O Quarto lugar na lista dos fisioterapeutas mais influentes pertence a Geoff MAitland. Na verdade esta postagem é só pra constar, pois creio que já falei bastante sobre Maitland e seu conceito de terapia manual nas postagens anteriores. sexta-feira, 31 de julho de 2009
As sete personalidades mais influentes da fisioterapia ortopédica - Quarto Lugar: Geoff D. Maitland
O Quarto lugar na lista dos fisioterapeutas mais influentes pertence a Geoff MAitland. Na verdade esta postagem é só pra constar, pois creio que já falei bastante sobre Maitland e seu conceito de terapia manual nas postagens anteriores. quinta-feira, 30 de julho de 2009
O Papel do Fechamento de Forma e Fechamento de Força para a Estabilização da Articulação Sacroilíaca
A principal função do quadrande inferior consiste em movimentar e fornecer, simultâneamente uma base estável a partir da qual os membros superiores possam atuar. A cintura pélvica (inominados, sacro, cóccix e fêmures) é uma estrutura que liga de forma dinâmica a coluna vertebral e os membros inferiores. Neste contexto encontramos a articulação sacroilíaca , a qual tem um papel importantíssimo na transmissão de forças do tronco para os membros inferiores.Existe um debate histórico quanto ao fato da articulação sacroilíaca ser ou não móvel. Quanto a isto, vou apenas reproduzir um trecho de uma entrevista com Diane Lee, fisioterapeuta canadense especialista em disfunções pélvicas:
Muitos autores dispensam uma atenção especial à esta articulação. De fato, acredita-se que a disfunção sacroilíaca (Esta terminologia é usada para caraterizar um distúrbio biomecânico, sem nenhuma lesão aparentea na articulação sacroilíaca) é uma causa importante de lombalgias."Dois estudos independentes [1,2] demonstraram que a articulação sacroilíaca é capaz de uma pequena quantidade de movimento (1-4 graus de movimento) e que esse movimento persiste ao longo da vida. Este é um componente essencial de absorção de choques para impedir as forças de impacto geradas durante a marcha venham a atingir a coluna vertebral. Para que estas forças sejam devidamente transferidas através da pelve, é essencial que este movimento seja controlado, e este controle é proveniente de correta ativação dos músculos estabilizadores profundos da região lombar e bacia e do bom funcionamento dos ligamentos da articulação sacroilíaca"
Esta é apenas uma breve introdução a um assunto vastíssimo e repleto de controvérsias. Obviamente não é possível esgotar o tema em um blog, mas quero deixar minha contribuição falando sobre dois mecanismos de estabilização da articulação sacroilíaca, os chamados de fechamento de forma e fechamento de força.
FECHAMENTO DE FORMA
O termo fechamento de forma foi cunhado por Andry Vleeming and Chris Snijders [3,4], representa uma situação estável em que as superfícies articulares estão estreitamente encaixadas e não são necessáriassorças adicionais para manter o estado do sistema. Em outras palavras: como é que a integridade da articulação ajuda a prevenir o cisalhamento e forças de translação excessivas entre as duas superfícies articulares quando submetidas à carga.
Uma vez que a articulação Sacroilíaca serve para transferir grandes quantidades de carga, assume-se que o seu formato está adaptado a esta tarefa. Três fatores contribuem para o fechamento de forma:
(1) O formato da superfície articular: Devido ao seu formato em cunha, o sacro é estabilizado pelos inominados;
(2) O coeficiente de atrito da cartilagem articular: ao contrário das articulações sinoviais normais, a cartilagem articular da sacroilíaca é irregular;
(3) A integridade dos ligamentos que recobrem a articulação.
FECHAMENTO DE FORÇA
Este é outro termo cunhado por Vleeming e Snijders e está relacionado a questão de como e quais forças adicionais são necessárias para controlar a translação entre duas superfícies articulares quando a carga é aplicada.
Se o sacro fosse perfeitamente encaixado na pelve, (um fechamento de forma perfeito), a mobilidade articular seria praticamente impossível. No entanto, durante a marcha, a mobilidade assim como a estabilidade devem ocorrer. Assim se faz necessário a adição de uma força extra no sistema durante as situações de carga.
No caso do fechamento de Força são necesárias forças adicionais para manter o objeto no lugar. Neste caso é preciso que haja atrito. As articulações com superfícies predominantemente planas são apropriadas para transferir grandes quantidades de força, mas são vulneráveis ao cisalhamento. Forças de compressão são necessárias para controlar este cisalhamento, pois aumentam o coeficiente de atrito e a capacidade da articulação de resistir à translação. Esta compressão é fornecida pelos estabilizadores profundos da região lombar e pelve, que são os músculos transverso do abdomen, multífidos e os músculos do assoalho pélvico.
Os músculos contribuem para o fechamento de força e, assim, para a transferência de carga através da pelve de duas formas:
(1) Eles aumentam as forças de compressão em toda a sínfise púbica e articulações sacroilíaca, reduzindo a quantidade de movimento na articualção
(2) Eles modificam a posição da articulação, produzindo aumento da tensão ligamentar.
Outros dois componentes formam o modelo conceitual de estabilização da articulação sacroilíaca, o controle motor e o estado emocional do indivíduo. Não irei me alongar muito nestes tópicos, mas eles são abordados, inclusive com referências a artigos publicados no link com entrevista da Diane LeeO Controle Motor
Controle motor é um termo usado para descrever o padrão de c0-ativação e coordenação dos músculos estabilizadores profundos.
Estado Emocional
O quarto componente do modelo aborda o papel do nosso estado emocional sobre a nossa capacidade de controle motor eficaz. É bem conhecido que o estresse, ansiedade, medo e dor têm impacto nosso estado emocional e agora sabe-se que este estado influencia nossa capacidade de controle motor.
Bem, é isso, espero que seja útil
[1] Jacob H A C, Kissling R O, 1995, The mobility of the sacroiliac joints in healthy volunteers between 20 and 50 years of age. Clinical Biomechanics 10(7): 352-361.
[2] Sturesson B, Selvik G, Uden A, 1989, Movements of the sacroiliac joints a roentgen stereophotogrammetric analysis. Spine 14 (2): 162 165.
[3] Vleeming A, Stoeckart R, Volkers A C W, Snijders C J 1990 Relation between form and function in the sacroiliac joint. 1: Clinical anatomical aspects. Spine 15(2): 130-132.
[4] Vleeming A, Volkers A C W, Snijders C J, Stoeckart R 1990 Relation between form and function in the sacroiliac joint. 2: Biomechanical aspects. Spine 15(2): 133-136.
quarta-feira, 29 de julho de 2009
Vídeos de exercícios terapêuticos Kissner & Colby
Olá pessoal, São vídeos de 62 exercícios terapêuticos básicos e técnicas. Incluindo - amplitude de movimento, alongamento, Misto, Mobilização, resistência e Spinal Stabilization. Carolyn Lynn e trabalhou arduamente para garantir que os vídeos reforçam os alicerces de construção de conceitos, princípios e técnicas da 5 ª Edição.
Visitem e façam o download do material pois tá muito bom!
Abraços
Displasia do Desenvolvimento do Quadril ou Luxação Congênita do Quadril ?
Alguns autores justificam esta mudança argumentando que apesar da grande maioria das luxações idiopáticas de quadril serem identificadas ao nascer, um número significativo de crianças desenvolve uma luxação tardia, relacionada à presença de displasia da articulação do Quadril. Assim, a denominação DDQ englobaria um espectro mais amplo e diferenciado de crianças, reservando a classificação de LCQ para os casos de Luxação Congênita “verdadeira”, ou seja: a luxação de quadril identificada no neonato.

DEFINIÇÔES:
É a perda do contato da epífise femoral proximal (cabeça do fêmur) com a cavidade acetabular ao nascer.
Existem vários fatores associados simultâneamente a DDQ e a LCQ. Ambas as condições podem ser decorrentes de fatores mecânicos (tanto pré quanto pós-natais), desenvolvimento anormal (displasia propriamente dita) ou excesso de mobilidade (que se manifesta ao nascer por instabilidade do quadril).
Fatores mecânicos associados à falta de espaço para o recém nascido no útero podem gerar uma ossificação retardada das epífises acetabulares,ou seja, displasia, o que leva ao deslocamento secundário como um resultado da falta contorno do teto acetabular. No entanto, a luxação em si pode não estar presente ao nascimento, mas tende a ocorrer secundariamente durante o curso dos primeiros meses de vida.
Esta imaturidade acetabular também pode estar associada a outras deformidades ou malformações, como pé torto congênito, assimetrias faciais, torcicolo congênito e também como componente em diversas síndromes.
A palavra congênita refere-se a uma característica adquirida pelo bebê no período de tempo no qual permaneceu em gestação. É uma característica atribuída a eventos pré-natais, porém não necessariamente genéticos. Assim, podemos definir Luxação Congênita do Quadril como a perda do contato da epífise femoral proximal (cabeça do fêmur) com a cavidade acetabular ao nascer.
segunda-feira, 27 de julho de 2009
Criação da Associação Brasileira de Fisioterapia Neurofuncional
ctfisioneuro@crefito2.org.br.
Segue abaixo a proposta
"CÂMARA TÉCNICA DE FISIOTERAPIA NEUROFUNCIONAL”
Diante dos inquestionáveis benefícios da colaboração intelectual entre as disciplinas envolvidas, para que os avanços da Neurociência possam ter repercussões na prática fisioterapêutica e que, da mesma forma, as questões levantadas pelos fisioterapeutas na clínica possam ser estudadas pelos pesquisadores, é imprescindível o estabelecimento de uma ponte entre esses dois mundos.
A criação de uma Associação Brasileira de Fisioterapia Neurofuncional vem atender a essas aspirações. A definição da abrangência da especialidade, os critérios para a formação dos especialistas, a promoção de consensos acerca das condutas utilizadas em Fisioterapia Neurofuncional, a divulgação do saber científico e a promoção de espaços de interação entre profissionais, pesquisadores e docentes são algumas das funções pertinentes a uma Associação Científica.
A Fisioterapia Neurofuncional Brasileira se ressente da ausência de uma entidade representativa da especialidade em toda a sua abrangência e potencialidade. Daí a necessidade premente de nos organizarmos para fundar uma Associação de caráter Nacional. Diante desse cenário, nos sentiremos honrados com a sua participação nos debates acerca do tema, a fim de viabilizar a criação da Associação Brasileira de Fisioterapia Neurofuncional.
Para atingir essa meta e iniciar os trabalhos, solicitamos a autorização para incluir seu e-mail em nosso mailing list para que possamos disseminar, de forma ampla e objetiva, o planejamento estratégico e as propostas voltadas para a efetivação do projeto. Caso vc concorde em participar desta discussão, confirme através de e-mail para ctfisioneuro@crefito2.org.br.
Oportunamente, organizaremos um encontro presencial, em nível Nacional, para debatermos a viabilização dessa proposta.
Câmara Técnica de Fisioterapia Neurofuncional do CREFITO 2:
Ana Paula Fontana
André Luís dos Santos Silva
Cristina Kurthy
Érika Rodrigues
Jaqueline Almeida Pereira
Marcos Rebel
Miriam Calheiros
Solange Canavarro
sexta-feira, 24 de julho de 2009
As sete personalidades mais influentes da fisioterapia ortopédica - Terceiro Lugar: Florence Peterson Kendall
A Sra. Kendall tornou-se fisioterapeuta no início da década de 1930, quando a fisioterapia ainda estava em sua infância. Com seu marido, Henry O. Kendall, ela atuou em Baltimore durante muitos anos, e veio a escrever um livro que ainda hoje é referência no campo dos testes musculares manuais e ajudou a conquistar o reconhecimento oficial da fisioterapia como uma profissão licenciada em Maryland nos EUA.A Sra Kendall esteve diretamente envolvida com a fisioterapia nos últimos 70 anos de sua vida. Ela ensinou fisioterapia no departamento de fisioterapia da Universidade de Maryland. Também foi professora de Biomecânica da Escola de Enfermagem do Johns Hopkins Hospital além de consultora do Exército norte-americano em relação aos exercícios para os soldados.
Kendall e seu marido Henry (também fisioterapeuta) trataram pacientes com poliomielite no Children's Hospital por muitos anos, bem como em sua clínica particular.
Dado a extensa experiência dos Kendalls no tratamento da poliomielite (estamos falando da epidemia de pólio nos Estados Unidos, com números de casos na ordem de 9000 somente na primeira década do século!) neste contexto era inevitável a publicação de um livro. As técnicas e resumos de suas pesquisas foram incorporados na primeira edição do livro Livro Músculos: Provas e Funções, publicado em 1949.
"Nós não escrevemos o livro para sermos famosos. Pretendemos compartilhar com outros aquilo que havíamos aprendido em todo o nosso trabalho com polio, postura e condições dolorosas especialmente a lombalgia "
Florence Kendall
A Sra. Florence Kendall faleceu em 2006 aos 95 anos de idade. Sendo um exemplo de vida e dedicação à profissão. Seu livro é leitura obrigatória para os estudantes de fisioterapia.
Para quem quiser saber mais um pouco sobre a vida e obra da Sra Kendall, eu recomendo a leitura do prefácio de seu livro de testes musculares e também o arquivo em pdf da APTA sobre sua vida.
As sete personalidades mais influentes da fisioterapia ortopédica - Segundo Lugar: James Henry Cyriax.
James Henry Cyriax, M.D.É provável que Henry James Cyriax, MD (1904-1985) tenha tido mais influência sobre os outros nomes na lista do que qualquer outro indivíduo. Sua influência sobre o campo de ortopedia, fisioterapia, chiropratica, massagem é profunda.
James Cyriax era um ortopedista britânico considerado o pai da medicina ortopédica. Formou-se em medicina no St Thomas's, em 1929, tornando-se um especialista (membro do Royal College of Physicians, MRCP) em 1954. Ele era completamente apaixonado por sua profissão, ao ponto de certa vez quando questionado se era religioso, ele respondeu: "eu acredito em Medicina Ortopédica." Cyriax acreditava que os fisioterapeutas eram os profissionais mais aptos para aprender técnicas manipulativas devido ao seu treinamento e sua estreita ligação com a medicina.
O Hospital St. Thomas's é um dos principais hospitais de Londres. James Cyriax percebeu que o trabalho no departamento de fisioterapia deste hospital consistia apenas em "calor-massagem-exercícios", obviamente sem obter resultados muito satisfatórios. Ele queria mudar, queria transformar o fisioterapeuta "indiferente" em fisioterapeuta "eficiente". Cyriax foi “o médico” que atualizou tanto a fisioterapia quanto a sua profissão. Ele estimulava a intensa e freqüente colaboração entre médicos e fisioterapeutas, cada um com suas próprias responsabilidades. Curiosamente esta mentalidade de interdisciplinaridade foi defendida há mais de 45 anos, e ainda hoje permanece atual (embora pouco praticada).

O seu maior legado a ambas as profissões é encontrado em seu livro clássico Orthopaedic Textbook of Medicine, Volume I, publicado originalmente em 1954. Neste livro ele estabeleceu as bases de um método lógico, clinicamente fundamentado de diagnóstico diferencial, o que ele chamava de "testes seletivos da tensão tecidual" utilizado para identificar o tecido específico (músculos, tendões, ligamentos, etc) responsável por uma dor ou disfunção de movimentos específicos. Esta filosofia clínica irrevogavelmente mudou a maneira como a terapia manual ortopédica era pensada, ensinada e praticada.
Cyriax estudou e escreveu sobre o conceito de dor referida. Ele também foi um dos primeiros a reconhecer o disco intervertebral como uma possível fonte de dor nos membros e coluna vertebral. Ao longo de sua vida escreveu extensivamente sobre os seus métodos de tratamento que consistiam em manipulações, massagens, tração e injeção. A técnica de massagem transversa profunda ainda hoje é largamente utilizada.
Os livros do Dr. Cyriax ainda são para muitos, a "Bíblia" da medicina ortopédica. Desde a sua morte, houveram grandes mudanças no ensino da fisioterapia ortopédica. Contudo, sua valorosa contribuição para a fisioterapia ainda hoje pode ser percebida, pois muitas de suas idéias permeiam conceitos conhecidos de terapia manual como por exemplo o método Kaltenborn, o conceito Maitland, Mob. Neural, e na técnica de tenofibrólise entre outros.
Site: Physiobd.info
A que ponto chegou a preocupação com a Gripe Suína.
Sorria hoje é sexta-feira!!!!!!
Prometo que vou postar algo interessante no final de semana pra compensar essa bobagem aqui.
Fui
terça-feira, 21 de julho de 2009
As sete personalidades mais influentes da fisioterapia ortopédica
Em minhas andanças pela web encontrei a página de um fisioterapeuta Norte-Americano chamado Robert J. Schrupp. Este cara fez uma pesquisa entre os fisioterapeutas associados à Associação Norte Americana de Fisioterapia (APTA) questionando quais eram as personalidades mais influentes em fisioterapia ortopédica. O trabalho é bem singelo mas bastante interessante. Decidi traduzi-lo porque o autor faz uma breve descrição do perfil dos sete escolhidos. Curiosamente, era algo que eu estava tentando fazer no meu blog... deixar o perfil de algumas das grandes personalidades como Maitland, Mulligan, Madame Meziere, Bobath, Kabat, etc.Provavelmente o maior gênio de todos os tempos, Isaac Newton atribuiu seu sucesso a oportunidade de construir seu conhecimento a partir do trabalho de outros. Ele prontamente prestou homenagem aos "Gigantes" que vieram antes dele. As sete pessoas apresentadas neste artigo são os "gigantes" no campo da fisioterapia ortopédica. Por meio de seus trabalhos, eles influenciaram enormemente o pensamento e a prática atual dos fisioterapeutas. Eles estabeleceram uma extraordinária fundação de conhecimentos sobre a qual também podemos construir nossa obra.
Metodologia
0- Sem influência
1- Baixa Influência
2- Influência moderada
3- Grande Influência
4- Muito Grande Influência
Robin McKenzie (http://www.mckenziemdt.org/)
Ninguém deveria ficar surpreso de encontrar o nome de Robin McKenzie no topo desta lista. McKenzie identificou que diversos exercícios poderiam alterar a localização e a gravidade da dor. Ele fez a descoberta acidental de que quando a dor recua a partir das extremidades com posicionamento ou com o exercício, um resultado positivo do tratamento era iminente. McKenzie foi o primeiro a reconhecer o fenômeno de centralização da dor. Assim como Sir Isaac Newton formulou a Lei da Gravitação Universal a partir da simples observação de uma maçã caindo de uma árvore, McKenzie foi capaz de desenvolver todo um conjunto conceitual para o tratamento da dor nas costas e no pescoço a partir desta observação.O Método de McKenzie de Diagnóstico Mecânico e Terapia é agora usado no mundo inteiro por dezenas de milhares de fisioterapeutas, quiropráticos, e médicos.
Vídeos de Osteopatia
Não saiam por aí manipulando a torto e a direito se não tiverem idéia do que estão fazendo!
Não basta ter juízo, tem de usá-lo também!
Grande abraço
segunda-feira, 20 de julho de 2009
O Conceito Maitland de Terapia Manual
O Conceito Maitland de Terapia Manual foi desenvolvido na década de 60 pelo fisioterapeuta australiano Geoffrey D. Maitland (esse aqui ao lado), e na postagem de hoje vou fazer uma breve introdução e discutir algumas características interessantes deste conceito Mas antes de começar, quero chamar a atenção para um detalhe importante: Esta abordagem de fisioterapia é sempre referida como um "conceito", e não como uma “técnica”. Sabem porque? Porque a ênfase do tratamento é colocada não sobre a técnica de mobilização articular em si, mas principalmente sobre uma filosofia que engloba a avaliação e o tratamento e que defende o raciocínio clínico baseado principalmente nos achados clínicos (saber quando, como e quais técnicas usar e adaptar a situações para cada paciente). De fato, as técnicas de mobilização articular empregadas no conceito Maitland são em sua maioria bastante simples, não há manuseios complexos ou ultra sofisticados que exijam meses de prática para a sua realização. Desta forma fica claro que o grande lance do conceito Maitland não reside nas técnicas, mas sim no processo de avaliação clínica meticulosa permite, inclusive, que quaisquer outras modalidades de mobilização ou manipulação possam ser agregadas, aplicadas e reavaliadas sem comprometer em absolutamente nada o processo de raciocínio clínico.
O advento do Conceito Maitland pode ser considerado um dos marcos mais importantes do desenvolvimento da Terapia Manual. Neste modelo de abordagem, a avaliação clínica baseia-se em uma anamnese minuciosa, em um exame físico detalhado e passível de registro (movimentos ativos, passivos e acessórios graduados em uma escala de 1 a 4), na avaliação dos sinais e sintomas, e reavaliação investigando os efeitos das técnicas sobre estes sinais e sintomas. Ao utilizar a filosofia do Conceito Maitland, os fisioterapeutas são encorajados a formular e testar várias hipóteses a fim de encontrar o melhor método de tratamento para o paciente.
O exame físico envolve a aplicação de movimentos vertebrais oscilatórios passivos e acessórios nas articulações para tratar a dor e a rigidez de natureza mecânica. As técnicas visam restaurar movimentos articulares e são classificados de acordo com a sua amplitude. Aqui temos um referencial histórico importante para a terapia manual, pois Geoff Maitland desenvolveu uma metodologia capaz de classificar as mobilizações articulares. Isto permitiu uma maior confiabilidade e registro adequado da técnica de mobilização empregada nos pacientes. Assim, as mobilizações podem ser classificadas em 4 graus:
Grau I: É um movimento de pequena amplitude, realizado abaixo da faixa de resistência e é adequado para o tratamento de condições altamente irritáveis. Grau II: É uma mobilização de maior amplitude porém ainda abaixo da resistência do tecido (R1). Uso de mobilizações Grau I e II são adequadas quando a mobilização gera dor antes da restrição do movimento articular. Grau III e IV são utilizados quando a resistência ao movimento é detectada antes da dor. Uma mobilização III é um movimento de grande amplitude executado dentro de resistência (R2) e geralmente utilizado para melhorar a amplitude de movimento. Grau IV é um movimento de pequena amplitude executado dentro resistência (R2), utilizadas para dores crônicas de baixa irritabilidade.
Esta é uma descrição extremamente sucinta das graduações, uma vez que este assunto é bem complexo e discutido ao longo de vários capítulos dos livros do conceito Maitland. Em um próximo post eu vou falar um pouco mais profundamente sobre os graus e sobre esta noção de resistência dos tecidos (R1 e R2).
Para finalizar é preciso compreender que o conceito Maitland é dinâmico, e continua a evoluir e modificar-se por meio da integração dos conhecimentos científicos atuais. É importante ressaltar que apesar das técnicas de tratamento serem basicamente técnicas de mobilização articular, o conceito Maitland não se concentra exclusivamente nos componentes do movimento articular, mas também engloba a avaliação e tratamento do sistema neural e as disfunções do sistema muscular. Assim, uma visão global do paciente permite que um tratamento específico possa ser programado.e sua efetividade avaliada.
domingo, 19 de julho de 2009
O teste Slump e as manobras de diferenciação estrutural
Assim, no post de hoje vou falar um pouco do teste neurodinâmico chamado Slump test (também descrito como teste da inclinação anterior ou teste da postura encurvada) e sobre o raciocínio clínico envolvido nas manobras de diferenciação estrutural deste teste.
Calma, se você nunca ouviu falar em diferenciação estrutural não entre em pânico, eu explico: diferenciação estrutural nada mais é do que o uso de manobras aplicadas durante o teste neurodinâmico, como forma de realçar o papel de tecido neural em contraste aos tecidos musculosqueléticos (Butler, 2000). Em outras palavras: A diferenciação estrutural nos permite verificar se a queixa do paciente está relacionada predominatemente a estruturas neurais ou a estruturas não neurais. É importante termos em mente que nem todos os sintomas provocados pelos testes de tensão neural podem ser considerados patológicos, pois o estiramento do tecido neural pode causar dor e restrição do movimento mesmo na ausência de disfunção do nervi nervorum. Assim, é essencial que o fisioterapeuta saiba realizar as manobras de diferenciação estrutural e interpretar corretamente seus resultados.

1- Com o paciente sentado na maca, questione-o sobre os sintomas. Neste momento você está identificando o nível de dor/sintomas em uma situação onde não há stress aplicado a estruturas neurais. Peça ao paciente para extender o joelho assintomático e depois o sintomático, avalie visualmente a ADM de extensão e questione sobre sintomas.
2- Posicione-o com a região poplítea bem na beirada da maca, joelhos unidos e mãos também unidas atrás das costas. Peça ao paciente que encurve-se, como na foto ao lado (flexão lombar e torácica). O examinador mantém a cervical em uma posição neutra (oriente o paciente a não fletir ao pescoço). Avalie novamente os sintomas do paciente.
6- Mantendo a posição de extensão de joelho e dorsiflexão, "libere a cervical", pedindo ao paciente que olhe para cima. Questione sobre mudanças nos sintomas e avalie se houve mudança na ADM de extensão do joelho.
A flexão cervical aumenta a tensão mecânica sobre o Sistema Nervoso, ao passo que a extensão cervical reduz esta tensão.
A dorsiflexão aumenta e a plantiflexão reduz a tensão sobre o Sistema Nervoso.
A adição destas manobras implica aumento da sensibilidade do tecido neural, resultando em uma diminuição da amplitude de movimento e/ou aumento dos sintomas. Assim, podemos dizer que o teste Slump é considerado positivo se houver aumento dos sintomas ou redução importante da ADM de extensão de joelho nas etapas 4 e/ou 5 e reduzido, com a extensão cervical na etapa 6.
Fisioterpauetas que trabalham com conceitos franceses (RPG, GDS, Osteopatia) podem argumentar que não é possível ter certeza de que estas manobras tensionam APENAS o Sistema Nervoso, pois as fáscias estabelecem um continuum ao longo do corpo, podendo também ser a fonte dos sintomas. De fato, foi demonstrado que a fáscia tóraco-lombar estabelece uma ligação direta do tronco com o membro inferior (Vleeming et al., 1995) e para os tendões dos músculos splenio capital e esplênio cervical no pescoço (Barker e Briggs, 1999). Isso levou à tese de que resultados positivos podem ser igualmente relacionados ao aumento da tensão no sistema fascial (Barker e Briggs, 1999).
Em defesa dos testes neurodinâmicos, utilizo dois argumentos:
[1] Foi realizado um estudo que investigou a capacidade das manobras estruturais ajudarem na distinção do envolvimento do tecido neural (Coppieters et al. The impact of neurodynamic testing on the perception of experimentally induced muscle pain. Manual Therapy 2005;10:52–60.). Coppieters et al, em 2005 conduziram um experimento utilizando dor muscular induzida nos músculos da perna. O experimento demonstrou que a adição das manobras estruturais no teste Slump e no teste de Elevação da Perna Retificada (outro teste de tensão neural) não tiveram qualquer efeito significativo sobre a percepção da dor. Ou seja: O teste neural não aumentou a dor induzida em estruturas sabidamente musculoesqueléticas, sugerindo que estas manobras seriam realmente específicas no tensionamento do Sistema Nervoso.
[2] Como eu disse no início desta postagem kilométrica, o teste deve ser avaliado dentro do quadro clínico do paciente. Uma boa avaliação das estruturas neurais envolve uma série de outros testes (veja os posts anteriores sobre mobilização neural). Desta forma, uma série de achados sugestivos de disfunção do nervi nervorum corroboram para fortalecer a hipótese de disfunção neurodinâmica como fonte de dor do paciente. Puxa, este post ficou muito maior do que o planejado.
Espero ter explicado mais do que complicado.
Sugestões de leitura:
Mobilização Neural - Aspectos Gerais
Sugiro também uma leitura no blog do David Butler. Tem só duas postagens, mas tem um e-mail de contato para receber notícias do seu grupo de pesquisas em mobilização neural.
sexta-feira, 17 de julho de 2009
A manipulação torácica para o tratamento da cervicalgia
Hoje vou falar um pouco sobre manipulação da coluna dorsal, mas antes devo avisar aos navegantes que eu não tenho absolutamente nada contra a Osteopatia. Faço questão de deixar isso bem claro pois não quero que minha opinião sobre o assunto seja mal interpretada. Neste post vou defender a manipulação torácica ao invés da manipulação cervical como forma de tratamento da cervicalgia pelos fisioterapeutas. Eu não sou osteopata e justamente por isso não realizo o thrust em região cervical. Sei que muitos não-osteopatas (e mesmo leigos) costumam manipular a cervical de pacientes. Muita gente acha legal ficar "estalando" o pescoço dos outros e acha que está fazendo osteopatia. Não poderiam estar mais enganados!. O Thrust é apenas uma das técnicas utilizadas pelos osteopatas, e segundo um colega meu, é uma técnica que nem sempre é utilizada nos atendimentos de osteopatia. Fica aqui o aviso: Manipular a cervical sem o devido domínio da técnica pode ter complicações graves ! ! ! A cervicalgia é uma ocorrência comum na prática clínica dos fisioterapeutas e apesar da manipulação cervical ser considerada uma intervenção apropriado para o atendimento, devo reforçar a minha opinião de que os fisioterapeutas devem pesar bem se os benefícios compensam os riscos potenciais desta técnica.

Pois bem, o post de hoje foi este, espero que tenham gostado.
quarta-feira, 8 de julho de 2009
A Propriocepção
A propriocepção é o termo que descreve a percepção do próprio corpo, e inclui a consciência da postura, do movimento, das partes do corpo e das mudanças no equilíbrio, além de englobar as sensações de movimento e de posição articular. [1,2] Embora seja estudada há muito tempo, a propriocepção ainda é pouco conhecida. Este texto tem como objetivo fazer um breve apanhado da neurofisiologia deste tema tão complexo.Inicialmente é impossível falar em propriocepção sem falar em receptores sensoriais. Afinal de contas são eles que "informam" o nosso SNC (aqui me refiro a SNC e não apenas ao cérebro pois existe a propriocepção consciente e inconsciente) sobre a posição articular e o nível de tensão muscular, por exemplo.
Receptores Sensoriais
Os receptores sensoriais fazem parte do sistema sensorial somático, responsável pelas diferentes experiências sensoriais captadas e interpretadas pelo nosso corpo. A função mais elementar dos receptores sensoriais é prover o SNC com informações sobre o estado interno de estruturas orgânicas e do ambiente externo. São eles que definem o que chamamos de sentidos (visão, audição,sensibilidade corporal, olfação, gustação). Porém um único receptor não é capaz de identificar sozinho os diferentes estímulos que nos bombardeiam a cada instante. Desta forma contamos com diferentes tipos receptores sensoriais, cada um com características próprias que permitem que ele "sinta" diferentes estímulos. Podemos classificar os receptores sensoriais de acordo com a sua função (mecanoceptores, termoceptores, fotoceptores, quimioceptores e nociceptores). Além da classificação funcional, podemos também classificá-los de acordo com a sua localização anatômica: exteroceptor, interoceptor e proprioceptor (esta última classe é a que nos interessa no momento).
Os proprioceptores são receptores que se localizam mais profundamente nos músculos, aponeuroses, tendões, ligamentos, articulações e no labirinto cuja função reflexa é locomotora ou postural. Podem gerar impulsos nervosos, conscientes ou inconscientes. Os primeiros atingem o córtex cerebral e permitem que, mesmo de olhos fechados, se tenha a percepção do próprio corpo, seus segmentos, da atividade muscular e do movimento das articulações. Sendo portanto responsáveis pelo sentido de posição e de movimento (cinestesia). Os impulsos nervosos proprioceptivos inconscientes não despertam nenhuma sensação; são utilizados pelo sistema nervoso central para regular a atividade muscular, através do reflexo miotático ou dos vários centros envolvidos com a atividade motora, como o cerebelo. Em resumo: Os proprioceptores são essenciais para informar ao nosso cérebro a noção de posição dos membros, e por sua vez, esta informação de posicionamento corporal é essencial para o controle dos movimentos.

A existência de um mapa foi corroborada pela 1ª vez pelo neurologista canadense Wilder Penfield que estimulou eletricamente determinadas regiões do córtex somestésico e obtinha relatos de formigamento na região correspondente do corpo. Atualmente as atividades corticais podem ser acompanhadas através da ressonância magnética funcional e técnicas de potencial evocado.O córtex somestésico possui 4 subáreas distintas que processam aspectos específicos da modalidade somestésica como é mostrado a seguir:
Subárea 3a: propriocepção
Subárea 3b: tato
Subárea s 1 e 2:

Este aí de cima é o homúnculo de penfield
Para ter maiores detalhes sobre as áreas corticais envolvidas na propriocepção, sugiro a leitura da Apostila de fisiologia da Unesp-Botucatu
O que eu quero enfatizar com esta breve descrição é que o mapa somático cortical não é fixo: apresenta plasticidade de uso e desuso. Ex: Paciente com as mãos amputadas, relata sensação fantasma evocadas por estímulos faciais.
Conforme o uso que é dado a determinadas partes do corpo, a representação se torna proporcionalmente maior ou menor; os mapas são diferentes entre as pessoas. Mas o que isso significa e qual a implicação desta informação para um fisioterapeuta? Ora, significa que a propriocepção pode ser treinada. Creio que na verdade, o mais correto seria dizer que podemos treinar nosso SNC de modo a otimizar as reações motoras em resposta a alterações bruscas do posicionamento corporal. Em outras palavras: Tonar o cérebro mais atento às informações proprioceptivas e ensiná-lo a responder rapidamente a elas.
Após uma lesão articular e/ou ligamentar, os receptores proprioceptivos também são danificados, o que significa que a informação que é normalmente enviado para o cérebro fica prejudicada. Nestes casos, haverá um déficit na capacidade proprioceptiva do indivíduo. Isto pode deixar a pessoa propensa a se lesionar novamente, ou diminuir a sua coordenação durante o esporte. O treino proprioceptivo envolve geralmente superfícies instáveis. Esta instabilidade fornece ao organismo constantes oportunidades para avaliar a sua orientação no espaço, desenvolvendo e treinando a consciência corporal. Uma melhora na reposta proprioceptiva proporciona ao corpo com maior equilíbrio e estabilidade.

Espero que tenham gostado
segunda-feira, 29 de junho de 2009
Cadeira de rodas também é esporte radical
Ao invés de fraturas, escoriações e entorses, o risco agora é o de infecção intestinal por salmonella sp, Escherichia coli, isso sem contar o botulismo e a difteria. Além de garantir adrenalina e alguns kilos extras, este esporte estimula o sistema imunológico.
Mas o post de hoje não é sobre a incrível resistência dos meus intestinos, mas sim sobre usos radicais das cadeiras de rodas.
Quem acha que o cadeirante deveria se limitar aos tradicionais esportes adaptados paraolímpicos, deveria rever seus conceitos. Dá pra ser muito mais radical do que isso: Veja as fotos abaixo de dois sujeitos fazendo crowd surfing. Para quem não sabe, crowd surfing é aquele lance de se jogar do palco em um show de rock e ser carregado pela multidão.
A primeira foto é de um show de uma banda de metal chamada Bolt Thrower. Aqui uma pequena observação: Em shows de metal as pessoas sobem no palco, dão alguns passos pra trás, correm e se jogam na multidão, isso se chama "mosh" e também é outro esporte radical, pois neguinho pode decidir não te segurar apenas poucos segundo antes de você tocar o solo lhe deixando com traumatismos múltiplos, incluindo TCE e TRM.
Aqui embaixo é um crowd surfing mais tranquilo, não sei quem está tocando, mas a multidão parece feliz e tranquila (deve ser o show de abertura). Veja a gentileza com que as pessoas carregam o sujeito.
Legal não é?
Mas além disso tem outros esportes radicais. Nesta postagem estou falando de coisas feitas com cadeira de rodas. Deixe-me explicar: Um paraplégico saltar de paraquedas amarrado ao instrutor é uma coisa relativamente simples de ser feita. O difícil seria fazer como o cara do vídeo abaixo que fez bungeejump COM a cadeira de rodas! Vame uma menção honrosa aos instrutores que subiram a escadaria carregando a cadeira de rodas.
Mas não acabou não, tem também um cara que voa de parapente (aqui chamado de para-paragliding)
Pois é, vejam esta matéria da ESPM sobre Aaron Fotherigam, um adolescente com mielomeningocele que inventou um novo esporte: Extreme sitting. Trata-se de usar cadeira de rodas em uma pista de skate e fazer manobras. Esse garoto é demais. Só fiquei preocupado com a manobra mais radical dele : um backflip (é o nome afrescalhado para salto mortal em pista de skate). Quem não tiver saco de assistir a todos os vídeos, recomendo assistir apenas ao último (são só 15 segundos). Dá pra ver que ele corria o sério risco de entrar paraplégico na pista de skate e sair tetraplégico.
Olha o backflip!
sexta-feira, 26 de junho de 2009
Marcha Hemiparética

A marcha é uma tarefa motora complexa, que envolve um padrão intrincado de contrações musculares em diversos segmentos do corpo, a fim de produzir o movimento coordenado de passos. A análise da marcha é feita dentro do evento definido como ciclo da marcha, que é a descrição da seqüência de eventos que ocorrem em um membro inferior entre dois contatos iniciais consecutivos do mesmo pé, e consiste basicamente em duas fases: a fase de apoio e a fase de balanço. Nas velocidades da marcha escolhidas livremente, os adultos normalmente passam cerca de 60% do ciclo na fase de apoio e 40% na fase de balanço. Ao início e ao final da fase de apoio ocorre um período de apoio duplo, isto é, um período em que ambos os pés estão em contato com o solo e que corresponde a 10% do total do ciclo total da marcha.
Para muitos pacientes hemiparéticos o esforço, ou gasto energético de caminhar é uma preocupação constante e freqüentemente limita o tipo e a duração das atividades de vida diária. Como resultado, a independência em se mover em casa ou na comunidade pode encontrar-se significativamente comprometida13. A marcha do paciente hemiparético está associada a padrões anormais de ativação muscular que refletem a paresia e a espasticidade. Embora hajam diferenças de paciente para paciente, algumas generalizações acerca do padrão de marcha podem ser feitas.
Durante a marcha hemiparética, movimentos compensatórios produzem um deslocamento anormal do centro de gravidade, resultando em um maior gasto energético. Além disto, déficits sensitivos, movimentação inadequada da perna, e freqüentemente dor devido às deformidades contribuem para a perda de equilíbrio, quedas e aumento da ansiedade diante da deambulação. A alteração da marcha classicamente descrita é o movimento de circundução realizado pela perna afetada. Este padrão de movimento é denominado “marcha ceifante” (alguns também a descrevem como "marcha helicoidal"). Porém uma observação mais acurada, analisando cuidadosamente as fases e sub-fases do ciclo da marcha é capaz de revelar alterações específicas dentre as quais destacam-se:
(1) Uma menor velocidade da marcha quando comparada com indivíduos que não sofreram um AVC,
(2) Assimetria entre o período de apoio e de balanço,
(3) Redução do período de apoio do membro afetado,
(4) Redução do comprimento do passo no lado afetado, e
(5) Contato inicial do pé durante a fase de apoio ocorrendo com o antepé devido a hiperatividade dos plantiflexores.
Isto torna a marcha hemiplégica lenta, laboriosa e abrupta, acarretando dificuldade na transferência de peso e maior gasto energético para o paciente.
Diversos trabalhos identificaram discrepâncias entre as fases de apoio e balanço de pacientes hemiparéticos, sendo observada durante a marcha uma fase de balanço prolongada no lado afetado e uma fase de apoio prolongada no lado não afetado, sendo que esta discrepância aumenta nos pacientes com menores velocidade de marcha.
Segundo TITIANOVA et al, em 2003, o peso corporal, a localização da lesão e o tipo de AVC não mantêm relação significativa com a velocidade da marcha, cadência, comprimento do passo ou simetria entre as fases da marcha de pacientes hemiparéticos crônicos. (TITIANOVA EB, PITKÄNEN K, PÄÄKKÖNEN A, SIVENIUS J, TARKKA IM. Gait characteristics and functional ambulation profile in patients with chronic unilateral stroke. Am J Phys Med Rehabil 2003; 82:778–786)
Infelizmente não encontrei nenhum vídeo bom no youtube. Acesse o seguinte endereço e assista uma demonstração de marcha hemiplégica
http://video.google.com/videoplay?docid=5181557648299922854
terça-feira, 23 de junho de 2009
Testes de marcha. Faça você mesmo: Velocidade da Marcha, Timed Up & Go e Teste de Caminhada de 6 Minutos
Vou deixar hoje a descrição e a referência de três testes para avaliação funcional da marcha. Vou falar do Timed Up & Go, do teste de velocidade da marcha e do Teste de Caminhada de seis minutos. São testes simples e facilmente aplicáveis, a única excessão talvez seja o teste de caminhada de seis minutos pois exige um corredor livre de obstáculos para ser realizado.PODSIADLO D, RICHARDSON S. The timed up & Go: A test of Basic Functional Mobility for Frail Elderly Persons. J Am Geriatr Soc 1991; 39: 142-148.
STEELE B. Timed Walking Tests of Exercise Capacity in Chronic Cardiopulmonary llness. J Cardiopulmonary Rehabil 1996; 16: 25-33.
MOSSBERG KA. Reliability of a timed walk test in persons with acquired brain injury. Am J Phys Med Rehabil 2003; 82: 385-390.
CUNHA IT, LIM PAC, HENSON H. Performance based tests for acute stroke patients. Am J of Phys Med & Rehabil 2002; 81 (11): 848-856.
sábado, 20 de junho de 2009
A História da fisioterapia, um breve relato por Shirley Sahrmann
Primeira fase: focalizando a disfunção dos Sistemas Osteomuscular e Neuromuscular Periférico.

O primeiro período compreendia o tratamento de pacientes apresentando disfunção do Sistema Neuromuscular Periférico ou osteomuscular, disfunção esta resultante da poliomielite ou dos traumatismos de guerra (tipicamente lesões de segundo neurônio motor). O exame manual da musculatura, como meio para determinar a disfunção neurológica e muscular de forma quantitativa foi fundamental para definir o papel diagnóstico da Fisioterapia. Eram realizados testes específicos, capazes de informar o médico na avaliação do caso: o médico formulava então seu diagnóstico e definia o grau de disfunção.
A relação, de certa forma clara, entre a perda da função muscular e a disfunção motora, servia para orientar o tratamento. A relação existente entre a destruição de unidades motoras e suas conseqüências, consistindo em fraqueza muscular e perda de mobilidade era nítida, porém ainda existiam controvérsias a respeito dos melhores métodos de tratamento da poliomielite, particularmente em relação à fase aguda da doença. O tratamento durante esta fase focalizava a preservação da mobilidade por meio de exercícios de alongamento e do uso de aparelhos ortopédicos. Durante a fase de recuperação, os exercícios destinados a fortalecer os músculos em recuperação ou os não afetados também constituía parte importante do tratamento. O tratamento mais eficaz compreendia determinados exercícios baseados nos resultados no resultado do exame manual da musculatura. Essas informações também eram usadas para orientar a prescrição de orteses e de outros dispositivos auxiliares. Os exercícios específicos levando em consideração cada músculo e o sentido em que atua eram elementos-chave para um bom resultado.
Segunda fase: Focalizando a disfunção do Sistema Nervoso Central
Depois da erradicação da poliomielite, a maioria dos casos atendidos pelos fisioterapeutas passou a ser de pós AVC, TCE e TRM. As deficiências que estes pacientes apresentavam eram devidas à disfunção do SNC (mais exatamente devido a lesões do primeiro neurônio motor); por isso os métodos até então utilizados pelos fisioterapeutas já não se aplicavam a estes casos. Os métodos de alongamento e fortalecimento, até então usados no tratamento da poliomielite eram considerados inaceitáveis; pois na época acreditava-se que fossem capazes de agravar a espasticidade. O exame manual dos músculos também deixou de se considerado um indicador confiável de desempenho muscular. Na época não se conheciam os mecanismos que contribuíam para a deficiência de pacientes com disfunção neurológica. A falta de unanimidade em relação aos mecanismos responsáveis pelas paresias e o tratamento mais adequado fez com que não fossem elaboradas diretrizes específicas para o tratamento de casos decorrentes de lesão disfunção do SNC . Resultou daí a adoção de esquemas terapêuticos que se baseavam nas convicções e na experiência dos terapeutas clínicos. Esta falta de normas levou a um tratamento altamente individualizado e eclético; criou-se, infelizmente, o precedente de tratamento baseado em hipóteses pouco seguras. A relação entre o diagnóstico e o tratamento também se modificou durante este período. Os diagnósticos clínicos das doenças do SNC não se acompanhavam de normas para o tratamento fisioterápico, ao contrário do que acontecia com a poliomielite, cuja fisiopatologia era relativamente bem conhecida (neste momento acabou a moleza, não bastava mais alongar o que estava encurtado e fortalecer o que estava fraco... ficou claro que em lesões do SNC o buraco é mais embaixo).
Os fisioterapeutas procuraram explicar os mecanismos que contribuem para comprometer os movimentos. Porém as explicações nas quais se baseavam as hipótese clínicas relativas aos mecanismos terapêuticos eram vagas e mal interprtetadas em vista da limitação do conhecimento daquela época (estamos falando da década de 1960). Infelizmente os mecanismos de controle motor ainda não eram bem conhecidos, da mesma forma que a fisiopatologia das disfunções motoras decorrentes de lesões do SNC. O que se tornou evidente neste período foi a importância essencial que a função reguladora do SNC possui para a motricidade. As deficiências motoras que acompanham a disfunção do SNC demonstram aimportância deste último para os movimentos.
Terceira fase: Focalizando a Disfunção Articular

Durante a década de 1980, fisioterpaeuas influenciados por seus colegas da Austrália e Nova Zelândia, começaram a aplicar métodos de exame e e de tratamento que visavam diretamente a disfunção das articulações como meio de tratar a dor osteomuscular. Esses métodos exigem o exame dos movimentos articulares acessórios e observação das respostas dolorosas associadas. Trata-se de um tratamento diferente do padrão adotado até então, o qual se baseava no uso de modalidades destinadas a combater o processo inflamatório e na aplicação de exercícios para fortalecer os músculos do segmento afetado. Alguns fisioterpaeutas começavam também a aplicar os métodos clínicos preconizados pelo Dr. James Cyriax para identificar os tecidos que davam origem a dor. Esses métodos implicavam mudanças do papel desempenhado pelo fisioterapeuta. Até então o médico prescrevia um tratamento baseado no diagnóstico . Na maioria dos casos encaminhados ao fisioterapeuta, este era chamado para “avaliar e tratar” , sobretudo quando o problema envolvia o SNC, ao passo que recebia geralmente uma orientação médica mais detalhada par ao tratamento de dor osteomuscular (isso soa familiar não é?). Foi, portanto, uma mudança significativa quando o fisioterapeuta passou a examinar as articulações, a fim de determinar a origem da dor, ao invéz de aplicar modalidades terapêuticas e prescrever um esquema geral de exercícios destinados a melhorar a capacidade funcional. A avaliação da mobilidade articular acessória representou uma mudança na filosofia da profissão: o foco passou a ser a identificação das contraturas articulares e das partes moles como causas responsáveis pela dor mediante métodos paliativos.

Durante a década de 1990, a grande maioria dos pacientes encaminhados para os fisioterapeutas era de casos de dor osteomuscular. Por conseguinte, o tratamento desses pacientes é importante para a profissão. O tratamento deve ser considerado incompleto e inadequado quando dirigido isolado dos problemas musculares, articulares ou neurológicos. A evolução constante da fisioterapia exige que os movimentos constituam seu foco principal. O movimento resulta do ato de um sistema fisiológico que produz a movimentação do corpo inteiro ou da partes que o compõe. Esses componentes compreendem o sistema osteomuscular, neurológico, cardiopulmonar e metabólico. Neste sentido, o livro da fisioterapeuta Shirley Sahrmann se destaca, principalmente ao enfatizar a relação entre postura, controle motor inadequado e dor de forma cientificamente embasada. É interessante perceber como a profissão está retornando às suas origens, dando novamente ênfase aos exercícios terapêuticos, só que desta vez acompanhados de um embasamento científico robusto, como é o caso da estabilização vertebral segmentar (cervical e lombar), o conceito de Kinetic Control, Pilates Clínico, além das bandagens associadas a exercícios terapêuticos criados e aperfeiçoados por pesquisadores que utilizaram eletromiografia de superfície.
Puxa, acho que isso já é o suficiente.

