terça-feira, 28 de setembro de 2010

Cursos Internacionais de Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva - Conceito Kabat

Olá Pessoal,

Há algumas postagens atrás, eu traduzi um caso clínico de uma paciente tratada com o conceito PNF e também um breve descrição da história deste conceito. Hoje, volto a abordar o assunto, mas desta vez pra divulgar os cursos internacionais básico (níveis I e II) e avançado (nível III) que serão ministrados em dezembro no Rio de Janeiro.
Para quem está em dúvida se deve ou não investir seu tempo e dinheiro num curso de PNF, devo dizer que este curso é sem sombra de dúvidas um dos mais recomendados para quem quer trabalhar com reabilitação neurológica e ortopédica.
Nesta exata semana estou cursando a segunda etapa do módulo básico e confesso que estou adorando a idéia de ficar de terça até sábado, das 08:00 às 17:00 aprendendo, raciocinando e praticando PNF (este prazer todo não tem nada haver com as minhas perversões masoquistas . . . bem, talvez só um pouquinho).
Então galera, quem quiser investir em um bom curso, fica a dica. Abaixo segue a divulgação do curso.



CURSO INTERNACIONAL DE FACILITAÇÃO NEUROMUSCULAR PROPRIOCEPTIVA
CONCEITO KABAT – NÍVEIS I E II
“Reconhecido pela Associação Internacional de PNF”

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PROGRAMA:
História e filosofia da PNF, diagonais e padrões de movimento, procedimentos básicos, técnicas específicas, atividades no tatame e barras paralelas, biomecânica da marcha (avaliação e tratamento), funções vitais, avaliação e prescrição de tratamento para pacientes com disfunções do aparelho locomotor, CIF – classificação Internacional de Funcionalidade e conceitos de controle e motor e aprendizagem motora.

Curso direcionado para o tratamento de pacientes com disfunções neurológicas e ortopédicas.
Prática com pacientes durante o curso.

Ministrantes

José Vicente Martins:
­ Formação completa em PNF na Europa pela IPNFA
­ Instrutor Internacional de PNF reconhecido pela IPNFA (Associação Internacional de PNF)
­ Professor de Fisioterapia Neurológica da UFRJ
­ Chefe do Setor de Fisioterapia do Instituto de Neurologia Deolindo Couto
­ Professor do curso de Pós-Graduação em Ortopedia e neurologia da Atlântica Educacional
­ Sócio-proprietário do Cirta (Clínica de Reabilitação Neurológia e Ortopédica)

Paulo José Moté Barboza:
­ Instrutor Assistente de PNF reconhecido pela IPNFA (Associação Internacional de IPNFA)
­ Professor do curso de Pós-Graduação em Ortopedia e neurologia da Atlântica Educacional
­ Fisioterapeuta do CIRTA

Data: 08 á 12 de Dezembro de 2010 e 02 á 06 de Fevereiro de 2011.

Informações:
CIRTA - Centro Integrado de Reabilitação e Terapia Aquática
Falar com Adriana 2495-5871 ou cirta@cirta.com.br

Horário: 8:30 às 17:30
Público Alvo: Fisioterapeutas
Investimento: R$2.700,00 á vista ou R$3.000,00 em 08 parcelas de R$375,00.

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Curso Avançado de Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva
Nível III

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Local: CIRTA - Centro Integrado de Reabilitação e Terapia Aquática
Endereço: Av. Vitor Konder, 344 - Barra da Tijuca - RJ - Tel: 2495-5871
Data: 15 á 19 de Dezembro de 2010
Horário: 09:00 h às 18:00 h
Público Alvo: Fisioterapeutas
Investimento: R$ 1500,00 à vista ou 6 parcelas de R$ 250,00 sendo o ultimo cheque para o dia 10 de Dezembro de 2010

Organização: Associação Brasileira de PNF - Prof Mônica Cilento - Instrutora Internacional de PNF e Prof José Vicente Martins - Instrutor Internacional de PNF

Inscrições: CIRTA - (21) 2495-5871 falar c/ Adriana, e-mail cirta@cirta.com.br

Ministrantes

CARSTEM SCHAFER: - Instrutor Senior de PNF pela IPNFA
Presidente da IPNFA

JOSÉ VICENTE MARTINS: - Professor de Fisioterapia Neurologica da UFRJ - Instrutor de PNF pela IPNFA. Membro do Comitê Educacional IPNFA

OBS: O participante estará inscrito após o pagamento da 1.ª Parcela

CENTRO MULTIDISCIPLINAR DA DOR PROMOVE TREINAMENTO PROFISSIONAL PARA PSICÓLOGOS, FISIOTERAPEUTAS E ACUPUNTURISTAS

Evento gratuito acontece no sábado, dia 2 de outubro

O Centro Multidisciplinar da Dor (CMD), em Botafogo, promove no sábado, dia 02 de outubro, das 9h às 14h, o 2º Treinamento Profissional em Dor.

O evento, gratuito, é coordenado pelo Prof. Alexandre Amaral. Na programação, palestras, análise curricular e entrevista. O treinamento é básico e é direcionado a psicólogos, fisioterapeutas e médicos acupunturistas. O objetivo é dar noções mínimas a esses profissionais para que tenham condições de ingressar em equipes multidisciplinares e atuar no diagnóstico e no tratamento de pacientes com dores crônicas.

As inscrições podem ser feitas pelo telefone (21) 2530-2797 ou pelo email administracao@centrodador.com.br. No email enviado, deve constar o nome completo do candidato, o número de um telefone de contato e a formação profissional. Todos os participantes receberão material didático. As vagas são limitadas.



Programação

- Abordagem Multidisciplinar na Dor Crônica
Prof. Alexandre Amaral, Diretor Médico do CMD, professor do Instituto Carlos Chagas e chefe do Ambulatório de Neurocirurgia Funcional do Hospital dos Servidores do Estado.

- O Paciente de Dor Crônica
Patrícia Suassuna é graduada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte e Mestre em Ciências Médicas pela Faculdade de Ciências Médicas do Hospital Universitário Pedro Ernesto

- Fisiopatologia da Dor
Patrícia Suassuna

- Avaliação e Tratamento Médico do Paciente de Dor Crônica
Dra. Sonia Camara é responsável pela fisiatria no Ambulatório de Neurocirurgia Funcional e Dor do Hospital dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro

- Avaliação e Tratamento Fisioterapêutico do Paciente da Dor Crônica
Fenanda Sá é membro da Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor, fisioterapeuta graduada pelo Instituto Brasileiro de Medicina e Reabilitação e especialista em recuperação motora e de terapias através do movimento e técnicas corporais

- Avaliação e Tratamento Psicológico do Paciente de Dor Crônica

Cecília Dal Magro é psicóloga graduada pela UFRJ, pós-graduada em Neuropsicologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, com formação avançada em Reabilitação Neuropsicológica na USP

- Síndrome Fibromiálgica e Síndrome Dolorosa Miofascial
Lilian Pinheiro é fisioterapeuta formada pela Universidade Estácio de Sá e desde 2000 trata de pacientes com dores crônicas. É especialista em Fisioterapia Neurológica

Serviço

Data e Horário: 02/10/2010 (sábado), das 9h às 14h

Local: Centro Multidisciplinar da Dor (Rua Paulino Fernandes, 83, em Botafogo).
Telefone: 21.2530.2797


domingo, 26 de setembro de 2010

Residência Multiprofissional em Saúde da Criança e do Adolescente IPPMG/UFRJ

Olá pessoal,
Quem acompanha o blog talvez tenha percebido que andei meio relapso com as postagens. Acontece que estive envolvido em alguns projetos ao longo do ano. Um destes projetos foi a participação na implantação do Programa de Residência Multiprofissional em Saúde da Criança e do Adolescente do IPPMG/UFRJ. Vou puxar sardiha pro meu lado (afinal, se eu não fizer isso, quem fara?) e confessar que eu mesmo gostaria de me inscrever neste programa. A equipe envolvida na elaboração e agora no planejamento é motivada e unida, e tenho certeza que temos competência para oferecer um programa de residência de qualidade.
Pois é, depois desta auto-massagem no ego, deixo vocês com as informações técnicas.
Vejo vocês por lá!

O Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF), o Hospital Escola São Francisco de Assis (HESFA), o Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira (IPPMG), o Instituto de Psiquiatria (IPUB), a Maternidade Escola da UFRJ comunicam que estarão abertas as inscrições para o Concurso de Seleção para Residência Multiprofissional, de 13 a 15 de outubro de 2010, das 09 às 16 horas, no HUCFF . Coordenação de Atividades Educacionais (CAE), 12º andar.
Taxa de inscrição: R$ 180,00 (cento e oitenta reais).
O depósito deve ser feito no Banco do Brasil - Agência 2234-9, Conta 957.333-X, código identificador 15883-6.
Maiores informações pelos telefones 2562-2862 / 2562-6010

Documentos exigidos:

Original do comprovante de depósito da taxa de inscrição.
[1] Original (para conferência) e fotocópia simples da Carteira de Identidade e do CPF.
[2] Original e fotocópia da carteira do respectivo Conselho OU Cópia da franquia provisória OU do protocolo do registro profissional do Conselho Regional da sua categoria.
[3] Declaração oficial (original e fotocópia), que comprove a frequência regular no último período da graduação, fornecida pela instituição de ensino de origem, com previsão de conclusão da graduação até, no máximo, 31/12/2010.

Um outro detalhe que faltou no edital: Os candidatos deverão estar formados a no máximo dois anos.
Quer conferir o edital? é só clicar e fazer o download neste Link

Hasta La Vista

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Prova Comentada - Fisioterapeuta PM RJ Pediátrica e Neonatal 2010 Quatões 11 a 20

Questão 11
Considerando a teoria dos sistemas dinâmicos, ao observar uma criança diplégica engatinhando, verificamos variações em seu padrão de movimento a medida que a tarefa é realizada. Dentre os parâmetros que estarão influenciando tal modificação podemos indicar
(A) espasticidade ao movimento e comprimento dos membros.
(B) velocidade e freqüência da oscilação dos movimentos.
(C) comprimento dos membros e velocidade do movimento.
(D) compreensão da tarefa e espasticidade ao movimento.

Esta questão é sobre teorias do controle motor. Atualmente, a teoria dos sistemas dinâmicos tem sido muito discutida por conseguir responder várias questões a respeito do desenvolvimento motor. De acordo com esta teoria, é através da autoorganização entre outros princípios. que se pode entender a emergência de novas formas de comportamento sobre a ação do tempo real no curso do desenvolvimento. Complicado? Também achei. Pra ser sincero,fiquei entre as alternativas A e D. Porém a explicação é complexa demais para ser exposta em uma única postagem. Mas qum quiser aprender um pouco mais, pode acessar os links abaixo:

DESENVOLVIMENTO MOTOR NA TEORIA DOS SISTEMAS DINÂMICOS

Controle Motor: Estrutura Teórica

Questão 12
No tratamento de crianças com artrogripose múltipla congênita, para facilitar a aquisição de tarefas do desenvolvimento, alem de outras condutas, são indicados a mobilização articular e o alongamento passivo. Com relação a afirmação acima, marque a opção correta.
(A) O alongamento inicia-se ao nascimento e deve ser realizado, forçando-se a articulação alem do limite articular encontrado.
(B) O alongamento inicia-se logo apos o nascimento e deve sempre respeitar o limite final da amplitude de movimento.
(C) O alongamento só poderá ser realizado apos o período de aproximadamente 6 meses de utilização de aparelho gessado.
(D) O alongamento deve ser iniciado somente apos os procedimentos cirúrgicos necessários para não lesar a articulação.

O tratamento da artrogripose é complexo, devido à presença de deformidades em múltiplas articulações e pela rigidez das estruturas periarticulares. Eu encontrei dois artigos que citam que o tratamento é iniciado já nos primeiros dias de vida com a manipulação passiva de todas as articulações contraturadas. (REF1 e REF2) Portanto, se o tratamento deve ser precoce, então concluímos que as alternativas C e D são falsas.
Em relação à alternativa A temos aqui duas afirmações assustadoras:
“O alongamento inicia-se ao nascimento” Ora, não se respeita mais a primeira mamada? A criança já nasce e vai logo pro alongamento? Cruz Credo!; e “forçando-se a articulação alem do limite articular encontrado” Fazer isso em um lactente é pedir pra fazer uma iatrogenia, tanto pelo sofrimento causado à criança quanto pelo risco de fratura. Duvida? Experimenta forçar o seu cotovelo além do limite articular encontrado pra ver o que te acontece...
Portanto o gabarito é Alternativa B

Questão 13
Na avaliação motora inicial da criança com seqüela de espinha bífida aberta, é importante
(A) verificar o nível funcional, independente dos resultados encontrados no teste muscular.
(B) considerar os resultados do teste muscular correlacionando com o nível funcional.
(C) considerar que a forca muscular residual dependerá do nível intelectual encontrado.
(D) verificar o nível intelectual e correlacioná-lo ao nível funcional encontrado no teste físico.

Ok galera, embora seja possível deduzir a resposta com certa facilidade, esta questão levanta uma questão que na prática é altamente relevante para o tratamento. Então vamos começar pelo começo:
Na espinha bífida, ocorre má formação da medula e das raízes nervosas, desta forma, os nervos envolvidos podem ser incapazes de controlar a musculatura correspondente, determinando paralisias em graus variados. Uma das classificações mais utilizadas para o nível funcional em casos de espinha bífida é a Classificação em quatro níveis de lesão: nível torácico, nível lombar alto, nível lombar baixo e nível sacral.
Porém, o Nível Funcional não é necessariamente o nível medular mais baixo onde a função motora está preservada, mas sim, o nível onde os músculos conseguem realizar seu papel de forma funcional. Ex: Eu posso ter um garoto classificado no nível funcional lombar alto, mas que apresenta sensibilidade e até alguma atividade voluntária nos músculos do quadril e joelho, porém não consegue ficar de pé e nem engatinhar por conta de espasticidade (devido a uma medula ancorada) e contraturas articulares. Então, apesar de ter motricidade compatível com a categoria de lombar baixa, estes músculos não são funcionais devido ao encurtamento e espasticidade.
Não sei se confundi mais do que ajudei...
De qualquer forma, vamos analisar as alternativas: Alternativa C e D fazem menção a um tal de nível intelectual (????) como medir nível intelectual em crianças? Teste de QI? Por meio de perguntas sobre a vida e a obra dos filósofos Pré-Socráticos?, ou talvez uma redação sobre a atual perspectiva macroeconômica das indústrias petrolíferas e seu papel no desenvolvimento de tecnologias sustentáveis no século XXI ? Descartem a C e D, por favor...
Em relação às alternativas A e B, acho que a minha longa explicação inicial justifica a alternativa B como correta.
Gabarito: alternativa B


Questão 14
O avanço na medicina tem proporcionado melhores condições de vida para crianças com distrofia muscular. O uso de corticóides tem sido relatado como um recurso terapêutico de grande valor, entretanto a progressão da doença ainda não pode ser evitada. Dentre os recursos terapêuticos utilizados pela
fisioterapia, é correto afirmar que:
(A) exercícios de resistência e alongamentos devem ser estimulados para melhorar a fraqueza muscular e retardar a progressão das contraturas.
(B) exercícios ativos e alongamentos devem ser encorajados e exercícios resistidos desencorajados, em virtude do efeito prejudicial à estrutura muscular.
(C) exercícios ativos e exercícios resistidos devem ser estimulados, desencorajando-se a utilização de alongamentos, em virtude do efeito prejudicial à membrana muscular.
(D) são indicados exercícios ativos livres, resistidos, alongamentos e órteses de posicionamento para melhora da força muscular e retardo dos sintomas.

O termo Distrofia Muscular engloba um grupo de doenças genéticas, que se caracterizam por uma degeneração progressiva do tecido muscular. Em outras palavras, os músculos tornam-se frágeis e se deterioram progressivamente.
Devido a esta fragilidade do músculo, recomenda-se evitar exercícios resistidos e alongamentos intensos pois estes podem acelerar a destruição muscular.
Desta forma, qualquer indicação de exercícios resistidos caracteriza uma resposta falsa. Assim, por simples exclusão chega-se ao gabarito desta questão.
Gabarito: Alternativa B

Questão 15
Durante o processo da doença de Perthes, a terapêutica utilizada e aceita e
(A) manter a mobilidade do quadril tanto quanto possível com o objetivo de prevenir contratura em flexão e adução.
(B) manter a mobilidade do quadril tanto quanto possível com o objetivo de prevenir contratura em rotação e adução.
(C) manter a mobilidade do quadril tanto quanto possível com o objetivo de prevenir contraturas em extensão e adução.
(D) manter a mobilidade do quadril tanto quanto possível com o objetivo de prevenir contraturas em flexão e abdução.

A doença de Legg-Calvé-Perthes é uma necrose isquêmica da cabeça femural. O quadro clínico é caracterizado por claudicação, dor e limitação da ADM principalmente da abdução, extensão e rotação medial do quadril.
Existe uma dissertação de mestrado que faz uma ótima revisão do tema (baixe aqui):
www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5140/.../GuilhermeCarlosBrech.pdf
Eu achei o enunciado desta questão mal elaborado. A doença de Legg Calvé pode ocasionar importante limitação da ADM, principalmente para os movimentos de abdução e extensão de quadril. Porém, quando falamos em contratura em adução e flexão, isto dá a entender que o quadril estaria fixado em uma postura de adução (cruzando a linha média) e flexão. Não creio que isto aconteça. De fato, o que já vi acontecer (e é reforçado pela revisão da dissertação do link) é um bloqueio articular que limita a flexão e a abdução do quadril. – ou seja: estaria ocorrendo um encurtamento ou contratura dos adutores e extensores do quadril, mas não ao ponto extremo de cruzar o plano anatômico destes movimentos.
Sendo assim, Gabarito: Alternativa A

Questão 16
As alterações estruturais anatômicas envolvidas na deformidade em equinovaro congênita são:
(A) deslocamento do navicular, calcâneo e cubóide ao redor do talus.
(B) deslocamento do cubóide, calcâneo e cuneiformes ao redor do talus.
(C) deslocamento do cuneiforme, navicular e cubóide ao redor do talus.
(D) deslocamento do calcâneo, cubóide e cuneiforme ao redor do navicular
.

Segundo o livro “Ortopedia e Traumatologia – princípios e prática”, mais conhecido como “Sizínio”, o Tálus é a principal causa de deformidade em casos de Pé Torto. (assim, podemos excluir a alternativa D, pois ela não inclui o Tálus entre os ossos envolvidos). Aparentemente, as principais alterações estruturais estão relacionadas ao Calcâneo, Cubóide e Navicular. Para responder esta questão, além da decoreba, poderiam ser utilizadas noções de anatomia. Os cuneiformes se articulam com o navicular e não com o tálus, como é sugerido nas alternativas B e C (sendo que na C, o enunciado cita apenas “cuneiforme” sem especificar a qual dos 3.se refere).
Gabarito: Alternativa A

Questão 17
Para evitar a progressão da rigidez do complexo gastrocnemio-soleo em crianças com Distrofia Muscular de Duchenne, o(s) melhor(es) recurso(s) e(são)
(A) sessões prolongadas de alongamentos domiciliares, com varias repetições.
(B) a utilização de órteses tornozelo-pé articulada durante 24 horas do dia.
(C) alongamentos regulares e utilização de órteses de posicionamento noturno.
(D) alongamentos associados ao fortalecimento da musculatura antagônica.

Outra questão sobre distrofia muscular (a banca gosta mesmo deste tema ! ! )
Muito bem, já vimos que em casos de distrofia muscular, existe uma fragilidade do tecido muscular. Assim, é prudente evitar exercícios contra-resistência e alongamentos intensos. Assim, a questão A pode ser eliminada, pois envolve alongamentos prolongados e com várias repetições, o que pode aumentar a chance de lesão muscular. A alternativa B também pode ser excluída pois uma órtese tornozelo-pé articulada 24hs implicaria em peso e resistência para a marcha. Para uma criança com Duchenne, isto certamente aceleraria a degeneração muscular. A alternativa C é bem neutra. Não faz menção à intensidade do alongamento e as órteses noturnas de posicionamento não colocam o músculo sob tensão, o que evitaria as lesões musculares nestes pacientes. Finalmente, a alternativa D faz menção ao fortalecimento dos antagonistas. Embora não cite se este fortalecimento seria ativo-livre ou resistido, o que faz desta alternativa uma resposta aceitável, ainda assim a alternativa C é mais correta.
Gabarito: Alternativa C

Questão 18
No tratamento do bebê com torcicolo muscular congênito à direita, na idade de 4 meses, quais atividades do desenvolvimento motor normal devem ser enfatizadas para o fortalecimento do ECOM alongado?
(A) Rolar de supino para decúbito lateral esquerdo e estimular o controle da elevação da cabeça em prono.
(B) Rolar de supino para decubito lateral direito e estimular o controle da elevação da cabeça em prono.
(C) Rolar de supino para decúbito lateral esquerdo e incentivar o endireitamento lateral da cabeça para a direita.
(D) Rolar de supino para decúbito lateral esquerdo e incentivar o endireitamento lateral da cabeça para a esquerda.

Eu não entendi o enunciado desta questão. A banca não informa se a criança fez ou não cirurgia e no final quer saber como fortalecer (?) o ECOM alongado (?????).
Vou considerar apenas a necessidade de alongamento do músculo e ignorar este fortalecimento (até porquê nenhuma das alternativas envolve atividades que causem contração do ECOM afetado).
Em casos de torcicolo congênito, a cabeça fica inclinada para o lado do músculo afetado e rodada para o lado oposto devido a contratura do ECOM. Portanto, o bebê do caso clínico apresenta-se com a cabeça inclinada para a direita e ligeiramente rodada para a esquerda. Assim, para alongar basta estimular atividades que gerem rotação para direita e inclinação para esquerda. AS alternativas envolvem 3 atividades: Rolar de supino para DL, controle de cabeça em prono e endireitamento lateral da cabeça. Vamos analisar cada uma delas:
#1 Ao rolar de supino para decúbito lateral (considerando uma criança sem disfunção neuromotora), o bebê irá inicialmente girar a cabeça para o lado estimulado antes de iniciar o rolar. Desta forma estimulando o alongamento do componente rotacional do movimento para o mesmo lado do ECOM afetado.
#2 Para manter a cabeça elevada em prono, a criança precisa ativar os dois ECOMs (a ativação de ambos causa extensão capital) de forma controlada e equilibrada. No caso do torcicolo, a tendência será a criança manter a cabeça inclinada e rodada.
#3 Estimular o endireitamento lateral da cabeça. O endireitamento pode ser entendido como uma reação na qual o paciente busca corrigir a orientação da cabeça com o horizonte. Então se você colocar a criança em decúbito lateral direito e a estimular a corrigir a postura de modo que olhe para o horizonte ainda em DL direito, ela tenderá a alongar o ECOM Direito.
Portanto: Gabarito alternativa D


Questão 19
Considerando a artrite idiopática juvenil, e correto afirmar que
I. a hipertermia superficial pode ser usada nessa patologia.
II. exercícios passivos e alongamento são indicados na fase aguda.
III. exercícios com resistência progressiva são indicados na fase subaguda.
IV. o paciente deve ser mantido somente em repouso na fase aguda.
V. exercícios através da isometria são indicados na fase aguda.

Estao corretas as afirmativas
(A) I, III e V.
(B) I, II e III.
(C) II, IV e V.
(D) II, III e IV.

Alternativa I – O calor superficial pode sim ser utilizado para redução da dor na fase aguda da AIJ Fonte: http://www.scielo.br/pdf/rbr/v47n3/09.pdf. No caso da hipertermia, o que é contra-indicado é o uso de calor profundo, pois este poderia estimular ainda mais o processo inflamatório.
Desta forma, alternativa I está correta

Alternativa II – exercícios passivos e alongamentos, podem desencadear dor. De fato, em termos de atividade passiva na fase aguda, apenas a mobilização dentro do limite da dor é recomendada. Portanto, alternativa II está errada

Alternativa III – Sim, atividades resistidas podem e devem ser utilizadas por pacientes com AIJ, fora da fase aguda. Fonte : http://www.sbafs.org.br/_artigos/93.pdf

Portanto, alternativa III é verdadeira

Alternativa IV – Sigo a mesma fonte citada acima... o repouso absoluto é prejudicial a estes pacientes.

Alternativa V – Mais uma vez, pacientes não devem ficar em repouso absoluto. A isometria na fase aguda é recomendada.

Gabarito: Alternativa A

http://www.revistadigitalvidaesaude.hpg.com.br/artv1n3_03.pdf

http://docs.google.com/viewer?a=v&q=cache:_rK4mpq9uCIJ:xa.yimg.com/kq/groups/21505141/918831356/name/II.28_AIJ.pdf+%22artrite+idiop%C3%A1tica+juvenil%22+fisioterapia+fase+aguda&hl=pt-BR&gl=br&pid=bl&srcid=ADGEESjhF0ZATqGAuFRiRPhIocQnLzMR3KZ1w2RtcmBqtWv7K9IRx_cTU9iDaWBcYpYdZGTggIOPzbGokIQm2PebGJld7HSFd2x1BtsOYNLv6AywcCF-pBleJjVj9F_26TsyMuPayuS1&sig=AHIEtbSDt_7K8aI9-9EXUzpGIw4zw1aEdw

http://www.projetodiretrizes.org.br/projeto_diretrizes/015.pdf


Questão 20
A paralisia braquial obstétrica do tipo Erb-Duchenne cursa com déficit funcional principalmente para
(A) rotação medial de ombro.
(B) extensão de punho.
(C) rotação lateral de ombro.
(D) extensão de dedos.

Pacientes com paralisia de Erb Duchenne, apresentam uma postura característica com o braço ao lado do corpo, em rotação interna com antebraço estendido e pronado, conhecida como “postura da gorjeta do garçom”. A paralisia do bíceps braquial é a principal causa desta posição.
Ora, se o braço está rodado internamente, o déficit existente está no movimento oposto a esta postura viciosa. Portanto, o déficit funcional está relacionado a rotação lateral do braço.
Gabarito: Alternativa C

domingo, 19 de setembro de 2010

Palestra Gratuita sobre Equipe Multidisciplinar na Doença de Alzheimer

PALESTRA ONLINE GRATUITA
Devido a complexidade dos sintomas da Doença de Alzeimer, é altamente recomendável que o manejo destes pacientes seja planejado e efetuado por equipe multidisciplinar.
Na próxima semana, dia 21/09, em respeito ao Dia Mundial da Doença de Alzheimer, o site Cuidadores na Web, da ABRAZ (Associação Brasileira de Alzheimer) irá transmitir via web uma palestra com o tema: Equipe Multidisciplinar.
Oportunidade imperdível para aqueles que desejam aprender um pouco mais sobre a dinâmica de uma equipe multidisciplinar no tratamento de pessoas com mal de Alzheimer.

Seguem as informações básicas:

Cuidadores na Web - Dia Mundial da Doença de Alzheimer
Data: 21/9 (terça-feira)
Horário: 21h
Tema: Equipe Multidisciplinar
Médico convidado: Dr. Ivan Okamoto

Acesse o site
CUIDADORES NA WEB. Acompanhe também a comunidade no Facebook ou siga-os no Twitter
PALESTRAS ONLINE
Acreditamos que a informação ajuda as pessoas a entender e aceitar melhor a doença, favorecendo assim o melhor encaminhamento dos pacientes possibilitando uma qualidade de vida mais digna tanto para o portador como para a sua família.
O trabalho da ABRAz consiste em transmitir informações sobre o diagnóstico e tratamento da doença e, também, orientar sobre os aspectos cotidianos do acompanhamento do portador. Dentre as várias atividades desenvolvidas pela ABRAz é possível destacar os grupos de apoio aos familiares, o atendimento pessoal à família e o site.

domingo, 12 de setembro de 2010

Prova comentada - Fisioterapeuta PMRJ, especialidade Pediátrica Neonatal

Hoje volto a postar provas comentadas, deixarei as primeiras 10 questões da prova de pediatria do concurso para fisioterapeuta da Polícia Militar do Rio de Janeiro na especilidade de pediatria.
Logo de cara vale a pena ressaltar que esta prova está muito bem elaborada. De fato me surpreendeu, pois como este concurso foi elaborado pela própria corporação, eu tive sérias dúvidas quanto a qualidade das questões e também quanto a idoneidade do concurso.
Felizmente parece que eu estava enganado. A prova contém questões que fogem da decoreba pura e simples. Além disso, até o momento o concurso segue com transparência. Felizmente....
Na resolução das questões, segue uma breve explicação do raciocínio envolvido na solução do problema, além de links para textos que justificam ou que complementam a resposta. PAra a resolução desta prova, contei com a inestimável ajuda do Mestre Yoda, que entre uma e outra batalha contra as forças do mal intergalático, conseguiu um tempinho pra me ajudar.
Espero que gostem.


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OBJETIVAS
Questão 01 - Extremidades corporais com aspecto cilíndrico associadas ao deslocamento da articulacao do quadril, importantes contraturas e articulacoes rigidas em criancas com a presenca de sensibilidade intacta são caracteristicas de:
(A) Amiotrofia Espinhal do Tipo I.
(B) Acondroplasia Congenita.
(C) Artrogripose Multipla Congenita.
(D) Disrafismo espinhal.

Para responder a esta questão, é interessante analisar cada uma das alternativas.
Alternativa "A". A Amiotrofia espinhal é uma patologia genética, cujas principais características são a perda de força muscular e hipotonia, com a sensibilidade preservada. É importante ressaltar que articulações rígidas e contraturas importantes não fazem parte da apresentação desta doença. Portanto, pode-se concluir que a alternativa A é Falsa.
Alternativa "B". A Acondroplastia Congênita é definida, segundo o site da
Sociedade de Pediatria do Rio de Janeiro, como a forma mais comum de baixa estatura desproporcional, sendo os principais achados: baixa estatura, encurtamento rizomélico dos membros; macrocefalia; tronco longo e estreito, cifose e lordose acentuadas; braquidactilia, dedos fusiformes e dispostos como a formar um tridente. Esta descrição não parece se encaixar no enunciado. Portanto, a alternativa B também é falsa. ( Para saber mais leia uma rtigo de revisão clicando AQUI).
Alternativa "C".A artrogripose múltipla congênita é um transtorno caracterizado por alterações da pele, tecido celular subcutâneo, músculos atrofiados e substituídos por tecido fibrogorduroso, contraturas articulares múltiplas, rigidez e espessamento das estruturas periarticulares e com sensibilidade conservada. A apresentação clínica é típica, com contraturas articulares, geralmente simétricas dos quatro membros os quais parecem atróficos e têm formato fusiforme ou cilíndrico. OPA! Esta definição parece se encaixar. Mas antes de confirmar no cartão resposta, vamos analisar a alternativa D. (leia mais sobre artrogripose acessando o site
portal da fisioterapia e também um artigo da Revista Brasileira de Ortopedia)
Alternativa "D". Segundo os descritores em ciências da saúde (
DeCS) da Biblioteca Virtual de Saúde, a definição de disrafismo é: Defeitos congênitos de fechamento de um ou mais arcos vertebrais, que podem estar associados com malformações da medula espinhal, raízes de nervos, bandas fibrosas congênitas, lipomas e cistos congênitos. Ora, malformações da medula envolvem comprometimento motor e sensitivo. Portanto, alternativa D é falsa.
Desta forma, o Gabarito para esta questão é alternativa C
para saber mais sobre disrafismo espinhal, acesse um artigo clicando
AQUI

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Questão 02 -Os movimentos que podem ser observados em articulacoes distais nas crianças com mielomeningocele em nivel toracico:
I. Sao movimentos reflexos residuais provenientes dos arcos reflexos locais, não controlados por funcoes corticais.
II. Sao movimentos controlados por funções corticais nao interrompidos pela lesão medular.
III. Por sua natureza involuntaria, podem representar uma forca articular deformadora.
IV. Representam um movimento funcional e util para recuperacao funcional da crianca.
V. Por serem um movimento reflexo poucas vezes tem valor para recuperação funcional.

Estao corretas as afirmativas
(A) I, III e IV.
(B) II, III e V.
(C) II, IV e V.
(D) I, III e V.


Esta questão foi muito bem formulada, pois exige do candidato correlacionar o quadro clínico da mielo e suas implicações para a fisioterapia.
A mielomeningocele é uma malformação da medula espinhal e tecidos adjacentes devido a um defeito no fechamento do tubo neural. Os sintomas dependem da localização e do grau da extensão da lesão medular e incluem paralisia abaixo do nível da lesão, luxação do quadril e uma variedade de deformidades nos pés e pernas.
Segundo o enunciado, estamos analisando um caso de mielomeningocele cujo nível de lesão é torácico. Este detalhe é importante, vamos mantê-lo em mente. A medula abaixo do nível da lesão pode não ser mal-formada, preservando assim suas funções, tais como o arcos reflexos. Desta forma, podemos assumir (embora com um certo grau de dúvida) que a alternativa I é verdadeira.
Por se tratar de uma lesão alta, não se deve esperar controle motor voluntário em tornozelo e dedos do pé (segmentos distais). Desta forma, já podemos concluir que a alternativa II é falsa.
Ora, reflexos medulares exarcebados podem levar a deformidades distais. Aliás, a presença de deformidades em supinação e inversão do pé faz parte das deformidades que podem se desenvolver nestes casos. Desta forma, alternativa III é verdadeira
A alternativa V é praticamente auto-explicativa. Atividades reflexas dificilmente tem valor funcional (obviamente existem algumas exceções). Portanto, alternativa V é verdadeira.
Assim, as alternativas I, III e V são verdadeiras.
Gabarito: Alternativa D

Para saber mais:

Abordagem Fisioterapêutica no Trtamento da Mielomeningocele

CARACTERÍSTICAS DE CRIANÇAS COM MIELOMENINGOCELE: implicações para a fisioterapia

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Questão 03 - Uma criança acompanhada pelo programa de saúde da familia de uma cidade do interior, evidenciava lentidão no desenvolvimento da fala e independência motora, mas o menor alcançou a marcha antes de 18 meses. No exame de rotina, aos quatro anos, o agente de saúde observou que o menino demonstrava dificuldades para correr e levantar-se do chão. Em um exame mais minucioso, observou-se discreta queda plantar e hipertrofia de panturrilhas. Que patologia e compatível com a presença desse historico de sintomas?
(A) Paralisia Cerebral do tipo Diplegica.
(B) Espinha Bifida Oculta.
(C) Distrofia Muscular de Duchenne.
(D) Distrofia Muscular de Becker.


Ao ler o enunciado, os achados que mais me chamam a atenção são a hipertrofia de panturrilha e a dificuldade para levantar-se e correr. Sinais clássicos de uma distrofia muscular. No caso de uma diplegia, esperaríamos que ao exame minucioso fossem descritos hipertonia muscular em MMII, reflexos exarcebados e marcha característica de paraparesia. Em relação a alternativa B, a espinha bífida oculta geralmente não apresenta sintomas.
Bem, já sabemos que as alternativas A e B não se encaixam, restam agora a C e D. Porém ambas são distrofias... e agora José?
Na distrofia de Duchenne, os sintomas de fraqueza se iniciam antes dos 5 anos de idade, enquanto que na distrofia de Becker o início é mais tardio.
Desta forma, podemos concluir que o gabarito é alternativa C

Para saber mais:
Portal Saúde Brasil
FisioWeb

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Questão 04 - A sigla “XOTR”, utilizada na avaliação de forca muscular de criancas com meningomielocele, representa, respectivamente:
(A) X, presença de movimento; O, ausência de movimento; T, traço de movimento; R, movimento reflexo.
(B) X, ausência de movimento; O, ocorrência de movimento; T, traço de movimento; R, movimento reflexo.
(C) X, ausência de movimento; O, ocorrência de movimento; T, tônus ao movimento; R, reflexos primitivos ao movimento.
(D) X, presença de movimento; O, ausência de movimento; T, tônus ao movimento; R, reflexos primitivos ao movimento.


Esta questão avalia se você além de tratar crianças com mielomeningocele, também costuma ler notas de rodapé dos livros. Apesar de altamente questionável, a escala de força muscular de 0 a 5 é bastante utilizada em crianças com mielomeningocele, e confesso que nunca tinha ouvido da graduação tipo “XORT”. Não consegui encontrá-la na internet e só encontrei algo parecido em um livro que pesquisei na biblioteca(mas infelizmente não anotei o nome, se alguém tiver a referência por favor deixe um comentário compartilhando).
Mas apesar de tudo, daria para deduzir algumas coisas:
As alternativas C e D estão erradas, pois pacientes com mielomeningocele não exibem reflexos primitivos. Deixando as questões A e B com uma chance de 50% de acerto utilizando o benefício do chute.
Gabrito oficial: Alternativa A

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Questão 05 - Sao sintomas iniciais de insuficiência respiratoria em criancas com Distrofia Muscular de Duchenne:
(A) ganho de peso, sono profundo, pele rosada, anorexia.
(B) cansaco diurno, sono irregular, anorexia e dores de cabeca.
(C) sono irregular, ganho de peso, anorexia, infeccoes pulmonares.
(D) apetite normal, sono diurno profundo, dores de cabeca.

Do ponto de vista respiratório, a Distrofia Muscular de Duchenne freqüentemente segue um curso previsível. Em crianças com doenças neuromusculares, a fraqueza da musculatura respiratória, incluindo o diafragma e músculos da parede torácica, resulta em tosse ineficiente e respiração superficial (hipoventilação). Os principais sintomas de hipoventilação são: sono inquieto, fadiga, dificuldade em despertar do sono, dispnéia, cefaléia matutina, dificuldade de concentração nas tarefas mentais, declínio no desempenho escolar e depressão. Em casos severos, hipersonolência e alterações do estado mental podem ocorrer
Fonte: Distrofia Muscular de Duchene: Complicações respiratórias e seu tratatmento.

O grande problema desta questão está justamente na alteração do apetite. Não consegui encontrar nenhuma referência a este fato. Analisando as alternativas, temos que a alternativa A e C não fazem sentido, pois indicam que o paciente teria ao mesmo tempo anorexia e ganho de peso. A alternativa D também me parece inadequada pois refere sono diurno profundo. Neste caso, eu imagino que sono profundo diurno seria, talvez, um sintoma avançado, e não um dos sintomas iniciais de insuficiência respiratória.
Desta forma, por exclusão, o Gabarito é alternativa B


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Questão 06 - Quanto a osteogênese imperfeita, e correto afirmar que
I. o envolvimento musculoesquelético é difuso com arqueamento dos ossos longos.
II. esclera azulada, disacusia e deficiência de crescimento são sintomas comuns a todos as formas de osteogênese.
III. o tipo II esta freqüentemente associada ao bom prognostico com melhora dos sintomas nos primeiros anos de vida.
IV. exercícios ativos assistidos e exercícios resistidos nao devem ser incorporados a medida que a criança fica mais velha.
V. as crianças devem usar orteses de posicionamento em membros inferiores quando desenvolvem a habilidade de sentar independente.
Estao corretas as afirmativas
(A) I, II e IV.
(B) I, III e IV.
(C) I, II e V.
(D) I, III e V.

A Osteogênese Imperfeita (OI) é um distúrbio hereditário do tecido conjuntivo, caracterizado por fragilidade óssea e com manifestações clínicas muito variadas. Os distúrbios da OI estão associados a escleróticas azuladas, anormalidades dentárias (dentinogênese imperfeita), perda progressiva da audição e história familiar positiva. O esqueleto é qualitativa e quantitativamente afetado, o que explica facilmente as múltiplas fraturas e possíveis deformidades.
Os pacientes de OI são classificados segundos os critérios de Sillence. De acordo com essa classificação, a OI do tipo I é a forma mais branda, o tipo II é o mais grave além de ser a forma clínica mais freqüente ao nascimento, o tipo III é o típico caso de pacientes afetados em grau moderado a grave, já as escleras apresentam-se normais ou levemente azulada e o tipo IV trata-se de pacientes com osteoporose e fragilidade óssea, dentinogênese imperfeita, diminuição da audição e sem escleróticas azuladas

De acordo com os critérios de Silence descritos acima, podemos concluir:
A afirmativa I está correta, a alternativa; a afirmativa II está errada (o tipo III pode não ter esclera azulada e o tipo IV não tem esclera azulada); a afirmativa III está errada, pois o tipo II é o mais grave; a afirmativa IV está errada, pois deve-se sim incorporar exercícios á rotina destes pacientes; e finalmente a afirmativa V está correta, pois existe a recomendação do uso de órteses em crianças que podem sentar.

Desta forma temos como afirmativas verdadeiras apenas a I e a V. Existe aqui um erro da banca. De acordo com o gabarito oficial, a afirmativa II também seria verdadeira. No entanto, na OI do tipo IV, a esclera não é azulada.
Gabarito Oficial (sob protestos): Alternativa C

Para saber mais:
Osteogênese Imperfeita - revisão
FisioWeb
Biótipo da criança com Osteogênese Imperfeita

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Questão 07 - São complicações do tratamento com equipamento de Pavilik na Displasia Congênita de Quadril:
(A) necrose avascular da cabeca femoral, paralisia do nervo femoral e luxação anterior.
(B) necrose avascular da cavidade acetabular, paralisia do nervo femoral e luxação anterior.
(C) necrose avascular da cabeca femoral, paralisia do nervo ciatico e luxação inferior.
(D) necrose avascular da cabeca femoral, paralisia do nervo femoral e luxação inferior.

As complicações associadas com as correias de Pavlik são raras, sendo relatadas a irritabilidade e a dermatite de contato decorrente do uso do suspensório, a necrose avascular do núcleo epifisário proximal do fêmur. Além destas, existe o risco da flexão excessiva de quadris causar a paralisia do nervo femoral e pela possibilidade de ocorrer luxação inferior.
Fonte:
Revista Brasileira de Ortopedia
Portanto, o gabarito é alternativa D

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Questão 08 -A leucomalácia periventricular refere-se a necrose da substancia branca em áreas próximas aos ventrículos laterais, em crianças que sofreram encefalopatia hipóxico isquêmica. Sabendo disso, qual a forma de paralisia cerebral mais comumente associada a esse quadro neurológico?
(A) Quadriplegia.
(B) Hemiplegia.
(C) Diplegia.
(D) Atetose.

Esta questão pode confundir o candidato caso ele não preste atenção no enunciado. A banca está questionando a forma MAIS COMUMENTE ASSOCIADA. Embora a leucomalácia possa causar também um quadro clínico de quadriplegia espástica, existe uma associação muito mais forte com a diplegia. Já a atetose está associada a anóxia perinatal e também a Kernicterus causado pela incompatibilidade do fator de RH.
Gabarito: Alternativa C

Para saber mais:
Leucomalácia periventricular e diplegia espástica: implicações nas habilidades psicolingüísticas
Paralisia Cerebral, Diagnóstico Etiológico

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Questão 09 - Atrofia muscular espinhal e uma doença caracterizada pela degeneração das células do corno anterior da medula, causando prejuízos a vários grupos musculares dentre os quais podemos destacar fraqueza em
(A) grupos musculares proximais membros e esternohiodeo.
(B) grupos musculares do tronco e músculo diafragma.
(C) grupos musculares proximais dos membros e tronco.
(D) musculo esternotireoideo e músculo diafragma.

A atrofia muscular espinhal, também chamada de amiotrofia espinhal progressiva, é uma doença genética caracterizada pela degeneração progressiva dos neurônios motores do corno anterior da medula. Trata-se de uma das doenças neuromusculares mais prevalentes em crianças que estão em tratamento nos centros de reabilitação. Clinicamente, notam-se hipotonia e fraqueza muscular difusas de predomínio nas porções proximais dos membros e arreflexia tendínea profunda. Os músculos respiratórios e paravertebrais (tronco) são caracteristicamente afetados, ao contrário dos músculos faciais e oculares que tendem a ser poupados.
Assim, o gabarito é alternativa C.

Para saber mais
Revista de neurociências

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Questão 10 - Neonatos que necessitaram de reanimação prolongada na sala de parto e realizam respiração espontânea após esse evento, devem ser mantidos em ventilação mecânica por 24 horas ou mais para prevenir algumas alterações.
Indique a alternativa INCORRETA no que tange a esses princípios.
(A) Hiperventilação pulmonar.
(B) Hipertensão pulmonar persistente neonatal.
(C) Edema e hemorragia pulmonar.
(D) Hipoventilação ou apnéia de fundo neurológico.


Não sou nenhum especialista em UTI-Neo, mas alguns conhecimentos rudimentares de terapia intensiva ajudariam a matar esta questão. Analisando a alternativa A, o candidato precisaria saber que o suporte ventilatório é basicamente utilizado em situações nas quais o paciente não é capaz de respirar de forma autônoma. Desta forma, o suporte ventilatório é utilizado para promover a ventilação, e em algumas situações, até mesmo a hiperventilação, e não para preveni-la.
Gabarito: Alternativa A .

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

A Escala de Coma de Glasgow

A Escala de Coma de Glasgow (ECG) é uma ferramenta desenvolvida em 1974 com o objetivo de padronizar o exame do estado de consciência do paciente em coma. Esta escala permite avaliar objetivamente o estado de consciência de uma pessoa, sendo amplamente utilizada como parte da avaliação dos pacientes com TCE, podendo ser aplicada na cena do trauma, na sala de emergência, enfermarias e UTI.

COMO FUNCIONA A ESCALA DE GLASGOW
A ECG é baseada em uma escala de 15 pontos, baseada na abertura ocular, melhor resposta motora e verbal do paciente. Nesta escala, escores progressivamente mais altos indicam níveis maiores de consciência.
Por exemplo: Um paciente profundamente inconsciente receberia uma pontuação “3”, enquanto um outro indivíduo adulto e consciente receberia uma pontuação “15”.
Classifica-se em coma aqueles pacientes com 8 ou menos pontos. Tratando-se de vítimas de TCE, escores de 13 a 15 são considerados um indicador de trauma leve; 9 a 12 pontos, trauma moderado; e um escore inferior a 8 é considerado TCE grave. É importante ter em mente que a ECG limita-se a avaliar o rebaixamento global do nível de consciência, não podendo ser utilizada para identificar a causa do coma, além disso, a ECG sofre influência do uso de álcool, drogas ou sedação e das condições de hipóxia/hipotensão aguda em razão de lesões em outras regiões corpóreas. Sob efeito destas condições, a ECG não reflete a gravidade da lesão encefálica.

Referências

Dissertação de Mestrado

Escala de Coma de Glasgow

Traumatismo Cranio Encefálico/ Fisioweb

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Undousuru - aprenda japonês

Recebi ontem um e-mail de um velho amigo. Ele entrou em contato para dizer que leu meus comentários sobre os personagens de academia na postagem "Nintendo Wii ou academia?" e que estava muito preocupado com a minha saúde. Ele me deu uma bronca, dizendo que eu deveria continuar fazendo exercícios para manter o condicionamento cardiovascular e que esse negócio de ficar deprimido por causa de marombeiros não era coisa se sujeito homem (palavras dele).
Pra me motivarl ele enviou um link para um video do youtube, onde uma simpática senhorita ensina a falar em japonês a expressão "se exercitar" (to exercise).
Achei este vídeo muito legal. Sei que não tem muito haver com fisioterapia, mas vai que um dia você precise atender um japonês... nunca se sabe!
Além de legal, este vídeo é também bastante. . . digamos assim . . . estimulante. Na verdade tão estimulante que além de me motivar a voltar a malhar, também me causou uma vontade súbita de aprender a falar japonês o(^.^)o.
Espero que gostem



UNDOUSURU
o(^.^)o

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Eu bebo xim, ic ! , extou viveeeeendo ic! tem gente que não bebe e eixtá morrendo !


Um estudo recente publicado na revista Alcoholism: Clinical and Experimental Research sugere que o consumo de bebidas álcoolicas tende a diminuir o risco de morrer. A parte mais impressionante disso tudo? A taxa de mortalidade entre os abstêmios é mais elevada do que a dos bebedores pesados, mesmo quando se exclui os ex-alcoolatras (neste caso, eles poderiam borrar os resultados, pois se declaram abstêmios, mas acumulam no organismo os efeitos de anos de consumo pesado de álcool e suas comorbidades).

Beber com moderação, o que é definido no estudo como de 1 a 3 drinks por dia (deve dar algo como de 2 a 6 latinhas de cerveja POR DIA ! – na minha opinião, isso é coisa de bebum profissional) , está associado a menores taxas de mortalidade.

A amostra pesquisada incluiu indivíduos entre 55 e 65 anos que tiveram qualquer tipo de atendimento ambulatorial nos últimos três anos. Os 1.824 participantes foram acompanhados por 20 anos. Pouco mais de 69% dos não-bebedores morreram durante os 20 anos, 60% dos bebedores pesados morreram e apenas 41% dos bebedores moderados morreram.

Estas estatísticas são notáveis. Apesar de beber pesado estar associado a maior risco de cirrose e vários tipos de câncer (particularmente o câncer de boca e esôfago), os bebedores pesados têm menos probabilidade de morrer do que uma pessoa que nunca bebeu.

Ora, a grande incógnita deste estudo é o porque se abster de álcool pode encurtar a sua vida? Poderíamos inicialmente pensar em um viéz de confundimento ou de seleção do estudo, do tipo eu não bebo, portanto não tenho amigos logo me deprimo mais fácil (afinal o álcool é uma droga social), ou em uma suposição mais cínica, a de que os bebedores passam muito tempo ancorados numa mesa de bar e só vão embora de madrugada quando o bar fecha e por isso se expõem menos à violência das grandes cidades. Ou simplesmente a seleção natural: Bebedores realmente pesados morrem antes dos 50 anos (de cirrose, atropelados, coma alcoólico, etc...) e por isso nem chegaram a participar do estudo.

Mas, mesmo após controlar quase todas as variáveis que se possa imaginar, como o status socioeconômico, nível de atividade física, número de amigos próximos, a qualidade do apoio social e assim por diante, os investigadores (uma equipe de seis membros liderada pelo psicólogo Charles Holahan da Universidade do Texas em Austin) constataram que ao longo de um período de 20 anos, a mortalidade foi realmente maior para aqueles que nunca tinham sido bebedores, seguida pelos bebedores pesados e o índice mais baixo entre os bebedores moderados. (VOU VIVER PRA SEMPRE ! ! ! \o/ \o/ \o/ \o/ )

Os autores deste estudo são cuidadosos ao observar que, mesmo que beber esteja associado com uma vida mais longa, isto pode ser perigoso: pode prejudicar gravemente a sua memória e pode levar à quedas, situações embaraçosas, como acordar com o pipoqueiro da praça te chutando ou com a lambida do vira-latas e outros acidentes quase letais (como por exemplo confundir sua esposa com a vizinha do 403 ou descobrir da pior maneira possível a origem do ditado popular: C# de bêbado não tem dono ). Há também o problema da dependência: se você se tornar dependentes de álcool, você pode passar um longo tempo tentando sair da garrafa.
Dito isto, o novo estudo fornece a evidência mais forte de que beber moderadamente não é só diversão, mas bom para você. Então faça como Jaguar, Charles Bukowsky e nosso presidente Lula, mas beba com moderação (1 a 3 drinks por dia), e se beber não dirija o país.

domingo, 15 de agosto de 2010

Jornada Científica APGDS, 2010

Divulgando mais um evento no RJ. Desta vez a VI Jornada Científica da APGDS (Associação de Praticantes do Método GDS), que será realizada no dia 18 de Setembro de 2010, de 09:00 às 18:00 no South American Copacabana Hotel. Endereço: Rua Francisco Sá 90, Copacabana - RJ.

No ano passado, eu tive a honra de participar da V Jornada Científica da APGDS a convite da presidente da associação Renata Ungier. Realmente um evento muito bem organizado, com palestras bem diversificadas e a presença de um convidado Internacional (fato que enriqueceu bastante o evento). Esta é uma excelente oportunidade para conhecer um pouco mais sobre o método GDS.

Se Interessou?
Inscrições e Informações



tel: (21) 2249-4384

Rua Visconde de Pirajá 550/1213 Ipanema, RJ


Valores:

Profissionais: R$ 70,00
Estudantes: R$ 60,00
Sócios: R$ 50,00
Ateliê: R$ 30,00 (cada)

Ateliês práticos:
Pilates e GDS na Dinâmica Gesto/Postura
Consciência Postural para Atores: Uma abordagem GDS
Movimentos Integrativos - A dança das Cadeias Musculares
O jogo das ações e das reações do método GDS
GDS e Dançaterapia: O GDS como eixo norteador, educativo, artístico e terapêutico na dança singular de todos nós.



sábado, 14 de agosto de 2010

Jornada de Pediatria do Hospital Federal de Bonsucesso


Estão abertas as iscrições para a segunda Jornada de Pediatria do Hospital Federal de Bonsucesso/RJ (Antigo Hospital Geral de Bonsucesso).

Como vocês podem perceber pela imagem ao lado, as inscrições são gratuitas. ISSO MESMO ! Sem letras miúdas, sem enganação e sem pedir seu título de eleitor pra se inscrever. Totalmente 0800. Destaco o Workshop de Ventilação Não Invasiva (vagas limitadas).
Vai ter Coquetel de abertura e Lunch Box na hora do almoço (esse é o nome chic daquelas merendeiras de isopor que vem com refrigerante, sanduíche, maçã e um chocolate de tiragosto).

Mas se alguém, assim como eu, acha que isso não é o suficiente pra forrar o estômago, tem a opção de caminhar menos de 200 metros e comer no Habib´s, (Bib esfirra a R$0,59 !!!!), ou se preferir pode atravessar a rua e pedir um Mc Capitalista Feliz no Mc Donald´s, com direito a uma boneca Barbie fabricada por criancinhas chinesas (já que o simpósio é de pediatria, tudo haver).
Interessou? Então garanta já sua inscrição. Veja as instruções abaixo
Para baixar a programação da jornada, clique AQUI e baixe o arquivo
Não tenho certeza, mas por acaso eu avisei que as iscrições são gratuitas??

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Exercícios de Equilíbrio e Propriocepção para o Tornozelo

A entorse de tornozelo é provavelmente a lesão mais comum em esportistas [1], sendo a entorse em inversão o tipo mais freqüente, ocorrendo em cerca de 85% das vezes. Vários estudos demonstram que se não for tratada adequadamente, a entorse de tornozelo pode levar à instabilidade crônica, que pode afetar o desempenho e predispor o atleta ao risco de se lesionar novamente [2-5].
Freeman propôs o termo Instabilidade Funcional (IF) para designar o “falseio” que alguns pacientes referem mesmo após terem completado o programa de fisioterapia [6]. Neste ponto, é preciso diferenciar a IF da instabilidade mecânica (IM), a qual possui uma etiologia anatômica clara. Esta distinção é importante porque Freeman escreveu que o FI estava presente em cerca de 40% das lesões do ligamento lateral do tornozelo, e que esta instabilidade seria causada por déficits dos impulsos nervosos provenientes do tornozelo [6]. Em outras palavras: um déficit envolvendo propriocepção. Vale apena relembrar que a propriocepção é a capacidade de reconhecer como o corpo está orientado no espaço e fazer os ajustes necessários para evitar lesões. Proprioceptores nos músculos que agem sobre o tornozelo fornecem feedback para atingir e manter o equilíbrio. Freeman também sugeriu que este déficit poderia ser permanente, resultando em prejuízo para a estabilização reflexa dos músculos da perna e tornozelo.
Quando estes conceitos são aplicados na prática clínica, torna-se evidente que cabe ao fisioterapeuta elaborar e implementar um programa de reabilitação para tratar estes déficits. Um programa de reabilitação pós entorse de tornozelo deve levar em conta os seguintes fatores: A compreensão da estrutura e função da articulação do tornozelo, seus receptores associados, e seu envolvimento com o sistema locomotor, e no caso de atletas, treinamento específico para atender às demandas do esporte de forma a permitir o retorno pleno a atividade [7] Programas de reabilitação para o tornozelo devem abordar a proteção das estruturas ligamentares, manutenção da amplitude de movimento, fortalecimento da musculatura de suporte e treino de equilíbrio e propriocepção.

PROTEÇÃO DAS ESTRUTURAS
Durante a fase inicial do tratamento, os objetivos são: diminuir o edema e proteger as estruturas danificadas. Diversos têm demonstrado os efeitos prejudiciais do edema sobre a ação muscular reflexa [8]. Ao identificar este problema, o fisioterapeuta deve iniciar o protocolo PRICE (proteção, repouso, gelo, compressão e elevação). Exercícios suaves de amplitude de movimento podem ser iniciados ainda nesta fase.

AMPLITUDE DE MOVIMENTO E FORÇA
Seguindo aos exercícios de amplitude de movimento ativo-livres conforme tolerado, pode-se começar a pensar em atividades contra resistência, pois o ganho de força é também um componente importante para o reforço da propriocepção [9].

Inicialmente, as atividades de resistência podem ser executadas aplicando-se a resistência manualmente, pois assim o fisioterapeuta é capaz de adaptar a sua resistência para alcançar um nível máximo sem dor. Além disso, evita-se o risco de suscitar um movimento inesperado ou inadequado do tornozelo.

Pode-se progredir para exercícios em cadeia cinética fechada (CCF). Neste caso, é importante ter em mente que as atividades em CCF, em oposição a atividades em cadeia cinética aberta, simulam melhor as atividades funcionais do tornozelo. Além disso, equilíbrio e estabilidade também são trabalhados melhor em CCF por meio da co-contração muscular. Um exercício inicial em CCF seria o apoio unipodal independente (ou com ajuda externa mínima) sobre o membro afetado, enquanto movimenta o membro inferior não afetado alternadamente entre a abdução, flexão e extensão, de preferência sem tocar o solo entre um movimento e outro. Isto exige a adaptação a mudanças no centro de gravidade sobre uma base relativamente pequena de apoio.

Em seguida, pode-se progredir para a utilização da prancha de equilíbrio com os olhos abertos e depois fechados para minimizar o efeito do feedback visual. Lembrando que atividades de força também podem ser feitas em CCF.



REABILITAÇÃO ESPECÍFICA PARA O ESPORTE
No caso de estar tratando atletas, o objetivo da fase final do programa de tratamento é a segurança de retorno ao esporte com o menor risco de nova lesão. Assim, o fisioterapeuta deve examinar de perto o desporto do atleta e tentativa de replicar as suas exigências, tanto quanto possível na reabilitação.

Quem quiser ter mais idéias sobre exercícios de propriocepção, tem uns videos muito bons no youtube. No video seguinte, dá pra ver alguns exercícios básicos para tornozelo. Quem já tem experiência em fisio desportiva provavelmente não vai achar nada de mais. Mas mesmo assim recomendo assistir. Não só pelo conteúdo mas principalmente pela trilha sonora. Aumenta o volume pra ouvir Back in Black do AC/DC ! ! ! ! !


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O video seguinte tem uma seleção de exercícios que eu não conhecia e que achei muito interessantes. O vídeo começa os som do bom e velho Ozzy Osbourne. Pena quea segunda música não segue o mesmo gênero musical... bom, não tenho do que reclamar. Podia ser pior. Podia ser música sertaneja.




REFERÊNCIAS


[1] Garrick JG, Requa RK. The epidemiology of foot and ankle injuries in sports. Clin Sports Med 1988;7(1):29-36.

[2] Diamond JE. Rehabilitation of ankle sprains. Clin Sports Med 1989;8:877-891.

[3] Bernier JN, Perrin DH, Rijke A. Effect of unilateral functional instability of the ankle on postural sway and inversion and eversion strength. J Athlet Train 1997;32(3):226-232.

[4] Lentall G, Baas B, Lopez D, et al. The contributions of proprioceptive deficits, muscle function and anatomic laxity to functional instability of the ankle. J Orthop Sports Phys Ther 1995;21(4):206-215.

[5] Rozzi SL, Lephart SM, Sterner R, Kuligowski L. Balance training for persons with functionally unstable ankles. J Orthop Sports Phys Ther 1999;29(8):478-486.

[6] Freeman MA. Instability of the foot after injuries to the lateral ligaments of the ankle. J Bone Joint Surg 1965;47B(4):669-677.

[7] Molnar ME. Rehabilitation of the ankle. Clinics in Sports Medicine, 1988;7(1):193-204.

[8] Tropp H, Ekstrand J, Gillquist J. Stabilometry in functional instability of the ankle and its value in predicting injury. Med Sci Sports Exerc 1984;16(1):64-66.

[9] Newton RA. Joint receptor contributions to reflexive and kinesthetic responses. Phys Ther 1982;62:22-29.

LINKs

http://scoretrain.com/balancetraining.aspx


Como diria Keith Richards:

"todo mundo deveria nascer com uma guitarra,
haveriam menos suicídios no mundo"

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Exercícios e artrose de joelho - ligando evidência e prática

A revista Physical Therapy iniciou em janeiro de 2010 uma série de artigos que investiga temas de reabilitação baseando suas discussões e conclusões em evidências científicas. Esta proposta chama-se Linking Evidence and Practice , o que pode ser traduzido como Ligando Evidência e Prática. Esta é a tradução livre do segundo artigo, o qual tenta responder a uma questão bastante simples: Exercícios podem ajudar um paciente com artrose moderada bilateral de joelhos?
acesse o artigo original em inglês clicando AQUI,
e leia a tradução do primeiro caso LEAP sobre agudização da DPOC


INTRODUÇÃO
A osteoartrose, ou simplesmente artrose é uma das principais causas de deficiência, particularmente na população idosa. A dor e a limitação funcional são as principais queixas dos pacientes. Diretrizes internacionais recomendam o tratamento conservador como conduta inicial, incluindo uso de medicamentos, exercícios, orientações e perda de peso. Neste contexto, os exercícios são utilizados para tratar problemas específicos como a redução da amplitude de movimento, limitação de atividades, e adiminuição da força muscular e do condicionamento aeróbico.

Leve uma lição para casa
Fransen e McConnell realizaram uma revisão sistemática Cochrane para avaliar os benefícios do exercício na osteoartrose de joelho considerando 2 critérios básicos: dor e função física (Tab. 1). Nesta revisão, foram incluídos 32 ensaios clínicos quase-randomizados controlados que comparam os exercícios a uma intervenção sem exercícios. Os resultados mostraram pequeno benefício dos exercícios na redução da dor e na melhora da função física. Pelo fato dos estudos variarem enormemente na modalidade e dosagem de exercícios, não foi possível sugerir uma estratégia de exercícios ótima. Entretanto, pode-se afirmar que a maioria dos estudos ofereceu um programa baseado no fortalecimento, com ou sem exercícios de amplitude de movimento ou aeróbicos. Observou-se que o fortalecimento muscular dos membros inferiores, os exercícios aeróbicos, ou uma combinação dos dois parecia ser igualmente eficaz para a melhoria da dor e função física.


Tabela 1- Exercício para a osteoartrose do joelho: Resultados da Cochrane Review
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- 32 Ensaios clínicos controlados, randomizados e quasi-randomizados foram incluídos, 3.616 participantes forneceram dados referentes a dor e 3.719 participantes para a função física auto-relatada.
- Os participantes destes estudos preencheram os critérios diagnósticos de artrose de joelho estabelecidos pelo American College of Rheumatology ou relataram dor em joelho e foram recrutados na comunidade ou em clínicas de ortopedia, reumatologia e fisioterapia.
- Os estudos compararam exercícios com qualquer outra intervenção que não envolvesse exercícios (mais comumente: sem tratamento/ fila de espera ou programas de orientações). Os programas de exercícios variaram bastante em relação à execução (individual VS em grupo), tipo de exercícios e intensidade. 20 estudos incluíram exercícios de fortalecimento, e 9 incluíram exercícios aeróbicos em seus programas de exercícios.
- Somente os dados da avaliação mais imediata após o período de tratamento foram relatados. Em geral, os exercícios proporcionaram pequeno benefício em reduzir a dor e melhorar a função física
Dor:
Houve um benefício pequeno, porém estatisticamente significativo a favor dos exercício (Média da diferença = 0,40, intervalo de confiança 95% = O,30 - 0,50). A escala mais comum para mensuração da dor foi a sub escala de dor do Western Ontario e McMaster Universities Osteoartrite Index (WOMAC) (15 estudos), seguido pela escala visual analógica (9 estudos).
Função física auto-declarada
- Houve um pequeno e benefícios estatisticamente significativos para o exercício (media da diferença = 0,37, intervalo de confiança de 95% = 0,25-0,49). A mensuração da função física foi feita mais freqüentemente utilizando a sub escala função física do WOMAC (17 estudos)." De um modo geral, o tipo, intensidade e dosagem dos exercícios não influenciaram os resultados, exceto que um maior número de sessões de contacto entre fisioterapeutas e pacientes aumentou o efeito do tratamento.
- Estudos com desenhos mais rigorosos (por exemplo, estudos cegos, com amostra maior) produziram efeitos menores, embora ainda estatisticamente significativos
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Esta revisão tinha algumas limitações: Somente estudos em inglês foram incluídos, e apenas os resultados de curto prazo foram analisados (sem follow up). Ensaios clínicos randomizados, publicados desde a revisão Cochrane de 2008 encontraram efeitos benéficos similares a favor dos exercícios. Entretanto, uma revisão sistemática que investigou os benefícios a longo prazo mostrou que o exercício não tem um efeito significativo na dor ou na função física após 6 meses (isto é: os pacientes do estudo só praticaram exercícios durante o período de estudos, sendo reavaliados 6 meses após interromper as atividades), salvo quando sessões extra de exercícios foram aplicadas (ou seja, retornou ou manteve os exercícios após o término da pesquisa)

Exercícios podem ajudar este paciente?
Sr. S é um homem de 55 anos, com história de dor bilateral em joelhos nos últimos 3 anos, de caráter progressivo, sendo pior à esquerda. Ele informou que nos últimos 3 meses estava trabalhando em tempo integral, sentado em uma mesa na maior parte do dia (trabalho sedentário), seu peso aumentou 10 kg e seus sintomas pioraram significativamente. O Sr. S relatou a dor em joelho esquerdo como sendo 6 de 10 na escala visual analógica (Tab. 2), ele estava usando uma bengala para caminhar e tinha sintomas à noite, rigidez matinal que se resolvia após cerca de 15 minutos, e sintomas que se pioravam ao longo do dia .

Sua dor era agravada por andar mais de 15 minutos, ao subir ladeiras e também por longos períodos sentado. O Sr. S encontrou alívio usando uma bengala, movendo seus joelhos quando sentado, e tomando em doses regulares de um medicamento anti-inflamatórios não esteróides e paracetamol, As radiografias mostraram uma diminuição do espaço articular na região medial do joelho, com formação de osteofitos. Em geral, sua apresentação foi consistente com artrose moderada.

O Sr. S informou que tinha ligeira dificuldade em realizar suas atividades diárias. Na escala funcional paciente-específica (Patient-Specific Functional Scale ), que vai de 0 a 10, onde uma pontuação de 0 indica "incapaz de realizar a atividade" e 10 "capaz de realizar a atividade no mesmo nível que antes", ele identificou três atividades que ele tinha dificuldades: caminhar em uma superfície plana, subir ladeiras, e permanecer sentado (Tab. 2). O Sr. S não tinham limitações na ADM do joelho, porém relatava dor ao final do arco de flexão do joelho esquerdo. A extensão do joelho foi ligeiramente mais fraca do lado esquerdo. Ele também tinha encurtamento muscular na panturrilha e isquiotibiais, mais evidentes à esquerda.

Como os resultados da revisão sistemática Cochrane se aplicam ao Sr. S?
Os exercícios são recomendado como parte dos cuidados iniciais para a artrose, e os resultados da revisão Cochrane apóiam a utilização de exercícios. O próprio Sr. S afirmou que não tinha rotina regular de exercícios, e que seu objetivo era adotar um regime de exercícios adequados que pudessem ajudá-lo a melhorar sua habilidade de andar e diminuir sua dor.

O Sr. S começou um programa de exercícios que incluíram fortalecimento de quadríceps e glúteos e alongamento dos músculos da panturrilha e isquiotibiais. A dosagem para o fortalecimento e alongamento foi baseada nos achados do exame físico, e os exercícios foram progredidos para exercícios funcionais com aumento da resistência, conforme ele melhorava. Estes exercícios incluíram exercícios de sentar e levantar, exercícios no step com ênfase no bom alinhamento dos membros inferiores, e exercícios de resistência para o músculo glúteo médio na posição em pé com um Thera-Band azul.* Após quatro semanas, ele foi capaz de iniciar um programa de caminhada, começando com 20 minutos em dias alternados, e progredindo 5 minutos caso não houvesse piora dos sintomas, até o momento que pudesse tolerar confortavelmente 45 minutos, ele também conseguiu uma bicicleta estacionária emprestada e foi incentivado a usá-lo por no máximo 20 minutos, 3 vezes por semana. Ao longo deste período, o Sr. S recebeu informações sobre a osteoartrose e a importância dos exercícios e da perda de peso.

Quão bem os resultados da intervenção prevista para o Sr. S coincidem com aqueles sugeridos na revisão sistemática?
Após oito semanas de fortalecimento, alongamento, caminhada e exercícios de bicicleta, o Sr S relatou uma diminuição na sua dor. Sua função física melhorou. A diminuição da dor na escala analógica visual e a melhora na função física na Escala Funcional Paciente-Específica foram maiores do que a diferença mínima clinicamente significativa para cada escala (Tab. 2). O Sr. S relatou que agora ele era capaz de caminhar por quase uma hora antes de precisar descansar e raramente precisava usar a bengala.

Você pode aplicar os resultados da revisão sistemática Cochrane aos seus próprios pacientes?
Os achados da revisão Cochrane aplicam-se bem ao Sr.S. Ele tinha déficits específicos que poderiam ser resolvidos com exercícios, além disso, ele estava entusiasmado por um programa de exercícios para melhorar a sua condição. Como uma pessoa de meia idade cujos sintomas eram moderados, porém agravados pelo estilo de vida (o sedentarismo e aumento do peso), o Sr. S é um paciente típico com osteoartrose. Portanto, os benefícios de exercício podem ser esperados de pacientes que seguem um programa de exercícios. A revisão Cochrane mostra que as variações do tipo de exercício, do conteúdo e dosagem não influenciam os resultados, o que significa que os fisioterapeutas podem adaptar os exercícios para o paciente individualmente (por exemplo, programas de exercícios domiciliares Vs academia de ginástica, exercícios de fortalecimento versus exercícios aeróbios vs tai chi).

O que pode ser recomendado com base nos resultados desta revisão sistemática?
Pacientes com osteoartrose de joelho muitas vezes experimentam dor e problemas em atividades que envolvem o membro inferior ou posturas prolongadas (por exemplo, sentar-se), bem como a rigidez após uma noite de sono. Exercício podem ajudar estes déficits específicos. A osteoartrose de joelho é também uma condição potencialmente deteriorizante e sem tratamento curativo. Portanto, os pacientes com osteoartrose de joelho podem se beneficiar de exercício no manuseio desta desta condição a longo prazo. É papel do fisioterapeuta prescrever exercícios adequados aos objetivos do paciente, estilo de vida e estado geral de saúde, além de garantir que o programa de exercícios seja progressivo e desafiante. Os benefícios dependem da adesão do paciente ao programa de exercícios. Até o momento, evidências mostram que, embora o exercício sejam benéficos a curto prazo na redução da dor e melhorando a função física, estes benefícios podem não persistir no longo prazo. Portanto, estratégias para aumentar a adesão a longo prazo para o exercício, como a adição de sessões de reforço, podem ser necessários para maximizar os benefícios do exercício para pessoas com artrose do joelho.

Taí o resultado da intervenção de fisioterapia :
o Sr. S todo feliz da vida, tirando a maior onda de tiozão surfista

domingo, 8 de agosto de 2010

Fisioterapeutas no Haiti após o terremoto: Buscando um equilíbrio entre serviços humanitários e pesquisa

Esta é a tradução livre de trechos do editorial da revista physical therapy de julho de 2010. O autor do texto original chama-se Michel D. Landry. Ele é membro do Instituto de Reabilitação de Toronto (IRT), e trabalha em parceria com a fundação “Healing Hands for Haiti” (http://www.healinghandsforhaiti.org/) em uma unidade de reabilitação de lesões medulares sediada no Haiti para o tratamento dos sobreviventes do terremoto.


Fisioterapeutas no Haiti após o terremoto: Buscando um equilíbrio entre serviços humanitários e pesquisa


Em 12 de janeiro de 2010, um terremoto de 7,0 graus na escala Richter devastou a pequena nação caribenha do Haiti. Poucas horas após o evento um grande fluxo de ajuda humanitária começou a chegar a capital Porto Principe (Port-au-Prince), por via aérea, marítima e terrestre (através da República Dominicana). Seis meses após o evento, muitos dos detalhes ainda permanecem "preliminares", no entanto sabe-se que pelo menos 220.000 pessoas morreram, e apesar desta incrível contagem, acredita-se que as taxas de mortalidade seriam ainda maiores caso a comunidade internacional não respondesse tão rapidamente. Entre os profissionais que participaram do esforço global pelo Haiti haviam fisioterapeutas de todo o mundo.


MORTALIDADE REDUZIDA RESULTA EM MORBIDADE AUMENTADA
A missão principal das equipes era a de salvar vidas. No caso do Haiti, observou-se que taxas de mortalidade relativamente baixas geraram taxas de morbidade altas (ou seja: muitos sobreviventes sequelados). Estima-se em cerca de 300.000 o número de pessoas feridas durante o terremoto. Entre 2.000 a 4.000 pessoas sobreviveram com amputações, mais de 200 sobreviveram com lesões medulares, e milhares com fraturas. O fato é que o terremoto criou uma população de deficientes físicos. Mesmo antes do terremoto, o Haiti já era um ambiente bastante hostil para o deficiente, tanto no plano social quanto de uma perspectiva estrutural/arquitetônica. A destruição que este terremoto causou fez da acessibilidade e do alojamento para estas pessoas uma questão ainda mais crítica (Fig. 2). Esta demanda por reabilitação não pode ser ignorada. Desta forma, criou-se uma responsabilidade ética e moral da comunidade internacional para também prestar serviços de reabilitação adequados, de forma a garantir algum nível de qualidade de vida para estes indivíduos.

Antes do terremoto, por exemplo, haviam poucas pessoas no Haiti com TRM. Devido à baixa prevalência desta condição, poucos locais no Haiti atendiam lesados medulares. Além disso, os profissionais de saúde haitianos tinham pouca experiência com lesões tão complexas. Em comparação com os EUA, que iniciaram sua experiência em reabilitação de traumatismos medulares quando os soldados retornaram após a Segunda Guerra Mundial. Desta forma, os conhecimentos no tratamento das lesões medulares na América do Norte têm sido desenvolvidos ao longo dos últimos 65 anos, enquanto que no Haiti somente após janeiro de 2010.


NÓS PRECISAMENOS DE EQUILÍBRIO ENTRE OS SERVIÇOS HUMANITÁRIOS E PESQUISA
Pode parecer prematuro sugerir a necessidade de pesquisas, dado que muito sofrimento ainda existe no país. No entanto, é preciso compreender melhor os efeitos do terremoto do Haiti. Há duas áreas principais de investigação científica que devem ser realizados neste contexto:
A primeira linha de investigação deveria explorar os tipos de lesões que ocorreram como resultado direto do terremoto. Por exemplo, identificar o perfil clínico das pessoas que sobreviveram ao terremoto e principalmente daquelas que sobreviveram com TRM proporcionaria importantes insights sobre a etiologia e o mecanismo das lesões que ocorrem em um desastre desse tipo. Baseados apenas em nossa experiência junto a HHA, suspeitamos que muitas dos sobreviventes com TRM são jovens (menos de 30 anos), possuem poucas co-morbidades, e apresentam lesões vertebrais nos segmentos tóracicos baixos ou lombares altos.
Acreditamos que poucos indivíduos com lesões cervicais sobreviveram, pois somente os menos graves poderiam resistir à morosidade do processo de triagem e posterior transferência entre as várias instalações em todo o Haiti. O perfil dos pacientes é provavelmente diferente daqueles vistos no Canadá ou nos Estados Unidos, estas características poderiam ser utilizadas no planejamento do socorro a futuras emergências desta natureza. Por exemplo: antes de iniciar a avaliação dos pacientes haiitianos com TRM, acreditávamos que os cuidados com as úlceras de pressão seriam uma área prioritária, porém observamos que as úlceras de pressão (em sua maioria na fase IV) estavam sendo bem administradas, enquanto faltavam cuidados em relação ao intestino e bexiga.
A segunda linha de investigação prioritária está relacionada ao planejamento de alta para as pessoas com deficiências graves. A ausência de familiares (muitos estão desaparecidos ou morreram no terremoto) e a destruição da infra-estrutura dificulta enormemente a alta destas pessoas (Fig. 3).
As ONGs envolvidas nos cuidados às pessoas com lesão medular estão estudando opções e estratégias que vão desde a alta destes pacientes para barracas, a construção de casas independentes e integradas em uma comunidade, ou a criação de grandes instalações que abrigariam grupos de pessoas com deficiência. Esta última opção é vista com reservas pois poderia levar a crer que "institucionalizar" estas pessoas em grandes centros seria um retrocesso ao movimento global de deficiência.
Dado que não há uma solução que seja ideal ou mesmo adequadas em todas as configurações, a avaliação empírica de cada uma dessas opções (e outras) poderia fornecer uma base de evidências para o planejamento futuro.
De forma geral, as conseqüências do terremoto no Haiti podem gerar informações úteis e significativas, as quais poderão ser utilizadas não só para planejar o desenvolvimento futuro do Haiti, mas também para facilitar esse processo em outros países que venham a experimentar desastres naturais nos próximos anos. Em última análise, é nosso papel, como cidadãos globais, trabalhar na solidariedade com os haitianos, mas devemos também compartilhar as lições aprendidas para que possamos melhorar a resposta de emergência. Ao fazer isso, nós podemos buscar algum significado mais profundo para a tragédia no Haiti, honrar a enorme perda de vidas, e oferecer um tributo a todos que agora lutam para recuperar suas vidas enquanto vivem com deficiência.