domingo, 22 de junho de 2014

Fisioterapeuta do Uruguai é um dos heróis da Copa - I Fucking Love Physical Therapy


Os dois gols da vitória do Uruguai por 2 a 1 em cima da Inglaterra  saíram da cabeça e do pé direito de Luis Suárez, o maior goleador da seleção Uruguaia, com 41 gols marcados. Porém, estes dois gols também têm um pouco das mãos de Walter Ferreira, fisioterapeuta da seleção Celeste, que cuidou do joelho esquerdo do camisa 9.

31 dias antes da partida, Suaréz havia sido submetido a uma artroscopia no joelho esquerdo em uma clínica em Montevidéu. No dia seguinte à cirurgia, o jogador já estava sob os cuidados de Ferreira. Até aqui nada demais, afinal a reabilitação de atletas de alto nível é assim mesmo e o fisioterapeuta não estaria fazendo nada além de sua obrigação. Porém, o que poucos sabiam é que Walter Ferreira vive um drama muito maior do que o enfrentado pelo artilheiro. 


Segundo informa a imprensa do Uruguai, ele interrompeu seu tratamento de quimioterapia para dedicar-se exclusivamente à missão de colocar "el pistolero" pronto para jogar o Mundial. Algumas delas foram na própria casa de Ferreira, que alguns anos atrás perdeu o filho num acidente de carro. Ele nem viria ao Brasil, mas foi convencido pelo paciente famoso a acompanhá-lo. Daí tanto carinho do jogador, que fez questão de agradecê-lo publicamente, e do técnico Óscar Tabárez.

“Toda nossa equipe médica, especialmente o doutor Ferreira, não o descartaram. Por isso está aqui e pode fazer o que fez”


Ferreira é muito querido pelos jogadores do país. Além de Suárez, atendeu craques como Álvaro Recoba, Diego Fórlan e Pablo Montero. Até Maradona e o ex-tenista americano John Mcenroe passaram pelas suas mãos durante visitas a Montevidéu.

Após o segundo gol contra a Inglaterra, Suárez correu para o reservado da sua seleção em busca de Walter. Em entrevista, declarou: "Só estou aqui por causa dele. Só joguei por causa dele", disse. Sem palavras, ele já havia agradecido após o primeiro gol, abraçando-o e apontando sua careca para todo o mundo que via o jogo.



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Fontes:

http://oglobo.globo.com/esportes/maos-santas-do-fisioterapeuta-do-uruguai-sao-famosas-no-pais-12935598#ixzz35NA0XUJj

http://www.whoateallthepies.tv/world_cup/192414/uruguay-physio-walter-ferreira-63-halted-his-own-cancer-treatment-to-treat-luis-suarezs-knee-injury.html

http://diariocatarinense.clicrbs.com.br/sc/esportes/copa-2014/noticia/2014/06/fisioterapeuta-interrompeu-quimioterapia-para-tratar-joelho-de-suarez-4531678.html

sábado, 21 de junho de 2014

Esclerose Lateral Amiotrófica - Estágios e Fisioterapia

A Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) foi descrita em 1869 pelo médico francês Jean-Martin Charcot, e atualmente é considerada uma das principais doenças neurodegenerativas, ao lado das doenças de Parkinson e de Alzheimer.

A ELA afeta tanto os neurônios motores inferiores quanto superiores. No caso dos neurônios motores inferiores, seu acometimento ocorre na medula espinhal. O acometimento dos neurônios motores superiores ocorre em todos os andares do SNC: medula, tronco cerebral e córtex motor. Esta degeneração resulta em uma variedade de sinais e sintomas (Tabela abaixo).


ESTÁGIOS DA ESCLEROSE LATERAL AMIOTRÓFICA
É importantíssimo que fisioterapeutas que atendem pacientes com doenças neuro-degenerativas conheçam a história natural da patologia. Mesmo que se trate de uma doença incurável, prever as complicações e ser capaz de elaborar um plano de tratamento levando em consideração a evolução da doença traz um grande impacto na qualidade de vida dos pacientes.  
Sinaki e Mulder, em 1978, foram os primeiros autores a descrever o curso natural da ELA como composto de 6 etapas. Estes estágios são baseados na perda progressiva da função muscular do tronco e extremidades e são apresentados a seguir:


ESTÁGIO I

Características:
Independência funcional preservada, fraqueza muscular com mudanças na resistência. Apoio psicológico e continuidade das atividades físicas normais é recomendada.
Comentários:
Nas primeiras fases da doença o paciente é independente em termos de mobilidade e Atividades de Vida Diária (AVDs). Um grupo específico de músculos apresenta-se discretamente fraco, o que pode se manifestar como uma limitações no desempenho das atividades ou na resistência, ou em ambos.
A terapia consiste na orientação de paciente e cuidador, com relação a conservação de energia, a modificação da casa e local de trabalho e apoio psicológico. O paciente é aconselhado a continuar as atividades físicas normais. Nesta fase podem ser prescritos exercícios ativos de amplitude de movimento e alongamento, exercícios de fortalecimento dos músculos não afetados com carga baixa a moderada e atividades aeróbicas (por exemplo, natação, caminhada, ciclismo) em níveis submáximos.


ESTÁGIO II

Características:
Envolvimento da musculatura distal, sendo indicado em alguns casos o uso de órteses. São mantidas as mesmas condutas do estágio I, porém acrescentando o condicionamento cardiopulmonar e neuromuscular e treinamento físico-funcional.
Comentários:
O paciente tem fraqueza moderada em alguns grupos musculares. O principal objetivo da intervenção é avaliar a necessidade de equipamentos e dispositivos para auxiliar os músculos fracos. O paciente deve ser encorajado a manter os exercícios de alongamento, de amplitude de movimento, fortalecimento dos músculos não afetados e atividades aeróbicas. Além disso, o paciente e os cuidadores são orientados na realização de exercícios assistidos de amplitude de movimento para evitar contraturas.
Ao projetar um programa de exercícios de fortalecimento para um paciente nos estágios I e II, o terapeuta deve buscar o equilíbrio nas atividades, tomando cuidado para não causar fadiga por uso excessivo e nem deixar que a atrofia por desuso se instale. Em outras palavras: não é 8 e nem 80! Evidências, em pacientes com outras doenças neuromusculares, indicam que exercícios de resistência com muitas repetições ou com carga excessiva podem causar perda permanente da força em um músculo afetado. Por outro lado, a redução acentuada no nível de atividade secundária a ELA, pode levar ao descondicionamento cardiovascular e fraqueza por desuso (como eu disse: nem 8 e nem 80).
Apesar de ganhos funcionais como resultado de exercício ainda não terem sido formalmente determinados, alguns resultados sugerem que programas de exercícios pode ser fisiologicamente e psicologicamente benéfico para pacientes com ELA. Por isso, existem autores que defendem a inclusão de exercícios de fortalecimento e resistência muscular, quando tolerados, particularmente nos primeiros estágios da doença. Os doentes são aconselhados a não realizar nenhuma atividade até o ponto de fadiga extrema (ou seja, incapacidade de realizar atividades diárias após o exercício devido à exaustão, dor, fasciculações ou cãibras musculares)


ESTÁGIO III

Características:
Limitações funcionais moderadas e maior suscetibilidade à fadiga. Os pacientes necessitam de cadeiras de rodas e podem usar órteses para os braços.
Comentários:
O paciente ainda é capaz de deambular, no entanto fraqueza em determinados grupos musculares pode resultar em queda do pé (fraqueza dos tibiais) ou uma mão marcadamente fraca. O paciente pode não ser capaz de levantar-se de uma cadeira sem ajuda. No geral, o paciente pode apresentar limitação funcional leve a moderada Nesta fase, como em todas as outras fases, o objetivo é manter o paciente fisicamente independente. Órteses podem ser necessárias para diminuir o gasto de energia e melhorar a segurança e mobilidade do paciente. Os pacientes podem começar a relatar peso e fadiga ao manter a cabeça erguida por longos períodos. Neste caso, os pacientes podem se beneficiar de um colar cervical macio. Para evitar a exaustão, uma cadeira de rodas pode ser necessária quando viajar longas distâncias.


ESTÁGIO IV

Características:
Este é o início de uma fase mais grave, com alterações nos membros inferiores. Continuação dos exercícios do estágio 2, com o acréscimo de exercícios que visam prevenir a contratura muscular e orientação sobre o posicionamento quando deitado.
Comentários:
O paciente neste estágio tem fraqueza grave das pernas e envolvimento dos braços. Assim, o paciente utiliza uma cadeira de rodas e pode ser capaz de realizar as AVDs. Mantém-se a orientação de exercícios passivos e assistidos para evitar contraturas. Exercícios de fortalecimento e ativo-livres de todos os músculos não-envolvido devem ser continuados. Dado que a mobilidade geral diminui, a necessidade de instrução para inspecionar a pele para áreas de pressão aumenta, sendo recomendado cuidados especiais para se evitar o desenvolvimento de úlceras de pressão.


ESTÁGIO V

Características:
dependência funcional demandando exercícios de alongamento e terapia manual para reduzir as dores musculares e articulares, espasticidade e fasciculação muscular. A estimulação elétrica e hidroterapia auxiliam com a instabilidade, assim como o uso de órteses.
Comentários:
Esta fase é caracterizada por fraqueza progressiva e deterioração da mobilidade e resistência. Os músculos do braço podem apresentar fraqueza moderada ou grave. O paciente torna-se incapaz de se mover-se na cama; Assim, a troca de decúbito freqüente e os cuidados com a pele tornam-se fundamentais. A dor pode se tornar um grande problema, podendo ser causada pela hipomobilidade, contraturas, espasticidade, ou mesmo instabilidade articular. Os pacientes podem ser incapazes de manter a cabeça erguida por períodos prolongados. Assim, um colar semi-rígido é apropriado nesta fase da doença.


ESTÁGIO VI

Características:
Este é o estado máximo de dependência. Os pacientes são por vezes imóveis, com envolvimento do sistema respiratório. A Fisioterapia cardiopulmonar é de grande importância nesta fase, assim como as alterações na postura e um programa de atendimento domiciliar. As técnicas fisioterapêuticas de Estágios 1 e 2 deve ser continuadas
Comentários:
O paciente agora necessita de assistência máxima com as AVDs. Tornam-se cruciais os cuidados com úlceras de pressão e a prevenção da estase venosa nas pernas. A gestão da dor continua a ser importante. A incapacidade de sustentar a cabeça devido a fraqueza dos músculos extensores do pescoço podem se tornar um grande problema. Desconforto respiratório progressivo desenvolve-se nesta fase, sendo necessária a fisioterapia respiratória e o uso de aspiradores para eliminação de secreções pulmonares. As metas neste estágio são semelhantes aos de cuidados paliativos: para atender às necessidades do paciente e seus cuidadores. Exercícios de respiração profunda, técnicas de tosse assistida e técnicas de desobstrução das vias aéreas são recomendadas para tratar problemas respiratórios agudos ou crônicos.

Esta divisão em estágios pode ajudar os fisioterapeutas a identificar a fase clínica da doença, bem como facilitar a indicação correta de exercícios e orientação, a fim de retardar a complicações como a contratura muscular, dor e problemas respiratórios.
Piemonte e Ramirez  também sugeriram três etapas classificação para a dependência funcional (independente semi-independente e independente), juntamente com a especificação conduta fisioterapêutico para cada fase. Estes autores também recomendaram exercícios diários ministrados aos pacientes e cuidadores no ambulatório. As três fases foram descritos como se segue:

Fase Independente:
Capacidade motora está preservada, com paciente sendo capaz de deambular e realizar atividades diárias normais. Há uma ligeira redução da força muscular e da suscetibilidade à fadiga. Os principais objetivos são manter o funcionamento motor estável por tanto tempo quanto possível, para evitar retrações musculares e deformidades articulares, reeducação postural e orientações sobre o uso de órteses.

Fase semi-independente:
Os indivíduos apresentam dificuldade na realização de atividades diárias e o uso de cadeiras de rodas é necessário. Este é o início do envolvimento do sistema respiratório, com dispnéia durante o esforço moderado. Alongamento, fortalecimento muscular, exercícios de postura do tronco e exercícios respiratórios são recomendados. Estes procedimentos aumentam a flexibilidade, reduzem cãibras, fortalecer a musculatura e melhoram a postura.

Fase Dependente:
Os pacientes necessitam de cuidadores para auxiliá-los na realização de atividades do dia-a-dia devido à evolução dos sintomas. Preservação da mobilidade articular com ênfase na região pélvica e escapular, a preservação ou melhoria no controle sobre o tronco e pescoço, treinamento respiratório e alterações posturais são recomendados.

LEITURA RECOMENDADA
Piemonte MEP, editor. Manual de exercícios domiciliares para pacientes com esclerose lateral amiotrófica. São Paulo: Manole; 2001. p. 19-64.

Reabilitação física na Esclerose Lateral Amiotrófica  - disponível em: http://www.revistaneurociencias.com.br/edicoes/2009/RN%202009%201/189%20.pdf

Physiotherapeutic conduct in amyotrophic lateral sclerosis - disponível em: http://www.scielo.br/pdf/spmj/v124n6/11.pdf






domingo, 15 de junho de 2014

Curso de Fisioterapia "Bolas Suíças em Pediatria"

Olá Fisionautas,
Após muitos pedidos, este ano comecei a ministrar cursos. O primeiro curso tem o pomposo nome de "Manuseios Terapêuticos em Pediatria Utilizando Bolas Suíças". Digo muitos pedido, pois recebo estagiários e colegas em treinamento profissional nos Hospitais em que trabalho, e sempre que possível, fazemos pequenos treinamentos com as principais técnicas de manuseios e exercícios terapêuticos vistos no estágio. Estes momentos sempre deixavam um gostinho de "quero mais" e assim decidimos fazer um apanhado dos manuseios mais importantes e montar um workshop no melhor estilo mão a massa (ou "hands on", se preferirem)    
Trata-se de um Workshop que será ministrado por mim e pela Tatiana Estevez, minha colega de trabalho no Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia. Para garantir o pleno aproveitamento do conteúdo ministrado no curso, temos uma  contaremos também com a ilustre presença de duas monitoras.

OBJETIVOS:
O objetivo do curso é oferecer ferramentas para os profissionais que trabalham com crianças e adolescentes. A utilização de bolas suíças como recurso cinesioterapêutico e as progressões dos exercícios serão apresentadas, e praticadas ao longo dos dois dias de curso. Para reforçar o aprendizado, os estudantes receberão apostila ilustrada e serão apresentados videos com exemplos de intervenção com crianças, e também estudos de caso. Este é um workshop 100% prático, então, a utilização de roupas leves e que permitam a livre movimentação é altamente recomendável.
Pra dar um gostinho do que vem por aí, segue abaixo a imagem de uma página da apostila:
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM:
Ao término do curso, os participantes estarão aptos a:
1. Compreender a teoria e os princípios do uso de Bolas Suíças com adjuntos no tratamento fisioterapêutico de crianças e adolescentes.
2. Aplicar e planejar progressões nos manuseios em bolas suíças com segurança
3. Planejar uma conduta terapêutica, inclusive combinando com outras modalidades de tratamento como Kinesiotape, Theraband e Pilates.

PLANEJAMENTO DO CURSO:
19 de julho - Sábado
=> Teoria e princípios do uso de bolas suíças
=> Segurança no uso de bolas suíças em pediatria
=> Técnicas de transferência utilizando Bolas suíças
=> Manuseios terapêuticos em "Puppy e Decúbito Dorsal"

26 de Julho - Sábado
=> Manuseios Terapêuticos com o Paciente Sentado
=> Manuseios Terapêuticos em Condições especiais tais como:
Atraso motor,
Torcicolo Congênito, 
Fortalecimento muscular
Estímulo a reações posturais
Estímulo a dorsiflexão. 


Interessado(a)? 
Entre em contato pelo e-mail: hlcneto.fisio@gmail.com e coloque como título do e-mail "Workshop de bolas suíças".  Temos valores especiais para inscrições em grupo.




quinta-feira, 12 de junho de 2014

INACREDITÁVEL!!!!! ÓDIO, ÓDIO E MAIS ÓDIO CONTRA A FIFA E CONTRA A REDE GLOBO!!!!!!

É simplesmente surreal e inacreditável!
Aliás, é revoltante!!!
Eu passei os últimos meses ansioso com a promessa do Miguel Nicolelis apresentar seu novo exoesqueleto na abertura da Copa de 2014. Segundo a lenda, ele faria um paraplégico se levantar da cadeira de rodas e chutar uma bola. Fiquei com os olhos vidrados na TV, igual uma criança que espera a chegada do Papai Noel na noite de Natal e pra quê? pergunto: pra quê??? Para a transmissão da abertura da Copa simplesmente ignorar este feito brasileiro!!!
É inacreditável!
A criação de um exoesqueleto, com movimentos controlados diretamente pelo cérebro. Provavelmente a única grande obra bem feita deixada como legado desta Copa de Merda, pois não terminaram estádios, nem aeroportos, nem obras de mobilidade urbana, nem nada que preste ..... e simplesmente passou batido pela transmissão ESTOU MUITO PUTO!!!!!!!!
QUE VERGONHA FIFA... NOJO PADRÃO FIFA ....
Representa bem a importância que nosso país dá a ciência.

https://twitter.com/trasel/status/477161760236265472

http://noticias.uol.com.br/ciencia/ultimas-noticias/redacao/2014/06/12/paraplegico-anda-com-exoesqueleto-de-nicolelis-e-da-chute-na-copa.htm




domingo, 2 de fevereiro de 2014

Acupuntura: Quando a medicina tradicional chinesa conversa com a ciência ocidental.

Quem se dedica a estudar acupuntura sabe muito bem que esta modalidade de tratamento pode ser ao mesmo tempo fascinante e frustrante.

Na minha opinião isso acontece pelo choque de culturas. De um lado temos a ciência ocidental, extremamente metódica com sua necessidade de validar a eficácia dos tratamentos por meio de ensaios clínicos e cálculos estatísticos.
De outro lado temos uma modalidade terapêutica baseada em preceitos filosóficos (Yin e Yang), que busca harmonizar a energia Qi que circula pelos meridianos de energia. Para o acupunturista, a alimentação, o padrão de sono e até mesmo a cor da língua do paciente são fatores que vão influenciar a escolha dos pontos de acupuntura, a ordem do puncionamento e também do tempo em que as agulhas permanecerão no corpo. A acupuntura é bastante influenciada pelo Taoismo. A influência desta filosofia torna os atendimentos altamente individualizados, sendo praticamente impossível criar protocolos fixos. Não é concebível, por exemplo, tratar uma dor de cabeça parietal utilizando uma combinação padronizada de pontos que seja ideal para todos os indivíduos.

Esta preocupação com a individualidade dificulta a elaboração de ensaios clínicos. No entanto, alguns estudos comprovam a efetividade da acupuntura em algumas condições específicas, com destaque especial para o controle da dor.  

Exames de imagem ainda não conseguiram provar a existência do Qi, e nem dos meridianos de energia, mas nos últimos 10 anos, pesquisas realizadas com Ressonância Magnética Funcional, embora controversas, apontam para alguns resultados realmente interessantes.

Acupuntura e Ressonância Magnética Funcional

Em 1999, Wu e colaboradores  foram os primeiros a mostrar que a acupuntura em pontos de acupuntura F4 e E36 de pessoas saudáveis ​​resultou na ativação do hipotálamo e do nucleus accumbens e desativação da parte rostral do córtex cingulado anterior, da amígdala e do hipocampo.

Em um artigo publicado em 2010 por Cho e colaboradores entitulado "fMRI Study of Effect on Brain Activity According to Stimulation Method at LI11, ST36: Painful Pressure and Acupuncture Stimulation of Same Acupoints”, os autores usaram a Ressonância Magnética Funcional para visualizar quais áreas do cérebro são ativadas quando os pontos E36 e F11 são estimulados. Em outras palavras: Eles pressionaram e puncionaram os pontos de acupuntura 36 do estômago e 11 do fígado e ligavam o aparelho de ressonância pra ver o que acontecia no cérebro das pessoas. Os autores afirmaram que a estimulação destes pontos de acupuntura corresponderam a ativação do giro parahipocampal, e de áreas do tálamo e cerebelo.

Estes são apenas dois exemplos de artigos, entre vários outros que investigaram a correlação entre agulhamento e áreas cerebrais.

E o que podemos aprender com isso?

Primeiro: Que mesmo que nunca se consiga comprovar a existência do Qi, podemos ao menos afirmar que o agulhamento dos pontos de acupuntura é capaz de estimular o Sistema Nervoso Central.
Segundo: Podemos dizer que existe uma via neural entre pontos de acupuntura e estruturas cerebrais ligadas ao sistema límbico. Vale a pena frisar que foi demonstrado que o agulhamento de pontos da perna resultam na ativação do hipotálamo, o qual é uma região do encéfalo que produz endorfinas (substâncias que dão barato e reduzem a dor). Ou seja: a acupuntura talvez seja capaz de ativar vias descendentes analgésicas.
Terceiro: Sabemos que o stress desencadeia uma série de respostas hormonais que mantém o organismo em um constante estado de alerta e que isso aos poucos pode causar círculos viciosos envolvendo dores, hipertensão arterial, alterações do sono entre outros problemas de saúde. 

Partindo das premissas que talvez a acupuntura seja realmente capaz de estimular áreas do cérebro relacionadas à sensação de bem estar e que talvez funcione como um “antidepressivo natural”, Podemos supor que embora não comprovado é razoável imaginar que a acupuntura obtém respostas terapêuticas por ser capaz de quebrar alguns destes círculos viciosos.


FONTES:



segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Impressora 3D e Reabilitação. Vamos novamente esperar a tecnologia se tornar obsoleta?

Há alguns anos atrás eu li uma matéria sobre impressoras 3D na revista superinteressante. Lembro que na época pensei “grande coisa essa tal impressora 3D, esse troço vai acabar servindo só pra imprimir bobagens e brinquedos de criança em casa”. 

Confesso que não poderia estar mais enganado.
Recentemente li e assisti algumas reportagens sobre o uso da impressora 3D para imprimir “órgãos” (confira em: http://www.cti.gov.br/bioimpressao-dt3d), e até comida  (http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,EMI205047-17770,00-IMPRESSORA+D+E+USADA+PARA+FAZER+COMIDA.html).
Mas o que mais me impressionou foi a matéria no fantástico sobre um sujeito que imprimiu uma prótese para o filho que nasceu com má formação congênita.

Eu trabalho no grupo de amputados de um hospital ortopédico do Rio de Janeiro. Para ser mais exato, eu faço parte da equipe que atende crianças que nasceram com má formação congênita ou que sofreram amputações.  Trabalho com uma Terapeuta Ocupacional tão doida quanto eu, e fizemos algumas “experiências” com plástico termomoldável, motivados principalmente pela demora e pela burocracia sem fim envolvidas na dispensação de próteses pelo Serviço Único de Saúde.
Desenvolvemos alguns dispositivos que poderíamos chamar de “ortopróteses não convencionais” e até já apresentamos em seminários e congressos. No momento estamos usando o meu próprio video game Nintendo Wii para trabalhar equilíbrio e propriocepção em alguns garotos com amputação de membros inferiores (solicitamos um para o nosso setor há 4 anos atrás... há três meses cansamos de esperar e resolvemos bancar com nossos próprios recursos).

Mas quando vi a matéria sobre a impressão de próteses no fantástico senti meu cérebro dando cambalhotas na cabeça e uma vontade louca de comprar uma impressora 3D.
Infelizmente terei de esperar o preço baixar e principalmente terei de esperar a burocracia da área da saúde, que cobra tanto “inovação e novas idéias” coçar o bolso e comprar uma impressora 3D . . . infelizmente receio que só fará isso depois desta tecnologia se tornar obsoleta . . . Mas quem sabe daqui a alguns anos eu próprio não compro uma e resolva compartilhar com quem precisa ?
Enquanto isso, assistam abaixo um video em inglês da estória do pai que imprimiu uma mão pro filho.



Para quem acha que é brincadeira, assista abaixo um video de uma palestra ministrada no TED (idéias que merecem ser espalhadas - confira a definição do projeto no link http://pt.wikipedia.org/wiki/TED_(confer%C3%AAncia). Realizada em 2013 e que fala sobre a paixão de um garoto em desenvolver uma mão biônica 


Tem também links que podem ser interessantes 
How a 3D printer gave a teenage bomb victim a new arm. Matéria publicada no “The Guardian”  http://www.theguardian.com/lifeandstyle/2014/jan/19/3d-printer-bomb-victim-new-arm-prosthetic-limb

Father builds prosthetic hand for son with 3-D printer after watching online DIY video. Matéria publicada no “The Daily Mail” http://www.dailymail.co.uk/news/article-2478750/Father-builds-prosthetic-hand-son-3-D-printer-watching-online-DIY-video.html



domingo, 5 de janeiro de 2014

Cursos Online Grátis - Parceria VEDUCA / USP

Ontem á noite recebi pelo facebook um link para o site http://www.veduca.com.br/. Em poucas palavras, a Veduca é uma empresa brasileira cujo propósito é levar o ensino superior de alta qualidade a qualquer pessoa que se disponha a aprender, disponibilizando as melhores ferramentas para que você possa trilhar seu caminho de sucesso. O objetivo é democratizar o acesso à educação de alta qualidade no mundo. (saiba mais acessando http://www.veduca.com.br/about)

Pois bem, além de louvável, esta iniciativa é simplesmente fantástica, pois compila em um só lugar palestras e cursos ministrados em 20 Universidades de renome internacional, incluindo a USP (veja quais universidades acessando http://www.veduca.com.br/browse/universities) sendo que várias palestras com legendas em português!! 

INDO DIRETO AO PONTO 
De interesse, o Veduca disponibiliza 39 cursos de medicina e ciências da saúde no link http://www.veduca.com.br/browse/subjects/2/medicina-ciencias-da-saude
Tem algumas palestras realmente muito interessantes. Algumas eu já assisti e posso recomendar, como as seguintes:

 Interfaces Cérebro-Computador (http://www.veduca.com.br/play/3250) que fala sobre os conceitos teóricos envolvidos no desenvolvimento de neuropróteses que permitam movimentos e comunicação. Só não gostei de uma coisa: Para um assunto tão fascinante, a palestra é curta demais (apenas 14 minutos) e também está sem legendas em português.

Controlando o Cérebro com a Luz (Karl Deisseroth) – 18 minutos
http://www.veduca.com.br/play/3251 Neste video, o palestrante exemplifica diferentes técnicas atuais de eletro estimulação cerebral e em seguida explica um experimento no qual insere proteínas “optogenéticas” em neurônios, fazendo com que eles respondam a estímulos luminosos e ajudem no tratamento de doenças psiquiátricas. Infelizmente também sem legendas   

Como eu trabalho com pediatria achei esta palestra particularmente interessante, e acho que é útil para todos os profissionais de saúde, independente de trabalharem com pediatria ou não. Em especial se você tem a intenção de se reproduzir.

Destaque para as duas palestra de Ramanchandran e a palestra Recuperação cerebral 


Olha pessoal, estas foram apenas as palestras que eu assisti de ontem pra hoje. Ainda pretendo me inscrever no MBA em Engenharia e Inovação. (mas só depois de terminar o curso de revisão Sistemática e Metanálise - - http://www.virtual.epm.br/cursos/metanalise/).
Muitas destas palestras estão na vanguarda da ciência e acredito piamente que algumas dos assuntos abordados serão realidade em nossas vidas dentro de alguns poucos anos. Talvez algum dia eu escreva um post sobre o crescimento exponencial da tecnologia para justificar este ponto de vista, mas enquanto eu não faço isso, acreditem em mim e gastem algum tempo assistindo as palestras. Tenho certeza que será mais enriquecedor, embora certamente não tão divertido, do que passar horas jogando candy crush.
A propósito, abaixo a foto do campeão mundial de candy crush e da campeã intergalática dos joguinhos do facebook. Você não quer ficar igual a eles, quer?



Hasta La Vista

sábado, 4 de janeiro de 2014

PROVA COMENTADA - INSS - FISIOTERAPEUTA 2013, parte 2

Olá Fisionautas!
Na primeira postagem de 2014 disponibilizo as últimas 10 questões da prova do INSS de 2013.
Aproveitando a postagem, gostaria de sugerir o blog "questões de fisioterapia comentadas"
http://questoesdefisiocomentadas.wordpress.com/
Espero que gostem.

Questão 61. A análise da Marcha é sem dúvida um dos capítulos clínicos mais interessantes na assistência da recuperação física, na maioria das enfermidades. Assinale, dentre as opções abaixo, o conceito correto sobre a marcha.
A) Tanto o Período de Apoio quanto o da Oscilação são subdivididos em três fases.
B) O ciclo da marcha é o intervalo entre o toque do calcanhar dos membros inferiores direito e esquerdo alternadamente.
C) O comprimento do Passo é a distância entre o toque do calcanhar e seu toque subsequente.
D) O Período de Apoio contém uma fase de apoio simples e uma fase de apoio duplo.
E) O Período de Oscilação corresponde à aproximadamente 60% do ciclo da marcha.

GABARITO: o Gabarito oficial é “C”, mas como veremos a seguir a alternativa “D” parece ser a mais correta.

COMENTÁRIO
Esta é uma questão interessante de ser comentada. Vamos analisar cada uma das alternativas individualmente.
Logo de cara eu colocaria a alternativa (A) na geladeira, isto é: não a classificaria nem como correta nem como errada, pois dependendo da bibliografia do concurso é possível encontrar autores que subdividem cada fase da marcha em 3, 4 ou até mais de 5 subfases. Assim, como eu disse, eu deixo a alternativa “A” como provável, mas só no caso de nenhuma outra alternativa se apresentar verdadeira.
A alternativa “B” avalia se o(a) candidato(a) conhece a definição de ciclo da marcha. Confesso que definições são chatas, por isso ao invés de repetir a definição, vou tentar explorar o conceito de ciclo da marcha. Isso certamente ajuda a memorizar. Assim, vamos começar pelo princípio: O que é um ciclo? Podemos definir ciclo como um conjunto de fenômenos que se repetem. No caso do ciclo da marcha, existem dois fenômenos que se repetem: a fase de apoio e a fase de balanço. Assim, podemos deduzir que o ciclo da marcha começa com o início da fase de apoio de uma perna (no caso, o toque de calcanhar no solo de uma das pernas), que evolui para a fase de balanço, quando a perna avança sem tocar o solo e termina com o toque de calcanhar da mesma perna.
Depois desta longuíssima explicação, podemos concluir que a definição apresentada na alternativa “B” não é a de ciclo de marcha
A alternativa “C” é outra que envolve definições: Novamente vamos usar uma analogia para tentar memorizar a definição de passo. Lembra aqueles filmes de piratas, onde o baú de tesouro ficava enterrado 10 passos ao leste do coqueiro? Pois bem, lembra como o pirata faz pra contar os passos? Pé no chão, avança com a outra perna e só quando esta toca no chão é que o pirata conta o primeiro passo. Ora, tá explicado! O comprimento do passo é a distância entre o toque de calcanhar de um pé e o toque de calcanhar do pé contralateral !!!! Então, o capitão Jack Sparrow acaba de nos ensinar que a alternativa “C” também está errada.
Não confia na minha analogia? Tudo bem, você pode acessar a definição de passo no artigo  http://www.scielo.br/pdf/fm/v24n4/19.pdf, o qual define que o comprimento do passo é a distância da extremidade posterior do calcanhar até a extremidade posterior do calcanhar do outro pé. A alternativa C contém a definição de passada: O comprimento da passada é a distância posterior do calcanhar de um pé até a extremidade posterior do mesmo calcanhar. Confira na figura a abaixo:


Voltando ao assunto:
A alternativa “D” é bem direta, e não me deixa muito o que explicar. A fase de apoio realmente possui uma fase de apoio simples e uma fase de duplo apoio (dependendo do autor esta ainda se divide em duplo apoio inicial e duplo apoio terminal), que é quando ambos os pés tocam o solo simultaneamente. Pronto! Achamos a alternativa correta! Mas continue lendo, pois a análise da alternativa “E” também vale a pena.
A alternativa “E” está incorreta. Um macete para lembrar a duração das fases é o seguinte: Intuitivamente, podemos julgar que a marcha é dividida em duas fases de igual duração, ou seja: 50% do ciclo da marcha pertence a fase de balanço e os outros 50% a fase de apoio. Isso parece justo e razoável, né? Só que o ciclo da marcha esconde uma pegadinha. Lembra que existe um período de duplo apoio, no qual ambos os pés estão em contato com o solo? Pois é, esta fase “rouba” tempo do ciclo da marcha da perna direita e da perna esquerda. Este período de duplo apoio acrescenta tempo a fase de apoio, deixando-a mais longa do que a fase de balanço. Isso se traduz no fato de que a fase de apoio dura cerca de 60% do ciclo da marcha, deixando os 40% restantes para fase de balanço.

Questão 62 A resistência interna a uma carga axial em qualquer tecido pode gerar estresse de tipo
A) compressivo e de cisalhamento.
B) tensivo e de cisalhamento.
C) somente de cisalhamento.
D) compressivo, tensivo e cisalhamento.
E) somente compressivo e tensivo.

GABARITO: alternativa "E"

COMENTÁRIO
As cargas que atuam sobre os tecidos podem produzir 5 tipos de tensão e estiramento nos tecidos: Compressão, tensão, cisalhamento, flexão e torção. (Fonte: Fisioterapia na prática desportiva – Prentice) Vamos analisar cada uma delas: 
COMPRESSÃO: Pode ser entendida como um aperto. É um tipo de carga que, atuando axialmente sobre um tecido, tende a diminuir o seu comprimento e aumentar seu diâmetro. É produzida por cargas externas aplicadas uma contra a outra em superfícies e direções opostas. (ex: Vértebras lombares e discos intervertebrais). 
TRAÇÃO: É o oposto da compressão. É a força que traciona ou alonga o tecido. Conceitualmente falando trata-se de um tipo de carga que, atuando axialmente sobre um tecido, tende a aumentar o seu comprimento e diminuir seu diâmetro. Tanto a distensão de músculos quanto a de ligamentos ocorrem devido ao aumento da tensão.
CISALHAMENTO: Ocorre quando cargas iguais, mas não diretamente opostas são aplicadas a superfícies que se opõem, forçando- as a se movimentarem em direções paralelas entre si. É um tipo de carga que tende a provocar um deslizamento (ou deslocamento) de uma parte de um osso sobre outra (ou de um osso sobre outro).
FLEXÃO: É um tipo de carga que tende a curvar um osso, provocando esforços de compressão de um lado e esforços de tração do outro. Acontece quando uma força excêntrica (não-axial) é aplica à extremidade de um osso, criando um momento (torque) em um plano que contém seu eixo longitudinal.
TORÇÃO: É um tipo de carga que tende a torcer um osso. Acontece quando uma força tende a girar um osso em torno do seu eixo longitudinal estando uma de suas extremidades fixas (ou impedida de girar livremente).
Há ainda uma sexta possibilidade:  
CARGAS COMBINADAS: Como os ossos do corpo humano estão submetidos à força gravitacional, forças musculares e outros tipos de forças, eles geralmente estão submetidos a mais de um tipo de carga.  A combinação de duas ou mais formas puras de carga é chamada carga combinada.
Muito bem amiguinhos e amiguinhas, de acordo com as definições acima podemos identificar que a compressão e a tensão são resultado de forças axiais sobre os tecidos. A carga de cisalhamento embora possa ser axial, é aplicada a superfícies que se opõem e pode ser entendida como a resultante gerando um deslizamento entre elas.  As demais cargas como torção, flexão e cisalhamento são aplicadas de forma não axial. A figura abaixo ajuda na compreensão.



 

Questão 63. As graves lesões do sistema nervoso periférico, caracterizadas por degeneração do axônio distalmente à lesão, sem interrupção de continuidade do endoneuro, denominam-se
A) Neuropraxia.
B) Neuroesclerose.
C) Axoniotmese.
D) Neurotmese.
E) Axonioesclerose.

GABARITO: Alternativa "C"

COMENTÁRIO:
Este é um tema clássico em concursos: Lesões nervosas periféricas. Aliás, recomendo a leitura do artigo de revisão da revista de neurociências disponível em: http://www.revistaneurociencias.com.br/edicoes/2007/RN%2015%2003/Pages%20from%20RN%2015%2003-10.pdf
 Esta é uma questão do tipo decoreba, e exige do(a) candidato(a) conhecer a classificação das lesões nervosas periféricas de acordo com Seddon. Um macete para entender estas lesões é imaginar que o nervo periférico é igual a um fio de energia elétrica. Sendo a capa de borracha isolante, comparável ao endoneuro e o fio metálico comparável ao axônio. Se você torcer um pouco o fio, pode acontecer dele ficar com um pouco de mau contato (a energia até flui, mas não é nenhuma Brastemp). Isto é semelhante (perdoem-me os mais puristas, mas entendam que este exemplo tosco é para facilitar o aprendizado) ao que acontece na neuropraxia = lesão leve com perda motora e sensitiva, sem alteração estrutural. Geralmente é conseqüência de um processo de compressão de curta duração. A condução nervosa está preservada acima e abaixo do local da lesão, não ocorrendo a degeneração walleriana.
Agora, se você torce ainda mais o fio, você arrebenta ele por dentro, mas mantém a borracha de isolamento ainda intacta. Isto é o que acontece na axonotmese = Há perda de continuidade axonal e subseqüente degeneração Walleriana do segmento distal. Este fenômeno desencadeia o processo degenerativo do axônio (axonotmese), e da bainha de mielina, com preservação do tubo de endoneuro.
Finalmente, se você pega um alicate e corta o fio, você tem a neurotmese = separação completa do nervo das bainhas de tecido conjuntivo.
Com  relação a neuroesclerose e axonioesclerose, creio que estas são pegadinhas colocadas pela banca.

Questão 64. Assinale a opção que apresenta apenas condições que contraindicam qualquer modalidade de aquecimento por termoterapia.
A) Discrasias sanguíneas e áreas com insuficiência vascular.
B) Celulite não infecciosa e extensas áreas com equimose.
C) Rigidez fibrótica e áreas com cicatrização hipertrófica.
D) Distúrbio na fisiologia termorreguladora e espasmos neurogênicos.
E) Presença de tumores e constipação das vias aéreas superiores.

GABARITO: Alternativa "A"

COMENTÁRIO:
Vamos rever as contraindicações de termoterapia: 
A termoterapia por adição é contra-indicada durante a fase aguda de processos inflamatórios, traumáticos ou hemorrágicos e quando há discrasias sangüíneas, isquemia ou estase venosa tecidual, radioterapia local, infecções regionais ou anormalidades cognitivas e hipoestesia regional que comprometem a percepção ou o relato da ocorrência de hipertermia e de queimaduras.
Além destas contra-indicações, a termoterapia por meio de ondas curtas é contraindicada em doentes com implantes metálicos, incluindo o material de osteossíntese, devido ao risco de queimaduras profundas, com dispositivos eletrônicos implantados (estimuladores elétricos para analgesia, bombas de infusão de medicamentos, marca-passos), pois podem induzir ao mau funcionamento do equipamento implantado. FONTE: Medicina física e reabilitação em doentes com dor crônica, disponível em  http://www.sld.cu/galerias/pdf/sitios/rehabilitacion-bal/yengtl_et_al.pdf
Ora bolas, só sobrou a alternativa “C”, a qual contém duas indicações de termoterapia. No entanto, uma coisa me intriga: o que é “constipação de vias aéreas”?????

Questão 65. Na avaliação do equilíbrio pélvico, quando o paciente estiver apoiado somente em um membro inferior e a pelve apresentar abaixamento contralateral ao membro apoiado, expressa o sinal de Trendelemburg, significando impotência do
A) glúteo médio do lado do membro inferior não apoiado.
B) quadrado lombar e do glúteo maior do lado do membro inferior não apoiado.
C) quadrado lombar do lado do membro inferior apoiado.
D) glúteo médio do lado do membro inferior apoiado.
E) quadrado lombar e do psoas-ilíaco do lado do membro inferior apoiado.

GABARITO: Alternativa "D"

COMENTÁRIO:
Na figura abaixo, podemos visualizar o sinal de Trendlemburg. 
Quando pedimos ao paciente para se manter em apoio monopodal, o esperado é que a pelve se mantenha estável e alinhada em uma posição horizontal. No entanto, se a pelve “cai” para o lado em que a perna foi levantada, isso caracteriza o Sinal de Trendlemburg, que indica fraqueza do músculo glúteo médio. Na figura abaixo, o músculo glúteo médio encontra-se em destaque. Percebam que se ele se contrair, ele tracionará a pelve em direção ao fêmur, realinhando-a em uma posição horizontal.


 Questão 66. A espasticidade é uma manifestação de desordem motora, característica da síndrome
A) do sistema extrapiramidal.
B) cerebelar.
C) do sistema nervoso periférico.
D) do neurônio motor superior.
E) do neurônio motor inferior.

GABARITO Alternativa "D"

COMENTÁRIO:
Outra questão decoreba, mas vamos aproveitar e falar um pouco dos sinais motores que podemos encontrar em lesões nas estruturas citadas nas demais alternativas:
De um modo geral e bastante genérico, uma lesão do sistema extrapiramidal causa incoordenação motora e movimentos involuntários tais como coréia, balismo, atetose, distonia e discinesia (tremores), mas estes sintomas vão depender do tipo de síndrome extrapiramidal (sim, existem diferentes síndromes extrapiramidais).
Lesões cerebelares: Lesões cerebelares têm como principal sintomatologia a incoordenação motora, ou ataxia. Na faculdade, aprendi que a ataxia é composta por vários “Dis”: Dismetria, disdiaconocinesia, disbasia, disfagia  e disartria, além da decomposição do movimento, nistagmo, hipotonia e tremor de intenção (nem todos estes sintomas podem estar presentes em um mesmo paciente)
Lesões do sistema nervoso periférico e lesões do sistema nervoso periférico são a mesma coisa. Caracterizam-se por paralisia flácida, com arreflexia, hipotrofia/atrofia muscular e podendo ou não haver mioclonia.
Lesões do neurônio motor cursam com a tríade clássica: Espasticidade, hipereflexia e sinal de Babinski. 


Questão 67. Na escala de força muscular de Kendall, o Grau 3 é conferido ao músculo capaz de
A) realizar o arco completo do movimento estando a ação da gravidade anulada.
B) contrair-se sem, contudo, realizar movimento.
C) realizar o arco completo do movimento sem aplicação de resistência externa.
D) realizar parcialmente o arco de movimento.
E) realizar parcialmente o arco de movimento contra a ação de uma resistência externa.

GABARITO: Alternativa “C”

COMENTÁRIO:
Mais uma questão decoreba!!!! Vamos relembrar a escala de força:
Grau 0:  Nenhum movimento é observado
Grau 1:  Apenas um esboço de movimento é visto ou sentido ou fasciculações são observadas no músculo.
Grau 2:  Há força muscular e movimentação articular somente se a resistência da gravidade é removida
Grau 3:  A articulação pode ser movimentada apenas contra gravidade e sem  resistência do examinador. 
Grau 4:  A força muscular é reduzida, mas há contração muscular contra a resistência.
Grau 5:   Força normal contra a resistência total.


Questão 68. O relaxamento produzido pela hipertermia tissular nos espasmos musculares é resultado de vários fenômenos, exceto o que está explicado na seguinte alternativa:
A) Diminuição da sensibilidade do fuso muscular ao estiramento.
B) Aumento da ação vasodilatadora por mecanismo reflexo a nível dos receptores de temperatura local e central.
C) Aumento dos impulsos inibitórios a partir dos órgãos neurotendíneos de Golgi.
D) Diminuição do metabolismo tecidual à extensa elevação da temperatura por tempo prolongado.
E) Não se verifica modificação nas ações entre os sistemas gama e alfa, pelo aquecimento.

GABARITO: Alternativa "E"

COMENTÁRIO:
Eu achei esta questão muito confusa. O enunciado é bem claro, porém as alternativas me pareceram confusas. Pra ser sincero, só consegui encontrar referências que explicasse a alternativa “A”. Quem tiver referências ou queira contribuir com esta postagem explicando esta alternativa, por favor sinta-se à vontade.
Gabarito oficial: Alternativa “E”   

Questão 69. Qual das manifestações físicas abaixo não é observada nas doenças cerebelares?
A) Hiperreflexia cutâneo-plantar
B) Disartria
C) Ataxia
D) Hipotonicidade
E) Distúrbios posturais e desequilíbrios

GABARITO: Alternativa "A"

COMENTÁRIO:
Esta questão foi parcialmente respondida nos comentários da questão 66. Aqui uma pequena observação: A alternativa “A” faz menção a hiperreflexia cutâneo-plantar, também conhecida como sinal de Babinski e característica de lesões de primeiro neurônio. O sinal de Babinski não ocorre em lesões cerebelares puras. 

Questão 70. O texto original que descreve o Código Deontológico das profissões de fisioterapeuta e de terapeuta ocupacional está contidona Resolução COFFITO nº
A) 6
B) 7
C) 8
D) 9
E) 10

GABARITO: Alternativa “E”

COMENTÁRIO
Ok Pessoal, mais uma decoreba. Não tem como explicar, tem que ler as resoluções!


sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Tetraplégicos controlam cadeira de rodas com a língua

Um dos grandes desafios enfrentados hoje pelos profissionais que trabalham com reabilitação física é garantir o máximo de independência, qualidade de vida e inclusão social a pessoas com alguma deficiência. Algumas vezes problemas antigos encontram soluções através da inovação tecnológica; outras vezes, a solução surge de uma combinação inusitada entre inovação e arte corporal.  
  
Recentemente, uma equipe do Instituto de Tecnologia da Geórgia desenvolveu um dispositivo que permite a pessoas com tetraplegia controlar uma cadeira de rodas motorizada utilizando um piercing de língua. Este equipamento é composto basicamente por um dispositivo magnético posicionado na língua e sensores, os quais permitem ao paciente usar a língua como um joystick em um sistema sem fios.  Esta foi uma idéia genial pois mesmo em uma lesão medular alta a motricidade da língua encontra-se preservada uma vez que é feita pelo XII par (n. hipoglosso).


Para investigar melhor a utilização do piercing de língua magnético, pesquisadores do Instituto de tecnologia da Geórgia publicaram recentemente um trabalho na revista Science Translational Medicine (infelizmente só consegui o resumo). No qual avaliaram a velocidade e precisão da locomoção em cadeira de rodas utilizando o tal piering de língua e a compararam com o desempenho do dispositivo de sopro (Nota do blogueiro: Atualmente, a tecnologia assistiva mais popular que permite pessoas com tetraplegia controlar uma cadeira de rodas é um dispositivo no qual os usuários assopram, ou mesmo fazem sucção do ar, em um canudo acoplado a sua cadeira de rodas e que “entende” quatro direções básicas: frente, trás, direita e esquerda).


Esta pesquisa foi feita com um grupo de 11 voluntários com lesão medular em C6 ou superior e 23 indivíduos sem lesão medular. Os resultados mostraram que quando os participantes utilizaram o piercing de língua magnético, seu desempenho foi até três vezes melhor do que com o dispositivo de sopro.  Ah! Quase me esqueci: Furar a língua não é pré-requisito para utilizar o sistema. Durante a pesquisa, o sensor magnético foi fixado na língua dos voluntários que não tinham piercing utilizando uma cola especial.


Quais as implicações deste estudo?
Logo de cara, percebe-se que apesar de promissor, o dispositivo foi testado apenas dentro do ambiente controlado de um laboratório de pesquisas. Estudos maiores em condições do mundo real, onde dificuldades não previstas podem (e irão) surgir, são necessários antes que este equipamento possa ser comercializado.
Esta inovação atraiu a minha atenção porque muitas pessoas com lesões, ou mesmo doenças neurológicas mantém intacta a motricidade da língua. A meu ver, este dispositivo pode ser utilizado não só para mover a cadeira de rodas, mas também para utilizar um computador, celular, TV, acender e apagar luzes, abrir e fechar portas adaptadas, jogar Call of Duty e Halo 2.

Fontes: