Hoje, dia 4 de fevereiro é o dia mundial de luta contra o câncer e em homenagem a esta luta deixo a tradução livre de mais um artigo da série LEAP (Linking Evidence and Practice- Ligando Evidência e Prática). Este trabalho foi publicado em 2011 na revista Physical Therapy e fala sobre a prática de exercícios físicos no combate a fadiga relacionada ao câncer. Quem quiser baixar o artigo original em inglês basta acessar este link >>>>AQUI<<<<.
Se você gostou da abordagem LEAP, talvez queira ler a tradução de outros artigos da série:
EXERCÍCIOS PARA O MANEJO DA FADIGA RELACIONADA AO CÂNCER
A fadiga relacionada ao câncer (FRC) afeta entre 70% a 100% dos
pacientes durante o curso da doença ou do seu tratamento e resulta em
restrições nas atividades do dia a dia. [2-3]. Embora a causa da FRC ainda seja
desconhecida [4-7], existem diretrizes o seu tratamento. De acordo com as
recomendações do National Comprehensive Cancer Network (NCCN), a FRC é definida
como um sintoma persistente, um senso subjetivo de cansaço físico, emocional e
cognitivo ou exaustão relacionada ao câncer ou ao seu tratamento que não seja
proporcional à atividade realizada recentemente a qual poderia interferir com a
capacidade funcional usual do paciente. A
NCCN , recomenda que se deve inicialmente tratar quaisquer condições
identificáveis e reversíveis que possam colaborar para o desenvolvimento de
fadiga, tais como hipotireoidismo, depressão, anemia ou insônia[8]. Se estes tratamentos não
funcionarem, ou se nenhum fator potencialmente causador de fadiga tenha sido
identificado, as diretrizes sugerem uma variedade de abordagens possíveis.
Entre as abordagens não farmacológicas recomendadas pela
NCCN está o aumento da atividade física. O combate ao sedentarismo e a prática
de exercícios físicos regulares podem reduzir tanto os efeitos físicos quanto psicológicos
do stress relacionado com tratamentos de câncer, podem também melhorar o humor
e reduzir a ansiedade e o medo em pacientes [9]. Recentemente, o American
College of Sports Medicine (ACSM) publicou diretrizes de exercícios para as
pessoas que sobreviveram ao câncer. Estas diretrizes afirmam que o exercício é
seguro e é capaz de melhorar o desempenho físico, a qualidade de vida e reduzir
o sintoma de fadiga [9]
Para determinar o efeito do exercício na fadiga relacionada
ao câncer, os autores Cramp e Daniel realizaram uma revisão sistemática, que
foi publicado no The Cochrane Database of Systematic Reviews em 2009 [10]. Esta
revisão procurou determinar o efeito de exercícios em pacientes com vários
tipos e estágios de câncer e com vários esquemas de tratamento, durante e também
após o tratamento. A revisão incluiu estudos randomizados controlados com
participantes de qualquer idade que tiveram qualquer tipo de câncer e qualquer
tipo de tratamento. Para serem incluídos, os estudos deveriam investigar o
efeito de qualquer tipo de exercício realizado em qualquer ambiente (hospital,
ambulatório ou domiciliar) e a sua comparação com nenhum exercício, tratamento
usual, ou tratamentos alternativos. Os estudos poderiam relatar desfechos em
várias formas, incluindo ferramentas padronizadas para avaliação da fadiga,
capacidade aeróbica, qualidade de vida, ansiedade e depressão.
Leve uma lição para
casa
A revisão por Cramp e Daniel [10] identificaram o efeito benefício
de exercício na redução da FRC. Os benefícios foram vistos tanto em programas
de exercícios supervisionados quanto não-supervisionados, realizados durante ou
mesmo após o tratamento do câncer. Vários modos, intensidades, freqüências e
durações de exercício parecem ser eficazes, no entanto, não há evidências suficientes
para orientar a escolha de um programa de exercícios específicos.
Caso # 5
Exercício e fadiga relacionada ao câncer
Um programa de
exercícios físicos pode ajudar esta paciente?
A Sra. Hunter é uma professora de educação física aposentada
de 65anos de idade, que buscou atendimento médico devido tosse crônica e perda
de 15 quilos de peso ao longo de 1 ano.
A Tomografia Computadorizada de tórax revelou uma massa de
3,3 cm no lobo superior do pulmão esquerdo, e a biópsia confirmou um carcinoma
de pulmão de células não pequenas. Ao longo de um período de 7 meses, a
paciente foi submetida a uma lobectomia seguida por quimio e radioterapia. Um
ano após a conclusão de seu tratamento de câncer, a Sra. Hunter queixou-se ao
médico sobre dispnéia de esforço e fadiga. Sua taxa de fadiga de acordo com a
escala visual analógica (EVA) foi de 60 de uma pontuação máxima de 100.
Como os médicos aplicam os resultados da revisão sistemática Cochrane ao caso da Sra. Hunter?
Foram realizados exames clínicos, porém não foi possível identificar
alterações fisiológicas que explicassem a fadiga e a dispnéia da paciente.
Desta forma, determinou-se que a dispneia de esforço era provavelmente causada
por descondicionamento físico.
Foi elaborada uma pergunta utilizando o formato PICO (Paciente,
Intervenção, Comparação e resultado (Outcome)) para guiar a busca de evidências
na literatura: Em uma mulher de 65 anos de idade, com câncer de pulmão, tratada
com lobectomia, quimioterapia e radioterapia, um programa de exercícios (em
comparação com exercício nenhum) seria benéfico para reduzir a fadiga?
A equipe que acompanha a Sra Hunter determinou que o artigo
de revisão sistemática de Cramp e Daniel [10] forneceu informações relevantes
que lhes permitiu responder a pergunta elaborada.
A maioria dos estudos na revisão
sistemática incluiu apenas as pessoas com câncer de mama, e nenhum dos estudos
incluiu apenas as pessoas com câncer de pulmão, no entanto vários dos estudos utilizados
na revisão sistemática incluíram participantes com vários tipos de câncer. Os
resultados dos participantes que receberam exercício foram mais freqüentemente
comparados a não intervenção ou "cuidados habituais".
Com base na avaliação da revisão sistemática a equipe recomendou
um programa de exercícios. Ela concordou com a recomendação e iniciou um
programa Individualizado de exercícios supervisionados em sessões de 60
minutos, duas vezes por semana, durante 10 semanas. Cada sessão incluiu um
período de aquecimento de 5-10 minutos em bicicleta estacionária ou esteira
ergométrica com uma intensidade de 10 a 12 na Avaliação de Borg, mantendo uma saturação
de oxigênio superior a 90%. O aquecimento foi seguido de um circuito de
musculação direcionado aos principais músculos dos membros superiores e
inferiores. Exercícios foram iniciados com uma série de 8 a 15 repetições e
progrediram até um máximo de 3 séries de 15 repetições, sempre com base na
tolerância da Sra. Hunter ao exercício. As sessões eram encerradas com
exercícios de alongamento de todos os grandes grupos musculares. O peso total
levantado em todos os grupos musculares durante todo o programa foi registrado.
Os resultados da
intervenção coincidem com os sugeridos pela revisão sistemática?
A Sra. Hunter completou 19 de 20 sessões de exercícios. Sua
fadiga foi reduzida no final do programa a uma pontuação de 22 em 100 na EVA. A
magnitude da redução da Sra. Hunter em fadiga (38 pontos), pode ser considerada
clinicamente importante. Além disso, ela não relatou efeitos adversos relacionados
ao programa de exercícios.
Olha aí a Sra Hunter alegre e faceira liberando serotonina
em sua caminhada matinal na esteira
Você pode aplicar os
resultados da revisão sistemática para seus pacientes?
Os resultados desta revisão aplicam-se a pacientes adultos
com diversos tipos de câncer que recebem intervenção de exercício durante ou
após tratamentos de câncer. Os resultados se aplicam tanto a pacientes em
programas de exercícios supervisionados quanto domiciliares.
O que pode ser
aconselhado a partir dos resultados desta revisão sistemática?
Os pacientes que se encaixam na descrição acima são
susceptíveis de beneficiar de um programa de exercícios que é de
aproximadamente 12 semanas. Da mesma forma que o programa de exercícios da Sra.
Hunter, as recentes orientações do ACSM sugerem que prescrições de exercício devem
ser individualizadas, considerando as precauções associadas ao tipo específico
de câncer, o nível de condicionamento físico, comorbidades e resposta ao
tratamento. Embora a Sra Hunter tenha aderido a um programa de exercícios após
o término do tratamento de câncer, a revisão sistemática demostra que os pacientes
que completaram programas de exercícios durante ou após seus tratamentos de
câncer experimentaram redução da fadiga e melhora da qualidade de vida.
REFERÊNCIAS
1 The Cochrane Library. Available at: http://www.thecochranelibrary.com/view/0/index.html. Accessed February 7, 2011.
2 Mock V. Fatigue management: evidence and guidelines for practice. Cancer. 2001;92(6 suppl):1699–1707.
3 Curt GA, Breitbart W, Cella D, et al. Impact of cancer-related fatigue on the lives of patients: new findings from the Fatigue Coalition. Oncologist. 2000;5:353–360.
4 Flechtner H, Bottomley A. Fatigue assessment in cancer clinical trials. Expert Rev Pharmacoecon Outcomes Res. 2002;2:67–76.
5 Lucia A, Earnest C, Pérez M. Cancer-related fatigue: can exercise physiology assist oncologists? Lancet Oncol. 2003;4:616–625.
6 Wagner LI, Cella D. Fatigue and cancer: causes, prevalence and treatment approaches. Br J Cancer. 2004;91:822–828.
7 Mustian KM, Morrow GR, Carroll JK, et al. Integrative nonpharmacologic behavioral interventions for the management of cancer-related fatigue. Oncologist. 2007;12(suppl 1):52–67.
8 Clinical Practice Guidelines in Oncology. Cancer-related fatigue (v.1.2010).2010. http://www.nccn.org/professionals/physician_gls/PDF/fatigue.pdf. Accessed August 10, 2010.
9 Schmitz KH, Courneya KS, Matthews C, et al; American College of Sports Medicine. American College of Sports Medicine roundtable on exercise guidelines for cancer survivors. Med Sci Sports Exerc. 2010;42:1409–1426.
10 Cramp F, Daniel J. Exercise for the management of cancer-related fatigue in adults. Cochrane Database Syst Rev. 2009;(3):CD006145.





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