Ebooks

INFORMAÇÃO IMPORTANTE
Infelizmente o 4shared bloqueou o acesso a conta onde eu armazenava os e-books (aparentemente tem algo haver com direitos autorais). Assim que tiver um novo site para armazenamento enviarei os links.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Acupuntura: Quando a medicina tradicional chinesa conversa com a ciência ocidental.

Quem se dedica a estudar acupuntura sabe muito bem que esta modalidade de tratamento pode ser ao mesmo tempo fascinante e frustrante.

Na minha opinião isso acontece pelo choque de culturas. De um lado temos a ciência ocidental, extremamente metódica com sua necessidade de validar a eficácia dos tratamentos por meio de ensaios clínicos e cálculos estatísticos.
De outro lado temos uma modalidade terapêutica baseada em preceitos filosóficos (Yin e Yang), que busca harmonizar a energia Qi que circula pelos meridianos de energia. Para o acupunturista, a alimentação, o padrão de sono e até mesmo a cor da língua do paciente são fatores que vão influenciar a escolha dos pontos de acupuntura, a ordem do puncionamento e também do tempo em que as agulhas permanecerão no corpo. A acupuntura é bastante influenciada pelo Taoismo. A influência desta filosofia torna os atendimentos altamente individualizados, sendo praticamente impossível criar protocolos fixos. Não é concebível, por exemplo, tratar uma dor de cabeça parietal utilizando uma combinação padronizada de pontos que seja ideal para todos os indivíduos.

Esta preocupação com a individualidade dificulta a elaboração de ensaios clínicos. No entanto, alguns estudos comprovam a efetividade da acupuntura em algumas condições específicas, com destaque especial para o controle da dor.  

Exames de imagem ainda não conseguiram provar a existência do Qi, e nem dos meridianos de energia, mas nos últimos 10 anos, pesquisas realizadas com Ressonância Magnética Funcional, embora controversas, apontam para alguns resultados realmente interessantes.

Acupuntura e Ressonância Magnética Funcional

Em 1999, Wu e colaboradores  foram os primeiros a mostrar que a acupuntura em pontos de acupuntura F4 e E36 de pessoas saudáveis ​​resultou na ativação do hipotálamo e do nucleus accumbens e desativação da parte rostral do córtex cingulado anterior, da amígdala e do hipocampo.

Em um artigo publicado em 2010 por Cho e colaboradores entitulado "fMRI Study of Effect on Brain Activity According to Stimulation Method at LI11, ST36: Painful Pressure and Acupuncture Stimulation of Same Acupoints”, os autores usaram a Ressonância Magnética Funcional para visualizar quais áreas do cérebro são ativadas quando os pontos E36 e F11 são estimulados. Em outras palavras: Eles pressionaram e puncionaram os pontos de acupuntura 36 do estômago e 11 do fígado e ligavam o aparelho de ressonância pra ver o que acontecia no cérebro das pessoas. Os autores afirmaram que a estimulação destes pontos de acupuntura corresponderam a ativação do giro parahipocampal, e de áreas do tálamo e cerebelo.

Estes são apenas dois exemplos de artigos, entre vários outros que investigaram a correlação entre agulhamento e áreas cerebrais.

E o que podemos aprender com isso?

Primeiro: Que mesmo que nunca se consiga comprovar a existência do Qi, podemos ao menos afirmar que o agulhamento dos pontos de acupuntura é capaz de estimular o Sistema Nervoso Central.
Segundo: Podemos dizer que existe uma via neural entre pontos de acupuntura e estruturas cerebrais ligadas ao sistema límbico. Vale a pena frisar que foi demonstrado que o agulhamento de pontos da perna resultam na ativação do hipotálamo, o qual é uma região do encéfalo que produz endorfinas (substâncias que dão barato e reduzem a dor). Ou seja: a acupuntura talvez seja capaz de ativar vias descendentes analgésicas.
Terceiro: Sabemos que o stress desencadeia uma série de respostas hormonais que mantém o organismo em um constante estado de alerta e que isso aos poucos pode causar círculos viciosos envolvendo dores, hipertensão arterial, alterações do sono entre outros problemas de saúde. 

Partindo das premissas que talvez a acupuntura seja realmente capaz de estimular áreas do cérebro relacionadas à sensação de bem estar e que talvez funcione como um “antidepressivo natural”, Podemos supor que embora não comprovado é razoável imaginar que a acupuntura obtém respostas terapêuticas por ser capaz de quebrar alguns destes círculos viciosos.


FONTES:



segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Impressora 3D e Reabilitação. Vamos novamente esperar a tecnologia se tornar obsoleta?

Há alguns anos atrás eu li uma matéria sobre impressoras 3D na revista superinteressante. Lembro que na época pensei “grande coisa essa tal impressora 3D, esse troço vai acabar servindo só pra imprimir bobagens e brinquedos de criança em casa”. 

Confesso que não poderia estar mais enganado.
Recentemente li e assisti algumas reportagens sobre o uso da impressora 3D para imprimir “órgãos” (confira em: http://www.cti.gov.br/bioimpressao-dt3d), e até comida  (http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,EMI205047-17770,00-IMPRESSORA+D+E+USADA+PARA+FAZER+COMIDA.html).
Mas o que mais me impressionou foi a matéria no fantástico sobre um sujeito que imprimiu uma prótese para o filho que nasceu com má formação congênita.

Eu trabalho no grupo de amputados de um hospital ortopédico do Rio de Janeiro. Para ser mais exato, eu faço parte da equipe que atende crianças que nasceram com má formação congênita ou que sofreram amputações.  Trabalho com uma Terapeuta Ocupacional tão doida quanto eu, e fizemos algumas “experiências” com plástico termomoldável, motivados principalmente pela demora e pela burocracia sem fim envolvidas na dispensação de próteses pelo Serviço Único de Saúde.
Desenvolvemos alguns dispositivos que poderíamos chamar de “ortopróteses não convencionais” e até já apresentamos em seminários e congressos. No momento estamos usando o meu próprio video game Nintendo Wii para trabalhar equilíbrio e propriocepção em alguns garotos com amputação de membros inferiores (solicitamos um para o nosso setor há 4 anos atrás... há três meses cansamos de esperar e resolvemos bancar com nossos próprios recursos).

Mas quando vi a matéria sobre a impressão de próteses no fantástico senti meu cérebro dando cambalhotas na cabeça e uma vontade louca de comprar uma impressora 3D.
Infelizmente terei de esperar o preço baixar e principalmente terei de esperar a burocracia da área da saúde, que cobra tanto “inovação e novas idéias” coçar o bolso e comprar uma impressora 3D . . . infelizmente receio que só fará isso depois desta tecnologia se tornar obsoleta . . . Mas quem sabe daqui a alguns anos eu próprio não compro uma e resolva compartilhar com quem precisa ?
Enquanto isso, assistam abaixo um video em inglês da estória do pai que imprimiu uma mão pro filho.



Para quem acha que é brincadeira, assista abaixo um video de uma palestra ministrada no TED (idéias que merecem ser espalhadas - confira a definição do projeto no link http://pt.wikipedia.org/wiki/TED_(confer%C3%AAncia). Realizada em 2013 e que fala sobre a paixão de um garoto em desenvolver uma mão biônica 


Tem também links que podem ser interessantes 
How a 3D printer gave a teenage bomb victim a new arm. Matéria publicada no “The Guardian”  http://www.theguardian.com/lifeandstyle/2014/jan/19/3d-printer-bomb-victim-new-arm-prosthetic-limb

Father builds prosthetic hand for son with 3-D printer after watching online DIY video. Matéria publicada no “The Daily Mail” http://www.dailymail.co.uk/news/article-2478750/Father-builds-prosthetic-hand-son-3-D-printer-watching-online-DIY-video.html



domingo, 5 de janeiro de 2014

Cursos Online Grátis - Parceria VEDUCA / USP

Ontem á noite recebi pelo facebook um link para o site http://www.veduca.com.br/. Em poucas palavras, a Veduca é uma empresa brasileira cujo propósito é levar o ensino superior de alta qualidade a qualquer pessoa que se disponha a aprender, disponibilizando as melhores ferramentas para que você possa trilhar seu caminho de sucesso. O objetivo é democratizar o acesso à educação de alta qualidade no mundo. (saiba mais acessando http://www.veduca.com.br/about)

Pois bem, além de louvável, esta iniciativa é simplesmente fantástica, pois compila em um só lugar palestras e cursos ministrados em 20 Universidades de renome internacional, incluindo a USP (veja quais universidades acessando http://www.veduca.com.br/browse/universities) sendo que várias palestras com legendas em português!! 

INDO DIRETO AO PONTO 
De interesse, o Veduca disponibiliza 39 cursos de medicina e ciências da saúde no link http://www.veduca.com.br/browse/subjects/2/medicina-ciencias-da-saude
Tem algumas palestras realmente muito interessantes. Algumas eu já assisti e posso recomendar, como as seguintes:

 Interfaces Cérebro-Computador (http://www.veduca.com.br/play/3250) que fala sobre os conceitos teóricos envolvidos no desenvolvimento de neuropróteses que permitam movimentos e comunicação. Só não gostei de uma coisa: Para um assunto tão fascinante, a palestra é curta demais (apenas 14 minutos) e também está sem legendas em português.

Controlando o Cérebro com a Luz (Karl Deisseroth) – 18 minutos
http://www.veduca.com.br/play/3251 Neste video, o palestrante exemplifica diferentes técnicas atuais de eletro estimulação cerebral e em seguida explica um experimento no qual insere proteínas “optogenéticas” em neurônios, fazendo com que eles respondam a estímulos luminosos e ajudem no tratamento de doenças psiquiátricas. Infelizmente também sem legendas   

Como eu trabalho com pediatria achei esta palestra particularmente interessante, e acho que é útil para todos os profissionais de saúde, independente de trabalharem com pediatria ou não. Em especial se você tem a intenção de se reproduzir.

Destaque para as duas palestra de Ramanchandran e a palestra Recuperação cerebral 


Olha pessoal, estas foram apenas as palestras que eu assisti de ontem pra hoje. Ainda pretendo me inscrever no MBA em Engenharia e Inovação. (mas só depois de terminar o curso de revisão Sistemática e Metanálise - - http://www.virtual.epm.br/cursos/metanalise/).
Muitas destas palestras estão na vanguarda da ciência e acredito piamente que algumas dos assuntos abordados serão realidade em nossas vidas dentro de alguns poucos anos. Talvez algum dia eu escreva um post sobre o crescimento exponencial da tecnologia para justificar este ponto de vista, mas enquanto eu não faço isso, acreditem em mim e gastem algum tempo assistindo as palestras. Tenho certeza que será mais enriquecedor, embora certamente não tão divertido, do que passar horas jogando candy crush.
A propósito, abaixo a foto do campeão mundial de candy crush e da campeã intergalática dos joguinhos do facebook. Você não quer ficar igual a eles, quer?



Hasta La Vista

sábado, 4 de janeiro de 2014

PROVA COMENTADA - INSS - FISIOTERAPEUTA 2013, parte 2

Olá Fisionautas!
Na primeira postagem de 2014 disponibilizo as últimas 10 questões da prova do INSS de 2013.
Aproveitando a postagem, gostaria de sugerir o blog "questões de fisioterapia comentadas"
http://questoesdefisiocomentadas.wordpress.com/
Espero que gostem.

Questão 61. A análise da Marcha é sem dúvida um dos capítulos clínicos mais interessantes na assistência da recuperação física, na maioria das enfermidades. Assinale, dentre as opções abaixo, o conceito correto sobre a marcha.
A) Tanto o Período de Apoio quanto o da Oscilação são subdivididos em três fases.
B) O ciclo da marcha é o intervalo entre o toque do calcanhar dos membros inferiores direito e esquerdo alternadamente.
C) O comprimento do Passo é a distância entre o toque do calcanhar e seu toque subsequente.
D) O Período de Apoio contém uma fase de apoio simples e uma fase de apoio duplo.
E) O Período de Oscilação corresponde à aproximadamente 60% do ciclo da marcha.

GABARITO: o Gabarito oficial é “C”, mas como veremos a seguir a alternativa “D” parece ser a mais correta.

COMENTÁRIO
Esta é uma questão interessante de ser comentada. Vamos analisar cada uma das alternativas individualmente.
Logo de cara eu colocaria a alternativa (A) na geladeira, isto é: não a classificaria nem como correta nem como errada, pois dependendo da bibliografia do concurso é possível encontrar autores que subdividem cada fase da marcha em 3, 4 ou até mais de 5 subfases. Assim, como eu disse, eu deixo a alternativa “A” como provável, mas só no caso de nenhuma outra alternativa se apresentar verdadeira.
A alternativa “B” avalia se o(a) candidato(a) conhece a definição de ciclo da marcha. Confesso que definições são chatas, por isso ao invés de repetir a definição, vou tentar explorar o conceito de ciclo da marcha. Isso certamente ajuda a memorizar. Assim, vamos começar pelo princípio: O que é um ciclo? Podemos definir ciclo como um conjunto de fenômenos que se repetem. No caso do ciclo da marcha, existem dois fenômenos que se repetem: a fase de apoio e a fase de balanço. Assim, podemos deduzir que o ciclo da marcha começa com o início da fase de apoio de uma perna (no caso, o toque de calcanhar no solo de uma das pernas), que evolui para a fase de balanço, quando a perna avança sem tocar o solo e termina com o toque de calcanhar da mesma perna.
Depois desta longuíssima explicação, podemos concluir que a definição apresentada na alternativa “B” não é a de ciclo de marcha
A alternativa “C” é outra que envolve definições: Novamente vamos usar uma analogia para tentar memorizar a definição de passo. Lembra aqueles filmes de piratas, onde o baú de tesouro ficava enterrado 10 passos ao leste do coqueiro? Pois bem, lembra como o pirata faz pra contar os passos? Pé no chão, avança com a outra perna e só quando esta toca no chão é que o pirata conta o primeiro passo. Ora, tá explicado! O comprimento do passo é a distância entre o toque de calcanhar de um pé e o toque de calcanhar do pé contralateral !!!! Então, o capitão Jack Sparrow acaba de nos ensinar que a alternativa “C” também está errada.
Não confia na minha analogia? Tudo bem, você pode acessar a definição de passo no artigo  http://www.scielo.br/pdf/fm/v24n4/19.pdf, o qual define que o comprimento do passo é a distância da extremidade posterior do calcanhar até a extremidade posterior do calcanhar do outro pé. A alternativa C contém a definição de passada: O comprimento da passada é a distância posterior do calcanhar de um pé até a extremidade posterior do mesmo calcanhar. Confira na figura a abaixo:


Voltando ao assunto:
A alternativa “D” é bem direta, e não me deixa muito o que explicar. A fase de apoio realmente possui uma fase de apoio simples e uma fase de duplo apoio (dependendo do autor esta ainda se divide em duplo apoio inicial e duplo apoio terminal), que é quando ambos os pés tocam o solo simultaneamente. Pronto! Achamos a alternativa correta! Mas continue lendo, pois a análise da alternativa “E” também vale a pena.
A alternativa “E” está incorreta. Um macete para lembrar a duração das fases é o seguinte: Intuitivamente, podemos julgar que a marcha é dividida em duas fases de igual duração, ou seja: 50% do ciclo da marcha pertence a fase de balanço e os outros 50% a fase de apoio. Isso parece justo e razoável, né? Só que o ciclo da marcha esconde uma pegadinha. Lembra que existe um período de duplo apoio, no qual ambos os pés estão em contato com o solo? Pois é, esta fase “rouba” tempo do ciclo da marcha da perna direita e da perna esquerda. Este período de duplo apoio acrescenta tempo a fase de apoio, deixando-a mais longa do que a fase de balanço. Isso se traduz no fato de que a fase de apoio dura cerca de 60% do ciclo da marcha, deixando os 40% restantes para fase de balanço.

Questão 62 A resistência interna a uma carga axial em qualquer tecido pode gerar estresse de tipo
A) compressivo e de cisalhamento.
B) tensivo e de cisalhamento.
C) somente de cisalhamento.
D) compressivo, tensivo e cisalhamento.
E) somente compressivo e tensivo.

GABARITO: alternativa "E"

COMENTÁRIO
As cargas que atuam sobre os tecidos podem produzir 5 tipos de tensão e estiramento nos tecidos: Compressão, tensão, cisalhamento, flexão e torção. (Fonte: Fisioterapia na prática desportiva – Prentice) Vamos analisar cada uma delas: 
COMPRESSÃO: Pode ser entendida como um aperto. É um tipo de carga que, atuando axialmente sobre um tecido, tende a diminuir o seu comprimento e aumentar seu diâmetro. É produzida por cargas externas aplicadas uma contra a outra em superfícies e direções opostas. (ex: Vértebras lombares e discos intervertebrais). 
TRAÇÃO: É o oposto da compressão. É a força que traciona ou alonga o tecido. Conceitualmente falando trata-se de um tipo de carga que, atuando axialmente sobre um tecido, tende a aumentar o seu comprimento e diminuir seu diâmetro. Tanto a distensão de músculos quanto a de ligamentos ocorrem devido ao aumento da tensão.
CISALHAMENTO: Ocorre quando cargas iguais, mas não diretamente opostas são aplicadas a superfícies que se opõem, forçando- as a se movimentarem em direções paralelas entre si. É um tipo de carga que tende a provocar um deslizamento (ou deslocamento) de uma parte de um osso sobre outra (ou de um osso sobre outro).
FLEXÃO: É um tipo de carga que tende a curvar um osso, provocando esforços de compressão de um lado e esforços de tração do outro. Acontece quando uma força excêntrica (não-axial) é aplica à extremidade de um osso, criando um momento (torque) em um plano que contém seu eixo longitudinal.
TORÇÃO: É um tipo de carga que tende a torcer um osso. Acontece quando uma força tende a girar um osso em torno do seu eixo longitudinal estando uma de suas extremidades fixas (ou impedida de girar livremente).
Há ainda uma sexta possibilidade:  
CARGAS COMBINADAS: Como os ossos do corpo humano estão submetidos à força gravitacional, forças musculares e outros tipos de forças, eles geralmente estão submetidos a mais de um tipo de carga.  A combinação de duas ou mais formas puras de carga é chamada carga combinada.
Muito bem amiguinhos e amiguinhas, de acordo com as definições acima podemos identificar que a compressão e a tensão são resultado de forças axiais sobre os tecidos. A carga de cisalhamento embora possa ser axial, é aplicada a superfícies que se opõem e pode ser entendida como a resultante gerando um deslizamento entre elas.  As demais cargas como torção, flexão e cisalhamento são aplicadas de forma não axial. A figura abaixo ajuda na compreensão.



 

Questão 63. As graves lesões do sistema nervoso periférico, caracterizadas por degeneração do axônio distalmente à lesão, sem interrupção de continuidade do endoneuro, denominam-se
A) Neuropraxia.
B) Neuroesclerose.
C) Axoniotmese.
D) Neurotmese.
E) Axonioesclerose.

GABARITO: Alternativa "C"

COMENTÁRIO:
Este é um tema clássico em concursos: Lesões nervosas periféricas. Aliás, recomendo a leitura do artigo de revisão da revista de neurociências disponível em: http://www.revistaneurociencias.com.br/edicoes/2007/RN%2015%2003/Pages%20from%20RN%2015%2003-10.pdf
 Esta é uma questão do tipo decoreba, e exige do(a) candidato(a) conhecer a classificação das lesões nervosas periféricas de acordo com Seddon. Um macete para entender estas lesões é imaginar que o nervo periférico é igual a um fio de energia elétrica. Sendo a capa de borracha isolante, comparável ao endoneuro e o fio metálico comparável ao axônio. Se você torcer um pouco o fio, pode acontecer dele ficar com um pouco de mau contato (a energia até flui, mas não é nenhuma Brastemp). Isto é semelhante (perdoem-me os mais puristas, mas entendam que este exemplo tosco é para facilitar o aprendizado) ao que acontece na neuropraxia = lesão leve com perda motora e sensitiva, sem alteração estrutural. Geralmente é conseqüência de um processo de compressão de curta duração. A condução nervosa está preservada acima e abaixo do local da lesão, não ocorrendo a degeneração walleriana.
Agora, se você torce ainda mais o fio, você arrebenta ele por dentro, mas mantém a borracha de isolamento ainda intacta. Isto é o que acontece na axonotmese = Há perda de continuidade axonal e subseqüente degeneração Walleriana do segmento distal. Este fenômeno desencadeia o processo degenerativo do axônio (axonotmese), e da bainha de mielina, com preservação do tubo de endoneuro.
Finalmente, se você pega um alicate e corta o fio, você tem a neurotmese = separação completa do nervo das bainhas de tecido conjuntivo.
Com  relação a neuroesclerose e axonioesclerose, creio que estas são pegadinhas colocadas pela banca.

Questão 64. Assinale a opção que apresenta apenas condições que contraindicam qualquer modalidade de aquecimento por termoterapia.
A) Discrasias sanguíneas e áreas com insuficiência vascular.
B) Celulite não infecciosa e extensas áreas com equimose.
C) Rigidez fibrótica e áreas com cicatrização hipertrófica.
D) Distúrbio na fisiologia termorreguladora e espasmos neurogênicos.
E) Presença de tumores e constipação das vias aéreas superiores.

GABARITO: Alternativa "A"

COMENTÁRIO:
Vamos rever as contraindicações de termoterapia: 
A termoterapia por adição é contra-indicada durante a fase aguda de processos inflamatórios, traumáticos ou hemorrágicos e quando há discrasias sangüíneas, isquemia ou estase venosa tecidual, radioterapia local, infecções regionais ou anormalidades cognitivas e hipoestesia regional que comprometem a percepção ou o relato da ocorrência de hipertermia e de queimaduras.
Além destas contra-indicações, a termoterapia por meio de ondas curtas é contraindicada em doentes com implantes metálicos, incluindo o material de osteossíntese, devido ao risco de queimaduras profundas, com dispositivos eletrônicos implantados (estimuladores elétricos para analgesia, bombas de infusão de medicamentos, marca-passos), pois podem induzir ao mau funcionamento do equipamento implantado. FONTE: Medicina física e reabilitação em doentes com dor crônica, disponível em  http://www.sld.cu/galerias/pdf/sitios/rehabilitacion-bal/yengtl_et_al.pdf
Ora bolas, só sobrou a alternativa “C”, a qual contém duas indicações de termoterapia. No entanto, uma coisa me intriga: o que é “constipação de vias aéreas”?????

Questão 65. Na avaliação do equilíbrio pélvico, quando o paciente estiver apoiado somente em um membro inferior e a pelve apresentar abaixamento contralateral ao membro apoiado, expressa o sinal de Trendelemburg, significando impotência do
A) glúteo médio do lado do membro inferior não apoiado.
B) quadrado lombar e do glúteo maior do lado do membro inferior não apoiado.
C) quadrado lombar do lado do membro inferior apoiado.
D) glúteo médio do lado do membro inferior apoiado.
E) quadrado lombar e do psoas-ilíaco do lado do membro inferior apoiado.

GABARITO: Alternativa "D"

COMENTÁRIO:
Na figura abaixo, podemos visualizar o sinal de Trendlemburg. 
Quando pedimos ao paciente para se manter em apoio monopodal, o esperado é que a pelve se mantenha estável e alinhada em uma posição horizontal. No entanto, se a pelve “cai” para o lado em que a perna foi levantada, isso caracteriza o Sinal de Trendlemburg, que indica fraqueza do músculo glúteo médio. Na figura abaixo, o músculo glúteo médio encontra-se em destaque. Percebam que se ele se contrair, ele tracionará a pelve em direção ao fêmur, realinhando-a em uma posição horizontal.


 Questão 66. A espasticidade é uma manifestação de desordem motora, característica da síndrome
A) do sistema extrapiramidal.
B) cerebelar.
C) do sistema nervoso periférico.
D) do neurônio motor superior.
E) do neurônio motor inferior.

GABARITO Alternativa "D"

COMENTÁRIO:
Outra questão decoreba, mas vamos aproveitar e falar um pouco dos sinais motores que podemos encontrar em lesões nas estruturas citadas nas demais alternativas:
De um modo geral e bastante genérico, uma lesão do sistema extrapiramidal causa incoordenação motora e movimentos involuntários tais como coréia, balismo, atetose, distonia e discinesia (tremores), mas estes sintomas vão depender do tipo de síndrome extrapiramidal (sim, existem diferentes síndromes extrapiramidais).
Lesões cerebelares: Lesões cerebelares têm como principal sintomatologia a incoordenação motora, ou ataxia. Na faculdade, aprendi que a ataxia é composta por vários “Dis”: Dismetria, disdiaconocinesia, disbasia, disfagia  e disartria, além da decomposição do movimento, nistagmo, hipotonia e tremor de intenção (nem todos estes sintomas podem estar presentes em um mesmo paciente)
Lesões do sistema nervoso periférico e lesões do sistema nervoso periférico são a mesma coisa. Caracterizam-se por paralisia flácida, com arreflexia, hipotrofia/atrofia muscular e podendo ou não haver mioclonia.
Lesões do neurônio motor cursam com a tríade clássica: Espasticidade, hipereflexia e sinal de Babinski. 


Questão 67. Na escala de força muscular de Kendall, o Grau 3 é conferido ao músculo capaz de
A) realizar o arco completo do movimento estando a ação da gravidade anulada.
B) contrair-se sem, contudo, realizar movimento.
C) realizar o arco completo do movimento sem aplicação de resistência externa.
D) realizar parcialmente o arco de movimento.
E) realizar parcialmente o arco de movimento contra a ação de uma resistência externa.

GABARITO: Alternativa “C”

COMENTÁRIO:
Mais uma questão decoreba!!!! Vamos relembrar a escala de força:
Grau 0:  Nenhum movimento é observado
Grau 1:  Apenas um esboço de movimento é visto ou sentido ou fasciculações são observadas no músculo.
Grau 2:  Há força muscular e movimentação articular somente se a resistência da gravidade é removida
Grau 3:  A articulação pode ser movimentada apenas contra gravidade e sem  resistência do examinador. 
Grau 4:  A força muscular é reduzida, mas há contração muscular contra a resistência.
Grau 5:   Força normal contra a resistência total.


Questão 68. O relaxamento produzido pela hipertermia tissular nos espasmos musculares é resultado de vários fenômenos, exceto o que está explicado na seguinte alternativa:
A) Diminuição da sensibilidade do fuso muscular ao estiramento.
B) Aumento da ação vasodilatadora por mecanismo reflexo a nível dos receptores de temperatura local e central.
C) Aumento dos impulsos inibitórios a partir dos órgãos neurotendíneos de Golgi.
D) Diminuição do metabolismo tecidual à extensa elevação da temperatura por tempo prolongado.
E) Não se verifica modificação nas ações entre os sistemas gama e alfa, pelo aquecimento.

GABARITO: Alternativa "E"

COMENTÁRIO:
Eu achei esta questão muito confusa. O enunciado é bem claro, porém as alternativas me pareceram confusas. Pra ser sincero, só consegui encontrar referências que explicasse a alternativa “A”. Quem tiver referências ou queira contribuir com esta postagem explicando esta alternativa, por favor sinta-se à vontade.
Gabarito oficial: Alternativa “E”   

Questão 69. Qual das manifestações físicas abaixo não é observada nas doenças cerebelares?
A) Hiperreflexia cutâneo-plantar
B) Disartria
C) Ataxia
D) Hipotonicidade
E) Distúrbios posturais e desequilíbrios

GABARITO: Alternativa "A"

COMENTÁRIO:
Esta questão foi parcialmente respondida nos comentários da questão 66. Aqui uma pequena observação: A alternativa “A” faz menção a hiperreflexia cutâneo-plantar, também conhecida como sinal de Babinski e característica de lesões de primeiro neurônio. O sinal de Babinski não ocorre em lesões cerebelares puras. 

Questão 70. O texto original que descreve o Código Deontológico das profissões de fisioterapeuta e de terapeuta ocupacional está contidona Resolução COFFITO nº
A) 6
B) 7
C) 8
D) 9
E) 10

GABARITO: Alternativa “E”

COMENTÁRIO
Ok Pessoal, mais uma decoreba. Não tem como explicar, tem que ler as resoluções!


sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Tetraplégicos controlam cadeira de rodas com a língua

Um dos grandes desafios enfrentados hoje pelos profissionais que trabalham com reabilitação física é garantir o máximo de independência, qualidade de vida e inclusão social a pessoas com alguma deficiência. Algumas vezes problemas antigos encontram soluções através da inovação tecnológica; outras vezes, a solução surge de uma combinação inusitada entre inovação e arte corporal.  
  
Recentemente, uma equipe do Instituto de Tecnologia da Geórgia desenvolveu um dispositivo que permite a pessoas com tetraplegia controlar uma cadeira de rodas motorizada utilizando um piercing de língua. Este equipamento é composto basicamente por um dispositivo magnético posicionado na língua e sensores, os quais permitem ao paciente usar a língua como um joystick em um sistema sem fios.  Esta foi uma idéia genial pois mesmo em uma lesão medular alta a motricidade da língua encontra-se preservada uma vez que é feita pelo XII par (n. hipoglosso).


Para investigar melhor a utilização do piercing de língua magnético, pesquisadores do Instituto de tecnologia da Geórgia publicaram recentemente um trabalho na revista Science Translational Medicine (infelizmente só consegui o resumo). No qual avaliaram a velocidade e precisão da locomoção em cadeira de rodas utilizando o tal piering de língua e a compararam com o desempenho do dispositivo de sopro (Nota do blogueiro: Atualmente, a tecnologia assistiva mais popular que permite pessoas com tetraplegia controlar uma cadeira de rodas é um dispositivo no qual os usuários assopram, ou mesmo fazem sucção do ar, em um canudo acoplado a sua cadeira de rodas e que “entende” quatro direções básicas: frente, trás, direita e esquerda).


Esta pesquisa foi feita com um grupo de 11 voluntários com lesão medular em C6 ou superior e 23 indivíduos sem lesão medular. Os resultados mostraram que quando os participantes utilizaram o piercing de língua magnético, seu desempenho foi até três vezes melhor do que com o dispositivo de sopro.  Ah! Quase me esqueci: Furar a língua não é pré-requisito para utilizar o sistema. Durante a pesquisa, o sensor magnético foi fixado na língua dos voluntários que não tinham piercing utilizando uma cola especial.


Quais as implicações deste estudo?
Logo de cara, percebe-se que apesar de promissor, o dispositivo foi testado apenas dentro do ambiente controlado de um laboratório de pesquisas. Estudos maiores em condições do mundo real, onde dificuldades não previstas podem (e irão) surgir, são necessários antes que este equipamento possa ser comercializado.
Esta inovação atraiu a minha atenção porque muitas pessoas com lesões, ou mesmo doenças neurológicas mantém intacta a motricidade da língua. A meu ver, este dispositivo pode ser utilizado não só para mover a cadeira de rodas, mas também para utilizar um computador, celular, TV, acender e apagar luzes, abrir e fechar portas adaptadas, jogar Call of Duty e Halo 2.

Fontes:







quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Nova tecnologia de próteses

O Cirurgião Ortopédico norte- americano Ronald Hugate, serviu durante 4 meses em um hospital de campanha no oriente médio, e desde que retornou aos EUA está desenvolvendo uma nova tecnologia de próteses para ajudar pessoas que sofreram amputações. No momento ele está trabalhando em conjunto com estudantes de engenharia da universidade de Denver -USA. para desenvolver uma prótese permanente.

Eu acessei a página da Clínica de Denver (Acesse AQUI), e pelo que entendi, me parece que a idéia é desenvolver um modelo híbrido combinando uma haste intramedular que funcionaria como uma endoprótese, mas que se projetaria para fora do coto de amputação, o que permite que seja conectada a um membro protético.
Ele chama esta técnica de integração óssea, e tem por objetivo melhorar a interface entre a prótese e o membro residual.


Eu achei esta idéia super interessante, principalmente para as pessoas que tem um coto de amputação curto, pois um coto curto dificulta muitíssimo o encaixe das próteses que temos atualmente, e frequentemente compromete a funcionalidade da prótese.
Segundo Ronald Hugate, este projeto pode estar pronto em dois anos, e tem potencial para substituir a atual tecnologia de soquete que tem alguns inconvenientes como formação de bolhas, a necessidade do controle ponderal do paciente (se a pessoa engordar ou emagrecer, o volume do membro residual se altera e também altera o encaixe da prótese).
Assista a reportagem abaixo.




Pois é galera, preparem-se para o futuro.

sábado, 9 de novembro de 2013

Descoberto novo ligamento no joelho?

Confesso que fiquei perplexo com a notícia que vi no facebook e depois em alguns sites da internet. Foi divulgado na rede que pesquisadores belgas haviam descoberto um novo ligamento no joelho. Pensei comigo mesmo: Como assim deixaram escapar um ligamento todos esses anos? e logo no joelho! Anos e anos de estudos morfológicos, centenas de milhares de Ressonâncias Magnéticas, incontáveis cirurgias em  joelhos de pessoas ao redor do mundo e simplesmente, de repente, alguém descobre um novo ligamento no joelho? Fiquei realmente intrigado, e fui atrás do artigo original para saber mais sobre esta descoberta inacreditável.


O artigo em questão foi publicado em agosto de 2013 no Journal of Anatomy (Acesse clicando AQUI ) com o título “Anatomy of the anterolateral ligament of the knee” (Anatomia do Ligamento Anterolateral do Joelho). A descoberta deste novo ligamento seria realmente fantástica, exceto por um pequeno detalhe: O até então “ ligamento desconhecido“ já havia sido descrito há mais ou menos uns 134 anos atrás por um cirurgião francês chamado Paul Segond (tá aqui a publicação original onde ele descreve o ligamento – Obs: tá em francês,  Acesse Clicando AQUI  ). Ok pessoal, detesto ter de zoar com a manchete dos sites de notícias, mas infelizmente esta é a verdade.
O que eu achei mais curioso disso tudo foi que a informação de que o Ligamento anterolateral do Joelho não foi nenhuma “descoberta” pode ser facilmente encontrada na primeira linha do resumo do artigo: “In 1879, the French surgeon Segond described the existence of a ‘pearly, resistant, fibrous band’ at the anterolateral aspect of the human knee... " (Em 1879 , o cirurgião francês Segond descreveu a existência de uma faixa fibrosa,resistente e perolada no aspecto anterolateral do joelho humano...)
Obviamente que o artigo não é uma fraude. O estudo é relevante pois faz uma avaliação qualitativa e quantitativa da relação do ligamento anterolateral com outras estruturas anatômicas próximas e levanta a discussão sobre a importância biomecânica deste ligamento.Trata-se portanto de uma investigação mais detalhada e minuciosa de uma estrutura anatômica já conhecida porém pouco estudada e não necessariamente uma descoberta. Porém o que mais me intrigou  foi o fato de que os sites de notícia se preocuparam apenas em copiar e colar a manchete sem ao menos verificar a fonte original.
Mas graças ao meu comportamento esquizofrênico/paranóico de duvidar da realidade, fui em busca de outros artigos científicos sobre o tal Ligamento Anterolateral e olhem só o que eu achei: Um trabalho publicado por pesquisadores da USP na Revista Brasileira de Ortopedia com o título: Estudo anatômico do Ligamento Anterolateral do Joelho (Acesse Clicando AQUI )
E pasmem: Publicado em abril de 2013!!!!!
Eu não sou anatomista, e pode ser que eu esteja enganado, mas pela descrição dos ligamentos, me parece que os dois artigos descrevem a mesmíssima estrutura anatômica.

MORAL DA HISTÓRIA:

Faça como o He-Man, não acredite em tudo que aparece no facebook.

Hasta la Vista amigos

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Infográfico VNI no Edema Agudo de pulmão

Olá Fisionautas!
Entrei  numa onda meio loca esta semana e resolvi me dar ao trabalho de criar um infográfico sobre VNI.
Como não sou designer, e como este foi o primeiro infográfico que fiz, posso dizer que me sinto realizado com o resultado e espero que os próximos sejam melhores.
Para baixar o arquivo em pdf, acessem o link abaixo
 http://www.mediafire.com/?sohlhb0zhhhb5zy
Hasta la Vista amigos!
Espero que vcs também gostem

domingo, 27 de outubro de 2013

Fisioterapeutas podem ter tatuagens?

Tatuagens vem se tornando cada vez mais populares. Basta um pequeno passeio pelas ruas de qualquer grande cidade para encontrarmos todo tipo de pessoas exibindo suas tatuagens. Podemos encontrar desde freqüentadores de academias de musculação até vovózinhas aposentadas, com desenhos variando de discretas borboletas até fechamentos completos de braço e costas. Isso demonstra que a tatuagem conquistou espaço em nossa cultura como arte e como forma de expressão. Mas apesar disso tudo, é preciso lembrar que elas ainda são vistas com preconceito.
É claro que o fato de uma pessoa imprimir desenhos na pele não a torna mais ou menos inteligente, competente ou qualificada para uma atividade, porém pode interferir com algumas oportunidades de trabalho. A postagem de hoje não pretende fazer juízo de valor sobre tatuagens. Não, definitivamente a minha intenção não é essa. Busco apenas compartilhar algumas reflexões e experiências sobre o tema tatuagem e fisioterapia.

Tatuagem pra quem? 
Inicialmente é preciso entender que existem bons motivos para se fazer uma tatuagem. Ela pode ser uma forma de expressar sua individualidade, suas crenças e religião, prestar homenagem a pessoas queridas (vivas ou falecidas), ou simplesmente adornar o corpo com algo considerado bonito. Mas como eu disse anteriormente, em nosso meio a tatuagens ainda é um tabu e pode ser considerada ofensiva por muitas pessoas. A natureza do trabalho desenvolvido por fisioterapeutas envolve, na maioria das vezes, o contato direto, olho a olho e a construção de vínculos de confiança.

Aqui vale a pena fazer uma pequena observação: Ao se candidatar a uma vaga de trabalho em clínicas ou hospitais, a presença de uma tatuagem em local visível pode não ser bem aceita pelo empregador. De fato, em uma pesquisa realizada em 2012 pela revista Você SA, foram entrevistados diretores de RH de 39 empresas, e identificou que tatuagens em locais visíveis, como mãos, antebraço e pescoço poderiam atrapalhar as suas chances de conseguir um emprego. Eu desconheço qualquer pesquisa feita em estabelecimentos de saúde com o objetivo de identificar a opinião do empregador ou dos pacientes a respeito de tatuagens, mas conheço ao menos um caso pessoas que se recusaram a ser atendidas por fisioterapeuta com tatuagens.

Se pararmos um minuto para refletir, veremos que esta recusa não é tão estranha assim. Pense bem: um dos impedimentos para a doação de sangue é justamente ter feito uma tatuagem a menos de um ano. Além disso, em recente campanha de testagem de Hepatite B, o cartaz do Ministério da Saúde recomenda que as pessoas que fizeram tatuagem ou piercing recentemente façam a testagem e vacinem-se contra Hepatite B. Obviamente que esta não é uma medida discriminatória. Esta recomendação se deve ao fato de que nem sempre tatuagens são feitas em estúdios com a higiene e cuidados necessários. Quando feitas em locais clandestinos (e de baixo $$$$), expõem as pessoas ao risco de contrair Hepatite, HIV e toda sorte de vírus, bactérias, fungos ou encostos espirituais.
Muitos pacientes não sabem disso (e nem são obrigados a saber!) e a mensagem transmitida é a de que a tatuagem talvez não seja algo assim tão “saudável”, afinal de contas exige uma quarentena de um ano antes de se poder doar sangue. Não vou entrar no mérito se é correto ou não colocar todos os tatuados num mesmo saco, mas isso pode justificar a atitude de não querer atendimento de pessoas tatuadas.
"Este delinquente poderia salvar sua vida"

Algumas reflexões finais
Se você tem, ou pretende fazer tatuagens uma coisa é certa: tatuagens nunca passam despercebidas e as pessoas irão fazer julgamentos a respeito dos desenhos. Se este julgamento será positivo ou negativo vai depender de uma série de fatores. No entanto, se você atribui um significado especial à tatuagem, e realmente acredita que é algo que merece ser feito ou mantido por quaisquer motivos (que aliás, só interessam a você), então quem sou eu para dizer algo ao contrário. Só recomendo que faça em um estúdio descente, com tatuadores profissionais e não rabiscadores para não se arrepender depois ou acabar sendo chacota como a foto abaixo.  
Quero terminar dizendo que para mim tatuagens bem feitas (repito: BEM FEITAS!) são obras de arte, e espero que com a sua popularização não sejam utilizadas como critério para avaliação da competência profissional de ninguém.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

PROVA COMENTADA - INSS - FISIOTERAPEUTA 2013

Olá Fisionautas!
Conforme prometido, cá estou eu na minha postagem semanal. desta vez trouxe o comentário das primeira 10 questões da prova anulada da Funrio. As provas para fisioterapia foram anuladas para os candidatos que concorrem para vagas na Superintendência Regional Nordeste e Superintendência Regional Sul. De qualquer forma, aponto aqui algumas questões que cebem recurso para serem anuladas. 
Desejo boa sorte com a nova prova para o pessoal do Sul e Nordeste
Vai lá.

Questão 51 - A maioria dos estudos demonstrou efetividade na redução nos níveis de vários fatores de risco para a doença coronariana,exceto
A) Triglicerídeos.
B) LDL-colesterol e HDL-colesterol.
C) Intolerância à glicose.
D) Colesterol total.
E) Pressão arterial sistólica e diastólica.

GABARITO: Alternativa B
COMENTÁRIO:
Embora a redação desta questão esteja um pouco confusa. Mas com um pouco de boa vontade, é possível perceber que a pergunta diz respeito a identificação de fatores de risco de doença coronariana, mais especificamente àqueles cuja redução não é considerado como fator de proteção.
Vou começar a análise das alternativas relembrando o conceito de dislipidemia. Basicamente, a Dislipidemia é a presença de níveis elevados ou anormais de lipídios e/ou lipoproteínas no sangue. O risco de doença coronariana aumenta significativamente com valores elevados de Colesterol Total, triglicerídeos e LDL. A partir desta informação, podemos considerar que as alternativas A e D são verdadeiras; isto é: sua redução reduz o risco de doença coronariana. 
A Pressão Arterial é outra variável que quando reduzida, também reduz o risco de doença coronariana, assim, a alternativa E também é verdadeira.
A ointolerância a glicose ou pré-diabetes é considerado um fator de risco. Na medida em que você reduz a intolerância à glicose, você também reduz os riscos de eventos cardíacos. Portanto agora só nos resta analisar a alternativa B.
Já vimos que a redução dos níveis de LDL estão associados a redução de risco, porém com relação ao HDL, ocorre o inverso; isto é: o risco aumenta à medida que seus valores diminuem. Desta forma, podemos concluir que a alternativa B é a única que contém uma variável (HDL) que quando em níveis reduzidos, aumenta o risco de doença coronariana.

FONTE:
Consenso Brasileiro Sobre Dislipidemias:  Detecção, Avaliação e Tratamento - Sociedade Brasileira de Cardiologia  http://publicacoes.cardiol.br/consenso/1994/6301/63010014.pdf

Avaliação dos fatores de risco para doença arterial coronariana em pacientes de São Caetano do Sul segundo o Escore de Framingham e sua relação com a síndrome metabólica. http://www.cepsanny.com.br/pdf/v1n1a2.pdf


Questão 52 - O método hidroterapêutico que incorpora as técnicas de facilitação neuromuscular proprioceptiva (FNP) denomina-se
A) Halliwick.
B) Ruoti.
C) Watsu.
D) Anéis de Bad Ragaz.
E) Kabat Modificado.

GABARITO: Alternativa D

COMENTÁRIO:
Esta é uma questão que considero fácil, mas que é bem interessante de comentar pois permite abordar as 3 principais técnicas de hidroterapia. Mas antes de apresentar as técnicas, preciso excluir as alternativas B e E, pois referem-se a técnicas que não existem.
International Halliwick Association define o conceito Halliwick como: "uma abordagem para ensinar todas as pessoas, em particular às com deficiência, atividades aquáticas, movimentação independente na água e a nadar. Portanto, sem ligação direta com os conceitos de PNF.

O Watsu, também denominado “Water Shiatsu” trata-se de um método originado a partir do Zen Shiatsu e consiste em alongamentos passivos, massagens e mobilizações articulares bem como aplicação de pressão sobre pontos de acupuntura. Este método também não tem ligação com os conceitos utilizados no PNF.
Sobra, portanto, a alternativa D. O método dos anéis de Bad Ragaz (ou simplesmente Bad Ragaz, ou ainda como também é conhecido na novela das 9 pelo personagem Félix: “método do Anel Pega-Rapaz”), consiste na associação de flutuadores e exercícios funcionais baseados no conceito PNF.

FONTE:
Conceito Halliwick inclusão e participação através das atividades aquáticas funcionais  http://www.actafisiatrica.org.br/detalhe_artigo.asp?id=468 


Efeitos do método watsu na flexibilidade e na autonomia funcional de idosas senescentes  http://www.unama.br/novoportal/ensino/graduacao/cursos/fisioterapia/attachments/article/133/efeitos-do-metodo-watsu-na-flexibilidade.pdf



Questão 53- Sulfato de Magnésio, Salicilatos, Iodo e Óxido de Zinco são substâncias empregadas no tratamento dos espasmos musculares, nas mialgias agudas ou crônicas, nos processos inflamatórios e nas úlceras cutâneas, através da iontoforese, quando colocadas, respectivamente, nos eletrodos de polaridade
A) NEGATIVO – POSITIVO – NEGATIVO – POSITIVO
B) NEGATIVO – NEGATIVO – POSITIVO – POSITIVO
C) POSITIVO – NEGATIVO – NEGATIVO – POSITIVO
D) POSITIVO – POSITIVO – NEGATIVO – NEGATIVO
E) NEGATIVO – POSITIVO – POSITIVO – NEGATIVO

GABARITO: Alternativa  C
COMENTÁRIO:
Foi difícil encontrar a resposta desta questão. Após muito pesquisar na internet, finalmente encontrei uma tabela que informava a polaridade das substâncias citadas. A tabela faz parte do manual de um equipamento de eletroterapia. Como se trata de decoreba, não faz sentido eu repetir o gabarito, mas quem quiser (realmente) se dedicar a decorar a polaridade e a indicação dos fármacos utilizados na iontoforese, recomendo utilizar a tabela que está na página 66 do manual do equipamento, disponível no site: http://www.cappefisio.com.br/stimulus-r.pdf ..   

Questão 54 -  Pode-se concluir pela Avaliação da Função Pulmonar que as reduções de todos os volumes pulmonares e de todas as capacidades pulmonares estão associadas a distúrbios
A) metabólicos.
B) obstrutivos.
C) infecciosos.
D) restritivos.
E) obstrutivos e restritivos de qualquer natureza.

GABARITO: Alternativa D

COMETÁRIO:
Os distúrbios ventilatórios avaliados nos testes de função pulmonar são classificados em obstrutivos, restritivos e mistos. Assim, logo de cara, podemos excluir as alternativas A e C. Pacientes com distúrbios obstrutivos apresentam limitação ao fluxo aéreo enquanto os distúrbios restritivos reduzem os volumes e capacidades. O Derrame pleural é um bom exemplo de distúrbio restritivo que podemos utilizar para entender este conceito. Com o derrame pleural, ocorre redução da expansibilidade torácia, você tem líquido na cavidade pleural que impede os alvéolos de se inflarem completamente. É fácil entender que quanto maior o derrame pleural, menor o volume de ar que entra no pulmão acometido. Se realizarmos um teste de função pulmonar, observaremos uma redução em todos os volumes e capacidades pulmonares, que será mais evidente em derrames mais volumosos.
 


Questão 55 - O Grande Dorsal, músculo de alta relevância biomecânica, clínica e terapêutica, tem significativa participação em vários movimentos, exceto
A) Elevação da Pélvis.
B) Extensão do Ombro.
C) Rotação Interna do Ombro.
D) Adução do Ombro.
E) Rotação Externa do Ombro.

GABARITO: Alternativa E

COMENTÁRIO
Esta questão permite uma resolução  interessante. O candidato (ou candidata) que não conseguir relembrar as ações do Grande Dorsal, pode aumentar as chances de acertar a questão no chute. Basta observar que as alternativas C e E são contraditórias: O Grande Dorsal não faz simultaneamente rotação interna e externa do ombro. Assim, teríamos 50% de chance do chute acertar o gabarito.   



Questão 56 - Há evidências de que a prática de atividade física moderada e regular, iniciada precocemente, reduz no idoso as doenças abaixo, exceto
A) Câncer de cólon.
B) Osteoporose.
C) Câncer de próstata.
D) Esclerose múltipla.
E) Diabetes tipo II.

GABARITO: Alternativa D

COMENTÁRIO:
Geralmente nos lembramos que o exercício físico é bom para o coração, porém seus efeitos não se limitam ao sistema cardiovascular. A atividade física regular é de extrema importância para os idosos. Exercícios regulares podem influenciam a manutenção das atividades ósseas normais e podem aumentar significativamente a densidade mineral óssea. Com relação a Diabetes, é bem conhecido o fato que as atividades físicas ajudam no controle glicêmico e funcionam como fator de proteção contra o desenvolvimento de Diabetes. O exercício físico regular também tem efeito protetor contra diversos tipos de câncer, no entanto , esta relação de prevenção não é estabelecida com relação a Esclerose Múltipla, em parte devido ao fato de ser uma patologia relativamente rara, e ainda sem etiologia definida. 

Questão 57 - Na avaliação geral das funções físicas do paciente acometido por acidente vascular encefálico, podemos quantificar as atividades de vida diária básicas através do Índice de
A) Katz.
B) Pearl.
C) Kreutzer.
D) Apgar.
E) Moore.

GABARITO: Alternativa A

COMENTÁRIO:
O Índice de Independência nas Atividades de Vida Diária, foi desenvolvido para medir as Atividades de Vida Diária de pacientes com doenças crônicas. O índice apresenta três gradientes, cujos extremos são: totalmente independente e dependente. Avalia atividades como o tomar banho, vestir-se, alimentar-se e levantar-se da cama ou de uma cadeira, entre outros. Ah! E antes que alguém me escreva para lembrar que a atuação nas AVD'S é ato privativo do TERAPEUTA OCUPACIONAL, normatizada pela resolução 316 de 2008 do COFITTO, lembro que eu estou apenas comentando uma prova. Se alguém achou ruim e quiser reclamar, recomendo que faça diretamente a organização do concurso.
Fonte: http://www.scielo.br/pdf/reeusp/v41n2/20.pdf

Questão 58 - O “Teste de Ober” avalia a presença da contratura do(s)
A) manguito rotador.
B) isquiotibiais.
C) adutores do quadril.
D) abdutores do ombro.
E) músculo externo da grande fáscia e do feixe iliotibial.

GABARITO: Alternativa E

COMENTÁRIO:
O teste de Ober é utilizado para avaliar o encurtamento do trato iliotibial. Neste teste, o indivíduo deve ser posicionado em decúbito lateral, com a perna inferior fletida no quadril e joelho, o suficiente para retificar a lordose lombar, e o joelho da perna superior deve ser fletido a 900. Após ter sido realizado o posicionamento adequado, o examinador deve segurar com uma das mãos o tornozelo da perna superior e com a outra estabilizar o quadril e, em seguida, abduzir e estender esta perna até a coxa se encontrar alinhada com o corpo. Então, é permitido que a coxa caia em direção à superfície nesse plano e o teste deve ser interpretado a partir da quantidade de adução do quadril


Questão 59- As úlceras crônicas podem ser tratadas com estimulação elétrica para fins de acelerar sua cicatrização através de algumas modalidades de correntes elétrica, exceto a seguinte corrente:
A) Contínua de baixa amplitude.
B) Pulsadas monofásicas de alta frequência.
C) Pulsadas monofásicas de baixa frequência.
D) Pulsadas bifásicas de baixa frequência.
E) Ultrassom Pulsátil.

GABARITO: alternativa B

COMENTÁRIO:
Esta questão é controvesta, e na minha opinião deveria ser anulada por dois motivos:
#1- Entre as alternativas temos o Ultrassom, que embora seja utilizado para acelerar a cicatrização tecidual, ele não é corrente elétrica, esta alternativa pode induzir o candidato ao erro (mas como veremos a seguir, o próprio gabarito está errado).
#2 – A eletroestimulação de alta voltagem consiste em pulsos gêmeos, monofásicos, unidirecionais, que se elevam instantaneamente e decaem exponencialmente em alta voltagem, que promovem o aumento do fluxo sanguíneo, fagocitose, melhora da oxigenação, redução do edema, atração e estimulação de fibroblastos e células epiteliais, síntese de DNA, mitose celular, controle de infecção, aumento da produção de ATP, melhora do transporte nas membranas, auxílio na organização da matriz de colágeno, estimulação da contração da ferida com migração de células da epiderme para o centro da úlcera. Ou seja:a alternativa B é uma forma eficiente de promover a cicatrização tecidual, e portanto o gabarito é incoerente.
Fonte: USO DA ELETROESTIMULAÇÃO DE ALTA VOLTAGEM NA CICATRIZAÇÃO DE ÚLCERAS VENOSAS  -  disponível para download clicando [[[[[AQUI]]]]]]:

Questão 60 - A abordagem cinesioterapêutica de melhor eficácia para redução das contraturas moderadas ou graves nos amputados transfemural ou transtibial consiste na seguinte atividade:
A) Exercícios ativos livres.
B) Exercícios ativos resistidos.
C) Alongamento passivo.
D) Alongamento passivo após aplicação de calor.
E) Alongamento por facilitação neuromuscular proprioceptivo.

GABARITO: Alternativa E

COMENTÁRIO:

Eu confesso que não consegui encontrar um livro ou artigo que demonstre a superioridade do PNF sobre as demais técnicas listadas.