domingo, 30 de setembro de 2018

O sinal do cãozinho escocês (scottie dog sign)


Olá fisionauta!
Já ouviu falar no sinal do cachorrinho escocês? Esse é um sinal radiográfico bastante peculiar e que todo fisioterapeuta que trabalha nas áreas relacionadas à musculoesquelética deve conhecer. Mas mesmo que você seja uma pessoa que não curte e nem pretende trabalhar fisioterapia ortopédica, recomendo dar uma lida nessa postagem pois este é um assunto que de vez em quando cai em provas de concursos.
Mas o que esse cachorrinho tem de tão especial ?

O tal cachorrinho escocês nada mais é que a aparência normal da radiografia da coluna lombar em uma projeção oblíqua.
Veja a figura abaixo:

Trata-se de uma radiografia lombar com incidência oblíqua ( o cãozinho só é visível neste tipo de incidência e apenas na região lombar) 
Para aqueles cujos conhecimentos da anatomia da vértebra lombar se perderam no tempo, segue abaixo uma imagem com a anatomia da vértebra lombar com destaque especial para a pars interarticularis (porção da lâmina que fica entre as facetas articulares).

Parece que em um belo dia, em um momento de delírio criativo, um radiologista avaliando uma “chapa de raio-X” em incidência oblíqua da coluna lombar, percebeu que a imagem lembrava um cachorrinho. Para ser mais exato, lembrava um cachorrinho da raça Terrier escocês visto de perfil e, já abusando da criatividade, percebeu que certas partes do corpo do Terrier se relacionavam com estruturas anatômicas da vértebra lombar. Assim temos:

  • O processo transverso equivale ao focinho,
  • O pedículo equivale ao olho,
  • A faceta articular inferior equivale a pata anterior
  • A faceta articular superior equivale a orelha,
  • A pars interarticularis equivale ao pescoço do cachorro.


Legal, né? Fica ainda melhor
Esse cachorrinho não é apenas uma curiosidade. A identificação da imagem do cão escocês é muito útil na clínica, pois pode ajudar a confirmar o diagnóstico da espondilólise lombar.
A espondilólise é definida como a descontinuidade óssea na região da pars interarticularis. Cuidado para não confundir espondilólise com espondilolistese! Embora exista uma associação dessas duas condições (algo entre 50 - 80%) não são a mesma coisa.
Mas voltando ao assunto: A espondilolise pode ser identificada na imagem por um traço de fratura localizado na região da pars interarticularis – o que corresponderia a presença de uma coleira no pescoço do cachorro. Em algumas imagens, a separação da pars interarticularis é tão grande, que você verá um cachorro decapitado (principalmente se você for fã de Black Metal  \m/  ( > _ < )  \m/ )    
Veja na imagem abaixo

Resumo da ópera:
Pra finalizar, gostaria apenas de ressaltar que o cachorrinho só é visível em incidências em perfil da coluna lombar (ele não aparece na cervical e muito menos na torácica), e a presença da coleira indica uma espondilólise.

quinta-feira, 26 de abril de 2018

Como salvar a vida de uma pessoa que está tendo um AVC usando agulhas (é sério isso??)


Semana passada recebi um vídeo que supostamente ensinava como salvar a vida de alguém que estivesse tendo um AVC simplesmente tirando algumas gotas de sangue da ponta dos dedos  e do lóbulo da orelha (SIM!!! Isso mesmo que você acabou de ler). Estou acostumado a receber bobagens que chegam pelo facebook e whatsapp, as quais são, em sua maioria vídeos engraçados, Fake News idiotas ou teorias da conspiração. De fato eu não dou muita importância pra essas coisas. No entanto, supostos tratamentos milagrosos costumam me perturbar pra valer, principalmente porque existem pessoas que vão seguir à risca a recomendação de tratamento milagroso, não importando o quão ilógico ou sem fundamento seja. Aliás, como todo e qualquer lixo da internet, esse tipo de mensagem tem o enorme potencial de se tornar viral. Se você (ainda) não recebeu esse video, clique abaixo e assista.
 
Pois bem galera, não há nada mais trabalhoso do que tentar explicar o óbvio, mas como a missão deste blog é discutir os assuntos relevantes e irrelevantes do mundo da reabilitação, tentarei explicar cientificamente o porquê de furar os dedos e os lóbulos das orelhas de pessoas que estejam sofrendo um AVC é uma idiotice. Porém, antes de continuar quero declarar para aqueles que adoram um mimimi que estou ciente que o vídeo demonstra uma técnica de sangria que, de fato existe, e é utilizada na Medicina Tradicional Chinesa.

Informação errada e perigosa
Eu considero esse vídeo particularmente danoso por dois motivos:
[1] É um vídeo que orienta pessoas leigas a desperdiçar tempo e esforços agulhando os dedos, a orelhas de quem estiver tendo um derrame cerebral (AVC) e ainda por cima aguardar cinco minutos antes de buscar socorro, e 
[2] Viraliza a ideia de que não se deve mover uma pessoa que esteja tendo um derrame, pois, segundo o narrador, isso poderia fazer os capilares cerebrais explodirem (WTF !!!!!).

No mundo real, uma pessoa tendo um AVC deve ser socorrida o mais rapidamente possível! Não espere até ela recuperar os sentidos, e se não tiver socorro móvel disponível na sua cidade, coloque-a em um carro e leve-a ao pronto socorro imediatamente! Eu posso lhe assegurar que o cérebro dela não irá mandar o seu carro pelos ares ao passar por um buraco (a menos, claro, que seja o professor Xavier dos X-men).

O que fazer (de verdade) no caso de suspeita de AVC
No caso de um AVC, tempo é cérebro. Todo profissional de saúde que lida com pacientes neurológicos conhece essa frase. Ao se identificar ou suspeitar que uma pessoa esteja tendo um AVC, deve-se imediatamente levá-la a um pronto socorro ou chamar o serviço de atendimento móvel de emergência. Em hipótese alguma, deve-se ficar esperando a boca retornar a posição normal (lembrando que nem todo AVC evolui com desvio da mímica facial) e muito menos os sintomas desaparecerem! ! !

Para termos uma referência de como o tempo é importante, o Hospital Israelita Albert Einstein recomenda que o tempo para o diagnóstico do paciente com AVC, desde a entrada na emergência até a confirmação por exame de imagem (tomografia ou ressonância magnética) deve ser de, no máximo, de 45 minutos. Ainda segundo os protocolos do Hospital Albert Einstein, o tratamento para a desobstrução das artérias (no caso de um AVC isquêmico) deve ser de no máximo 4 horas e 30 minutos do início dos sintomas. Quanto menor o intervalo de tempo entre a identificação do tipo de AVC e o início do tratamento, maiores as chances de recuperação, menores as sequelas e menores as taxas de mortalidade.
Ou seja: o vídeo que está sendo compartilhado nas redes sociais manda fazer exatamente o oposto do que deve ser feito.

De onde surgiu essa ideia?
Para escrever esta postagem, pesquisei sites e blogs para tentar entender de onde surgiu essa lenda urbana. Alguns sites em inglês com comentários datados de 2006 já fazem referência a um email que menciona uma tal de Irene Liu que compartilha a experiência de ter salvo a vida de um professor que estava tendo um AVC usando a técnica de sangria.
Seguindo essa pista, fiz uma busca no Google com os termos “blood-letting puncture” + Stroke e encontrei alguns artigos interessantes e que podem explicar muita coisa.

Alguns artigos científicos
Eu quis fazer uma busca para ver se existe alguma evidência científica que justifique essa técnica, e o que encontrei foram vários artigos usando modelos animais e apenas um único trabalho publicado com humanos.

Efeito da sangria em Doze Pontos-Fonte da Mão sobre a Consciência e Frequência Cardíaca em Pacientes com Apoplexia (Effect of Blood-letting Puncture at Twelve Well-Points of Hand on Consciousness and Heart Rate in Patients with Apoplexy). 
Journal of Traditional Chinese Medicine 25 (2): 85-89, 2005   http://www.journaltcm.com/modules/Journal/contents/stories/052/2.pdf

Na introdução desse artigo, publicado em 2005, é feita uma breve observação de que a sangria de pontos localizados na extremidade dos dedos é uma prática de primeiros socorros para pessoas com apoplexia (apoplexia é um sinônimo para AVC) difundida entre os praticantes da Medicina Tradicional Chinesa (MTC), muito embora não tenha sido formalmente testada usando o método científico.   
Esse estudo foi desenhado como um ensaio clínico, mas a metodologia não foi bem descrita, o que me deixou com várias dúvidas relacionadas a interpretação dos resultados. Participaram do estudo 52 indivíduos com diagnóstico confirmado de AVC. Os participantes foram divididos em um grupo com 30 indivíduos que, além do tratamento de rotina para AVC, receberam também o tratamento por meio de sangria nos dedos. Os outros 22 pacientes compuseram o grupo controle, o qual recebeu apenas o tratamento de rotina para AVC.
A escala de coma de Glasgow, Frequência Cardíaca, Frequência Respiratória e a Pressão Arterial foram avaliadas nos pacientes em um único dia, imediatamente antes da sangria nos dedos e 15, 30 e 45 minutos após. Já o grupo controle (que não recebeu o agulhamento) foi avaliado apenas em igual período de tempo.
Eu, pessoalmente, achei que a metodologia poderia ser melhor... talvez um acompanhamento por mais dias, por exemplo. Os resultados mostraram aumento na FC e na PA sistólica no grupo da sangria, porém a mudança no estado de consciência ao longo de 45 minutos de observação foi equivalente nos dois grupos.

Depois desse trabalho, houveram algumas publicações que investigaram, em modelos animais, o efeito da sangria dos pontos dos dedos.

Blood-letting punctures at twelve Jing-Well points of the hand can treat cerebral ischemia in a similar manner to manitol.
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4146051/

Effects of bloodletting puncture at Jing-Well points in distal ends of finger and toe on survival rate and brain edema in cerebral ischemic rats

Effects of bloodletting puncture at Jing-Well points in distal ends of finger and toe on survival rate and brain edema in cerebral ischemic rats

Não irei comentar os detalhes desses artigos, mas posso dizer que quase todos concluem que a sangria melhora o aporte sanguíneo da região do cérebro do ratinho. Obviamente, apesar dos resultados interessantes, não podemos extrapolar os resultados para humanos sem que um estudo formal em humanos tenha sido feito. Muito menos podemos afirmar, com base em pesquisas com ratos, se essa técnica aplicada como recurso de primeiros socorros no momento em que o AVC é capaz de salvar a vida de alguém.

Moral da estória
O objetivo dessa postagem não é vilanizar a acupuntura, mas sim a de tentar conscientizar as pessoas a não compartilhar bobagens pela internet, principalmente as relacionadas aos cuidados com a saúde. Tudo bem, sei que o facebook e o whatsapp ficariam muito mais chatos sem as teorias de conspiração e sem as Fake News, mas quando informações equivocadas podem colocar a vida de pessoas em risco (como em mensagens dizendo que não devemos nos vacinar contra a febre amarela ou ensinando a cura do câncer apenas com alimentos) nós, como profissionais de saúde, temos o dever de ao menos tentar impedir a propagação dessas mensagens virais.
Vejam bem, se este vídeo defendesse o uso de sangria em pacientes que já receberam os primeiros socorros e estão hospitalizados e clinicamente estáveis, eu juro que não me daria ao trabalho de escrever uma postagem como essa. Na verdade, talvez escrevesse sim, mas com o objetivo de me solidarizar com os pobres pacientes hemiplégicos que, não bastasse sua condição de saúde, ainda estariam sendo submetidos a sessões de tortura.

quarta-feira, 14 de março de 2018

Derrame Pleural - O essencial



O espaço pleural
Acho que não tem jeito melhor de começar esta postagem do que relembrando um pouco de anatomia: Começando pelo princípio, é preciso relembrar que a pleura é uma fina membrana que recobre tanto a superfície interna da parede torácica (pleura parietal) como também os pulmões e as cissuras interlobares (pleura visceral). As camadas pleurais estão sobrepostas e deslizam uma em relação à outra durante a respiração graças ao espaço pleural.
Agora que começamos a falar do espaço pleural, também é preciso relembrar que neste espaço de sobreposição das pleuras parietal e visceral existe uma pequena quantidade de fluido pleural; cerca de 0,1 a 0,2 ml/kg de peso corporal. Essa delgada película de líquido permite que uma pleura deslize em relação à outra com o mínimo de atrito. É interessante notar que esse volume de líquido não é estático; o líquido pleural está o tempo todo se renovando. Essa renovação depende das mesmas forças de Starling que governa as trocas de líquido vascular e intersticial. No caso, existe uma pressão hidrostática positiva de cerca de 9cmH2O a qual direciona os fluidos do leito capilar da pleura parietal em direção ao espaço pleural, e uma pressão pleural negativa de cerca de 10cmH2O que favorece a absorção do líquido pelos capilares da pleura visceral.

DERRAMES PLEURAIS
Qualquer quantidade anormal de fluido na cavidade pleural recebe a denominação de Derrame Pleural. É importante destacar que o derrame pleural pode ser classificado de acordo com os fatores etiológicos (ex: secundário a cirrose hepática, obstrução linfática, induzido por drogas, etc...) e com o conteúdo do fluido (Ex: Hemotórax, quilotórax, empiema).

De modo geral, podemos considerar que o acúmulo de liquido pleural pode ocorrer por meio de cinco mecanismos principais:
[1] Aumento da pressão hidrostática, como ocorre na insuficiência cardíaca congestiva;.
[2] Aumento da permeabilidade vascular, como na pneumonia e SARA;
[3] Redução da pressão oncótica, como na síndrome nefrótica;
[4] Aumento da pressão negativa intrapleural, como na atelectasia;
[5] Diminuição da drenagem linfática, como no derrame pleural neoplásico

Outra forma de classificar os derrames pleurais é de acordo com a composição do líquido pleural. Neste caso, podem ser classificados em derrames transudativos ou exsudativos. Apesar de todos os esforços e também da óbvia importância de se determinar o fator etiológico, cerca de 11 a 20% dos casos de derrames pleurais, permanecem  sem causa determinada.  Para diferenciar entre derrames exsudativos e transudativos, utiliza-se o critério proposto por Light e colaboradores em 1972, no qual a classificação é feita por meio dos exames de proteínas totais e desidrogenase lática (DHL) oriundos da relação do líquido pleural (toracocentese) com o soro (punção venosa), coletados simultaneamente.

DERRAMES PLEURAIS TRANSUDATIVOS
Qualquer derrame pleural que se forme quando a integridade do espaço pleural está preservada é chamado de derrame pleural transudativo. O transudado é um ultrafiltrado de plasma, altamente fluido, baixo em proteínas e desprovido de células inflamatórias. O aspecto macroscópico do líquido é de um fluido transparente e claro. Os derrames pleurais transudados formam-se quando as pressões hidrostáticas e oncótica são anormais. A lista de doenças que causam derrames pleurais transudativos é curta e contempla: A Insuficiência Cardíaca Congestiva, Síndrome Nefrótica, Hipoalbuminemia, Doença Hepática, Atelectasia e Obstrução Linfática.

Clique na imagem  e assista o video
DERRAMES PLEURAIS EXSUDATIVOS
Derrames pleurais exsudativos são causados por inflamação pulmonar ou pleural. Neste tipo de derrame, o líquido pleural apresenta mais proteínas e células inflamatórias do que o derrame transudativo. Aproximadamente 70% dos derrames são de origem exsudativa. As causas mais comuns incluem: Infecções Pulmonares Virais, Tuberculose, Neoplasias Malignas, Pós operatórios de cirurgias cardíacas e de abdômen superior, Quilotórax, Hemotórax e associados a doenças do tecido conjuntivo.  
SINTOMAS

#1- Dor
A dor torácica pleurítica é o sintoma mais comum no derrame pleural. Ela indica acometimento da pleura parietal, visto que a visceral não é inervada, e geralmente ocorre nos exsudatos. Seu caráter é geralmente descrito como "em pontada", lancinante, nitidamente piorando com a inspiração  profunda e com a tosse, melhorando com o decúbito lateral sobre o lado acometido. A dor torácica localiza-se na área pleural afetada, mas pode ser referida no andar superior do abdome ou na região lombar, quando porções inferiores da pleura são acometidas, ou no ombro, quando a porção central da pleura diafragmática é acometida.

#2  Tosse irritante e não produtiva
A tosse é um sintoma respiratório inespecífico, podendo estar associada a doenças dos tratos respiratórios superior e inferior. A presença de derrame pleural, sobretudo com grandes volumes, isoladamente pode associar-se a tosse seca.

#3 - Dispneia/desconforto respiratório
A dispnéia estará presente nos derrames mais volumosos e nos de rápida formação. Há uma tendência de melhora quando o paciente assume o decúbito lateral do mesmo lado do derrame. A presença de dor pleurítica importante, limitando a incursão respiratória, ou a presença de doença parenquimatosa concomitante também contribuem para o surgimento de dispnéia.

#4 - Febre;
A febre é um sintoma inespecífico, por isso precisa ser contextualizada com relação aos demais sintomas.

#5 - Redução do movimento da parede torácica;
A presença de derrames altera a simetria de expansibilidade torácica, e em casos de derrame volumoso pode-se observar até mesmo um abaulamento dos espaços intercostais.
A expansão torácica pode ser examinada não apenas com a inspeção visual, mas também por meio da palpação (vídeo abaixo). 

#6 - Diminuição ou ausência do frêmito tóraco-vocal (FTV);
O FTV corresponde à uma manobra semiológica que consiste na utilização das mãos para sentir as vibrações causadas por palavras ricas em consoantes, como o tradicional “trinta e três”. Durante este procedimento, é possível sentir a vibração do ar no tórax do paciente. Na presença de uma grande quantidade de fluido pleural, a diferença do FTV entre os dois hemitórax  pode ser detectada com clareza. 

#7 - Som maciço a percussão do tórax;
Apresenta-se maciça ou submaciça sobre a região com líquido. O vídeo abaixo tem a explicação mais didática sobre a técnica de percussão que eu já vi

#8- Diminuição do murmúrio vesicular
Sim. Nos casos de derrame pleural o murmúrio vesicular encontra-se reduzido ou mesmo abolido.

Ok galera, acho que por hoje é só. 
espero que esta postagem seja útil

sábado, 10 de março de 2018

FISIOTERAPEUTA NA SAÚDE ESCOLAR

A Fisioterapia na Saúde Escolar atua no cuidado integral da saúde escolar, mais especificamente na construção e condução de programas de tratamento para ergonomia escolar, desvios posturais e inclusão de crianças portadoras de necessidades especiais.


A ação do profissional Fisioterapeuta em escolas é de extraordinária importância, uma vez que, a Fisioterapia na Saúde Escolar ajuda na pesagem de mochilas, bolsas e sacolas dos alunos para medir o quanto de carga em excesso o aluno estar sobrecarregando para o ambiente escolar. 

A Fisioterapia vem ajudando na promoção de um diferencial na área educacional por meio de suas habilidades, orientando os problemas da criança.

Para entender um pouco mais sobre o que é a Fisioterapia, assim como as especialidades de atuações do Fisioterapeuta, suas regulamentações, Portarias, seus principais objetivos de atuações, o órgão responsável por regulamentar a profissão de Fisioterapeuta no Brasil é o COFFITO – Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional, clique AQUI!!

A fisioterapia tem a escola como um dos campos de sua atuação, envolvendo a promoção, a prevenção e a assistência de saúde das crianças e dos adolescentes, por meio de ações direcionadas para a saúde corporal dos escolares, focados no desenvolvimento e no crescimento físico-motor, associados aos cuidados para com a postura corporal (FERNANDES et al., 2008; NIHUES, 2015).


Assim, a fisioterapia na saúde escolar, pode propiciar ações educativas e terapêuticas, com destaque para a identificação de alterações da postura corporal, no acompanhamento do crescimento físico e no desenvolvimento motor dos indivíduos, nesta fase da vida. (NIHUES, 2015).

Podendo ainda atuar no auxilio no processo de interação social entre as crianças, promovendo benefícios, uma vez que estarão mais inseridas na turma, não sendo lesada pela timidez, hiperatividade ou apresentação de outros transtornos como o déficit de atenção.

Pretendemos ainda, abrir os olhos para essa reflexão, na comunidade acadêmica e dos profissionais de saúde, para se refletir na ascensão da saúde dos escolares, de maneira multidisciplinar, visando manter a boa funcionalidade do corpo.

O PAPEL DO FISIOTERAPEUTA NA SAÚDE ESCOLAR

O fisioterapeuta, em ambiente escolar, vem operando na promoção da saúde, na prevenção de problemas físicos ou orgânicos e no desenvolvimento de diagnósticos funcionais para elaborar o tratamento. Para obter um guia completo de informações sobre a atuação desse profissional no ambiente escolar, basta CLICAR AQUI!

Causa para esses problemas posturais são vários, precisam ser levadas em considerações, atributos pessoais e a realização das Atividades de Vida Diária (BRACCIALLI; VILARTA, 2000).

Através de um fluxograma preventivo, a Fisioterapia, pode provocar a diminuição das alterações posturais, fornecendo elementos quanto à postura correta (NICOLINO, 2007).

O fato das crianças persistirem por várias horas sentada com uma postura incorreta, em uso de mobiliários impróprios, a uma necessidade imediata em se conseguir um trabalho de direção postural para prevenirmos determinadas modificações com o passar dos tempos (KENDALL, 2007; NICOLINO, 2007).

Dentro de prevenção primária, o fisioterapeuta precisa operar junto à escola, induzindo a conscientização dos problemas posturais (NICOLINO, 2007).

Algumas orientações em prevenção podem estar sendo englobadas (NICOLINO, 2007):

1.   Levantar, transportar, depositar adequadamente qualquer tipo de material;
2.   Evitar excesso de peso na bolsa ou mochila;
3.   Orientar quanto às posturas adequadas durante a realização de cada atividade;
4.   Não sobrecarregar crianças e adolescente com excesso de atividade.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os fisioterapeutas são profissionais certificados, habilitados e capacitados para trabalhar a promoção, a prevenção e a recuperação corporal, de forma integrada com outros profissionais da saúde.

Nas escolas, proporcionam papel fundamental para seguir o crescimento e o desenvolvimento corporal de crianças e adolescentes.

Sendo assim, concluiu-se que a avaliação postural, nas escolas, realizada por profissionais fisioterapeutas pode contribuir para a sociedade em que vivemos, prevenindo doenças futuras, aperfeiçoando o rendimento do aluno e promovendo o seu bem-estar físico e emocional.

Espera-se, com este texto, consolidar a ação da fisioterapia nas escolas, assim como ampliar a inclusão do profissional fisioterapeuta neste cenário.

Colaborador: Felipe Ricardo – Fisioterapeuta – CREFITO 14/235419  http://www.frfisioterapia.com/

Representante titular do Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional da 14ª Região, CREFITO-14 no Núcleo de Apoio Técnico ao Magistrado-NATEM.
Representante titular do Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional da 14ª Região, CREFITO-14 no Conselho Estadual de Saúde do Piauí CES/

quinta-feira, 8 de março de 2018

Mas que vídeo estranho.


Recentemente, uma amiga me enviou um vídeo pelo whatsapp de um sujeito pendurado de cabeça pra baixo sendo agarrado pela cintura por um velhinho com cara de tarado. Inicialmente achei que fosse um vídeo sadomasoquista copiado diretamente das entranhas da Deepweb, mas logo depois percebi que era uma sessão de “terapia” (acho que em toda a minha vida eu nunca usei aspas com tanta propriedade quanto nessa frase). O pobre sujeito pendurado pelos pés foi submetido a algo parecido com uma manobra para “estalar” a coluna. A pessoa que me enviou o vídeo queria saber que técnica de fisioterapia era aquela. Confesso que fiquei embasbacado com o vídeo... em transe...sem reação  e, movido por uma curiosidade mórbida resolvi fazer uma busca na internet. Minha pesquisa envolveu basicamente o Youtube, e o Google (como vocês verão pelos resultados, não foi necessário ir muito além disso).
Caso você esteja curiosa(o), o vídeo a que me refiro é esse aqui em baixo.

Maluco... isso deve doer pra Ca$##@%*

RESULTADO DA BUSCA:

No Youtube
O intuito de começar a busca pelo Youtube foi a esperança de encontrar na descrição do vídeo alguma pista sobre qual especialidade/método/conceito foi responsável por criar essa técnica. Como o Youtube não é uma mídia muito científica, usei os termos genéricos “Upside down physical therapy” (fisioterapia de cabeça pra baixo) e “Hanged man physical therapy” (homem pendurado fisioterapia). Não consegui encontrar esse vídeo em específico, porém encontrei um outro vídeo semelhante, intitulado “Chiropractic Back Crack Adjustment Unique Technique - Man hung upside down” (algo como técnica única de ajuste quiroprático para as costas – homem pendurado de cabeça pra baixo). Assista o video aqui embaixo.


Aproveitei essa referência a quiropraxia e refiz a busca adicionando o termo Chiropractic, mas felizmente não encontrei mais nenhum video desses no vídeo no Youtube. 


No Google.
No Google usei os mesmos termos utilizados na busca no Youtube. Tentei também encontrar artigos de quiropraxia ou osteopatia que mencionassem esta técnica, mas não encontrei nada. Ao que tudo indica, pendurar uma pessoa pelos pés, abraça-la pela cintura e dar um puxão pra baixo não se trata de quiropraxia e muito menos de fisioterapia.
Terapia de Inversão
Entretanto, encontrei alguns vídeos sobre uma técnica conhecida por “terapia de inversão”, a qual explora os efeitos fisiológicos de posicionar o paciente em ponta cabeça para o tratamento de dores na coluna. Isso não era exatamente o que eu procurava, mas achei interessante e vou compartilhar com vocês dois artigos sobre o tema – afinal de contas, vai que esse troço vira moda. Eu não duvido da capacidade dos charlatões ganharem dinheiro com invenções mirabolantes que prometem curar praticamente tudo, desde dor de dente até câncer de próstata.

TRAÇÃO INVERTIDA
Em março de 1986, foi publicado no JOSPT um artigo intitulado The Effects of Inversion Traction on Spinal Column Configuration, Heart Rate, Blood Pressure, and Perceived Discomfort (Efeitos da tração invertida sobre a configuração da coluna vertebral, frequência cardíaca , Pressão Sanguínea e Desconforto Percebido).

Neste artigo, o autor investigou dois dispositivos que posicionam o indivíduo de cabeça pra baixo. Um deles faz isso com flexão de quadris e joelhos (como se a pessoa permanecesse sentada numa cadeira, só que de cabeça pra baixo) enquanto o outro deixa o paciente de cabeça pra baixo feito morcego, pendurado pelos tornozelos. (FIGURA ABAIXO)
Os participantes ficavam de ponta cabeça durante aproximadamente 7 minutos e os achados principais incluem:

1) Ambos os sistemas de inversão produziram aumentos significativos na distância L5-S2.
2) Ambos os sistemas diminuíram a profundidade da curva torácica, enquanto apenas o dispositivo que promove a inversão com flexão de quadris e joelhos diminuiu a profundidade da curva lombar.
3) Ambos os sistemas de inversão diminuíram a distância C7-T1 2 como resultado das mudanças na curva torácica.
4) Segmentos C7-S2, L1-S2 e L3-L4 foram aumentados em comprimento pelo sistema de inversão com flexão de quadris e joelhos, mas não pelo sistema em que os indivíduos são suspensos pelo tornozelo.
5) A inversão diminuiu significativamente a freqüência cardíaca e elevou a pressão arterial em uma média de 20 mm Hg. 
6) Após a inversão, ao retornarem a posição ortostática normal, a freqüência cardíaca para ambos os sistemas aumentou, enquanto a pressão arterial diminuiu apenas para o que suspendia o indivíduo pelos tornozelos.
7) As informações subjetivas do questionário indicaram que a inversão com flexão de quadris e joelhos era o sistema de inversão mais tolerável.

Infelizmente esse trabalho não nos permite avaliar o efeito dessa terapia em indivíduos com dor de coluna.

EFEITOS FISIOLÓGICOS DA TERAPIA DE INVERSÃO
Um outro artigo publicado em 1985 no Journal of Canadian Chiropractic Association ( JCCA ) intitulado Inversion therapy: a study of physiological effects (Terapia de inversão: estudo de efeitos fisiológicos). Esse trabalho investigou 56 indivíduos divididos em 2 grupos: 40 indivíduos para investigação de efeitos sobre a Amplitude de movimento de flexão anterior e  lateral de tronco e manobra de elevação de perna retificada. Também foi realizada mensuração eletromiográfica da atividade dos músculos paraespinhais e finalmente, Pressão Arterial e Frequência Cardíaca.

Dispositivo utilizado na pesquisa

Nesse mesmo estudo, uma segunda amostra de 16 indivíduos permanecia de cabeça pra baixo por 3 minutos e eram submetidos a radiografias da coluna lombar para avaliar a separação dos espaços intervertebrais ( Ainda bem que esse estudo foi proposto na década de 80. Se fosse hoje, duvido que o Comitê de Ética em Pesquisa fosse permitir a irradiação dos participantes).
Os principais achados deste estudo foram:
- frequência cardíaca e pressão sanguínea não se alteraram
- a ADM de flexão anterior de tronco aumentou 25%
- A atividade Eletromiográfica dos músculos paraespinhais tende a diminuir
- Ocorreu retificação da lordose lombar
- distração dos espaços intervertebrais entre L4-L5, e entre L5-S 1

CONCLUSÃO:
Não consegui identificar qual a especialidade que pratica a técnica vista no vídeo. Porém a busca pela identificação da técnica resultou no encontro de artigos que descrevem a terapia de inversão. Não estou muito certo sobre a utilidade da terapia de inversão, uma vez que apesar de resultados de distração vertebral bastante interessantes, os efeitos sobre a Pressão Arterial foram conflitantes nos dois artigos encontrados (com PA não se brinca). Encontrei também referência a efeitos de aumento da pressão intraocular em indivíduos submetidos a esta modalidade de tratamento. Esses efeitos adversos são bastante preocupantes e certamente contraindicariam essa técnica pra muita gente. Finalmente busquei artigos sobre os efeitos da terapia de inversão em indivíduos com dor lombar, mas não encontrei nada publicado.
Pois bem, espero que tenha gostado

Até logo e não se esqueçam da saudação universal:  
Bah-weep-graaaaagnah wheep nini bong

REFERÊNCIAS:

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Posturas de decorticação e descerebração.

INTRODUÇÃO
As chamadas  rigidez de decorticação e rigidez de descerebração são posturas patológicas que surgem em lesões do Sistema Nervoso Central (SNC). Essas posturas são caracterizadas por movimentos estereotipados dos braços e das pernas que ocorrem espontaneamente ou em função de estímulos sensoriais. A flexão de cotovelos e punhos e a supinação dos antebraços caracterizam a postura de decorticação enquanto que a extensão de cotovelos e punhos com supinação caracterizam a postura de descerebração.

Qual a importância da identificação das posturas de Decorticação e Descerebração para o(a)  fisioterapeuta ?
Ao atender pacientes que exibem essas posturas patológicas, nós fisioterapeutas devemos estar atentos principalmente a etiologia da lesão neurológica. Pois se a causa envolver hipertensão intracraniana é preciso reconhecer o surgimento de sinais sugestivos de aumento da pressão intracraniana tais como bradicardia, aumento da pressão arterial e alterações do ritmo respiratório (tríade de Cushing).
Além disso, uma boa avaliação inicial irá lhe fornecer informações que lhe serão bastante úteis para identificar mudanças evolutivas do paciente. Assim, sugiro atenção especial para o registro em prontuário da Escala de Coma de Glasgow, anotar o local de eventuais úlceras de decúbito, do arco de movimento passivo e comportamento do paciente durante a mobilização (abertura de olhos, verbalização, sinais de dor, acentuação da hipertonia, etc.). Se o paciente for incapaz de interagir fisicamente, mesmo assim, considere comunicação alternativa por meio do contato visual. Existem várias causas que justificam o surgimento dessas posturas. Na tabela abaixo listei algumas delas.


Também é importante monitorar se ao longo do tempo o paciente “trocou” de posturas, ou seja: se o paciente que num primeiro momento se mantinha na postura de  decorticação e posteriormente a substitui pela postura de descerebração. Esse tipo de informação é altamente relevante pois veremos a seguir que a transição de uma postura de decorticação para uma de descerebração indica um agravamento do quadro neurológico, enquanto que a transição contrária pode indicar uma melhora.   

CORRELAÇÃO ANATÔMICA
Já vimos que as posturas de descerebração e decorticação surgem em pacientes com lesões neurológicas graves, mas quais fatores determinam o surgimento de cada postura em particular? Antes de responder a essa pergunta, é preciso esclarecer que por se tratar de uma resposta motora anormal, esta análise diz respeito apenas as vias motoras. Portanto, eu evitarei discutir um eventual comprometimento simultâneo de áreas responsáveis pelo estado de alerta, cognição, sensibilidade ou outras funções.
Diversos textos pesquisados referem que as posturas de decorticação e descerebração surgem após lesões das vias motoras em regiões profundas do encéfalo. Isso significa que são lesões que afetam as vias motoras em regiões subcorticais e no tronco encefálico.
Na literatura pesquisada, o núcleo Rubro (localizado no mesencéfalo) é frequentemente citado como uma estrutura de referência que ajuda a determinar o local onde ocorreu a lesão. Em termos simples: Se a lesão afetou as vias motoras entre o córtex e o núcleo rubro, teremos a postura de decorticação. Caso as vias motoras tenham sido lesionadas após passarem pelo núcleo rubro, então teremos a postura de descerebração (Veja ilustração abaixo).

O núcleo rubro recebe este nome pois in vivo é avermelhado devido a intensa vascularização e presença de pigmentos de ferro no citoplasma dos seus neurónios. Essa estrutura, localizada no mesencéfalo, está relacionado com movimentos automatizados e voluntários.  As suas fibras aferentes têm origem no córtex cerebral (áreas motora e pré-motora) e cerebelo (núcleos dentado, globoso e emboliforme). As suas fibras eferentes projetam-se para a medula espinhal, cerebelo, formação reticular, complexo olivar inferior e área pré-tectal (para maiores detalhes sobre o núcleo rubro, recomendo a leitura do artigo “The Red Nucleus: Past, Present, and Future”.



Decorticação:
No caso de lesões entre o córtex e o núcleo rubro, ocorre a perda das influências corticais inibitórias sobre tronco e a medula. É importante destacar que o núcleo rubro possui uma forte influência na flexão dos membros superiores. Para ser mais preciso, a flexão do membro superior é explicada pela liberação do trato rubro-espinhal (flexão dos músculos do membro superior). Na postura de decorticação, o trato rubro-espinhal encontra-se íntegro apesar de ter perdido a conexão com as vias ativadoras do córtex. Embora não seja uma postura com boa correlação topográfica, geralmente indica lesões acima do tronco encefálico (incluindo córtex cerebral, cápsula interna e tálamo). Como mencionado anteriormente, a postura de decorticação consiste na flexão dos braços, pulsos e dedos com adução na extremidade superior e extensão, rotação interna e flexão plantar na extremidade inferior. Esse padrão pode se manifestar unilateral, como no caso de um AVE,  ou bilateralmente, como no caso de um TCE.
Como mencionado anteriormente, muito embora seja um sinal que indica uma lesão encefálica grave, a postura de decorticação sugere um prognóstico mais favorável do que a postura de descerebração


Descerebração:
A Rigidez de descerebração ocorre em lesões do tronco encefálico e consiste na extensão, adução e rotação interna, dos membros superiores e extensão dos membros inferiores. Mais especificamente, este padrão motor ocorre quando a atividade do tronco encefálico estiver diminuída nas vias distais ao núcleo rubro. Os motoneurônios dos músculos extensores dos membros inferiores e flexores dos membros superiores são tonicamente estimulados pelo núcleo vestibular. A remoção dos controles inibitórios corticais sobre o tronco facilita ações extensoras dos núcleos vestibulares. Pelo fato de representar uma lesão ainda mais profunda do que a caracterizada pela rigidez de decorticação, pacientes em postura de decorticação possuem um prognóstico mais restrito. Em um trabalho publicado em 1982 (sei que é velho), foi descrito que a incidência de postura ade decorticação em pacientes com TCE foi de cerca de 40% e que a presença desta postura aumenta as chances de óbito de 20% a 70%.

Finalmente 
Espero que esta postagem do Guia do Fisioterapeuta seja útil. pretendo ainda escrever sobre a atuação de fisioterapeutas frente a pacientes com posturas neurológicas patológicas.
Hasta la vista 

REFERÊNCIAS:
  • Neurologia Clínica de Harrison - 3.Ed - Acessado via GoogleBooks, clique aqui neste link 
  • The Red Nucleus: Past, Present, and Future: http://www.neuroanatomy.org/2010/001_003.pdf.
  • Coma e outros estados de consciência, Acessível neste link
  • Decerebrated rigidity in humans - link
  • Controle da motricidade somática - IBB - Unesp acessível no link
  • Fisiologia do Sistema Nervoso Motricidade Somática I: Medula e Tronco II acessível no link


quinta-feira, 2 de novembro de 2017