quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Acupuntura, Fisioterapia e oportunidades

O mercado de trabalho exige do fisioterapeuta o domínio de diferentes recursos terapêuticos. Obviamente não é possível oferecer a formação completa em todos os recursos existentes ao longo da faculdade, sendo que na maioria das vezes é necessário cursar uma pós-graduação para tal. Justamente por esta grande variedade de cursos a escolha da pós-graduação torna-se um problema, afinal de contas o mercado oferece um número sem fim de cursos; podemos dizer que é pós-graduação para todos os gostos e bolsos... e agora, qual escolher?
Infelizmente não tenho como dar uma resposta a este dilema mas posso oferecer algumas informações para tentar ajudar na escolha.
A postagem de hoje é sobre acupuntura. Porém não vou falar sobre os meridianos de energia e nem sobre a teoria dos 5 elementos. Pretendo abordar uma dúvida mais próxima da realidade de muitos colegas, um assunto que pode ser resumido em uma única frase: O investimento em uma especialização em acupuntura vale a pena?

Acupuntura, Medicina Tradicional Chinesa e a Fisioterapia.
Ao contrário do que muita gente pensa, a acupuntura não é a única abordagem de tratamento utilizada na China. Na verdade, ela faz parte de um conceito, ou melhor, de uma filosofia de tratamento muito mais abrangente, a qual envolve dietética, fitoterapia, técnicas de massagem e até exercícios. Todos estes recursos com forte influência da filosofia Taoista, em particular dos conceitos de Yin e o Yang a qual é denominada no ocidente como Medicina Tradicional Chinesa (MTC).
Ao se inscrever em uma especialização em acupuntura, que dura em média dois anos, você também aprende um pouco destes outros recursos da MTC, porém a ênfase é na acupuntura propriamente dita. É importante ter em mente que a acupuntura não se restringe a memorizar os locais onde se deve inserir as agulhas. Nos primeiros meses você deve aprender um pouco de filosofia e teoria energética da MTC. Acredite em mim, é muuuito diferente de tudo o que você já viu na faculdade (mas com o tempo você aprende, ou surta). Acupuntura e oportunidades de trabalho
Na minha opinião, a grande vantagem da especialização em acupuntura está no fato de que o fisioterapeuta fica com praticamente uma segunda profissão. O que quero dizer com isso é que a acupuntura abre um leque de possibilidades que extrapola as indicações tradicionais da fisioterapia, principalmente no que se refere ao tratamento complementar do tabagismo, dificuldades de sono, stress, dores, emagrecimento, isso sem contar com a acupuntura estética.
Uma outra grande vantagem reside no fato e que o desgaste físico do fisioterapeuta em uma sessão de acupuntura é bem próximo de zero quando comparado a uma sessão de cinesioterapia. Além disso, ao contrário de um consultório de fisioterapia que geralmente demanda uma sala com maca, tatame, equipamentos e espaço para os exercícios terapêuticos, um consultório de acupuntura pode ser montado apenas com uma mesa e uma maca. O gasto com material também é outro ponto forte: Um par de luvas descartáveis e uma ou duas cartelas de agulhas descartáveis. O investimento pesado mesmo são os dois anos de curso, o aluguel do consultório (também divulgação e alguns outros cursos em paralelo que podem ser feitos, como por exemplo auriculoterapia.

Acupuntura associada a Fisioterapia
Mas se você quiser incluir a acupuntura em sua sessão de fisioterapia, esta também é uma possibilidade interessante. Já vi trabalhos em congressos falando da acupuntura como pré-cinesioterápico em pacientes com cervicalgia e ombro congelado. Nestes trabalhos, se não me falha a memória, era feita uma sessão de acupuntura prévia, seguida da estimulação de pontos auriculares com agulha para gerar anestesia e possibilitar um melhor desempenho durante a cinesioterapia. Eu me lembro que até brinquei dizendo que a fábrica de TENS estava com os dias contados.
Uma outra técnica interessante é a do agulhamento seco, que não envolve necessariamente a teoria dos meridianos de energia. Trata-se do agulhamento direto dos trigger points, com a intenção de dissolver os nódulos musculares. Eu trabalhei em uma clínica de dor crônica que usava esta técnica, e era impressionante a melhora dos pacientes quando este agulhamento era seguido de uma sessão de fisioterapia envolvendo a compressão isquêmica para inativação ainda maior dos trigger points agulhados.
Li também um trabalho que falava da acupuntura prévia ao tratamento da paralisia facial periférica. Enfim, dá pra ver que é possível combinar a acupuntura e a fisioterapia na mesma sessão de tratamento.

Finalmente
Antes de concluir esta postagem, quero deixar claro que não sou dono e nem professor de cursos de acupuntura e não ganhei jabá de nenhum curso para fazer esta postagem (embora não seja avesso a propostas).
Na minha opinião existem muitas vantagens em se especializar em acupuntura, principalmente para quem se sente atraído pela cultura oriental, e os riscos de se fazer uma especialização de acupuntura são os mesmos de quem faz qualquer outra pós . . . ou seja: não conseguir se inserir no mercado de trabalho. Quanto a isso, o remédio é o mesmo para qualquer profissional, seja ele(a) acupunturista ou não. A inserção no mercado de trabalho depende de uma boa dose de determinação, associada a competência, estratégia de marketing pessoal e sorte, muita sorte (não necessariamente nesta ordem de importância).

Boa sorte e sucesso

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica - Iniciativa GOLD Brasil

A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é um problema importante de saúde pública. Ela é a quarta causa principal de morbidade e mortalidade crônicas nos Estados Unidos e há previsão de que ela assuma a quinta posição em 2020 como uma doença de impacto global, de acordo com um estudo publicado pela Organização Mundial de Saúde/Banco Mundial. Contudo, a DPOC não recebe atenção adequada da comunidade de saúde e dos representantes do governo. Com tais preocupações em mente, um empenhado grupo de cientistas incentivou o Instituto Nacional Norte-Americano do Coração, Pulmão e Sangue (NHLBI) e a Organização Mundial da Saúde a formarem a Iniciativa Global para Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (GOLD). Entre os importantes objetivos da Iniciativa GOLD estão o aumento do conhecimento sobre a DPOC e a ajuda a milhares de pessoas que sofrem dessa doença e morrem prematuramente por causa da DPOC e suas complicações.O link para a iniciativa GOLD Brasil foi gentilmente enviado pela Ana Carolina Cury, fisioterapeuta e colaboradora do blog. O site tem muitas informações legais, como documentos traduzidos para o português sobre alguns pontos importantes do manejo da DPOC. Destaque para o manual de espirometria e para as escalas de dispnéia. Destaque super especial para o guia de pacientes com DPOC, simples, explicativo e essencial para imprimir e oferecer aos pacientes.
Gostou? então acesse a página da GOLD Brasil em http://www.golddpoc.com.br/index.php
ou vá direto aos documentos em http://www.golddpoc.com.br/documentos.php

Bons estudos

domingo, 16 de janeiro de 2011

Video tutorial de Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva - PNF

Quem fez o curso de PNF vai adorar a postagem de hoje.
Encontrei um video na internet com os padrões básicos de escápula, pelve, pernas e braços. Quem já fez o curso de PNF vai poder relembrar muitas coisas, principalmente em relação à postura e a mecânica corporal. Para quem não fez o curso... bem, fica a curiosidade, pois o grande lance do curso (ao contrário do que muita gente pensa) não são os manuseios em diagonal, mas sim o raciocínio clínico de como combinar estes padrões dentro de atividades funcionais.

Este video está em inglês, mas é bastante explicativo para a galera que já fez o curso e quer relembrar algumas posições. Baixe todos os links em uma única pasta, descompacte utilizando o Winrar e depois é só assistir com pipoca e guaraná.

Seguem abaixo os links.
http://www.4shared.com/file/WxRJpFWS/PNF_Pattern_Basicspart1.html
http://www.4shared.com/file/cYqe2OOg/PNF_Pattern_Basicspart2.html
http://www.4shared.com/file/HnngT6yK/PNF_Pattern_Basicspart3.html
http://www.4shared.com/file/o0LMucbE/PNF_Pattern_Basicspart4.html
http://www.4shared.com/file/GqKgD_yW/PNF_Pattern_Basicspart5.html
http://www.4shared.com/file/Khq0fzuk/PNF_Pattern_Basicspart6.html
http://www.4shared.com/file/PKj5MILI/PNF_Pattern_Basicspart7.html

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Enfaixamento de ombro hemiplégico

Olá pessoal,
A principal motivação para criar este blog foi a de compartilhar informações. Nem sempre estas informações são baseadas em ensaios clínicos duplo cegos randomizados.... Mas isso não é motivo para não postar um ou outro macete, não é mesmo? Na postagem anterior, eu falei sobre o ombro hemiplégico subluxado, porém não abordei o mais importante: As possibilidades de tratamento.
O tratamento do ombro hemiplégico utilizando FES é muito bem documentada e existem diversos links disponíveis na web. Porém existe uma outra abordagem, que embora menos efetiva do que o FES, pode vir a ser útil em alguns casos. Na postagem de hoje irei disponibilizar um passo a passo de como fazer o enfaixamento do ombro hemiplégico subluxado.

Material:
#1- Um rolo de atadura de baixa elasticidade.
#2- Uma estagiária disposta a ser cobaia. Como fazer
#1- Inicie o enfaixamento pela parte anterior do tronco, mais ou menos na altura da clavícula, como na figura ao lado. Com uma das mãos, fixe a extremidade proximal da faixa enquanto com a outra mão você traciona para baixo em uma direção diagonal, se preparando para envolver o braço da cobaia.





#2- Envolva o ombro da cobaia com a faixa, dando duas voltas, como na figura ao lado. Um detalhe importante neste momento é não permitir que a faixa se enrole. Uma faixa muito fina pode acabar pressionando o plexo braquial causando dor, e se o paciente tiver alteração da sensibilidade, pode causar uma neuropraxia. Portanto muito cuidado com a tensão aplicada. Ao dar duas voltas, você aumenta a área de contato e distribui melhor a pressão em volta do braço. Outro detalhe: enfaixe até mais ou menos a metade do comprimento do braço.





#3 - Ao término da segunda volta, direcione a faixa em uma direção diagonal superior como na figura ao lado.








#4 - Agora aproveite a direção e passe a faixa pelas costas da cobaia, passando por sobre o trapézio superior contralateral como na figura ao lado.










#5 - Agora passe a faixa envolvendo a axila contra lateral, dando uma volta completa e retornando pelas costas, como nas figuras abaixo.










#6 - Olha que legal. agora que você completou a volta é só prender as duas pontas da faixa com as presilhas e Voilá!

Abaixo as fotos de como a faixa fica em uma vista lateral, anterior e posterior. Se você aplicou corretamente o enfaixamento, sua cobaia acadêmica deverá relatar que sente o ombro tracionado para cima.
Veja na figura abaixo como fica o enfaixamento visto de lado, por trás e pela frente.


É isso aí galera, espero que seja útil.
Hasta la vista

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Subluxação da articulação glenoumeral no AVE

Subluxação no ombro hemiplégico
Após um Acidente Vascular Encefálico (AVE), a dor no ombro e a subluxação da articulação glenoumeral no lado afetado são achados relativamente comuns. A subluxação da articulação glenoumeral ocorre mais frequentemente durante a fase flácida Pós AVE. Acredita-se que durante a fase flácida, o tronco tende a inclinar-se para o lado hemiplégico. Isso acaba levando a uma depressão da escápula. Associado a esta inclinação do tronco, os músculos trapézio e serrátil anterior também se tornam flácidos, fazendo com que a escápula gire para baixo (aproximando o ângulo inferior medialmente), veja a figura abaixo. Sem o tônus normal, o manguito rotador não é capaz de manter a coaptação da cabeça do úmero na glenóideMas não é só na fase flácida que fatores biomecânicos influenciam a subluxação. Durante a fase espástica, o peitoral maior e menor, o rombóide, o elevador da escápula e o grande dorsal podem desenvolver hipertonia, as quais resultam em rotação da escápula para baixo, também causando a subluxação da articulação glenoumeral.

Olha só que interessante:
Em 1959, Basmajian & Bazant afirmaram que o músculo supraespinhoso impedia a subluxação do ombro ao aumentar a tensão horizontal da cápsula do ombro, segurando a cabeça do úmero em contato com a fossa glenóide (coaptação). A partir desta constatação singular, Chaco e Wolf observaram que a subluxação da articulação glenoumeral ocorreu em pacientes com AVE cujo músculo supra-espinhal não respondeu eletrofisiologicamente três semanas pós-AVE. Estes autores também observaram que mesmo com o retorno da ativação do músculo supraespinhoso, a articulação glenoumeral permanecia subluxada por cerca de oito semanas pós-AVE. Este estudo concluiu que a subluxação do ombro pode reduzir-se espontaneamente caso ocorra recuperação funcional motora significativa.
O mecanismo de recuperação parece ser relativamente simples. Apesar do estado de flacidez dos músculos da cintura escapular e também do alongamento da cápsula do ombro, a articulação glenoumeral pode se reaproximar com a recuperação motora.

A figura acima é de um paciente com amiotrofia , mas serve para ilustrar a aparência de uma subluxação de glenoumeral à direita. A grande diferença entre este paciente e um hemiplégico devido AVE seria o fato de que um paciente com AVE apresentaria o ombro direito mais deprimido do que o esquerdo.
Percebam o sinal do sulco à direita, indicando o afastamento da cabeça do úmero da glenóide.

Eu gostaria de ter postado uma imagem demonstrando a rotação escapular associada a subluxação... se por acaso alguém tiver uma ilustração destas e quiser complementar a postagem basta me mandar por e-mail.

Muchas Gracias

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Exercícios terapêuticos em pacientes com Lesão Medular

A medula espinhal é um fino cordão de nervos localizada dentro da coluna vertebral. De uma forma extremamente simplificada, podemos dizer que a função principal da medula é transmitir os comandos do encéfalo para o corpo e também as informações sensoriais do corpo para o cérebro. Uma analogia clássica é comparar os nervos que formam a medula a fios telefônicos. Quando ocorre uma lesão na medula esta comunicação é interrompida, resultando em perda da sensibilidade e/ou da força muscular abaixo do nível da lesão.

Existe uma grande variedade de abordagens fisioterapêuticas que podem ser utilizadas no tratamento de pacientes com lesão medular:
  • Terapia manual – Alongamento muscular e mobilização articular para prevenção de encurtamentos e deformidades.
  • Eletroterapia – O recurso mais difundido é o uso da FES (Functional Eletro Stimulation - Eletro Estimulação Funcional), com o objetivo de estimular a musculatura parcialmente afetada e manter o trofismo e metabolismo nos principais grupamentos musculares abaixo do nível da lesão.
  • Cinesioterapia Respiratória – Dependendo do momento em que este paciente está sendo atendido (fase aguda X fase crônica), do nível de lesão e da necessidade de suporte ventilatório, poderão ser necessárias manobras de tosse assistida, exercícios com incentivadores inspiratórios e manobras desobstrutivas.
  • Exercícios Terapêuticos – com o objetivo de treinar transferências posturais (cadeira de rodas para cama, solo, carro, vaso sanitário), treinamento visando ganhos no equilíbrio de tronco, atividades para desenvolver destreza no deslocamento com cadeira de rodas, fortalecimento muscular e condicionamento cardiovascular (Sim! Treinamento aeróbico com a cadeira de rodas é fundamental!)

Em minhas andanças na web, encontrei um site bastante útil, tanto para acadêmicos de fisioterapia quanto para colegas que pretendem se especializar em fisioterapia neurológica. Trata-se do site http://www.physiotherapyexercises.com/.

Este site contém 950 exercícios e 21 videos. Porém o mais interessante é a interface de busca pelo exercício. Você pode preencher até sete critérios: (1) O nível da lesão, ou se é AVE ou atraso motor, (2) Tipo de exercício - repiratório, fitness, equilíbrio, etc..., (3) Parte do corpo, (4)Equipamento - halteres, theraband, etc... (5) nível de dificuldade (6) faixa etária e (7) se a ilustração mostra o exercício para o dimídio direito ou esquerdo. Você não precisa preencher todos os critérios para fazer uma busca no site.

Um outro recusro muito legal é o de videos, ou melhor: animações em GIF , que demonstra pacientes com diferentes níveis de lesão realizando elevação em long sitting do leito, elevação da cadeira de rodas, rolando, e realizando transferências. Infelizmente tá tudo em inglês, mas não é nada que o tradutor do Google não resolva

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Movimentos do Polegar

Nem tudo se aprende na escola . . .
Ao longo de nossa vida profissional, aprendemos diversas técnicas de tratamento e manobras semiológicas, sendo que muitas delas não são descritas em livros e nem em artigos científicos. Porém não se tratam de conhecimentos ocultos ou apócrifos, mas sim de alguns macetes nascidos da experiência prática de colegas e professores, e que podem ser bastante úteis em nosso dia a dia. Hoje vou compartilhar um destes macetes que aprendi na época em que fui estagiário de um grande Hospital Universitário do Rio de Janeiro.

. . . Certo dia ao acompanhar a visita dos médicos residentes a enfermaria de ortopedia, tive a oportunidade de ver a avaliação de um paciente internado devido a um acidente com vidro estilhaçado. Se não me falha a memória, parece que o sujeito, por alguma razão, decidiu desferir um soco contra uma janela de vidro, o que lhe causou lesões de vasos e nervos. O mais bizarro disso tudo é que este tipo de “acidente” é mais comum do que eu costumava imaginar na época. Já tive a chance de atender outros dois “acidentes” bem parecidos, o que me faz lembrar as palavras de minha falecida avozinha que repetia a mesma frase sempre que assistia a algo de insólito na TV: “- Deus botou limite na inteligência das pessoas, mas não na burrice.”
Mas chega de lembranças de família, voltemos ao assunto.
Lembro-me que o paciente estava internado recuperando-se da microcirurgia de reparação e estava com o braço completamente engessado, sendo que a imobilização se estendia da axila até a mão. A única parte do braço livre do gesso era o polegar, mais ou menos como a figura abaixo.O ortopedista que liderava a visita (que era um professor velhinho de cabelos brancos) se deteve por alguns momentos à beira do leito, e aproveitou aquele caso para ensinar um macete semiológico para avaliar, baseado apenas nos movimentos do polegar, a integridade dos 3 principais nervos do plexo braquial. Este macete já me foi útil algumas vezes, porém nunca o encontrei descrito em nenhum livro ou artigo científico. Decidi então fazer uma pesquisa mais minuciosa e compartilhar este conhecimento no blog.

MOVIMENTOS DO POLEGAR
Parte importante do sucesso evolutivo do ser humano deve-se ao fato do nosso polegar ser capaz de realizar oposição aos demais dedos da mão. Graças a esta característica, somos capazes de manusear objetos e criar ferramentas. Sendo assim, vamos aproveitar o tema e relembrar um pouco dos movimentos do polegar. Segundo o livro Provas de Função Muscular (Daniels & Worthingham), os movimentos do polegar são os ilustrados abaixo:



Porém, vamos nos concentrar apenas em três movimentos bem específicos:

[1] Abdução no plano da mão,
[2] Abdução de 90 graus em relação ao plano da mão, e
[3] Oposição.
Lesões nos 3 principais nervos do membro superior (Ulnar, Mediano e Radial) podem vir a causar a perda de movimentos específicos do polegar. E a avaliação destes movimentos pode dar pista deste comprometimento em um paciente onde não seja possível avaliar a sensibilidade nem a motricidade da mão e antebraço como no caso do sujeito que está todo engessado.

Lesão do Nervo Ulnar
O nervo ulnar inerva o músculo adutor do polegar. Um teste rápido utilizando apenas o movimento do polegar para avaliar um possível comprometimento do nervo ulnar seria pedir ao paciente para deixar o polegar alinhado aos outros dedos, como na figura abaixo
Neste caso, vale também observar se o paciente não faz o sinal ou teste de Froment (mais um daqueles testes ortopédicos obscuros que ninguém conhece). Neste teste, o paciente é solicitado a segurar uma folha de papel utilizando somente o movimento da articulação metacarpofalangena do polegar (exatamente como na figura acima), se para compensar a falta de força, o paciente dobrar a ponta do polegar (utilizando a articulação interfalangeana), caracteriza a fraqueza do adutor do polegar , o que pode ser indício de lesão do nervo ulnar.

Existe um video do youtube demonstrando este teste. O link foi gentilmente enviado por concurso e fisioterapia (MUCHAS GRACIAS!)



Lesão do Nervo Mediano
Pode causar paralisia do músculo oponente do polegar, o qual vai obviamente influenciar o movimento de oponência. Para a testagem clássica, solicita-se ao paciente que mantenha a mão sobre a mesa, com a palma da mão para cima e pede-se que o polegar aponte em direção ao teto, e testa-se a força muscular como na figura abaixo.

Porém no caso de um paciente engessado, pede-se apenas que ele faça a oponência, tanto quanto possível. Lesão do Nervo Radial
O Nervo radial inerva os músculos extensor curto e longo do polegar (os mesmos da tendinite de de Quervain) e pode ser testado pedindo ao paciente fazer abdução no plano dos dedos, ou simplesmente fazendo "joinha" com o polegar.

Estes testes não são 100% exatos. Mas podem ser utilizados para o acompanhamento da recuperação do paciente. Obviamente estes testes só devem ser utilizados em pacientes onde só seja possível avaliar os movimentos do polegar, pois a avaliação completa da sensibilidade e da motricidade é muito mais confiável do que estes testes.

Bom, espero que este tipo de informação seja útil.
Abraços e Feliz Ano Novo

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Respeitável público


Ontem levei minha filha e sobrinhos para assistir ao último espetáculo da temporada 2010 da Universidade Livre do Circo (Unicirco) na Quinta da Boa Vista. Além do show de palhaços, trapezistas e demais artistas, fiquei particularmente impressionado com a participação de dois artistas deficientes físicos. A apresentação deles foi tão incrível que me fez refletir sobre o que é ser deficiente físico, pois a história de vida do Tião (capoeirista) e a apresentação do rapaz paraplégico realmente me fizeram questionar a definição oficial de deficiência.
O termo deficiência pode ser entendido como todo e qualquer comprometimento que afeta a integridade da pessoa e traz prejuízos na sua locomoção, na coordenação de movimentos, na fala, na compreensão de informações, na orientação espacial ou na percepção e contato com as outras pessoas (Artigo 3o do Decreto federal nº 3.298/1999). Caberia, de acordo com esta definição supormos o inverso; isto é, que para não sermos considerados deficientes, não podemos apresentar nenhum dos comprometimentos listados acima? E mais, quais seriam os limites de “normalidade” para definir alguém como tendo uma deficiência? Eu não consigo fazer metade das acrobacias do rapaz com paraplegia, neste caso não seria eu também um deficiente? Minha filha de 4 anos está em tratamento com fonoaudióloga devido a dislalia (um comprometimento da fala que atrapalha o contato com outras pessoas) neste caso seria ela classificada como deficiente?
Obviamente esta minha linha de pensamento não passa de um sofismo barato. De fato definir deficiência é algo extremamente difícil. Justamente por isso tenho tanta esperança na CIF.
A CIF toma em consideração os aspectos sociais da deficiência e propõe um mecanismo para estabelecer o impacto do ambiente social e físico sobre o indivíduo, ou seja: determina que a adaptação da pessoa ao seu ambiente é o ponto central da avaliação.

puxa, comecei falando do circo e terminei com a CIF... mas este é um tema que merece uma postagem exclusiva. Mas por enquanto, vamos ficar com algumas imagens do espetáculo da Unicirco.




sábado, 18 de dezembro de 2010

videos de Exercícios Terapêuticos II

Olá pessoal,
Encontrei outro site com videos gratuitos de exercícios terapêuticos, trata-se do site
"Therapeutic Exercise Videos", que apresenta uma proposta bem interessante. Os criadores do site tem o objetivo de aumentar o sucesso e a satisfação dos pacientes com os exercícios terapêuticos. Segue abaixo a tradução da justificativa deste esforço:

Pesquisas têm mostrado que as pessoas cometem mais erros e aderem menos ao exercício terapêutico, quando lhes são dadas apenas instruções sobre como fazer ao invés de instruções por video.[1-3] Em uma pesquisa, pacientes que receberam apenas instruções tiveram uma taxa de erro duas vezes maior quando comparados aos pacientes que receberam instrução por vídeo [3]. Frustrados por esta limitação, criamos o site TherapeuticExerciseVideos.com.

REFERÊNCIAS

[1] Cherkin DC, et al. Pitfalls of patient education. Limited success of a program for back pain in primary care. Spine 1996; 21:345-55.
[2] Cherkin DC, et al. A comparison of physical therapy, chiropractic manipulation, and provision of an educational booklet for the treatment of patients with low back pain. N Engl J Med 1998; 339:1021-9. [CLIQUE AQUI PARA BAIXAR]
[3] Reo JA, Mercer VS. Effects of live, videotaped, or written instruction on learning an upper-extremity exercise program. Phys Ther 2004; 84:622-33. [CLIQUE AQUI PARA BAIXAR]

Pois bem, além de compilar informação e disponibilizar o link, gostaria de deixar também algumas observações:

Primeiro: Este blog é direcionado a estudantes e profissionais de Fisioterapia, e estes videos não são de auto-ajuda pela internet, se você tem algum problema e quer se tratar, consulte um fisioterapeuta antes de iniciar qualquer exercício terapêutico.

Segundo: Alguns destes exercícios são exemplos evidentes de exercícios domiciliares utilizando princípios do conceito Mulligan, Estabilização Vertebral Segmentar e Mobilização Neural, além de técnicas de fortalecimento muscular de grupamentos musculares bastante específicos. Se você é fisioterapeuta, mas não conhece as indicações e danos potenciais da prescrição errada destes exercícios, pense bem antes de indicá-los.


Segue abaixo o link para os 37 videos do site



VIDEOS DE OMBRO

3 videos de alongamento e 6 de fortalecimento

VIDEOS DE PUNHO E MÃO
Por enquanto só tem um

VIDEOS DE CERVICAL E TORAX SUPERIOR
4 videos de alongamento, 1 de isometria e 2 proprioceptivos

VIDEOS TORÁCICA MÉDIA E COSTELAS
Apenas dois videos, um de auto mobilização e outro de fortalecimento

VIDEOS DE LOMBAR E PELVE
1 video de alongamento e 6 de fortalecimento

VIDEOS DE QUADRIL E COXA
2 videos de alongamento e 4 de fortalecimento

VIDEOS DE TORNOZELO E PÉ
1 video de alongamento e 4 de fortalecimento

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Videos de Exercícios Terapêuticos para download

Olá pessoal,
Estou quase terminando algumas de minhas tarefas de trabalho (este fim de ano tá sinistro !!), mas consegui um tempo para não interromper minhas postagens.
Hoje quero deixar links para o download de 62 exemplos de exercícios terapêuticos básicos em video.
Estes videos estão disponíveis para download gratuito no site da apple. Pelo fato de serem arquivos criados para rodar no iPhone, eles estão no formato .m4v . ( Não ganho Jabá da apple, mas se o Steve Jobs quiser doar um iPhone, um iPad ou Mac, eu aceito de bom grado).
Mas voltando ao assunto, pode ser que o seu computador não reconheça esta extensão. Neste caso, recomendo baixar o programa "Total Video Player" no Baixaki .
São exercícios bem simples, e me parece que são exemplos retirados da nova edição do livro de exercícios terapêuticos da Kisner & Colby.
Espero que gostem, abaixo seguem os links.


Mobilização articular - 13 videos

PNF - 5 videos

Exercícios Resistidos Manuais - 9 videos

Exercícios de Amplitude de Movimento - 9 videos

Exercícios de Estabilização I - 6 videos

Exercícios de Estabilização II - 7 videos

Exercícios de Alongamento -13 videos

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Respiração de Biot

A identificação dos ritmos respiratórios patológicos é um dos assuntos mais clássicos em fisioterapia respiratória, além de tema frequente em concursos públicos. Em uma postagem anterior, falei sobre o ritmo de Cheyne-Stokes e hoje abordarei o ritmo de Biot.
Uma dica legal para estudar esta matéria é reler a postagem sobre Cheyne-Stokes e tentar identificar as diferenças entre os dois ritmos, tanto em termos de padrão respiratório, quanto etiologia.
Infelizmente desta vez não consegui encontrar nenhum vídeo para enriquecer a postagem... fico devendo.
Bons estudos


Respiração de Biot

A Respiração de Biot (algumas vezes também descrita como respiração atáxica - embora alguns textos os considerem ritmos diferentes) é uma alteração rara do padrão respiratório, causada por uma compressão do tronco cerebral, levando a disfunção dos neurônios do Grupo Respiratório Dorsal do bulbo[*]. A Respiração ou ritmo de Biot é caracterizada por um ritmo irregular e sem qualquer tipo de periodicidade, podendo ocorrer grande variação de frequência e profundidade, algumas vezes seguidas de apnéia. Pode ser causada por envenenamento por morfina, estupor por hipercapnia, infartos do tronco cerebral, lesões na fossa posterior, meningite e tumores do sistema nervoso central.


[*} Na região bulbar, existem bilateralmente dois conjuntos de neurônios respiratórios, denominados Grupo Respiratório Dorsal (GRD) e Grupo Respiratório Ventral (GRV); o bulbo parece ser o responsável pelo controle da ritmicidade da respiração espontânea, pois a maioria dos neurônios que apresentam periodicidade respiratória está localizada no bulbo



terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Kinesio Tape e Linfedema pós mastectomia

Olá pessoal,
Após os conflitos armados entre polícia e traficantes aqui no Rio de Janeiro, finalmente me senti seguro para sair do meu Bunker subterrâneo e voltar a escrever no blog.
Mas deixando de lado os combates habituais da cidade maravilhosa, hoje vou postar alguns comentários sobre um artigo bastante interessante sobre Kinesio Tape.
Na verdade, trata-se de uma curiosidade. Nos últimos jogos olímpicos vimos muitos atletas utilizando a K-Tape, porém atletas são altamente motiváveis (e sugestionáveis) e nada exclui o efeito placebo nesta população (exatamente como no caso do power balance). Resolvi pesquisar no site PeDro o que existe em termos de pesquisas de alto nível utilizando Kinesio Tape. Irei comentar 4 artigos sobre K-tape. O de hoje é um ensaio clínico em pacientes com linfedema de Membro superior pós mastectomia, comparando dois protocolos de tratamento: No primeiro grupo utilizou-se atadura compressiva de baixa elasticidade enquanto que no segundo grupo utilizou-se a Kinesio-Tape. Em ambos os grupos, além da atadura e do K-tape, os pacientes receberam um protocolo de tratamento.
Deixo também o link para o download do artigo no final da postagem.

A propósito:
Não tenho o curso de K-tape e nem recebo jabá de nenhum curso ou empresa importadora das fitas K-tape (não que eu não aceite pagamento em espécie ou barras de ouro para este tipo de jabá).
Eu ficaria grato se alguém com experiência no uso da K-Tape ou no tratamento de linfedema deixasse comentários e opiniões a respeito.
Pois bem, vamos ao resumo, seguido de alguns comentários:

RESUMO

OBJETIVOS:
O objetivo deste estudo foi comparar os efeitos do tratamento de Terapia Descongestiva Linfática (TDL) e Terapia Descongestiva Linfática-Modificada (TDL-m). A diferença entre as duas intervenções está no uso de Kinesio Tape ao invéz da atadura compressiva de baixa elasticidade padrão.
MATERIAIS E MÉTODOS:
Foi realizado um ensaio clínico randomizado envolvendo 41 pacientes com linfedema devido a câncer de mama unilateral. As pacientes foram aleatoriamente agrupadas no grupo TDL (atadura, N = 21) ou no grupo TDL-m (K-tape, N = 20). A diferença de tratamento entre os dois grupos reside justamente na substituição da atadura padrão pela bandagem tipo Kinesio Tape (K-Tape).
O protocolo de tratamento envolveu cuidados com a pele, drenagem linfática manual de 30 minutos, terapia de compressão pneumática de 1h de duração (40mmHg), e 20 min de exercícios terapêuticos, e a aplicação de atadura ou K-tape de acordo com o grupo de intervenção. Entre as variáveis de desfecho monitoradas, destacam-se o tamanho dos membros, sintomas relacionados com linfedema, qualidade de vida e aceitação dos doentes para o uso de atadura ou k-tape.
RESULTADOS PRINCIPAIS:
Não houve diferença significativa entre os dois grupos em todas as variáveis desfecho (P> 0,05) durante o período do estudo. A circunferência foi reduzida significativamente tanto no grupo atadura quanto K-tape. A aceitação da K-tape foi melhor do que a atadura, sendop que os benefícios referidos peo grupo K-tape incluem maior tempo de uso, menor dificuldade no uso e maior conforto e comodidade (P<0,05).
CONCLUSÕES:
Os resultados do estudo sugerem que K-Tape pode substituir o uso de Atadura compressiva de baixa elasticidade na TDL, e que poderia ser uma opção alternativa para o paciente com linfedema que não tenha se adaptado a atadura. Se o período de intervenção e acompanhamento for prolongado, pode-se chegar a uma conclusão diferente. Além disso, estes dois protocolos de tratamento são ineficientes e levam muito tempo para a aplicação. Um protocolo de tratamento mais eficiente é necessária para a prática clínica.

= = = = = = = = =

Algumas observações:

Os autores calcularam que seria preciso 228 pacientes em cada grupo para uma estatística adequada. Isso indica que os resultados devem ser avaliados com critério e que pra variar novos estudos precisam ser conduzidos, com maior número de pacientes e com um tempo de acompanhamento mais longo.

Foram acompanhados 11 sintomas neste estudo: Sensação de pele esticada, peso, dor, rigidez, dolorimento (soreness), desconforto, calor, sensação de peso, formigamento, fraqueza e dormência. Estes sintomas foram avaliados por meio da escala visual analógica (VAS) de 0 a 10 (0 = nenhum sintoma e 10 = pior possível).
Quatro dos 11 sintomas no grupo atadura (sensação de pele esticada, dor, desconforto e peso) e seis dos 11 sintomas no grupo K-Tape (sensação de pele esticada, dor, rigidez, desconforto, peso e formigamento) foram significativamente aliviados (P <0,05)>

A aceitação da K-tape foi melhor do que a atadura, e os pacientes relataram maior facilidade de uso e maior conforto e comodidade nas atividades diárias. No entanto, houve mais feridas no grupo K-tape. No entanto é preciso enfatizar que um tratamento que cause maior índice de feridas é potencialmente danoso a esta população e deve ser avaliado com bastante critério.
(Retirado o ponto da K-Tape)

Para baixar o artigo original em inglês Clique Aqui
É isso aí pessoal, se não houver mais nenhuma guerrilha urbana eu continuo postando nos próximos dias . . . Hasta La Vista

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Vídeos de exercícios com resistência elástica

Olá pessoal,
Achei um site que pode interessar a muita gente. Trata-se do site de divulgação de um equipamento chamado freestyler, que consiste basicamente de uma prancha com adaptações para acoplar tubos elásticos e que permitem uma variedade de combinação de exercícios. Mas o grande lance deste site é que ele disponibiliza vários vídeos, alguns com sugestões bem interessantes de exercícios que podem ser perfeitamente improvisados sem a tal prancha.
Para acessar a página de download de vídeos, clique no endereço abaixo: http://www.freestylerpro.com/videocenter/Freestyler%20Exercises/
Tem sugestões de exercícios básicos, de reabilitação, dança, e até Pilates !
Veja o video abaixo que eu encontrei no youtube.


Divirtam-se

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Power Balance ou Placebo Balance ? ?

No Hospital em que trabalho eu atendo muitos adolescentes e estou me acostumando a ver coisas estranhas tais como meninos que pintam as unhas de preto, ou que fazem chapinha no cabelo, meninas que nunca tiram o fone do ouvido, e tantas outras coisas que não vale a pena ficar aqui comentando. O fato é que entre tantas bizarrices, o uso das pulseirinhas power balance me passou batido até outro dia.
Uma estagiária me contou ontem que colocou uma destas pulseiras em um paciente atáxico e pasmem! não viu diferença alguma... duh! Resolvi verificar o que existe na internet a respeito disso e descobri que o grande mérito do cara que inventou esse troço é ter a manha de ganhar dinheiro lançando moda e enganando muita gente no melhor estilo "cartilagem de tubarão", "Diet Shake" e o clássico: Facas Ginsu 2000.

Acima, vendedor de power balance do século 19. Os efeitos são os mesmos, a única diferença é que é vendido como xarope

Para saber mais sobre a farsa do power balance, assista a reportagem do detetive virtual abaixo e acesse o excelente texto do site ceticismo aberto, o qual inclusive cita um ensaio duplo cego conduzido com o objetivo de investigar o efeito placebo deste apetrecho.





Mas este assunto rende algumas reflexões interessantes para nós fisioterapeutas.

Primeiramente, que é o efeito do placebo?
O efeito do placebo é um fenômeno no qual os sintomas do paciente são aliviados por um tratamento sabidamente ineficaz (ex: comprimido de açúcar, injeção de soro fisiológico, ultra-som desligado, etc...). Trata-se de uma resposta psicológica ao tratamento. Isso ocorre porque o indivíduo acredita que a intervenção que está sendo aplicada realmente funciona.

Mas como o placebo funciona?
Seres humanos não são máquinas, e as emoções não são abstrações irrelevantes no tratamento de uma pessoa. Sentimentos como esperança, expectativa e confiança, associadas ao medicamento placebo, podem causar em algumas pessoas respostas positivas, como redução da dor e dos sintomas depressivos. Este efeito está associado a mudanças metabólicas em determinadas regiões do cérebro, assim como a liberação de endorfina. (leia o artigo The Functional Neuroanatomy of the Placebo Effect).
É interessante notar que pesquisadores que investigaram o efeito de comprimidos de placebos observaram que comprimidos grandes são mais eficazes do que pequenos, e coloridos são mais eficazes do que os brancos; mostrando que a identidade visual cria uma expectativa que afeta a resposta do paciente.

Placebo e Fisioterapia
Este é um tema bastante polêmico, mas acredito que é impossível desvincular os efeitos obtidos com a fisioterapia dos efeitos obtidos com placebo (a mesma lógica se aplica aos remédios, acupuntura e intervenções invasivas como infiltração de corticóides), ou seja: sempre haverá uma porcentagem de placebo nos resultados de nossas intervenções, principalmente se relacionadas a condições dolorosas.
Considero esta postagem importante, pois atendemos idosos em risco de queda, atáxicos, pacientes com desordens neurológicas que cursam com fraqueza e incoordenação, e que podem ser ludibriadas por este tipo de conto de fadas.
Mas apesar disso tudo, o efeito placebo não é necessariamente ruim (o que é ruim é gastar muito dinheiro comprando pilula de farinha), e nem se trata de charlatanismo. O fato de você atender bem ao paciente, ser atenciosos e passar segurança tem efeitos benéficos e certamente terá seu papel na evolução do tratamento, (Neste sentido, recomendo a leitura do artigo "BASES PSICONEUROFISIOLÓGICAS DO FENÔMENO PLACEBO-NOCEBO: EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS QUE VALORIZAM A HUMANIZAÇÃO DA RELAÇÃO MÉDICO-PACIENTE")

Recomendação de leitura:
Além dos links do texto, vale a pena acessar os seguintes sites:

Revista Cérebro & Mente - Efeito Placebo: O poder da píliula de açúcar


segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Como escolher o tema da monografia.


Você está nos últimos períodos da faculdade e não consegue pensar em nenhum tema legal para o seu TCC? Pra piorar ainda mais as coisas, você deixou pra decidir o tema na última hora? O desespero é tanto que você anda dormindo em cima do tratado de fisioterapia pra ver se consegue alguma ideia por osmose?
Então seus problemas acabaram ! Pois chegou o revolucionário TCC elaborator-escrivator-entregator Tabajara, o único editor de textos que escolhe, escreve, imprime e encaderna o TCC pra você. Mas espere, isso não é tudo! Ligando agora você recebe o exclusivo Skype-professor-sufocator Tabajara, um incrível aplicativo que descobre o número do celular do professor que avaliou seu TCC e faz ligações de hora em hora, com mensagens de voz pré-gravadas implorando por uma nota mais alta.
Se interessou pelo produto? O pior é que também, pena que é zoação minha.
Mas não entre em pânico! O Guia do Fisioterapeuta, em mais um serviço de utilidade pública oferece algumas dicas de como escolher um bom tema pro seu TCC de fisioterapia.

O que é e para que serve um Trabalho de Conclusão de Curso.
Ao longo da faculdade você precisou fazer diversas provas, pesquisas e seminários. Cada um destes testes avaliou seus conhecimentos e competências. Porém mesmo após completar todos os estágios e passar em todas as provas ainda lhe resta uma última tarefa: Redigir um trabalho final, o famoso TCC, que geralmente é uma monografia ou uma pesquisa de campo.
Bem, talvez eu tenha me expressado mal. O TCC não é apenas o trabalho final da faculdade, ele é uma oportunidade (sim, uma oportunidade !!) que o acadêmico tem de aprofundar seus conhecimentos em determinado tema da fisioterapia e defender suas conclusões diante de uma banca. - - - Ok, nem sempre é assim. Já ouvi falar de faculdades que além de dispensar a banca ainda chegam ao cúmulo de permitir que a monografia seja feita em grupo (!!!! BIZARRO !!!!).

Mas distorções da realidade à parte, o fato é que o TCC avalia:

#1- A habilidade do acadêmico de buscar informações relevantes sobre o tema,
#2- A capacidade de sintetizar a informações e redigir um texto em linguagem científica, apresentando os resultados de sua pesquisa de forma clara e organizada.
#3- Demonstrar o domínio do tema, ao defender seus resultados em apresentação oral diante de uma banca examinadora
Na teoria isso tudo é muito bonito, não é mesmo? Mas acho que talvez você esteja mais interessado(a) na próxima parte da postagem.

Como escolher o tema do TCC?
Aqui é onde a porca torce o rabo. Você não precisa fazer mandingas e nem simpatias para escolher um bom tema para o TCC. Deixe as ciências ocultas para quando precisar trazer a pessoa amada em 3 dias. Mas se você realmente não tem a menor ideia por onde começar, recomendo que você leia os 2 itens seguintes, só pra poder se situar.

O TCC deve ser sobre um assunto que você goste.
Ora, nada mais óbvio do que isso. Provavelmente você passará meses pesquisando e escrevendo sobre o assunto escolhido. Na boa, você não precisa transformar o TCC em técnica de tortura medieval. Se vai estudar tanto, que pelo menos seja algo que lhe agrade. Mas para eventuais indecisos, que dizem conseguir gostar de tudo ao mesmo tempo, irei ensinar a fazer um curtômetro (um termômetro das coisas que você curte fazer).

O TCC deve ser sobre um tema possível de ser pesquisado.
Mesmo que você adore Pilates e ache UTI Neo a coisa mais incrível do mundo, nada de sugerir temas loucos como “Pilates em UTI Neo”. Da mesma forma, evite temas que apesar de interessantes, possuem escassa literatura disponível, como por exemplo “Fortalecimento muscular em escolares com Leucemia”, ou “RPG no pós-operatório imediato de artrodese vertebral lombar” - Na verdade, estes temas podem até funcionar como trabalho de campo, mas jamais proponha isso como monografia sem antes pesquisar se existem artigos publicados ou algo nos livros sobre o tema. Pra finalizar tente, se possível, evitar temas por demais polêmicos (a menos que você tenha muita confiança no seu taco e nas argumentações na hora de apresentar o tema pra banca).

Observação importante:
Escolhido o tema, encontre um orientador que entenda do assunto. Mais uma vez isso parece óbvio, mas nem sempre o óbvio é tão óbvio quanto parece. Portanto certifique-se de que seu orientador realmente entende alguma coisa do tema que você escolheu (caso contrário você terá que lidar com um desorientador e estará condenado a fazer tudo sozinho)

O curtômetro
O curtômetro é uma espécie de gráfico baseado em um brainstorm (conhecido popularmente como “toró de idéias”) que te ajuda a decidir os assuntos que mais lhe agradam em fisioterapia. É muito simples de ser feito, e tenho certeza que vai ajudar bastante, principalmente aos indecisos.

Para fazer o seu curtômetro é muito simples, basta seguir as instruções abaixo:
#1- Cruze duas linhas retas perpendiculares, formando um sinal de “+” bem grande
#2- No Quadrante superior esquerdo, escreva todos os assuntos que você gosta de estudar ou que você domina com facilidade. Podem ser técnicas de tratamento ou patologias (ex: Mulligan, Propriocepção, Ventilação Não Invasiva, geriatria, fisioterapia desportiva, DPOC, etc..).
#3- No quadrante inferior esquerdo, escreva todos os assuntos que você curte, mas que você não domina tão bem assim.
#4- No quadrante superior direito, escreva os assuntos que você não gosta, mas que apesar disso você domina ou tem alguma facilidade de aprender.
#5- No quadrante inferior esquerdo, escreva os assuntos que você odeia e que ainda por cima você não tem facilidade e nem a menor vontade de aprender.


Quando terminar, terá um quadro mais ou menos como o daqui debaixo (OBS: este curtômetro é hipotético e não representa aopinião do blogueiro)


Enquanto estiver fazendo o seu curtômetro, irá perceber que a parte do gráfico com as coisas que você tem afinidade irá ficar muito mais cheia do que a das coisas que você não gosta. Não se preocupe, isso é absolutamente normal, pois lembramos mais facilmente daquilo que gostamos.

Interpretando o gráfico
Feito o curtômetro, ao visualizar o lado direito do gráfico fica fácil saber o que você NÃO deverá escolher como tema. O próximo passo é decidir se vai escolher um dos temas que você curte e domina OU um dos temas que você curte mas não domina (Eu recomendaria temas que você curte mas não domina, pois seria uma ótima oportunidade para aprender coisas novas de um assunto que você acha legal).
Agora sugiro que pense em algo envolvendo uma patologia ou disfunção que você colocou no curtômetro (Ex: AVC, LER/DORT, cirurgia de LCA, ataxia, entorse, atelectasia, etc...) Este será o eixo principal da sua monografia.
Também baseado no seu curtômetro, escolha uma intervenção fisioterapêutica que tenha haver com a patologia/disfunção que você escolheu (Ex: kinesio taping, VNI, treino proprioceptivo, alongamento), se quiser, defina também uma população específica (Ex: Atletas, dentistas, idosos, gestantes, pacientes ambulatoriais).
Pronto! Agora você já é capaz de elaborar um esboço do tema da sua monografia, combinando uma patologia/disfunção com uma intervenção e/ou uma população específica. Mas tome cuidado com temas absurdos como Pilates em UTI-Neo! O curtômetro é uma ferramenta de ajuda e não um oráculo de análise combinatória !
Assim, com os resultados do curtômetro, você poderá elaborar um esboço da ideia central da sua pesquisa. Ex: Treino de marcha em pacientes com AVC, OU Exercícios proprioceptivos para prevenção de quedas em idosos, OU Alongamento e ginástica adaptada para gestantes.... e por aí vai.

Por último. Não se esqueça de verificar se existem artigos ou referência na literatura para o tema escolhido, e com o esboço do tema em mãos, consulte seu orientador.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Aulas sobre Terapia Intensiva - UTI compartilhada Einstein


Olá Fisionautas,
Estou divulgando uma série de palestras online do projeto UTI Compartilhada Einstein, organizadas pelo Centro de Terapia Intensiva de Adultos do Hospital Albert Einstein, abordadndo diversos tópicos em terapia intensiva.
Estas palestras serão realizadas entre os dias 3 e 30 de novembro de 2010, das 11:00 às 12:00 (horário ingrato, né?)


O link é http://medicalsuite.einstein.br/uticompartilhada.asp
Segue abaixo a relação de palestras e datas
As palestras de fisioterapia estão assinaladas em vermelho.

09/11/2010
Prevenção de lesões de pele em UTI
Enfermeiras Mariana Franco e Renata Albaladejo Morbeck

10/11/2010
Prevenção de Pneumonia Associada a Ventilação Mecância
Fisioterapeuta Joyce Kelly Barreto


11/11/2010
Suporte Nutricional ao Paciente Grave: Objetivos terapêuticos e formas de administração (via enteral, via parenteral e via oral)
Dr. Leonardo R Ferraz.

12/11/1010
Atuação da Enfermagem na Monitorização.Hemodinâmica
Enfermeiras Andréia Pardini e Neide Marcela Lucínio

16/11/2010
Mobilização precoce, posicionamento e órteses (essa eu faço questão de assistir!!!!!)
Fisioterapeuta Patrícia Alves Pelegrini


17/11/2010
Humanização em Terapia Intensiva e Aspectos de Fim de Vida
Grupo de humanização: Dr. Manes R Erlichman (médico) e Ana Lucia (psicóloga)

18/11/2010
Farmácia – Monitorização de medicamentos (interação medicamentosa, indicadores de qualidade etc)
Representante da Equipe de Enfermagem

19/11/2010
Óxido Nítrico em Terapia Intensiva: aplicações clínicas e formas de utilização
Fisioterapeuta Cilene Saghabi


22/11/2010
Disfunção de Múltiplos Órgãos e Sistemas no ambiente de terapia intensiva
Dr Murillo S C Assunção

23/11/2010
Presença da família na UTI
Enfermeira Débora Puntel e psicóloga Ana Lucia

24/11/2010
Avaliação muscular respiratória e treinamento muscular respiratório
Fisioterapeuta Cilene Saghabi


25/11/2010
AVC – diagnóstico e tratamento
Dr. Antonio Capone Neto

26/11/2010
Atuação de Enfermagem na Terapia Dialítica
Enfermeiras Fabiana Sarmento e Marcele Pesavento

29/11/2010
Monitorização respiratória
Fisioterapeuta Karina Timenesky


30/11/2010
Desafios da Enfermagem em Neuro Intensiva
Enfermeiros Mauro Ricardo Ribas e Carla Andréia Rosa

Esta postagem foi mais uma contribuição da colega Ana Cury,

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

ENTENDENDO A COMPLACÊNCIA PULMONAR

O conhecimento das propriedades mecânicas do sistema respiratório é assunto fundamental para quem pretende atuar com fisioterapia respiratória. No entanto, quando este tema é apresentado pela primeira vez em sala de aula, muitas pessoas costumam dormir, outras entram em choque, algumas sofrem acessos incontroláveis de crise do pânico ou riem histericamente. Mas todo mundo concorda em uma coisa... ninguém entende lhufas.
Para escrever esta postagem contei com a ajuda inestimável de Ana Carolina Cury, fisioterapeuta de Minas Gerais, na primeira colaboração virtual deste blog. Espero que gostem!
Pois bem, a postagem de hoje é justamente a primeira de uma série digitada a quatro mãos, feita especialmente para pessoas que apresentam reações adversas a aula de mecânica pulmonar... hoje começaremos falando de complacência.


AS FORÇAS QUE MOVEM O AR QUE VOCÊ RESPIRA
O sistema respiratório tem várias funções no corpo, sendo a principal delas a troca gasosa e a homeostase. Esse sistema pode ser entendido como um conjunto de tubos e conexões que levam o ar até os capilares pulmonares onde são realizadas as trocas gasosas. Até aí tudo bem, é só uma revisão do que você aprendeu no ensino fundamental.
O que geralmente causa dificuldade na compreensão deste sistema é que esses tubos e conexões possuem propriedades elásticas, e que o sistema respiratório precisa se adaptar a diferentes pressões tanto dentro quanto fora do tórax e têm uma relação muito intrincada com outros órgãos e cavidades do corpo. Para entender melhor estas relações, estudamos a mecânica do sistema respiratório, que é basicamente composto pelo pulmão, vias aéreas e caixa torácica.
Vamos lá então, sem medo de fazer novas sinapses e botar os neurônios para trabalhar. Vamos tentar entender que mecânica é essa!

DEFINIÇÃO DE COMPLACÊNCIA PULMONAR
Toda estrutura elástica tem como propriedade fundamental oferecer resistência à deformação. O pulmão funciona de forma bem parecida. No caso, a capacidade que o pulmão tem de se expandir chama-se complacência.
Para expandir os pulmões é necessário um mínimo de esforço, que ocorre naturalmente, na atividade da respiração. Esse esforço é realizado pelo músculo diafragma e pelos músculos intercostais externos. Quando a capacidade de expandir está diminuída, diz-se que o pulmão tem a complacência reduzida, ou, em outras palavras, um pulmão com a complacência reduzida se expande com mais dificuldade, fica “duro”. A diminuição da complacência é particularmente perigosa, pois impõe um maior trabalho ao sistema respiratório para “abrir” os pulmões e “fazer o ar entrar”. Em uma situação aguda, o paciente pode evoluir rapidamente para a insuficiência respiratória, ou seja, o esforço muscular que ele realiza para respirar passa a não ser suficiente para expandir os pulmões e ele pode para de respirar. Em uma condição crônica, a insuficiência acontece do mesmo jeito (só que a prestação), e com o passar dos anos, o esforço também torna-se imenso dificultando a expansão pulmonar.

Agora vamos começar a complicar um pouco mais:
A definição clássica de complacência afirma que se trata de uma relação entre pressão e volume, ou seja, o quanto o pulmão é capaz de distender-se para acomodar o volume de ar que entra pelas vias aéreas.
É importante ter em mente que associada a variação dos volumes pulmonares ocorre também uma variação da pressão. Na faixa fisiológica normal de variação de pressão (- 5 a - 10 cmH2O) o pulmão é bem distensível, para cada variação de 1 cmH2O ocorre uma variação de 200ml de ar, porém se o pulmão já se encontra expandido, pequenas variações de volume, geram uma grande variação de pressão e impõe maior trabalho aos músculos inspiratórios.
Não entendeu? Faça o seguinte:
#1 – Respire normalmente e perceba o esforço que você faz ao iniciar a inspiração (pulmão em um momento de alta complacência – pequenas variações de pressão = grandes volumes)
#2 – Tente manter a mesma frequência respiratória, só que desta vez respire com o peito bem estufado de ar, sem deixar o ar sair completamente. Perceba como é mais difícil manter a mesma freqüência respiratória quando se está próximo do limite de expansão pulmonar (pulmão em momento de baixa complacência – fica cada vez mais difícil (trabalhoso) respirar (mesmo com pequena variação de volume).
#3 – Agora faça o contrário: solte quase todo o ar dos pulmões, segure só um pouco de ar e tente manter a mesma freqüência respiratória. Esse também é um momento de baixa complacência, se você mantiver isso por algum tempo algumas unidades alveolares entrarão em colapso. Esse outro extremo de volume pulmonar (volume muito baixo = complacência reduzida) também torna a respiração mais difícil.


A CURVA PRESSÃO X VOLUME

Se você chegou nessa parte do post sem ter nenhuma das reações adversas citadas lá no início, as suas chances de ter um ataque de narcolepsia ou de começar a ver duendes verdes agora é mínima. Vamos em frente. Gráficos são amigos, e facilitam muito a nossa vida, vale a pena gastar um pouco mais de tempo analisando as curvas e suas relações.

Tá vendo o gráfico acima? Ele ilustra 3 curvas Pressão X Volume distintas: Uma considerando apenas o Tórax, outra apenas os pulmões e a terceira para o conjunto Pulmões + Tórax (a qual descreve melhor as propriedades do sistema respiratório).

Neste gráfico é possível visualizar um detalhe importantíssimo: A curva Pulmão+Tórax tem um formato parecido com um “S”, indicando que a complacência do sistema respiratório não é constante ao longo do enchimento (ou esvaziamento) pulmonar.

A porção inicial da curva corrensponde a mecânica da parede torácica em com volume pulmonar baixo, nesse volume existem vias aéreas colabadas e é preciso uma pressão mínima para abrir essas vias aéreas. A segunda parte é uma subida quase retilínea, ou seja, os aumentos de volume correspondem a aumentos de pressão. È nessa parte da curva que avaliamos a complacência estática. A inclinação dessa curva é a complacência. A porção final da curva representa a hiperdistensão pulmonar, ou seja, todos os alvéolos estão abertos e a partir daí, com o aumento do volume a variação da pressão é muito pequena.

Percebam que a curva do conjunto Pulmões+Tórax tende a ficar horizontal próxima ao VR,
indicando uma complacência reduzida em baixos volumes (representa um volume pulmonar muito baixo, com vários alvéolos fechados que precisam receber uma pressão inicial para abrir e começar a insuflar.) e também tende a ficar horizontal próxima a CPT (hiperdistensão pulmonar - representa a distensão máxima, com todos os alvélos abertos. Não é possível distender muito o tecido). Nestas duas situações, é preciso uma grande variação de pressão para se obter pequenas variações de volume.

Você acabou de ler a explicação, em temos científicos, do esforço que se sente para tentar insuflar os pulmões quando eles já estão cheios ou para se tentar respirar com o pulmão quase vazio. Acredito que com esta explicação fica fácil de entender porque devemos estar atentos à inclinação da curva do gráfico para identificar quando a complacência está aumentada ou diminuída.

A fórmula matemática que rege essas forças é:
Complacência = Volume / Pressão.



O que pode alterar a complacência?
A complacência pode estar reduzida, causando maior trabalho da respiração para distender todo o sistema e “fazer o ar entrar”. De forma geral, condições que, impeçam a expansão e retração pulmonar diminuem a complacência. São condições que produzem fibrose ou edema ou reduzem a parte funcionante dos pulmões, como atelectasias, derrames pleurais, ascites e escoliose.

Outras situações que diminuem a complacência incluem: congestão dos vasos pulmonares, processo inflamatório alveolar com presença de líquido dentro dos alvéolos (redução do surfactante).

A complacência pode estar aumentada em idosos ou em pessoas com enfisema pulmonar. Nestes casos, há perda de fibras elásticas, e uma vez expandido, o pulmão não volta à posição inicial. Nesse caso, o problema está na expiração, com a redução do recuo elástico, que torna mais difícil a saída de ar.

A mesma propriedade que faz o pulmão ser capaz de se distender na inspiração é a que o faz retornar ao seu tamanho (volume) normal na expiração. O tecido elástico armazena energia e, por isso, a expiração normal não necessita de nenhuma ação muscular. No paciente com enfisema podemos observar esse esforço para expulsar o ar pra fora.
Pois é pessoal, esta foi a primeira postagem colaborativa do blog. Obviamente
não esgota o assunto e nem substitui a leitura de um bom livro de fisiologia
respiratória, mas espero que seja útil e que ajude a compreender melhor este
assunto complexo.

Vida longa e próspera

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Vídeos de padrões anormais de marcha

Deixo hoje um link para o download de um arquivo com vários vídeos com exemplos de marchas patológicas.
Infelizmente o audio está em inglês, mas estou pensando seriamente em dispensar algumas horas do meu dia para legendar alguns destes vídeos.
Espero que gostem,

domingo, 24 de outubro de 2010

RPG Fisio Cartoons

Outro final de semana de chuva aqui no RJ. E desta vez fiquei à mercê da minha filha de 4 anos, que me torturou com requintes de crueldade, me fazendo assistir ao Corcunda de Notre Dame algumas dezenas de vezes.

Um pouco antes do meu espírito sair do corpo pra vomitar (acredite, aquelas canções enjoadas da Disney podem fazer isso ! ), comecei experimentar um estado alterado de consciência, e em meio aos efeitos alucinógenos do desenho animado, me dei conta de um fato curioso de grande importância para a fisioterapia:
Se o Quasimodo é francês, por que ele nunca fez RPG?
Problemas de divulgação da sua clínica?

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Entendendo os Dermátomos

Esta semana me vi obrigado a estudar novamente o mapa corporal dos dermátomos e, como de praxe, decidi aproveitar os resultados dos meus estudos e criar uma postagem para compartilhá-los. De fato este é um assunto que a gente acaba esquecendo caso não pratique ou relembre com freqüência.
Quando estudamos neuroanatomia, aprendemos que os nervos espinhais são formados a partir das raízes nervosas dorsal (sensitiva) e ventral (motora) que se projetam para fora da medula. Pois bem, os músculos inervados por um único par de raízes motoras formam um miótomo, enquanto que as regiões da pele inervada por um único par de raízes sensitivas formam um Dermátomo.

O grande lance dos dermátomos é que cada raiz dorsal (sensitiva) garante a sensibilidade de regiões previsíveis do corpo humano, desta forma é possível criar um mapa corporal. Esta característica tem grande importância para o fisioterapeuta, pois a partir destes mapas é possível estimar, por exemplo, quais raízes nervosas sensitivas foram afetadas em um paciente com TRM, ou identificar qual raiz nervosa sensitiva está sendo comprimida por uma hérnia de disco (radiculopatia).
Em relação ao exame sensitivo, eu particularmente gosto de utilizar os pontos de referência recomendados pela ASIA (Associação Norte-Americana de Lesões da Coluna Vertebral) como forma de avaliação rápida. Obviamente, caso seja necessário, pode-se utilizar uma avaliação mais completa, pesquisando a descriminação de dor e temperatura. A descrição dos pormenores da avaliação sensitiva foge ao objetivo desta postagem, mas quem quiser aprender mais existe o site da Liga de neurocirurgia, com a descrição desta avaliação (acesso altamente recomendável!!!). Nos mapas, as fronteiras entre os dermátomos são geralmente bem definidas. No entanto estas fronteiras são apenas didáticas, pois existe uma considerável sobreposição de inervação entre dermátomos adjacentes. Além disso, é possível encontrar diferenças entre os mapas de dermátomos, mas de forma geral são diferenças discretas que não comprometem a acurácia da avaliação neurológica. .

Veja o mapa aqui em cima. Em verde temos os dermátomos originados nas raízes da coluna cervical, em azul os originados na coluna torácica, em rosa, lombar e por último, os dermátomos sacrais em vermelho. Parece caótico? sem lógica? Pois então veja a figura abaixo.


São os mesmos dermátomos, só que desta vez representados em um ser humano em uma postura quadrúpede. Veja agora como a distribuição parece muito mais ordenada... este é um possível resquício de nossos ancestrais quadrúpedes. Mas se é de fato ou não, pouco importa... isso é papo para uma mesa de bar numa sexta-feira, com direito a cerveja e bolinho de bacalhau. O que importa é que agora ficou mais fácil de visualizar os dermátomos e quem sabe até mesmo memorizá-los.

É isso aí galera, espero que tenha ajudado. 

vida longa e próspera . . .