.
Brian Mulligan percebeu que este fenômeno clínico de alívio rápido da dor não obedecia os modelos clássicos de tratamento de articulações e tecidos moles. Sendo assim, iniciou suas pesquisas experimentando diferentes combinações de mobilizações acessórias, sempre buscando formas de recuperar a função e amplitude de movimento de seus pacientes de forma indolor. Os resultados de muitos anos de experimentações resultaram em uma abordagem segura e efetiva de terapia manual ortopédica guiada pelas próprias respostas sintomáticas livres de dor do paciente.
Princípios de tratamento:
1- Durante a avaliação, o terapeuta deve identificar um ou mais “achados comparáveis”, como descritos por Maitland. Estes achados podem ser: Perda do movimento articular, dor associada ao movimento, ou dor associada a atividades funcionais específicas (Ex: Dor lateral em cotovelo associada a atividades resistidas em punho/mão)
2- Uma mobilização assessória passiva é aplicada seguindo os princípios de Kaltenborn (paralela ou perpendicular ao plano articular). Este deslizamento articular deve ser ele próprio livre de dor.
3- O terapeuta deve monitorar continuamente a resposta do paciente para se assegurar de que não esteja causando nenhuma dor. Utilizando os seus conhecimentos de artrocinemática, o terapeuta deve investigar diferentes combinações de deslizamentos articulares até encontrar o plano de tratamento e o grau de deslizamento articular ideais.
4- Enquanto o terapeuta mantém o deslizamento acessório, o paciente é instruído a repetir o movimento que lhe causa dor (o achado comparável). Este achado deve agora ter uma resposta melhorada. (ex: Aumento da ADM, aumento da força muscular) e livre de dor.
5- Falha em melhorar o achado comparável pode indicar que o terapeuta não encontrou o plano de tratamento adequado, grau de deslizamento, vértebra a ser tratada ou simplesmente que esta técnica não é indicada
6- O movimento previamente restrito e/ou doloroso deve ser repetido pelo paciente enquanto o terapeuta mantém o deslizamento acessório. Uma sobre pressão ao fianl do arco de movimento pode ser aplicada sem encontrara a dor como fator limitante para o arco de movimento.
A dor é sempre o guia (ou pelo menos na maioria das vezes!). A técnica de Mobilização com Movimento bem sucedida resulta em um sinal comparável livre de dor, enquanto melhora significativamente a função.
Um dos pontos mais significativos do conceito Mulligan é a insistência de que todas as mobilizações bem sucedidas devem traduzir-se em um achado comparável original livre de dor e melhora da função. O terapeuta recebe feedback contínuo do paciente durante o tratamento, sob a forma de abolição da dor e conseqüente melhora da função. O grau e a direção do vetor de força aplicada na articulação a ser tratada e ponto de contato podem agora se escolhidos e modificados baseados na reposta do paciente de movimento livre de dor. Sem a dor como barreira, um ganho na amplitude total de movimento pode ser atingida.
Eu gosto muito deste conceito, foi a primeira técnica de terapia manual que eu aprendi e me foi muito útil nos primeiros anos de formado, principalmente porque na época era um conceito relativamente desconhecido (estou falando de 2001... estou ficando velho!!) e principalmente porque os resultados eram o alívio instantâneo da dor e recuperação do arco de movimento na maioria dos pacientes atendidos. Além disso, é uma técnica que exige do aluno conhecimentos básicos, quase rudimentares de biomecânica para identificar o plano de tratamento a ser utilizado. Isto também foi muito importante para mim na época!!!
Eu defendo a idéia de que todo fisioterapeuta deveria fazer ou pelo menos ter noção dos manuseios do Mulligan (NÃO, eu não ganho jabá do Mulligan e nem dou cursos), pois são manuseios muito fáceis e não exigem uma avaliação rigorosa, sendo muitas vezes aplicados na base da tentativa e erro. Aliás, este é na minha opinião, ao mesmo tempo o ponto forte e fraco deste conceito. É forte pois recém formados ou fisioterapeutas sem muita intimidade com avaliação musculoesquelética conseguem usar e fraco pois certamente uma boa avaliação lhe garante uma visão mais precisa do problema do paciente.
Obviamente o conceito Mulligan não trata tudo, e com o tempo comecei a atender casos cada vez mais cabeludos, o que me obrigou a partir para novos cursos como Maitland, movimento Combinado e Mob. Neural entre outros. Ah!, Naquela época o retorno financeiro foi muito bom e me permitiu fazer ao menos um destes cursos grandes por ano.
Espero falar mais um puco sobre este conceito em breve.
See ya Space Cowboy