quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Serviço Público ou Inicativa Privada ... eis a questão

Encontrar o primeiro emprego não é uma tarefa das mais fáceis. Conheço dezenas de pessoas que após a formatura demoraram meses, ás vezes anos, até serem empregadas. Aliás, eu mesmo me incluo nesta estatística. Quero chamar a atenção ao fato de que estou me referindo a um emprego (carteira assinada, férias, décimo terceiro e direitos trabalhistas) e não a plantões coringa ou ao regime de semi-escravidão das cooperativas.
A grande questão de hoje é a escolha entre investir seu tempo e dinheiro na preparação para um concurso público ou investir seu tempo e dinheiro como empreendedor na iniciativa privada. Além disso é fato notório que o mercado de trabalho não é nada amistoso para os recém formados. A postagem de hoje é pra discutir rapidamente os prós e contras destas duas opções. Iniciarei comentando o sonho de 9 entre 10 formandos: o Serviço Público

Vantagens do serviço público:Logo de cara não posso deixar de comentar que as principais motivações (mas não as únicas) para que tantas pessoas sonhem com um emprego público é a estabilidade funcional e a garantia que o salário será pago, não importa se o órgão tem ou não receita, no final do mês. Isso possibilita planejamento a longo prazo, tipo compra da casa própria, empréstimos bancários, troca de carro, etc...
Existem ainda outras vantagens como o abono das faltas, adicional de férias, auxílio creche e também a licença prêmio, que embora em extinção, ainda pode ser encontrada em alguns Municípios e Estados. Neste caso, o servidor faz jus a três meses de licença prêmio a cada cinco anos de efetivo exercício. Neste período, todos os seus direitos e vantagens do cargo estão garantidos. Se você tirar férias no mesmo período é possível ficar quatro meses inteiros em casa de bobeira. Gostou? eu também, pena que nenhum dos meus vínculos me dá direito à licença prêmio :(
É importante lembrar também que embora saibamos que um funcionário público possa ser demitido, na prática, isso é quase impossível.
Em alguns órgãos existe a possibilidade de redução de carga horária quando o servidor estiver realizando um curso de mestrado ou doutorado. Sem contar que dependendo do local, esta pós graduação pode ser bancada pelo própio hospital (isso só acontece na esfera federal... você consegue imaginar seu prefeito pagando estudo pra algum funcionário?)
Ah! não posso me esquecer que alguns órgãos já utilizam a progressão salarial por titulação... o famoso plano de cargos e salários. Se não me engano 10% por pós-graduação tipo especialização, 15% mestrado e 20% doutorado. Me corrijam se eu estiver errado.
Mas nem tudo são flores...


Desvantagens do serviço público:Logo de cara, a grande desvantagem é a grande concorrência dos concursos. Trata-se de um verdadeiro funil, sendo que muitas vezes abrem-se pouquíssimas vagas. Não é incomum a relação candidato-vaga beirando 1000. Isto sem contar o concurso Highlander - uma só vaga - Onde os candidatos participam de uma verdadeira batalha intelectual, rosnando uns para os outros e gritando - SÓ PODE HAVER UM !!!! ao entregar a prova.
Supondo que consiga tomar posse o candidato depara-se com o salário. Isto é, alguns concursos até que pagam bem como o caso das forças armadas, Professores Universitários e Hospitais Federais, porém a grande maioria das prefeituras e Estados pagam relativamente mal. Entenda mal, como menos do que eu ganharia se dedicasse o mesmo tempo ao atendimento de pacientes particulares. Ainda sobre o salário, fique atento, pois sempre que ouvir o governo falar em contenção de gastos, adequação do orçamento público ou equilíbrio fiscal, entenda estas frases como: Este ano não haverá aumento salarial, a menos que você tenha um cartão corporativo.
OK, existe o direito de greve, mas isso não é regra para aqueles que atuam em hospitais... bem, eu te digo isso pois em 5 anos de serviço público, eu nunca parei por causa de greve. Não que eu seja um fura-greves ou puxa-saco do Lula, mas simplesmente porque as enfermarias e o CTI de um hospital são os últimos a aderir a uma greve.
Um outro grande problema referente ao serviço público é a desmotivação. Muitas vezes não há horizonte de crescimento profissional... aí o servidor "emburrece"... fica lá, fazendo a mesma coisa por anos a fio... torna-se uma máquina, embrutecido(a) pela má gestão do serviço público, e quando questionado por um eventual estagiário responde algo como: pra que me especializar? pra que estudar? Este tipo de coisa não vai alterar o meu salário e muito menos a carga horária... me deixa quieto...
E pra terminar, a fisioterapia, ao contrário da medicina, não possui ainda concursos com provas separadas por especialidades. Assim, nada impede que um fisioterapeuta com especialização, mestrado e doutorado em Reabilitação neurológica venha a ser alocado em uma UTI. Graças a Deus a maioria dos gestores tem o bom senso de não deixar isso acontecer...


Vantagens da iniciativa privada:

A grande vantagem da inicativa privada é o fato de você ser o seu próprio chefe, dono de seus horários e cobrando o que quiser dos seus pacientes. O atendimento domiciliar geralmente é mais rentoso, pois os honorários de um atendimento em casa são maiores do que os que seriam cobrados em uma clínica e seus gastos se resumem à gasolina e a eventuais estacionamentos. Além disso é possível adequar os dias e horários com maior liberdade. Devo acrescentar que tenho colegas que vivem (e bem) exclusivamente de atendimentos domiciliares de fisioterapia. Estas mesmas vantagens se aplicam a abertura de consultório ou clínica.
Uma outra possibilidade é a do que eu chamo de empreendedorismo do conhecimento. Ou seja: montar cursos, contratando profissionais renomados e organizando a estrutura do evento... Conheço gente que faz isso. Dá um trabalhão, mas também rola uma boa grana, mesmo depois de descontados os impostos e os gastos da organização, percebe-se que é um negócio rentável. Obviamente não estou me referindo a cursinhos de final de semana com o Dr. Fulano, recém formado, cobrando R$15,00 reais por aluno.
Além de cursos de técnicas de fisioterapia, um outro filão (que está na moda ultimamente) é o de cursos preparatórios para concurso. O mesmo raciocínio se aplica: contratação de bons professores+aluguel (ou compra) de sala+organização+impostos+mensalidade dos alunos = trabalhão e lucro.
Creio que estas são as mais comuns formas de empreendedorismo, mas também é possível pensar na abertura de firmas de fabricação e aluguel de materiais de fisioterapia, assessoria profissional, montagem de home care, entre outros.



Desvantagens da iniciativa privada :
Impostos Sim, a carga tributária e a burocracia para abertura (e fechamento) de uma firma podem fazer uma boa idéia morrer antes de completar o primeiro ano de vida. Este é um jogo em que é preciso planejar muito bem e estar bem informado, pois se os lucros são atraentes os perigos de falência e endividamento são assombrosamente grandes.
Pra quem trabalha com atendimento domiciliar, o problema está no fato de que de um dia pro outro você pode descobrir que metade dos seus pacientes suspenderam o atendimento, te deixando com uma mão na frente e outra atrás. Isto pode ocorrer pelos mais variados motivos: óbito, reinternação, alta, férias do paciente, falta de dinheiro... Tenha em mente que de uma hora pra outra você pode se ver numa pindaíba tremenda. Isso sem contar o calote... é, tá pensando o quê, não é só político que faz isso não!
Outra coisa importante: Se você ficar doente ninguém vai trabalhar por você... se você quiser tirar férias terá de economizar e bancar o período em que ficará sem atender (e sem receber)
Por último, existe sempre a incerteza de se trabalhar em uma clínica ou hospital. Mesmo de carteira assinada, a sombra do desemprego ronda os trabalhadores, com os profissionais de saúde a situação não é diferente.
Bem pessoal, acho que toquei nos pontos mais importantes de cada item.
Aguardo comentários, pois este é um assunto bastante polêmico que não se esgotou nestas linhas.
Hasta La Vista Amigos

sábado, 19 de setembro de 2009

100.000 Visitantes

É isso aí galera,
Nem eu pensei que fosse chegar tão longe... muito menos que alcançaria 100.000 acessos antes do blog completar seu primeiro ano de vida!
Pois é, lá se foram 154 postagens, não sei quantas mil horas na frente do computados e muitos, mas muitos e-mails trocados com alunos e fisioterapeutas do Brasil e também do exterior. Mas agora chega de blá-blá-blá e vamos logo ao que interessa.
Em comemoração aos 100.000 acessos deixo hoje os links para a galera baixar a 4a edição do livro Avaliação Musculoesquelética - Magee. E de quebra um CD de análise observacional da marcha.
É ISSO MESMO: LIVRO DE FISIOTERAPIA DE GRAÇA ! TOTALMENTE GRÁTIS ! 0800 !

Infelizmente tá tudo em inglês.... mas é o melhor que posso oferecer.
Seguem os links abaixo. Eu já baixei e verifiquei pessoalmente que os links estão funcionando.
Agradeçam a Pikachuangel



Para abrir o livro Magee, crie uma pasta e salve todos os arquivos nela e depois abra com o programa winzip ou winrar diretamnete no seu computador. Este livro é um arquivo pdf e precisa do acrobat ou foxreader para ser aberto.

Para abrir o CD de marcha, salve os dois arquivos e abra também com o winzip ou winrar. Automaticamente abrirá uma janela com o Nero (programa de gravação de CDs) perguntando se vc vai querer gravar este arquivo em CD. Confirme e grave tudo num CD ou DVD.
Atenção: O seu computador não conseguirá ler o CD de marcha se você não gravá-lo antes em um CD ou DVD.


Feliz Natal fora de época
HO! HO! HO!

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Radiografia de Quadril na Criança - Identificando a Displasia do Desenvolvimento do Quadril

A Displasia do Desenvolvimento do Quadril (DDQ) é um termo genérico utilizado para descrever um amplo espectro de anormalidades do quadril. O diagnóstico precoce da displasia do quadril é da mais alta importância, uma vez que o tratamento adequado evita a luxação e previne a incapacidade em longo prazo. O exame físico do lactente por meio dos testes de Barlow e Ortolani são uma prática rotineira na avaliação médica do Recém-Nascido. Se o exame físico é positivo, a avaliação ultra-som deve ser realizada para avaliar a posição anatômica da cabeça femoral cartilaginosa em relação ao acetábulo.

No entanto, a DDQ não ocorre somente nos recém nascidos. A displasia do quadril também pode acontecer em crianças que não descarregam o peso corporal sobre os membros inferiores. A falta de esímulo mecânico pode gerar alterações da morfologia óssea da pelve e quadril. Assim, crianças com Encefalopatia Crônica, Mielomeningocele, Amiotrofia Espinhal Progressiva ou qualquer outra condição que dificulte ou impeça a aquisição do ortostatismo estão em risco potencial para o desenvolvimento de luxação e ao longo do tratamento de reabilitação devem ser avaliadas radiograficamente para o acompanhamento de uma possível displasia de quadril.


A figura acima ilustra a direção de forças no fêmur e pelve na posição ortostática. Esta distribuição de forças estimula as epífises de crescimento do fêmur e do acetábulo de forma a moldar estas estruturas no formato que elas terão no adulto.

É importante enfatizar que o exame radiográfico não é utilizado para o diagnóstico precoce pois até os 02 meses de idade a maior parte da pelve do Recém Nascido é cartilaginosa. O exame radiográfico de uma criança maior é realizada em uma projeção ântero-posterior da pelve com o paciente em posição supina com os membros inferiores em ligeira rotação interna.
Para avaliar o RX em crianças, faz-se uso de algumas linhas de determinação, de modo geral, é interessante ao fisioterapeuta conhecer 4 marcos radiográficos que ajudam na identificação de um quadril displásico e/ou luxado :

Linhas radiológicas :

a ) Linha de Hilgenreiner: Uma linha horizontal traçada através do topo das áreas claras da cartilagem trirradiada.
OBS: cartilagem trirradiada.= É a cartilagem que une os ossosísquio, ílio e púbis, que ao se ossificar, forma o fundo do acetábulo.

b) Linha de Perkins: é uma linha vertical perpendicular à linha de Hilgenreiner que tangencia a margem acetabular lateral Estas duas linhas dividem o quadril em quatro quadrantes, devendo a cabeça femoral estar situada nos quadrantes inferior e medial.



Na figura acima pode-se observar a linha de Hilgenreiner e a linha de Perkins

c) Linha de Shenton (Menard): é uma linha traçada entre a borda medial do colo femoral e a borda superior do forâmen obturador. Ela deve ter um contorno contínuo. Nos casos de ascensão da cabeça femoral (luxação), esta linha sofre solução de continuidade



Na figura acima a linha de Shenton, percebam que ela deve ser visualizada como uma linha continua entre o fêmur e a borda superior do forâmen obturador. Em caso de luxação, como na figura abaixo, esta linha fica "quebrada"



d) Índice Acetabular ou ângulo acetabular : é medido pelo angulo formado pela linha de Hilgenreiner e uma linha traçada da profundidade da cavidade acetabular até a sua borda lateral. Esse ângulo varia de acordo com a idade da criança, mas de forma geral, podemos dizer que ângulos maiores que 30 graus sugerem a existência de displasia




Acima, as principais marcações radiográficas, comparando um quadril normal e um displásico

Para quem quiser saber mais recomendo os links abaixo e também que baixem os dois e-books de ortopedia pediátrica e um de radiografia pediátrica disponíveis na coluna lateral do blog

http://www.sbotrj.com.br/docs/revista_aot_1.pdf

http://www.rbo.org.br/pdf/1993_ago_83.pdf

http://www.pediatric-orthopedics.com/Topics/Bones/Hip/hip.html

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Modelo de poster para o Congresso de fisioterapia

Ok,galera, esta postagem é especial para quem vai apresentar trabalho sob a forma de poster. Atendendo a pedidos, deixo hoje o link para quem quiser baixar o modelo que eu uso para plotar posteres.
Pra quem nunca fez um poster, aviso que é um lance muito fácil. Trata-se de um arquivo em power point já formatado em tamanho de poster, inclusive com as letras já em tamanho compatível, bastando você digitar o seu trabalho. Já está com os espaços reservados para colocar o título, autores, instituição, texto, tudo direitinho para fazer qualquer trabalho parecer profissional.
A única recomendação é que verifiquem as dimensões recomendadas pelo congresso para o poster.

Geralmente eu termino de formatar o poster e levo para a loja ou gráfica onde vou fazer a plotagem. Aí eu abuso um pouco dos funcionários. Eu digo:

"- Ei cara, esse poster tem que ter 1,20m de altura por 1,00m de comprimento. Foi o estagiário quem fez a formatação. Verifica pra mim se o tamanho tá correto... sabe como é né, estagiário é uma racinha que não se pode confiar." e pronto! se estiver fora dos padrões o cara conserta lá na hora.
Podem baixar o modelo no link abaixo

A propósito, quem for apresentar algum trabalho no congresso brasileiro de fisioterapia já pode consultar a relação dos trabalhos aceitos no site:

Mais uma dica:
Você não precisa olhar nome por nome da lista, para encontrar rapidamente o seu trabalho. pressione as teclas "control"+"F", com esse comando vai se abrir uma caixa de diálogo. Agora Basta vc digitar o seu nome ou alguma palavra do título do seu trabalho e mandar o computador procurar.


Mas voltando ao assunto:

Mesmo não tendo (ainda) um filho homem pra me abrir as portas do paraíso, tenho certeza que esta postagem vai contar bastante pra que na próxima encarnação eu volte como Bilionário.


Ohm Shanti Ohmmmmmmmmmmmmm

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Artigos indexados do conceito Mulligan


olá Pessoal,
Atendendo a pedidos, criei uma pasta no 4shared pra compartilhar alguns artigos do conceito Mulligan.


Coletânea com 14 artigos sobre o conceito Mulligan
Aproveitem

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Exercícios de Membros Superiores em pacientes com DPOC

Os membros superiores (MMSS) desempenham um papel importante na realização de muitas atividades de vida diária (AVDs). Os pacientes com Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) freqüentemente sentem dispnéia e fadiga quando executam tarefas que exijam que os braços permaneçam elevados e sem apoio. Estas atividades representam um desafio único para esses indivíduos pelo simples motivo de que vários músculos dos membros superiores são também músculos acessórios da respiração. Atividades com o braço elevado e sem apoio fazem com que a participação destes músculos como acessórios da respiração diminua, deslocamento o trabalho respiratório para o diafragma. Neste momento é importante relembrar que o diafragma encontra-se em desvantagem mecânica pois em pacientes com DPOC tende a retificação, além disso, uma série de outras alterações relativas ao metabolismo muscular também podem estar presentes (Orozco-Levi M. Structure and function of the respiratory muscles in patients with COPD: impairment or adaptation? Eur Respir J 2003; 22:41s-51s)

EXERCÍCIOS FÍSICOS EM PACIENTES COM DPOC
A eficácia de programas de reabilitação pulmonar tem sido bem documentada em pacientes com DPOC, com melhoras consistentes e clinicamente significativas na capacidade de exercícios, sintomas e na Qualidade de Vida. Contudo. Estes programas concentram-se geralmente nos exercícios de membros inferiores.
Como os efeitos do treinamento muscular são específicos para o membro treinado, parece razoável supor que em pacientes com DPOC, o treinamento dos MMSS pode mehorar o status funcional e reduzir sintomas de dispnéia e fadiga durante as AVDs

EXERCÍCIOS PARA OS MEMBROS SUPERIORES
Além das repercussões pulmonares, a DPOC gera também uma série de alterações clínicas sistêmicas tais como perda de massa magra e o descondicionamento muscular. Diretrizes clínicas recentes, voltadas para o tratamento da DPOC, enfatizam o papel do exercício físico para quebrar o círculo vicioso de descondicionamento. Neste sentido, a diretriz mais recente sobre reabilitação pulmonar recomenda a inclusão de exercícios direcionados para os músculos dos membros superiores nos programas de fisioterapia para pacientes com DPOC. (Ries AL, Bauldoff GS, Carlin BW, et al. Pulmonary rehabilitation: joint ACCP/AACVPR evidence-based clinical practice guidelines. Chest 2007; 131(suppl):4S–42S)
A lógica da inclusão do treinamento físico dos membros superiores para pacientes com DPOC baseia-se no fato de que diversos músculos da cintura escapular que são ativados durante as atividades funcionais dos MMSS, também agem como músculos acessórios da respiração, e no caso do DPOC, estas duas ações musculares competem entre si. Em uma linguagem bem simples: O paciente com DPOC pode chegar a um ponto no qual ele deverá escolher literalmente entre estender roupa no varal ou respirar.
Durante a inspiração tranquila, os músculos acessórios da respiração estão normalmente inativos em pessoas saudáveis. Porém em pacientes com DPOC eles estão sendo recrutados mesmo durante o repouso. Assim, durante as atividades que envolvem a atividade dos MMSS a respiração torna-se ineficaz, porque os músculos acessórios respiratórios trabalham para estabilizar a cintura escapular. Isso leva à sobrecarga funcional do diafragma e desencadea o aparecimento precoce de dispnéia e fadiga.

Exemplos de AVDs utilizadas para avaliar a função de MMSS em paciente DPOC.
(A) Apagar um quadro negro, (B) enroscar e em seguida desenroscar três lâmpadas (C), secar pratos e colocá-los em um prateleira e (D) colocar mantimentos em uma prateleira.


Em uma revisão sistemática publicada recentemente na revista CHEST (Stefania, C et al. Effects of Unsupported Upper Extremity Exercise Training in Patients With COPD: A Randomized Clinical Trial. Chest. 136(2):387-395, August 2009) corrobora a eficácia do treinamento dos membros superiores sem suporte (em cadeia cinética aberta), em melhorar a capacidade de exercício de pacientes com DPOC. Além disso, este estudo fornece dados novos e relevantes sobre os benefícios deste treinamento específico sobre resultados clinicamente importantes, tais como a capacidade de realizar AVDs que envolvem os MMSS e a fadiga relacionada a estas atividades. Curiosamente, os benefícios demonstrados da capacidade de exercício e na dispnéia durante as atividades diárias se mantiveram após 6 meses nos pacientes que receberam treinamento dos MMSS. Em pacientes com DPOC, onde o diafragma é funcionalmente comprometido, as limitações ventilatórias pode determinar uma restrição progressiva da participação em atividades realizadas com os braços devido ao envolvimento durante a inspiração dos músculos da cintura escapular. Nestes pacientes, as atividades realizadas com os braços sem suporte são percebidas como particularmente fatigante, os quais por sua vez tendem a evitar progressivamente tais atividades, gerando um circulo vicioso de perda de desempenho nas AVD realizada com os braços e descondicionamento muscular.

Pô galera, este é um assunto muito interessante, e eu gostaria muito de postar algumas dicas de exercícios, mas infelizmente este é um blog aberto ao público e tenho medo de que algum doido resolva fazer os exercícios por conta própria... vai que alguém entra em crise, tenha um infarto, sei lá, e eu ainda respondo a um processo na justiça!
Porém, para aqueles que estão curiosos, é importante saber que não existe receita de bolo.
O processo de reabilitação pulmonar é normalmente supervisionado, estruturado e de preferência multiprofissional. Isso significa que ele irá incluir a avaliação dos sintomas e tratamento, a curto prazo e objetivos de longo prazo, além de programas de educação, apoio psicológico e acompanhamento médico.
Como eu já disse, não existe receita de bolo. Por exemplo:
Algumas pessoas podem estar tão comprometidas que são incapazes de se vestir sozinhas. Outros são capazes de caminhar durante 30 minutos antes do início da dispnéia. Em ambos os casos os programas de exercícios serão radicalmente diferentes.
O texto postado tem o objetivo de valorizar um outro aspecto da reabilitação pulmonar; o dos exercícios direcionados aos membros superiores, pois a grande maioria dos trabalhos preocupa-se com o condicionamento cardiocvascular por meio de exercícios na esteira.
Pois bem, fica aqui a dica, espero que tenham gostado.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Disreflexia autonômica

A Disreflexia Autonômica Medular (DA) foi relatada pela primeira vez em 1890 por Anthony Bowlby, quando ele descreveu em um paciente com traumatismo raquemedular (TRM) a presença de sudorese profusa e vermelhidão (rash) na cabeça e pescoço desencadeada pelo procedimento de cateterização da bexiga. A DA é uma síndrome caracterizada pelo surgimento agudo de atividade autônoma excessiva em pacientes com lesão medular acima de T5-T6 (saída do fluxo esplânico simpático). Esta condição é geralmente desencadeada por estímulos nocivos que ocorrem abaixo do nível da lesão medular.

Ok, explicação padrão... bastante técnica mas não muito clara não é mesmo? Então vamos trocar em miudos:

Pessoas com lesão medular acima de T6 (estou me referindo ao nível medular, não a vértebra!) Não terão o sistema simpático se opondo ao parassimpático em seus efeitos sobre o sistema circulatório. Este é o ponto principal para se entender a disreflexia autonômica!

Abaixo do nível da lesão, os neurônios medulares continuam a trabalhar normalmente. Quando um estímulo nocivo é detectado pelos receptores de dor, ele viaja normalmente (como se nada tivesse acontecido) através das vias sensoriais aferentes até a medula espinhal.
Chegando na altura da lesão medular, esta informação de dor é incapaz de viajar mais, criando excitação dos gânglios simpáticos. Esta resposta simpática não encontra oposição pelo sistema nervoso parassimpático acima do nível da lesão (pois o contato do SN parassimpático foi interrompido devido a lesão medular e os estímulos inibitórios não tem mais como equilibrar a ação do Simpático).
Assim, a excitação dos gânglios simpáticos abaixo do nível da lesão resulta em uma maior resposta reflexa do sistema nervoso simpático. A qual se manifesta como uma vasoconstrição repentina e maciça dos vasos sanguíneos abaixo do nível da lesão. Se o estímulo doloroso continua a excitar os gânglios simpáticos, acaba por levar a um maior aumento da resposta simpática reflexa de vasoconstrição abaixo do nível da lesão.

A vasoconstrição, e a consequente hipertensão é percebida pelos barorreceptores no arco aórtico e os corpos carotídeos do coração. Estes receptores enviam mensagens aferentes para o centro vasomotor no bulbo do tronco cerebral, que resultam em uma resposta de vasodilatação e bradicardia. Esta resposta, porém, só pode ocorrer acima do nível da lesão, criando uma resposta parassimpática que é continuamente estimulada pelos barorreceptores que estão respondendo à hipertensão que ocorrem abaixo do nível da lesão. Isso resulta na dilatação dos vasos sanguíneos no cérebro, porém hipertensão no resto do corpo em um círculo vicioso.
Se este desequilíbrio autonômico não for tratado, o resultado pode ser hemorragia cerebral, convulsões e morte.

Rash característico da Disreflexia Autonômica Medular

Esta condição representa uma emergência médica. Reconhecer e tratar os primeiros sinais e sintomas de forma eficiente pode evitar seqüelas perigosa da pressão arterial elevada. Pacientes com TRM, cuidadores e profissionais da área médica devem ser informados sobre essa síndrome e sua gestão.

Clínica:

História O paciente com DA geralmente refere história de visão embaçada, dores de cabeça e uma sensação de ansiedade.

Exame Físico:
Um paciente com DA pode ter 1 ou mais dos seguintes achados no exame físico:
(a) Um súbito aumento significativo na pressão arterial sistólica e diastólica, geralmente associada a bradicardia, podem aparecer. A pressão arterial sistólica normal para pacientes com Lesão Medular acima de T6 é de 90-110 mm Hg. A pressão arterial 20-40 mm Hg acima do intervalo de referência para tais pacientes pode ser um sinal de DA.

(b) Sudorese profusa acima do nível da lesão, especialmente na face, pescoço e ombros, pode ser notado, mas isso raramente ocorre abaixo do nível da lesão por causa da atividade colinérgica simpática.
(c) Rubor da pele acima do nível da lesão, especialmente na face, pescoço e ombros,

(d) O paciente pode relatar visão borrada. Manchas podem aparecer no campo visual do paciente. Congestão nasal é comum.

Causas:
Episódios de DA podem ser desencadeados por muitos causas. Essencialmente qualquer estímulo doloroso ou irritante abaixo do nível da lesão pode causar um episódio da DA. Embora a lista de eventos ou condições capazes de desencadear a DA, os principais são:
* Distensão da bexiga
* Infecção do trato urinário
* Distensão ou impactação do intestino
* Cálculos biliares
* Úlcera gástrica ou gastrite
* Trombose venosa profunda
* Úlceras de pressão

* Unha encravada
* Queimaduras
* Picadas de insetos
* O contato com objetos duros ou cortantes (o paciente pode ter sentado em cima de um objeto destes sem perceber)
* Roupas, cintos ou sapatos apertados
* Fraturas ou outros traumas

Pronto, acho que esta é uma boa visão geral sobre o assunto. Mas como eu quero ter certeza de que todo mundo entendeu, abaixo tem um diagrama com os melhores momentos da postagem.


1- A distenção da bexiga causa estimulação dos receptores de dor localizados na parede da própria bexiga.
2- Os receptores de dor enviam uma mensagem que viaja até as vias aferentes da medula espinhal. Esta mesnagem acaba por estimular o sistema nervoso simpático (SNS), resultando em hipertensão.
3-Barorreceptores no arco aórtico são estimulados pela hipertensão e enviam mensagens para o centro vasomotor.
4- O centro vasomotor responde com estímulo para vasodilatação. Porém esta só ocorre acima da lesão espinhal.

Finito ... espero que tenham gostado

See ya space cowboy

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Aulas de fisioterapia em terapia intensiva on line e grátis


Olá pessoal,

Esta semana está meio atribulada pra mim. Vou deixar algumas postagens rápidas, na verdade não tão rápidas quanto o twiter, mas de qualquer maneira rápidas.
A dica de hoje é a de uma aula Treinamento Muscular Respiratório ministrada pela fisioterapeuta Marta Damasceno na Reunião Geral do Serviço de Terapia Intensiva do Hospital do Servidor Público Estadual Francisco Morato de Oliveira - HSPE FMO e disponibilizada na internet em audio sincronizado com os slides do power point.
Trata-se de uma aula de mais ou menos 1 hora de duração. A vantagem da internet é que vc não precisa assistir tudo de uma vez. Eu mesmo levei uns 5 dias pra assistir tudo, pois assistia um pedaço, parava e depois retomava a aula do slide em que eu havia parado. O sistema é bem rápido e não é preciso esperar carregar a aula como no youtube.

Tem também outras aulas interessantes, vou destacar as ministradas por fisioterapeutas:

Quem quiser ver a relação completa das aulas, o site é: http://www.sti-hspe.com.br/ No topo da página clique em "multimídia" e depois em "aulas de atualização em UTI on line". Infelizmente alguns links da página estão quebrados deixando na vontade algumas aulas de temas bastante interessantes.
É isso aí pessoal, aulas da mais alta categoria e totalmente 0800. APROVEITEM ! ! ! !
hasta la vista

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Lesões do Nervo Radial

O meu objetivo no post de hoje é tentar aprofundar um pouco mais na semiologia do nervo radial. Obviamente não dá pra esgotar o assunto, mas como de costume deixarei uma seleção de links para quem quiser estudar um pouco mais sobre o tema.

LESÕES DO NERVO RADIAL
O nervo radial origina-se do tronco posterior do plexo braquial, sendo composto por fibras nervosas das raízes de C5 a T1. Em seu trajeto podem ocorrer traumas, os quais podem resultar em paralisias temporárias (neuropraxia) ou definitivas (axoniotmese e neurotmese). O nervo radial é responsável pela inervação muscular do trí­ceps braquial e de todos os músculos extensores e supinadores do antebraço, e inervação sensitiva: Responsável pela sensibilidade posterior do braço, antebraço, dorso lateral da mão e 4 primeiros dedos.

Recomendo ler o texto do site do EMG LAB (Laboratório de Eletromiografia) de Curitiba.


Inervação sensitiva da mão: Em amarelo a área inervada pelo nervo ulnar, em roxo pelo nervo mediano e em laranja o radial.

O nervo radial pode ser lesionado em qualquer ponto de seu percurso. Naturalmente, a sintomatologia irá variar de acordo com a região onde ocorreu a lesão. Neste sentido, podemos identificar 3 locais comuns de lesão traumática do nervo radial:


LESÕES OCORRIDAS NA AXILA

A "Paralisia da muleta" é uma lesão causada pela pressão excessiva na axila devido ao uso inadequado de muletas. Esta compressão geralmente se manifesta como uma neuropraxia.
A figura ao lado ilustra bem o plexo braquial em seu trajeto descendente e sua relação com as estruturas ósseas do Membros Superior. Dá pra perceber como o plexo é vulnerável na região axilar.

PERDA MUSCULAR: São afetados o Tríceps, os extensores de punho e dedos.

PERDA DE MOVIMENTO: Lesões do Nervo radial Lesões em ou acima da axila resultam em paralisia de todos os músculos inervados. Clinicamente, isto se manifesta como:
* Fraqueza de extensão e flexão do antebraço - tríceps e braquiorradial

* Queda do pulso e incapacidade de preensão - paralisia dos extensores do punho e dedos

* Fraqueza dos músculos abdutor longo do polegar e extensor

PERDA SENSORIAL
: Perda de sensibilidade no dorso da mão e antebraço adequadas para a distribuição cutânea - ver anatomia do nervo radial


TESTE: É importante a avaliação sensorial na região mencionada além de avaliar a força do braquioradial, extensores de cotovelo e punho.



LESÕES NO SULCO DO NERVO RADIAL DO ÚMERO

ETIOLOGIA: fratura diafisária do úmero, paralisia do sábado à noite, injeções

MÚSCULOS AFETADOS: extensor de punho e dedos, mas o tríceps e ancôneo são poupados. Isto acontece pois em seu trajeto descendente pelo braço, o nervo radial emite ramos para os músculos braquiorradial (também recebe fibras do musculocutâneo) e extensor radial longo do carpo antes de passar pelo sulco do nervo radial. Quem quiser mais detalhes tem uma figura excelente do n. radial e seus ramos neste link

PERDA DE MOVIMENTO: fraqueza dos extensores de punho e da articulação metacarpofalangeana. A articulação interfalangeana não é afetada por causa dos interósseos e lumbricais intactos.

RESULTADO: queda do punho e incapacidade de preensão, extensão do cotovelo está OK

PERDA SENSORIAL: primeiro interósseo.

TESTE: força do extensor de punho.

CURIOSIDADES:
“Paralisia de sábado à noite” é o nome que se dá à lesão do nervo radial causada ao apoiar a face interna do braço na parte posterior de uma cadeira por um longo período de tempo (como na imagem abaixo). Isto geralmente acontece após o indivíduo diluir sua consciência em álcool na noitada, daí o nome.

Um outro nome criativo a lesão do nervo radial nesta região é "Paralisia dos amantes" também causada por uma compressão na face interna do braço, mas desta vez, o mecanismo de lesão é associada aos amantes, que após uma noite de volúpia adormecem, porém o paciente descuidado deixa o braço funcionar como travesseiro para a cabeça da companheira, como na imagem abaixo. (OBS: devido ao conteúdo extremamente erótico deste comentário, a ilustração precisou ser considerada moralmente aceitável pela LVDMBC - Liga das Velhinhas Defensoras da Moral e dos Bons Costumes antes de sua publicação no blog)

LESÕES OCORRIDAS NO ANTEBRAÇO

ETIOLOGIA: Trauma, acidente cirúrgico, fratura/luxação da cabeça do rádio.
MÚSCULOS AFETADOS: extensores de punho e dedos, mas nestes casos o extensor radial do carpo é poupado
PERDA DE MOVIMENTO: fraqueza dos extensores da articulação metacarpofalangeana, nestes casos a articulação interfalangeana não é afetada por causa dos interósseos e lumbricais intactos. NÃO há queda da mão por causa da preservação do extensor radial do carpo e a preensão também está preservada
IMPORTANTE: Não acontece queda de punho e dedos e nem perda de preensão. Extensão de cotovelo está OK!
PERDA SENSORIAL: Não há perda sensorial pois o ramo sensitivo radial superficial está intacto
TESTE: testar força de extensores de metacarpo-falangeana

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Sou fisioterapeuta e meu trabalho faz diferença

“A fisioterapia é uma profissão jovem” creio que todos nós já ouvimos esta frase em algum momento de nossa vida acadêmica. Geralmente ela é usada como desculpa para justificar o pequeno número de pesquisas científicas bem feitas, a falta de união de nossa categoria, a falta de engajamento nas associações e sindicatos, enfim: esta frase é um ás na manga que explica magicamente todas as mazelas de nossa profissão.
Ora Bolas, eu não suporto mais ouvir isso! Ruminando meus pensamentos neste último final de semana eu cheguei à conclusão de que a situação da fisioterapia no Rio de Janeiro é surreal demais! (falo do Rio pois é onde moro e conheço). Boa parte dos serviços de fisioterapia vivem com o pires na mão, implorando verba, equipamento e pessoal. Já trabalhei em uma prefeitura na baixada fluminense onde eu e outros colegas fisios, fonos e psicólogos fazíamos bazar e rifas para comprar equipamentos. E olha que cansamos de fazer relatórios para o secretário de saúde e afins... na época, o máximo que conseguimos foram algumas promessas pálidas e raquíticas.
Para infelicidade geral da nação sei que esta situação lastimável se repete em inúmeros outros hospitais e unidades de saúde.
Gostaria de expor algumas observações de minha ruminação mental . . . infelizmente não são inéditas, nem brilhantes. Trata-se apenas de três fatos que todos nós conhecemos mas não sabemos como utlizá-los:
#1- Apenas em julho deste ano, foram contabilizadas 1.295 vítimas de trânsito na cidade do Rio de Janeiro. Gostaria de enfatizar que estes números se referem APENAS à cidade do Rio de Janeiro e APENAS ao mês de julho. Creio que não é difícil imaginar que boa parte destes acidentados vai precisar de reabilitação, não é ?
#2- É fato notório que a população brasileira está envelhecendo, e acompanhando este aumento da longevidade vem também um aumento no número de doenças típicas da terceira idade como osteoporose, Parkinson, AVEs, fraturas de fêmur, artroses, etc... Também não é difícil imaginar que esta população exige uma demanda de reabilitação, ou é?
#3- Assistimos ao aumento no número de casos de doenças ocupacionais, as famosas LERs e DORTs. As quais são responsáveis por um número significativo de absenteísmos e conseqüente queda de produtividade nas empresas. Adivinha só quem é que vai tratar as síndromes do túnel do carpo, as lombalgias, as bursites da população?
Isso sem falar na fisioterapia em UTIs, no pós-operatório de cirurgias cardíacas e ortopédicas, na reabilitação de atletas de alto nível e por aí vai... Acho que deu pra perceber que o fisioterapeuta é importante.
Então por que não somos reconhecidos com algo mais do que um tapinha nas costas e uma frase do tipo: “não sei o que faríamos sem vocês”. Por que a grande maioria dos gestores hospitalares acham que um ambulatório de fisioterapia só precisa de Ultra-Som, TENS, meia dúzia de compressas de gelo e uma maca? Qual o problema em se investir em reabilitação, quando os três fatos numerados acima mais do que justificam investimento pesado em pessoal e equipamento? Qual o problema dos “planos de saúde” pagar honorários dignos? Por que não percebemos que somos importantes e nosso trabalho faz a diferença?
É preciso a união pragmática e não utópica de nossa categoria profissional. Neste sentido acredito que a criação de associações fortes e atuantes além do fortalecimento dos sindicatos são as armas para combatermos este desprestígio.
Repito que precisamos nos unir, pois só assim seremos mais fortes, precisamos nos organizar, pois só assim seremos vistos. Somos muito numerosos, somos importantes! E chega de dizer por aí que a fisioterapia é uma profissão jovem. Vamos parar de enfiar a cabeça na areia. Vamos trocar este discurso por “Sou fisioterapeuta e meu trabalho faz diferença!”
Deu pra perceber pelo tom do meu discurso que o meu final de semana foi meio heavy-metal?
Humberto não fala, rosna.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Prova Comentada Fisioterapeuta concurso do Governo do Estado da Paraíba/ FUNDAC 2008 - Parte II

41) Acerca da mielomeningocele, assinale a opção correta.
A) Não provoca atraso no desenvolvimento do controle sobre a cabeça e do tórax, independentemente das complicações comumente associadas a essa doença.
B) Na mielomeningocele lombossacra, o paciente apresenta paralisia espástica e atrofia muscular.
C) Deve-se retardar o máximo possível a prescrição e o uso de órteses de membros inferiores para não atrasar ainda mais o desenvolvimento motor da criança acometida dessa doença.
D) O carrinho de Chailey é uma adaptação de locomoção a ser indicada assim que a idade do paciente permitir.

Acho que a melhor forma de responder esta questão é com um mini resumo sobre mielomeningocele.
A mielomeningocele é um tipo de disrafismo espinhal, ocasionado por uma falha de fusão dos arcos vertebrais posteriores e displasia (crescimento anormal) da medula espinhal e das membranas que a envolvem. Este disrafismo espinhal pode gerar paralisias (principalmente flácidas) e hipoestesias dos membros inferiores.É importante sabermos que apesar de ser mais comum em coluna lombar, a mielomeningocele pode ocorrer em qualquer nível da medula. Assim, nos casos de mielomeningocele em região torácica ou lombar alta, a paralisia flácida irá comprometer o controle de tronco desta criança. Além disso, a hidrocefalia é uma complicação comum na mielomeningocele. Em alguns casos, o aumento do perímetro cefálico (e conseqüentemente aumento do peso da cabeça) causado pela hidrocefalia atrasa a aquisição do controle de cabeça. Portanto a alternativa “A” é falsa.A alternativa “B” também é falsa, pois se deduz que na mielomeningocele lombosacra teremos o comprometimento da cauda eqüina e conseqüentemente paralisia flácida (não ocorre espasticidade quando a lesão acomete a cauda eqüina).A alternativa “C” está errada, pois as órteses de membros inferiores devem ser indicadas o mais precocemente possível, para favorecer a aquisição da marcha além de todos os benefícios do ortostatismo sobre as funções pulmonar, renal, digestiva e ossos. ... Quanto ao carrinho de Chailey, este é um recurso clássico para locomoção d epacientes com mielo.
Gabarito: alternativa “D”


Para saber mais: http://www.wgate.com.br/conteudo/medicinaesaude/fisioterapia/neuro/mielo_brena/mielomeningocele.htm


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42) Para o fisioterapeuta que trabalha com paciente idoso, o sistema cardiovascular desse paciente deve receber atenção especial no que diz respeito a exercícios, técnicas e métodos terapêuticos aplicados. Considerando a fisioterapia para esses pacientes assinale a opção correta.
A) A fisiopatologia cardíaca pode ser demonstrada, entre outras formas, por diminuição no volume diastólico.
B) Os digitálicos e os bloqueadores de cálcio são reconhecidos inibidores do risco de quedas.
C) O tratamento com piscina aquecida pode ser sinérgico com os medicamentos anti-hipertensivos.
D) O terapeuta deve estar atento para a presença de tontura e síncope, que podem ocorrer devido a pressão arterial alta, principalmente ao se passar rapidamente da posição sentadapara a de pé.

Agora baixou o professor Pasquale! Sinergia deriva do grego synergía, cooperação sýn, juntamente com érgon, trabalho. Em relação a uma abordagem terapêutica, podemos interpretar sinergia como a combinação dos efeitos de duas ou mais condutas, nas quais o efeito final é superior à soma dos efeitos de cada uma delas isoladamente.
Muito bem galera, não sou especialista em reabilitação cardíaca. Por isso mesmo não tenho certeza se a alternativa “A” está certa ou não Principalmente porque a pergunta não especifica a qual cardiopatia a diminuição do volume diastólico está associada. Portanto, por ignorância minha e por uma questão pouco específica, eu marcaria esta alternativa com uma interrogação bem grande e seguiria com atenção redobrada para as alternativas seguintes.
Em relação a alternativa “B”, concluo que é falsa, pois estes medicamentos não são fatores de prevenção de quedas em idosos. No caso da alternativa “C”, ela está correta, pois a imersão em piscinas aquecidas causa vasodilatação periférica, diminuindo a Pressão Arterial.
A alternativa “D” também está errada pois a hipertensão geralmente é silenciosa, Embora alguns pacientes relatem cefaléia quando estão com a pressão arterial alta geralmente esta condição não gera sinais ou sintomas até que seja tarde demais (um AVC por exemplo). Além disso, ao passar rapidamente de sentado para de pé, a tendência é de queda brusca da pressão arterial, a qual pode gerar tontura e síncope.
Mais uma vez, por exclusão conclui-se que o gabarito é a alternativa “C”


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43) Um paciente que apresente um pé cavo deve receber como indicação ortótica terapêutica palmilha com
A) cunha externa em calcâneo.
B) barra retrometatarsiana.
C) cunha interna de calcâneo.
D) apoio retrocapital do primeiro metatarso.

Gabarito: Alternativa "A”.... Eu assumo minha ignorância no tema, alguém se candidata a responder???

Uma alma caridosa atendeu a meus pedidos !!!
A Dra Manuele Jardim complementa a resposta com a seguinte informação:
" Em casos de pé cavos, é necessário que exista uma elevação (cunha) na região lateral do pé e de preferência um pouco mais posterior como uma cunha externa em calcâneo. Pois desta forma o peso do corpo é deslocado medialmente na região cava diminuindo este ângulo e alongando um pouco. "
Pois bem... agradeço a gentileza da colega em compartilhar seus conhecimentos.

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44) Para um paciente que apresente o teste especial de Bunnel Littler positivo, a mecanoterapia mais adequada deve ser feita com a utilização de
A) prancha de propriocepção de tornozelo.
B) tábua de quadríceps.
C) digiflex – exercitador de dedos.
D) cama elástica.

OK, lá vamos nós para mais um capítulo de “memorizando nomes estranhos de testes ortopédicos”.
O teste Bunnel-Littler diferencia o encurtamento dos interósseos da contratura capsular em pacientes com dificuldades para flexão da articulação interfalangenana proximal (AIP). A articulação metacarpofalangenana (AMF) é mantida em alguns graus de extensão. Se o paciente é incapaz de fletir a AIP, a AMF é então mantida em flexão e uma nova tentativa de fletir a AIP é realizada. No caso de encurtamento dos músculos interósseos, o paciente será capaz de fletir a AIP na segunda manobra. Porém se houver contratura capsular o paciente não conseguirá fletir a AMF em nenhuma das duas posições.
Portanto, depois desta explicação fica claro que estamos falando da mão. A única alternativa aceitável como Gabarito é a Alternativa “C”.


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45) Um paciente com 64 anos de idade, amputado em um terço superior de coxa por causa vascular, cardiopata, hipertenso e diabético, realiza treinamento inicial cardiorrespiratório e de
equilíbrio pré-protetização. Com referência a esse caso clínico hipotético, assinale a opção
correspondente à modalidade ou técnica terapêutica contra-indicada para esse paciente.
A) exercícios de flexão de membros superiores com bastão, associados a respiração
B) exercícios de fortalecimento de musculatura residual em piscina terapêutica aquecida
C) treino de ortostatismo sem prótese, em barras paralelasD) treino de equilíbrio de tronco sentado, em bola suíça

Muito bem, temos aqui um caso clínico de um senhor diabético com complicações importantes. Deixe-me fazer algumas considerações sobre o caso. Em relação à cardiopatia, o enunciado não especifica a gravidade, porém analisando as alternativas percebemos que todas incluem atividades de pequeno a moderado esforço, com exceção das alternativas “B” (não especifica a intensidade do fortalecimento e a “D” (algumas atividades na bola suíça podem ser bastante intensas). O fato do paciente ser hipertenso (embora mais uma vez o enunciado não especifique a gravidade da hipertensão e nem se está controlada) também me deixaria tentado a considerar as alternativas “B” e “D” como incorretas. Porém, o “X” da questão está no fato do paciente ser diabético, com um insuficiência vascular a ponto de causar uma amputação. Ora bolas! Nem pensar em botar um cara desses em uma piscina aquecida! Se ele já tem insuficiência venosa, isto é: Se as válvulas que existem dentro das veias não estão conseguindo conduzir o sangue venoso para o centro do corpo, seria muito perigoso botá-lo em uma piscina aquecida (causa vasodilatação periférica, agravando ainda mais o retorno venoso insuficiente.
Gabarito: Alternativa “B”



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46) Em um paciente que apresenta marcha parkinsoniana, observou-se a diminuição do tamanho de seu passo, característico desse padrão de marcha. Assinale a opção correspondente à distância que deverá ser aumentada durante a marcha para melhorar o padrão apresentado por esse paciente.
A) de um calcanhar até o calcanhar do pé oposto
B) de um calcanhar até o toque do calcanhar do mesmo lado
C) de um calcanhar até a ponta do pé do lado oposto
D) da ponta de um pé até a ponta do pé do lado oposto


Putz! Na minha opinião essa questão merecia ser anulada. Ela foi aparentemente formulada para cobrar do candidato se ele(a) sabe a diferença entre passo e passada. “O passo é definido como a distância entre o ponto onde o calcanhar de um membro toca o solo, e o ponto em que o calcanhar do membro contralateral toca o solo”. Enquanto que passada é “a distância entre o ponto onde o calcanhar de um membro contacta o solo e o ponto em que este mesmo calcanhar volta a tocar o solo”.
Aqui vai uma pequena observação que justificaria a anulação: A distância entre o toque de um calcanhar até o calcanhar do pé oposto (alternativa “A”) é a mesma distância que existe entre a ponta de um pé até a ponta do pé do lado oposto (naturalmente assumindo que o paciente, assim como boa parte dos seres humanos, tem os pés aproximadamente do mesmo tamanho)
Gabarito: Alternativa “A” (sob protestos)



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47) Um paciente com doença de Legg-Calvé-Perthes deve receber prioridade no alongamento dos músculos:
A) abdutores de quadril.
B) flexores de quadril.
C) adutores de quadril.
D) extensores de quadril.


A Doença de Legg-Calvé-Perthes é caracterizada basicamente por necrose avascular da cabeça do fêmur e o quadro clínico é manifestado por dor, limitação da amplitude articular de movimento e claudicação, sendo esses sintomas variáveis em intensidade para cada paciente.
Em linhas gerais, o tratamento conservador consiste em obter e manter a mobilidade do quadril e prover a manutenção da cabeça do femural dentro do acetábulo. Para identificar a alternativa correta, o candidato precisa não só conhecer a definição e etiologia da Doença de Legg-Calvé-Perth, mas principalmente saber que uma complicação possível é a subluxação de quadril devido ao remodelamento e perda do contorno da cabeça do fêmur. Para que isso não ocorra é preciso que a cabeça do fêmur se mantenha em uma posição ideal dentro do acetábulo, e neste caso, a posição é a de abdução do quadril.Assim, para alongarmos os abdutores, é preciso realizar uma adução de quadril (movimento que favorece a luxação de quadril) Portanto a Alternativa “A” é falsa.O alongamento dos flexores e extensores não atua diretamente sobre o plano ideal para manter a cabeça do fêmur dentro do acetábulo. Assim eu também desconsidero as alternativas “B” e “D”.
A alternativa correta é a letra “C”, pois o alongamento dos adutores impede a contratura em adução (a qual facilitaria a luxação) além de que durante o próprio procedimento de alongamento estaríamos favorecendo o posicionamento ideal da cabeça do fêmur no acetábulo.
Gabarito: Alternativa “C”

Para saber mais
http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5140/tde-13072006-091428/
http://www.crefito3.com.br/revista/usp/05_05_08/pdf/51_57_legg_calve.pdf
http://www.interfisio.com.br/index.asp?fid=84&ac=1&id=6


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48) Para paciente com quadro de artrite reumatóide é contra-indicado o tratamento com
A) alongamento passivo.
B) ultra-som contínuo.
C) crioterapia.
D) exercício de fortalecimento muscular isométrico


A Artrite Reumatóide é uma doença caracterizada por um quadro inflamatório crônico com sinovite poliarticular persistente. É uma doença que apresenta fase aguda (inflamatória) e fase latente. Embora não seja explicitado na questão, acredito que se refira ao tratamento na fase aguda, na qual o calor profundo proporcionado pelo Ultra som é inquestionavelmente contra indicado. Se não em engano, mesmo na fase latente o calor profundo não é indicado. Gabarito: Alternativa “B”


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49) Exercício terapêutico de contração excêntrica é aquele em que durante a contração muscular, ocorre
A) aproximação da origem e inserção muscular.
B) controle da relação velocidade × força.
C) manutenção do comprimento muscular.
D) afastamento da origem e inserção muscular.

Relembrando os tipos de contrações musculares:Isométrica (Estática) – ausência de movimento articular observável, manutenção do mesmo comprimento muscular.Isotônica- Contração em que o esforço muscular é constante através de toda a excursão muscular.Concêntrica - Contração em que ocorre um encurtamento muscular (aproximação de origem e inserção)Excêntrica- Contração em que se observa um alongamento muscular (afastamento da origem e inserção) Portanto, Gabarito: Alternativa “D”


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50) De acordo com o Código de Ética Profissional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (Resolução COFFITO n.º 10), não é proibido ao fisioterapeuta
A) negar assistência, em caso de indubitável urgência.
B) colocar seus serviços profissionais à disposição da comunidade em caso de guerra, catástrofe, epidemia ou crise social, sem pleitear vantagem pessoal.
C) delegar suas atribuições, salvo por motivo irrelevante.
D) dar consulta ou prescrever tratamento, mesmo que seja por meio de correspondência, jornal, revista, rádio, televisão ou telefone.

Galera, não tem como explicar. È preciso ler a RESOLUÇÃO COFFITO-10
http://www.crefito4.com.br/cof10.htm




terça-feira, 11 de agosto de 2009

Congresso Brasileiro de Fisioterapia

Oi Galera,
Passei só pra avisar que não estou atualizando o blog pois estou ocupado, escrevendo os resumos dos trabalhos que eu vou enviar para o Congresso Brasileiro de Fisioterapia. Como bom brasileiro eu não desisto nunca e ainda deixo tudo pra última hora.
Valeu

sábado, 1 de agosto de 2009

Prova Comentada Fisioterapeuta concurso do Governo do Estado da Paraíba/ FUNDAC 2008

Olá,
Como todos sabem, ou deveriam saber, 2010 é ano eleitoral. Por este motivo, é esperada a abertura de concursos de caráter obviamente eleitoreiro agora na reta final do governo Lula. Mas manipulações da máquina pública à parte, resolvi retormar a minha proposta de comentar provas de concurso público de fisioterapia. Segue abaixo os comentários sobre as 10 primeiras questões específicas de um concurso do Governo do Estado da Paraíba, organizada pela FUNDAC em 2008. Quem quiser fazer o download da prova, basta acessar: http://www.cespe.unb.br/CONCURSOS/_antigos/2008/FUNDAC2008/arquivos/FUNDAC_004_4.pdf

31) A fisioterapia respiratória pode ser utilizada em pacientes críticos ou não, com o objetivo de prevenir e(ou) tratar complicações respiratórias. Assinale a opção correta quanto aos procedimentos utilizados nessa modalidade terapêutica.
A) A hiperoxigenação deve ser utilizada previamente ao procedimento de aspiração endotraqueal para minimizar a hipoxemia induzida pela aspiração traqueal.
B) Entre os sistemas de aspiração aberto e fechado, o sistema aberto determina menor risco de hipoxemia, de arritmias e de contaminação e deve ser o preferido.
C) Uma vantagem da liberação do paciente do ventilador mecânico é o treinamento dos músculos respiratórios por meio da redução da sensibilidade de disparo dos ventiladores.
D) Os umidificadores aquecidos e os trocadores de umidade não determinam bons resultados clínicos para umidificação dos gases durante a ventilação invasiva



COMENTÁRIO.
Olha, gostei desta questão, pois foi bem elaborada e abrange um tema relevante e sem decorebas inúteis. Mas deixa eu parar de rasgar seda e ir logo ao que interessa.
Em relação à alternativa "A", os métodos mais comumente utilizados na prevenção da hipoxemia, durante a aspiração endotraqueal de pacientes críticos e em ventilação artificial, são: hiperoxigenação, hiperinflação, hiperoxigenação com hiperinflação e o sistema fechado de aspiração endotraqueal.
Para quem quiser saber mais, encontrei um artigo de revisão enfermagem cuja leitura ajudará bastante a quem tiver dúvidas sobre o tema. PREVENÇÃO DA HIPOXEMIA DURANTE A ASPIRAÇÃO ENDOTRAQUEAL
Na alternativa B, o candidato que tivesse a mínima idéia do que é um sistema aberto e fechado conseguiria facilmente identificá-la como falsa. Pois o sistema fechado de aspiração foi elaborado especialmente para minimizar contaminação e hipoxemia. Mas aqui cabe uma informação interessante: Alguns trabalhos recentes sobre o tema identificaram que, na prática, este sistema não é todas essas coisas que os livros afirmam ser: Em uma revisão sistemática publicada em 2008, os autores concluem que o sistema fechado parece aumentar o risco de colonizacao, mas traz as vantagens de nao diminuir os volumes pulmonares e nao acarretar queda de saturacao especialmente em pacientes com insuficiencia respiratoria grave e em uso de niveis altos de PEEP. Opinião corroborada por um outro trabalho de revisão de 2009
disponível no site http://www.scielo.br/pdf/rbti/v21n1/v21n1a12.pdf. Esta observação não torna a alternativa verdadeira, pois o sistema fechado determina realmente uma menor queda na saturação e consequentemente menor risco de arritmia para o paciente. Alternativa "B": FALSA.
Em relação a alternativa "C", se você libera o paciente da ventilação mecânica (eu entendo isso como desmame), Não é necessário e nem possível influenciar a musculatura respiratória por meio de mudanças da sensibilidade. Porém, ao estudar o assunto desta alternativa, encontrei um artigo de revisão no Jornal Brasileiro de Pneumologia que investigou o único artigo publicado sobre o fortalecimento utilizando a sensibilidade do ventilador e concluiu que: "O treinamento dos músculos respiratórios por meio da redução da sensibilidade de disparo dos ventiladores não é fisiológico e parece não representar vantagem na liberação do paciente do ventilador, não sendo recomendada por este Consenso", com um grau de recomendação: B.
Acho que a alternativa "D" não merece sequer comentários.
GABARITO: Alternativa A
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32) Entre as técnicas de crioterapia utilizadas para o tratamento de entorse de tornozelo de Grau I, após o décimo dia da lesão, a mais indicada é a de
A) bolsa de gelo com degravitação, compressão, repouso e estabilização.
B) criocinética.
C) spray frio.
D) bolsa química.

Quando li esta questão, me pareceu moleza encontrar a resposta, afinal aprendemos na faculdade que as entorses de tornozelo são classificadas da seguinte maneira:
Grau I - ligamento preservado, processo álgico ligamentar e edema local.
Grau II - frouxidão ligamentar, dor intensa, edema difuso + hematoma.
Grau III - ruptura ligamentar parcial ou total, provável fratura por avulsão, dor intensa, instabilidade, edema difuso e hematoma.
E que o tratamento seria:
Grau I - Crioterapia + compressão + elevação + fortalecimento muscular + propriocepção.
Grau II - imobilização de 3 a 4 semanas. Após 20 dias faz-se: crioterapia + fortalecimento muscular + propriocepção.
Grau III - cirúrgico.
Fonte: http://br.geocities.com/fisioterapiabsb/artigos/e009.html

Confesso que nunca tinha ouvido falar em criocinética, se eu estivesse fazendo a prova, com certeza ee marcaria a alternativa "A". Porém, ao pesquisar sobre o assunto realmente fiquei em dúvidsa quanto ao gabarito correto pois na minha opinião as alternativas "A" e "B" estariam corretas. Neste pono, aparentemente não há consenso quanto a qual técnica de crioterapia é mais indicada na fase crônica de entorse de tornozelo. O Gabarito oficial é alternativa "A". Mas de qualquer modo, deixo a seguir os links para quem quiser saber mais sobre o assunto.
http://www.wgate.com.br/conteudo/medicinaesaude/fisioterapia/crioterapia2.htm
http://www.findyourself.com.br/site_antigo/boletins/fisioterapia/032crioterp.html
http://www.efdeportes.com/efd81/criot.htm
http://fisio100.blogs.sapo.pt/4269.html
http://fisioterapeutasplugadas.zip.net/arch2008-02-03_2008-02-09.html

GABARITO: Alternativa "A"

Um leitor do blog chamado Vitor deixou um comentário que vale a pena ser lido sobre a questão acima:

Gostaria de comentar a questao 32 (sobre a crioterapia). Ao meu ver, a resposta correta seria a B. O motivo pelo qual penso isso e que analisando o fato de que ja se foram 10 dias, a fase aguda da inflamacao ja cedeu. Por tanto, seria inutil combater um edema (compressao e elevacao) que provavelmente jah nao esta mais em evolucao. Acho que a criocinetica seria muito mais indicada, ja que na fases de reparo e remodelamento seria interessante o movimento (pela questao nutritiva) e a tensao causada pelo mesmo nas fibras colagenas (no sentindo de realinhamento). A criocinetica, ao meu ver, seria a mais indicada, por promover o movimento precoce livre de dor. Vi que vocë disse que nao havia ouvido falar muito de criocinetica. Gostaria de indicar o livro CRIOTERAPIA, do Knight! Vale a pena ler. Espero ter colaborado mais um pouquinho com esse trabalho legal que voce faz por aqui.
PS - desculpe a falta de pontuacao e acentuacao... meu windows ta maluco.

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33) Um paciente que apresente sinal positivo para o teste especial de Ely deve ser tratado com exercício terapêutico visando ao alongamento do(s)
A) músculo retofemoral.
B) adutores de quadril.
C) músculo tensor da fáscia lata.
D) músculos isquiotibiais.



Essa pergunta avalia se o candidato conhece o teste ortopédico de Ely. Infelizmente não tem jeito. Se o sujeito pretende passar em um concurso público, uma das etapas é decorar o maior número possível de nomes exóticos de testes ortopédicos. Eu particularmente considero isso uma tremenda crueldade com o candidato, mas . . . fazer o quê? Voltando ao assunto: O teste de Ely avalia se o reto femoral está encurtado. O paciente deita-se em prono e o examinador flexiona passivamente o joelho do paciente. Se durante a flexão ocorrer flexão de quadil na mesma perna, isso indca que o reto femoral está encurtado, como na foto abaixo:



Portanto, se o teste de Ely é posito, significa que o reto femoral está encurtado e que precisa ser alongado.

GABARITO: Alternativa "A"

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34) Acerca dos procedimentos de fisioterapia utilizados durante a ventilação mecânica, assinale a opção correta.
A) A expansão e a reexpansão pulmonar diminuem a pressão alveolar, promovendo a expansão de unidades alveolares colabadas.
B) A terapia com PEEP promove a expansão alveolar ao final da inspiração.
C) A percussão e a vibração transmitem, através da parede torácica, uma onda de energia à broncodilatação.
D) A hiperinsuflação, em que se desconecta o paciente do ventilador, seguida de insuflação pulmonar com ressuscitador manual, ocorre com aplicação de volume de ar maior que o correntemente utilizado.


Em relação à alternativa "A": Para a expansão pulmonar é necessário que ocorra aumento da pressão alveolar (igualzinho uma bexiga de aniversário) se você diminuir a pressão, conforme o enunciado, você estará diminuindo também o volume alveolar e causando um colabamento deste alvéolo. Portanto a alternativa "A" é Falsa.
Quanto ao enunciado da alternativa "B", a sigla PEEP significa Pressão Positiva Expiratória Final (Positive End Expiratory Pressure). Portanto a alternativa "B" também é falsa pois indica que a pressão é inspiratória.
A alternativa "C" também é falsa, pois as ondas de energia produzidas pela percussão e vibração torácica tem como objetivo a mobilização e a modificação das características reológicas das secreções. Sendo que, em alguns casos, podem até causar broncoespasmo. POrtanto a alternativa "C" também é falsa.
OK galera, agora ficou fácil né? alternativa "D" é verdadeira por simples exclusão. É um enunciado até óbvio, pois se você deseja hiper-insuflar, então você precisa insuflar mais do que o normal. Sendo que o normal é o Volume Corrente.
GABARITO: Alternativa "D"
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35) Um paciente com diagnóstico médico de neurotmese apresentou, no exame de estesiometria, perda da sua esteriognosia e da sua iliognosia na área do dermátomo do nervo ulnar. Considerando o caso clínico acima, assinale a opção correspondente aos estímulos sensoriais que devem ser recuperados no tratamento fisioterapêutico.
A) temperatura e forma de objetos
B) discriminação de dois pontos e textura
C) forma de objetos e textura
D) discriminação de dois pontos e temperatura
Entendeu alguma coisa? sabe o que é esteriognosia? iliognosia? nem eu. Vamos conferir cada um desses nomes estranhos:
Neurotmese: As lesões traumáticas dos nervos periféricos foram classificadas por Seddon em neuropraxia, axonotmese e neurotmese. A neurotmese é transsecção total do nervo. Para quem quiser estudar os outros termos tem um bom resumo no site: http://www.emglab.com.br/html/trauma_de_nervos.html e também no fisioweb
Estesiometria: A estesiometria é um teste de sensibilidade tátil. Geralmente se utiliza os monofilamentos de Semmes-Weinstein. O teste é baseado no princípio de que a força necessária para curvar um determinado fio é a mesma em todas as tentativas, o que permite uma boa reprodutibilidade do método. Fontes: O diabetes melito e a desnervação dos membros inferiores: a visão do diabetólogo e A IMPORTÂNCIA DO USO DOS MONOFILAMENTOS DE SEMMES-WEINSTEIN NO EXAME DE SENSIBILIDADE DO PACIENTE PORTADOR DE HANSENÍASE
Esteriognosia: Gnosia é o reconhecimento de objetos através dos órgãos dos sentidos. O exame da gnosia é realizado através da visão, da audição, do olfato e do tato. A gnosia tátil (estereognosia) é avaliada com os dedos do paciente fechados. Estereognosia é capacidade de reconhecer um objeto com a mão sem o auxílio da visão. Fonte: Portal da Fisioterapia
Iliognosia: Essa eu fico devendo pois não encontrei o significado desta disfunção.
Muito bem, fico devendo uma explicação racional para esta pergunta. Pelo enunciado dá pra saber que o paciente tem um comprometimento da transmissão das informações táteis, mas as alternativas são muito parecidas. Se excluirmos as alternativas relaciondas à estímulação térmica, eliminamos metade das alternativas, sobrando 50% de chance de acerto pelo "chute".
O Gabarito oficial indica a alternativa "C" como verdadeira, De onde se conclui que iliognosia é a perda do reconhecimento de texturas.
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36) Na utilização da terapia por ondas curtas, é importante o fisioterapeuta reconhecer as implicações biofísicas no corpo humano, para que a terapia possa alcançar seus resultados de
forma segura e eficaz. Com relação a esse assunto, assinale a opção correta.
A) O aquecimento produzido pela diatermia de ondas curtas independe das propriedades elétricas do tecido dentro do campo eletromagnético.
B) A diatermia por ondas curtas não é capaz de aquecer tecidos mais profundos tanto quanto os agentes que aquecem os tecidos por condução.
C) Na aplicação da diatermia por ondas curtas do tipo contraplanar, ambos os eletrodos são aplicados no mesmo lado do membro.
D) As alterações que ocorrem no fluxo sanguíneo, em resposta ao tratamento pela diatermia por ondas curtas, são proporcionais à potência média fornecida aos tecidos do paciente.
Na alternativa "A" é afirmado que o aquecimento por Ondas Curtas independe das propriedades elétricas dos tecidos. Entenda-se por propriedades elétricas a condutividade elétrica (que rege o fluxo da corrente elétrica) e a permissividade (que rege a amplitude dos efeitos de polarização). A condutividade elétrica e a permissividade variam com o tipo do tecido do corpo e também dependem da freqüência do campo aplicado. Fonte: http://www.nuclear.radiologia.nom.br/diversos/diretrad.pdf Sabemos que a distribuição das temperaturas teciduais durante o uso de Ondas Curtas depende das propriedades dos tecidos, como calor específico, sendo que a distribuição da temperatura é também modificada pela condutividade térmica dos tecidos. Assim, a alternativa "A" é falsa.
A Alternativa "B" inverte as propriedades das Ondas Curtas (aquecimento de tecidos profundos) com o de aquecimento por condução (calor superficial). Para saber mais sobre calor superficial acesse o link:
A Alternativa "C" pode ser excluída por simples dedução. Se é contraplanar, deduz-se que seja contra planos, ou seja: em dois planos contrários. Assim não poderiam ser do mesmo lado do membro.
A alternativa "D", indica que quanto maior a potência maior a alteração no fluxo sanguíneo. Esta alternativa está de acordo com os efeitos fisiológicos da diatermia por Ondas Curtas.
GABARITO: Alternativa "D"
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37) Considerando que a LER/DORT é resultante de uma relação social patológica, além de uma forma determinada de organização do trabalho e da utilização do corpo, assinale a opção correta acerca de fatores causais dessa afecção.
A) Atitude negativa em relação à vida é fator causal fisiológico da LER/DORT.
B) Atividades domésticas que exigem o uso de membros superiores são fatores causais biomecânicos.
C) Pausas curtas, ou inexistentes, entre os ciclos de trabalho são fatores causais de organização do trabalho.
D) O estilo de vida é fator causal psicológico dessa afecção
Vamos lá: Uma atitude negativa em relação à vida pode até ser um fator associado à LER/DORT, mas definitivamente não é reconhecido como fator causal. Alternativa "A" Falsa.
Em relação à "B", se o enunciado falasse em atividades domésticas que exigem o uso de membros superiores acima da linha do ombro, poderia ser verdadeira, mas a amior parte das atividades domésticas (assim como as laborais e recreativas) envolvem o uso de MMSS. Considero a alternativa "B" também como falsa
Se você trabalha ininterruptamente seja digitando, como empacotador, caixa de supermercado, taxista, ou mesmo fisioterapeuta, você estará sujeito à um stress biomecânico considerável, e a culpa é do processo de organização do trabalho, pois pequenas pausas durante a jornada de trabalho são necessárias. Portanto a Alternativa "C" é verdadeira.
A alternativa "D" não faz muito sentido, pois como eu disse na alternativa "A", o estilo de vida pode até ser umfator associado, mas creio que não um fator causal.
GABARITO: Alternativa "C"
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38) Uma criança com diagnóstico de atraso no desenvolvimento motor, estando em decúbito ventral e segurada pelo tronco, ao ser levada em direção ao solo, de cabeça para baixo, não apresenta a resposta de extensão dos braços e das mãos em direção ao solo. Nesse caso, essa criança terá a classificação de ausência do reflexo de
A) Landau.
B) pára-quedista.
C) Moro.
D) retificação.
Para responder esta questão vamos rever as alternativas:
Reação de Landau: Quando se levanta uma criança de bruços da mesa, apoiada apenas com a mão do examinador sob o tórax, a criança primeiro erguerá a cabeça, de maneira que a face esteja numa posição vertical, após esta elevação da cabeça ocorre uma extensão tônica da coluna e membros inferiores, que pode ser tão forte que todo o corpo da criança torna-se curvado para trás.
Reação de paraquedas: Também conhecida como Reação de Extensão Protetora. Esta reação consiste em duas fases. Na primeira fase ocorre a extensão do braço, punho e dedos, para atingir o solo ou, outro apoio. Na segunda fase a criança coloca o peso sobre o braço e a mão levada para o apoio.
Reflexo de Moro: Testa-se deslocando-se o centro de gravidade da criança, ou dando um estímulo visual ou sonoro. Como resposta vai haver uma abdução e extensão dos membros. Em seguida ocorre a adução e flexão dos membros.
Quanto a reação de retificação, existe a reação óptica, labiríntica e cervical de retificação. Para inmaiores detalhes sobre os reflexos e reações consulte o site http://www.geocities.com/bia_franco/reflexos.html
Pela descrição, dá pra perceber que a alternativa "B" é a que se encaixa melhor na descrição.
GABARITO: Alternativa "B"
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39) Um paciente idoso, atendido em seu domicílio, onde não é possível dispor de exames computadorizados específicos, necessitando ter seu equilíbrio examinado para posterior prescrição terapêutica de treinamento funcional, deve ser avaliado pelo teste de
A) Romberg.
B) Oxford.
C) caminhada de 6 minutos.
D) Kat’z.
Em relação à alternativa "A", O teste de Romberg é realizado com o paciente em pé, com os pés juntos e os olhos fechados. Se o paciente cair, pode indicar uma disfunção cerebelar. Se cair sempre para o mesmo lado, pode indicar uma disfunção vestibular. Portanto é um teste que avalia o equilíbrio.
O teste de Oxford é aquele de força muscular graduado de 0 a 5, portasnto alternativa "B" é falsa.
O teste de caminhada de 6 minutos também não é um teste de equilíbrio
A alternativa D relaciona-se ao índice de Katz, o qual serve para avaliar a capacidade funcional do indivíduo idoso. Trata-se de uma lista de seis itens hierarquicamente relacionados e refletem os padrões de desenvolvimento infantil, ou seja, que a perda da função no idoso começa pelas atividades mais complexas, como vestir-se, banhar-se, até chegar as de auto regulação como alimentar-se e as de eliminação ou excreção.
GABARITO: Alternativa "A"
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40) Segundo a escala de graduação manual da força de contração muscular do assoalho pélvico, sugerida pela Sociedade Internacional de Continência, a força muscular classificada em grau 3 significa uma função perineal
A) ausente, reconhecida somente à palpação.
B) débil, reconhecida à palpação.
C) totalmente ausente.
D) objetiva e resistência opositora, que não é mantida à palpação
Tudo bem, eu confesso, não sei absolutamente nada de avaliação ginecológica. Mas não me envergonho disso, pois graças a Deus existe a internet. A avaliação funcional do assoalho pélvico proporciona a noção da capacidade de contração do assoalho pélvico, bem como a manutenção dessa contração na vigência de exercício físico. Tem importância clínica no tratamento conservador da incontinência urinária, por facilitar o manejo terapêutico. Entre as técnicas de avaliação do assoalho pélvico, aquela descrita por Ortiz mostra-se simples e de fácil execução durante o exame ginecológico: ao exame vaginal, solicita-se à paciente que contraia e mantenha a contração dos músculos perineais ao redor do dedo do examinador. Assim, gradua-se a capacidade de contração dessa musculatura, avaliando-se de modo mais objetivo a função muscular do assoalho pélvico:
grau 0: sem função perineal objetiva, nem mesmo à palpação;
grau 1: função perineal objetiva ausente, reconhecida somente à palpação;
grau 2: função perineal objetiva débil, reconhecida à palpação;
grau 3: função perineal objetiva e resistência opositora, não mantida à palpação;
grau 4: função perineal objetiva e resistência opositora mantida à palpação por mais de 5 segundos.
Portanto
GABARITO: Alternativa "D"