quarta-feira, 8 de junho de 2011

Cuidados posturais e de estímulo à mobilidade no AVE agudo. - O essencial

Olá pessoal,
Após um longo período de ausência estou de volta. Passei os últimos dois meses muito ocupado combatendo as forças do mal intergalático e agora que já devolvi a paz ao Universo posso voltar a me dedicar a este blog.
Hoje vou postar tradução livre que fiz de um protocolo desenvolvido pelo Ministério da Saúde do Kwait para o tratamento hospitalar de pacientes hemiplégicos em fase aguda (para acessar o documento original clique AQUI). Trata-se de condutas extremamente simples, mas que fazem uma grande diferença para o paciente em fase aguda. Esta é a segunda vez que traduzo um protocolo do Kwait. O outro foi sobre Paralisia de Plexo Braquial e teve uma boa aceitação entre os leitores do blog. Espero que esta postagem também agrade e ajude colegas fisioterapeutas.

Metas de Intervenção Fisioterapêutica na Fase Aguda
Os objetivos a serem alcançados na fase hospitalar estão relacionados ao estimulo a mobilidade independente o mais cedo possível.

Os objetivos gerais de mobilidade
1 – Estimular o paciente a realizar o exercício de ponte na cama
2 – Ensinar o paciente a rolar na cama e realizar transferência de supino para sentado na borda da cama
3 –Estimular o controle de tronco na posição sentada.
4 – Estimular o paciente a realizar atividades de alcance em todas as direções.
5 – Facilitar a transferência da cama para a cadeira e de volta
6 – Estimular a deambulação com ou sem assistência, dispositivo e / ou ajuda externa

Prevenção de trauma e dor no ombro acometido
• Posicione adequadamente o membro superior do paciente.
• Evite segurar e tracionar o paciente pelo braço do lado afetado.
• Sempre apoiar o braço quando o paciente estiver sentado, quer na frente ou de lado em uma mesa alta.
• Estimule a movimentação ativa do membro superior para ganhar o controle motor.
• Incentive o paciente a realizar atividades bimanuais.

ATIVIDADES TERAPÊUTICAS:
 
#1 - Sentado no leito, com a cabeceira elevada e braços posicionados sobre mesa ou travesseiro.
Paciente é orientado a utilizar seu membro superior não afetado em atividades de acordo com seu interesse.


#2 - Sentado assistido na beira da cama, com braços apoiados na mesa e pés no solo ou degrau. Peça ao paciente para realizar qualquer atividade com o membro superior e inferior do lado não afetado. Lembre-se que enquanto ele relaiza atividades com o lado não afetado, ele realiza descarga de peso sobre o lado afetado, assim estimulando atividade no lado afetado.

#3 - Com o paciente sentado na beira da cama.Pratique atividades de alcance e descarga de peso sobre o lado afetado.







#4 - Atividades de mobilidade na cama. Realize atividades de ponte na cama. A estabilização dos membros inferiores pode ser feito pelo tornozelo ou pelos joelho.

#5 - Rolando na cama por sobre o lado não afetado. O braço do lado afetado pode ser posicionado sobre o peito e a perna do lado afetado posicionada com flexão de joelho. O paciente é orientado a trazer a cabeça e o membro afettado em diração ao lado oposto enquanto se empurra com o pé do lado não afetado.
OBS: Recomendo a complementação deste manuseio pela leitura do livro recomeçando outra vez da Autora Patrícia Davies

 
 
#6 - Transferência de Decúbito Dorsal para sentado na beira da cama

Inicie após o paciente conseguir ficar sentado no leito, com a cabeceira elevada a 80-90 graus. Solicite ao paciente a se virar para o lado não afetado e se sentar com as pernas para fora do leito. Recomendo a leitura da postagem sobre transferências no leito.
# 7 - Progressão de sentado para de pé
A progressão é realizada a partir de superfícies mais altas (mais fácil para o paciente passar de sentado para de pé) para superfícies mais baixas (mais difícil para o paciente).
Na figura abaixo a fisioterapeuta utiliza uma cinta no paciente de modo a deixá-lo com os membros superiores livres.

#8 - Caminhando ao redor do leito ou de uma maca
Com a terapeuta acompanhando o paciente por trás ou pelo lado afetado, deve-se praticar caminhadas em volta da cama do paciente de modo que ele possa usara mão do lado não afetado para apoiar-se na cama. Ele pode praticar andar para a frente, para os lados e para trás. O menor contato manual deverá ser utilizado até que o paciente aprenda a andar sozinho.
O uso de barras paralelas para o treino de marcha não é recomendado, pois as barras oferecem muito apoio passivo e o paciente pode acabar se tracionando ou apoiando demais sobre a mão do lado não afetado, o que atrapalharia a reaquisição de reações de equilíbrio e marcha independente.


#9 - Atividades de alcance em ortostatismo


O paciente é posicionado em frente a uma mesa e é desafiado a realizar atividade de alcance em várias direções. Enquanto pratica o alcance com o braço não afetado, a mão afetada é posicionada sobre a mesa realizando descarga de peso

Com o braço não afetado apoiado sobre uma mesa ou na parede, o paciente é orientado a pisar em um banquinho (8cm). A progressão pode ser feita solicitando ao paciente que pise no banquinho sem apoio. Uma progressão mais avançada pode ser feita aumentando-se a altura do banquinho

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Curso online grátis de fisioterapia - Pediatria, Incontinência Urinária e Geriatria

Olá pessoal,
Passo hoje para deixar uma excelente oportunidade de aperfeiçoamento em fisioterapia.
O Núcleo de Telessaúde da UERJ disponibiliza vários cursos online inteiramente de graça
Sim, isso mesmo. Os cursos são de grátis, totalmente 0800, sem letras miúdas, sem enganação e ainda com direito a certificado no final.
A maior parte dos cursos oferecidos são relacionados à enfermagem, mas tem 3 cursos de fisioterapia que são bastante interessantes:

Na área da Saúde da Criança e do Adolescente:
Avaliação Fisioterápica do Desenvolvimento Neuropsicomotor de Prematuros

Na área de Saúde da Família
Fisioterapia Respiratória em Domicílio

Na área de Saúde do Homem
Incontinência Urinária Masculina - Abordagem Fisioterápica

Além destes, também me chamaram a atenção os seguintes cursos:
* Pesquisa Clínica Baseada em Evidências
* Acesso à Fonte de Informação
* Abordagem do Idoso com Episódios de Quedas

* Envelhecimento e a Atenção Integral à Saúde do Idoso  

Para se inscrever é moleza:
#1- Ao acessar a página do Telessaúde da UERJ (http://www.telessauderj.uerj.br/ava/), clique em "EDUCAÇÃO" na barra superior da tela
#2 - Em seguida, clique em "CURSOS", como na figura abaixo


#3- Em seguida clique em "PARTICIPE", no ícone do computador, como na figura abaixo



#4 - Preencha o cadastro com seus dados. Assim que tiver terminado, você receberá uma autenticação por e-mail e poderá se inscrever no curso.

Eu me inscrevi e já assisti a primeira aula do curso de desenvolvimento neuropsicomotor do prematuro e estou gostando muito.
Espero que vocês gostem desta iniciativa tanto quanto eu.
Valeu galera
Bons estudos 

domingo, 27 de março de 2011

Este não é um post sobre fisioterapia

Olá Galera,
Este não é um post sobre fisioterapia, aliás, sei que ando devendo postagens mais frequentes, mas não resisti a fugir do assunto deste blog.
Acho que os leitores mais assíduos já perceberam que eu não nutro muita simpatia pela classe política do Brasil. Na verdade desprezo é uma palavra branda demais para descrever o que eu sinto pela grande maioria dos políticos brasileiros. Por isso preciso divulgar este video da deputada estadual Cidinha Campos do Rio de Janeiro. Não é de hoje que uma corja de ladrões e assassinos infectam a ALERJ e também não é segredo para ninguém o envolvimento deste tipo de gente com o narcotráfico... como foi retratado no filme "tropa de elite 2" infelizmente tem quem vote nessa gente...
Este video serviu para me dar ainda um pouco de esperança.
Percebam como os risos dão lugar a um silêncio sepulcral...será que a carapuça serviu EM TODO MUNDO DA ALERJ ? ? ?
me parece um caso de sujo falando do mal-cheiroso, mas é sempre bom ver alguém jogando no ventilador.
..

Capitão Nascimento neles!!!!!

sábado, 19 de março de 2011

A Síndrome da Pedrada

AVISO AOS NAVEGANTES
Esta é uma postagem direcionada a estudantes e profissionais de fisioterapia. Se você está com dores na perna ou em qualquer outra parte do corpo, não tente fazer o diagnóstico sozinho(a).
Dito isso, segue a postagem...
 

 
Você já ouviu falar da síndrome da pedrada? Esta síndrome nada mais é do que o nome criativo dado ao estiramento muscular das fibras do músculo Gastronêmio - geralmente envolvendo a cabeça medial. Esta condição é também chamada de “Tennis Leg”. Esta denominação pouco usada no Brasil, mas útil para quem quiser procurar mais informações sobre o assunto em sites de língua inglesa..
 
E por que síndrome da pedrada ?
A contração brusca e intensa do músculo tríceps sural pode de gerar uma ruptura de suas fibras. Geralmente é causada durante a corrida (como ao atravessar a rua). Esta lesão caracteriza-se por dor súbita localizada na parte posterior da perna, de intensidade variável, seguida de hematoma. Pode ocorrer também um estalido audível. Devido a estas características, alguns pacientes relatam que a sensação no momento da lesão é como se tivessem sido atingidos por uma pedra ou uma bala perdida (por alguma razzão esta última associação é muito comum entre os cariocas). No momento da lesão a perna pode falsear, fazendo a pessoa cair no chão.
 
O grau de ruptura muscular pode variar de leve, apresentando sintomas de pequena intensidade, a moderado, fazendo o indivíduo mancar. Em casos graves, a ruptura muscular pode mesmo incapacitar a pessoa de andar. Às vezes, especialmente entre idosos e pessoas na meia-idade, os sintomas podem ser confundidos com um episódio de Trombose Venosa Profunda (TVP).
 
Quais são os sintomas?

No momento da Lesão:
Ocorre uma dor súbita e aguda, seguida por uma dor em queimação na panturrilha afetada. A pessoa geralmente descreve um "estalo" na panturrilha e, por vezes, acredita que ele ou ela tenha sido atingido por trás, como se por uma pedra ou bala perdida (relato mais comum entre os cariocas). A perna pode falsear, fazendo a pessoa cair no chão. Um outro sintoma pouco mencionado é que em casos moderados/graves, a batata da perna fica “murcha” (hipotônica), acredito que isso aconteça devido a uma inibição muscular pela dor.
 
Após a lesão aguda
A dor pode variar de leve a intensa, dependendo da gravidade do estiramento muscular. O paciente pode apresentar incapacidade de colocar o calcanhar no chão, geralmente caminhando na ponta dos dedos do pé para reduzir a dor. A dor pode estender-se por todo o comprimento do músculo lesionado e piorar durante a contração ativa ou alongamento passivo. Equimoses e hematomas podem surgir no tornozelo. A recuperação depende do grau da lesão, em geral variando entre alguns dias até cerca de seis semanas.

Em geral esta lesão não deixa sequelas. Porém nos casos mais graves, se não for tratada corretamente, a remodelação cicatricial pode ocorrer de forma desorganizada, o que pode tornar o músculo fraco e propenso a novas lesões.
… e agora o que todo mundo quer saber:
 
Fisioterapia
O fisioterapeuta é o profissional mais capacitado para orientar e supervisionar os exercícios e atividades mais adequadas para a recuperação desta lesão. Portanto, se você está lendo esta postagem porque se lesionou e decidiu consultar o Dr. Google antes de um médico ou fisioterapeuta, recomendo que você pense bem no que está fazendo... tem certeza que acertou o diagnóstico ? Pense bem, pois um tratamento mal feito pode comprometer seriamente sua perna. Você já assistiu House alguma vez?
Dada esta nova advertência, podemos prosseguir.
 
O tratamento imediato
  • RICE (repouso, gelo, compressão e elevação) para as primeiras 48 horas. Elevação da perna evita o inchaço. Além disso, o repouso neste período também é importante.
  • Uma meia elástica pode ser prescrita.
  • Para casos mais graves, deve-se usar muletas, com carga zero no membro afetado.
  • Após a consulta com o médico, a prescrição de medicamentos para o controle da dor e inflamação.
 
Fisioterapia
Inclui retorno as atividades de membro inferior conforme tolerância.
Com a redução da dor, pode-se utilizar alguns alongamentos e atividades concêntricas e excêntricas. Eu acho interessante desenvolver atividades com descarga de peso parcial ou total (conforme tolerância) reproduzindo as fases da marcha para melhorar o controle neuromuscular. Aliás, uma boa pedida seria antes mesmo das atividades com carga utilizar algumas irradiações de PNF para “acordar a musculatura”.
Monitore o retorno das atividades de caminhada e de dirigir carros. Não se esqueça dos alongamentos e atividades de propriocepção. Cuidado para não ultrapassar o limiar de dor, pois isto pode atrasar o processo de recuperação.
 
É isso aí pessoal, espero que as dicas sejam úteis

sexta-feira, 11 de março de 2011

O Fim da Fisioterapia

Quando eu nasci o mundo era bem diferente do que é hoje. Pra começar não existia celular, TV a cabo e muito menos internet. A primeira década do século XXI consolidou a tecnologia como um bem de consumo essencial para o ser humano. Apesar desta constatação, sempre achei curiosa a demora com que a tecnologia é incorporada pelas ciências da saúde, particularmente a reabilitação. Mas apesar desta defasagem, eu acredito que o século XXI será conhecido como o século da reabilitação. Não digo isso por ser um cara que vê o copo sempre meio cheio (pra ser sincero, estou longe disso!) , mas sim pela quantidade de pesquisas promissoras em andamento. Temos desde células-tronco para a cura de lesões medulares e doenças neurodegenerativas até o novíssimo exoesqueleto ReWalk, passando por próteses computadorizadas, e terapias baseadas em realidade virtual.

Com todos estes milagres prestes a acontecer, eu me pergunto se este não será o fim da fisioterapia. Afinal de contas, se uma injeção de células tronco for capaz de curar lesões medulares, doença de Parkinson, AVC, Esclerose Lateral Amiotrófica, unha encravada e até feiura, por que alguém procuraria um fisioterapeuta?

Calma, calma, não criemos pânico! Não vá sair correndo pra se matricular em outra faculdade e nem rasgar os certificados dos cursos que você já fez. Eu acredito que mesmo com a possibilidade de cura, as pessoas ainda precisarão reaprender a utilizar seus corpos. Veja, por exemplo a entrevista publicada na revista Info exame em novembro de 2010 com o pesquisador brasileiro Miguel Nicolelis (clique aqui para ler).

Nicolelis está pesquisando formas de realizar interface cérebro-máquina, ou seja: de conectar o cérebro humano a membros robóticos. A previsão é que as pessoas que perderam membros e que venham a se beneficiar desta interface precisem ser treinadas na utilização do membro artificial, e adivinha só quem vai fazer isso?
Isso mesmo! Fisioterapeutas!
Já imaginou as oportunidades de trabalho que podem surgir a partir daí?

Mesmo os pacientes submetidos ao polêmico tratamento com células-tronco necessitarão de reabilitação tanto antes, para manter o comprimento muscular e a integridade articular, quanto depois, justamente para reaprenderem os movimentos.

Pois é pessoal, para aqueles que leram esta postagem esperando a declaração do fim da fisioterapia, lamento informar que ainda não foi desta vez.
Mas se serve de consolo, você terá outra chance em dezembro de 2012. Nessa data não só a fisioterapia, mas o mundo todo irá acabar. . .
. . . será?

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Boletim 2011 dos Doutores Palhaços

Olá fisionautas.
Transcrevo o boletim 2011 do Grupo Roda Gigante, mais conhecidos como Doutores Palhaços. Como de costume, os besteirologistas fazem a diferença por onde passam.
... respeitável público, agora com vocês o boletim de atividades dos excelentíssimos Doutores besteirologistas . Os palhaços sobem a serra
Dia 28 de Janeiro foi a data escolhida pelo grupo Roda Gigante para fazer a sua primeira visita às áreas afetadas pelas chuvas na região serrana do Rio de Janeiro. Convidados e recepcionados pelo médico Paulo César Júnior, nosso antigo conhecido do Hospital Universitário Pedro Ernesto, quatro palhaços do grupo embarcaram na empreitada juntamente aos amigos Charlote (Patrícia Ubêda), Ana Carina (Cia. do Gesto) e Wladimir (Flávio Souza).
Foram momentos muito marcantes para todos os envolvidos. Certos da importância deste tipo de trabalho e da necessidade de reconstrução física e emocional da cidade, o grupo realiza intervenções regulares em abrigos de Friburgo.

Lançamento do documentário do Roda Gigante
O grupo Roda Gigante fez o lançamento do documentário "Roda Gigante - Compatilhando novas idéias sobre saúde". O vídeo revela as ações desenvolvidas pelo grupo Roda Gigante em 2010 em comunidades e hospitais públicos da cidade do Rio de Janeiro.
A exibição do filme aconteceu no evento YOU HOPE - Educação em Saúde, Imagem e Sensibilidade, integrado a semana de ambientação dos Residentes do Hopital Pedro Ernesto/UERJ.

Esquentando os tamborins
Este ano o carnaval será em março e o grupo Roda Gigante começa a ensaiar seu já tradicional bloco carnavaleso "Breque do Piripaque".
Desta vez , o grupo levará a folia aos corredores e enfermarias de todos os hospitais parceiros, entoando marchinhas clássicas e lançando seu novíssimo samba enredo.

Fonte:
http://rodagigante2009.blogspot.com/2008_12_01_archive.html
http://www.rodagigante.org/


quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Exercícios antes da artroplastia podem ser benéficos

Em um estudo recente publicado no periódico “Journal of Strength and Conditioning Research”, pesquisadores da Universidade de Louisville (USA) Investigaram os efeitos de um programa de exercícios conduzido antes da cirurgia de Artroplastia de Joelho (pré-reabilitação) e concluíram que é possível ganhar força e diminuir a dor mesmo em pacientes com artrose avançada.
Em matéria disponível no site Science Daily, a pesquisadora Ann UofL de Swank, (Ph.D. em Fisiologia do Exercício) comenta alguns pontos da pesquisa.

"Criamos este programa para ser facilmente transferido para um ambiente de casa", disse Swank. "É muito fácil para os pacientes que se preparam para a cirurgia de substituição do joelho participarem deste programa e desta forma, conseguir melhorar seu desempenho em atividades funcionais tais como levantar de uma cadeira ou subir escadas." No entanto, Swank ressalta que o programa de pré-reabilitação não foi capaz de melhorar significativamente a velocidade de andar ou descer. O estudo incluiu 71 pacientes agendados para cirurgia de joelho devido artrose grave que não podia ser controlada com medicamentos para a dor.
A artrose do joelho é uma condição muito comum em idosos, causando dor e diminuição gradual da capacidade de realizar tarefas cotidianas. Quando a dor se torna tão grave que os medicamentos já não conseguem mais garantir alivio, a cirurgia de substituição do joelho é a única opção. É importante ressaltar que até chegar neste ponto, a redução na força do Membro Inferior pode ter evoluído ao longo de vários anos, não só diminuindo a capacidade funcional, mas também aumentando o risco de quedas.

Os pacientes no grupo "pré-reabilitação" se exercitaram na clínica e em casa,três vezes por semana, por 4-8 semanas antes da cirurgia de substituição do joelho. Os pacientes no grupo de comparação receberam apenas os cuidados pré-operatórios normais, com instruções para continuar suas atividades habituais. Os dois grupos foram comparados em relação a força de joelho e desempenho em testes funcionais.

Quando avaliados uma semana antes da cirurgia, os pacientes que passaram pelo programa de pré-reabilitação mostraram melhorias em diversas áreas. Em particular, eles tiveram um aumento de 10% na força de extensão da perna. Além disso, pacientes no grupo pré-reabilitação tinham menos dor ao realizar os testes funcionais. Para pacientes recebendo tratamento padrão, o desempenho em alguns testes funcionais piorou nas semanas antes da cirurgia - possivelmente refletindo os escores aumentados de dor.

O fortalecimento de quadríceps antes da artroplastia de joelho pode ser um fator particularmente importante - o exercício pode reduzir o desequilíbrio de força, contribuindo para a melhora funcional. Os pesquisadores fazem notar que, mesmo com o exercício, a perna operada mantinha-se significativamente mais fraca do que a outra.

Estudos anteriores já haviam avaliado os programas de exercícios para melhorar a força da perna e capacidade funcional antes da cirurgia de substituição do joelho, mas com sucesso limitado.
Embora o estudo não compare a recuperação no pós-operatório, o aumento da força nas pernas e no desempenho de tarefas funcionais antes da cirurgia de substituição do joelho pode resultar em uma melhor recuperação pós-operatória.
O pesquisador Robert Topp, co-autor do estudo, observou que para além dos aspectos clínicos, há o potencial de redução de custos também.
"O próximo passo da pesquisa é determinar se este programa de exercícios pode se reverter em redução de custos. Por exemplo, a redução do número de dias de permanência do paciente no hospital ou redução no número de sessões de fisioterapia."

Na minha opinião, o grande mérito desta pesquisa é demonstrar que vale a pena investir em fortalecimento muscular mesmo em pacientes que estão às vésperas de fazer cirurgia. Infelizmente a pesquisa não acompanhou os pacientes no pós-operatório para confirmar suas suspeitas. Gostaria muito de saber o que aconteceu com o grupo controle e com o grupo intervenção no follow up... mas fica aí a sugestão para alguém que decida fazer o mestrado ou o doutorado...

Hasta La Vista

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Lesão Medular Traumática - Objetivos Funcionais

IMPORTANTE:
Esta é uma postagem direcionada a estudantes e profissionais da área de saúde. Não prescrevo exercícios e não faço consultas pela internet.


Atendendo a pedidos, fiz uma pesquisa sobre os objetivos funcionais por nível de lesão em pacientes com Lesão Medular. Mas antes de prosseguir, um aviso aos estudantes:
As informações a seguir devem ser interpretadas como um guia geral. Cada paciente é único e mesmo duas pessoas categorizadas como o mesmo nível de lesão nem sempre apresentam o mesmo quadro funcional.
Cada subdivisão foi feita considerando lesão medular completa no nível neurológico. Ou seja: quando o texto se referir a uma lesão em T1, por exemplo, significa que todos os segmentos acima de T1 estão preservados)
Dito isso, vamos ao que interessa:



TETRAPLEGIA

NÍVEIS C1-C3
Indivíduos com lesão completa C1-C3 (tetraplegia alta) tem controle dos movimento da cabeça e pescoço. A característica mais marcante de lesões desta altura é a necessidade de suporte ventilatório mecânico devido à perda da inervação do diafragma. Esses indivíduos podem eventualmente se beneficiar da FES do nervo frênico para reduzir sua necessidade de ventilação mecânica.

Habilidades: Movimentos limitados de cabeça e pescoço
Objetivos Funcionais:
Respiração: Depende de um ventilador ou um implante para controlar a respiração.
Comunicação: Em geral estes pacientes são traqueostomizados, o que influencia a capacidade de fala, aqual pode ser difícil, muito limitada ou mesmo impossível. Se a habilidade de falar é limitada, a comunicação pode ser realizada por meio de tecnologias assistivas, como um computador com software para falar ou digitar (semelhante ao que o Fisico Stephen Hawkings usa). A comunicação verbal permite ao indivíduo com lesão medular interagir com os cuidadores durante atividades como banho, vestuário, higiene pessoal, transferência, bem como a gestão de bexiga e intestino.
Tarefas Diárias: Tecnologia Assistiva permite independência em tarefas como virar páginas, usar telefone e utilizar e equipamentos.
Mobilidade: Pode operar uma cadeira de rodas elétrica, usando um controle de cabeça, bastão na boca ou controle no queixo.

NÍVEL C4
Pessoas com uma lesão ao nível de C4 possuem boa parte ou toda a inervação do diafragma preservada. Estes pacientes podem não precisar de assistência ventilatória de longo prazo, embora não seja incomum a receber ventilação mecânica inicialmente após a lesão. Pacientes com lesões de C1 a C4 irão depender da ajuda de outros em quase todas as suas necessidades de mobilidade e auto-cuidados, embora possam ser capazes de usar uma cadeira de rodas motorizada com o queixo ou controles adaptados (bastão bucal ou sopro).
O ideal é que os pacientes sejam capazes de se comunicar com os cuidadores sobre as suas necessidades de mobilidade, bem como sobre o auto-cuidado e da bexiga e / ou cuidados intestino.

Habilidades:Normalmente tem o controle dos movimentos de cabeça e pescoço. Indivíduos com o nível C4 podem encolher os ombros.
OBJETIVOS FUNCIONAIS:
Respiração: Podem necessitar de suporte ventilatório para respirar. Entretanto é possível respirar espontaneamente uma vez que a inervação do diagfragma está quase toda preservada.
Comunicação: Verbal, mas pode ter a projeção de voz mais fraca.
Tarefas Diárias: Com equipamentos especializados, alguns podem ter independência limitada na alimentação e operar de forma independente uma cama ajustável com um controle adaptado.

NÍVEL C5
Indivíduos com tetraplegia C5 possuem uso funcional da flexão de cotovelo. Com a ajuda de dispositivos de assistência especializada, tais como órteses de punho ou a mão que lhes permitam segurar objetos, estas pessoas podem alcançar a independência na alimentação e higiene. A fisioterapia é importante para prevenir contraturas de flexão de cotovelo e supinação do antebraço causada pela atividade do bíceps sem oposição. Pacientes com lesão em C5 podem ajudar na mobilidade e vestuário.

Embora possam utilizar cadeira de rodas manual com adaptações para serem tocadas, provavelmente uma cadeira de rodas motorizada com controles manuais será necessária para a maioria das suas necessidades de mobilidade. Os pacientes necessitam de assistência para a maioria dos auto-cuidados, para a mobilidade, transferência e para o manejo das funções vesicais e intestinais. A tecnologia assistiva desempenha um papel importante na maximização do controle do ambiente, ajudando o paciente a ajustar a altura da cama, atender telefones, usar computadores, acender e apagar luzes e televisores. Dirigir um veículo especialmente adaptado é possível.

Habilidades: Normalmente tem o controle dos movimentos de cabeça, pescoço e ombros. Podem fletir os cotovelos e realizar supinação de antebraço.
OBJETIVOS FUNCIONAIS:
Tarefas Diárias:
Independência para comer, beber, lavar o rosto, escovar os dentes, barbear rosto e cabelos após assistência na montagem de equipamentos especializados.
Cuidados de Saúde: É possível realizar alguns dos auto-cuidados de saúde, como tosse auto-assistida e alívio de pressão ao inclinar-se para frente ou para os lados.
Mobilidade: Pode empurrar uma cadeira de rodas manual em curtas distâncias sobre superfícies lisas. A cadeira de rodas motorizada com controles de mão é normalmente utilizado para as atividades diárias. Dirigir pode ser possível após serem avaliados por um profissional qualificado para determinar as necessidades de equipamentos especiais

NÍVEL C6
Indivíduos com tetraplegia C6 têm, além do controle motor do bíceps braquial, a função adicional de extensão do punho. Isso permite o uso da tenodese (flexão passiva dos dedos da mão e adução do polegar durante a extensão ativa de punho). O paciente deve evitar o alongamento excessivo dos flexores dos dedos, pois limita a ação da tenodese.

C6 é o nível mais alto no qual os pacientes podem ter uma lesão completa e ainda assim obter independência funcional, sem o auxílio de um cuidador, embora essa situação não seja comum.
Indivíduos com lesões a este nível pode alcançar níveis consideráveis de independência funcional em termos de alimentação, higiene, banho, cama e mobilidade por meio de adaptações. Eles podem vestir a parte superior do corpo de forma independente e ajudar a vestir a parte inferior. Podem realizar transferência da cama para cadeira utilizando uma prancha de transferência. O cateterismo intermitente para o cuidado da bexiga pode ser possível com dispositivos adaptados, embora não seja comum e seja tecnicamente mais difícil para as mulheres do que para homens.
Cadeiras de rodas manuais com adaptações para facilitar o apoio das mãos podem ser utilizada para a mobilidade comunitária, embora os pacientes possam preferir uma cadeira de rodas motorizada. Conduzir um veículo adaptado com algumas adaptações, como um elevador personalizado e controles manuais, é uma opção. Pacientes com lesões C6 podem ser independentes na utilização de um telefone, escrita e digitação (com dispositivos adaptados).

HABILIDADES:Controla movimentos de cabeça, pescoço, ombros, braços e pulsos. Pode encolher os ombros, fletir os cotovelos, supinar e pronar o antebraço e estender os punhos.
OBJETIVOS FUNCIONAIS:
Tarefas Diárias:
As tarefas diárias de alimentação, banho, limpeza, higiene pessoal e limpeza podem ser executadas com maior facilidade utilizando alguns equipamentos especializados.
Cuidados de Saúde: É possível fazer verificações independentes da pele, realizar o alívio de pressão, e virar na cama.
Mobilidade: Alguns indivíduos podem fazer transferências de forma independente, mas muitas vezes é necessária uma placa de deslizamento. É capaz de usar uma cadeira de rodas para as atividades diárias, mas pode usar cadeira de rodas motorizada para maior facilidade e independência.

NÍVEL C7
Com o uso de dispositivos adaptados, também podem se tornar independente em matéria de higiene, limpeza extremidade inferior, e cuidado intestinal. Os indivíduos com uma lesão em C7, especialmente as mulheres, podem precisar de ajuda com o cuidado da bexiga (p.ex., cateterismo intermitente). Podem também ser independentes, com ou sem dispositivos auxiliares, para escrita, digitação, virando as páginas, atender telefones, e usar os computadores.

HABILIDADES: Tem movimentos semelhantes ao de um indivíduo com nível C6, com capacidade adicional para estender os cotovelos.
OBJETIVOS FUNCIONAIS
Tarefas Diárias: É capaz de executar tarefas domésticas. Necessita de menos ajuda adaptada para vida independente.
Cuidados de saúde: Capaz de fazer elevação de pelve na cadeira de rodas para alívio de pressão.
Mobilidade: O uso diário de cadeira de rodas manual. Pode fazer transferências com maior facilidade.
Indivíduos com tetraplegia C7 têm a capacidade de estender o cotovelo, o que aumenta a sua mobilidade e habilidades de auto-cuidados. Estes pacientes podem conseguir a independência na alimentação, em vestir a parte superior do corpo, tomar banho, mobilidade na cama, transferências e de propulsão de cadeira de rodas manual na comunidade.

NÍVEL C8
Indivíduos com tetraplegia C8 têm controle para flexão dos dedos, o que melhora a sua independência em termos de preensão manual. Eles podem atingir a independência na alimentação, higiene, em vestir os membros superiores e inferiores, tomar banho, mobilidade, transferências, propulsão de cadeira de rodas manual, e auto cuidados da bexiga e do intestino de cuidados, bem como digitação, atender telefones, e usar os computadores.

HABILIDADES
Tem mais força e precisão nos movimentos dos dedos, resultando em função manual limitada ou natural.
OBJETIVOS FUNCIONAIS
Tarefas Diárias: Pode realizar as atividades diárias de forma independente, sem necessidade de dispositivos de auxílio na alimentação, banhos, higiene bucal e facial, e cuidados com a bexiga e intestino.
Mobilidade: Usa cadeira de rodas manual. Pode transferir de forma independente.


PARAPLEGIA

NÍVEIS T1-T12
Os indivíduos com paraplegia T1-T12 tem inervação e função de todos os músculos da extremidade superior, inclusive para a função da mão. Eles podem conseguir a independência funcional em autocuidados (incluindo tarefas domésticas e preparação de refeições), no manejo da capacidade da bexiga e intestino, e em todas as necessidades de mobilidade utilizando cadeira de rodas. é importante notar que quanto mais baixo o nível neurológico, melhor será o equilíbrio do tronco e á efetividade da tosse. Os indivíduos devem receber treinamento avançado de cadeira de rodas, para que possam passar por superfícies desniveladas, terrenos acidentados, rampas e calçadas, bem como transferências do chão para a cadeira de rodas.

Os indivíduos com uma lesão T9-T12 têm controle de tronco variável (dos músculos paravertebrais e abdominais), e eles podem ser capazes de deambular usando órteses HKAFO, juntamente com um andador ou muletas. Pessoas com uma lesão em T10-T12 tem um melhor desempenho, e podem até tentar subir e descer escadas. Infelizmente, o uso destas órteses requer gasto de energia extrema e pode sobrecarregar os membros superiores, causando lesões. POr causa disso, muitas pessoas podem preferir a mobilidade de cadeira de rodas.

HABILIDADES:Tem a função motora normal de cabeça, pescoço, ombros, braços, mãos e dedos. Tem uma maior utilização das costelas e controle de tronco.
OBJETIVOS FUNCIONAIS
Tarefas diárias:
Possui um alto nível de independência em quase todas as atividades.
Mobilidade: Alguns indivíduos são capazes de marcha limitada utilizando órteses longas. Isto requer grande gasto energético e exige muito da parte superior do corpo, não oferecendo nenhuma vantagem funcional. Pode levar a danos às articulações dos membros superiores.

NÍVEIS LI-L5
Indivíduos com lesão lombar podem conseguir a independência funcional para a mobilidade, autocuidados e manejo da bexiga e do intestino. O treinamento avançado em cadeira de rodas (como mencionado acima) deve ser realizado.

Os pacientes com esta lesão pode dirigir de forma independente, usando um carro adaptado com controles manuais. Os indivíduos com uma lesão ao nível da coluna lombar podem se tornar funcionalmente independentes em termos de família e deambulação comunitária, que é frequentemente definido como a deambulação sem auxílio para distâncias superiores a 150 pés (aproximadamente 45 metros), com ou sem o uso de aparelhos e dispositivos de assistência. Aparelhos ortopédicos (KAFOs e órteses tornozelo-pé) são frequentemente prescritas para ajudar estes pacientes a andar. Porém o uso de uma cadeira de rodas manual em parte do tempo é muitas vezes necessário.

HABILIDADES
Apresenta algum grau de controle dos movimentos de quadris e joelhos.
OBJETIVOS FUNCIONAIS
Mobilidade:
Caminhar pode ser uma função viável, com a ajuda de órteses de perna e tornozelo. Níveis mais baixos de lesão podem caminhar com maior facilidade com as órteses.

NÍVEIS S1-S5
HABILIDADES: Dependendo do nível da lesão, existem vários graus de retorno voluntário da bexiga, intestino e das funções sexuais.
OBJETIVOS FUNCIONAIS
Mobilidade: Maior capacidade de andar com poucos ou nenhum dispositivo de apoio


REFERÊNCIAS:

http://emedicine.medscape.com/article/322604-overview

http://www.spinalcord.uab.edu/show.asp?durki=22409

http://www.spinalcord.uab.edu/show.asp?durki=30172

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Isso é o que eu chamo de crioterapia... ou seria vodkaterapia?

Dá próxima vez que você sair de casa só de cueca e enfrentar um frio de 5 graus abaixo de zero, certifique-se de ter em mãos uma garrafa de vodka. Ela pode salvar sua vida
. Aleksander Andrzej, o picolé de Vodka da Varsóvia

Um homem bêbado encontrado deitado no banco de um parque de Varsóvia, na Polônia, apenas de cueca sobreviveu por causa da quantidade excessiva de álcool em seu sangue. Aleksander Andrzej, de 32 anos, estava sob a temperatura de -5ºC e foi levado para o hospital pela polícia.

Um teste de bafômetro mostrou que Andrzej tinha consumido cerca de 30 vezes o limite alcólico legal para dirigir. Exames mostraram que Andrzej apresentava 1.024 microgramas de álcool por 100 ml de sangue. Os médicos afirmam que foi exatamente isto que o ajudou a sobreviver ao frio intenso.

Banco de praça típico da região da Varsóvia - Polônia
Não é confortável e nem quentinho, mas algumas doses de Vodka podem ajudar bastante.

Os médicos explicaram que o álcool em seu sangue agiu como anti-congelante. Todos concordam que ele tem sorte por ter sobrevivido. Em pouco tempo, Andrzej deve ter uma recuperação completa.

Esta postagem não tem nada haver com fisioterapia, mas achei curioso, pois explica por que alguns amigos meus que moram em Belo Horizonte aparentemente não possuem receptores cutâneos para o frio.

Fonte:
http://g1.globo.com/planeta-bizarro/noticia/2011/02/de-cueca-homem-sobrevive-menos-5-c-por-estar-muito-bebado.html

Como diria o Dr. Spock
. . . Fascinante . . .

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Mapas interativos de dermátomos, miótomos, anatomia y otras cositas más

A internet é realmente uma incrível fonte de recursos online para estudantes. Hoje, enquanto fazia uma pesquisa no Google, encontrei um site com muitas informações interativas, particularmente úteis pra galera dos primeiros períodos do curso de fisioterapia . Trata-se do Site http://www.rmtstudents.com/ que pertence a uma empresa direcionada a estudantes de massagem terapêutica, a RMTstudents.
Ah ! por favor, antes que alguém reclame que está tudo em inglês, deixo claro que eu disponibilizo o que eu encontro na internet. Na medida do possível, eu até traduzo, mas definitivamente eu não crio os sites e nem os e-books.

Eu destaco alguns recursos como por exemplo o Guia de Estudos Interativo de Anatomia, com os principais marcos ósseos. Selecione a parte do corpo, visualize os acidentes ósseos e de quebra aprenda anatomia em inglês. Tá vendo os pontinhos azuis na figura abaixo? Quando você passa a setinha do mouse por cima, eles mudam de cor e o nome correspondente na tabela se destaca.

Além disso, tem também um mapa interativo com os dermátomos, acompanhado do nível espinhal, do miótomo e reflexos que podem ser testados. Mais uma vez, quando a seta passa por cima do mapa, a tabela ao lado com o nível medular, o dermátomo e o reflexo também se destacam.

Esse tipo de animação é legalzinha e não parece ser muito difícil de ser feita por quem sabe fazer animações em flash. bem que poderia ter um similar em português, né? Outro recurso super legal é a sessão de videos de Trigger points (pontos gatilho miofasciais) com videos demonstrando a técnica de inibição e um recurso visual demonstrando o caminho da dor irradiada.

É possível fazer o cadastro gratuito e ter acesso a mais recursos do site.

... Este mês tem show do iron Maiden no Rio de Janeiro
UP THE IRONS!!!!!!!!

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Transferência do Solo para Bola Suiça

Ora Bolas . . .
As bolas suíças são um excelente recurso terapêutico. Com elas podemos treinar equilíbrio, força , coordenação e ajustes posturais de nossos pacientes. No caso do tratamento de crianças, ainda conseguimos incluir um componente lúdico em nosso trabalho.
Gostaria de compartilhar alguns rabiscos que ando fazendo para tentar ilustrar alguns manuseios utilizando bolas suiças em pediatria. De fato, espero algum dia escrever um livro ilustrado com as diversas possibilidades terapêuticas que a bola suíça é capaz de acrescentar na sessão de fisioterapia pediátrica.

Transferência do solo para a bola
Os desenhos abaixo referem-se a uma técnica utilizada para transferir do solo para a bola suíça bastante útil para ser utilizada em pacientes com mielomeningocele baixa ou paraplegia. No caso de crianças, trata-se de adicionar um pouco de brincadeira na sessão, além de estimular o sistema vestibular enquanto ela passa do solo para a bola. No caso de adultos é uma forma de transferir um paciente para a bola sem precisar da ajuda de outro terapeuta.
Devo avisar que este manuseio não é tão fácil quanto parece. Por isso recomendo que caso resolvam utilizar, que treinem em colegas antes de usar no paciente (Dê preferência às baixinhas e magrinhas. Depois d epeggar a manha da coisa tente em humanos de tamanho normal) .
Na figura abaixo, tem a posição inicial: Paciente sentado em long sitting com as costas apoiadas na bola (a terapeuta apóia a bola com as pernas pra ela não sair rolando). Você vai precisar de um espaço de mais ou menos 2 metros atrás de você, pois o manuseio exige o deslocamento rápido para trás. Verifique também se não tem nenhum obstáculo para não acabar em uma video cassetada. Como obviamente vocês vão treinar em uma colega antes de tentar no paciente, aproveitem cada tentativa e perguntem como a cobais se sentiu, em termos de conforto e segurança.

Na figura acima perceba o detalhe das mãos e cotovelos da terapeuta

Chamo atenção para o detalhe das mãos nas axilas: Os polegares devem ficar pra fora para não machucar, e cotovelos da terapeuta apontando para os lados – acreditem: isso faz toda a diferença entre uma transferência dolorida e uma transferência confortável.
Após ajustar a posição inicial, você conta até 3 e ao mesmo tempo que se desloca para trás em vários passos curtos, você traz a colega para junto de você fletindo os cotovelos e trazendo os braços para trás e para cima, até conseguir colocá-la sentada na bola (é sentado de verdade. Não vale deixar todo troncho não). No final trave novamente a bola com suas pernas e sempre com ao menos uma das mãos em contato com o paciente, passe para a frente dele e Voilá! Você já pode continuar o tratamento.

Na figura acima o detalhe fica por conta dos passos para trás ao mesmo tempo em que se traciona a criança para junto do corpo, em uma direção diagonal para trás e para cima.


Obs: Os passos devem ser curtos e rápidos, é mais ou menos como se você desse uma corridinha para trás
Na figura abaixo tem a ilustração de como o paciente se desloca no percurso. Percebam que é como se ele grudasse na bola e fosse rolado para cima.

Se você fez tudo certo, terá a sua colega sentada na bola ao final do manuseio (que dura mais ou menos 3 segundos). Se fez errado ela estará no chão rindo ou te xingando.

Pratiquem em casa ou no estágio até o colega não te xingar mais, e lembrem-se:
A prática leva a perfeição.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Acupuntura, Fisioterapia e oportunidades

O mercado de trabalho exige do fisioterapeuta o domínio de diferentes recursos terapêuticos. Obviamente não é possível oferecer a formação completa em todos os recursos existentes ao longo da faculdade, sendo que na maioria das vezes é necessário cursar uma pós-graduação para tal. Justamente por esta grande variedade de cursos a escolha da pós-graduação torna-se um problema, afinal de contas o mercado oferece um número sem fim de cursos; podemos dizer que é pós-graduação para todos os gostos e bolsos... e agora, qual escolher?
Infelizmente não tenho como dar uma resposta a este dilema mas posso oferecer algumas informações para tentar ajudar na escolha.
A postagem de hoje é sobre acupuntura. Porém não vou falar sobre os meridianos de energia e nem sobre a teoria dos 5 elementos. Pretendo abordar uma dúvida mais próxima da realidade de muitos colegas, um assunto que pode ser resumido em uma única frase: O investimento em uma especialização em acupuntura vale a pena?

Acupuntura, Medicina Tradicional Chinesa e a Fisioterapia.
Ao contrário do que muita gente pensa, a acupuntura não é a única abordagem de tratamento utilizada na China. Na verdade, ela faz parte de um conceito, ou melhor, de uma filosofia de tratamento muito mais abrangente, a qual envolve dietética, fitoterapia, técnicas de massagem e até exercícios. Todos estes recursos com forte influência da filosofia Taoista, em particular dos conceitos de Yin e o Yang a qual é denominada no ocidente como Medicina Tradicional Chinesa (MTC).
Ao se inscrever em uma especialização em acupuntura, que dura em média dois anos, você também aprende um pouco destes outros recursos da MTC, porém a ênfase é na acupuntura propriamente dita. É importante ter em mente que a acupuntura não se restringe a memorizar os locais onde se deve inserir as agulhas. Nos primeiros meses você deve aprender um pouco de filosofia e teoria energética da MTC. Acredite em mim, é muuuito diferente de tudo o que você já viu na faculdade (mas com o tempo você aprende, ou surta). Acupuntura e oportunidades de trabalho
Na minha opinião, a grande vantagem da especialização em acupuntura está no fato de que o fisioterapeuta fica com praticamente uma segunda profissão. O que quero dizer com isso é que a acupuntura abre um leque de possibilidades que extrapola as indicações tradicionais da fisioterapia, principalmente no que se refere ao tratamento complementar do tabagismo, dificuldades de sono, stress, dores, emagrecimento, isso sem contar com a acupuntura estética.
Uma outra grande vantagem reside no fato e que o desgaste físico do fisioterapeuta em uma sessão de acupuntura é bem próximo de zero quando comparado a uma sessão de cinesioterapia. Além disso, ao contrário de um consultório de fisioterapia que geralmente demanda uma sala com maca, tatame, equipamentos e espaço para os exercícios terapêuticos, um consultório de acupuntura pode ser montado apenas com uma mesa e uma maca. O gasto com material também é outro ponto forte: Um par de luvas descartáveis e uma ou duas cartelas de agulhas descartáveis. O investimento pesado mesmo são os dois anos de curso, o aluguel do consultório (também divulgação e alguns outros cursos em paralelo que podem ser feitos, como por exemplo auriculoterapia.

Acupuntura associada a Fisioterapia
Mas se você quiser incluir a acupuntura em sua sessão de fisioterapia, esta também é uma possibilidade interessante. Já vi trabalhos em congressos falando da acupuntura como pré-cinesioterápico em pacientes com cervicalgia e ombro congelado. Nestes trabalhos, se não me falha a memória, era feita uma sessão de acupuntura prévia, seguida da estimulação de pontos auriculares com agulha para gerar anestesia e possibilitar um melhor desempenho durante a cinesioterapia. Eu me lembro que até brinquei dizendo que a fábrica de TENS estava com os dias contados.
Uma outra técnica interessante é a do agulhamento seco, que não envolve necessariamente a teoria dos meridianos de energia. Trata-se do agulhamento direto dos trigger points, com a intenção de dissolver os nódulos musculares. Eu trabalhei em uma clínica de dor crônica que usava esta técnica, e era impressionante a melhora dos pacientes quando este agulhamento era seguido de uma sessão de fisioterapia envolvendo a compressão isquêmica para inativação ainda maior dos trigger points agulhados.
Li também um trabalho que falava da acupuntura prévia ao tratamento da paralisia facial periférica. Enfim, dá pra ver que é possível combinar a acupuntura e a fisioterapia na mesma sessão de tratamento.

Finalmente
Antes de concluir esta postagem, quero deixar claro que não sou dono e nem professor de cursos de acupuntura e não ganhei jabá de nenhum curso para fazer esta postagem (embora não seja avesso a propostas).
Na minha opinião existem muitas vantagens em se especializar em acupuntura, principalmente para quem se sente atraído pela cultura oriental, e os riscos de se fazer uma especialização de acupuntura são os mesmos de quem faz qualquer outra pós . . . ou seja: não conseguir se inserir no mercado de trabalho. Quanto a isso, o remédio é o mesmo para qualquer profissional, seja ele(a) acupunturista ou não. A inserção no mercado de trabalho depende de uma boa dose de determinação, associada a competência, estratégia de marketing pessoal e sorte, muita sorte (não necessariamente nesta ordem de importância).

Boa sorte e sucesso

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica - Iniciativa GOLD Brasil

A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é um problema importante de saúde pública. Ela é a quarta causa principal de morbidade e mortalidade crônicas nos Estados Unidos e há previsão de que ela assuma a quinta posição em 2020 como uma doença de impacto global, de acordo com um estudo publicado pela Organização Mundial de Saúde/Banco Mundial. Contudo, a DPOC não recebe atenção adequada da comunidade de saúde e dos representantes do governo. Com tais preocupações em mente, um empenhado grupo de cientistas incentivou o Instituto Nacional Norte-Americano do Coração, Pulmão e Sangue (NHLBI) e a Organização Mundial da Saúde a formarem a Iniciativa Global para Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (GOLD). Entre os importantes objetivos da Iniciativa GOLD estão o aumento do conhecimento sobre a DPOC e a ajuda a milhares de pessoas que sofrem dessa doença e morrem prematuramente por causa da DPOC e suas complicações.O link para a iniciativa GOLD Brasil foi gentilmente enviado pela Ana Carolina Cury, fisioterapeuta e colaboradora do blog. O site tem muitas informações legais, como documentos traduzidos para o português sobre alguns pontos importantes do manejo da DPOC. Destaque para o manual de espirometria e para as escalas de dispnéia. Destaque super especial para o guia de pacientes com DPOC, simples, explicativo e essencial para imprimir e oferecer aos pacientes.
Gostou? então acesse a página da GOLD Brasil em http://www.golddpoc.com.br/index.php
ou vá direto aos documentos em http://www.golddpoc.com.br/documentos.php

Bons estudos

domingo, 16 de janeiro de 2011

Video tutorial de Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva - PNF

Quem fez o curso de PNF vai adorar a postagem de hoje.
Encontrei um video na internet com os padrões básicos de escápula, pelve, pernas e braços. Quem já fez o curso de PNF vai poder relembrar muitas coisas, principalmente em relação à postura e a mecânica corporal. Para quem não fez o curso... bem, fica a curiosidade, pois o grande lance do curso (ao contrário do que muita gente pensa) não são os manuseios em diagonal, mas sim o raciocínio clínico de como combinar estes padrões dentro de atividades funcionais.

Este video está em inglês, mas é bastante explicativo para a galera que já fez o curso e quer relembrar algumas posições. Baixe todos os links em uma única pasta, descompacte utilizando o Winrar e depois é só assistir com pipoca e guaraná.

Seguem abaixo os links.
http://www.4shared.com/file/WxRJpFWS/PNF_Pattern_Basicspart1.html
http://www.4shared.com/file/cYqe2OOg/PNF_Pattern_Basicspart2.html
http://www.4shared.com/file/HnngT6yK/PNF_Pattern_Basicspart3.html
http://www.4shared.com/file/o0LMucbE/PNF_Pattern_Basicspart4.html
http://www.4shared.com/file/GqKgD_yW/PNF_Pattern_Basicspart5.html
http://www.4shared.com/file/Khq0fzuk/PNF_Pattern_Basicspart6.html
http://www.4shared.com/file/PKj5MILI/PNF_Pattern_Basicspart7.html

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Enfaixamento de ombro hemiplégico

Olá pessoal,
A principal motivação para criar este blog foi a de compartilhar informações. Nem sempre estas informações são baseadas em ensaios clínicos duplo cegos randomizados.... Mas isso não é motivo para não postar um ou outro macete, não é mesmo? Na postagem anterior, eu falei sobre o ombro hemiplégico subluxado, porém não abordei o mais importante: As possibilidades de tratamento.
O tratamento do ombro hemiplégico utilizando FES é muito bem documentada e existem diversos links disponíveis na web. Porém existe uma outra abordagem, que embora menos efetiva do que o FES, pode vir a ser útil em alguns casos. Na postagem de hoje irei disponibilizar um passo a passo de como fazer o enfaixamento do ombro hemiplégico subluxado.

Material:
#1- Um rolo de atadura de baixa elasticidade.
#2- Uma estagiária disposta a ser cobaia. Como fazer
#1- Inicie o enfaixamento pela parte anterior do tronco, mais ou menos na altura da clavícula, como na figura ao lado. Com uma das mãos, fixe a extremidade proximal da faixa enquanto com a outra mão você traciona para baixo em uma direção diagonal, se preparando para envolver o braço da cobaia.





#2- Envolva o ombro da cobaia com a faixa, dando duas voltas, como na figura ao lado. Um detalhe importante neste momento é não permitir que a faixa se enrole. Uma faixa muito fina pode acabar pressionando o plexo braquial causando dor, e se o paciente tiver alteração da sensibilidade, pode causar uma neuropraxia. Portanto muito cuidado com a tensão aplicada. Ao dar duas voltas, você aumenta a área de contato e distribui melhor a pressão em volta do braço. Outro detalhe: enfaixe até mais ou menos a metade do comprimento do braço.





#3 - Ao término da segunda volta, direcione a faixa em uma direção diagonal superior como na figura ao lado.








#4 - Agora aproveite a direção e passe a faixa pelas costas da cobaia, passando por sobre o trapézio superior contralateral como na figura ao lado.










#5 - Agora passe a faixa envolvendo a axila contra lateral, dando uma volta completa e retornando pelas costas, como nas figuras abaixo.










#6 - Olha que legal. agora que você completou a volta é só prender as duas pontas da faixa com as presilhas e Voilá!

Abaixo as fotos de como a faixa fica em uma vista lateral, anterior e posterior. Se você aplicou corretamente o enfaixamento, sua cobaia acadêmica deverá relatar que sente o ombro tracionado para cima.
Veja na figura abaixo como fica o enfaixamento visto de lado, por trás e pela frente.


É isso aí galera, espero que seja útil.
Hasta la vista

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Subluxação da articulação glenoumeral no AVE

Subluxação no ombro hemiplégico
Após um Acidente Vascular Encefálico (AVE), a dor no ombro e a subluxação da articulação glenoumeral no lado afetado são achados relativamente comuns. A subluxação da articulação glenoumeral ocorre mais frequentemente durante a fase flácida Pós AVE. Acredita-se que durante a fase flácida, o tronco tende a inclinar-se para o lado hemiplégico. Isso acaba levando a uma depressão da escápula. Associado a esta inclinação do tronco, os músculos trapézio e serrátil anterior também se tornam flácidos, fazendo com que a escápula gire para baixo (aproximando o ângulo inferior medialmente), veja a figura abaixo. Sem o tônus normal, o manguito rotador não é capaz de manter a coaptação da cabeça do úmero na glenóideMas não é só na fase flácida que fatores biomecânicos influenciam a subluxação. Durante a fase espástica, o peitoral maior e menor, o rombóide, o elevador da escápula e o grande dorsal podem desenvolver hipertonia, as quais resultam em rotação da escápula para baixo, também causando a subluxação da articulação glenoumeral.

Olha só que interessante:
Em 1959, Basmajian & Bazant afirmaram que o músculo supraespinhoso impedia a subluxação do ombro ao aumentar a tensão horizontal da cápsula do ombro, segurando a cabeça do úmero em contato com a fossa glenóide (coaptação). A partir desta constatação singular, Chaco e Wolf observaram que a subluxação da articulação glenoumeral ocorreu em pacientes com AVE cujo músculo supra-espinhal não respondeu eletrofisiologicamente três semanas pós-AVE. Estes autores também observaram que mesmo com o retorno da ativação do músculo supraespinhoso, a articulação glenoumeral permanecia subluxada por cerca de oito semanas pós-AVE. Este estudo concluiu que a subluxação do ombro pode reduzir-se espontaneamente caso ocorra recuperação funcional motora significativa.
O mecanismo de recuperação parece ser relativamente simples. Apesar do estado de flacidez dos músculos da cintura escapular e também do alongamento da cápsula do ombro, a articulação glenoumeral pode se reaproximar com a recuperação motora.

A figura acima é de um paciente com amiotrofia , mas serve para ilustrar a aparência de uma subluxação de glenoumeral à direita. A grande diferença entre este paciente e um hemiplégico devido AVE seria o fato de que um paciente com AVE apresentaria o ombro direito mais deprimido do que o esquerdo.
Percebam o sinal do sulco à direita, indicando o afastamento da cabeça do úmero da glenóide.

Eu gostaria de ter postado uma imagem demonstrando a rotação escapular associada a subluxação... se por acaso alguém tiver uma ilustração destas e quiser complementar a postagem basta me mandar por e-mail.

Muchas Gracias

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Exercícios terapêuticos em pacientes com Lesão Medular

A medula espinhal é um fino cordão de nervos localizada dentro da coluna vertebral. De uma forma extremamente simplificada, podemos dizer que a função principal da medula é transmitir os comandos do encéfalo para o corpo e também as informações sensoriais do corpo para o cérebro. Uma analogia clássica é comparar os nervos que formam a medula a fios telefônicos. Quando ocorre uma lesão na medula esta comunicação é interrompida, resultando em perda da sensibilidade e/ou da força muscular abaixo do nível da lesão.

Existe uma grande variedade de abordagens fisioterapêuticas que podem ser utilizadas no tratamento de pacientes com lesão medular:
  • Terapia manual – Alongamento muscular e mobilização articular para prevenção de encurtamentos e deformidades.
  • Eletroterapia – O recurso mais difundido é o uso da FES (Functional Eletro Stimulation - Eletro Estimulação Funcional), com o objetivo de estimular a musculatura parcialmente afetada e manter o trofismo e metabolismo nos principais grupamentos musculares abaixo do nível da lesão.
  • Cinesioterapia Respiratória – Dependendo do momento em que este paciente está sendo atendido (fase aguda X fase crônica), do nível de lesão e da necessidade de suporte ventilatório, poderão ser necessárias manobras de tosse assistida, exercícios com incentivadores inspiratórios e manobras desobstrutivas.
  • Exercícios Terapêuticos – com o objetivo de treinar transferências posturais (cadeira de rodas para cama, solo, carro, vaso sanitário), treinamento visando ganhos no equilíbrio de tronco, atividades para desenvolver destreza no deslocamento com cadeira de rodas, fortalecimento muscular e condicionamento cardiovascular (Sim! Treinamento aeróbico com a cadeira de rodas é fundamental!)

Em minhas andanças na web, encontrei um site bastante útil, tanto para acadêmicos de fisioterapia quanto para colegas que pretendem se especializar em fisioterapia neurológica. Trata-se do site http://www.physiotherapyexercises.com/.

Este site contém 950 exercícios e 21 videos. Porém o mais interessante é a interface de busca pelo exercício. Você pode preencher até sete critérios: (1) O nível da lesão, ou se é AVE ou atraso motor, (2) Tipo de exercício - repiratório, fitness, equilíbrio, etc..., (3) Parte do corpo, (4)Equipamento - halteres, theraband, etc... (5) nível de dificuldade (6) faixa etária e (7) se a ilustração mostra o exercício para o dimídio direito ou esquerdo. Você não precisa preencher todos os critérios para fazer uma busca no site.

Um outro recusro muito legal é o de videos, ou melhor: animações em GIF , que demonstra pacientes com diferentes níveis de lesão realizando elevação em long sitting do leito, elevação da cadeira de rodas, rolando, e realizando transferências. Infelizmente tá tudo em inglês, mas não é nada que o tradutor do Google não resolva

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Movimentos do Polegar

Nem tudo se aprende na escola . . .
Ao longo de nossa vida profissional, aprendemos diversas técnicas de tratamento e manobras semiológicas, sendo que muitas delas não são descritas em livros e nem em artigos científicos. Porém não se tratam de conhecimentos ocultos ou apócrifos, mas sim de alguns macetes nascidos da experiência prática de colegas e professores, e que podem ser bastante úteis em nosso dia a dia. Hoje vou compartilhar um destes macetes que aprendi na época em que fui estagiário de um grande Hospital Universitário do Rio de Janeiro.

. . . Certo dia ao acompanhar a visita dos médicos residentes a enfermaria de ortopedia, tive a oportunidade de ver a avaliação de um paciente internado devido a um acidente com vidro estilhaçado. Se não me falha a memória, parece que o sujeito, por alguma razão, decidiu desferir um soco contra uma janela de vidro, o que lhe causou lesões de vasos e nervos. O mais bizarro disso tudo é que este tipo de “acidente” é mais comum do que eu costumava imaginar na época. Já tive a chance de atender outros dois “acidentes” bem parecidos, o que me faz lembrar as palavras de minha falecida avozinha que repetia a mesma frase sempre que assistia a algo de insólito na TV: “- Deus botou limite na inteligência das pessoas, mas não na burrice.”
Mas chega de lembranças de família, voltemos ao assunto.
Lembro-me que o paciente estava internado recuperando-se da microcirurgia de reparação e estava com o braço completamente engessado, sendo que a imobilização se estendia da axila até a mão. A única parte do braço livre do gesso era o polegar, mais ou menos como a figura abaixo.O ortopedista que liderava a visita (que era um professor velhinho de cabelos brancos) se deteve por alguns momentos à beira do leito, e aproveitou aquele caso para ensinar um macete semiológico para avaliar, baseado apenas nos movimentos do polegar, a integridade dos 3 principais nervos do plexo braquial. Este macete já me foi útil algumas vezes, porém nunca o encontrei descrito em nenhum livro ou artigo científico. Decidi então fazer uma pesquisa mais minuciosa e compartilhar este conhecimento no blog.

MOVIMENTOS DO POLEGAR
Parte importante do sucesso evolutivo do ser humano deve-se ao fato do nosso polegar ser capaz de realizar oposição aos demais dedos da mão. Graças a esta característica, somos capazes de manusear objetos e criar ferramentas. Sendo assim, vamos aproveitar o tema e relembrar um pouco dos movimentos do polegar. Segundo o livro Provas de Função Muscular (Daniels & Worthingham), os movimentos do polegar são os ilustrados abaixo:



Porém, vamos nos concentrar apenas em três movimentos bem específicos:

[1] Abdução no plano da mão,
[2] Abdução de 90 graus em relação ao plano da mão, e
[3] Oposição.
Lesões nos 3 principais nervos do membro superior (Ulnar, Mediano e Radial) podem vir a causar a perda de movimentos específicos do polegar. E a avaliação destes movimentos pode dar pista deste comprometimento em um paciente onde não seja possível avaliar a sensibilidade nem a motricidade da mão e antebraço como no caso do sujeito que está todo engessado.

Lesão do Nervo Ulnar
O nervo ulnar inerva o músculo adutor do polegar. Um teste rápido utilizando apenas o movimento do polegar para avaliar um possível comprometimento do nervo ulnar seria pedir ao paciente para deixar o polegar alinhado aos outros dedos, como na figura abaixo
Neste caso, vale também observar se o paciente não faz o sinal ou teste de Froment (mais um daqueles testes ortopédicos obscuros que ninguém conhece). Neste teste, o paciente é solicitado a segurar uma folha de papel utilizando somente o movimento da articulação metacarpofalangena do polegar (exatamente como na figura acima), se para compensar a falta de força, o paciente dobrar a ponta do polegar (utilizando a articulação interfalangeana), caracteriza a fraqueza do adutor do polegar , o que pode ser indício de lesão do nervo ulnar.

Existe um video do youtube demonstrando este teste. O link foi gentilmente enviado por concurso e fisioterapia (MUCHAS GRACIAS!)



Lesão do Nervo Mediano
Pode causar paralisia do músculo oponente do polegar, o qual vai obviamente influenciar o movimento de oponência. Para a testagem clássica, solicita-se ao paciente que mantenha a mão sobre a mesa, com a palma da mão para cima e pede-se que o polegar aponte em direção ao teto, e testa-se a força muscular como na figura abaixo.

Porém no caso de um paciente engessado, pede-se apenas que ele faça a oponência, tanto quanto possível. Lesão do Nervo Radial
O Nervo radial inerva os músculos extensor curto e longo do polegar (os mesmos da tendinite de de Quervain) e pode ser testado pedindo ao paciente fazer abdução no plano dos dedos, ou simplesmente fazendo "joinha" com o polegar.

Estes testes não são 100% exatos. Mas podem ser utilizados para o acompanhamento da recuperação do paciente. Obviamente estes testes só devem ser utilizados em pacientes onde só seja possível avaliar os movimentos do polegar, pois a avaliação completa da sensibilidade e da motricidade é muito mais confiável do que estes testes.

Bom, espero que este tipo de informação seja útil.
Abraços e Feliz Ano Novo

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Respeitável público


Ontem levei minha filha e sobrinhos para assistir ao último espetáculo da temporada 2010 da Universidade Livre do Circo (Unicirco) na Quinta da Boa Vista. Além do show de palhaços, trapezistas e demais artistas, fiquei particularmente impressionado com a participação de dois artistas deficientes físicos. A apresentação deles foi tão incrível que me fez refletir sobre o que é ser deficiente físico, pois a história de vida do Tião (capoeirista) e a apresentação do rapaz paraplégico realmente me fizeram questionar a definição oficial de deficiência.
O termo deficiência pode ser entendido como todo e qualquer comprometimento que afeta a integridade da pessoa e traz prejuízos na sua locomoção, na coordenação de movimentos, na fala, na compreensão de informações, na orientação espacial ou na percepção e contato com as outras pessoas (Artigo 3o do Decreto federal nº 3.298/1999). Caberia, de acordo com esta definição supormos o inverso; isto é, que para não sermos considerados deficientes, não podemos apresentar nenhum dos comprometimentos listados acima? E mais, quais seriam os limites de “normalidade” para definir alguém como tendo uma deficiência? Eu não consigo fazer metade das acrobacias do rapaz com paraplegia, neste caso não seria eu também um deficiente? Minha filha de 4 anos está em tratamento com fonoaudióloga devido a dislalia (um comprometimento da fala que atrapalha o contato com outras pessoas) neste caso seria ela classificada como deficiente?
Obviamente esta minha linha de pensamento não passa de um sofismo barato. De fato definir deficiência é algo extremamente difícil. Justamente por isso tenho tanta esperança na CIF.
A CIF toma em consideração os aspectos sociais da deficiência e propõe um mecanismo para estabelecer o impacto do ambiente social e físico sobre o indivíduo, ou seja: determina que a adaptação da pessoa ao seu ambiente é o ponto central da avaliação.

puxa, comecei falando do circo e terminei com a CIF... mas este é um tema que merece uma postagem exclusiva. Mas por enquanto, vamos ficar com algumas imagens do espetáculo da Unicirco.




sábado, 18 de dezembro de 2010

videos de Exercícios Terapêuticos II

Olá pessoal,
Encontrei outro site com videos gratuitos de exercícios terapêuticos, trata-se do site
"Therapeutic Exercise Videos", que apresenta uma proposta bem interessante. Os criadores do site tem o objetivo de aumentar o sucesso e a satisfação dos pacientes com os exercícios terapêuticos. Segue abaixo a tradução da justificativa deste esforço:

Pesquisas têm mostrado que as pessoas cometem mais erros e aderem menos ao exercício terapêutico, quando lhes são dadas apenas instruções sobre como fazer ao invés de instruções por video.[1-3] Em uma pesquisa, pacientes que receberam apenas instruções tiveram uma taxa de erro duas vezes maior quando comparados aos pacientes que receberam instrução por vídeo [3]. Frustrados por esta limitação, criamos o site TherapeuticExerciseVideos.com.

REFERÊNCIAS

[1] Cherkin DC, et al. Pitfalls of patient education. Limited success of a program for back pain in primary care. Spine 1996; 21:345-55.
[2] Cherkin DC, et al. A comparison of physical therapy, chiropractic manipulation, and provision of an educational booklet for the treatment of patients with low back pain. N Engl J Med 1998; 339:1021-9. [CLIQUE AQUI PARA BAIXAR]
[3] Reo JA, Mercer VS. Effects of live, videotaped, or written instruction on learning an upper-extremity exercise program. Phys Ther 2004; 84:622-33. [CLIQUE AQUI PARA BAIXAR]

Pois bem, além de compilar informação e disponibilizar o link, gostaria de deixar também algumas observações:

Primeiro: Este blog é direcionado a estudantes e profissionais de Fisioterapia, e estes videos não são de auto-ajuda pela internet, se você tem algum problema e quer se tratar, consulte um fisioterapeuta antes de iniciar qualquer exercício terapêutico.

Segundo: Alguns destes exercícios são exemplos evidentes de exercícios domiciliares utilizando princípios do conceito Mulligan, Estabilização Vertebral Segmentar e Mobilização Neural, além de técnicas de fortalecimento muscular de grupamentos musculares bastante específicos. Se você é fisioterapeuta, mas não conhece as indicações e danos potenciais da prescrição errada destes exercícios, pense bem antes de indicá-los.


Segue abaixo o link para os 37 videos do site



VIDEOS DE OMBRO

3 videos de alongamento e 6 de fortalecimento

VIDEOS DE PUNHO E MÃO
Por enquanto só tem um

VIDEOS DE CERVICAL E TORAX SUPERIOR
4 videos de alongamento, 1 de isometria e 2 proprioceptivos

VIDEOS TORÁCICA MÉDIA E COSTELAS
Apenas dois videos, um de auto mobilização e outro de fortalecimento

VIDEOS DE LOMBAR E PELVE
1 video de alongamento e 6 de fortalecimento

VIDEOS DE QUADRIL E COXA
2 videos de alongamento e 4 de fortalecimento

VIDEOS DE TORNOZELO E PÉ
1 video de alongamento e 4 de fortalecimento