Olá Fisionautas,
Agora que o ano começou de verdade tem muita gente alvoroçada esperando a chegada dos calouros. Para algumas pessoas, a chegada de uma turma nova é uma oportunidade imperdível de usar o trote universitário como forma de disfarçar suas frustrações e inseguranças.
Mas o assunto de hoje não é psicanálise, mas sim algumas sugestões de camisas de fisioterapia. Eu acho sofrível na faculdade a falta de criatividade na hora do pessoal vender camisas. É sempre aquela mesma coisa. A frase "Seu namorado pode até fazer direito, mas ninguém mexe no seu corpo como eu" ou então aquela do coraçãozinho escrito "I love fisioterapia". Andei pesquisando na internet e até criei algumas sugestões de estampas de camisa de fisioterapia um pouco mais interessantes.
Divirtam-se
sábado, 23 de fevereiro de 2013
domingo, 17 de fevereiro de 2013
Examinando o Dr. House
Olá Fisionautas,
Quem acompanha a série de TV “Dr. House” sabe que o personagem
principal, Gregory House (Hugh Laurie), caminha com a ajuda de uma bengala
devido a um infarto sofrido na perna direita que resultou em necrose muscular e
muita dor, além de deixá-lo viciado em analgésicos e com um mau humor crônico.
Decidi dar um voto de confiança aos roteiristas da série House e ao invés de
baixar a lenha reclamando da falta de veracidade do roteiro, fui investigar o
que a literatura científica tem a dizer sobre qual o melhor lado para que o Dr.
House use a bengala.
COMEÇANDO PELO COMEÇO…Para um(a) fisioterapeuta, a mera informação de que o House sofreu
uma necrose muscular na coxa é muito vago, pois não indica qual ou quais
músculos foram afetados. Os roteiristas não informam nada sobre força muscular, amplitude de
movimento, instabilidade, coordenação e nem em quais movimentos a dor surge (também isso seria querer demais, né?). Desta forma nos faltam informações básicas para estabelecer um diagnóstico
cinesiológico. Sem estas informações não há como fazer uma busca específica na
literatura. Pelo fato do House apoiar a mão na coxa e não no joelho, decidi me
basear em artigos que investigaram o uso de bengala em pacientes com afecções
no quadril.
Fiz uma busca no Google para encontrar artigos publicados em
revistas especializadas utilizando as palavras-chave: muletas+ipsilateral+contralateral+marcha+pdf,
tanto em português quanto inglês.
POR QUE USAR BENGALA ?
Dispositivos de auxílio da marcha tais como muletas e bengalas são
indicados para pacientes com dor e fraqueza no membros inferiores. As
principais funções destes equipamentos são aumentar a base de apoio, melhorar o
equilíbrio e dividir a carga de peso corporal com os membros superiores.
Quando utilizado em um só lado do corpo, uma bengala pode reduzir
o estresse sobre o membro inferior contralateral e diminuir o gasto energético
necessário para caminhar. No entanto, pessoas com instabilidade no membro inferior
optam por utilizar a bengala no mesmo lado do membro afetado, justamente para
garantir mais estabilidade durante a fase de apoio da perna afetada. Como eu
disse anteriormente, não sei se o problema do House é somente dor/fraqueza ou
se envolveria também instabilidade.
PACIENTES COM ARTROSE DE QUADRIL – QUAL O MELHOR LADO PARA SE USAR
A BENGALA ?
Encontrei um trabalho em português que apresenta um
relato de caso no qual se comparou as características espaço-temporais da
marcha de um paciente com osteoartrose no quadril esquerdo quando ele caminhava
utilizando a bengala no lado contralateral e sem bengala. Os principais
resultados indicam que o comprimento de passo direito e esquerdo, bem como o
comprimento total do ciclo, foram superiores com o uso da bengala durante a
marcha; os autores concluíram que o uso da bengala contralateral tornava a
marcha do indivíduo estudado mais eficiente.
Este artigo é bem simples, ajuda um pouco no nosso raciocínio mas não ajuda
muito a encontrar a resposta a nossa dúvida. Primeiro porque se trata do estudo
de um único indivíduo com artrose de quadril bastante avançada, e isso por si
só impede a generalização dos resultados (nada me garante que outros pacientes
com artrose de quadril vão se comportar da mesma forma que o do estudo). Em
segundo lugar, foi comparada somente a marcha sem bengala e com bengala
contralateral. No nosso caso, desejamos saber se a bengala usada contralateral
a perna afetada é mais eficiente do que a usada no mesmo lado.
Pra ser bem cri-cri do ponto de vista da metodologia científica, o que podemos
tirar de útil deste estudo é que o uso da bengala resultou em melhora dos
parâmetros temporo-espaciais da marcha quando comparado a marcha sem bengala, e
que TALVEZ isto aconteça em outras pessoas com artrose unilateral de
quadril.
Clique no link acima para ser direcionado para o artigo
PACIENTES COM PRÓTESE DE QUADRIL – QUAL O MELHOR LADO PARA SE USAR A BENGALA ?
Este trabalho focou na avaliação da atividade muscular
dos abdutores de quadril utilizando eletromiografia de superfície e mensuração
da força aplicada sobre a bengala. Foram avaliadas 24 pessoas com prótese
unilateral de quadril enquanto caminhavam [1] sem bengala [2] com a bengala no
mesmo lado da prótese, [3] com a bengala no lado oposto a prótese e [4] novamente
contralateral a prótese, porém empurrando a bengala pra baixo com “força
próxima do máximo”
Este estudo foi conduzido com pessoas com artroplastia de
quadril unilateral. Quando instruídos a deambular utilizando a bengala de uma
forma confortável, foi gerada em média uma força correspondente a 10% do peso
corporal (isto é: uma pessoa com 80Kg descarregou 72Kg sobre a perna afetada). Com
relação a atividade muscular, o EMG evidenciou uma redução de 31% na ativação
dos músculos abdutores de quadril quando comparado a deambulação sem bengala.
Quando instruídos a deambular empurrando a bengala pra baixo com “força próxima
do máximo”, a redução da descarga de peso chegou a 19,8% do peso corporal. Este
esforço mais árduo produziu, em média, uma redução de 42,3% na EMG dos músculos
abdutores de quadril, mais uma vez comparado a deambulação sem bengala.
Este trabalho é bem legal, pois tem um grupo controle (marcha sem bengala) e 3
situações experimentais (com bengala do mesmo lado, com bengala contralateral e
bengala contralateral aplicando força máxima sobre a bengala).
Os resultados nos levam a uma conclusão interessante: a de que não é
necessariamente errado usar uma bengala no mesmo lado do membro afetado, pois
mesmo apoiada do mesmo lado, a bengala é capaz de aliviar a descarga de peso e
diminuir a sobrecarga sobre os abdutores. Porém quando apoiada no lado
contralateral ao quadril protético, a efetividade na redução da descarga e na redução da demanda de força sobre os
abdutores de quadril é muito maior.
Esta conclusão é corroborada pelo trabalho “ImmediateEffects of Contralateral and Ipsilateral Cane Use On Normal Adult Gait”, no
qual foram investigados o pico de força vertical, e variáveis espaço-temporais
da marcha de indivíduos hígidos, isto é, sem problemas nos quadris, enquanto
utilizavam bengala do mesmo lado e contralateralmente. Neste estudo os autores concluíram que as
duas formas de levar a bengala reduzem as forças sobre o membro inferior, porém
a contralateral é mais eficiente.
Há ainda um outro trabalho interessante que concluiu que
em pacientes com artrose de joelho o uso de muletas no membro contralateral
também é preferível ao uso ipsilateral só que com um agravante: Os resultados
deste estudo sugerem que em indivíduos com artrose de joelho, o uso de bengala
ipsilateral pode ser mais prejudicial do que não usar bengala alguma. Isso
porque a bengala no mesmo lado da lesão aumentar as cargas angulares sobre o
joelho, o que pode acelerar a degeneração.
Changes in knee
moments with contralateral versus ipsilateral cane usage in femaleswith knee osteoarthritis
O QUE APRENDEMOS COM ISSO ?
Bem, a primeira coisa que posso concluir é que parece que
eu não tenho nada melhor pra fazer no meu tempo livre do que ficar vendo TV e
arrumando sarna pra me coçar.
A segunda coisa que aprendi foi que com relação ao House, me parece que os roteiristas não estão tão errados assim.
Dependendo do problema e da preferência (chatice) do House, a bengala usada do
mesmo lado pode sim aliviar a sobrecarga e ajudá-lo a andar, muito embora
usá-la no lado contralateral seja muito mais eficiente.
Pois bem pessoal, é isso aí.
Já que estamos no carnaval e o assunto é bengala, gostaria de terminar a postagem com uma reflexão.
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
Fisiotoons, RPG II
Olá fisionautas,
Agora que acabou o carnaval podemos considerar que o ano de 2013 começou de verdade, e pra começar bem deixo mais uma tirinha de quadrinhos inspirada na fisioterapia.
Feliz ano novo, feliz 2013!!
Gostou? Dá uma olhada nos outros fisiotoons clicando nos links abaixo.
Fisiotoons - Os Pilates do Caribe
Fisiotoons - a Lei de Murphy e a Fisioterapia
Fisiotoons - RPG I
Fisiotoons - Sistema Vestibular
Agora que acabou o carnaval podemos considerar que o ano de 2013 começou de verdade, e pra começar bem deixo mais uma tirinha de quadrinhos inspirada na fisioterapia.
Feliz ano novo, feliz 2013!!
Gostou? Dá uma olhada nos outros fisiotoons clicando nos links abaixo.
Fisiotoons - Os Pilates do Caribe
Fisiotoons - a Lei de Murphy e a Fisioterapia
Fisiotoons - RPG I
Fisiotoons - Sistema Vestibular
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
Exercícios para o manejo da fadiga relacionada ao câncer - Ligando evidência e prática
Olá Fisionautas,
Hoje, dia 4 de fevereiro é o dia mundial de luta contra o câncer e em homenagem a esta luta deixo a tradução livre de mais um artigo da série LEAP (Linking Evidence and Practice- Ligando Evidência e Prática). Este trabalho foi publicado em 2011 na revista Physical Therapy e fala sobre a prática de exercícios físicos no combate a fadiga relacionada ao câncer.
Quem quiser baixar o artigo original em inglês basta acessar este link >>>>AQUI<<<<.
Se você gostou da abordagem LEAP, talvez queira ler a tradução de outros artigos da série:
# Reabilitação Pulmonar Após exacerbação Aguda da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica.- ligando evidência e prática
Como os médicos aplicam os resultados da revisão sistemática Cochrane ao caso da Sra. Hunter?
Hoje, dia 4 de fevereiro é o dia mundial de luta contra o câncer e em homenagem a esta luta deixo a tradução livre de mais um artigo da série LEAP (Linking Evidence and Practice- Ligando Evidência e Prática). Este trabalho foi publicado em 2011 na revista Physical Therapy e fala sobre a prática de exercícios físicos no combate a fadiga relacionada ao câncer. Quem quiser baixar o artigo original em inglês basta acessar este link >>>>AQUI<<<<.
Se você gostou da abordagem LEAP, talvez queira ler a tradução de outros artigos da série:
EXERCÍCIOS PARA O MANEJO DA FADIGA RELACIONADA AO CÂNCER
A fadiga relacionada ao câncer (FRC) afeta entre 70% a 100% dos
pacientes durante o curso da doença ou do seu tratamento e resulta em
restrições nas atividades do dia a dia. [2-3]. Embora a causa da FRC ainda seja
desconhecida [4-7], existem diretrizes o seu tratamento. De acordo com as
recomendações do National Comprehensive Cancer Network (NCCN), a FRC é definida
como um sintoma persistente, um senso subjetivo de cansaço físico, emocional e
cognitivo ou exaustão relacionada ao câncer ou ao seu tratamento que não seja
proporcional à atividade realizada recentemente a qual poderia interferir com a
capacidade funcional usual do paciente. A
NCCN , recomenda que se deve inicialmente tratar quaisquer condições
identificáveis e reversíveis que possam colaborar para o desenvolvimento de
fadiga, tais como hipotireoidismo, depressão, anemia ou insônia[8]. Se estes tratamentos não
funcionarem, ou se nenhum fator potencialmente causador de fadiga tenha sido
identificado, as diretrizes sugerem uma variedade de abordagens possíveis.
Entre as abordagens não farmacológicas recomendadas pela
NCCN está o aumento da atividade física. O combate ao sedentarismo e a prática
de exercícios físicos regulares podem reduzir tanto os efeitos físicos quanto psicológicos
do stress relacionado com tratamentos de câncer, podem também melhorar o humor
e reduzir a ansiedade e o medo em pacientes [9]. Recentemente, o American
College of Sports Medicine (ACSM) publicou diretrizes de exercícios para as
pessoas que sobreviveram ao câncer. Estas diretrizes afirmam que o exercício é
seguro e é capaz de melhorar o desempenho físico, a qualidade de vida e reduzir
o sintoma de fadiga [9]
Para determinar o efeito do exercício na fadiga relacionada
ao câncer, os autores Cramp e Daniel realizaram uma revisão sistemática, que
foi publicado no The Cochrane Database of Systematic Reviews em 2009 [10]. Esta
revisão procurou determinar o efeito de exercícios em pacientes com vários
tipos e estágios de câncer e com vários esquemas de tratamento, durante e também
após o tratamento. A revisão incluiu estudos randomizados controlados com
participantes de qualquer idade que tiveram qualquer tipo de câncer e qualquer
tipo de tratamento. Para serem incluídos, os estudos deveriam investigar o
efeito de qualquer tipo de exercício realizado em qualquer ambiente (hospital,
ambulatório ou domiciliar) e a sua comparação com nenhum exercício, tratamento
usual, ou tratamentos alternativos. Os estudos poderiam relatar desfechos em
várias formas, incluindo ferramentas padronizadas para avaliação da fadiga,
capacidade aeróbica, qualidade de vida, ansiedade e depressão.
Leve uma lição para
casa
A revisão por Cramp e Daniel [10] identificaram o efeito benefício
de exercício na redução da FRC. Os benefícios foram vistos tanto em programas
de exercícios supervisionados quanto não-supervisionados, realizados durante ou
mesmo após o tratamento do câncer. Vários modos, intensidades, freqüências e
durações de exercício parecem ser eficazes, no entanto, não há evidências suficientes
para orientar a escolha de um programa de exercícios específicos.
Caso # 5
Exercício e fadiga relacionada ao câncer
Um programa de
exercícios físicos pode ajudar esta paciente?
A Sra. Hunter é uma professora de educação física aposentada
de 65anos de idade, que buscou atendimento médico devido tosse crônica e perda
de 15 quilos de peso ao longo de 1 ano.
A Tomografia Computadorizada de tórax revelou uma massa de
3,3 cm no lobo superior do pulmão esquerdo, e a biópsia confirmou um carcinoma
de pulmão de células não pequenas. Ao longo de um período de 7 meses, a
paciente foi submetida a uma lobectomia seguida por quimio e radioterapia. Um
ano após a conclusão de seu tratamento de câncer, a Sra. Hunter queixou-se ao
médico sobre dispnéia de esforço e fadiga. Sua taxa de fadiga de acordo com a
escala visual analógica (EVA) foi de 60 de uma pontuação máxima de 100.
Como os médicos aplicam os resultados da revisão sistemática Cochrane ao caso da Sra. Hunter?
Foram realizados exames clínicos, porém não foi possível identificar
alterações fisiológicas que explicassem a fadiga e a dispnéia da paciente.
Desta forma, determinou-se que a dispneia de esforço era provavelmente causada
por descondicionamento físico.
Foi elaborada uma pergunta utilizando o formato PICO (Paciente,
Intervenção, Comparação e resultado (Outcome)) para guiar a busca de evidências
na literatura: Em uma mulher de 65 anos de idade, com câncer de pulmão, tratada
com lobectomia, quimioterapia e radioterapia, um programa de exercícios (em
comparação com exercício nenhum) seria benéfico para reduzir a fadiga?
A equipe que acompanha a Sra Hunter determinou que o artigo
de revisão sistemática de Cramp e Daniel [10] forneceu informações relevantes
que lhes permitiu responder a pergunta elaborada.
A maioria dos estudos na revisão
sistemática incluiu apenas as pessoas com câncer de mama, e nenhum dos estudos
incluiu apenas as pessoas com câncer de pulmão, no entanto vários dos estudos utilizados
na revisão sistemática incluíram participantes com vários tipos de câncer. Os
resultados dos participantes que receberam exercício foram mais freqüentemente
comparados a não intervenção ou "cuidados habituais".
Com base na avaliação da revisão sistemática a equipe recomendou
um programa de exercícios. Ela concordou com a recomendação e iniciou um
programa Individualizado de exercícios supervisionados em sessões de 60
minutos, duas vezes por semana, durante 10 semanas. Cada sessão incluiu um
período de aquecimento de 5-10 minutos em bicicleta estacionária ou esteira
ergométrica com uma intensidade de 10 a 12 na Avaliação de Borg, mantendo uma saturação
de oxigênio superior a 90%. O aquecimento foi seguido de um circuito de
musculação direcionado aos principais músculos dos membros superiores e
inferiores. Exercícios foram iniciados com uma série de 8 a 15 repetições e
progrediram até um máximo de 3 séries de 15 repetições, sempre com base na
tolerância da Sra. Hunter ao exercício. As sessões eram encerradas com
exercícios de alongamento de todos os grandes grupos musculares. O peso total
levantado em todos os grupos musculares durante todo o programa foi registrado.
Os resultados da
intervenção coincidem com os sugeridos pela revisão sistemática?
A Sra. Hunter completou 19 de 20 sessões de exercícios. Sua
fadiga foi reduzida no final do programa a uma pontuação de 22 em 100 na EVA. A
magnitude da redução da Sra. Hunter em fadiga (38 pontos), pode ser considerada
clinicamente importante. Além disso, ela não relatou efeitos adversos relacionados
ao programa de exercícios.
Olha aí a Sra Hunter alegre e faceira liberando serotonina
em sua caminhada matinal na esteira
Você pode aplicar os
resultados da revisão sistemática para seus pacientes?
Os resultados desta revisão aplicam-se a pacientes adultos
com diversos tipos de câncer que recebem intervenção de exercício durante ou
após tratamentos de câncer. Os resultados se aplicam tanto a pacientes em
programas de exercícios supervisionados quanto domiciliares.
O que pode ser
aconselhado a partir dos resultados desta revisão sistemática?
Os pacientes que se encaixam na descrição acima são
susceptíveis de beneficiar de um programa de exercícios que é de
aproximadamente 12 semanas. Da mesma forma que o programa de exercícios da Sra.
Hunter, as recentes orientações do ACSM sugerem que prescrições de exercício devem
ser individualizadas, considerando as precauções associadas ao tipo específico
de câncer, o nível de condicionamento físico, comorbidades e resposta ao
tratamento. Embora a Sra Hunter tenha aderido a um programa de exercícios após
o término do tratamento de câncer, a revisão sistemática demostra que os pacientes
que completaram programas de exercícios durante ou após seus tratamentos de
câncer experimentaram redução da fadiga e melhora da qualidade de vida.
REFERÊNCIAS
1 The Cochrane Library. Available at: http://www.thecochranelibrary.com/view/0/index.html. Accessed February 7, 2011.
2 Mock V. Fatigue management: evidence and guidelines for practice. Cancer. 2001;92(6 suppl):1699–1707.
3 Curt GA, Breitbart W, Cella D, et al. Impact of cancer-related fatigue on the lives of patients: new findings from the Fatigue Coalition. Oncologist. 2000;5:353–360.
4 Flechtner H, Bottomley A. Fatigue assessment in cancer clinical trials. Expert Rev Pharmacoecon Outcomes Res. 2002;2:67–76.
5 Lucia A, Earnest C, Pérez M. Cancer-related fatigue: can exercise physiology assist oncologists? Lancet Oncol. 2003;4:616–625.
6 Wagner LI, Cella D. Fatigue and cancer: causes, prevalence and treatment approaches. Br J Cancer. 2004;91:822–828.
7 Mustian KM, Morrow GR, Carroll JK, et al. Integrative nonpharmacologic behavioral interventions for the management of cancer-related fatigue. Oncologist. 2007;12(suppl 1):52–67.
8 Clinical Practice Guidelines in Oncology. Cancer-related fatigue (v.1.2010).2010. http://www.nccn.org/professionals/physician_gls/PDF/fatigue.pdf. Accessed August 10, 2010.
9 Schmitz KH, Courneya KS, Matthews C, et al; American College of Sports Medicine. American College of Sports Medicine roundtable on exercise guidelines for cancer survivors. Med Sci Sports Exerc. 2010;42:1409–1426.
10 Cramp F, Daniel J. Exercise for the management of cancer-related fatigue in adults. Cochrane Database Syst Rev. 2009;(3):CD006145.
terça-feira, 29 de janeiro de 2013
Prova comentada: Prova Cespe – Unb Fisioterapeuta Fundação Hospitalar de Saúde de Sergipe Ano 2009 - PARTE I
Mais um ano pela frente e mais chances de conseguir a sonhada aprovação em concursos públicos. Segue abaixo a correção das primeiras questões específicas de uma prova da CESPE do concurso da Fundação
Hospitalar de Saúde de Sergipe Ano 2009. A resolução destas questões foi feita com a ajuda de uma leitora do Sergipe chamada Carla Fontes. Por ser de 2009 já é uma prova meio velhinha, mas vale a pena conferir, pois a prova foi muito bem feita e o nível de dificuldade não tá moleza não.
Prova Cespe –
Unb Fisioterapeuta Fundação Hospitalar de Saúde de Sergipe - 2009
Um paciente apresentando compressão
unilateral do nervo ciático pode desenvolver importante perda funcional
envolvendo o membro inferior afetado. Com relação aos exames físico-funcionais
e ao tratamento adequado a essa situação, julgue os itens a seguir:
51- Por meio do teste do piriforme, ao se tensionar o
músculo piriforme, pode-se indicar se esse músculo é o responsável pela
compressão do nervo e consequentemente pelo quadro de ciatalgia.
COMENTÁRIO: O termo ciatalgia é usado para descrever a
dor sentida no trajeto do nervo ciático. Este padrão de dor irradiada pode ser
causada pela compressão do nervo ciático. Esta compressão pode ser causada por
um disco herniado comprimindo as raízes nervosas ou pela compressão do nervo ao
longo do seu trajeto.
A chamada síndrome do piriforme é causada especificamente pela compressão do nervo ciático pelo músculo piriforme. Os principais mecanismos envolvidos na Síndrome do piriforme são: [1] Contratura ou espasmo do músculo piriforme devido a trauma; [2] hipertrofia do músculo piriforme; e [3] predisposição a compressão devido a uma variação anatômica (o nervo ciático ou ramos deste passam por dentro do ventre muscular ou pela porção tendinosa do piriforme).
Ao se desconfiar que o músculo piriforme esteja envolvido no sintoma doloroso do paciente, podemos realizar testes específicos. Este teste consiste basicamente no estiramento do músculo por meio dos movimentos combinados de adução, rotação interna e flexão do quadril (os quais afastam ao máximo a origem e inserção musculares do piriforme). Se o músculo piriforme estiver comprimindo o nervo ciático, ao tensionar o músculo haverá resposta positiva ao quadro doloroso, possivelmente até reproduzindo os sintomas do paciente.
Gabarito: Correto.
A chamada síndrome do piriforme é causada especificamente pela compressão do nervo ciático pelo músculo piriforme. Os principais mecanismos envolvidos na Síndrome do piriforme são: [1] Contratura ou espasmo do músculo piriforme devido a trauma; [2] hipertrofia do músculo piriforme; e [3] predisposição a compressão devido a uma variação anatômica (o nervo ciático ou ramos deste passam por dentro do ventre muscular ou pela porção tendinosa do piriforme).
Ao se desconfiar que o músculo piriforme esteja envolvido no sintoma doloroso do paciente, podemos realizar testes específicos. Este teste consiste basicamente no estiramento do músculo por meio dos movimentos combinados de adução, rotação interna e flexão do quadril (os quais afastam ao máximo a origem e inserção musculares do piriforme). Se o músculo piriforme estiver comprimindo o nervo ciático, ao tensionar o músculo haverá resposta positiva ao quadro doloroso, possivelmente até reproduzindo os sintomas do paciente.
Gabarito: Correto.
Leitura
recomendada: http://www2.pucpr.br/reol/public/7/archive/0007-00001893-ARTIGO_12.PDF
52 Caso haja uma compressão nervosa periférica devido a
uma hérnia de disco, com características de degeneração walleriana, será
correto afirmar que se trata de uma axonotmese.
COMENTÁRIO: Esta é uma questão interessante, pois
correlaciona a clínica com a classificação das lesões nervosas. Relembrando que
as lesões nervosas periféricas podem ser classificadas em 3 categorias:
Neuropraxia, axoniotmese e neurotmese. A degeneração Walleriana ocorre nos
casos de axoniotmese e de neurotmese. A axoniotmese envolve a secção completa
do nervo, geralmente por lesão causada por arma branca ou traumas importantes.
Com relação ao enunciado da questão podemos refletir que por maior que seja a
hérnia de disco, certamente não será suficiente
para seccionar completamente o nervo (neurotmese). Porém, a compressão
prolongada é capaz de promover uma isquemia. A isquemia impede a chegada de
oxigênio e nutrientes para a região distal no neurônio. Desta forma, a região
do neurônio distal ao ponto de compressão começa a se degenerar (degeneração
Walleriana). Importante notar que neste mecanismo, as bainhas de tecido
conjuntivo (epineuro, perineuro e endoneuro) não se rompem. Desta forma temos a
axoniotmese é o tipo de lesão nervosa descrita no enunciado.
Gabarito Correto.
Leitura sugerida http://www.revistaneurociencias.com.br/edicoes/2007/RN%2015%2003/Pages%20from%20RN%2015%2003-10.pdf
53 Hérnia de disco localizada no segmento de L4-L5
apresenta uma radiculoalgia na face póstero-lateral da coxa e do joelho.
COMENTÁRIO: A
parte antero e póstero lateral é a correspondente ao Dermátomo de L4-L5, como
pode ser observado na figura abaixo
Gabarito: Certo.
Leitura recomendada: http://www.scielo.br/pdf/anp/v67n2a/v67n2aa17.pdf
54 O tratamento com exercícios do Método Mckenzie é contraindicado
caso a radiculoalgia seja causada por uma hérnia de disco lombar alta.
COMENTÁRIO: O
Método Mckenzie é uma técnica de terapia manual que utiliza os movimentos do próprio
paciente no alívio da dor. Segundo o Método McKenzie, as protusões do disco
intervertebral são uma conseqüência do estiramento excessivo do ligamento que
envolve o disco, causando perda da capacidade de estabilização, gerando o
deslocamento do disco. A técnica possui indicações específicas para o
tratamento de hérnia de disco e consiste em exercícios de extensão, flexão e
pressão extra do paciente.
Sendo assim, podemos concluir que o enunciado está errado.
Sendo assim, podemos concluir que o enunciado está errado.
Gabarito: Errado.
Leitura Sugerida:
Um paciente com sequela de fratura de Colles, pós-
imobilização, pode apresentar importantes comprometimentos
neuromusculoarticulares. Com relação a essa afirmativa, julgue os itens
seguintes:
55 Devido ao padrão assumido pela imobilização prolongada
nesse tipo de fratura, os exercícios de alongamento muscular devem ser
direcionados para os músculos extensores de punho, em detrimento dos músculos
flexores.
COMENTÁRIO: A imobilização gessada comumente utilizada
para o tratamento conservador de fraturas de Colles segue a lógica das demais
fraturas, isto é: Períodos de imobilização que resultam em rigidez articular e
encurtamento muscular. Desta forma toda a cadeia muscular da mão deve ser
trabalhada.
Gabarito: Errado.
56 A mão em garra, atingindo os músculos 4.º e 5.º o
interósseos, é uma das sequelas desse tipo de fratura.
COMENTÁRIO: A mão em garra com comprometimento do 4.º
e 5.º o interósseos é resultado da lesão
de nervo ulnar. Embora seja possível lesionar qualquer um dos 3 grande nervos
do antebraço (mediano, ulnar e radial) em uma fratura do tipo Colles, o nervo
mais frequentemente lesado é o mediano. (herbert Sizínio (pg. 1104)
Gabarito:Errado.
57 A síndrome de Volkman é uma complicação que pode
surgir nesse tipo de fratura.
COMENTÁRIO: A síndrome de Volkmann, também denominada
síndrome compartimental é definida como o aumento da pressão intersticial sobre
a pressão de perfusão capilar dentro de um compartimento osteofascial fechado,
podendo comprometer vasos, músculos e terminações nervosas provocando dano
tecidual. A síndrome pode ocorrer por lesão vascular após uma fratura e foi
descrita pela primeira vez por Richard Von Volkmann em 1872, que descreveu
contraturas dos músculos do antebraço em reduções fechadas de fraturas de
cotovelos, resultantes de necrose e isquemia muscular
O quadro clínico inicial é caracterizado por dor importante e edema, ocorrendo manifestações tardias como a ausência de pulsos distais, parestesias de extremidade, e hipoestesia
O quadro clínico inicial é caracterizado por dor importante e edema, ocorrendo manifestações tardias como a ausência de pulsos distais, parestesias de extremidade, e hipoestesia
Gabarito: Correto.
Leitura
recomendada: http://www.acm.org.br/revista/pdf/artigos/864.pdf
Síndrome Compartimental Aguda: série de sete casos no Hospital Nossa Senhora da
Conceição - Tubarão
Com relação à abordagem do paciente com paralisia
cerebral e consequente atraso no desenvolvimento motor, julgue os itens
subsequentes.
58 O fenômeno de rechaço pode aparecer quando o paciente
aponta com o indicador para algum objeto tentando tocá-lo.
COMENTÁRIO: O gabarito oficial considera esta
questão como correta. Porém eu discordo, pois não entendo como o fenômeno de
rechaço pode aparecer quando o paciente tenta apontar para um objeto. O fenômeno
do rechaço está presente em lesões envolvendo o cerebelo. É testado por meio da
Prova do Rechaço ou Stewart Holmes: Pede-se ao paciente fletir o cotovelo
contra resistência. Subitamente retira-se a resistência. A resposta normal a
este teste é a interrupção quase imediata do movimento de flexão de cotovelo, porém
um paciente com lesão cerebelar não conseguirá contrair os músculos antagonistas
rapidamente, sendo que dependendo da força o paciente poderá mesmo bater com o
punho no próprio rosto. Como podem ver,
a prova do rechaço não tem nada haver com o teste descrito no enunciado.
Gabarito: Correto (sob protestos).
Leitura sugerida
http://www.sistemanervoso.com/pagina.php?secao=7&materia_id=501&materiaver=1
Leitura sugerida
http://www.sistemanervoso.com/pagina.php?secao=7&materia_id=501&materiaver=1
59 Por volta do 4.º mês de vida, o lactente, estando em
decúbito dorsal, é capaz de levantar a cabeça e os ombros, antecipando a ajuda
de alguém para se deslocar para a posição sentada.
COMENTÁRIO: Ao 4 mês de vida o paciente possui apenas
bom controle cervical e não é capaz de levantar ombros para auxiliar na postura
de sedestração. Somente por volta do sexto mês é que a criança
consegue vencer a gravidade em supino
Gabarito: Errado.
60 É considerada atraso no desenvolvimento neuromotor a
persistência da reação de extensão cruzada em uma criança com 12 semanas de
vida.
COMENTÁRIO:
O reflexo de extensão cruzada está presente aproximadamente o segundo mês de
vida. Com doze semana, a criança tem aproximadamente três meses de vida, e
portanto o reflexo já deveria ter desaparecido.
Este reflexo é testado em supino. A criança é posicionada com uma perna estendida e a outra fletida. O examinador estimula a sola do pé que está estendida. Com o estímulo em uma das pernas, a perna contralateral (a resposta “cruza” a linha média) se extende, justamente por isso se chama reflexo de extensão cruzada
Este reflexo é testado em supino. A criança é posicionada com uma perna estendida e a outra fletida. O examinador estimula a sola do pé que está estendida. Com o estímulo em uma das pernas, a perna contralateral (a resposta “cruza” a linha média) se extende, justamente por isso se chama reflexo de extensão cruzada
Gabarito: Correto.
http://www.santafisio.com/trabalhos/ver.asp?codigo=54
http://www.santafisio.com/trabalhos/ver.asp?codigo=54
61 O reflexo tônico cervical assimétrico deve ser
realizado em decúbito lateral, para favorecer o apoio da cabeça do paciente
durante a realização do teste.
COMENTÁRIO: O reflexo tônico
cervical assimétrico (RTCA) é mediado pela estimulação proprioceptiva dos
músculos do pescoço em resposta a um movimento ativo ou passivo de rotação
lateral da cabeça. Para testar este reflexo, o examinador deve girar
suavemente a cabeça do paciente para um dos lados. A resposta é a modificação
suave no tônus do recém-nascido. O braço e perna do lado facial se estendem
enquanto os braços e pernas do lado occipital fletem.
Como é necessário girar a cabeça
da criança para desencadear o reflexo, a posição correta para a testagem é o
decúbito dorsal.
Gabarito: Errado.
62 A criança com atetose apresenta movimentos
involuntários, porém estes só ocorrem durante movimentos intencionais e cessam
durante o repouso.
COMENTÁRIO: O tremor
típico da atetose é um movimento involuntário que até diminui, porém não cessa completamente
durante o repouso.
Gabarito: Errado.
Gabarito: Errado.
Uma palavrinha fional pra te manter motivado ou motivada:
Saiba que enquanto você dorme, tem um chinês estudando com soro na veia e determinação de passar. E aí, vai ficar esperando a vaga cair do céu ou vai se preparar ? ? ? ? ?
FONTE: http://www.estadao.com.br/noticias/vida,estudantes-chineses-injetam-soro-na-veia-em-preparacao-para-o-vestibular,870226,0.htm
quinta-feira, 24 de janeiro de 2013
Mestrado profissional em Saúde Materno-Infantil 2013
Olá fisionautas.
Estão abertas as inscrições para as vagas de 2013 do programa de Mestrado Profissional em saúde Materno Infantil da Universidade federal Fluminense (recomendado pela CAPES).
Clique AQUI para ter acesso ao edital.
O período de inscrição para o estágio probatório vai de 07 de janeiro a 22 de fevereiro.
A área de concentração é "Atenção Integrada à saúde da Mulher e da Criança".
O Pré-requisito é graduação em qualquer área da saúde e curso de pós graduação lato sensu completo na área correlata.
INFORMAÇÕES E INSCRIÇÕES
Secretaria do Programa do Mestrado Profissional em Saúde Materno-Infantil
Rua Marquês do Paraná, 303 – 4º andar do prédio anexo ao HUAP. Centro. Niterói, RJ CEP: 24.030-210. Tel/Fax.: (0xx21) 2629-9355/9360.
Endereço eletrônico: mpi@vm.uff.br (para contato)
Divulgação do edital na página:
http://www.proppi.uff.br/posgraduacao/stricto-sensu/cursos
(Não será efetivada qualquer inscrição pela Internet, somente diretamente na secretaria do MESP-MI)
Horário: 2ª, 3ª e 6ª feira de 9:00 às 16:00 h e 5ª feira de 13:00 às 16:00 h
Nº total de vagas: 25(vinte e cinco)
Período de seleção: 26 a 28 de fevereiro de 2013
Estão abertas as inscrições para as vagas de 2013 do programa de Mestrado Profissional em saúde Materno Infantil da Universidade federal Fluminense (recomendado pela CAPES).
Clique AQUI para ter acesso ao edital.
O período de inscrição para o estágio probatório vai de 07 de janeiro a 22 de fevereiro.
A área de concentração é "Atenção Integrada à saúde da Mulher e da Criança".
O Pré-requisito é graduação em qualquer área da saúde e curso de pós graduação lato sensu completo na área correlata.
INFORMAÇÕES E INSCRIÇÕES
Secretaria do Programa do Mestrado Profissional em Saúde Materno-Infantil
Rua Marquês do Paraná, 303 – 4º andar do prédio anexo ao HUAP. Centro. Niterói, RJ CEP: 24.030-210. Tel/Fax.: (0xx21) 2629-9355/9360.
Endereço eletrônico: mpi@vm.uff.br (para contato)
Divulgação do edital na página:
http://www.proppi.uff.br/posgraduacao/stricto-sensu/cursos
(Não será efetivada qualquer inscrição pela Internet, somente diretamente na secretaria do MESP-MI)
Horário: 2ª, 3ª e 6ª feira de 9:00 às 16:00 h e 5ª feira de 13:00 às 16:00 h
Nº total de vagas: 25(vinte e cinco)
Período de seleção: 26 a 28 de fevereiro de 2013
Boa sorte!!!!
segunda-feira, 21 de janeiro de 2013
Fisioterapia pós fratura de Colles
A fratura de Colles
recebeu este nome por causa de um cirurgião irlandês chamado Abraham Colles,
que em 1814 descreveu as características deste tipo de lesão. A fratura de
Colles é uma fratura extra articular do rádio distal, caracterizada por uma
deformidade do antebraço denominada "dorso de garfo". Essa deformidade
acontece porque os músculos do antebraço “puxam” o osso fraturado, acentuando a
angulação da fratura e dando um aspecto de “corcunda” ou “calombo” no antebraço
[ IMAGEM ABAIXO ]. Em alguns casos pode estar associada a entorse do ligamento
ulnar.
Mas considerando o melhor cenário, isto é: uma fratura que consolidou sem complicações. Certamente iremos encontrar fraqueza muscular e limitações nos movimentos do punho.
Então, mais uma vez o basicão da fisioterapia após a retirada da imobilização consiste em cinesioterapia visando o ganho de ADM e ganho de força para os movimentos de punho (flexo-extensão, prono-supinação e desvios radial e ulnar).
O mecanismo de lesão
mais comum é a queda sobre a mão estendida. As pessoas extendem a mão como
parte da reação de proteção contra a queda. É mais comum em adultos acima de 50
anos, em particular mulheres brancas devido a associação com a osteoporose
pós-menopausa. Com relação ao mecanismo de lesão, achei um video bem
interesante na internet. Trata-se de um acidente de um garoto andando de skate.
Neste video podemos ver a lesão e o aspecto em dorso de garfo assumido pelo
antebraço fraturado.
– ATENÇÃO ! O VIDEO É
HEAVY METAL – contém cenas chocantes e não é recomendado a pessoas sensíveis,
com problemas cardíacos, de estômago fraco ou com disfunção da hipófise \m/
>Ô ô< \m/
O tratamento médico
inicial da fratura de Colles pode variar desde a redução fechada até redução
cirúrgica com fixador externo. Qualquer que seja a intervenção, esta sempre
será seguida de imobilização do antebraço para a consolidação óssea.
Fratura
reduzida – Agora começam os cuidados de fisioterapia.
A imobilização prolongada pode gerar rigidez articular, encurtamento tendíneo e edema. Portanto logo após a estabilização do foco de fratura, seja por redução fechada ou aberta, pode-se iniciar precocemenrte exercícios passivos e ativos de amplitude de movimento de todas as articulações não envolvidas (dedos, ombro e cotovelo - quando possível). Os objetivos principais de um programa de exercícios precoces são basicamente: [1] manutenção da força muscular, [2] recuperação de amplitude de movimento, e [3] prevenção de restrição articular.
A imobilização prolongada pode gerar rigidez articular, encurtamento tendíneo e edema. Portanto logo após a estabilização do foco de fratura, seja por redução fechada ou aberta, pode-se iniciar precocemenrte exercícios passivos e ativos de amplitude de movimento de todas as articulações não envolvidas (dedos, ombro e cotovelo - quando possível). Os objetivos principais de um programa de exercícios precoces são basicamente: [1] manutenção da força muscular, [2] recuperação de amplitude de movimento, e [3] prevenção de restrição articular.
Condutas
no pós operatório:
Nos casos tratatdos
cirurgicamente, PO imediato, a atenção deve estar focada na educação do
paciente quanto a importância de manter o braço operado em elevação. Isso irá
reduzir o edema, prevenir a dor e ajudará na cicatrização. Essa orientação é
simples e ajuda muito!
Além da elevação da mão
acima da altura do coração, no primeiro dia de pós-operatório, podem ser
iniciados precocemente atividades de flexão/extensão dos dedos da mão para estimular a ação de bombeamento dos músculos
da mão e assim ajudar a prevenir ou diminuir o edema. Ah! Importante: Como se
trata de uma cirurgia, verifique antes no prontuário se o procedimento envolveu
somente a fixação óssea. No caso de cirurgia envolvendo vasos e nervos, espere
a liberação do cirurgião para começar quaisquer exercícios.
Pode parecer bobagem
mandar uma pessoa com fratura de punho ficar mexendo os dedinhos, mas lembre-se
que vários músculos flexores e extensores dos dedos da mão são poliarticulares,
isto é: originam-se no antebraço, cruzam o punho e se inserem nos
quirodáctilos. Assim, ao mexer os dedinhos você garante estímulos tróficos aos
músculos, evita aderências, hipotrofia muscular e possíveis perdas de
comprimento muscular.
Atenção especial deve
ser dispensada a pacientes cujo foco de fratura foi estabilizado utilizando um
fixador externo pelo fato do antebraço ser mantido em pronação, o que predispõe
o paciente a contratura da articulação radioulnar distal.
É importante ressaltar
que estes exercícios não devem causar dor, talvez no máximo um leve desconforto,
o qual deve desaparecer tão logo a atividade seja interrompida. O tratamento
agressivo pode lentificar o processo de cicatrização. Lembre-se: nem sempre o
que arde cura e o que aperta segura.
Condutas
pós retirada da imobilização.
Geralmente a consolidação da fratura leva de 6 a 10 semanas, podendo variar de acordo com a idade do paciente e gravidade da fratura. Além disso, este período de tempo pode ser aumentado por complicações incluindo lesão da articulação radioulnar e/ou radiocarpal.
Geralmente a consolidação da fratura leva de 6 a 10 semanas, podendo variar de acordo com a idade do paciente e gravidade da fratura. Além disso, este período de tempo pode ser aumentado por complicações incluindo lesão da articulação radioulnar e/ou radiocarpal.
De modo geral, quando
um(a) paciente com fratura de Colles chega ao ambulatório de fisioterapia
esperamos encontrar: Redução da ADM, perda de força muscular, dor, edema, e
consequentemente prejuízos nas Atividades de Vida Diária
O foco principal no
início do tratamento deve se concentrar na recuperação da ADM, afinal de contas
não tem como ganhar força ou treinar coordenação sem que o paciente tenha
amplitude de Movimento não é mesmo¿
A perda da estabilidade
destas articulações devido a fratura ou perda de suporte ligamentar pode
complicar o manuseio e o regime de tratamento destas fraturas.
Mas considerando o melhor cenário, isto é: uma fratura que consolidou sem complicações. Certamente iremos encontrar fraqueza muscular e limitações nos movimentos do punho.
Então, mais uma vez o basicão da fisioterapia após a retirada da imobilização consiste em cinesioterapia visando o ganho de ADM e ganho de força para os movimentos de punho (flexo-extensão, prono-supinação e desvios radial e ulnar).
Como dito anteriormente,
um dos principais objetivos da fisioterapia é a recuperação da ADM do punho. O
tratamento inicia-se com exercícios passivos, evoluindo para ativo-assistidos,
ativo-livres e finalmente resistidos. ADM reduzida e dor geralmente andam
juntas e o ganho de ADM utilizando alongamento e mobilizações geralmente
reflete também em uma redução da dor e do edema em punho e mão.
Para o
fortalecimento muscular é importante trabalhar todos os músculos do antebraço,
sem esquecer pos pequenos músculos intrínsecos e extrínsecos da mão.
Não encontrei nenhuma
diretriz ou estudo que descreva a superioridade de uma abordagem de
fisioterapia sobre outra. Assim, podemos lançar mão das técnicas que julgarmos mais adequadas a cada
caso, desde técnicas de mobilização articular (Maitland, Mulligan, Kaltenborn,
etc...), técnicas de bandagem, eletroterapia (o quase onipresente ultrasom
terapêutico, TENS, FES), PNF, Osteopatia, Quiropraxia, ou seja: utilize as
técnicas e recursos que você domina.
Espero que esta postagem
tenha sido útil.
segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
Amiotrofia Espinhal Progressiva e Salbutamol
ATENÇÃO! Este é um texto baseado em pesquisa bibliográfica e não se destina à informação de pais ou pessoas com Amiotrofia Espinhal, trata-se de um relato técnico voltado para estudantes e profissionais da área da saúde.
Para mais informações, acesse a página sobre Amiotrofia da Rede Sarah ou a página da Associação Brasileira de Amiotrofia Espinhal
SALBUTAMOL PARA O TRATAMENTO DE AMIOTROFIA ESPINHAL?
Recentemente fiquei sabendo que o Salbutamol está sendo
utilizado em pacientes com Amiotrofia
Muscular Espinhal (AME) e alcançando resultados bastante animadores.
Talvez neste momento você esteja se perguntando que tipo
de substância alucinógena eu andei ingerindo para escrever esta postagem.
Afinal de contas todo mundo sabe que o Salbutamol é um ß2 agonista utilizado
para o tratamento do broncoespasmo e não tem nada haver com doenças genéticas.
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
Pois é galera, por mais estranho que possa parecer, os
resultados de alguns estudos utilizando salbutamol em pacientes com AME sugerem
um possível efeito benéfico sobre o curso da doença. Embora o mecanismo de ação
do salbutamol sobre o sistema musculoesquelético ainda não seja totalmente
compreendido, alguns experimentos demonstram que o salbutamol pode ajudar no
tratamento da AME.
Como você
deve saber a AME é uma doença neuromuscular genética caracterizada por
fraqueza muscular progressiva. Esta fraqueza muscular ocorre devido a mutações
no gene responsável pela síntese completa da proteína SMN (survival motor
neuron).
Detalhe importante: Nos seres humanos existem duas cópias
diferentes deste gene: O gene SMN1 e o gene SMN2. Porém apenas a cópia SMN1
apresenta mutações homozigóticas ou exclusões em pacientes com AME, enquanto o
gene SMN2 não parece ser afetado. Em outras palavras: problemas no SMN1 causam
a AME, e o SMN2 é quem segura a onda nestes casos pois a quantidade de cópias
destes gene no cromossoma afeta a gravidade da AME.
Assim, teoricamente o gene SMN2 poderia funcionar no
lugar do SMN1. Portanto, qualquer intervenção que seja capaz de aumentar o
nível de transcrição funcional do SMN2 poderia muito bem ser uma abordagem eficaz
para o tratamento da Amiotrofia Espinhal Progressiva (ênfase em tratamento, pois botar o SMN2 pra trabalhar não é sinônimo de cura).
Agora é que a história começa a ficar interessante de
verdade. Em um estudo de 2008 revelou que o salbutamol
é eficaz no aumento dos níveis de transcrição completa do gene SMN2 in vivo. Neste
estudo, os pesquisadores administraram salbutamol a 12 pacientes com AME, e
mediram os níveis de SMN2 em 3 momentos (0, 3 e 6 meses). Os níveis de SMN2
estavam significativamente aumentados em todos, exceto três pacientes, ao fim
de 3 meses (aumento médio de 48,9%), e em todos os pacientes após 6 meses (média
de 91,8%). Eles também demonstraram que os pacientes com mais cópias do gene
SMN2 (alguns pacientes tinham três cópias, outros tinham 4) mostraram uma maior
resposta ao tratamento salbutamol.
FONTE: (Salbutamol increases SMN mRNA and protein levels in spinal muscular atrophy cells Angelozzi et al. J Med Genet. 2008 Jan;45(1):29-31.)
FONTE: (Salbutamol increases SMN mRNA and protein levels in spinal muscular atrophy cells Angelozzi et al. J Med Genet. 2008 Jan;45(1):29-31.)
MAS ISSO FUNCIONA NA PRÁTICA?
A grande pergunta que fica depois desta explicação é: “Será que o aumento de cópias do SMN2 é o suficiente para gerar algum benefício clínico a pacientes com AME?”
Para responder a esta pergunta temos alguns estudos que
demonstram que ao final de 12 meses de uso, os pacientes apresentaram melhora
na função respiratória e no desempenho obtido na escala Hammersmith (escala
específica para avaliar função motora em pacientes com AME).
Acho importante enfatizar que este tratamento ainda é
experimental e no Brasil praticamente restrito a centros de pesquisa de
universidades. Espero que nos próximos anos as pesquisas comprovem a segurança
e a eficácia deste medicamento e que logo ela seja reconhecida como forma de
tratamento da AME.
REFERÊNCIAS
Oral salbutamol in 2 wheelchair bound cases of SMA type II (Arch Dis Child 2011;96:A41-A42)
quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
Algumas curiosidades sobre os nomes anatômicos
Uma das primeiras disciplinas da faculdade de fisioterapia é a de anatomia humana. Lembro como se fosse ontem, meus olhos lacrimejando por causa do formol, costumava passar horas no anatômico estudando músculos, ligamentos e ossos. Sempre achei sem graça coisas que envolviam memorização . . . e anatomia era uma delas, até que muito tempo depois de formado fui trabalhar com um médico coroa, já beirando os 60 anos, mas que era PhD em termos de conhecimento clínico, e uma verdadeira enciclopédia de fatos curiosos divertidos e inúteis da história da medicina.
De vez em quando ficávamos conversando sobre a origem de termos e nomes anatômicos. Na minha opinião isso torna o estudo da anatomia muito mais rico, principalmente para os estudantes dos primeiros períodos.
Pois bem, fiz um pequeno levantamento das curiosidades envolvidas nos nomes de algumas estruturas anatômicas. Espero que gostem.
ALGUNS NOMES DE ESTRUTURAS ANATÔMICAS E SEUS SIGNIFICADOS.
Atlas
– Quase todo mundo conhece a história por trás do nome da primeira vértebra, mas vale a pena relembrar. A vértebra C1 foi batizada com o nome de um Titã da mitologia grega chamado Atlas. Este Titã foi condenado por Zeus a sustentar por toda a eternidade o globo terrestre
sobre seus ombros. Como a primeira vértebra cervical também sustenta sozinha todo
o peso da cabeça, os anatomistas acharam que seria uma analogia justa e
batizaram C1 como Atlas.
Escultura representando Atlas e seu castigo de sustentar o mundo.
Músculo – Vem do latim musculus, que significa pequeno rato, ou camundongo. Provavelmente este nome foi dado porque um músculo ao se contrair, parece um pequeno rato andando por baixo de um lençol.
Acetábulo
– Vem do latim acetabulum, e significa literalmente "copo raso de
vinagre”. Recebeu este nome devido a sua semelhança com o formato do vaso que os
romanos usavam para guardar vinagre (acetum), que era raso, de boca larga e arredondada. Fiquei curioso e procurei na internet a foto de um acetábulo só pra ver se são realmente semelhantes.
Acetabulum romano
Clavícula – Em latim
clavis significa chave, e originou a palavra clavícula que significa “pequena
chave”. Existem algumas versões interessantes para explicar o nome dado a este
osso. Uma delas afirma que o nome deve-se ao movimento que a clavícula faz de girar
sobre o próprio eixo como uma chave; daí o nome. Uma outra versão, a qual não
pude comprovar se era verdadeira ou apenas uma lenda, diz que os anatomistas
clássicos acreditavam que a clavícula era o primeiro osso a se formar no feto e
o último a se decompor após a morte. Assim, poeticamente falando, a clavícula seria a chave que abre
e fecha as portas da vida.
Tatuagem de uma clavícula embaixo da clavícula
Safena
- A veia que leva esse nome é a mais longa do corpo. A origem desta palavra não
é clara, sendo que existem duas explicações curiosamente conflitantes. A
primeira sugere que safena vem do Grego saphenes, que significa visível, claro
(que é o que acontece quando ela fica varicosa). A segunda explicação sugere
que se trata de uma palavra que vem do árabe al-safin, que significa escondido
(o que pode ser explicado, por sua posição profunda). Ninguém sabe ao certo se ela recebeu o nome por ser escondida demais ou visível demais.
Xifóide
(processo xifoide) – Na faculdade eu aprendi que o nome deste acidente
anatômico se deve ao fato de que se por acaso você levar um tiro, facada, ou
mesmo um soco bem no meio do peito, “você xifoide todo”. Obviamente essa versão
era pura zuação de universitários. Na verdade, a pontinha final do esterno
recebeu este nome devido a sua semelhança com um tipo específico de espada
usada na Grécia antiga chamada xiphos. Este tipo de espada é muito comum em filmes de gladiadores. A
palavra xifoide é derivado da junção das palavras gregas xiphos e eidos
(semelhante), literalmente “semelhante a xiphos”.
Sartório
– Nas aulas de anatomia você provavelmente aprendeu que o sartório é o músculo
do alfaiate. Pois bem, o nome deste músculo é derivado da palavra latina Sartor
que significa exatamente alfaiate. Recebeu este nome porque os antigos alfaiates
trabalhavam sentados com as pernas cruzadas. A ação deste músculo é justamente
a de ajudar na flexão, abdução e rotação externa no quadril e na flexão de
joelho.
Tibia - Esta palavra
latina era usada para nomear tanto um tipo de flauta quanto o osso da perna. Os
instrumentos de sopro primitivos eram feitos de madeira, chifres e ossos de
animais, em particular do osso da perna de pássaros. Acredita-se que a flauta
recebeu o nome do osso (tíbia) do qual era feita. A utilização do nome em
medicina é atribuído a Celso ( Aulo Cornélio Celso - 25 a.C.-50 d.C. Enciclopedista romano e possivelmente médico)
Patela
-
Uma panela ou prato em latim é uma patela. Desta vez o osso não parece se
assemelhar nem um pouco com seu homônimo.
Fíbula
- Fíbula é a palavra latina usada para descrever um alfinete para prender
roupas, tipo um broche. Ela é derivada do latim figo, palavra que significa prender. Aparentemente
os anatomistas antigos achavam que a fíbula se parecia com este objeto. Aliás,
a fíbula era anteriormente conhecida como Peroneo. A palavra Peroneus significa
exatamente a mesma coisa (alfinete), só que em Grego.
Vértebra
- O antigo termo latino vertebra
significava uma articulação ou algo que se poderia girar, e uma palavra derivada do latim verto que significa "para virar". Celso,
em cerca de 30 dC, usou o termo para designar qualquer articulação, bem como os
ossos da coluna vertebral. Foi somente muito tempo depois que o termo passou a
ser usado exclusivamente para descrever os ossos da coluna vertebral.
Poplíteo – Esta
palavra é derivada do Latim poples, que significa “cavidade do
joelho” - que é justamente o que a fossa poplítea é.
Valva mitral – Esta
válvula cardíaca possui duas cúspides. O formato lembra a mitra - chapéu fendido nas laterais superiores, usado pelo papa e por
bispos, arcebispos e cardeais em certas solenidades -. Foi chamada de valva Mitral por Andréas Vesálius, anatomista
belga do século dezesseis.
Mitra e cajado do papa
Artéria
– vem do grego aer, ar + terein, conter, guardar, ou seja: que contém ar. Os antigos
anatomistas acreditavam que as artérias levavam ar ao corpo, já que sempre são
encontradas vazias num corpo morto.
Panturrilha. - Dá-se neste caso um fenômeno linguístico
curioso. O termo técnico utilizado para traduzir em português o latim sura
é panturrilha, cujo sentido é o mesmo da expressão popular “barriga
da perna”. A denominação latina sura passou para o português,
porém é pouco empregada, tendo sobrevivido quase que exclusivamente no adjetivo
sural (relativo à panturrilha).
A palavra panturrilha provém do espanhol pantorrilla, derivada do
latim pantex, icis, que significa barriga, tripas,
intestinos. De pantex, icis formou-se igualmente pança
com o mesmo sentido de barriga (espanhol, panza; francês, panse).
Panturra, em português, também significa barriga e empanturrado, em
linguagem popular, é aquele que comeu em demasia. A comparação da face
posterior da perna ao ventre remonta aos clássicos gregos. Hipócrates,
Aristóteles e Galeno referem-se à face posterior da perna como gastroknemía
ou gastroknéme, cujo significado é exatamente barriga da
perna (gastér, ventre + knéme, perna). O nome grego
foi aproveitado para designar um dos músculos que formam o tríceps sural - o
músculo gastrocnêmio.
Trocanter - A palavra
trocanter é derivada da junção das palavras gregas trekhein, que significa
correr e trokhos, que significa roda. Galeno originalmente nomeou a cabeça do
fêmur como trocanter porque a cabeça do fêmur lembrava uma roda articulada
dentro do acetábulo. Mais tarde o termo trocanter foi transferido para as
projeções ósseas da parte proximal do fêmur, provavelmente em referência a sua
função de inserção de músculos que produzem os movimentos rotatórios do fêmur.
Sóleo
– Soleus é a palavra latina para uma espécie de sandália plana. A palavra
“sola” de “sola do sapato” também é deriva de Soleus. O músculo sóleo é o mais
plano e mais profundo dos músculos que compõem o tríceps sural.
Tendão de Aquiles - Aquiles é um dos mais famosos heróis gregos. Segundo
a mitologia grega, Aquiles (Brad Pitt) tornou-se invulnerável quando ainda recém nascido foi
mergulhado por sua mãe nas águas do rio Estige (rio
que dava sete voltas no inferno). Este fato o tornou invulnerável, salvo
pelo calcanhar que não foi banhado, pois a mãe o segurava por esta parte do
corpo. Curiosidade: A expressão “calcanhar de Aquiles” é utilizada
até os dias de hoje para representar o ponto fraco e vulnerável de uma pessoa.
Olha que coisa! Achei uma foto do Aquiles com uma Xiphos na mão!
Falar de anatomia me lembrou de uma banda de metal chamada Carcass. A temática dos caras era falar sobre anatomia, doenças e coisas nojentas. Abaixo um clipe que eu gosto muito, não só pela música mas também pela fotografia e pela homenagem no final do clipe a HR Giger, o designer que criou o monstro e o landscape da série Alien. Quem curte metal e não conhece deveria ouvir este clássico dos anos 90.
Até a próxima p-p-p-pessoal.
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