O Cirurgião Ortopédico norte- americano Ronald Hugate, serviu durante 4 meses em um hospital de campanha no oriente médio, e desde que retornou aos EUA está desenvolvendo uma nova tecnologia de próteses para ajudar pessoas que sofreram amputações. No momento ele está trabalhando em conjunto com estudantes de engenharia da universidade de Denver -USA. para desenvolver uma prótese permanente.
Eu acessei a página da Clínica de Denver (Acesse AQUI), e pelo que entendi, me parece que a idéia é desenvolver um modelo híbrido combinando uma haste intramedular que funcionaria como uma endoprótese, mas que se projetaria para fora do coto de amputação, o que permite que seja conectada a um membro protético.
Ele chama esta técnica de integração óssea, e tem por objetivo melhorar a interface entre a prótese e o membro residual.
Eu achei esta idéia super interessante, principalmente para as pessoas que tem um coto de amputação curto, pois um coto curto dificulta muitíssimo o encaixe das próteses que temos atualmente, e frequentemente compromete a funcionalidade da prótese.
Segundo Ronald Hugate, este projeto pode estar pronto em dois anos, e tem potencial para substituir a atual tecnologia de soquete que tem alguns inconvenientes como formação de bolhas, a necessidade do controle ponderal do paciente (se a pessoa engordar ou emagrecer, o volume do membro residual se altera e também altera o encaixe da prótese).
Assista a reportagem abaixo.
Pois é galera, preparem-se para o futuro.
quarta-feira, 13 de novembro de 2013
sábado, 9 de novembro de 2013
Descoberto novo ligamento no joelho?
Confesso que fiquei perplexo com a notícia que vi no facebook e depois em alguns sites da internet. Foi divulgado na rede que pesquisadores belgas
haviam descoberto um novo ligamento no joelho. Pensei comigo mesmo: Como assim deixaram
escapar um ligamento todos esses anos? e logo no joelho! Anos e anos de estudos
morfológicos, centenas de milhares de Ressonâncias Magnéticas, incontáveis
cirurgias em joelhos de pessoas ao redor
do mundo e simplesmente, de repente, alguém descobre um novo ligamento no
joelho? Fiquei realmente intrigado, e fui atrás do artigo original para saber
mais sobre esta descoberta inacreditável.
O artigo em questão foi publicado em agosto de 2013 no Journal of Anatomy (Acesse clicando AQUI ) com o título “Anatomy of the anterolateral ligament of
the knee” (Anatomia do Ligamento Anterolateral do Joelho). A descoberta deste novo ligamento seria realmente fantástica,
exceto por um pequeno detalhe: O até então “ ligamento desconhecido“ já havia
sido descrito há mais ou menos uns 134 anos atrás por um cirurgião francês
chamado Paul Segond (tá aqui a publicação original onde ele descreve o
ligamento – Obs: tá em francês, Acesse Clicando AQUI ). Ok pessoal, detesto ter
de zoar com a manchete dos sites de notícias, mas infelizmente esta é a
verdade.
O que eu achei mais curioso disso tudo foi que a informação de que o
Ligamento anterolateral do Joelho não foi nenhuma “descoberta” pode ser
facilmente encontrada na primeira linha do resumo do artigo: “In
1879, the French surgeon Segond described the existence of a ‘pearly,
resistant, fibrous band’ at the anterolateral aspect of the human knee... " (Em 1879 , o cirurgião francês Segond
descreveu a existência de uma faixa fibrosa,resistente e perolada no aspecto
anterolateral do joelho humano...)
Obviamente que o artigo não é uma fraude. O estudo é
relevante pois faz uma avaliação qualitativa e quantitativa da
relação do ligamento anterolateral
com outras estruturas anatômicas próximas e levanta a discussão sobre a importância biomecânica deste ligamento.Trata-se portanto de uma investigação mais detalhada e
minuciosa de uma estrutura anatômica já conhecida porém pouco estudada e não necessariamente uma descoberta. Porém o que mais me intrigou
foi o fato de que os sites
de notícia se preocuparam apenas em copiar e colar a manchete sem ao menos
verificar a fonte original.
Mas graças ao meu comportamento esquizofrênico/paranóico
de duvidar da realidade, fui
em busca de outros artigos científicos sobre o tal Ligamento Anterolateral e
olhem só o que eu achei: Um trabalho publicado por pesquisadores da USP na
Revista Brasileira de Ortopedia com o título: Estudo anatômico do Ligamento Anterolateral do Joelho (Acesse Clicando AQUI )
E pasmem: Publicado em abril
de 2013!!!!!
Eu não sou anatomista, e pode ser que eu esteja enganado, mas pela descrição dos ligamentos, me parece que os dois artigos descrevem a mesmíssima estrutura anatômica.
Eu não sou anatomista, e pode ser que eu esteja enganado, mas pela descrição dos ligamentos, me parece que os dois artigos descrevem a mesmíssima estrutura anatômica.
MORAL DA HISTÓRIA:
Faça como o He-Man, não acredite em tudo que aparece no facebook.
Hasta la Vista amigos
quarta-feira, 6 de novembro de 2013
Infográfico VNI no Edema Agudo de pulmão
Olá Fisionautas!
Entrei numa onda meio loca esta semana e resolvi me dar ao trabalho de criar um infográfico sobre VNI.
Como não sou designer, e como este foi o primeiro infográfico que fiz, posso dizer que me sinto realizado com o resultado e espero que os próximos sejam melhores.
Para baixar o arquivo em pdf, acessem o link abaixo
http://www.mediafire.com/?sohlhb0zhhhb5zy
Hasta la Vista amigos!
Espero que vcs também gostem
Entrei numa onda meio loca esta semana e resolvi me dar ao trabalho de criar um infográfico sobre VNI.
Como não sou designer, e como este foi o primeiro infográfico que fiz, posso dizer que me sinto realizado com o resultado e espero que os próximos sejam melhores.
Para baixar o arquivo em pdf, acessem o link abaixo
http://www.mediafire.com/?sohlhb0zhhhb5zy
Hasta la Vista amigos!
Espero que vcs também gostem
domingo, 27 de outubro de 2013
Fisioterapeutas podem ter tatuagens?
Tatuagens vem se tornando cada vez mais populares.
Basta um pequeno passeio pelas ruas de qualquer grande cidade para encontrarmos
todo tipo de pessoas exibindo suas tatuagens. Podemos encontrar desde freqüentadores
de academias de musculação até vovózinhas aposentadas, com desenhos variando de
discretas borboletas até fechamentos completos de braço e costas. Isso
demonstra que a tatuagem conquistou espaço em nossa cultura como arte e como
forma de expressão. Mas apesar disso tudo, é preciso lembrar que elas
ainda são vistas com preconceito.
É claro que o fato de uma pessoa imprimir desenhos
na pele não a torna mais ou menos inteligente, competente ou qualificada para
uma atividade, porém pode interferir com algumas oportunidades de trabalho. A
postagem de hoje não pretende fazer juízo de valor sobre tatuagens. Não,
definitivamente a minha intenção não é essa. Busco apenas compartilhar algumas
reflexões e experiências sobre o tema tatuagem e fisioterapia.
Tatuagem
pra quem?
Inicialmente
é preciso entender que existem bons motivos para se fazer uma tatuagem. Ela
pode ser uma forma de expressar sua individualidade, suas crenças e
religião, prestar homenagem a pessoas queridas (vivas ou falecidas), ou
simplesmente adornar o corpo com algo considerado bonito. Mas como eu disse
anteriormente, em nosso meio a tatuagens ainda é um tabu e pode ser considerada
ofensiva por muitas pessoas. A natureza do trabalho desenvolvido por fisioterapeutas
envolve, na maioria das vezes, o contato direto, olho a olho e a construção de
vínculos de confiança.
Aqui vale a pena fazer uma pequena observação: Ao se
candidatar a uma vaga de trabalho em clínicas ou hospitais, a
presença de uma tatuagem em local visível pode não ser bem aceita pelo
empregador. De fato, em uma pesquisa realizada em 2012 pela revista Você
SA, foram entrevistados diretores de RH de 39 empresas, e identificou que
tatuagens em locais visíveis, como mãos, antebraço e pescoço poderiam
atrapalhar as suas chances de conseguir um emprego. Eu desconheço qualquer
pesquisa feita em estabelecimentos de saúde com o objetivo de identificar a
opinião do empregador ou dos pacientes a respeito de tatuagens, mas conheço ao
menos um caso pessoas que se recusaram a ser atendidas por fisioterapeuta com
tatuagens.
Se pararmos um minuto
para refletir, veremos que esta recusa não é tão estranha assim. Pense bem: um
dos impedimentos para a doação de sangue é justamente ter feito uma
tatuagem a menos de um ano. Além disso, em recente campanha de testagem de
Hepatite B, o cartaz do Ministério da Saúde recomenda que as pessoas que fizeram
tatuagem ou piercing recentemente façam a testagem e vacinem-se contra Hepatite
B. Obviamente que esta não é uma medida discriminatória. Esta recomendação se
deve ao fato de que nem sempre tatuagens são feitas em estúdios com a higiene e
cuidados necessários. Quando feitas em locais clandestinos (e de baixo $$$$), expõem
as pessoas ao risco de contrair Hepatite, HIV e toda sorte de vírus, bactérias,
fungos ou encostos espirituais.
Muitos pacientes não sabem disso (e nem são
obrigados a saber!) e a mensagem transmitida é a de que a tatuagem talvez não
seja algo assim tão “saudável”, afinal de contas exige uma quarentena de um ano
antes de se poder doar sangue. Não vou entrar no mérito se é correto ou não
colocar todos os tatuados num mesmo saco, mas isso pode justificar a atitude de
não querer atendimento de pessoas tatuadas.
"Este delinquente poderia salvar sua vida"
Algumas
reflexões finais
Se você tem, ou pretende fazer tatuagens uma coisa é
certa: tatuagens nunca passam despercebidas e as pessoas irão fazer julgamentos
a respeito dos desenhos. Se este julgamento será positivo ou negativo vai
depender de uma série de fatores. No entanto, se você atribui um significado
especial à tatuagem, e realmente acredita que é algo que merece ser feito ou
mantido por quaisquer motivos (que aliás, só interessam a você), então quem sou
eu para dizer algo ao contrário. Só recomendo que faça em um estúdio descente, com tatuadores profissionais e não rabiscadores para não se arrepender depois ou acabar sendo chacota como a foto abaixo.
Quero terminar dizendo que para mim tatuagens
bem feitas (repito: BEM FEITAS!) são obras de arte, e espero que com a sua
popularização não sejam utilizadas como critério para avaliação da competência profissional
de ninguém.
quinta-feira, 24 de outubro de 2013
PROVA COMENTADA - INSS - FISIOTERAPEUTA 2013
Olá Fisionautas!
Conforme prometido, cá estou eu na minha postagem semanal. desta vez trouxe o comentário das primeira 10 questões da prova anulada da Funrio. As provas para fisioterapia foram anuladas para os candidatos que concorrem para vagas na Superintendência Regional Nordeste e Superintendência Regional Sul. De qualquer forma, aponto aqui algumas questões que cebem recurso para serem anuladas.
Desejo boa sorte com a nova prova para o pessoal do Sul e Nordeste
Vai lá.
Vai lá.
Questão 51 - A maioria dos estudos demonstrou
efetividade na redução nos níveis de vários fatores de risco para a doença
coronariana,exceto
A) Triglicerídeos.
B) LDL-colesterol e HDL-colesterol.
C) Intolerância à glicose.
D) Colesterol total.
E) Pressão arterial sistólica e
diastólica.
GABARITO: Alternativa B
COMENTÁRIO:
Embora a redação desta questão esteja um pouco confusa. Mas com um pouco de boa vontade, é possível perceber que a pergunta diz respeito a identificação de fatores de risco de doença coronariana, mais especificamente àqueles cuja redução não é considerado como fator de proteção.
COMENTÁRIO:
Embora a redação desta questão esteja um pouco confusa. Mas com um pouco de boa vontade, é possível perceber que a pergunta diz respeito a identificação de fatores de risco de doença coronariana, mais especificamente àqueles cuja redução não é considerado como fator de proteção.
Vou começar
a análise das alternativas relembrando o conceito de dislipidemia. Basicamente,
a Dislipidemia é a presença de níveis elevados ou anormais de lipídios e/ou
lipoproteínas no sangue. O risco de doença coronariana aumenta
significativamente com valores elevados de Colesterol Total, triglicerídeos e
LDL. A partir desta informação, podemos considerar que as alternativas A e D
são verdadeiras; isto é: sua redução reduz o risco de doença coronariana.
A Pressão Arterial é outra variável que quando reduzida, também reduz o risco de doença coronariana, assim, a alternativa E também é verdadeira.
A ointolerância a glicose ou pré-diabetes é considerado um fator de risco. Na medida em que você reduz a intolerância à glicose, você também reduz os riscos de eventos cardíacos. Portanto agora só nos resta analisar a alternativa B.
Já vimos que a redução dos níveis de LDL estão associados a redução de risco, porém com relação ao HDL, ocorre o inverso; isto é: o risco aumenta à medida que seus valores diminuem. Desta forma, podemos concluir que a alternativa B é a única que contém uma variável (HDL) que quando em níveis reduzidos, aumenta o risco de doença coronariana.
A Pressão Arterial é outra variável que quando reduzida, também reduz o risco de doença coronariana, assim, a alternativa E também é verdadeira.
A ointolerância a glicose ou pré-diabetes é considerado um fator de risco. Na medida em que você reduz a intolerância à glicose, você também reduz os riscos de eventos cardíacos. Portanto agora só nos resta analisar a alternativa B.
Já vimos que a redução dos níveis de LDL estão associados a redução de risco, porém com relação ao HDL, ocorre o inverso; isto é: o risco aumenta à medida que seus valores diminuem. Desta forma, podemos concluir que a alternativa B é a única que contém uma variável (HDL) que quando em níveis reduzidos, aumenta o risco de doença coronariana.
FONTE:
Consenso Brasileiro Sobre Dislipidemias: Detecção, Avaliação e Tratamento - Sociedade Brasileira de Cardiologia http://publicacoes.cardiol.br/consenso/1994/6301/63010014.pdf
Consenso Brasileiro Sobre Dislipidemias: Detecção, Avaliação e Tratamento - Sociedade Brasileira de Cardiologia http://publicacoes.cardiol.br/consenso/1994/6301/63010014.pdf
Avaliação
dos fatores de risco para doença arterial coronariana em pacientes de São
Caetano do Sul segundo o Escore de Framingham e sua relação com a síndrome
metabólica. http://www.cepsanny.com.br/pdf/v1n1a2.pdf
Questão
52 - O método hidroterapêutico que incorpora as técnicas de facilitação
neuromuscular proprioceptiva (FNP) denomina-se
A) Halliwick.
B) Ruoti.
C) Watsu.
D) Anéis de Bad Ragaz.
E) Kabat Modificado.
GABARITO: Alternativa D
COMENTÁRIO:
Esta é uma questão que considero fácil, mas que é bem interessante de comentar pois permite abordar as 3 principais técnicas de hidroterapia. Mas antes de apresentar as técnicas, preciso excluir as alternativas B e E, pois referem-se a técnicas que não existem.
A International Halliwick Association define o conceito Halliwick como: "uma abordagem para ensinar todas as pessoas, em particular às com deficiência, atividades aquáticas, movimentação independente na água e a nadar. Portanto, sem ligação direta com os conceitos de PNF.
Esta é uma questão que considero fácil, mas que é bem interessante de comentar pois permite abordar as 3 principais técnicas de hidroterapia. Mas antes de apresentar as técnicas, preciso excluir as alternativas B e E, pois referem-se a técnicas que não existem.
A International Halliwick Association define o conceito Halliwick como: "uma abordagem para ensinar todas as pessoas, em particular às com deficiência, atividades aquáticas, movimentação independente na água e a nadar. Portanto, sem ligação direta com os conceitos de PNF.
O Watsu, também denominado “Water
Shiatsu” trata-se de um método originado a partir do Zen Shiatsu e consiste em
alongamentos passivos, massagens e mobilizações articulares bem como aplicação
de pressão sobre pontos de acupuntura. Este método também não tem ligação com os
conceitos utilizados no PNF.
Sobra, portanto, a alternativa D. O
método dos anéis de Bad Ragaz (ou simplesmente Bad Ragaz, ou ainda como também
é conhecido na novela das 9 pelo personagem Félix: “método do Anel
Pega-Rapaz”), consiste na associação de flutuadores e exercícios funcionais
baseados no conceito PNF.
FONTE:
Conceito Halliwick inclusão e participação através das atividades aquáticas funcionais http://www.actafisiatrica.org.br/detalhe_artigo.asp?id=468
Conceito Halliwick inclusão e participação através das atividades aquáticas funcionais http://www.actafisiatrica.org.br/detalhe_artigo.asp?id=468
Efeitos do método watsu na
flexibilidade e na autonomia funcional de idosas senescentes http://www.unama.br/novoportal/ensino/graduacao/cursos/fisioterapia/attachments/article/133/efeitos-do-metodo-watsu-na-flexibilidade.pdf
Questão
53- Sulfato de Magnésio, Salicilatos, Iodo e Óxido de Zinco são substâncias
empregadas no tratamento dos espasmos musculares, nas mialgias agudas ou
crônicas, nos processos inflamatórios e nas úlceras cutâneas, através da
iontoforese, quando colocadas, respectivamente, nos eletrodos de polaridade
A) NEGATIVO – POSITIVO – NEGATIVO –
POSITIVO
B) NEGATIVO – NEGATIVO – POSITIVO –
POSITIVO
C) POSITIVO – NEGATIVO – NEGATIVO –
POSITIVO
D) POSITIVO – POSITIVO – NEGATIVO –
NEGATIVO
E) NEGATIVO – POSITIVO – POSITIVO –
NEGATIVO
GABARITO: Alternativa C
COMENTÁRIO:
COMENTÁRIO:
Foi difícil encontrar a resposta desta questão. Após muito pesquisar na
internet, finalmente encontrei uma tabela que informava a polaridade das
substâncias citadas. A tabela faz parte do manual de um equipamento de
eletroterapia. Como se trata de decoreba, não faz sentido eu repetir o
gabarito, mas quem quiser (realmente) se dedicar a decorar a polaridade e a
indicação dos fármacos utilizados na iontoforese, recomendo utilizar a tabela
que está na página 66 do manual do equipamento, disponível no site: http://www.cappefisio.com.br/stimulus-r.pdf
..
Questão
54 - Pode-se concluir pela Avaliação da
Função Pulmonar que as reduções de todos os volumes pulmonares e de todas as capacidades
pulmonares estão associadas a distúrbios
A) metabólicos.
B) obstrutivos.
C) infecciosos.
D) restritivos.
E) obstrutivos e restritivos de qualquer natureza.
B) obstrutivos.
C) infecciosos.
D) restritivos.
E) obstrutivos e restritivos de qualquer natureza.
GABARITO: Alternativa D
COMETÁRIO:
Os distúrbios ventilatórios avaliados nos testes de função pulmonar são classificados em obstrutivos, restritivos e mistos. Assim, logo de cara, podemos excluir as alternativas A e C. Pacientes com distúrbios obstrutivos apresentam limitação ao fluxo aéreo enquanto os distúrbios restritivos reduzem os volumes e capacidades. O Derrame pleural é um bom exemplo de distúrbio restritivo que podemos utilizar para entender este conceito. Com o derrame pleural, ocorre redução da expansibilidade torácia, você tem líquido na cavidade pleural que impede os alvéolos de se inflarem completamente. É fácil entender que quanto maior o derrame pleural, menor o volume de ar que entra no pulmão acometido. Se realizarmos um teste de função pulmonar, observaremos uma redução em todos os volumes e capacidades pulmonares, que será mais evidente em derrames mais volumosos.
Os distúrbios ventilatórios avaliados nos testes de função pulmonar são classificados em obstrutivos, restritivos e mistos. Assim, logo de cara, podemos excluir as alternativas A e C. Pacientes com distúrbios obstrutivos apresentam limitação ao fluxo aéreo enquanto os distúrbios restritivos reduzem os volumes e capacidades. O Derrame pleural é um bom exemplo de distúrbio restritivo que podemos utilizar para entender este conceito. Com o derrame pleural, ocorre redução da expansibilidade torácia, você tem líquido na cavidade pleural que impede os alvéolos de se inflarem completamente. É fácil entender que quanto maior o derrame pleural, menor o volume de ar que entra no pulmão acometido. Se realizarmos um teste de função pulmonar, observaremos uma redução em todos os volumes e capacidades pulmonares, que será mais evidente em derrames mais volumosos.
Questão
55 - O Grande Dorsal, músculo de alta relevância biomecânica, clínica e
terapêutica, tem significativa participação em vários movimentos, exceto
A) Elevação da Pélvis.
B) Extensão do Ombro.
C) Rotação Interna do Ombro.
D) Adução do Ombro.
E) Rotação Externa do Ombro.
B) Extensão do Ombro.
C) Rotação Interna do Ombro.
D) Adução do Ombro.
E) Rotação Externa do Ombro.
GABARITO: Alternativa E
COMENTÁRIO
Esta questão permite uma
resolução interessante. O candidato (ou
candidata) que não conseguir relembrar as ações do Grande Dorsal, pode aumentar
as chances de acertar a questão no chute. Basta observar que as alternativas C
e E são contraditórias: O Grande Dorsal não faz simultaneamente rotação interna
e externa do ombro. Assim, teríamos 50% de chance do chute acertar o
gabarito.
Questão
56 - Há evidências de que a prática de atividade física moderada e regular,
iniciada precocemente, reduz no idoso as doenças abaixo, exceto
A) Câncer de cólon.
B) Osteoporose.
C) Câncer de próstata.
D) Esclerose múltipla.
E) Diabetes tipo II.
B) Osteoporose.
C) Câncer de próstata.
D) Esclerose múltipla.
E) Diabetes tipo II.
GABARITO: Alternativa D
COMENTÁRIO:
Geralmente nos lembramos que o exercício físico é bom para o coração, porém seus efeitos não se limitam ao sistema cardiovascular. A atividade física regular é de extrema importância para os idosos. Exercícios regulares podem influenciam a manutenção das atividades ósseas normais e podem aumentar significativamente a densidade mineral óssea. Com relação a Diabetes, é bem conhecido o fato que as atividades físicas ajudam no controle glicêmico e funcionam como fator de proteção contra o desenvolvimento de Diabetes. O exercício físico regular também tem efeito protetor contra diversos tipos de câncer, no entanto , esta relação de prevenção não é estabelecida com relação a Esclerose Múltipla, em parte devido ao fato de ser uma patologia relativamente rara, e ainda sem etiologia definida.
Geralmente nos lembramos que o exercício físico é bom para o coração, porém seus efeitos não se limitam ao sistema cardiovascular. A atividade física regular é de extrema importância para os idosos. Exercícios regulares podem influenciam a manutenção das atividades ósseas normais e podem aumentar significativamente a densidade mineral óssea. Com relação a Diabetes, é bem conhecido o fato que as atividades físicas ajudam no controle glicêmico e funcionam como fator de proteção contra o desenvolvimento de Diabetes. O exercício físico regular também tem efeito protetor contra diversos tipos de câncer, no entanto , esta relação de prevenção não é estabelecida com relação a Esclerose Múltipla, em parte devido ao fato de ser uma patologia relativamente rara, e ainda sem etiologia definida.
Câncer: http://athlon-esportes.com/wp-content/uploads/2013/06/As-rela%C3%A7%C3%B5es-entre-exerc%C3%ADcio-e-atividade-f%C3%ADsica-e-o-c%C3%A2ncer.pdf
Diabetes: http://www.scielo.br/pdf/abem/v46n5/13401.pdf
Osteoporose: http://www.scielo.br/pdf/fm/v23n2/12.pdf
Diabetes: http://www.scielo.br/pdf/abem/v46n5/13401.pdf
Osteoporose: http://www.scielo.br/pdf/fm/v23n2/12.pdf
Questão
57 - Na avaliação geral das funções físicas do paciente acometido por acidente
vascular encefálico, podemos quantificar as atividades de vida diária básicas
através do Índice de
A) Katz.
B) Pearl.
C) Kreutzer.
D) Apgar.
E) Moore.
B) Pearl.
C) Kreutzer.
D) Apgar.
E) Moore.
GABARITO: Alternativa A
COMENTÁRIO:
O Índice de Independência nas
Atividades de Vida Diária, foi desenvolvido para medir as Atividades de Vida
Diária de pacientes com doenças crônicas. O índice apresenta três gradientes,
cujos extremos são: totalmente independente e dependente. Avalia atividades
como o tomar banho, vestir-se, alimentar-se e levantar-se da cama ou de uma
cadeira, entre outros. Ah! E antes que alguém me escreva para lembrar que a atuação
nas AVD'S é ato privativo do TERAPEUTA OCUPACIONAL, normatizada pela resolução
316 de 2008 do COFITTO, lembro que eu estou apenas comentando uma prova. Se
alguém achou ruim e quiser reclamar, recomendo que faça diretamente a
organização do concurso.
Fonte: http://www.scielo.br/pdf/reeusp/v41n2/20.pdf
Fonte: http://www.scielo.br/pdf/reeusp/v41n2/20.pdf
Questão
58 - O “Teste de Ober” avalia a presença da contratura do(s)
A) manguito rotador.
B) isquiotibiais.
C) adutores do quadril.
D) abdutores do ombro.
E) músculo externo da grande fáscia e do feixe iliotibial.
B) isquiotibiais.
C) adutores do quadril.
D) abdutores do ombro.
E) músculo externo da grande fáscia e do feixe iliotibial.
GABARITO: Alternativa E
COMENTÁRIO:
O teste de Ober é utilizado para avaliar o encurtamento do trato iliotibial. Neste teste, o indivíduo deve ser posicionado em decúbito lateral, com a perna inferior fletida no quadril e joelho, o suficiente para retificar a lordose lombar, e o joelho da perna superior deve ser fletido a 900. Após ter sido realizado o posicionamento adequado, o examinador deve segurar com uma das mãos o tornozelo da perna superior e com a outra estabilizar o quadril e, em seguida, abduzir e estender esta perna até a coxa se encontrar alinhada com o corpo. Então, é permitido que a coxa caia em direção à superfície nesse plano e o teste deve ser interpretado a partir da quantidade de adução do quadril
O teste de Ober é utilizado para avaliar o encurtamento do trato iliotibial. Neste teste, o indivíduo deve ser posicionado em decúbito lateral, com a perna inferior fletida no quadril e joelho, o suficiente para retificar a lordose lombar, e o joelho da perna superior deve ser fletido a 900. Após ter sido realizado o posicionamento adequado, o examinador deve segurar com uma das mãos o tornozelo da perna superior e com a outra estabilizar o quadril e, em seguida, abduzir e estender esta perna até a coxa se encontrar alinhada com o corpo. Então, é permitido que a coxa caia em direção à superfície nesse plano e o teste deve ser interpretado a partir da quantidade de adução do quadril
Questão
59- As úlceras crônicas podem ser tratadas com estimulação elétrica para fins
de acelerar sua cicatrização através de algumas modalidades de correntes
elétrica, exceto a seguinte corrente:
A) Contínua de baixa amplitude.
B) Pulsadas monofásicas de alta frequência.
C) Pulsadas monofásicas de baixa frequência.
D) Pulsadas bifásicas de baixa frequência.
E) Ultrassom Pulsátil.
B) Pulsadas monofásicas de alta frequência.
C) Pulsadas monofásicas de baixa frequência.
D) Pulsadas bifásicas de baixa frequência.
E) Ultrassom Pulsátil.
GABARITO: alternativa B
COMENTÁRIO:
Esta questão é controvesta, e na minha
opinião deveria ser anulada por dois motivos:
#1- Entre as alternativas temos o Ultrassom, que embora seja utilizado para acelerar a cicatrização tecidual, ele não é corrente elétrica, esta alternativa pode induzir o candidato ao erro (mas como veremos a seguir, o próprio gabarito está errado).
#2 – A eletroestimulação de alta voltagem consiste em pulsos gêmeos, monofásicos, unidirecionais, que se elevam instantaneamente e decaem exponencialmente em alta voltagem, que promovem o aumento do fluxo sanguíneo, fagocitose, melhora da oxigenação, redução do edema, atração e estimulação de fibroblastos e células epiteliais, síntese de DNA, mitose celular, controle de infecção, aumento da produção de ATP, melhora do transporte nas membranas, auxílio na organização da matriz de colágeno, estimulação da contração da ferida com migração de células da epiderme para o centro da úlcera. Ou seja:a alternativa B é uma forma eficiente de promover a cicatrização tecidual, e portanto o gabarito é incoerente. Fonte: USO DA ELETROESTIMULAÇÃO DE ALTA VOLTAGEM NA CICATRIZAÇÃO DE ÚLCERAS VENOSAS - disponível para download clicando [[[[[AQUI]]]]]]:
#1- Entre as alternativas temos o Ultrassom, que embora seja utilizado para acelerar a cicatrização tecidual, ele não é corrente elétrica, esta alternativa pode induzir o candidato ao erro (mas como veremos a seguir, o próprio gabarito está errado).
#2 – A eletroestimulação de alta voltagem consiste em pulsos gêmeos, monofásicos, unidirecionais, que se elevam instantaneamente e decaem exponencialmente em alta voltagem, que promovem o aumento do fluxo sanguíneo, fagocitose, melhora da oxigenação, redução do edema, atração e estimulação de fibroblastos e células epiteliais, síntese de DNA, mitose celular, controle de infecção, aumento da produção de ATP, melhora do transporte nas membranas, auxílio na organização da matriz de colágeno, estimulação da contração da ferida com migração de células da epiderme para o centro da úlcera. Ou seja:a alternativa B é uma forma eficiente de promover a cicatrização tecidual, e portanto o gabarito é incoerente. Fonte: USO DA ELETROESTIMULAÇÃO DE ALTA VOLTAGEM NA CICATRIZAÇÃO DE ÚLCERAS VENOSAS - disponível para download clicando [[[[[AQUI]]]]]]:
Questão
60 - A abordagem cinesioterapêutica de melhor eficácia para redução das
contraturas moderadas ou graves nos amputados transfemural ou transtibial
consiste na seguinte atividade:
A) Exercícios ativos livres.
B) Exercícios ativos resistidos.
C) Alongamento passivo.
D) Alongamento passivo após aplicação
de calor.
E) Alongamento por facilitação
neuromuscular proprioceptivo.
GABARITO: Alternativa E
COMENTÁRIO:
Eu confesso que não consegui encontrar
um livro ou artigo que demonstre a superioridade do PNF sobre as demais
técnicas listadas.
sábado, 19 de outubro de 2013
Complicações cardíacas na Distrofia Muscular de Duchenne
ATENÇÃO!!!
O conteúdo desta postagem é direcionada a estudantes e profissionais de saúde.
Para orientações quanto ao acompanhamento da distrofia muscular, acesse o site da Associação Brasileira de Distrofia Muscular
Olá
Fisionautas,
Quando
decidi escrever um blog de fisioterapia o meu maior objetivo era o de tentar lançar
um olhar diferenciado sobre alguns assuntos relacionados com a fisioterapia e
reabilitação. Acredito que esta postagem exemplifica bem o espírito desta
iniciativa. Hoje vou falar sobre uma comorbidade comum na Distrofia Muscular de
Duchenne (DMD), porém muito pouco falada: A disfunção cardíaca em pacientes com
DMD.
Um dos
aspectos interessantes deste assunto é que a disfunção cardíaca em pacientes
com DMD só se tornou relevante devido a maior sobrevida desta população,
causada principalmente pelo prolongamento da vida destes pacientes.
A DISTROFIA
MUSCULAR DE DUCHENNE
Só pra
relembrar; A DMD é
uma doença hereditária progressiva, de herança recessiva ligada ao cromossomo X
que afeta o gene responsável pela síntese da distrofina. A distrofina é uma
proteína que ajuda na estabilização da membrana celular dos músculos
esqueléticos e também dos músculos cardíacos. Como conseqüência, pacientes com
DMD apresentam células musculares muito frágeis.
A fraqueza
muscular progressiva e as complicações respiratórias são os aspectos mais
evidentes e os principais focos de intervenção dos fisioterapeutas. A melhoria
dos cuidados está gerando uma queda na incidência de mortes por insuficiência
respiratória na DMD, ao passo que as mortes por acometimento cardíaco estão se
tornando cada vez mais freqüentes. Fisioterapeutas que atuam com crianças e
adolescentes precisam estar familiarizados com as repercussões cardíacas da
DMD.
COMO O
CORAÇÃO É AFETADO NA DISTROFIA MUSCULAR DE DUCHENNE
O
envolvimento cardíaco na DMD é freqüente, insidioso e está presente em
aproximadamente 80% dos pacientes. Como estes pacientes estão sujeitos a
acentuada restrição de mobilidade, mesmo que estejam com disfunção sistólica
acentuada, os primeiros sintomas de disfunção cardíaca podem demorar a se
manifestar – o que é ruim, pois quando surgem o coração pode já estar bastante
comprometido - Os sintomas de disfunção cardíaca podem ser vagos e
inespecíficos, como fadiga, perda de peso, vômito, distúrbios do sono. Estes
pacientes freqüentemente desenvolvem arritmias e podem apresentar bloqueio AV completo
associado a disfunção sistólica grave no estágio final da doença (para maiores
detalhes acesse: )
No coração,
a DMD está relacionada a substituição progressiva de cardiomiócitos e do
sistema de Purkinje por tecido conjuntivo, fibrose ou por gordura. Estudos
histológicos têm demonstrado que fibras cardíacas de Purkinje apresentam
necrose similar à notada nos músculos esqueléticos
A detecção
precoce de cardiomiopatia é importante, pois a instituição de terapias médicas cardioprotetores pode
retardar o remodelamento cardíaco adverso e atenuar sintomas de insuficiência
cardíaca nestes pacientes.
LIÇÕES:
Muito bem
amiguinhos e amiguinhas, como os fisioterapeutas são os profissionais de saúde
que certamente mais tem contato com a criança com DMD, é nosso dever orientar a
família. Desta forma, na minha opinião, a grande lição desta postagem é
aseguinte:
Os sintomas cardíacos são difíceis de se identificar em crianças e adolescentes
com DMD, assim, podemos orientar a família a ter o acompanhamento preventivo de
um cardiologista, mesmo antes da piora dos sintomas respiratórios.
domingo, 13 de outubro de 2013
Mitos e Lendas da Fisioterapia - Dor articular e Mudanças no tempo, existe relação?
“- Minha artrose sempre dói quando o tempo vira”.
Provavelmente você conhece alguém que jura ser capaz de fazer previsões meteorológicas a partir da dor no joelho ou em alguma outra parte do corpo. Mas será que existe alguma explicação científica plausível para justificar este fenômeno?
Provavelmente você conhece alguém que jura ser capaz de fazer previsões meteorológicas a partir da dor no joelho ou em alguma outra parte do corpo. Mas será que existe alguma explicação científica plausível para justificar este fenômeno?
Apesar de parecer um assunto banal, estamos na verdade diante de uma questão bastante complexa pois se trata de investigar uma relação de causa e efeito. Diga-se de passagem, uma das mais difíceis de se comprovar.
A pergunta primordial “Mudanças no tempo geram dor em pessoas com problemas articulares?” (daqui em diante chamarei de alterações meteorológicas) esconde uma série de vieses e armadilhas, como por exemplo: o que entendemos por mudanças meteorológicas? devemos considerar apenas a relação da dor com a presença de chuva ou também a mudança de temperatura (tanto para frio quanto para calor)? mudanças da pressão atmosférica? acúmulo de cargas elétricas na atmosfera? fases da lua? raios cósmicos? flutuações do campo magnético da Terra? Ou será que devemos ver tudo isso e mais o horóscopo chinês do dia? Além disso, de quais problemas articulares estamos falando? traumas, doenças reumatológicas ou doenças degenerativas?
Uma outra armadilha bem mais sutil envolve a percepção seletiva: Será que as pessoas associam dor e mudança meteorológica simplesmente por estarem mais atentas a dor quando o tempo vira, muito embora também sintam dor mesmo com o tempo estável? Ficou meio confunso, né? Vou tentar explicar melhor com um outro exemplo: É um fenômeno relativamente bem conhecido o fato que mulheres grávidas relatam perceber outras mulheres grávidas em todos os lugares. Isso acontece por causa da percepção seletiva. Grávidas ficam mais atentas a outras mulheres na mesma condição. aplicando este raciocínio a questão das dores durante mudanças meteorológicas, o questionamento passa a ser: será que as pessoas ficam mais atentas ao surgimento de dor durante a mudança meteorológica?
Hipóteses e
explicações:
Existem algumas hipóteses que tentam explicar fisiologicamente o porquê pessoas com problemas articulares sentem dor com a mudança do tempo. Vamos ver algumas:
#1- A mais tradicional refere-se a pressão atmosférica. Se temos uma articulação propícia ao edema (como no caso de trauma recente, doenças reumatológicas ou artrose), uma queda na pressão atmosférica teria um efeito sobre a articulação, permitindo um extravasamento de líquidos (efeito contrário da hidroterapia, quando o aumento da pressão externa ao corpo, preveniria os edemas). Como existem terminações nervosas nos tecidos, ao edemaciar, estes nervos seriam estimulados gerando dor.
Existem algumas hipóteses que tentam explicar fisiologicamente o porquê pessoas com problemas articulares sentem dor com a mudança do tempo. Vamos ver algumas:
#1- A mais tradicional refere-se a pressão atmosférica. Se temos uma articulação propícia ao edema (como no caso de trauma recente, doenças reumatológicas ou artrose), uma queda na pressão atmosférica teria um efeito sobre a articulação, permitindo um extravasamento de líquidos (efeito contrário da hidroterapia, quando o aumento da pressão externa ao corpo, preveniria os edemas). Como existem terminações nervosas nos tecidos, ao edemaciar, estes nervos seriam estimulados gerando dor.
#2 – Queda na temperatura também pode causar dor, pelo
fenômeno de Raynaud. O frio geraria uma vasoconstricção, mais uma vez afetando
as terminações nervosas e gerando dor.
#3 – Uma explicação mais holística e mais elegante diz que
pessoas idosas ou com restrição ao movimento tendem a evitar sair de casa (algumas
vezes evitam sair da cama também) quando chove ou quando está frio. Sedentarismo
é um fator reconhecidamente relacionado a piora das dores de pacientes com
doenças reumatológicas.
#4 - Uma quarta explicação faz referência a dor nos ossos
fraturados. Diz que o foco de fratura sofre dilatação e constricção com as
mudanças da temperatura ambiente (igualzinho uma viga de construção civil). Na
minha opinião (posso até estar errado, mas neste momento me permito uma certa arrogância)
esta explicação é muito viajante, pelo simples fato do interior do corpo manter
sua temperatura interna relativamente constante.
O que a literatura
científica diz
Fiz uma busca simples no Google com os seguintes termos: Wheather+Pain+Osteoarthritis+pdf e uma segunda busca com os termos: Dor+Artrose+”mudança de tempo”+pdf.
Encontrei vários artigos, mas para não alongar muito esta postagem, vou comentar apenas os dois artigos recentes. Um sobre artrite e outro sobre fibromialgia. Mas no final da postagem tem um link para os outros trabalhos pesquisados.
Fiz uma busca simples no Google com os seguintes termos: Wheather+Pain+Osteoarthritis+pdf e uma segunda busca com os termos: Dor+Artrose+”mudança de tempo”+pdf.
Encontrei vários artigos, mas para não alongar muito esta postagem, vou comentar apenas os dois artigos recentes. Um sobre artrite e outro sobre fibromialgia. Mas no final da postagem tem um link para os outros trabalhos pesquisados.
Influência de elementos meteorológicos na dor de pacientes com osteoartrite: revisão da literatura
http://www.scielo.br/pdf/rbr/v51n6/v51n6a08.pdf
Neste artigo os autores analisaram 8 artigos envolvendo osteoartrose e artrite reumatóide, mas não foi possível observar um consenso com relação ao efeito das alterações meteorológicas. Um trecho interessante da discussão vale a pena ser destacada: “Na literatura visitada, o maior erro no desenho do estudo, além do tamanho amostral, foi a impossibilidade de manter os indivíduos participantes desinformados sobre as variações meteorológicas do período em que deveriam responder ao questionário. Presume-se que os indivíduos, em algum momento, tenham tomado conhecimento das condições e previsões do tempo pelos meios de comunicação. Essa informação poderia ter se refletido inconscientemente na propensão a relatar a dor da osteoartrose”
Os autores relatam também que apesar dos resultados conflitantes, as pesquisas mais recentes apontam para a existência de relação entre mudanças climática e dor.
Neste artigo os autores analisaram 8 artigos envolvendo osteoartrose e artrite reumatóide, mas não foi possível observar um consenso com relação ao efeito das alterações meteorológicas. Um trecho interessante da discussão vale a pena ser destacada: “Na literatura visitada, o maior erro no desenho do estudo, além do tamanho amostral, foi a impossibilidade de manter os indivíduos participantes desinformados sobre as variações meteorológicas do período em que deveriam responder ao questionário. Presume-se que os indivíduos, em algum momento, tenham tomado conhecimento das condições e previsões do tempo pelos meios de comunicação. Essa informação poderia ter se refletido inconscientemente na propensão a relatar a dor da osteoartrose”
Os autores relatam também que apesar dos resultados conflitantes, as pesquisas mais recentes apontam para a existência de relação entre mudanças climática e dor.
Influence of Weather on Daily Symptoms of Pain
and Fatigue in Female Patients With Fibromyalgia: A Multilevel Regression
Analysis (somente abstract)
Este trabalho conclui que existem mais evidências contra do
que a favor da influência de mudanças meteorológicas na dor e fadiga de
mulheres com fibromialgia, muito embora algumas das pesquisadas pareçam ser
mais sensíveis a alterações climáticas, esta não parece ser uma característica
comum a toda a amostra de pacientes pesquisadas.
Conclusão
As pesquisas não são conclusivas. Mas permitam-me algumas
observações:
#1- Se o seu, ou sua paciente diz que sente dor quando o tempo muda, ACREDITE ! Faz parte da relação terapeuta-paciente estabelecer confiança e empatia. Além disso, se ela está convicta que sente dor quando o tempo muda, você realmente acredita que é capaz de fazê-la mudar de idéia?
#1- Se o seu, ou sua paciente diz que sente dor quando o tempo muda, ACREDITE ! Faz parte da relação terapeuta-paciente estabelecer confiança e empatia. Além disso, se ela está convicta que sente dor quando o tempo muda, você realmente acredita que é capaz de fazê-la mudar de idéia?
#2 – Eu tenho o ligamento cruzado parcialmente rompido e de
fato sinto dor quando o tempo muda. Só que não é sempre. Muitas vezes o tempo
vira e não sinto nada, e muitas vezes também sinto dor com o tempo estável.
Então posso dizer que ao menos no meu caso não é possível estabelecer uma
relação entre dor e meteorologia.
Referências:
domingo, 10 de março de 2013
Gelo e Ultrasom, podemos combinar estas duas terapias?
Embora
muitas modalidades de tratamento fisioterapêutico ainda não tenham a devida comprovação,
devemos sempre que possível buscar práticas que sejam baseadas em evidências. A
postagem de hoje apresenta uma discussão sobre a aplicação do ultrasom imediatamente após a Crioterapia.
Inicialmente pensei em classificar esta
postagem na seção de “Mitos e Lendas da Fisioterapia”, mas julguei que seria
mais interessante abrir um espaço para o debate, afinal de contas “a falta de
evidência não é uma evidência”. Gostaria muito que as pessoas contribuíssem com
informações sobre o assunto.
Pois bem,
vamos lá;
GELO E
ULTRA-SOM
Eu aprendi
na Faculdade que quando aplicado antes do ultra-som, a crioterapia é capaz de
potencializar os efeitos mecânicos do US. Esta idéia se baseia no fato de que
se você reduz a temperatura tecidual você aumenta a densidade e assim
potencializa os efeitos da micromassagem do ultrasom pulsátil. Como de praxe
fiz uma busca no Google e em algumas bases de dados, e fiquei surpreso por não
encontrar absolutamente nada sobre ultrasom pulsátil associado ao Gelo.
Pra não
dizer que foi uma busca inútil, encontrei dois artigos que investigaram o uso
do Gelo antes do Ultrasom, porém estes artigos investigaram a premissa de que a
crioterapia antes do US aumentaria o pico de temperatura alcançado nos tecidos.
As informações desta postagem são baseadas nos artigos - Temperature Changes in Deep Muscles of Humans During Ice andUltrasound Therapies: An In Vivo Study,
publicado em 1995 no JOSPT, e no artigo Temperature Changes During TherapeuticUltrasound in the Precooled Human Gastrocnemius Muscle, publicado no Periódico Journal os Atthletic Training, em 1994.
Em ambos
os artigos os autores se questionam se a premissa de que os efeitos atribuídos
ao gelo associado ao US são baseados em princípios científicos ou simples
especulações, e discutem os fundamentos teóricos que justificariam o uso de
gelo antes do US.
Uma explicação
para a popularidade do uso do gelo antes do US pode ter haver com achados
relativos a qual meio oferece a melhor transmissão de US, e a possibilidade de
que a temperatura do meio influencie o desfecho térmico do tratamento.
Lehman et al (Lehmann
JF, DeLateur BJ,
Silverman DR: Selective heating effects
of ultra-sound in human beings. Arch Phys Med Rehabil 47:33 1-339, 1966) relataram que um meio
de condução frio (gel de acoplamento resfriado) foi capaz de causar um aumento
mais significativo na temperatura tecidual do que um gel aquecido ou de um gel
em temperatura ambiente. Estes autores concluíram que a temperatura ideal para
o gel de US deveria ser inferior a 21°C. A idéia de que a crioterapia prévia ao
US seja similar ao uso de gel de acoplamento resfriado pode ter sido a razão
pela qual os fisioterapeutas começaram a usar crioterapia antes do US.
Entretanto existe uma enorme diferença entre o gelo antes do US e a aplicação
de um meio de acoplamento gelado, pois quando o meio de contato gelado é aplicado
sobre a pele, seguida imediatamente da aplicação do US, existe um tempo muito
curto para causar vasoconstrição e resfriamento significativo.
É interessante notar que esta é uma referência de 1966, ou seja: Um hipótese equivocada pode ter passando por várias gerações de fisioterapeutas, e que somente 30 anos depois, em 1994 foi conduzido o primeiro experimento (pelo menos os que eu encontrei) que investigou a efetividade do tratamento ! ! ! ! ÊÊÊÊITA placebo véio sô !!!
É interessante notar que esta é uma referência de 1966, ou seja: Um hipótese equivocada pode ter passando por várias gerações de fisioterapeutas, e que somente 30 anos depois, em 1994 foi conduzido o primeiro experimento (pelo menos os que eu encontrei) que investigou a efetividade do tratamento ! ! ! ! ÊÊÊÊITA placebo véio sô !!!
Algumas
passagens merecem ser destacadas. Com relação aos fundamentos teóricos da
prática :
“... o US precisa de um meio denso para obter seu efeito máximo. De acordo com várias pesquisas,(...) o US é melhor absorvido em tecidos densos que tenham bastante proteínas. Quanto mais denso o meio, melhor a onda de US será absorvida pelos tecidos, possivelmente resultando em maiores efeitos terapêuticos. Esta é basicamente a justificativa para o uso do Gelo antes do US.” (...)“Em geral, a crioterapia estimula respostas fisiológicas como a vasoconstricção e redução do fluxo sanguíneo. Isso não apenas resulta em redução da temperatura local mas, pelo menos em teoria, pode ajudar a aumentar temporariamente a densidade dos tecidos que estão sendo tratados, consequentemente aumentando os efeitos mecânicos dos US.”Temperature Changes in Deep Muscles of Humans During Ice and Ultrasound Therapies: An In Vivo Study
Estes
autores concluíram que o gelo antes do US não oferece nenhuma vantagem
adicional ao tratamento, conforme a passagem abaixo da discussão:
“O protocolo do estudo envolveu 5 minutos de aplicação de gelo antes do US. O gelo causou vasoconstricção e consequentemente exigiu mais calor do US para aquecer os tecidos, dilatar os vasos e distribuir o calor. Desta forma, o uso do gelo antes do US pode ter permitido uma queda excessiva da temperatura, impedindo ao invés de potencializar a efetividade termal do US. Um conclusão que pode ser traçada a partir dos resultados é a de que a uma profundidade de 5cm , o pré-resfriamento de tecidos por 5 minutos antes do US não gera benefícios se o propósito do US é o de criar um aumento significativo na temperatura tecidual. “Temperature Changes in Deep Muscles of Humans During Ice and Ultrasound Therapies: An In Vivo Study
Os autores
Rimington et al. Obtiveram os mesmos resultados, porém são mais agressivos em
seus comentários:
“Se o propósito do tratamento com US é o de aumentar a temperatura do tecido a uma profundidade de 3 cm, o pré-resfriamento (crioterapia) do tecido durante 15 minutos antes de US é um exercício de futilidade. (...) A suposição clínica de que o resfriamento dos tecidos antes de um tratamento com US aumenta a temperatura de pico de tais tecidos não é verdade. A incapacidade do US elevar a temperatura da área até mesmo de volta para a linha de base pré-tratamento, demonstra os efeitos dominantes do gelo.”
Temperature Changes During Therapeutic Ultrasound in
the Precooled Human Gastrocnemius Muscle.
Muito bem, estes artigos não respondem a minha dúvida inicial que é a influência do Gelo para os efeitos não térmicos do US, mas creio que esta postagem deixa claro duas coisas: #1- Os gringos também usam tratamentos empíricos sem fundamento científico, e
#2- Até podemos aceitar usar um tratamento sem comprovação formal, mas não devemos aceitar tudo o que aprendemos na faculdade simplesmente porque alguém diz : "tenho bons resultados usando este tratamento".
#2- Até podemos aceitar usar um tratamento sem comprovação formal, mas não devemos aceitar tudo o que aprendemos na faculdade simplesmente porque alguém diz : "tenho bons resultados usando este tratamento".
Como eu
disse anteriormente, não encontrei nenhum artigo que fale sobre US pulsado e crioterapia.
A hipótese, neste caso seria de que o resfriamento de uma determinada área iria
potencializar os efeitos não térmicos obtidos com o US. Pulsado. Creio que esta
pergunta permanecerá em aberto, mas espero que alguém se anime com esta
pesquisa e, quem sabe, em breve tenhamos a comprovação ou refutação deste tratamento.
Hasta La Vista
quinta-feira, 7 de março de 2013
Pós graduação em Traumato Ortopedia
Olá fisionautas,
Deixo hoje a minha indicação de curso para quem busca especialização de qualidade em traumato-ortopedia.
Eu recomendo esta pós, pois tive excelentes recomendações de alunos que estão terminando o curso, posso garantir que o Prof. Dângelo Alexandre é um profissional que se esforça em garantir que este curso tenha um nível de excelência em termos de conteúdo e professores.
Fica aqui a dica para quem busca uma pós em fisioterapia em 2013
sábado, 23 de fevereiro de 2013
Sugestões de camisas de fisioterapia
Olá Fisionautas,
Agora que o ano começou de verdade tem muita gente alvoroçada esperando a chegada dos calouros. Para algumas pessoas, a chegada de uma turma nova é uma oportunidade imperdível de usar o trote universitário como forma de disfarçar suas frustrações e inseguranças.
Mas o assunto de hoje não é psicanálise, mas sim algumas sugestões de camisas de fisioterapia. Eu acho sofrível na faculdade a falta de criatividade na hora do pessoal vender camisas. É sempre aquela mesma coisa. A frase "Seu namorado pode até fazer direito, mas ninguém mexe no seu corpo como eu" ou então aquela do coraçãozinho escrito "I love fisioterapia". Andei pesquisando na internet e até criei algumas sugestões de estampas de camisa de fisioterapia um pouco mais interessantes.
Divirtam-se
Agora que o ano começou de verdade tem muita gente alvoroçada esperando a chegada dos calouros. Para algumas pessoas, a chegada de uma turma nova é uma oportunidade imperdível de usar o trote universitário como forma de disfarçar suas frustrações e inseguranças.
Mas o assunto de hoje não é psicanálise, mas sim algumas sugestões de camisas de fisioterapia. Eu acho sofrível na faculdade a falta de criatividade na hora do pessoal vender camisas. É sempre aquela mesma coisa. A frase "Seu namorado pode até fazer direito, mas ninguém mexe no seu corpo como eu" ou então aquela do coraçãozinho escrito "I love fisioterapia". Andei pesquisando na internet e até criei algumas sugestões de estampas de camisa de fisioterapia um pouco mais interessantes.
Divirtam-se
domingo, 17 de fevereiro de 2013
Examinando o Dr. House
Olá Fisionautas,
Quem acompanha a série de TV “Dr. House” sabe que o personagem
principal, Gregory House (Hugh Laurie), caminha com a ajuda de uma bengala
devido a um infarto sofrido na perna direita que resultou em necrose muscular e
muita dor, além de deixá-lo viciado em analgésicos e com um mau humor crônico.
Decidi dar um voto de confiança aos roteiristas da série House e ao invés de
baixar a lenha reclamando da falta de veracidade do roteiro, fui investigar o
que a literatura científica tem a dizer sobre qual o melhor lado para que o Dr.
House use a bengala.
COMEÇANDO PELO COMEÇO…Para um(a) fisioterapeuta, a mera informação de que o House sofreu
uma necrose muscular na coxa é muito vago, pois não indica qual ou quais
músculos foram afetados. Os roteiristas não informam nada sobre força muscular, amplitude de
movimento, instabilidade, coordenação e nem em quais movimentos a dor surge (também isso seria querer demais, né?). Desta forma nos faltam informações básicas para estabelecer um diagnóstico
cinesiológico. Sem estas informações não há como fazer uma busca específica na
literatura. Pelo fato do House apoiar a mão na coxa e não no joelho, decidi me
basear em artigos que investigaram o uso de bengala em pacientes com afecções
no quadril.
Fiz uma busca no Google para encontrar artigos publicados em
revistas especializadas utilizando as palavras-chave: muletas+ipsilateral+contralateral+marcha+pdf,
tanto em português quanto inglês.
POR QUE USAR BENGALA ?
Dispositivos de auxílio da marcha tais como muletas e bengalas são
indicados para pacientes com dor e fraqueza no membros inferiores. As
principais funções destes equipamentos são aumentar a base de apoio, melhorar o
equilíbrio e dividir a carga de peso corporal com os membros superiores.
Quando utilizado em um só lado do corpo, uma bengala pode reduzir
o estresse sobre o membro inferior contralateral e diminuir o gasto energético
necessário para caminhar. No entanto, pessoas com instabilidade no membro inferior
optam por utilizar a bengala no mesmo lado do membro afetado, justamente para
garantir mais estabilidade durante a fase de apoio da perna afetada. Como eu
disse anteriormente, não sei se o problema do House é somente dor/fraqueza ou
se envolveria também instabilidade.
PACIENTES COM ARTROSE DE QUADRIL – QUAL O MELHOR LADO PARA SE USAR
A BENGALA ?
Encontrei um trabalho em português que apresenta um
relato de caso no qual se comparou as características espaço-temporais da
marcha de um paciente com osteoartrose no quadril esquerdo quando ele caminhava
utilizando a bengala no lado contralateral e sem bengala. Os principais
resultados indicam que o comprimento de passo direito e esquerdo, bem como o
comprimento total do ciclo, foram superiores com o uso da bengala durante a
marcha; os autores concluíram que o uso da bengala contralateral tornava a
marcha do indivíduo estudado mais eficiente.
Este artigo é bem simples, ajuda um pouco no nosso raciocínio mas não ajuda
muito a encontrar a resposta a nossa dúvida. Primeiro porque se trata do estudo
de um único indivíduo com artrose de quadril bastante avançada, e isso por si
só impede a generalização dos resultados (nada me garante que outros pacientes
com artrose de quadril vão se comportar da mesma forma que o do estudo). Em
segundo lugar, foi comparada somente a marcha sem bengala e com bengala
contralateral. No nosso caso, desejamos saber se a bengala usada contralateral
a perna afetada é mais eficiente do que a usada no mesmo lado.
Pra ser bem cri-cri do ponto de vista da metodologia científica, o que podemos
tirar de útil deste estudo é que o uso da bengala resultou em melhora dos
parâmetros temporo-espaciais da marcha quando comparado a marcha sem bengala, e
que TALVEZ isto aconteça em outras pessoas com artrose unilateral de
quadril.
Clique no link acima para ser direcionado para o artigo
PACIENTES COM PRÓTESE DE QUADRIL – QUAL O MELHOR LADO PARA SE USAR A BENGALA ?
Este trabalho focou na avaliação da atividade muscular
dos abdutores de quadril utilizando eletromiografia de superfície e mensuração
da força aplicada sobre a bengala. Foram avaliadas 24 pessoas com prótese
unilateral de quadril enquanto caminhavam [1] sem bengala [2] com a bengala no
mesmo lado da prótese, [3] com a bengala no lado oposto a prótese e [4] novamente
contralateral a prótese, porém empurrando a bengala pra baixo com “força
próxima do máximo”
Este estudo foi conduzido com pessoas com artroplastia de
quadril unilateral. Quando instruídos a deambular utilizando a bengala de uma
forma confortável, foi gerada em média uma força correspondente a 10% do peso
corporal (isto é: uma pessoa com 80Kg descarregou 72Kg sobre a perna afetada). Com
relação a atividade muscular, o EMG evidenciou uma redução de 31% na ativação
dos músculos abdutores de quadril quando comparado a deambulação sem bengala.
Quando instruídos a deambular empurrando a bengala pra baixo com “força próxima
do máximo”, a redução da descarga de peso chegou a 19,8% do peso corporal. Este
esforço mais árduo produziu, em média, uma redução de 42,3% na EMG dos músculos
abdutores de quadril, mais uma vez comparado a deambulação sem bengala.
Este trabalho é bem legal, pois tem um grupo controle (marcha sem bengala) e 3
situações experimentais (com bengala do mesmo lado, com bengala contralateral e
bengala contralateral aplicando força máxima sobre a bengala).
Os resultados nos levam a uma conclusão interessante: a de que não é
necessariamente errado usar uma bengala no mesmo lado do membro afetado, pois
mesmo apoiada do mesmo lado, a bengala é capaz de aliviar a descarga de peso e
diminuir a sobrecarga sobre os abdutores. Porém quando apoiada no lado
contralateral ao quadril protético, a efetividade na redução da descarga e na redução da demanda de força sobre os
abdutores de quadril é muito maior.
Esta conclusão é corroborada pelo trabalho “ImmediateEffects of Contralateral and Ipsilateral Cane Use On Normal Adult Gait”, no
qual foram investigados o pico de força vertical, e variáveis espaço-temporais
da marcha de indivíduos hígidos, isto é, sem problemas nos quadris, enquanto
utilizavam bengala do mesmo lado e contralateralmente. Neste estudo os autores concluíram que as
duas formas de levar a bengala reduzem as forças sobre o membro inferior, porém
a contralateral é mais eficiente.
Há ainda um outro trabalho interessante que concluiu que
em pacientes com artrose de joelho o uso de muletas no membro contralateral
também é preferível ao uso ipsilateral só que com um agravante: Os resultados
deste estudo sugerem que em indivíduos com artrose de joelho, o uso de bengala
ipsilateral pode ser mais prejudicial do que não usar bengala alguma. Isso
porque a bengala no mesmo lado da lesão aumentar as cargas angulares sobre o
joelho, o que pode acelerar a degeneração.
Changes in knee
moments with contralateral versus ipsilateral cane usage in femaleswith knee osteoarthritis
O QUE APRENDEMOS COM ISSO ?
Bem, a primeira coisa que posso concluir é que parece que
eu não tenho nada melhor pra fazer no meu tempo livre do que ficar vendo TV e
arrumando sarna pra me coçar.
A segunda coisa que aprendi foi que com relação ao House, me parece que os roteiristas não estão tão errados assim.
Dependendo do problema e da preferência (chatice) do House, a bengala usada do
mesmo lado pode sim aliviar a sobrecarga e ajudá-lo a andar, muito embora
usá-la no lado contralateral seja muito mais eficiente.
Pois bem pessoal, é isso aí.
Já que estamos no carnaval e o assunto é bengala, gostaria de terminar a postagem com uma reflexão.
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