Olá Fisionautas!
Como prometido, estou me esforçando para manter uma regularidade nas minhas postagens.
Espero que esta seja útil.
O ALONGAMENTO MUSCULAR
O alongamento muscular é uma conduta rotineira nos
consultórios de fisioterapia no Brasil e no mundo. Geralmente utilizamos os alongamentos
musculares com o objetivo de tratamento de dores e espasmos musculares, para
corrigir (ou ao menos minimizar) alterações posturais, também para prevenir
deformidades em pacientes neurológicos e, obviamente, tratar encurtamentos
musculares. Porém, apesar de ser uma técnica amplamente usada, será que podemos
dizer que realmente conhecemos a bagagem teórica envolvida nessa conduta?
“O alongamento muscular pode ser definido como uma manobra terapêutica utilizada para aumentar o comprimento de estruturas de tecidos moles encurtados e assim aumentar a amplitude de movimento.”
(Kisner, Colby,1998)
A postagem de hoje é bem didática e tem o objetivo apenas
de descrever as modalidades de alongamento. A relação de artigos e livros
pesquisados encontra-se no final do texto. No entanto, a minha referência
principal é o artigo CURRENT CONCEPTS IN MUSCLE STRETCHING FOR EXERCISE AND REHABILITATION, de Phil Page, publicado em 2012 no periódico The International
Journal of Sports Physical Therapy.
Você sabia que a literatura científica descreve 3
modalidades principais de alongamento muscular?
São eles os alongamentos estático,
dinâmico e alongamento de pré-contração, os quais ainda são subdivididos de
acordo com a técnica utilizada. (Figura abaixo).
ALONGAMENTO ESTÁTICO
O alongamento estático é a modalidade de alongamento mais
comum, sendo subdividido em 2 técnicas diferentes: O alongamento estático ativo
e o alongamento estático passivo.

Alongamento estático
passivo
O alongamento estático passivo é,
na minha opinião, o método de alongamento mais utilizado nos consultórios de
fisioterapia. Esse método consiste na movimentação lenta do segmento alongado até
o limite do arco de movimento, e sendo mantido por determinado tempo. Para
manter o alongamento pode ser utilizado um equipamento, a assistência de outra
pessoa ou mesmo uma outra parte do próprio corpo da pessoa que está realizando
o alongamento.
Alguns autores consideram este tipo
de alongamento um dos mais seguros. As vantagens desta técnica incluem:
execução simples, pouco gasto de energia, possibilita tempo suficiente para
reajustar a sensibilidade do reflexo do alongamento.
Alongamento estático ativo
A diferença do alongamento
estático passivo para o alongamento ativo é que neste último, o músculo alvo é alongado até o limite
do arco de movimento apenas com a força dos
músculos agonistas do movimento.
Por exemplo: Já viu aqueles caras
de filmes fuleiros de Kung-Fu (a título de curiosidade: quanto mais fuleiro,
melhor o filme de kung-Fu), que depois de dar um chute no bandido, ficam com a
perna esticada no ar? Pois é, esses caras tem um domínio tão grande do corpo
que conseguem manter essa posição apenas com a força dos músculos agonistas. A
contração dos músculos agonistas promove um relaxamento reflexo dos
antagonistas por meio da inibição recíproca.
Outra curiosidade: Muitos
dos movimentos ou posturas de Yoga são alongamentos estáticos ativos.
Olha o Po fazendo um alongamento estático ativo de isquiotibiais
ALONGAMENTO DINÂMICO
O alongamento dinâmico também pode ser subdividido em 2
técnicas: O alongamento ativo e o alongamento balístico.
Alongamento ativo
O alongamento ativo envolve mover partes do seu corpo ao longo do arco de movimento e gradualmente aumentar o alcance, a velocidade do movimento ou ambos. Embora possam parecer idênticos, o alongamento ativo não é a mesma coisa de alongamento balístico !
O alongamento ativo consiste em movimentos controlados de braços e pernas que alcançam o limite do arco de movimento. Ao contrário do alongamento balístico, não são realizados movimentos abruptos. Um exemplo de alongamento ativo seria um balanceio controlado das pernas, braços ou rotações do tronco alcançando o limite do seu arco de movimento.
Os alongamentos dinâmicos melhoram a flexibilidade dinâmica e são bastante utilizados como parte do aquecimento ou da rotina de treino aeróbico (como nas aulas de dança ou artes marciais)
Alongamento
Balístico
O alongamento Balístico é aquele que utiliza o momento do balanço de um
segmento do corpo como forma de forçá-lo além de sua amplitude de movimento
normal. Esse método é realizado com movimentos rápidos (“em trancos”) e tem uma
similaridade com movimentos de chutar, balançar e demais movimentos rápidos e
ritmicos, porém realizados no extremo final do arco de movimento.
Existem duas desvantagens principais na aplicação desse tipo de
alongamento. A primeira é que pelo fato do alongamento balístico produzir uma
tensão rápida e intensa num período curto de tempo, ele não permite ao músculo
se ajustar e relaxar na posição alongada. A outra desvantagem é que esse método
pode desencadear o reflexo miotático em resposta ao aumento repentino e
inesperado do comprimento muscular. O reflexo miotático gera uma contração
muscular reflexa, a qual pode causar um aumento de tensão forte suficiente para
lesionar o músculo.
“O
alongamento balístico envolve movimentos pendulares, saltos, movimentos
insistidos e movimentos rítmicos. No alongamento balístico, o momento é a força
propulsora que move o corpo ou um membro para o aumento enérgico da Amplitude
de Movimento. Essa técnica é o método de alongamento mais controverso, porque
pode causar irritabilidade e lesão.”
ALTER, Michael J. Alongamento para os esportes. 2. Ed. São Paulo: Editora Manole, 1999.
ALTER, Michael J. Alongamento para os esportes. 2. Ed. São Paulo: Editora Manole, 1999.
Comentários sobre o alongamento balístico
Apesar de muitas das fontes que consultei para escrever esta postagem
considerarem este tipo de alongamento pouco útil e com alto risco de causar
lesões musculares, é possível encontrar diversos trabalhos,
alguns bem recentes, que estudam os efeitos do alongamento balístico. Sinal que em algumas
situações ele pode ser uma alternativa interessante para o alongamento
muscular.
ALONGAMENTO DE PRÉ-CONTRAÇÃO
O alongamento pré-contração (confesso a vocês que
desconhecia completamente esta nomenclatura) envolve a contração do músculo que
está sendo alongado ou de seu antagonista imediatamente antes do alongamento. A
modalidade mais comum de alongamento de pré-contração é o alongamento de
Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva (FNP). Outras modalidades de alongamento
pré-contração incluem o relaxamento pós-isométrico, e o alongamento
pós-facilitação.
Alongamento
de Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva (PNF)
A técnica mais comum de alongamento de pré-contração é o
alongamento de Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva (PNF). Para ser bem
cri-cri com as definições e conceitos, o alongamento PNF não pode ser
considerada um alongamento propriamente dito, mais sim um conjunto de técnicas.
Os alongamentos com PNF utilizam a inibição recíproca como forma de estimular o
relaxamento muscular reflexo por meio da ativação do órgão tendinoso de Golgi.
A literatura que consultei descreve 3 tipos diferentes de
alongamento PNF:
[1] “contrair-relaxar”, o qual utiliza isotônicas resistidas do músculo (ou do
padrão de PNF) que se pretende alongar, seguido de relaxamento muscular e
alongamento estático.
[2] “Manter-Relaxar”, utiliza contração isométrica do músculo (ou do padrão de
PNF) que se pretende alongar, seguido de relaxamento muscular.
[3] “Contrair-relaxar contrair agonista” (CRCA), eu creio que esta técnica seja
conhecida também como reversão dinâmica. A primeira parte do CRCA é igual a
técnica contrair-relaxar, porém logo após o alongamento estático passivo, é
solicitado ao paciente a contração isométrica dos músculos antagonistas
Comentários
Alguns estudos evidenciaram que por meio do alongamento PNF
foi observado aumento da ADM de bailarinas. Esses resultados sugerem que mesmo
para indivíduos com níveis de ADM excelentes, pode se conseguir aumento dessa
amplitude através da PNF.
Relaxamento Pós Isométrico
Outra modalidade de alongamento de pré-contração inclui o chamado “Relaxamento Pós Isométrico”, também conhecida como técnica de energia muscular com relaxamento pós-isométrico (TEM/RPI). Trata-se de um método de terapia manual classificada entre as técnicas estruturais ativas, em que o indivíduo participa aplicando sua força muscular e dosificando a técnica. Esta técnica utiliza uma quantidade muito menor de contração muscular (cerca de 25%). O Relaxamento Pós Isométrico é uma técnica desenvolvida pelo Dr. Vladimir Janda e refere-se ao relaxamento muscular após a realização da contração isométrica do agonista. Assim como o alongamento por PNF, o relaxamento pós isométrico gera uma resposta neurológica que envolve os órgãos tendinosos de golgi, em que a contração isométrica excita o órgão tendinoso de golgi, através da fibra aferente Ib, estimulando o interneurônio, este por sua vez, libera o mediador inibitório, que, através do neurônio motor, cessa a descarga na placa motora, promovendo o relaxamento muscular.
REFERÊNCIAS:
Current concepts in muscle stretching for exercise and rehabilitation.(Int J Sports Phys Ther. 2012 Feb;7(1):109-19.)
ANÁLISE DA PRESCRIÇÃO E ORIENTAÇÃO DOS EXERCÍCIOS DE ALONGAMENTO EM ACADEMIAS DE MUSCULAÇÃO DA CIDADE DE FORMOSA – GO (Trabalho de Conclusão de Curso - Licenciatura em Educação
Física )
Estudo clínico comparativo do aquecimento por eletroestimulação ou bicicleta estacionária como preparação ao alongamento muscular (Dissertação de mestrado – Faculdade de Medicina de Botucatu)
ASPECTOS CLÍNICOS DO ALONGAMENTO: UMA REVISÃODE LITERATURA (Rev. bras. fisioter. VoI. 8, No1 (2004), 1·6
Efeito de treinamentos de flexibilidade sobre a força e o torque muscular: uma revisão crítica (R. bras. Ci. e Mov 2013;(2): 151-
162.)
RESULTADOS DA TÉCNICA DE ENERGIA MUSCULAR NAEXTENSIBILIDADE E NA FLEXIBILIDADE: REVISÃO DELITERATURA (TCC Especialização em
Fisioterapia Traumato-Ortopédica e Desportiva)
Aplicação de técnica de energia muscular em coletores de lixo comlombalgia mecânica aguda (FISIOTERAPIA E PESQUISA 2005; 12(2))










