IMPORTANTE
Este texto é a
continuação da postagem “aerossóis e fisioterapia” (clique AQUI para acessar a postagem anterior) e tem o objetivo de discutir apenas os princípios físicos e operacionais envolvidos na nebulização.
INTRODUÇÃO
Como visto em uma
postagem anterior, a medicação em aerossol é um componente importante do
tratamento de muitas doenças respiratórias, e os dispositivos mais utilizados
para gerar aerossóis são os nebulizadores. Seu uso é tão corriqueiro que muitas
das vezes sequer damos atenção ao que estamos fazendo. Afinal de contas basta
pingar o remédio no copinho com SF 0,9% , acionar a fonte de Oxigênio e mandar o paciente respirar a fumacinha.
Pronto, caso encerrado. Mas será que é só isso mesmo?
Você alguma vez
já se perguntou se existe diferença, do ponto de vista terapêutico, entre
nebulizar o paciente com um fluxo de 4 L de O2/min ou 10L de O2/min? ou se o
Nebulizador Ultrasônico é mais eficiente do que o Nebulizador Convencional?
Pois é, cá estou
eu novamente colocando pulgas atrás da orelha dos leitores incautos que chegaram
a este blog atrás de informações rápidas e superficiais... para quem quer um
texto asséptico, bem mastigadinho, recomendo a Wikipédia, mas para quem quiser
ler o resultado de uma busca na internet, com informações interessantes e algumas
pitadas de humor viking, recomendo que continue lendo esta postagem.
Tipos básicos de nebulizadores
Dois tipos de
nebulizadores são amplamente utilizados no Brasil,: os nebulizadores a jato
(também chamados de nebulizadores convencionais) e os nebulizadores
ultra-sônicos.
NEBULIZADORES DE JATO
Devido ao seu baixo custo e eficácia
clínica comparável em muitas situações os nebulizadores a jato são o tipo mais
comumente usado de nebulizador na maioria dos países. Estes nebulizadores
receberam este nome porque utilizam um
jato de oxigênio ou de ar comprimido para produzir a dispersão do líquido em
pequenas partículas.
Principais fatores que afetam a efetividade de nebulizadores a jato
#1-Padrão respiratório: O padrão respiratório afeta a quantidade de aerossol depositada nas vias respiratórias mais distais. Para melhorar a penetração e deposição do aerossol durante a nebulização recomenda-se que o paciente realize inspirações profundas. Respirações muito rápidas aumentam a deposição na orofaringe e grandes vias aéreas, e respirações lentas,com boca aberta, aumentam a quantidade de medicamento que chega aos pulmões. Respiração nasal reduz em 50% da deposição pulmonar, sendo grande parte do aerossol depositada no terço anterior das fossas nasais.
#1-Padrão respiratório: O padrão respiratório afeta a quantidade de aerossol depositada nas vias respiratórias mais distais. Para melhorar a penetração e deposição do aerossol durante a nebulização recomenda-se que o paciente realize inspirações profundas. Respirações muito rápidas aumentam a deposição na orofaringe e grandes vias aéreas, e respirações lentas,com boca aberta, aumentam a quantidade de medicamento que chega aos pulmões. Respiração nasal reduz em 50% da deposição pulmonar, sendo grande parte do aerossol depositada no terço anterior das fossas nasais.
#Importante #: A
eficácia da nebulização também é significativamente reduzida em crianças que
estejam chorando durante o tratamento.
#2- Máscara facial: O
uso de máscara facial é efetivo e mais indicado para crianças; entretanto, uma
percentagem da droga liberada impacta na face, outra se deposita no nariz e
pode haver perda por má colocação da máscara. Em estudo in vitro a má colocação
da máscara (2cm distante da face) reduziu a liberação da droga em 85%.
#3- Fluxo do jato: O
fluxo do jato influi no tamanho das partículas. Quanto maior a pressão e o
fluxo de ar comprimido, menor será o tamanho das partículas geradas. Em
hospitais, um fluxo entre 6-8 litros por minuto gera partículas com tamanho
aceitável. Fluxos menores que 6L/min são inadequados por gerarem partículas
grandes demais.
#4- Tempo de Nebulização: A maioria da dose nebulizada é fornecida durante os primeiros cinco
minutos, na maioria dos casos, e pouco benefício se ganha através da extensão
do tempo de nebulização para além de 5 a 10 minutos.
#5- Outros fatores: Nível de cooperação do paciente e mudanças nos padrões de respiração, como
ocorre com tosse persistente e choro.
Os nebulizadores de jato têm grande perda
de medicamento devido ao seu débito constante durante a inspiração e expiração.
O mecanismo de formação do aerossol não é simples - o fluxo de ar ou oxigênio ao passar através de um pequeno
orifício (Venturi), se expande, havendo queda brusca de sua pressão e grande
aumento de sua velocidade. Por um efeito Bernoulli, o líquido do reservatório
de inalação é sugado e são gerados aerossóis. Os maiores são retidos em
anteparos, e se juntam ao restante do líquido do reservatório, para serem
re-nebulizados, e os menores são inalados.
NEBULIZADORES ULTRASÔNICOS
Em um nebulizador ultra-sônico a energia
gerada pela vibração de um cristal
piezoelétrico, é transmitida à superfície da solução de líquido com
medicamento, gerando gotículas, que são liberadas da crista da onda
líquida na forma de aerossóis. Os Nebulizadores
ultra-sônicos usualmente, produzem aerossóis maiores, fazem menos ruído,
nebulizam mais rápido e são mais caros que os nebulizadores de jato. Não devem
ser utilizados para nebulizar suspensões como budesonida. De modo geral
admite-se que os nebulizadores ultra-sônicos geram aerossóis com maior
diâmetro, causam maior deposição de droga na orofaringe e tosse,e o uso de nebulizadores
ultrasonicos está associado a
broncoespasmo e resistência das vias aéreas, em alguns pacientes. A maior
indicação dos nebulizadores ultra-sônicos é na fisioterapia respiratória, com
intuito de aumentar a expectoração.
O mais interessante disso tudo é que
apesar destes fatores serem fundamentais tanto para o sucesso terapêutico
quanto para evitar desperdícios de recursos (medicamento, O2 e tempo), há pouca
(ou nenhuma) divulgação do conteúdo teórico envolvido na nebulização.
REFERÊNCIAS
http://www.thepcrj.org/journ/vol16/16_2_71_81.pdf
http://hallowell.com/media/aerosol_delivery_guide.pdf
http://www.jornaldepneumologia.com.br/PDF/1998_24_3_8_portugues.pdf
http://www.sbpt.org.br/downloads/arquivos/COM_ASMA/Rev_Dispositivos_Inalat_Dr_Luiz_Pereira.pdf




















