sábado, 9 de julho de 2011

Mitos e Lendas da Fisioterapia - Exercício de apertar bolinha após um AVE


Olá pessoal,
Finalmente tomei coragem pra escrever um pouco sobre os mitos e lendas que envolvem a fisioterapia. Hoje vou falar de um tema praticamente onipresente no imaginário popular quando o assunto é AVE: As bolinhas de apertar.

Como tudo começou...
Há muito, muito tempo atrás, Lima Duarte interpretou um personagem chamado Dom Lázaro Venturini na novela Meu Bem, Meu Mal da Rede Globo. Em determinado momento da trama este personagem sofre um AVE, e ao longo dos capítulos seguintes, o seu processo de reabilitação se resumia aos cuidados prestados pela Dona Catifunda e aos exercícios de apertar uma bolinha macia.
Como podemos ver na reportagem abaixo, o mais fantástico nisso tudo é que de tanto apertar a bendita bolinha, Dom Lázaro voltou a ouvir, se movimentar e falar. Só não terminou a novela fazendo malabarismos na corda bamba porque o Lima Duarte tem medo de altura.
Infelizmente esta novela contribuiu na divulgação da falsa idéia de que uma pessoa com AVE deve ficar apertando bolinhas para recuperar os movimentos.


Agora falando sério
O grande problema de se entregar uma bolinha para uma pessoa que sofreu AVE ficar apertando é que este não é um exercício inofensivo. O AVE manifesta-se frequentemente por alterações do tônus e do controle motor voluntário. Nos membros superiores predomina o chamado padrão ou sinergia flexora, caracterizado por hipertonia dos principais grupamentos flexores gerando uma postura em adução e rotação interna do ombro, flexão do cotovelo, pronação do antebraço e flexão dos dedos.
De modo geral, este padrão permite ao paciente um certo controle sobre os músculos flexores (tanto que eles conseguem apertar a bolinha) porém existe grande dificuldade para conseguir abrir a mão, seja devido a espasticidade agindo como antagonista ao movimento extensor, seja por incapacidade de ativação dos músculos extensores.
Em ambos os casos, o fortalecimento dos músculos flexores de punho e dedos não contribui em nada para a recuperação do controle dos movimentos da mão. Na verdade, estes exercícios podem aumentar ainda mais a espasticidade e resultar em encurtamento muscular e deformidade da mão, dificultando a higiene, o posicionamento e a recuperação dos movimentos.

Portanto, considerem o mito de que apertar uma bolinha ajuda na recuperação de movimentos de uma pessoa com AVE como DETONADO.

Até a próxima
E não se esqueçam de pedir melão no café da manhã

terça-feira, 5 de julho de 2011

Assista a aulas do XV Congresso Brasileiro de Medicina Intensiva

Olá Pessoas,
Deixo hoje um link gentilmente compartilhado pela Michele Xavier. Tratam-se dos videos de algumas mesas redondas que aconteceram no XV CBMI. O link para o site é: http://www.amib.org.br/conteudo.asp?cod_site=0&id_menu=231&men=231&keyword=Aulas_CBMI_2010


As aulas disponíveis são:

Mesa Redonda MONITORIZANDO O PACIENTE COM SARA.
Link: http://www.plugmed.com.br/amib/01/amib01.htm
Moderadores: Dr. Guilherme Schettino (SP),Dr. Roberto Mario Clausi (PR)
Tema: Métodos de imagen
Palestrante: Dra. Carmem Silva Valente Barbas
Tema: Tomografia de impedância elétrica
Palestrante: Dr. Marcelo Amato (SP)
Tema: Capnografia volumétrica
Palestrante: Dr. Desanka Dragosavac (SP)
Tema: Disfunção de ventrículo direito
Palestrante: Dr. Alain Combes (FRA)

Mesa Redonda VENTILAÇÃO PULMONAR MECÂNICA NEONATAL E PEDIÁTRICA
Link: http://www.plugmed.com.br/amib/01/amib02.htm
Moderadores: Dr. José Oliva Proença (SP); Dra. Debora Rodrigues N. Tessis(DF)
Tema: Novos modos de ventilação pulmonar em pediatria
Palestrantes: Dr. Werther Brunow de Carvalho
Tema: Suporte ventilatório convencional versus ECMO
Palestrantes: Dr. Giles Peek (ING)

Mesa Redonda:  DESMAME DIFÍCIL
Link: http://www.plugmed.com.br/amib/01/amib12.htm
Moderadores:Dr. Francimar Ferrari (PE),Dr. José Aires de Araújo Neto (DF)
Tema: Preditores de sucesso X marcadores funcionais
Palestrantes: Dr. Fábio Amorim (DF)
Tema: Particularidades no desmame do cardiopata/VNI é a opção
Palestrantes: Dra. Mara Nasrala (MT)
Tema: Os novos modos de ventilação podem ajudar
Palestrantes: Dra. Carmen Valente Barbas (SP)
Tema: Músculo e desmame: prevenção de desuso e treinamento
Palestrantes: Dr. Cesar A. Melo e Silva

Mesa Redonda: ESTRATÉGIAS VENTILATÓRIAS NA SARA
ModeradoresDr. Carlos Ribeiro Carvalho (SP), Dr. Jorge Luis Valiatti (SP)
Tema: Suporte extracorpóreo na SARA
Palestrantes: Dr. Robert Bartlett (EUA)
Tema: Posição prona
Palestrantes: Dr. Gilles Peek (UK)
Tema: Quem se beneficia de manobras de recrutamento alveolar
Palestrantes: Dr. Felipe Saddy
Tema: A PEEP alta muda a mortalidade na SARA grave
Palestrantes: Dra. Carmen Silvia Barbas (SP)
Tema: O tipo de lesão pulmonar influencia no regime ventilatório
Palestrantes: Dr. Andres Esteban (ESP)

CONFERÊNCIA: A EVOLUÇÃO DO SUPORTE VENTILATÓRIO NA UTI
Presidentes:Dr. Fernando S. Dias (RS)
Tema: A evolução so suporte ventilatório na UTI
Conferentistas:Dr. Andrés Esteban (ESP)

ALOHA

domingo, 3 de julho de 2011

Alguns exercícios para prótese transfemural

Olá pessoal,
Quando a aula de amputações é minstrada na faculdade, geralmente nos deparamos com a obrigação de memorizar aqueles nomes esquisitos como Chopart, Syme, Pirigoff, Boyd, etc. Esta decoreba é chatíssima, porém importante para quem pretende se especializar no tratamento de amputados. Mas a postagem de hoje não é sobre a mania de dar o próprio nome para o infortúnio alheio. Na verdade pretendo ir mais adiante e falar sobre alguns exercícios para amputados transfemurais.

Mas antes de continuar deixo um aviso aos navegantes:
[1]Esta postagem é direcionada a estudantes e profissionais que lidam com amputados
[2]Não prescrevo próteses,
[3]Não avalio e nem faço consultas pela internet,
[4]Estes exercícios pressupõem que o paciente está fisicamente apto para a atividade, com a prótese adequada, coto maturado e sem feridas.    
Dito isso, vamos voltar ao assunto:

As próteses de mebro inferior evoluíram muito nas últimas décadas. Os fabricantes oferecem próteses com componentes mais leves e duráveis, e mesmo que não sejam “top de linha”, a tecnologia empregada nas próteses é capaz de imitar com razoável sucesso o caminhar humano. Neste ponto é importante ressaltar que alguns exercícios simples podem ajudar a melhorar o equilíbrio e dar confiança para que o paciente faça a descarga de peso sobre a prótese. Uma maior confiança na prótese irá garantir um passo mais simétrico, com menor gasto energético e principalmente sem colocar tensão desnecessária sobre a coluna lombar.A postagem de hoje irá discutir algumas maneiras para melhorar o desempenho de próteses.

Exercício 1. Balanceio de um lado para o outro:
Este é um excelente exercício para ser feito tanto no ambulatório quanto em casa. No caso do atendimento ambulatorial utilize barras paralelas, se for prescrever este exercício para casa oriente o paciente a utilizar duas cadeiras como se fossem uma “mini barra paralela”, e realizando o exercício preferencialmente diante de um espelho de corpo inteiro (lembrando que tem de ser cadeiras estáveis para evitar acidentes!).

Pois bem: para pacientes iniciando a protetização, eu recomendo que você fique junto com o paciente na barra paralela, com as mão apoiadas na crista ilíaca do paciente. Oriente o paciente a descarregar o peso corporal alternadamente para a direita e para esquerda e quando estiver descarregando o peso sobre o lado da prótese, aplique uma força de modo a gerar maior pressão sobre a prótese. Este treinamento ajuda o paciente a se familiarizar com a prótese. Atenção para o sinal de trendlemburg. Fortalecimento de abdutores de quadril é importantíssimo e não pode ficar pra depois ! ! A progressão deste exercício é realizar a mesma atividade porém sem o apoio das mãos.


Exercício 2. Marcha lateral
Este exercício deve ser iniciado somente depois que você avaliar o equilíbrio do paciente e julgar que é possível realizar a tarefa sem risco de quedas. Você pode utilizar uma mesa comprida ou simplesmente pedir ao paciente para ficar de frente para uma parede e andar de lado ao longo do percurso. Dica importante: oriente o paciente a “apontar o umbigo para frente”, assim você evita torções da pelve e garante que os abdutores de quadril trabalhem melhor. E por falar em abdutores de quadril, lembrem-se de incluir alguns exercícios domiciliares de fortalecimento de glúteo médio e máximo!!!

Exercício 3.Equilíbrio em apoio monopodal:
Monopodal mais ou menos... Ok! Se você conseguiu progredir suas atividades até aqui, pode começar a exigir um pouco mais do membro residual. Que tal treinar equilíbrio em apoio monopodal? Por motivo de segurança inicie nas barras paralelas. Utilize um step ou um daqueles degraus que a gente usa para poder subir na maca. Peça para o paciente ficar como na figura abaixo.
Particularmente gosto de usar o degrau. Eu fico sentado no degrau mais alto e o paciente apoia a perna no degrau mais baixo, descarregando bastante peso sobre a prótese. Nesta posição minhas mãos ficam livres para corrigir torções, inclinações de tronco, inclinações excessivas da pelve e até aplicar força para desequilibrar pacientes que estejam em uma fase mais avançada. Aqui também é possível solicitar ao paciente que realize movimentos para a frente e para trás, alongando os flexores de quadril do membro residual.


Exercício 4 Rolando a bola
Este é legal. Com o paciente de pé, utilize uma bola (pode ser de tênis ou futebol, só não vá usar uma bola suiça 65!). Com a prótese apoiada no chão, peça ao paciente rolar a bola para frente, para os lados e em círculos. Peça ao paciente para sentir como os músculos do quadril trabalham. Alguns pacientes vão certamente tentar fazer embaixadinhas... este também é um bom exercício, porém preste atenção pois eu já percebi que a atenção fica tão focada na bola que eles esquecem de controlar o quadril do mebro residual e acabam fazendo um trendlemburg desnecessário.

Há muitos outros exercícios que podem e devem ser incorporados ao programa de protetização. Os elementos essenciais para maximizar o desempenho funcional de um amptado transfemural são:

• Desenvolver um bom equilíbrio sobre ambos os pés.
• Ensinar o paciente a usar os músculos do membro residual, isso minimiza o trendlemburg e garante uma marcha mais simétrica e suave.
• Continuar a fortalecer e alongar o membro residual

Esta postagem foi baseada na minha experiência e em alguns exercícios recomendados pelo site http://www.amputee-coalition.org/military-instep/ten-exercises.html . 
Para quem quiser saber mais, recomendo a leitura do TCC AVALIAÇÃO DO EQUILÍBRIO E FUNCIONALIDADE EM INDIVÍDUOS COM AMPUTAÇÃO DE MEMBRO INFERIOR PROTETIZADOS E REABILITADOS, disponível no site http://www.unioeste.br/projetos/elrf/monografias/2005/pdf/jean.pdf . A introdução e os fundamentos teóricos estão bem abrangentes e muito bem escritos.

ALOHA


quarta-feira, 8 de junho de 2011

Cuidados posturais e de estímulo à mobilidade no AVE agudo. - O essencial

Olá pessoal,
Após um longo período de ausência estou de volta. Passei os últimos dois meses muito ocupado combatendo as forças do mal intergalático e agora que já devolvi a paz ao Universo posso voltar a me dedicar a este blog.
Hoje vou postar tradução livre que fiz de um protocolo desenvolvido pelo Ministério da Saúde do Kwait para o tratamento hospitalar de pacientes hemiplégicos em fase aguda (para acessar o documento original clique AQUI). Trata-se de condutas extremamente simples, mas que fazem uma grande diferença para o paciente em fase aguda. Esta é a segunda vez que traduzo um protocolo do Kwait. O outro foi sobre Paralisia de Plexo Braquial e teve uma boa aceitação entre os leitores do blog. Espero que esta postagem também agrade e ajude colegas fisioterapeutas.

Metas de Intervenção Fisioterapêutica na Fase Aguda
Os objetivos a serem alcançados na fase hospitalar estão relacionados ao estimulo a mobilidade independente o mais cedo possível.

Os objetivos gerais de mobilidade
1 – Estimular o paciente a realizar o exercício de ponte na cama
2 – Ensinar o paciente a rolar na cama e realizar transferência de supino para sentado na borda da cama
3 –Estimular o controle de tronco na posição sentada.
4 – Estimular o paciente a realizar atividades de alcance em todas as direções.
5 – Facilitar a transferência da cama para a cadeira e de volta
6 – Estimular a deambulação com ou sem assistência, dispositivo e / ou ajuda externa

Prevenção de trauma e dor no ombro acometido
• Posicione adequadamente o membro superior do paciente.
• Evite segurar e tracionar o paciente pelo braço do lado afetado.
• Sempre apoiar o braço quando o paciente estiver sentado, quer na frente ou de lado em uma mesa alta.
• Estimule a movimentação ativa do membro superior para ganhar o controle motor.
• Incentive o paciente a realizar atividades bimanuais.

ATIVIDADES TERAPÊUTICAS:
 
#1 - Sentado no leito, com a cabeceira elevada e braços posicionados sobre mesa ou travesseiro.
Paciente é orientado a utilizar seu membro superior não afetado em atividades de acordo com seu interesse.


#2 - Sentado assistido na beira da cama, com braços apoiados na mesa e pés no solo ou degrau. Peça ao paciente para realizar qualquer atividade com o membro superior e inferior do lado não afetado. Lembre-se que enquanto ele relaiza atividades com o lado não afetado, ele realiza descarga de peso sobre o lado afetado, assim estimulando atividade no lado afetado.

#3 - Com o paciente sentado na beira da cama.Pratique atividades de alcance e descarga de peso sobre o lado afetado.







#4 - Atividades de mobilidade na cama. Realize atividades de ponte na cama. A estabilização dos membros inferiores pode ser feito pelo tornozelo ou pelos joelho.

#5 - Rolando na cama por sobre o lado não afetado. O braço do lado afetado pode ser posicionado sobre o peito e a perna do lado afetado posicionada com flexão de joelho. O paciente é orientado a trazer a cabeça e o membro afettado em diração ao lado oposto enquanto se empurra com o pé do lado não afetado.
OBS: Recomendo a complementação deste manuseio pela leitura do livro recomeçando outra vez da Autora Patrícia Davies

 
 
#6 - Transferência de Decúbito Dorsal para sentado na beira da cama

Inicie após o paciente conseguir ficar sentado no leito, com a cabeceira elevada a 80-90 graus. Solicite ao paciente a se virar para o lado não afetado e se sentar com as pernas para fora do leito. Recomendo a leitura da postagem sobre transferências no leito.
# 7 - Progressão de sentado para de pé
A progressão é realizada a partir de superfícies mais altas (mais fácil para o paciente passar de sentado para de pé) para superfícies mais baixas (mais difícil para o paciente).
Na figura abaixo a fisioterapeuta utiliza uma cinta no paciente de modo a deixá-lo com os membros superiores livres.

#8 - Caminhando ao redor do leito ou de uma maca
Com a terapeuta acompanhando o paciente por trás ou pelo lado afetado, deve-se praticar caminhadas em volta da cama do paciente de modo que ele possa usara mão do lado não afetado para apoiar-se na cama. Ele pode praticar andar para a frente, para os lados e para trás. O menor contato manual deverá ser utilizado até que o paciente aprenda a andar sozinho.
O uso de barras paralelas para o treino de marcha não é recomendado, pois as barras oferecem muito apoio passivo e o paciente pode acabar se tracionando ou apoiando demais sobre a mão do lado não afetado, o que atrapalharia a reaquisição de reações de equilíbrio e marcha independente.


#9 - Atividades de alcance em ortostatismo


O paciente é posicionado em frente a uma mesa e é desafiado a realizar atividade de alcance em várias direções. Enquanto pratica o alcance com o braço não afetado, a mão afetada é posicionada sobre a mesa realizando descarga de peso

Com o braço não afetado apoiado sobre uma mesa ou na parede, o paciente é orientado a pisar em um banquinho (8cm). A progressão pode ser feita solicitando ao paciente que pise no banquinho sem apoio. Uma progressão mais avançada pode ser feita aumentando-se a altura do banquinho

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Curso online grátis de fisioterapia - Pediatria, Incontinência Urinária e Geriatria

Olá pessoal,
Passo hoje para deixar uma excelente oportunidade de aperfeiçoamento em fisioterapia.
O Núcleo de Telessaúde da UERJ disponibiliza vários cursos online inteiramente de graça
Sim, isso mesmo. Os cursos são de grátis, totalmente 0800, sem letras miúdas, sem enganação e ainda com direito a certificado no final.
A maior parte dos cursos oferecidos são relacionados à enfermagem, mas tem 3 cursos de fisioterapia que são bastante interessantes:

Na área da Saúde da Criança e do Adolescente:
Avaliação Fisioterápica do Desenvolvimento Neuropsicomotor de Prematuros

Na área de Saúde da Família
Fisioterapia Respiratória em Domicílio

Na área de Saúde do Homem
Incontinência Urinária Masculina - Abordagem Fisioterápica

Além destes, também me chamaram a atenção os seguintes cursos:
* Pesquisa Clínica Baseada em Evidências
* Acesso à Fonte de Informação
* Abordagem do Idoso com Episódios de Quedas

* Envelhecimento e a Atenção Integral à Saúde do Idoso  

Para se inscrever é moleza:
#1- Ao acessar a página do Telessaúde da UERJ (http://www.telessauderj.uerj.br/ava/), clique em "EDUCAÇÃO" na barra superior da tela
#2 - Em seguida, clique em "CURSOS", como na figura abaixo


#3- Em seguida clique em "PARTICIPE", no ícone do computador, como na figura abaixo



#4 - Preencha o cadastro com seus dados. Assim que tiver terminado, você receberá uma autenticação por e-mail e poderá se inscrever no curso.

Eu me inscrevi e já assisti a primeira aula do curso de desenvolvimento neuropsicomotor do prematuro e estou gostando muito.
Espero que vocês gostem desta iniciativa tanto quanto eu.
Valeu galera
Bons estudos 

domingo, 27 de março de 2011

Este não é um post sobre fisioterapia

Olá Galera,
Este não é um post sobre fisioterapia, aliás, sei que ando devendo postagens mais frequentes, mas não resisti a fugir do assunto deste blog.
Acho que os leitores mais assíduos já perceberam que eu não nutro muita simpatia pela classe política do Brasil. Na verdade desprezo é uma palavra branda demais para descrever o que eu sinto pela grande maioria dos políticos brasileiros. Por isso preciso divulgar este video da deputada estadual Cidinha Campos do Rio de Janeiro. Não é de hoje que uma corja de ladrões e assassinos infectam a ALERJ e também não é segredo para ninguém o envolvimento deste tipo de gente com o narcotráfico... como foi retratado no filme "tropa de elite 2" infelizmente tem quem vote nessa gente...
Este video serviu para me dar ainda um pouco de esperança.
Percebam como os risos dão lugar a um silêncio sepulcral...será que a carapuça serviu EM TODO MUNDO DA ALERJ ? ? ?
me parece um caso de sujo falando do mal-cheiroso, mas é sempre bom ver alguém jogando no ventilador.
..

Capitão Nascimento neles!!!!!

sábado, 19 de março de 2011

A Síndrome da Pedrada

AVISO AOS NAVEGANTES
Esta é uma postagem direcionada a estudantes e profissionais de fisioterapia. Se você está com dores na perna ou em qualquer outra parte do corpo, não tente fazer o diagnóstico sozinho(a).
Dito isso, segue a postagem...
 

 
Você já ouviu falar da síndrome da pedrada? Esta síndrome nada mais é do que o nome criativo dado ao estiramento muscular das fibras do músculo Gastronêmio - geralmente envolvendo a cabeça medial. Esta condição é também chamada de “Tennis Leg”. Esta denominação pouco usada no Brasil, mas útil para quem quiser procurar mais informações sobre o assunto em sites de língua inglesa..
 
E por que síndrome da pedrada ?
A contração brusca e intensa do músculo tríceps sural pode de gerar uma ruptura de suas fibras. Geralmente é causada durante a corrida (como ao atravessar a rua). Esta lesão caracteriza-se por dor súbita localizada na parte posterior da perna, de intensidade variável, seguida de hematoma. Pode ocorrer também um estalido audível. Devido a estas características, alguns pacientes relatam que a sensação no momento da lesão é como se tivessem sido atingidos por uma pedra ou uma bala perdida (por alguma razzão esta última associação é muito comum entre os cariocas). No momento da lesão a perna pode falsear, fazendo a pessoa cair no chão.
 
O grau de ruptura muscular pode variar de leve, apresentando sintomas de pequena intensidade, a moderado, fazendo o indivíduo mancar. Em casos graves, a ruptura muscular pode mesmo incapacitar a pessoa de andar. Às vezes, especialmente entre idosos e pessoas na meia-idade, os sintomas podem ser confundidos com um episódio de Trombose Venosa Profunda (TVP).
 
Quais são os sintomas?

No momento da Lesão:
Ocorre uma dor súbita e aguda, seguida por uma dor em queimação na panturrilha afetada. A pessoa geralmente descreve um "estalo" na panturrilha e, por vezes, acredita que ele ou ela tenha sido atingido por trás, como se por uma pedra ou bala perdida (relato mais comum entre os cariocas). A perna pode falsear, fazendo a pessoa cair no chão. Um outro sintoma pouco mencionado é que em casos moderados/graves, a batata da perna fica “murcha” (hipotônica), acredito que isso aconteça devido a uma inibição muscular pela dor.
 
Após a lesão aguda
A dor pode variar de leve a intensa, dependendo da gravidade do estiramento muscular. O paciente pode apresentar incapacidade de colocar o calcanhar no chão, geralmente caminhando na ponta dos dedos do pé para reduzir a dor. A dor pode estender-se por todo o comprimento do músculo lesionado e piorar durante a contração ativa ou alongamento passivo. Equimoses e hematomas podem surgir no tornozelo. A recuperação depende do grau da lesão, em geral variando entre alguns dias até cerca de seis semanas.

Em geral esta lesão não deixa sequelas. Porém nos casos mais graves, se não for tratada corretamente, a remodelação cicatricial pode ocorrer de forma desorganizada, o que pode tornar o músculo fraco e propenso a novas lesões.
… e agora o que todo mundo quer saber:
 
Fisioterapia
O fisioterapeuta é o profissional mais capacitado para orientar e supervisionar os exercícios e atividades mais adequadas para a recuperação desta lesão. Portanto, se você está lendo esta postagem porque se lesionou e decidiu consultar o Dr. Google antes de um médico ou fisioterapeuta, recomendo que você pense bem no que está fazendo... tem certeza que acertou o diagnóstico ? Pense bem, pois um tratamento mal feito pode comprometer seriamente sua perna. Você já assistiu House alguma vez?
Dada esta nova advertência, podemos prosseguir.
 
O tratamento imediato
  • RICE (repouso, gelo, compressão e elevação) para as primeiras 48 horas. Elevação da perna evita o inchaço. Além disso, o repouso neste período também é importante.
  • Uma meia elástica pode ser prescrita.
  • Para casos mais graves, deve-se usar muletas, com carga zero no membro afetado.
  • Após a consulta com o médico, a prescrição de medicamentos para o controle da dor e inflamação.
 
Fisioterapia
Inclui retorno as atividades de membro inferior conforme tolerância.
Com a redução da dor, pode-se utilizar alguns alongamentos e atividades concêntricas e excêntricas. Eu acho interessante desenvolver atividades com descarga de peso parcial ou total (conforme tolerância) reproduzindo as fases da marcha para melhorar o controle neuromuscular. Aliás, uma boa pedida seria antes mesmo das atividades com carga utilizar algumas irradiações de PNF para “acordar a musculatura”.
Monitore o retorno das atividades de caminhada e de dirigir carros. Não se esqueça dos alongamentos e atividades de propriocepção. Cuidado para não ultrapassar o limiar de dor, pois isto pode atrasar o processo de recuperação.
 
É isso aí pessoal, espero que as dicas sejam úteis

sexta-feira, 11 de março de 2011

O Fim da Fisioterapia

Quando eu nasci o mundo era bem diferente do que é hoje. Pra começar não existia celular, TV a cabo e muito menos internet. A primeira década do século XXI consolidou a tecnologia como um bem de consumo essencial para o ser humano. Apesar desta constatação, sempre achei curiosa a demora com que a tecnologia é incorporada pelas ciências da saúde, particularmente a reabilitação. Mas apesar desta defasagem, eu acredito que o século XXI será conhecido como o século da reabilitação. Não digo isso por ser um cara que vê o copo sempre meio cheio (pra ser sincero, estou longe disso!) , mas sim pela quantidade de pesquisas promissoras em andamento. Temos desde células-tronco para a cura de lesões medulares e doenças neurodegenerativas até o novíssimo exoesqueleto ReWalk, passando por próteses computadorizadas, e terapias baseadas em realidade virtual.

Com todos estes milagres prestes a acontecer, eu me pergunto se este não será o fim da fisioterapia. Afinal de contas, se uma injeção de células tronco for capaz de curar lesões medulares, doença de Parkinson, AVC, Esclerose Lateral Amiotrófica, unha encravada e até feiura, por que alguém procuraria um fisioterapeuta?

Calma, calma, não criemos pânico! Não vá sair correndo pra se matricular em outra faculdade e nem rasgar os certificados dos cursos que você já fez. Eu acredito que mesmo com a possibilidade de cura, as pessoas ainda precisarão reaprender a utilizar seus corpos. Veja, por exemplo a entrevista publicada na revista Info exame em novembro de 2010 com o pesquisador brasileiro Miguel Nicolelis (clique aqui para ler).

Nicolelis está pesquisando formas de realizar interface cérebro-máquina, ou seja: de conectar o cérebro humano a membros robóticos. A previsão é que as pessoas que perderam membros e que venham a se beneficiar desta interface precisem ser treinadas na utilização do membro artificial, e adivinha só quem vai fazer isso?
Isso mesmo! Fisioterapeutas!
Já imaginou as oportunidades de trabalho que podem surgir a partir daí?

Mesmo os pacientes submetidos ao polêmico tratamento com células-tronco necessitarão de reabilitação tanto antes, para manter o comprimento muscular e a integridade articular, quanto depois, justamente para reaprenderem os movimentos.

Pois é pessoal, para aqueles que leram esta postagem esperando a declaração do fim da fisioterapia, lamento informar que ainda não foi desta vez.
Mas se serve de consolo, você terá outra chance em dezembro de 2012. Nessa data não só a fisioterapia, mas o mundo todo irá acabar. . .
. . . será?

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Boletim 2011 dos Doutores Palhaços

Olá fisionautas.
Transcrevo o boletim 2011 do Grupo Roda Gigante, mais conhecidos como Doutores Palhaços. Como de costume, os besteirologistas fazem a diferença por onde passam.
... respeitável público, agora com vocês o boletim de atividades dos excelentíssimos Doutores besteirologistas . Os palhaços sobem a serra
Dia 28 de Janeiro foi a data escolhida pelo grupo Roda Gigante para fazer a sua primeira visita às áreas afetadas pelas chuvas na região serrana do Rio de Janeiro. Convidados e recepcionados pelo médico Paulo César Júnior, nosso antigo conhecido do Hospital Universitário Pedro Ernesto, quatro palhaços do grupo embarcaram na empreitada juntamente aos amigos Charlote (Patrícia Ubêda), Ana Carina (Cia. do Gesto) e Wladimir (Flávio Souza).
Foram momentos muito marcantes para todos os envolvidos. Certos da importância deste tipo de trabalho e da necessidade de reconstrução física e emocional da cidade, o grupo realiza intervenções regulares em abrigos de Friburgo.

Lançamento do documentário do Roda Gigante
O grupo Roda Gigante fez o lançamento do documentário "Roda Gigante - Compatilhando novas idéias sobre saúde". O vídeo revela as ações desenvolvidas pelo grupo Roda Gigante em 2010 em comunidades e hospitais públicos da cidade do Rio de Janeiro.
A exibição do filme aconteceu no evento YOU HOPE - Educação em Saúde, Imagem e Sensibilidade, integrado a semana de ambientação dos Residentes do Hopital Pedro Ernesto/UERJ.

Esquentando os tamborins
Este ano o carnaval será em março e o grupo Roda Gigante começa a ensaiar seu já tradicional bloco carnavaleso "Breque do Piripaque".
Desta vez , o grupo levará a folia aos corredores e enfermarias de todos os hospitais parceiros, entoando marchinhas clássicas e lançando seu novíssimo samba enredo.

Fonte:
http://rodagigante2009.blogspot.com/2008_12_01_archive.html
http://www.rodagigante.org/


quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Exercícios antes da artroplastia podem ser benéficos

Em um estudo recente publicado no periódico “Journal of Strength and Conditioning Research”, pesquisadores da Universidade de Louisville (USA) Investigaram os efeitos de um programa de exercícios conduzido antes da cirurgia de Artroplastia de Joelho (pré-reabilitação) e concluíram que é possível ganhar força e diminuir a dor mesmo em pacientes com artrose avançada.
Em matéria disponível no site Science Daily, a pesquisadora Ann UofL de Swank, (Ph.D. em Fisiologia do Exercício) comenta alguns pontos da pesquisa.

"Criamos este programa para ser facilmente transferido para um ambiente de casa", disse Swank. "É muito fácil para os pacientes que se preparam para a cirurgia de substituição do joelho participarem deste programa e desta forma, conseguir melhorar seu desempenho em atividades funcionais tais como levantar de uma cadeira ou subir escadas." No entanto, Swank ressalta que o programa de pré-reabilitação não foi capaz de melhorar significativamente a velocidade de andar ou descer. O estudo incluiu 71 pacientes agendados para cirurgia de joelho devido artrose grave que não podia ser controlada com medicamentos para a dor.
A artrose do joelho é uma condição muito comum em idosos, causando dor e diminuição gradual da capacidade de realizar tarefas cotidianas. Quando a dor se torna tão grave que os medicamentos já não conseguem mais garantir alivio, a cirurgia de substituição do joelho é a única opção. É importante ressaltar que até chegar neste ponto, a redução na força do Membro Inferior pode ter evoluído ao longo de vários anos, não só diminuindo a capacidade funcional, mas também aumentando o risco de quedas.

Os pacientes no grupo "pré-reabilitação" se exercitaram na clínica e em casa,três vezes por semana, por 4-8 semanas antes da cirurgia de substituição do joelho. Os pacientes no grupo de comparação receberam apenas os cuidados pré-operatórios normais, com instruções para continuar suas atividades habituais. Os dois grupos foram comparados em relação a força de joelho e desempenho em testes funcionais.

Quando avaliados uma semana antes da cirurgia, os pacientes que passaram pelo programa de pré-reabilitação mostraram melhorias em diversas áreas. Em particular, eles tiveram um aumento de 10% na força de extensão da perna. Além disso, pacientes no grupo pré-reabilitação tinham menos dor ao realizar os testes funcionais. Para pacientes recebendo tratamento padrão, o desempenho em alguns testes funcionais piorou nas semanas antes da cirurgia - possivelmente refletindo os escores aumentados de dor.

O fortalecimento de quadríceps antes da artroplastia de joelho pode ser um fator particularmente importante - o exercício pode reduzir o desequilíbrio de força, contribuindo para a melhora funcional. Os pesquisadores fazem notar que, mesmo com o exercício, a perna operada mantinha-se significativamente mais fraca do que a outra.

Estudos anteriores já haviam avaliado os programas de exercícios para melhorar a força da perna e capacidade funcional antes da cirurgia de substituição do joelho, mas com sucesso limitado.
Embora o estudo não compare a recuperação no pós-operatório, o aumento da força nas pernas e no desempenho de tarefas funcionais antes da cirurgia de substituição do joelho pode resultar em uma melhor recuperação pós-operatória.
O pesquisador Robert Topp, co-autor do estudo, observou que para além dos aspectos clínicos, há o potencial de redução de custos também.
"O próximo passo da pesquisa é determinar se este programa de exercícios pode se reverter em redução de custos. Por exemplo, a redução do número de dias de permanência do paciente no hospital ou redução no número de sessões de fisioterapia."

Na minha opinião, o grande mérito desta pesquisa é demonstrar que vale a pena investir em fortalecimento muscular mesmo em pacientes que estão às vésperas de fazer cirurgia. Infelizmente a pesquisa não acompanhou os pacientes no pós-operatório para confirmar suas suspeitas. Gostaria muito de saber o que aconteceu com o grupo controle e com o grupo intervenção no follow up... mas fica aí a sugestão para alguém que decida fazer o mestrado ou o doutorado...

Hasta La Vista

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Lesão Medular Traumática - Objetivos Funcionais

IMPORTANTE:
Esta é uma postagem direcionada a estudantes e profissionais da área de saúde. Não prescrevo exercícios e não faço consultas pela internet.


Atendendo a pedidos, fiz uma pesquisa sobre os objetivos funcionais por nível de lesão em pacientes com Lesão Medular. Mas antes de prosseguir, um aviso aos estudantes:
As informações a seguir devem ser interpretadas como um guia geral. Cada paciente é único e mesmo duas pessoas categorizadas como o mesmo nível de lesão nem sempre apresentam o mesmo quadro funcional.
Cada subdivisão foi feita considerando lesão medular completa no nível neurológico. Ou seja: quando o texto se referir a uma lesão em T1, por exemplo, significa que todos os segmentos acima de T1 estão preservados)
Dito isso, vamos ao que interessa:



TETRAPLEGIA

NÍVEIS C1-C3
Indivíduos com lesão completa C1-C3 (tetraplegia alta) tem controle dos movimento da cabeça e pescoço. A característica mais marcante de lesões desta altura é a necessidade de suporte ventilatório mecânico devido à perda da inervação do diafragma. Esses indivíduos podem eventualmente se beneficiar da FES do nervo frênico para reduzir sua necessidade de ventilação mecânica.

Habilidades: Movimentos limitados de cabeça e pescoço
Objetivos Funcionais:
Respiração: Depende de um ventilador ou um implante para controlar a respiração.
Comunicação: Em geral estes pacientes são traqueostomizados, o que influencia a capacidade de fala, aqual pode ser difícil, muito limitada ou mesmo impossível. Se a habilidade de falar é limitada, a comunicação pode ser realizada por meio de tecnologias assistivas, como um computador com software para falar ou digitar (semelhante ao que o Fisico Stephen Hawkings usa). A comunicação verbal permite ao indivíduo com lesão medular interagir com os cuidadores durante atividades como banho, vestuário, higiene pessoal, transferência, bem como a gestão de bexiga e intestino.
Tarefas Diárias: Tecnologia Assistiva permite independência em tarefas como virar páginas, usar telefone e utilizar e equipamentos.
Mobilidade: Pode operar uma cadeira de rodas elétrica, usando um controle de cabeça, bastão na boca ou controle no queixo.

NÍVEL C4
Pessoas com uma lesão ao nível de C4 possuem boa parte ou toda a inervação do diafragma preservada. Estes pacientes podem não precisar de assistência ventilatória de longo prazo, embora não seja incomum a receber ventilação mecânica inicialmente após a lesão. Pacientes com lesões de C1 a C4 irão depender da ajuda de outros em quase todas as suas necessidades de mobilidade e auto-cuidados, embora possam ser capazes de usar uma cadeira de rodas motorizada com o queixo ou controles adaptados (bastão bucal ou sopro).
O ideal é que os pacientes sejam capazes de se comunicar com os cuidadores sobre as suas necessidades de mobilidade, bem como sobre o auto-cuidado e da bexiga e / ou cuidados intestino.

Habilidades:Normalmente tem o controle dos movimentos de cabeça e pescoço. Indivíduos com o nível C4 podem encolher os ombros.
OBJETIVOS FUNCIONAIS:
Respiração: Podem necessitar de suporte ventilatório para respirar. Entretanto é possível respirar espontaneamente uma vez que a inervação do diagfragma está quase toda preservada.
Comunicação: Verbal, mas pode ter a projeção de voz mais fraca.
Tarefas Diárias: Com equipamentos especializados, alguns podem ter independência limitada na alimentação e operar de forma independente uma cama ajustável com um controle adaptado.

NÍVEL C5
Indivíduos com tetraplegia C5 possuem uso funcional da flexão de cotovelo. Com a ajuda de dispositivos de assistência especializada, tais como órteses de punho ou a mão que lhes permitam segurar objetos, estas pessoas podem alcançar a independência na alimentação e higiene. A fisioterapia é importante para prevenir contraturas de flexão de cotovelo e supinação do antebraço causada pela atividade do bíceps sem oposição. Pacientes com lesão em C5 podem ajudar na mobilidade e vestuário.

Embora possam utilizar cadeira de rodas manual com adaptações para serem tocadas, provavelmente uma cadeira de rodas motorizada com controles manuais será necessária para a maioria das suas necessidades de mobilidade. Os pacientes necessitam de assistência para a maioria dos auto-cuidados, para a mobilidade, transferência e para o manejo das funções vesicais e intestinais. A tecnologia assistiva desempenha um papel importante na maximização do controle do ambiente, ajudando o paciente a ajustar a altura da cama, atender telefones, usar computadores, acender e apagar luzes e televisores. Dirigir um veículo especialmente adaptado é possível.

Habilidades: Normalmente tem o controle dos movimentos de cabeça, pescoço e ombros. Podem fletir os cotovelos e realizar supinação de antebraço.
OBJETIVOS FUNCIONAIS:
Tarefas Diárias:
Independência para comer, beber, lavar o rosto, escovar os dentes, barbear rosto e cabelos após assistência na montagem de equipamentos especializados.
Cuidados de Saúde: É possível realizar alguns dos auto-cuidados de saúde, como tosse auto-assistida e alívio de pressão ao inclinar-se para frente ou para os lados.
Mobilidade: Pode empurrar uma cadeira de rodas manual em curtas distâncias sobre superfícies lisas. A cadeira de rodas motorizada com controles de mão é normalmente utilizado para as atividades diárias. Dirigir pode ser possível após serem avaliados por um profissional qualificado para determinar as necessidades de equipamentos especiais

NÍVEL C6
Indivíduos com tetraplegia C6 têm, além do controle motor do bíceps braquial, a função adicional de extensão do punho. Isso permite o uso da tenodese (flexão passiva dos dedos da mão e adução do polegar durante a extensão ativa de punho). O paciente deve evitar o alongamento excessivo dos flexores dos dedos, pois limita a ação da tenodese.

C6 é o nível mais alto no qual os pacientes podem ter uma lesão completa e ainda assim obter independência funcional, sem o auxílio de um cuidador, embora essa situação não seja comum.
Indivíduos com lesões a este nível pode alcançar níveis consideráveis de independência funcional em termos de alimentação, higiene, banho, cama e mobilidade por meio de adaptações. Eles podem vestir a parte superior do corpo de forma independente e ajudar a vestir a parte inferior. Podem realizar transferência da cama para cadeira utilizando uma prancha de transferência. O cateterismo intermitente para o cuidado da bexiga pode ser possível com dispositivos adaptados, embora não seja comum e seja tecnicamente mais difícil para as mulheres do que para homens.
Cadeiras de rodas manuais com adaptações para facilitar o apoio das mãos podem ser utilizada para a mobilidade comunitária, embora os pacientes possam preferir uma cadeira de rodas motorizada. Conduzir um veículo adaptado com algumas adaptações, como um elevador personalizado e controles manuais, é uma opção. Pacientes com lesões C6 podem ser independentes na utilização de um telefone, escrita e digitação (com dispositivos adaptados).

HABILIDADES:Controla movimentos de cabeça, pescoço, ombros, braços e pulsos. Pode encolher os ombros, fletir os cotovelos, supinar e pronar o antebraço e estender os punhos.
OBJETIVOS FUNCIONAIS:
Tarefas Diárias:
As tarefas diárias de alimentação, banho, limpeza, higiene pessoal e limpeza podem ser executadas com maior facilidade utilizando alguns equipamentos especializados.
Cuidados de Saúde: É possível fazer verificações independentes da pele, realizar o alívio de pressão, e virar na cama.
Mobilidade: Alguns indivíduos podem fazer transferências de forma independente, mas muitas vezes é necessária uma placa de deslizamento. É capaz de usar uma cadeira de rodas para as atividades diárias, mas pode usar cadeira de rodas motorizada para maior facilidade e independência.

NÍVEL C7
Com o uso de dispositivos adaptados, também podem se tornar independente em matéria de higiene, limpeza extremidade inferior, e cuidado intestinal. Os indivíduos com uma lesão em C7, especialmente as mulheres, podem precisar de ajuda com o cuidado da bexiga (p.ex., cateterismo intermitente). Podem também ser independentes, com ou sem dispositivos auxiliares, para escrita, digitação, virando as páginas, atender telefones, e usar os computadores.

HABILIDADES: Tem movimentos semelhantes ao de um indivíduo com nível C6, com capacidade adicional para estender os cotovelos.
OBJETIVOS FUNCIONAIS
Tarefas Diárias: É capaz de executar tarefas domésticas. Necessita de menos ajuda adaptada para vida independente.
Cuidados de saúde: Capaz de fazer elevação de pelve na cadeira de rodas para alívio de pressão.
Mobilidade: O uso diário de cadeira de rodas manual. Pode fazer transferências com maior facilidade.
Indivíduos com tetraplegia C7 têm a capacidade de estender o cotovelo, o que aumenta a sua mobilidade e habilidades de auto-cuidados. Estes pacientes podem conseguir a independência na alimentação, em vestir a parte superior do corpo, tomar banho, mobilidade na cama, transferências e de propulsão de cadeira de rodas manual na comunidade.

NÍVEL C8
Indivíduos com tetraplegia C8 têm controle para flexão dos dedos, o que melhora a sua independência em termos de preensão manual. Eles podem atingir a independência na alimentação, higiene, em vestir os membros superiores e inferiores, tomar banho, mobilidade, transferências, propulsão de cadeira de rodas manual, e auto cuidados da bexiga e do intestino de cuidados, bem como digitação, atender telefones, e usar os computadores.

HABILIDADES
Tem mais força e precisão nos movimentos dos dedos, resultando em função manual limitada ou natural.
OBJETIVOS FUNCIONAIS
Tarefas Diárias: Pode realizar as atividades diárias de forma independente, sem necessidade de dispositivos de auxílio na alimentação, banhos, higiene bucal e facial, e cuidados com a bexiga e intestino.
Mobilidade: Usa cadeira de rodas manual. Pode transferir de forma independente.


PARAPLEGIA

NÍVEIS T1-T12
Os indivíduos com paraplegia T1-T12 tem inervação e função de todos os músculos da extremidade superior, inclusive para a função da mão. Eles podem conseguir a independência funcional em autocuidados (incluindo tarefas domésticas e preparação de refeições), no manejo da capacidade da bexiga e intestino, e em todas as necessidades de mobilidade utilizando cadeira de rodas. é importante notar que quanto mais baixo o nível neurológico, melhor será o equilíbrio do tronco e á efetividade da tosse. Os indivíduos devem receber treinamento avançado de cadeira de rodas, para que possam passar por superfícies desniveladas, terrenos acidentados, rampas e calçadas, bem como transferências do chão para a cadeira de rodas.

Os indivíduos com uma lesão T9-T12 têm controle de tronco variável (dos músculos paravertebrais e abdominais), e eles podem ser capazes de deambular usando órteses HKAFO, juntamente com um andador ou muletas. Pessoas com uma lesão em T10-T12 tem um melhor desempenho, e podem até tentar subir e descer escadas. Infelizmente, o uso destas órteses requer gasto de energia extrema e pode sobrecarregar os membros superiores, causando lesões. POr causa disso, muitas pessoas podem preferir a mobilidade de cadeira de rodas.

HABILIDADES:Tem a função motora normal de cabeça, pescoço, ombros, braços, mãos e dedos. Tem uma maior utilização das costelas e controle de tronco.
OBJETIVOS FUNCIONAIS
Tarefas diárias:
Possui um alto nível de independência em quase todas as atividades.
Mobilidade: Alguns indivíduos são capazes de marcha limitada utilizando órteses longas. Isto requer grande gasto energético e exige muito da parte superior do corpo, não oferecendo nenhuma vantagem funcional. Pode levar a danos às articulações dos membros superiores.

NÍVEIS LI-L5
Indivíduos com lesão lombar podem conseguir a independência funcional para a mobilidade, autocuidados e manejo da bexiga e do intestino. O treinamento avançado em cadeira de rodas (como mencionado acima) deve ser realizado.

Os pacientes com esta lesão pode dirigir de forma independente, usando um carro adaptado com controles manuais. Os indivíduos com uma lesão ao nível da coluna lombar podem se tornar funcionalmente independentes em termos de família e deambulação comunitária, que é frequentemente definido como a deambulação sem auxílio para distâncias superiores a 150 pés (aproximadamente 45 metros), com ou sem o uso de aparelhos e dispositivos de assistência. Aparelhos ortopédicos (KAFOs e órteses tornozelo-pé) são frequentemente prescritas para ajudar estes pacientes a andar. Porém o uso de uma cadeira de rodas manual em parte do tempo é muitas vezes necessário.

HABILIDADES
Apresenta algum grau de controle dos movimentos de quadris e joelhos.
OBJETIVOS FUNCIONAIS
Mobilidade:
Caminhar pode ser uma função viável, com a ajuda de órteses de perna e tornozelo. Níveis mais baixos de lesão podem caminhar com maior facilidade com as órteses.

NÍVEIS S1-S5
HABILIDADES: Dependendo do nível da lesão, existem vários graus de retorno voluntário da bexiga, intestino e das funções sexuais.
OBJETIVOS FUNCIONAIS
Mobilidade: Maior capacidade de andar com poucos ou nenhum dispositivo de apoio


REFERÊNCIAS:

http://emedicine.medscape.com/article/322604-overview

http://www.spinalcord.uab.edu/show.asp?durki=22409

http://www.spinalcord.uab.edu/show.asp?durki=30172

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Isso é o que eu chamo de crioterapia... ou seria vodkaterapia?

Dá próxima vez que você sair de casa só de cueca e enfrentar um frio de 5 graus abaixo de zero, certifique-se de ter em mãos uma garrafa de vodka. Ela pode salvar sua vida
. Aleksander Andrzej, o picolé de Vodka da Varsóvia

Um homem bêbado encontrado deitado no banco de um parque de Varsóvia, na Polônia, apenas de cueca sobreviveu por causa da quantidade excessiva de álcool em seu sangue. Aleksander Andrzej, de 32 anos, estava sob a temperatura de -5ºC e foi levado para o hospital pela polícia.

Um teste de bafômetro mostrou que Andrzej tinha consumido cerca de 30 vezes o limite alcólico legal para dirigir. Exames mostraram que Andrzej apresentava 1.024 microgramas de álcool por 100 ml de sangue. Os médicos afirmam que foi exatamente isto que o ajudou a sobreviver ao frio intenso.

Banco de praça típico da região da Varsóvia - Polônia
Não é confortável e nem quentinho, mas algumas doses de Vodka podem ajudar bastante.

Os médicos explicaram que o álcool em seu sangue agiu como anti-congelante. Todos concordam que ele tem sorte por ter sobrevivido. Em pouco tempo, Andrzej deve ter uma recuperação completa.

Esta postagem não tem nada haver com fisioterapia, mas achei curioso, pois explica por que alguns amigos meus que moram em Belo Horizonte aparentemente não possuem receptores cutâneos para o frio.

Fonte:
http://g1.globo.com/planeta-bizarro/noticia/2011/02/de-cueca-homem-sobrevive-menos-5-c-por-estar-muito-bebado.html

Como diria o Dr. Spock
. . . Fascinante . . .

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Mapas interativos de dermátomos, miótomos, anatomia y otras cositas más

A internet é realmente uma incrível fonte de recursos online para estudantes. Hoje, enquanto fazia uma pesquisa no Google, encontrei um site com muitas informações interativas, particularmente úteis pra galera dos primeiros períodos do curso de fisioterapia . Trata-se do Site http://www.rmtstudents.com/ que pertence a uma empresa direcionada a estudantes de massagem terapêutica, a RMTstudents.
Ah ! por favor, antes que alguém reclame que está tudo em inglês, deixo claro que eu disponibilizo o que eu encontro na internet. Na medida do possível, eu até traduzo, mas definitivamente eu não crio os sites e nem os e-books.

Eu destaco alguns recursos como por exemplo o Guia de Estudos Interativo de Anatomia, com os principais marcos ósseos. Selecione a parte do corpo, visualize os acidentes ósseos e de quebra aprenda anatomia em inglês. Tá vendo os pontinhos azuis na figura abaixo? Quando você passa a setinha do mouse por cima, eles mudam de cor e o nome correspondente na tabela se destaca.

Além disso, tem também um mapa interativo com os dermátomos, acompanhado do nível espinhal, do miótomo e reflexos que podem ser testados. Mais uma vez, quando a seta passa por cima do mapa, a tabela ao lado com o nível medular, o dermátomo e o reflexo também se destacam.

Esse tipo de animação é legalzinha e não parece ser muito difícil de ser feita por quem sabe fazer animações em flash. bem que poderia ter um similar em português, né? Outro recurso super legal é a sessão de videos de Trigger points (pontos gatilho miofasciais) com videos demonstrando a técnica de inibição e um recurso visual demonstrando o caminho da dor irradiada.

É possível fazer o cadastro gratuito e ter acesso a mais recursos do site.

... Este mês tem show do iron Maiden no Rio de Janeiro
UP THE IRONS!!!!!!!!

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Transferência do Solo para Bola Suiça

Ora Bolas . . .
As bolas suíças são um excelente recurso terapêutico. Com elas podemos treinar equilíbrio, força , coordenação e ajustes posturais de nossos pacientes. No caso do tratamento de crianças, ainda conseguimos incluir um componente lúdico em nosso trabalho.
Gostaria de compartilhar alguns rabiscos que ando fazendo para tentar ilustrar alguns manuseios utilizando bolas suiças em pediatria. De fato, espero algum dia escrever um livro ilustrado com as diversas possibilidades terapêuticas que a bola suíça é capaz de acrescentar na sessão de fisioterapia pediátrica.

Transferência do solo para a bola
Os desenhos abaixo referem-se a uma técnica utilizada para transferir do solo para a bola suíça bastante útil para ser utilizada em pacientes com mielomeningocele baixa ou paraplegia. No caso de crianças, trata-se de adicionar um pouco de brincadeira na sessão, além de estimular o sistema vestibular enquanto ela passa do solo para a bola. No caso de adultos é uma forma de transferir um paciente para a bola sem precisar da ajuda de outro terapeuta.
Devo avisar que este manuseio não é tão fácil quanto parece. Por isso recomendo que caso resolvam utilizar, que treinem em colegas antes de usar no paciente (Dê preferência às baixinhas e magrinhas. Depois d epeggar a manha da coisa tente em humanos de tamanho normal) .
Na figura abaixo, tem a posição inicial: Paciente sentado em long sitting com as costas apoiadas na bola (a terapeuta apóia a bola com as pernas pra ela não sair rolando). Você vai precisar de um espaço de mais ou menos 2 metros atrás de você, pois o manuseio exige o deslocamento rápido para trás. Verifique também se não tem nenhum obstáculo para não acabar em uma video cassetada. Como obviamente vocês vão treinar em uma colega antes de tentar no paciente, aproveitem cada tentativa e perguntem como a cobais se sentiu, em termos de conforto e segurança.

Na figura acima perceba o detalhe das mãos e cotovelos da terapeuta

Chamo atenção para o detalhe das mãos nas axilas: Os polegares devem ficar pra fora para não machucar, e cotovelos da terapeuta apontando para os lados – acreditem: isso faz toda a diferença entre uma transferência dolorida e uma transferência confortável.
Após ajustar a posição inicial, você conta até 3 e ao mesmo tempo que se desloca para trás em vários passos curtos, você traz a colega para junto de você fletindo os cotovelos e trazendo os braços para trás e para cima, até conseguir colocá-la sentada na bola (é sentado de verdade. Não vale deixar todo troncho não). No final trave novamente a bola com suas pernas e sempre com ao menos uma das mãos em contato com o paciente, passe para a frente dele e Voilá! Você já pode continuar o tratamento.

Na figura acima o detalhe fica por conta dos passos para trás ao mesmo tempo em que se traciona a criança para junto do corpo, em uma direção diagonal para trás e para cima.


Obs: Os passos devem ser curtos e rápidos, é mais ou menos como se você desse uma corridinha para trás
Na figura abaixo tem a ilustração de como o paciente se desloca no percurso. Percebam que é como se ele grudasse na bola e fosse rolado para cima.

Se você fez tudo certo, terá a sua colega sentada na bola ao final do manuseio (que dura mais ou menos 3 segundos). Se fez errado ela estará no chão rindo ou te xingando.

Pratiquem em casa ou no estágio até o colega não te xingar mais, e lembrem-se:
A prática leva a perfeição.