domingo, 28 de fevereiro de 2010
e-books de fisioterapia - Plano B
Já terminei de "uppar" os e-books de pediatria, basta clicar aqui na parte de cima do blog, na página "e-books de pediatria".
Hoje começo a cria a página "e-books de neurologia"
De qualquer modo, vai facilitar a vida de quem quer os livros. Quem sabe nos próximos meses eu não descubro como esse torrent funciona e tento novamente?
Agradeço a todos que mandaram mensagens informando se o troço tava baixando ou não.
Obrigado Pessoal.
sábado, 27 de fevereiro de 2010
Volumes e Capacidades Pulmonares
Curiosidade histórica:
O estudo da função pulmonar é antigo; o primeiro trabalho notório sobre o assunto foi publicado em Londres, em 1846, por John Hutchinson, um cirurgião inglês. Hutchinson criou uma campânula calibrada, imersa em água, com a finalidade de coletar e medir o volume de ar exalado dos pulmões após plenamente insuflados.
Ele estabeleceu o termo capacidade vital (CV), ou seja, a capacidade para viver, porque observou que essa medida era inversamente relacionada à mortalidade.
Naquela época a tuberculose era frequente na Europa, e Hutchinson reconheceu que as complicações fibróticas da doença reduziam a CV e levavam à morte precoce, com conclusões semelhantes em pacientes com insuficiência cardíaca congestiva e mineradores.
Fonte: http://www.misodor.com/INTRESPIRATORIO.php
Deixando um pouco de lado a História, vamos direto ao ponto:
A determinação dos volumes pulmonares é uma das etapas da avaliação funcional pulmonar. Considerando que o comportamento mecânico do pulmão é baseado em suas propriedades elásticas e em seu volume, a mensuração dos volumes pulmonares oferece informações que permitem além do próprio diagnóstico, a abordagem da história natural de uma determinada patologia respiratória, a classificação da sua gravidade e a resposta ao tratamento instituído.
Os volumes e capacidades pulmonares estáticos são constituídos por quatro volumes e quatro capacidades, a saber:
Volume Corrente (VC)
É o volume de ar que se movimenta no ciclo respiratório normal em repouso, ou seja: é a quantidade de ar que está entrando e saindo do seu pulmão enquanto você lê este texto.
Volume de Reserva Inspiratório (VRI)
A partir do Volume Corrente, numa situação de necessidade, podemos inspirar um volume muitas vezes maior, numa inspiração forçada e profunda. Este é exatamente o volume que é mobilizado quando você enche o peito de ar antes de dar um mergulho prolongado na piscina. Corresponde a cerca de 45 a 50% da Capacidade Pulmonar Total (CPT).
Volume de Reserva Expiratório (VRE)
Seguindo o mesmo raciocínio do VRI, O VRE é a quantidade de ar que pode ser expirado voluntariamente a partir do Volume Corrente Corresponde a cerca de 15-20% da CPT.
Volume Residual (VR)
É simplesmente o volume de ar que permanece nos pulmões após uma expiração máxima; Corresponde a cerca de 25 a 30 % da CPT.
Capaciade Vital (CV)
Representa o volume de ar que você é capaz de mobilizar ativamente, ou seja: É a quantidade de ar que passa pela sua boca entre uma inspiração máxima e uma expiração completa. Como pode ser visto abaixo, compreende três volumes primários: VC, VRI, VRE e corresponde a cerca de 70-75% da CPT.
Capacidade Residual Funcional (CRF)
É o volume de ar que permanece nos pulmões ao final de uma expiração normal. O ponto onde isso ocorre (e o próprio valor da CRF) é o ponto de equilíbrio entre as forças elásticas dos pulmões (que forçam o colabamento pulmonar) e as forças da caixa torácica (que forçam a expansão do gradil costal).
Capacidade Inspiratória (CI)
É o volume máximo inspirado voluntariamente a partir do final de uma expiração espontânea (do nível expiratório de repouso). Compreende o VC e o VRI. Corresponde a cerca de 50-55% da CPT e a cerca de 60 a 70% da CV.
Capacidade Pulmonar Total (CPT).
O volume de gás nos pulmões após uma inspiração máxima é a CPT. Representa a soma dos Volumes Corrente, de Reserva Inspiratório, de Reserva Expiratório mais o Volume Residual.
Veja a figura abaixo e tente identificar os volumes e as capaciades pulmonares
Após estudar este diagrama, tente desenhá-lo sozinho(a). Este é um excelente exercício para memorizar os volumes e capacidades.
Depois de desenhar algumas vezes o diagrama, você irá perceber que as capacidades pulmonares são compostas pela soma de dois ou mais volumes, de forma que podem ser expressas matematicamente da seguinte forma:
CAPACIDADE VITAL = VC + VRI + VRE
CAPACIDADE INSPIRATÓRIA = VC + VRI
CAPACIDADE RESIDUAL FUNCIONAL = VRE + VR
CAPACIDADE PULMONAR TOTAL = CV + VR
Assita também uma video aula sobre este assunto no blog mobilidade funcional
Para saber mais acesse estes dois trabalhos publicados no Jornal de pneumologia:
Volumes Pulmonares
Determinação dos volumes pulmonares - Métodos de mensuração dos volumes pulmonares
...Hasta la Vista
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
ebooks de pediatria - segunda tentativa
Continuo batendo cabeça com relação ao arquivo torrent.
Como apenas uma pessoa me respondeu dizendo que conseguiu começar a baixar o arquivo, fiz uma nova pesquisa na internet e recriei o arquivo.
Espero que desta vez consigam baixar.
A propósito:
(1)Só conseguirão baixar o arquivo e utilizarem o programa bittorrent
(2) Eu estou deixando o meu pc ligado a noite inteira (só será possível baixar enquanto meu pc estiver conectado)
(3) Aguardo comentários
http://www.4shared.com/file/229451786/e2965983/livros_de_pediatria_segunda_te.html
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
E-books de pediatria
Acabei de criar pela primeira vez um arquivo torrent com todos os e-books de pediatria do blog, mas não sei se fiz certo. Preciso ao menos saber se o arquivo está "semeável".
Por isso peço ajuda para fazerem o download e deixar um comentário avisando se o torrent está funcionando e se conseguiu abrir os arquivos após o download.
Mesmo se você não gostar de pediatria, peço que me ajude, pois se tudo der certo, ainda esta semana eu crio arquivos torrent de todos os e-books do blog e mais alguns vídeos (Mulligan, bola suiça, etc...) que eu tenho aqui em casa.
E aí, interessou?
Então dá uma forcinha. vou deixar meu computador ligado a noite toda.
Faça o download no link abaixo
http://www.4shared.com/file/228498019/b82b40e1/livros_de_pediatria.html
... e deixe o comentário!!!!
Abraços
domingo, 21 de fevereiro de 2010
Cuidado com as mochilas escolares

Existe uma preocupação crescente por parte dos pediatras, fisioterapeutas e principalmente dos pais com relação ao aumento no número de crianças em idade escolar com queixas de dores na coluna vertebral, no pescoço e nos ombros. Estes sintomas têm sido atribuídos ao fato de se carregar peso demais nas mochilas, além do desconhecimento das orientações básicas quanto ao uso correto das mochilas.
Todos os fisioterapeutas, mesmo aqueles que não trabalham com pediatria, tem noção de que o excesso de carga nas mochilas pode resultar em dor e desvios posturais, principalmente durante a fase de crescimento. Este é um assunto recorrente na mídia, principalmente no início de mais um ano letivo.
Pois bem, a postagem de hoje é mais um serviço de utilidade pública oferecido pelo Guia do Fisioterapeuta. E se por acaso, você vier a dar alguma entrevista sobre mochilas, não se esqueça de mencionar o meu blog. Afinal de contas, propaganda grátis nunca é demais.
Pois bem, não é só o peso que pode trazer problemas posturais. Alguns estudantes ajustam a mochila muito baixo, na altura dos glúteos, outros as carregam só de um lado, isso sem contar aqueles que carregam peso demais (considerando o seu tamanho e força). Então vamos analisar um por um os erros mais comuns.
Carregar a mochila só de um lado faz com que boa parte do peso do corpo e da mochila sejam transferidos para um só lado do corpo. Quando se carrega uma mochila pesada sobre apenas um dos ombro, a criança tende a inclinar o corpo para o outro lado na tentativa de compensar o peso extra.
Os músculos do lado que carrega o peso podem vir a desenvolver espasmos. Além disso, o ombro também sofre pois precisa suportar sozinho a pressão para baixo aplicada pela alça da mochila. Esta sobrecarga assimétrica também tem efeitos sobre o quadril joelho e tornozelos do lado em que está a mochila.
Na figura abaixo, pode-se ver o desvio na coluna e a sobrecarga sobre o ombro e o quadril que acontece quando se carrega uma mochila sobre apenas um dos lados.
Fonte: http://onsitewellnesscheck.com/page5/page5.htmlAs mochilas possuem um sistema de ajuste do tamanho das alças. Estas devem obviamente ser simétricas (com o mesmo comprimento) e reguladas de forma que a base da mochila fique na linha da cintura, ou pouco abaixo dela. Alças muito frouxas fazem com que a mochila seja carregada muito baixa, na altura dos glúteos, o que favorece uma postura inclinada para frente, como na figura abaixo.
Alças na altura do peito e abdômen são bastante úteis também, mas não são comuns em mochilas infantis... mas pra ser sincero, são pouco práticas para o dia a dia, eu mesmo uso uma mochila que tem estas alças, mas só as usei uma vez, quando resolvi fazer uma caminhada e precisei carregar mantimentos.
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
FELIZ ANO NOVO!!!!!
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Doutores Palhaços, bem que eu queria ser um!
Acima a concentração do bloco Breque no Piripaque, em frente a enfermaria "A"
Eu e a Lúcia, fisioterapeutas do IPPMG, ainda na concentração
Olha o Bloco, ô abre alas que eu quero passar!!!!!
Detalhe pro médico à esquerda, que saiu do centro cirúrgico pra tirar umas fotos
Olha a porta bandeiras aí gente
Eu tenho uma grande admiração por este grupo de atores e atrizes que levam alegria aos pacientes do IPPMG e conseguem transformar o ambiente hospitalar, mesmo que por alguns momentos, em um grande picadeiro, com direito a bolinhas de sabão, brincadeiras e até mesmo um bloco carnavalesco.
Agora sim, o ano de 2010 está começando pra valer!
Abraços a todos os besteirologistas do Brasil !!!!!!
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
Doutorado e Pós-Doutorado
Doutorado.
A pós-graduação Stricto Sensu modalidade Doutorado é um curso que dura em média quatro anos e tem como objetivo a formação de pesquisadores. Normalmente exige-se que o candidato já tenha cursado o mestrado antes de ingressar no doutorado, porém dependendo da instituição e do currículo do candidato é possível “pular” o mestrado e cursar direto o doutorado.
Assim como no mestrado, o aluno de doutorado também precisa de um orientador, deve assistir aulas e ao final do curso precisa defender sua tese diante de uma banca. A grande diferença está no nível de profundidade da pesquisa, a qual precisa obrigatoriamente ser inédita. Ao concluir o doutorado, o aluno faz jus ao título de “Doutor”, que é o mais alto grau acadêmico existente no Brasil.
Muita gente acha que o título acadêmico de Doutor é algo equivalente a uma “faixa preta” em fisioterapia. Uma pessoa com doutorado não necessariamente sabe tudo sobre traumato-ortopedia, eletroterapia, neuro, etc.... De fato, pra ser bem sincero, é até possível que um sujeito com Doutorado saiba menos da prática clínica da fisioterapia do que alguém com uma mera especialização Lato sensu, pois o Mestrado e o Doutorado são cursos que exigem que o sujeito saiba muito de um assunto específico. Mas como no Brasil não existe uma política de valorização dos pesquisadores, é muito difícil você encontrar um PhD que não esteja envolvido também na assistência.
E por falar em PhD, muita gente acha que este título refere-se ao Pós-Doutorado. Na verdade, PhD, é a abreviação da expressão latina, "Philosophae Doctor". Título que pesquisadores que cursam o Doutorado no Exterior recebem (particularmente Inglaterra e EUA). Portanto: “Doutor” e PhD são a mesma titulação.
Se você visitar uma Universidade, você pode reconhecer facilmente os alunos do curso de Doutorado por 3 características básicas:
#1- Eles ficam andando rápido pelos corredores, olhando para baixo, gesticulando e falando sozinhos (isso sem ter ingerido nenhuma substância ilegal) e quando sentados eles se balançam pra frente e pra trás também falando e gesticulando sozinhos. – alguns especialistas afirmam que a extrema solicitação neural faz com que eles desenvolvam uma síndrome autismo-like.
#2- Geralmente eles têm olheiras semelhantes a dos Ursos Panda, parte causadas pela privação de sono, parte pelos traumas repetitivos de tanto baterem a cabeça contra a parede ou bancada do laboratório (mais uma vez a síndrome autista).
#3- O último e mais importante sinal: Ao ouvir a palavra “tese”, em qualquer que seja o contexto da conversa, ocorre uma crise de choro histérico seguido de um ataque de pânico. A intensidade deste ataque é diretamente proporcional à proximidade da data da defesa da tese.
Algumas pessoas ainda não satisfeitas com a auto flagelação proporcionada pelo mestrado e doutorado ainda partem para o Pos-Doutorado.
Pós-Doutorado
Um pós-doc (o Pós-Doutorado é carinhosamente chamado por este apelido) é quase sempre exigido para cargos acadêmicos ditos titulares, principalmente em pesquisa de alto nível. Para ingressar no Pós-doc é imprescindivel a conclusão do Doutorado (dessa vez não tem como "pular" o Doutorado). No caso do pós-doutorado, o objetivo é o desenvolvimento de atividades de atualização e abertura de novas linhas de pesquisa. Os projetos elaborados são geralmente um complemento do trabalho realizado no doutorado. O período de duração dos cursos de pós-doutorado varia de acordo com a instituição de ensino, e muita gente opta por cursos "sanduiches", ou seja, feitos metade no Brasile e metade no exterior.
Por enquanto meus planos de ingressar no Doutorado estão na geladeira. Estou gostando muito de poder assitir desenho animado com minha filha, de curtir passeios no final de semana e poder escrever neste blog com uma linguagem descontraída sem me preocupar em passar por avaliações "peer review" dos textos que eu escrevo ou virar a noite revendo o texto de um artigo enviado para algum maldito periódico científico estrangeiro só porque o que eu escrevi não agradou ao maldito avaliador.
Pra finalizar, estou muito feliz com meu título de mestre, pois me igualo a outros grandes mestres como: Mestre Yoda, Mestre dos Magos, Mestre Splinter, Mestre Shifu (do Kung-Fu Panda), isso sem contar os Mestres Jedi eo Sr Miyagi, que não é mestre mas merece menção honrosa pois transformou o derrotado do Daniel San em um faixa preta de karatê.
É importante notar que geralmente os super-vilões tem PhD, como é o caso do Doutor Octopus (arqui-inimigo do homem-aranha), do Doutor Destino (arqui-inimigo do quarteto fantástico), Dr Evil (Austin Powers), Doutor Silvana (arqui-inimigo do Capitão Marvel), Dr Hans Chucrutes (pica-pau) e o Dr. Manhatan (não sei se é herói ou vilão, mas de fato um cara azul com super poderes e que anda pelado não pode ser bom sujeito) .
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Os determinantes da marcha
Conhecer os determinantes da marcha é item obrigatório para quem pretende se aprofundar no estudo da marcha humana. Mas para aqueles que não estão interessados em passar divertidas horas lendo livros de biomecânica, basta entender que são estratégias para aumentar a eficiência e a conservação de energia durante a caminhada. Ou seja: são maneiras que o corpo humano encontrou para andar por mais tempo e se cansar menos.
Mas os determinantes da marcha não são só uma curiosidade teórica. Eles complementam sua análise da marcha e podem ser muito úteis ao fisioterapeuta para identificar mais rapidamente padrões alterados de movimento durante a marcha – e isso é particularmente importante, pois creio que assim como eu boa parte dos fisioterapeutas brasileiros não contam com um laboratório de marcha para avaliar seus pacientes.
Pois bem, chega de blá-blá-blá e vamos ao que interessa:
A MARCHA HUMANA - Entendendo o Deslocamento do Centro de Gravidade
A marcha é uma tarefa motora que envolve um padrão complexo de contrações musculares em diversos segmentos do corpo. A análise da marcha é feita dentro do evento definido como "ciclo da marcha", que é a descrição da seqüência de eventos que ocorrem em um membro inferior entre dois contatos iniciais consecutivos do mesmo pé.
Pensando em termos biomecânicos, a marcha pode ser vista como o deslocamento do centro de gravidade do corpo através do espaço com o menor consumo de energia possível.
Na verdade, esse consumo de energia não é constante. Isso ocorre devido a característica de aceleração e desaceleração e partidas e paradas dos membros inferiores, e ainda, devido ao deslocamento do centro de gravidade para cima e para baixo e de um lado para o outro.
A figura abaixo ilustra bem o deslocamento para cima e para baixo do centro de gravidade. Imagine uma criança que resolva riscar a vidraça de uma loja enquanto caminha despreocupada. Perceba que a linha traçada não será perfeitamente horizontal ao solo, na verdade ela se parecerá com uma onda, ou em termos mais apropriados: uma senóide, refletindo a subida e descida do centro de gravidade do corpo durante a passada.
Durante o ciclo da marcha, o centro de gravidade é deslocado duas vezes em seu eixo vertical. O pico se dá durante o meio da postura na fase estática quando a perna que sustenta o peso está vertical e seu ponto mais baixo quando as duas pernas estão sustentando peso com posição de apoiar o calcanhar e a outra em ponta de dedos. Linguagem técnica é meio difícil de entender né? mas vamos trocar em miudos: o ciclo da marcha envolve um passo com a perna direita e um passo com a perna esquerda, para cada passo, uma subida e uma descida do centro de gravidade.
Em relação ao deslocamento latero-lateral, este também comporta-se como uma senóide, a figura abaixo é um gráfico que demonstra os dois movimentos ocorrendo simultâneamente.
DETERMINANTES DA MARCHA
Para obter eficiência e conservação de energia durante a marcha, o deslocamento vertical do Centro de Gravidade deve ser minimizado. Os determinantes da marcha, são estratégias de movimento que justamente reduzem a magnitude dos deslocamentos do Centro de Gravidade pois se o nosso centro de gravidade subisse e descesse com grande amplitude, andaríamos "quicando". Além de ridículo, teríamos de nos adaptar a um gasto energético muito grande e a simples tarefa de ir a esquina comprar pão seria uma verdadeira malhação.
Vamos deixar o silly walk de lado e voltar a nos concentrar nos seis determinantes da marcha:
(1)Rotação Pélvica:
Durante a marcha, realizamos um movimento de dissociação de cinturas. A pelve faz um movimento alternado de rotação para a direita e para a esquerda de cerca de quatro graus. Com o membro inferior vertical e o pé apoiado no solo, para uma passada é necessário flexionar e estender os quadris. Uma vez que a pelve é uma estrutura rígida, o movimento ocorre alternadamente em cada quadril a qual passa de uma rotação interna para externa durtante a fase de apoio.A rotação pélvica é o mecanismo que permite que a pelve rode sobre um eixo vertical de maneira a avançar o quadril que entra em flexão e recuar o quadril que entra em extensão. Ao se realizar esta discreta rotação, o corpo pode "economizar movimento", pois diminui a necessidade de flexão e extensão de quadril necessários para o passo. 
(2) Inclinação Pélvica:
Durante os movimentos de flexão e extensão dos quadris ocorre oscilação para cima e para baixo do tronco. A inclinação pélvica durante a marcha reduz esses movimentos verticais do tronco, de modo que quando o membro esta apoiado em sua maior altura, a pelve inclina-se para o lado em balanço (como se fosse um "trendelenburg”- veja na figura abaixo), e dessa maneira, a oscilação vertical no ponto médio da pelve fica menor. A propósito: A combinação da rotação com a inclinação pélvica fizeram a fama da Garota de Ipanema e das mulatas do Sargentelli. 
(3) Flexão de Joelho na Fase de Apoio:
Ao terminar a fase de balanceio, o joelho encontra-se completamente extendido pouco antes do calcanhar tocar o solo. Neste momento, encerra-se a fase de balanço e inicia-se a fase de apoio. Quando o corpo avança sobre o membro que está apoiado no solo ocorre uma pequena onda de flexão de joelho, que é bem rápida, e tão logo o centro d egravidade tenha se deslocado por sobre o joelho, este volta a extender-se até a extensão total no fim da fase de apoio.
Mas para que serve esta pequena onda de flexão do joelho?
A flexão do joelho encurta o membro no início do apoio simples, reduzindo a altura do ápice da trajetória do centro de gravidade no plano sagital. Esse mecanismo ajusta o comprimento efetivo do membro inferior durante a fase de apoio, a fim de manter a altura do quadril a mais constante possível.
Eu sei que muita gente torce o nariz para gráficos, mas vale a pena analisar esse aqui de cima com um pouquinho de atenção. O joelho flete duas vezes durante o ciclo da marcha, neste momento, o que nos interessa é observar a primeira onda de flexão do joelho, que ocorre justamente na fase de apoio e está associada à resposta de carga. Além de reduzir o deslocamento vertical do centro de gravidade, esta pequena onda de flexão de aproximadamente 20 graus também serve para absorver parte da energia do impacto do mebro com o solo.
(4 e 5) O quarto e quinto determinantes da marcha dizem respeito a interação entre tornozelo, joelho e pé.
Os graus de flexão e extensão que ocorrem durante a fase de apoio entre estes três componentes são intimamente relacionados e previsíveis, e também atuam na minimização do deslocamento do centro de gravidade. no início do apoio o retropé “alonga” o membro inferior, e no final desta fase, é a flexão plantar do tornozelo que produz o seu “alongamento”. Isso ocorre a partir do momento em que o retropé se desprende do solo, e a flexão plantar do tornozelo faz com que o antepé efetivamente alongue o membro, reduzindo a queda do centro de gravidade no final do apoio
Em cada passo, o corpo é desviado ligeiramente sobre a perna que apóia peso. O corpo desloca lateralmente de um lado para o outro aproximadamente de 4 a 5 cm em cada passada. Esse deslocamento aumenta durante a marcha se os pés estão mais separados e diminuem se os pés estão mais próximos um do outro e minimizam o deslocamento horizontal do centro de gravidade

Segundo Perry (1992), a interação destes determinantes representam uma melhora de 50% na eficiência da marcha. Entretanto existem muitas controvérsias sobre o tema. Diversos autores afirmam que todos os determinantes citados de fato existem, porém questionam o seu papel na amenização do deslocamento do centro de gravidade. Abaixo deixo dois links para aqueles que quiserem torrar os miolos estudando este tema.
The six determinants of gait and the inverted pendulum analogy: A dynamic walking perspective
The Influence of Stance-Phase Knee Flexion on the Vertical Displacement of the Trunk During Normal Walking
Boa caminhada
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Pós Graduação Strictu Senso. Mestrado Acadêmico Vs Mestrado Profissional
Atualmente existem duas modalidades de mestrado: O mestrado profissional e o mestrado acadêmico. vamos conhecer melhor cada um deles.
MESTRADO ACADÊMICO
O mestrado é o primeiro nível de um curso de pós-graduação stricto sensu, com duração de dois anos prorrogáveis por mais dois anos e tem como objetivo preparar profissionais da área biomédica para lecionar em nível superior, além de capacitá-los a desenvolver atividades de investigação científica, de análise de dados e preparo de manuscritos científicos (ou seja: ler e escrever artigos). Durante o mestrado o aluno desenvolve a dissertação e cursa as disciplinas coerentes com a sua pesquisa. No caso da área de Concentração de Ciências da Saúde geralmente são cursadas as matérias de Bioética, Bioestatística, Metodologia Científica, Epidemiologia Clínica, e outras matérias eletivas, além de atividades didáticas com alunos de Iniciação Científica.
Só para constar: Um dos requisitos para a obtenção do título de mestre é a elaboração e defesa de uma dissertação. Aliás, apesar de muito falada, a ”tese de mestrado” é uma coisa que não existe. A denominação correta é defesa de dissertação. Apenas no Doutorado você vai defender uma tese. Recomendo a leitura do texto “O que se espera de uma dissertação de mestrado?” de Paulo Roberto de Almeida.
MESTRADO PROFISSIONAL
É destinado a profissionais que estão no mercado de trabalho e querem aprofundar seus conhecimentos em uma determinada área, conciliando-os à sua atividade profissional. A grande diferença entre as modalidades (mestrado acadêmico Vs Mestrado Profissional) é justamente o foco do programa. De acordo com a CAPES, o "mestrado profissional" é a designação do mestrado que enfatiza estudos e técnicas diretamente voltadas ao desempenho de um alto nível de qualificação profissional. Essa ênfase é a única diferença em relação ao mestrado acadêmico, o qual obviamente também pode ser direcionado para a solução de problemas reais, mas que também permite pesquisas sem relevância imediata para a prática profissional (um exemplo seria um mestrado em morfologia no qual o aluno investiga as células do córtex cerebral do babuíno careca da malásia).
Ainda não conheço ninguém que tenha feito o mestrado profissional, portanto não tenho muitas informações a respeito, mas me parece tratar-se de um curso híbrido entre a especialização e o mestrado, ou uma “especialização turbinada”, com padrão Capes. Este foco na resolução de problemas me parece bastante promissor, pois permite uma pesquisa direcionada à prática, possívelmente com o aluno botando a mão na massa e gerando conhecimentos de aplicabilidade clínica imediata.
O título de mestre obtido nos cursos de mestrado profissional, recomendados e avaliados pela Capes e credenciados pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), tem validade nacional e concede ao seu detentor os mesmos direitos concedidos aos portadores da titulação nos cursos de mestrado acadêmico. Em outras palavras: Para fins de titulação são idênticos, sendo inclusive permitido ao portador de mestrado profissional a possibilidade de fazer doutorado depois.
Ah! Importante: O mestrado profissional é pago.
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
Síndrome do Túnel do Carpo e Ultra Som - O que a Fisioterapia Baseada em Evidências tem a me dizer?

FISIOTERAPIA BASEADA EM EVIDÊNCIA E ESTRATÉGIA DE TRATAMENTO.
A Fisioterapia Baseada em Evidências (FBE) exige que as decisões em relação ao tratamento estejam baseadas nas melhores evidências. O fisioterapeuta deve assim ser capaz de analisar a informação por meio de um julgamento cuidadoso de forma a escolher a melhor estratégia de tratamento para seu paciente.
Antes de continuar falando sobre FBE, vale a pena rever o conceito de estratégia (sem trocadilhos com o capitão Nascimento, por favor)
"A palavra estratégia deriva do termo grego stratègós, que combina stratos (exército) com ag (liderar). Assim, strategos significa, literalmente, “a função do general do exército”. (...) na década de 1960, o conceito de estratégia passa a significar um curso específico de ação que indica, precisamente, como uma organização deve utilizar os seus recursos com o fim de alcançar objetivos preestabelecidos."
AFINAL, ULTRA-SOM FUNCIONA OU NÃO?
Em um artigo publicado na Revista de la Sociedad Espanola del Dolor (Oct;15(7):475-480, 2008), foi realizada uma revisão sistemática bastante interessante, pois foi focada na fisioterapia e não somente nos tratamentos conservadores, os quais incluiriam medicamentos, injeções de corticóides, diuréticos e órteses de repouso noturnas. Os critérios de inclusão utilizados foram:
(1) Pacientes com Síndome do Túnel do Carpo (unilateral ou bilateral).
(2) Diagnóstico confirmado por exames clínico e / ou eletrofisiologico.
(3) Submetidos a tratamento baseado em técnicas conservadoras.
(4) Estudos com implicações fisioterapêuticas.
(5) Que os sujeitos do estudo não tenham sido tratados por meio de cirurgia para a STC.
Fica claro assim que a busca foi direcionada para encontrar a melhor evidência em termos de FISIOTERAPIA.
Os autores encontraram 2 artigos controlados e randomizados e 1 revisão sistemática. Os dois artigos clínicos utilizaram ultra-som terapêutico. Os detalhes da dosagem e dos resultados estão disponíveis no próprio artigo.
As conclusões apontam que o uso de US terapêutico nas doses e tempo de tratamento descritos nos artigos pesquisados reduzem significativamente a dor, os sintomas subjetivos, melhoram o tempo de latência motora distal, e aumentam a força de preensão e de pinça digital. No entanto, os autores destacam que o tratamento é sintomático, pois não existem dados indicando que o US foi capaz de reduzir a compressão qua afeta o nervo medial
Além deste trabalho, em 2007 foi publicado na revista clinical rehabilitation o artigo "A systematic review of conservative treatment of carpal tunnel syndrome", onde foram analisados 33 estudos controlados e randomizados. Infelizmente só tive acesso ao abstract deste trabalho, mas as conclusões foram listadas no abstract e são as seguintes:
(1) Injeções de esteróides produzem uma melhora significativa, mas temporária,
(2) Vitamina B6 é ineficaz,
(3) Anti-inflamatórios esteróides são melhores do que os não-esteróides (AINEs) e diuréticos, mas podem produzir efeitos colaterais,
(4) Ultra-Som é eficaz enquanto terapia a laser mostra resultados variáveis,
(5) Terapia de exercício não é eficaz,
(6) Órteses são eficazes, especialmente se utilizada em tempo integral
Em uma revisão o Centro Cochrane, sobre tratamentos não cirúrgicos para STC (a qual só tive acesso ao abstract disponível no site PEDro) o autor conclui que as evidências mostram benefício significativo a curto prazo do uso de esteróides por via oral, talas, ultra-som, yoga e mobilização óssea do carpo. Outros tratamentos não cirúrgicos não produzem benefícios significativos.
Antes de terminar, quero citar uma revisão sistemática publicada na revista physical therapy entitulada "A Review of Therapeutic Ultrasound. Effectiveness Studies". Esta é uma revisão geral publicada em 2001. Um pouco antiga, mas levanta uma questão importantíssima em relação aos trabalhos com US. Os autores perceberam que a dosagem, o tempo e o modo variaram enormemente entre os estudos. A apartir dai eu tiro uma conclusão: Assim como os brasileiros, os gringos também não sabem calcular a dosimetria do US. Acredito que este seja o motivo de tantos resultados conflitantes. Mas de fato, a grande maioria das evidências sugere que o US é efetivo (aquele trabalho em espanhol foi bastante criterioso e selecionou os 3 estudos com melhor metodologia). Ou seja: Em relação à Síndrome do Túnel do Carpo, o US é melhor do que placebo.
Pra finalizar, acho que posso dizer que a questão central em relação ao tratamento fisioterapêutico da STC é saber se o tratamento conservador é o tratamento correto, principalmente no longo prazo, ou se a descompressão cirúrgica precoce proporciona melhores resultados a longo prazo com menos déficits neurológicos. A recidiva após a cirurgia é outra questão importante.
Referências:
(1) Ultrasound treatment for treating the carpal tunnel syndrome: randomised “sham” controlled trial
(2)Revisión sistemática de tratamientos fisioterapéuticos con mejor evidencia para el síndrome del túnel carpiano
(3) Ultrasound and laser therapy in the treatment of carpal tunnel síndrome
Da próxima vez vou investigar as evidências sobre a técnica de mobilização neural para o trtatmento da Síndrome do Tunel do Carpo.
... e que a força esteja com vocês
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
Reabilitação e realidade virtual para crianças
Além de ser um tema que eu gosto muito, pois une duas de minhas paixões: Reabilitação e Videogames, é um estudo que permite ao leitor teorizar bastante em cima dos resultados e da metodologia empregada.
Curiosamente não se trata de outro trabalho sobre Nintendo Wii. Desta vez o console utilizado foi o Playstation 3. Segundo os autores, o PS3 foi escolhido por ser um console que aceita programas criados no sistema operacional Linux. Assim, foi possível desenvolver um "jogo terapêutico" especialmente para este estudo.
Este jogo utiliza uma luva de realidade virtual que responde aos movimentos executados pela mão plégica dos pacientes. Assim, o video game cria uma imagem virtual da mão do paciente na tela da TV que reproduz os movimentos executados.

Bem, na verdade, a luva não reproduz com exatidão os movimentos, mas sim amplia na tela o movimento iniciado com a mão plégica.
Exemplo: se a luva detecta um pequeno movimento de flexão do dedo indicador, ela reproduz na tela o movimento completo de flexão do dedo indicador.
Esse fato é interessantíssimo por dois motivos:
(1) Se a mão virtual reproduzisse com perfeição os movimentos, ela apenas estaria reproduzindo na tela da TV o mesmo padrão de movimento deficiente que o paciente exibe no mundo real. Além de desnecessário, seria frustrante para o paciente.
(2) O fato da mão virtual realizar a amplitude completa de movimento, seria uma espécie de treinamento híbrido entre a terapia de restrição indução do movimento e imaginética. Eu teorizo que ao ver o movimento normal ocorrer na tela, a "ilusão" de movimento criada faria o cérebro acreditar que aquela mão está realmente se abrindo (como naquela caixa de espelhos utilizada para tratamento de dor fantasma pós amputação). Achou viajem? Nem tanto... saiba que ao imaginar o movimento acontecendo, várias regiões do cérebro são ativadas, de forma muito parecido com o que ocorre com o movimento real. Existe um trabalho brasileiro feito no Hospital Albert Einstein que tem muitos pontos em comum com este trabalho gringo. (http://www.sbis.org.br/cbis11/arquivos/867.pdf)
Como se tudo isso não bastasse, os autores também fizeram Ressonância Magnética Funcional para o movimento d efechamento da mão antes e depois do período de treinamento, sendo possível perceber um aumento significativo nas zonas cerebrais ativadas durante os movimentos.
Apesar dos resultados animadores, não vamos imaginar que este tratamento é uma panacéia. Devemos ser críticos ao interpretar os resultados. Existem dois pontos que são importantes de serem destacados:
(1) Os pacientes, apesar de serem portadores de encefalopatia crônica da infância, tinham inteligência normal (cursavam escolas regulares). Por isso, nem pense em colocar luvas de realidade virtual naquele seu paciente quadriplégico espástico grave com retardo mental.
(2) Os pacientes não estavam em tratamento com terapia ocupacional e nem fisioterapia já há algum tempo. Assim, não é possível afirmar com certeza que os ganhos obtidos não seriam também alcançados caso os pacientes fossem submetidos a 4 meses de terapia ocupacional intensiva 5 dias por semana. Veja bem, estou levantando esta bola só pra dizer que talvez este não seja um tratamento milagroso. Naturalmente, dadas as características do sistema de saúde norte americano (tudo é pago e custa os olhos da cara), se você consegue resultados semelhantes aos de uma reabilitação intensiva utilizando um video game em casa, a relação custo benefício justifica o uso do video game.
Quem quiser ler o trabalho original, o artigo está disponível neste
Além disso tem um vídeo com o pré e pós tratamento de um paciente que me deixou de queixo caído. É um video que demora um pouco pra baixar e mostra um dos pacientes tentando abrir a mão antes do tratamento e, quatro meses após o início do tratamento, o mesmo paciente empilhando latas de conserva em casa.
Assita o vídeo clicando aqui
Quem quiser mais detalhes, aqui embaixo tem a tradução do resumo do trabalho.
Telereabilitação domiciliar por meio de videogame de realidade virtual em adolescentes com paralisia cerebral hemiplégica
Golomb MR, McDonald BC, Warden SJ, Yonkman J, Saykin AJ, Shirley B, Huber M, Rabin B, AbdelBaky M, Nwosu ME, Barkat-Masih M, Burdea GC.
In-home virtual reality videogame telerehabilitation in adolescents with hemiplegic cerebral palsy. Arch Phys Med Rehabil 2010;91:1-8.
Tradução do abstract:
OBJETIVO:
Investigar se a telereabilitação em ambiente domiciliar, empregando um videogame baseado em realidade virtual e monitorado a distância, é capaz de melhorar a função da mão, a saúde óssea e também a ativação do circuito motor de adolescentes com hemiplegia.
Desenho do estudo: Estudo piloto de 3 meses de duração (proof-of-concept)
AMBIENTE:
Um sistema de reabilitação baseado em realidade virtual gerada por meio de videogame que foi instalado nas casas de 3 participantes.
PARTICIPANTES:
Três adolescentes com paralisia cerebral tipo hemiplégica grave.
INTERVENÇÃO:
Os participantes foram convidados a exercitar a mão plégica por 30 minutos por dia, 5 dias por semana, usando uma luva com sensores e ligada a um console de videogame. Foram desenvolvidos jogos personalizados, focados nos movimentos dos dedos, e incluiu também a imagem de um avatar da mão.
MEDIDAS PRINCIPAIS:
Avaliações padronizadas de terapia ocupacional, avaliação remota da amplitude de movimento (ADM) dos dedos baseada na leitura dos sensores instalados na luva, a avaliação da saúde dos ossos do antebraço plégico com dual-energy x-ray absorptiometry (DXA) e tomografia computadorizada quantitativa periférica (TCQp) e Ressonância Magnética Funcional (RMF) da tarefa de preensão de mão.
RESULTADOS:
Todos os 3 adolescentes apresentaram melhora na função da mão plégica em testes de terapia ocupacional, incluindo aumento da capacidade de levantar objetos e melhora da ADM dos dedos com base em medições remotas. Os 2 adolescentes mais participantes mostraram melhorias no conteúdo mineral do osso radial. Para todos os 3 adolescentes, a RMF durante a tarefa de preensão, considerando o contraste entre a mão plégica e não plégica mostrou expansão da área espacial de ativação pós-tratamento.
CONCLUSÕES:
O uso de telereabilitação baseada em videogame de realidade virtual controlada remotamente aparentemente é capaz de produzir melhoria na função da mão e melhora na saúde óssea dos ossos do antebraço em adolescentes com deficiência crônica. A melhora da função da mão parece ser reflexo das alterações funcionais do cérebro.
Palavras-chave: paralisia cerebral, criança, tecnologia de fibra óptica; mão; Hemiplegia; internet; Assistência Perinatal; Reabilitação; Stroke, video games.
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
Cartilha de orientações pós artroplastia de quadril e joelho
A reabilitação pós artroplastias é um dos temas recorrentes neste blog. Percebo que apesar da vasta literatura disponível, muita gente tem dúvidas quanto ao que o paciente pode ou não fazer no pós-operatório imediato. Por isso, deixo hoje um link para as cartilhas de orientações pós artroplastia de Joelho e pós artroplastia de quadril, publicadas pelo Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia. Estas cartilhas foram elaboradas por profissionais com vasta experiência na área. Apesar de não conter muitas referências bibliográficas, considero um excelente guia para a prática.
Este blog é um espaço criado para compartilhar informações, não exige cadastro e nem identificação. Portanto é impossível saber se quem está acessando é aluno de fisioterapia ou se é um leigo consultando o Dr. internet em busca de informações.
Para aqueles que irão me criticar por oferece informações técnicas a leigos, alego em minha defesa que as postilas foram criadas para o público e são de livre acesso. Eu apenas encontrei, cataloguei e disponibilizei a informação
Mas ainda assim deixo um aviso para aqueles que não são acadêmicos e nem profissionais da saúde e que pretendem usar estas informações como auto-tratamento:
Antes de seguir QUALQUER orientação destas cartilhas, consulte o cirurgião que lhe operou ou o fisioterapeuta que lhe acompanha. Pois dependendo da técnica cirúrgica ou do tipo de prótese, alguns dos exercícios poderão lhe fazer mal.
Ah! já ia me esquecendo: também não prescrevo exercícios, não dou consultas e nem faço mapa astral pela internet.
Dito isso, não vejo mais motivos para sonegar o endereço do site:
http://www.into.saude.gov.br/conteudo.aspx?id=122
Bons estudos
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
Velocidade da marcha, o sexto sinal vital?
Estamos prontos para um sexto sinal vital? Você já parou pra pensar que talvez a mensuração da velocidade da marcha deva ser realizada de rotina? Quem concorda? Quem discorda? Seriam as evidências fortes o suficiente para identificar a velocidade da marcha como o sexto sinal vital? Será que este sinal vital deve ser apenas algo a ser documentado OU será que de fato a modificação da velocidade por meio da fisioterapia é capaz de modificar para melhor a vida de alguém?
No final do ano passado foi publicado um "white paper" na revista geriatric physical therapy, onde as fisioterapeutas Stacy Fritz, e Michelle Lusardi, ambas PhDs fazem uma belíssima revisão do tema e lançam a discussão.
Tenho certeza que mesmo que não consigam estabelecer a velocidade da marcha como sinal vital, certamente terão dado uma imensa contribuição para difundir ainda mais este teste como parte integral da avaliação fisioterapêutica.
Abaixo o link para quem quiser baixar o artigo original e em seguida, a tradução livre do artigo.
Boa leitura
http://www.geriatricspt.org/members/pubs/journal/2009/32-2/JGPTVol32No2fritz.pdf
Velocidade da marcha, o sexto sinal vital
A velocidade de caminhada é "quase a medida perfeita". Pois é uma medida confiável, válida, sensível e específica. A velocidade de caminhada auto-selecionada, também chamada de velocidade da marcha (VM), correlaciona-se com a capacidade funcional, e equilíbrio. A VM tem o potencial para prever o estado de saúde futuro, e o declínio funcional, incluindo internação, alta e mortalidade. A VM reflete tanto as mudanças funcionais quanto fisiológicas, é um fator discriminante na determinação do potencial para reabilitação, e auxilia na previsão de quedas e também o medo de cair. Além disso, a progressão da VM tem sido associada a alterações clínicas significativas na qualidade de vida e na identificação da marcha comunitária e domiciliar. Devido a sua facilidade de uso e propriedades psicométricas, a VM foi utilizada como um preditor e também como medida de desfecho em vários diagnósticos. Além disso, a VM foi escolhida por um grupo de especialistas como a avaliação padronizada para medir a função de locomoção para o Domínio de Função Motora do NIH Toolbox.
A velocidade da marcha, assim como a pressão arterial, pode ser um indicador geral que pode predizer eventos futuros e refletir diversos processos fisiológicos subjacentes. Enquanto a VM não pode estar sozinha como o único preditor das capacidades funcionais, da mesma forma que a pressão arterial não é o único sinal de doença cardíaca,a VM pode ser usada como um “sinal vital” funcional, para ajudar a determinar desfechos, tais como o estado funcional, o local para onde o paciente será encaminhado após a alta hospitalar, e a necessidade de reabilitação (Figura 1).
Caminhar é uma atividade funcional complexa, assim, muitas variáveis contribuem ou influenciam a VM. Estas incluem, mas não se limitam a: estado de saúde do indivíduo, controle motor, desempenho muscular e condição músculo-esquelética, função sensorial e perceptiva, resistência e nível de atividade habitual, estado cognitivo, motivação e saúde mental, bem como às características do ambiente em que a pessoa caminha.
Embora as medidas de desempenho utilizadas em conjunto com a VM são freqüentemente mais capazes de prever o estado de saúde, a utilização isolada da VM pode ser uma excelente preditor. Por exemplo: sozinha, a VM foi capaz de predizer o local da alta hospitalar 78% das vezes, e a adesão de uma avaliação cognitiva ou dos escores iniciais da Medida de Independência Funcional (MIF) não reforçaram significativamente a capacidade de definir se um paciente terá alta para casa ou para uma casa de repouso geriátrica (skilled nursing facility).
Várias avaliações padronizadas e testes de desempenho físico são capazes de predizer o nível funcional e eventos relacionados com a saúde de forma confiável. No entanto, o uso consistente destas medidas não é amplamente praticada. Fatores que contribuem para esta não-utilização de avaliações padronizadas podem incluir o tempo insuficiente, equipamentos ou espaço inadequados, ou a falta de conhecimento na interpretação das avaliações. A VM é uma medida padronizada que pode ser rápida e facilmente incorporados no processo de avaliação/análise do fisioterapeuta.
A determinação de viabilidade é o primeiro passo essencial na decisão de usar ou não um determinado teste ou medida na clínica. As principais questões que os clínicos devem levantar sobre a viabilidade de um teste ou medida são:
(1) O teste é seguro?
(2) O teste é efetivo?
(3) O quão fácil é a administração deste teste?
(4) O quão fácil os resultados do teste são classificados e interpretados?
Uma resposta afirmativa a todas estas perguntas, como o que acontece com a VM, leva a viabilidade de uso em um contexto clínico. A VM é uma medida segura, não requer equipamento especial, não acrescenta nenhum custo adicional a uma avaliação, requer pouco tempo adicional (pode ser administrada em menos de 2 minutes), é fácil de calcular (distância / tempo), e é fácil de interpretar com base em normas publicadas (Figura 2).
A VM pode ser avaliada com rapidez e precisão na maioria dos cenários da prática de fisioterapia, incluindo atendimento domiciliar, reabilitação aguda e subaguda, locais de cuidados prolongados, e escolas. As medições de velocidade de caminhada são altamente confiáveis, independente do método de medição, das populações e das deficiências investigadas. O exame da VM requer um cronômetro e um espaço de cerca de 20 pés (pouco mais de 6 metros). Se possível, a medição deve ser realizada 3 vezes (com poucos minutos de descanso entre as tentativas). A média de três tentativas irá fornecer uma estimativa mais precisa da velocidade real auto-selecionada do que a medição de uma única tentativa.
A Figura 3 mostra um método confiável e barato para coletar a VM utilizando o teste de caminhada de 10 metros (m). Este teste requer um caminho de 20 m em linha reta, com os 5m iniciais reservados para aceleração, 10m para andar em velocidade auto selecionada, e os 5m finais para desaceleração. Marcadores são colocados na posição 5 e 15 m ao longo do caminho. O paciente caminha "em um ritmo confortável" de um extremo ao outro. O fisioterapeuta utiliza um cronômetro para determinar quanto tempo leva para o paciente a atravessar os 10 m centrais do percurso, acionando o cronômetro assim que o membro do paciente atravessa o primeiro marcador e interrompe a cronometragem assim que o membro do paciente cruza o segundo marcador.
Caso não tenha disponível uma passarela de 20 m, distâncias mais curtas podem ser usadas, contanto que haja espaço suficiente para a aceleração e desaceleração (por exemplo, aceleração de 5 pés, 10 pés de marcha livre, e 5 pés finais de desaceleração).
Enquanto a VM varia de acordo com idade, sexo e antropometria, a variação normal da VM varia de 1,2m/s a 1,4m/sec. Esta diretriz geral pode ajudar no acompanhamento de nossos pacientes, juntamente com as normatizações por idade (Figura 2), e outros pontos de corte citados (Figura 1). A interpretação da VM inclui também identificar quando uma mudança constitui-se verdadeira ou um erro da medição. Em um estudo recente, com um grupo diversificado de participantes idosos e com diagnósticos clínicos variados, a variação de 0,05 m / s foi calculada como sendo a mudança necessária para identificar uma variação significativa na VM. Além disso, para pacientes que não têm uma velocidade de marcha normal, uma variação de menos 0,1 m / s é um indicador útil do bem-estar, enquanto uma redução no mesmo montante está relacionada com piores condições de saúde, maiores deficiência, maior tempo de internação e aumento dos custos médicos.
A velocidade de caminhada é uma ferramenta de avaliação e triagem fácil e acessível que deve ser realizada para obter informações sobre a segurança do deslocamento e capacidade funcional de nossos pacientes. Os fisioterapeutas, como especialistas em movimento e função, pode usar a VM como um prático e funcional sexto “sinal vital", examinando a velocidade da marcha da mesma forma que rotineiramente monitoramos a pressão arterial, a freqüência cardíaca, respiratória, temperatura e dor.
Esta revisão resume as fortes propriedades psicométricas da VM e as evidências robustas que justificam a utilização desta medida clínica. A velocidade de caminhada é facilmente mensurável, clinicamente interpretável, e um fator de risco potencialmente modificável. Por estas razões, utilizar a VM como o sexto sinal vital é tanto pragmático quanto essencial.
domingo, 17 de janeiro de 2010
Símbolo da Fisioterapia
Logo de cara fiz uma busca no google com as palavras fisioterapia e símbolo, mas tudo o que encontrei foram algumas explicações vagas e superficiais. Eu gosto de ler sobre mitologia e culturas antigas, e muito embora não seja especialista, sei que o simbolismo envolvido na figura que representa a fisioterapia não se restringe apenas a “serpente verde, símbolo da saúde e raio amarelo, símbolo da iluminação.”
Assim, resolvi eu mesmo investigar um pouco de mitologia greco-romana e investigar também os símbolos de outras profissões da área da saúde. Obviamente, por não ser especialista, minha explicação também é superficial, mas com certeza mais abrangente do que a maior parte das explicações disponíveis na web.
Vale um detalhe histórico: O símbolo brasileiro foi inicialmente elaborado pelo fisioterapeuta Carlos Alberto Esteu Tribuzy, em 1965, e era ligeiramente diferente da atual. (acesse este link e saiba mais) O símbolo da fisioterapia, nos padrões que conhecemos hoje, foi definido em fevereiro de 2002, e é basicamente composto por duas serpentes entrelaçadas em espiral em volta de um raio. Vale notar que esta imagem está inserida em uma moldura, mais exatamente um camafeu de fundo branco.

Agora vamos a simbologia desta imagem:
Duas serpentes verdes entrelaçadas:
De forma geral, a serpente representa o poder, a ciência, a sabedoria e a transmissão do conhecimento compreendido de forma sábia. Também é um símbolo da cura porque periodicamente abandona sua pele velha e aparentemente renasce, da mesma forma que os médicos removem a doença dos corpos e rejuvenescem os homens, e além disso, a serpente é um símbolo de atenção concentrada, o que era requerido dos curadores. A serpente é um símbolo que acompanha todas as divindades médicas.
Fonte: http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/contagio/contagio-5.php
O símbolo das duas serpentes, a direita e a esquerda, são de aspecto simbólico com o diurno e o noturno, o benéfico e o maléfico. Elas simbolizam o equilíbrio das tendências contrárias em torno do eixo do mundo.
A simetria bilateral, como a balança de Libra, expressa sempre a mesma idéia de equilíbrio ativo, de forças adversárias que se contrapõem para dar lugar a uma forma estática e superior. Destaca-se a ambivalência no aspecto duplo da cura e da ameaça, lembrando a grande máxima médica, de Hipócrates, “Primo non nocere”, ou seja, primeiro não lesar.
Fontes:
http://www.cafeesaude.com.br/medicina_artigo.htm
Diz a mitologia grega que Asclépio (deus da medicina e da cura) , filho de Apolo e da ninfa Coronide, fora adotado e criado pelo Centauro Quíron, que ensinou-lhe a arte da cura.
Asclépio, dotado de invulgares capacidades (e nomeadamente de sentido de observação), cedo superou o seu mestre em matéria de conhecimentos médicos.
"Certo dia uma serpente surgiu-lhe no caminho, enrolando-se na vara que ele [empunhava]. Asclépio deitou-a por terra e matou o animal. Acontece que, miraculosamente, apareceu uma segunda serpente. Esta trazia na sua boca uma certa planta, com a qual ressucitou o réptil morto. Este acontecimento, carregado de simbolismo, foi para Asclépio uma revelação. A revelação das virtudes medicinais. E assim, encontramos aqui a origem do caduceu (duas serpentes enroladas à volta de uma vara), que se tornou no emblema do corpo médico"
Fonte: http://www.ensp.unl.pt/lgraca/textos2.html
Para enriquecer um pouco mais nossos conhecimentos sobre mitologia, segue abaixo a gentil colaboração do colega fisioterapeuta Geraldo Barbosa, do Blog 14-F
Asclépio foi sumariamente eliminado por Júpiter, atendendo pedido de Hades. Para isso Júpiter utilizou RAIOS forjados pelos Ciclopes. Após sua morte Asclépio é recebido como um deus no Olimpo, passando a partir de então a ser visto nas noites do hemisfério boreal, sob a forma de uma constelação denominada Ofiúcio ou Serpentário.
Certa vez, atravessou o Mediterrâneo no formato de uma enorme serpente, ao ser invocado pelos habitantes da península itálica assolada por uma epidemia que vitimava grande número de pessoas. Lá chegando, o mal se dissipou, ficando a população agradecida pelo feito. Devido a essa forma de se revelar aos humanos são emblemáticas as representações do deus com volteios colubrinos, como uma serpente enlaçada em um bastão ou duas serpentes entrelaçadas nesse mesmo tipo de objeto.
- Segundo estudiosos da mitologia greco-romana, um erro de interpretação ocorrido na Idade Média, confundiu o símbolo de Asclépio com o Caduceu de Mercúrio, emblema da paz, da prosperidade e do comércio. O deus Mercúrio levava nas mãos um bastão com duas sepentes entrelaçadas - O CADUCEU - e com ele agilmente conduzia as almas nos infernos e fazia cessar os ventos.
- Na minha interpretação, que é pessoal e passivel de censura, a Fisioterapia no Brasil está representada oficialmente por um raio com duas serpentes verdes entrelaçadas e incrustadas num camafeu de fundo branco, proporcionando um impacto visual de grande força, movimento contido e de rara beleza. Nele as serpentes se confrontam e apesar disso permanecem estáticas diante do RAIO CICLÒPICO (Lembram da morte de Asclépio?), enigmático em sua dualidade, pois ao mesmo tempo é mortífero e potencialmente recuperador da ação do movimento humano, figurando como símbolo da eletrotermoterapia.
Fonte: Herdeiros de Esculápio - história e organização profissional da Fisioterapia - Livro que publiquei no ano passado
Raio:
Desde a antiguidade os raios são vistos como uma manifestação do poder divino. Seu efeito pode ser “benéfico” enquanto luz e força, ou “maléfico” como aniquilador e destrutivo. Mais uma vez encontramos aqui uma referência ao equilíbrio entre opostos.
Segundo o fisioterapeuta Carlos Alberto Esteu Tribuzy, idealizador do símbolo de nossa profissão:
“O raio, com seu brilho intenso, é uma forma, utilizada desde a antiguidade para transmitir e identificar, de forma consciente, os valores e práticas corretas de vida'.
Camafeu
A palavra ‘camafeu’ provavelmente origina-se do latim cammaeus, que quer dizer pedra entalhada ou esculpida. Trata-se de um item da joalheria e não sei se tem algum simbolismo especial envolvido.
Pois bem, acho que é isso, aguardo comentários de algum colega que tenha algo a acrescentar em termos de história e simbologia.
A verdade está lá fora...
sábado, 16 de janeiro de 2010
Pós Graduação Lato Sensu em Fisioterapia - - - O que todo fisioterapeuta deve saber
Neste momento, uma das (inúmeras) dúvidas que afligem os recém formados em relação ao seu destino profissional está relacionada a pós-graduação: Devo estudar mais um pouco ou dedicar-me exclusivamente ao trabalho? Pra tentar ajudar um pouco àqueles que se decidiram pelos estudos preparei um pequeno guia de pós-graduações Lato Sensu (Stricto sensu vai ficar para um outro dia)

O QUE É E PRA QUE SERVE A PÓS-GRADUAÇÃO.
"Não há nada mais trabalhoso do que tentar demonstrar o óbvio". Acho que esta é uma frase do Nelson Rodrigues, e ela vem bem a calhar neste contexto, pois Pós-graduação é todo o estudo realizado após a graduação. Infelizmente muita gente cursa a pós-graduação antes de concluir a graduação. Além de paradoxal, isso também é ilegal. Saiba mais no blog maisfisio
Mas voltando ao assunto: existem muitas vantagens em se cursar uma pós-graduação. Além da evidente vantagem de aprofundar os conhecimentos obtidos na faculdade, é possível conhecer gente com interesses profissionais parecidos com os seus, o que pode lhe garantir contatos, indicações ou parceria para abrir uma clínica ou qualquer outro empreendimento.

Uma outra vantagem está no fato de que um certificado de pós-graduação pode contar alguns pontos extras no momento da análise do currículo, ou na prova de títulos de algum concurso público. Além disso, uma pesquisa recente da Fundação Getúlio Vargas indica que o tempo de estudo aumenta o salário dos brasileiros. (...) O coordenador do Centro de Políticas Sociais da FGV, Marcelo Néri, relata que os dados confirmam o chamado fenômeno de retornos crescentes. “Em geral, pessoas com baixa educação ficam presas à armadilha de que estudar pouco é suficiente. Isso é um equivoco”, afirma o coordenador.
Agora que você já deve estar com água na boca, vamos ver quais são as opções de pós-graduação que existem para a fisioterapia.
Inicialmente é preciso saber que os cursos de pós-graduação no Brasil são divididos em duas categorias: Lato Sensu e Stricto Sensu. Eles se diferenciam basicamente pela carga horária (duração), além do aprofundamento da abordagem da disciplina e pelos objetivos. Neste post eu tratarei somente dos cursos modalidade Lato Sensu.
Incluem-se nessa categoria os cursos de especialização. (aperfeiçoamento, MBA, especialização, residência ou qualquer outro curso complementar realizado após a graduação) nos quais nem sempre é necessário passar por um processo seletivo, com disciplinas curtas avaliadas, e com defesa direta da monografia de especialização. Saiba mais acessando o portal do MEC
Vou tentar organizar uma hierarquia, iniciando pelos cursos mais elementares:
Cursos de Formação Complementar
Sabe aquele curso pré congresso ou aqueles que duram um ou dois finais de semana. Pois bem, eles tem uma carga horária baixa, e são considerados apenas cursos de formação complementar (algumas vezes são também chamados de cursos de extensão). Eles aprofundam seu conhecimento em determinada área porém não exigem nenhuma avaliação, apenas que o aluno permaneça de corpo presente durante as aulas. Também não lhe conferem titulação acadêmica e nem profissional. Apesar de algumas desvantagens, eu considero este tipo de curso muito importante para a nossa categoria profissional (eu mesmo tento fazer ao menos 2 por ano). Estes cursos são importantes, pois nos dão a oportunidade de “botar a mão na massa”, como nos casos dos cursos de terapia manual, cursos de ventilação mecânica, avaliação radiológica entre tantos outros.
Algumas vezes estes cursos podem causar uma certa confusão, principalmente entre os alunos recém-formados. Com certa freqüência estes cursos são anunciados com nomes bastante atraentes como “curso de reabilitação cardíaca”, “curso de pneumo-funcional”, etc... Lembrem-se: ninguém se torna especialista com 40horas de aula. Um curso com esta duração serve para complementa a sua formação acadêmica, no máximo ! (vejam bem, não estou questionando a qualidade dos cursos, mas sim o fato do aluno acreditar que está se tornando especialista).
Existe uma grande oferta decursos de formação complementar. E é justamente aí que mora o perigo. Como estes cursos não tem fiscalização, pode acontecer do aluno se inscrever em um curso caça-níqueis, com um professor despreparado, sem didática ou recursos pedagógicos adequados. Minha recomendação é: procure referências dos professores e também com colegas que tenham feito cursos anteriores para não cair em uma armadilha.
Cursos de Aperfeiçoamento
Nos cursos de aperfeiçoamento, o buraco é um pouco mais embaixo. Em geral, estes cursos podem ou não possuir processo de seleção, e são voltados para o mercado de trabalho. Não há avaliação do MEC desses cursos, mas, para serem oferecidos, a instituição precisa ser credenciada pelo ministério.
Os cursos de aperfeiçoamento já começam a se diferenciar dos de formação complementar pelo corpo docente, o qual deve ser constituído necessariamente por, pelo menos, 50% de professores portadores de título de mestre ou de doutor, obtido em programa de pós-graduação Stricto Sensu reconhecido. Os demais docentes devem possuir, no mínimo, formação em nível de especialização.
Existem excelentes cursos de aperfeiçoamento com carga horária por volta de 150horas que, em geral, são muito bons e garantem reconhecimento profissional. Nesta categoria inclui-se cursos como, por exemplo, o curso básico do conceito Bobath e de Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva, que na minha opinião são inquestionáveis em sua utilidade e que valorizam qualquer currículo. Estes cursos tem por volta de 120 horas.
Cursos de especialização
Os cursos de especialização tem carga horária mínima de 360 horas, e nesta categoria incluem-se o MBA (geralmente cursado o de gestão hospitalar) e os cursos de Residência em fisioterapia .
Para a obtenção do Título de especialista, o aluno além de concluir o curso de especialização, deverá fazer um exame promovido pela Associação Profissional da área que se destina o título. (veja por exemplo o processo apra obter o título de especialista em fisioterapia do trabalho).
O COFFITO reconhece atualmente 12 especialidades dentro da fisioterapia: Acupuntura, Fisioterapia Dermato-Funcional , Fisioterapia Esportiva , Fisioterapia do Trabalho, Fisioterapia Neuro-Funcional, Fisioterapia Onco-Funcional , Fisioterapia Pneumo-Funcional, Fisioterapia Traumato-Ortopédica, Fisioterapia Urogineco-Funcional, Osteopatia e Quiropraxia e Fisioterapia em saúde coletiva.
Em relação a este último item, eu vou citar a resolução no. 220 que dispõe sobre os cursos de osteopatia/quiropraxia, os quais exigem carga horária mínima de 1500hs.
Art. 2º: - Os certificados de conclusão de cursos de quiropraxia e/ou de osteopatia somente serão aceitos, se oriundos de instituição de reconhecida idoneidade no ensino das linhas de conhecimento referenciadas, devendo comprovarem uma carga horária mínima de 1500 h (um mil e quinhentas horas), sendo 1/3 (um terço) de atividades práticas, com duração mínima de 2 (dois) anos.
Gostou?
Leia também o que eu escrevi sobre os Mestrados Acadêmico e Profissional e sobre o Doutorado e Pós Douotorado
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
Reconhecimento Internacional da Fisioterapia

Na minha humilde opinião este vídeo deveria ser veiculado na TV aberta em horário nobre todos os dias.
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
Conceito Bobath, alguns e-books para download
Vou postar hoje links para o download de 3 livros sobre o conceito Bobath. Mais uma vez estão todos em inglês. Se por acaso alguém conhecer algum site para estes livros em espanhol, por favor deixe um comentário com o link para ajudar colegas que não dominam o inglês.
Quando eu baixo estes arquivos, dou preferência ao período da manhã por volta das 6:00. Mas pra galera que não curte acordar cedo também é possível baixar bem na sexta de madrugada e sábado de manhã... basta ligar o computador assim que chegar da night... ou quando o bebê acordar chorando de madrugada.
Espero que seja útil
e-book 1:
Título: Neuro-developmental Treatment Approach: Theoretical Foundations & Principles
Author: Janet M Howle
Descrição: Este livro foi escrito para os membros da Neuro-Developmental Treatment Association (NDTA) e para as comunidades científicas e terapêuticas. O principal objetivo deste livro é descrever o estado atual do tratamento neurológico pelo conceito Bobath, isso porque a abordagem tem sido criticada ao longo dos anos pela falta de pesquisas publicadas em fontes baseadas em evidências. Este livro tenta remediar essa crítica e também as tentativas de definir a forma como a abordagem mudou desde a morte dos Bobaths.
Tamanho: 176 MB, PDF File
Link:
Parte 1- http://rapidshare.com/files/327950715/Nro-devlpmntl_rx_apparch.part1.rar
Parte 2- http://rapidshare.com/files/327947225/Nro-devlpmntl_rx_apparch.part2.rar

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e-book 2:
Título: Bobath Concept: Theory and Clinical Practice in Neurological Rehabilitation
Autores: Linzi Meadows, Sue Raine, Mary Lynch-Ellerington
Descrição: De autoria de membros da British Bobath Tutors Association, este livro é um guia prático ilustrado que oferece uma exploração detalhada dos fundamentos teóricos e intervenções clínicas do Conceito Bobath.
Este livro guia o leitor através de princípios gerais para uma aplicação mais específica dos princípios neurofisiológicos e movimento de re-educação na recuperação de áreas importantes, incluindo transferências entre sentado e em pé, locomoção e recuperação da função de membro superior.
Tamanho: 2.66 MB, PDF File
Link:
- http://rapidshare.com/files/323684824/Bobath_Concept_-_Theory___Clinical_Practice_in_Neurological_Rehabilitation.pdf
ou então:
- http://ifile.it/1msehz2

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e-book 3:
Título: Adult Hemiplegia: Evaluation and Treatment
Autor: Berta Bobath
Descrição: Esta é a terceira edição da obra clássica Berta Bobath, mostra a continuação e o desenvolvimento do tratamento, enquanto que o conceito subjacente de que o tratamento foi baseado não mudou. No entanto, a ênfase no tratamento está agora mais sobre a participação ativa do paciente em parceria com o terapeuta na abordagem holística dos problemas individuais.
Tamanho: 95.7 MB, PDF File
link:
- http://rapidshare.com/files/139107792/Adult_Hemiplegia.pdf
ou então:
- http://ifile.it/dlsb8ic
Este mês no The New York Times
Devo confessar que algumas coisas da entrevista me incomodaram, mas talvez o que não foi escrito tenha me incomodado ainda mais. Na minha opinião, o Dr. Irrgang foi brilhante em suas análises científicas e estatísticas sobre os tratamentos, mas esqueceu-se de que a entrevista não era direcionada a profissionais, mas sim ao público leigo geral. Digo isso, pois diversas vezes ele diz que não há evidência para o tratamento X ou Y, mas não avisou (ou não escreveram) que a falta de evidência de que um determinado tratamento funcione não significa que este tratamento não tenha efeito. (Ex: No momento não há evidência de que a fisioterapia seja útil em pacientes em tratamento com células tronco. Isso ocorre simplesmente porque há pouquíssimos estudos investigando o acompanhamento destes pacientes).
Outra coisa interessante na pesquisa é a preocupação com o vudu, ou o que nós chamamos aqui no Brasil de T.R.O. - Terapia por Rezas e Orações - é mais ou menos como prescrever a tríade mágica da fisioterapia: gelo, ultrasom e theraband vermelho (tem gente que trata tudo com isso, desde entorses, encurtamentos até tumor no cérebro e unha encravada). Neste ponto, aparentemente o Brasil não é o único a sofrer com descrédito e despreparo de profissionais.
Por último, gostaria de tirar a fisioterapia da berlinda, pois inúmeros tratamentos médicos também não passariam no teste da evidência clínica. A falta de evidências sólidas para guiar a prática clínica é um problema que aflige TODAS as categorias profissionais da área da saúde.
Ficou curioso ou curiosa para saber mais sobre a reportagem? Leia abaixo a tradução livre que eu fiz ou acesse o site do New York Times e leia a reportagem original: Treat me, but no tricks please.
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Trate-me, mas sem truques, por favor
Recebi um email recentemente de um médico furioso. Ele sofreu um estiramento dos isquiotibiais enquanto corria na praia, e passou oito semanas - um total de 20 horas - em fisioterapia. Em seguida, a sua seguradora de saúde disse que as sessões de fisioterapia não seriam cobertas.
Hmm.. Eu também estirei os meus isquiotibiais correndo, mas meu médico nunca mencionou fisioterapia. Ao invés disso, ele me sugeriu um tratamento experimental chamado “plasma enriquecido” que envolve a injeção das minhas peróprias plaquetas sanguíneas no músculo lesado. O custo, incluindo a taxa do radiologista, um ultra-som e a injeção de plasma, foi de US $ 2.200.
Minha seguradora não pagaria, o que fazia sentido para mim, porque o tratamento de plasma é considerado experimental. Mas a carta que o médico irritado recebeu de sua seguradora me fez pensar se a terapia física foi diferente do tratamento de plasma. Existem evidências mostrando que ela funciona?
Ao contrário da seguradora do médico, o meu seguro-saúde, sempre cobriu a fisioterapia para lesões esportivas. No entanto, este fato não é necessariamente uma indicação de que a terapia é eficaz. Os ortopedistas na minha cidade parecem agir por reflexo ao prescrever uma receita médica para a fisioterapia sempre que eu ou qualquer um dos meus amigos vão a eles com lesões desportivas. Isso, é claro, também não indica que ela seja eficaz.
Quando fui fazer fisioterapia, os tratamentos que eu tive - gelo e calor, massagem, ultra-som - sempre me pareceram um desperdício de tempo. Normalmente, eu ia uma vez ou duas vezes antes de parar. Meu médico, do Hospital de Cirurgia Especial-NY, Joseph Feinberg, parece compartilhar minha opinião. "Muitas vezes, penso que a compressas quentes, bolsas térmicas, ultra-som e eletroestimulação são desnecessárias", disse ele, acrescentando: "Com certeza, em muitos casos, essas modalidades são um desperdício de tempo".
"Há um volume de evidência crescente que dá suporte ao que o fisioterapeuta faz, mas há um monte de vudu lá fora também", disse o Dr. Irrgang. "Você pode desperdiçar muito tempo e dinheiro em coisas que não são muito úteis."
Dr. Irrgang continua, gelo e calor "podem controlar a dor um pouco", mas "não vão dar conta do problema." A lesão subjacente permanece. Quando eu perguntei ao Dr. Irrgang a respeito de estudos mostrando o que funciona, fiquei um pouco surpresa. Isso para ser gentil, pois eles deixaram muito a desejar.
E pra completar, os pesquisadores geralmente não seguem um método padrão de análise de dados chamado “intention to treat”. Isso significa que quando você analisa os resultados, você inclui até mesmo as pessoas que abandonaram o seu estudo. Afinal de contas, estas pessoas saíram por algum motivo. Muitas vezes é porque o tratamento não estava ajudando, ou fazendo-as sentir-se pior. Os remanescentes podem ter um efeito placebo ou podem ter melhorado apesar (ao invés de por causa) do tratamento. E mesmo se os restantes estão realmente se beneficiando, quando os abandonos não são contados, o tratamento vai acabar parecendo melhor do que ele realmente é.
Para ajudar os fisioterapeutas a identificar os melhores tratamentos para condições específicas e para minimizar as variações na prática, a seção de ortopedia da APTA está tentando montar diretrizes clínicas para avaliar e classificar a evidência para os tratamentos. Até o momento, uma revisão das evidências para o tratamento de uma lesão esportiva comum – a fascite plantar – foi publicada. Outros temas que estão em andamento são a instabilidade ligamentar do joelho, problemas no menisco e cartilagem do joelho, tendinopatia de Aquiles e lombalgia.
Mas o melhor tratamento para a fascite plantar, o uso de palmilhas ortopédicas nos sapatos, é o único com um corpo consistente (embora não definitivo) de pesquisa por trás dele, e este tipo de tratamento sequer necessita de um fisioterapeuta. Não exige sequer um médico. E, os estudos indicam que palmilhas off-the-shelf (pré-fabricadas) são tão eficazes quanto aquelas feitas sob encomenda. E mesmo assim, a análise concluiu que as palmilhas fornecem apenas um alívio temporário. Não há nenhuma evidência para apoiar o seu uso para controle da dor ou melhoria funcional por longo prazo (um ano).
Dr. Irrgang, que também está envolvido nas revisões que estão em curso, deu um preview de algumas dos achados mais importantes. Alongamento, disse ele, parece ajudar a curar mais rapidamente as entorses de tornozelo, principalmente se for combinado com exercícios – fortalecimento e amplitude de movimento. E estudos constataram que um tratamento comum, a bandagem para imobilizá-lo, pode retardar o tratamento.
Não é fácil, "Você apenas tem que ser muito curioso", disse ele. "O fisioterapeuta deve ser capaz de explicar as várias opções de tratamento. Você deve perguntar sobre os benefícios e riscos, e perguntar sob qual evidência ele irá trabalhar. " E se o terapeuta não puder lhe dar boas respostas, acrescentou ele, você pode querer repensar sua escolha do terapeuta.


