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INFORMAÇÃO IMPORTANTE
Infelizmente o 4shared bloqueou o acesso a conta onde eu armazenava os e-books (aparentemente tem algo haver com direitos autorais). Assim que tiver um novo site para armazenamento enviarei os links.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

As sete personalidades mais influentes da fisioterapia ortopédica - Quarto Lugar: Geoff D. Maitland

O Quarto lugar na lista dos fisioterapeutas mais influentes pertence a Geoff MAitland. Na verdade esta postagem é só pra constar, pois creio que já falei bastante sobre Maitland e seu conceito de terapia manual nas postagens anteriores.
Geoff Maitland é fisioterapeuta e leciona na University of South Australia. O conceito de terapia manual de Maitland tem sido estabelecido como uma das abordagens padrão para os fisioterapeutas que pretendem se aprofundar nas técnicas de mobilização articular. Seus dois livros: Manipulação Vertebral e Manipulação Periférica são leitura indispensável. A abordagem defendida por Maitland centra-se na avaliação detalhada, raciocínio clínico e na reavaliação como forma de determinar a disfunção física do paciente e a eficácia das técnicas de fisioterapia manual empregadas. O raciocínio clínico é a pedra angular de sua filosofia. A International Maitland Teacher's Association (IMTA) foi fundada em 1992 em Zurzach, Suíça. O IMTA ensina o Conceito Maitland em vários países ao redor do mundo.
O site da IMTA é http://www.imta.ch/.
Para mais informações leia as postagens anteriores sobre Maitland

quinta-feira, 30 de julho de 2009

O Papel do Fechamento de Forma e Fechamento de Força para a Estabilização da Articulação Sacroilíaca

A principal função do quadrande inferior consiste em movimentar e fornecer, simultâneamente uma base estável a partir da qual os membros superiores possam atuar. A cintura pélvica (inominados, sacro, cóccix e fêmures) é uma estrutura que liga de forma dinâmica a coluna vertebral e os membros inferiores. Neste contexto encontramos a articulação sacroilíaca , a qual tem um papel importantíssimo na transmissão de forças do tronco para os membros inferiores.

Existe um debate histórico quanto ao fato da articulação sacroilíaca ser ou não móvel. Quanto a isto, vou apenas reproduzir um trecho de uma entrevista com Diane Lee, fisioterapeuta canadense especialista em disfunções pélvicas:

"Dois estudos independentes [1,2] demonstraram que a articulação sacroilíaca é capaz de uma pequena quantidade de movimento (1-4 graus de movimento) e que esse movimento persiste ao longo da vida. Este é um componente essencial de absorção de choques para impedir as forças de impacto geradas durante a marcha venham a atingir a coluna vertebral. Para que estas forças sejam devidamente transferidas através da pelve, é essencial que este movimento seja controlado, e este controle é proveniente de correta ativação dos músculos estabilizadores profundos da região lombar e bacia e do bom funcionamento dos ligamentos da articulação sacroilíaca"

Muitos autores dispensam uma atenção especial à esta articulação. De fato, acredita-se que a disfunção sacroilíaca (Esta terminologia é usada para caraterizar um distúrbio biomecânico, sem nenhuma lesão aparentea na articulação sacroilíaca) é uma causa importante de lombalgias.
Esta é apenas uma breve introdução a um assunto vastíssimo e repleto de controvérsias. Obviamente não é possível esgotar o tema em um blog, mas quero deixar minha contribuição falando sobre dois mecanismos de estabilização da articulação sacroilíaca, os chamados de fechamento de forma e fechamento de força.


FECHAMENTO DE FORMA
O termo fechamento de forma foi cunhado por Andry Vleeming and Chris Snijders [3,4], representa uma situação estável em que as superfícies articulares estão estreitamente encaixadas e não são necessáriassorças adicionais para manter o estado do sistema. Em outras palavras: como é que a integridade da articulação ajuda a prevenir o cisalhamento e forças de translação excessivas entre as duas superfícies articulares quando submetidas à carga.
Uma vez que a articulação Sacroilíaca serve para transferir grandes quantidades de carga, assume-se que o seu formato está adaptado a esta tarefa. Três fatores contribuem para o fechamento de forma:

(1) O formato da superfície articular: Devido ao seu formato em cunha, o sacro é estabilizado pelos inominados;
(2) O coeficiente de atrito da cartilagem articular: ao contrário das articulações sinoviais normais, a cartilagem articular da sacroilíaca é irregular;
(3) A integridade dos ligamentos que recobrem a articulação.
FECHAMENTO DE FORÇA

Este é outro termo cunhado por Vleeming e Snijders e está relacionado a questão de como e quais forças adicionais são necessárias para controlar a translação entre duas superfícies articulares quando a carga é aplicada.
Se o sacro fosse perfeitamente encaixado na pelve, (um fechamento de forma perfeito), a mobilidade articular seria praticamente impossível. No entanto, durante a marcha, a mobilidade assim como a estabilidade devem ocorrer. Assim se faz necessário a adição de uma força extra no sistema durante as situações de carga.
No caso do fechamento de Força são necesárias forças adicionais para manter o objeto no lugar. Neste caso é preciso que haja atrito. As articulações com superfícies predominantemente planas são apropriadas para transferir grandes quantidades de força, mas são vulneráveis ao cisalhamento. Forças de compressão são necessárias para controlar este cisalhamento, pois aumentam o coeficiente de atrito e a capacidade da articulação de resistir à translação. Esta compressão é fornecida pelos estabilizadores profundos da região lombar e pelve, que são os músculos transverso do abdomen, multífidos e os músculos do assoalho pélvico.
Os músculos contribuem para o fechamento de força e, assim, para a transferência de carga através da pelve de duas formas:


(1) Eles aumentam as forças de compressão em toda a sínfise púbica e articulações sacroilíaca, reduzindo a quantidade de movimento na articualção
(2) Eles modificam a posição da articulação, produzindo aumento da tensão ligamentar.
Outros dois componentes formam o modelo conceitual de estabilização da articulação sacroilíaca, o controle motor e o estado emocional do indivíduo. Não irei me alongar muito nestes tópicos, mas eles são abordados, inclusive com referências a artigos publicados no link com entrevista da Diane Lee

O Controle Motor
Controle motor é um termo usado para descrever o padrão de c0-ativação e coordenação dos músculos estabilizadores profundos.


Estado Emocional
O quarto componente do modelo aborda o papel do nosso estado emocional sobre a nossa capacidade de controle motor eficaz. É bem conhecido que o estresse, ansiedade, medo e dor têm impacto nosso estado emocional e agora sabe-se que este estado influencia nossa capacidade de controle motor.

Bem, é isso, espero que seja útil


[1] Jacob H A C, Kissling R O, 1995, The mobility of the sacroiliac joints in healthy volunteers between 20 and 50 years of age. Clinical Biomechanics 10(7): 352-361.
[2] Sturesson B, Selvik G, Uden A, 1989, Movements of the sacroiliac joints a roentgen stereophotogrammetric analysis. Spine 14 (2): 162 165.
[3] Vleeming A, Stoeckart R, Volkers A C W, Snijders C J 1990 Relation between form and function in the sacroiliac joint. 1: Clinical anatomical aspects. Spine 15(2): 130-132.
[4] Vleeming A, Volkers A C W, Snijders C J, Stoeckart R 1990 Relation between form and function in the sacroiliac joint. 2: Biomechanical aspects. Spine 15(2): 133-136.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Vídeos de exercícios terapêuticos Kissner & Colby

Olá pessoal,

Estou baixando alguns vídeos de exercícios terapêuticos em mp4 que estão disponíveis no blog http://terapiadomovimento.blogspot.com/. Este blog é excelente, tem muitos livros pra download e o proprietário também disponibiliza vários vídeos como estes da Kissner.

São vídeos de 62 exercícios terapêuticos básicos e técnicas. Incluindo - amplitude de movimento, alongamento, Misto, Mobilização, resistência e Spinal Stabilization. Carolyn Lynn e trabalhou arduamente para garantir que os vídeos reforçam os alicerces de construção de conceitos, princípios e técnicas da 5 ª Edição.

Visitem e façam o download do material pois tá muito bom!

Abraços

Displasia do Desenvolvimento do Quadril ou Luxação Congênita do Quadril ?

O termo Displasia do Desenvolvimento do Quadril (DDQ) vem sendo utilizado para substituir a terminologia Luxação Congênita do Quadril (LCQ). Esta mudança gera uma certa confusão, pois em muitos livros estes termos acabam sendo usados como sinônimos.
Alguns autores justificam esta mudança argumentando que apesar da grande maioria das luxações idiopáticas de quadril serem identificadas ao nascer, um número significativo de crianças desenvolve uma luxação tardia, relacionada à presença de displasia da articulação do Quadril. Assim, a denominação DDQ englobaria um espectro mais amplo e diferenciado de crianças, reservando a classificação de LCQ para os casos de Luxação Congênita “verdadeira”, ou seja: a luxação de quadril identificada no neonato.
Desde que o ultrassom foi introduzido como exame médico, observou-se que além dos quadris luxados era possível também identificar um grande número de quadris displásicos (os quais são potencialmente “luxáveis”). Além disso, sabemos que ao nascer os quadris ainda são imaturos, e que o seu desenvolvimento adequado depende principalmente da tomada de peso na posição ortostática, a qual é essencial para moldar o fêmur e o acetábulo.

DEFINIÇÔES:
Luxação Congênita do Quadril:
É a perda do contato da epífise femoral proximal (cabeça do fêmur) com a cavidade acetabular ao nascer.
Displasia do Desenvolvimento do Quadril
É o desenvolvimento inadequado (displasia) da articulação coxo-femoral. (a qual é um fator que predispõe à Luxação)


ETIOLOGIA:
Existem vários fatores associados simultâneamente a DDQ e a LCQ. Ambas as condições podem ser decorrentes de fatores mecânicos (tanto pré quanto pós-natais), desenvolvimento anormal (displasia propriamente dita) ou excesso de mobilidade (que se manifesta ao nascer por instabilidade do quadril).

Tá parecendo confuso né?, afinal de contas se as duas condições têm os mesmos fatores etiológicos e qual a diferença entre elas? Vou tentar definir isso melhor no texto abaixo que fala brevemente de fatores mecânicos implicados na etiologia da displasia:


Um posicionamento inadequado da cabeça do fêmur ainda intra útero gera uma biomecânica anormal na articulação do quadril. Neste caso, a cabeça femoral começa a ser deslocada de sua posição central, e exerce pressão sobre epífise acetabular lateral, causando um atraso tanto da ossificação quanto do crescimento do acetábulo (imaturidade acetabular). Este posicionamento inadequado pode estar associado à frouxidão ligamentar. Um outro fator que pode gerar uma imaturidade acetabular é a oligodramnia (oligodrâmnia promove o estreitamento do espaço abdominal, impedindo a versão cefálicado feto).
Fatores mecânicos associados à falta de espaço para o recém nascido no útero podem gerar uma ossificação retardada das epífises acetabulares,ou seja, displasia, o que leva ao deslocamento secundário como um resultado da falta contorno do teto acetabular. No entanto, a luxação em si pode não estar presente ao nascimento, mas tende a ocorrer secundariamente durante o curso dos primeiros meses de vida.
Esta imaturidade acetabular também pode estar associada a outras deformidades ou malformações, como pé torto congênito, assimetrias faciais, torcicolo congênito e também como componente em diversas síndromes.


RESUMO DA ÓPERA:

Luxação é um termo que descreve uma lesão onde as extremidades ósseas que formam uma articulação ficam deslocadas. Em outras palavras: luxação é o desencaixe de um osso da articulação.
A palavra congênita refere-se a uma característica adquirida pelo bebê no período de tempo no qual permaneceu em gestação
. É uma característica atribuída a eventos pré-natais, porém não necessariamente genéticos. Assim, podemos definir Luxação Congênita do Quadril como a perda do contato da epífise femoral proximal (cabeça do fêmur) com a cavidade acetabular ao nascer.

Esta perda de contato pode ocorrer devido a tocotraumatismos, fatores genétcos e a própria displasia do desenvolvimento do quadril.

A Displasia do Desenvolvimento do Quadril é o desenvolvimento inadequado da articulação coxo-femoral, que predispõe à luxação.

Um ponto importante que eu citei brevemente mas acho importante reforçar: O Quadril não nasce plenamente formado, seu amadurecimento e contorno ósseo depende da tomada de peso na posição ortostática. Fato que vai acontecer naturalmente em qualquer criança com Desenvolvimento Motor Normal. Porém em neuropatas, crianças com distrofia muscular, enfim: qulquer criança que por algum motivo não venha a assumir a ortostase, pode ocorrer a displasia do quadril devido à falta de estímulo mecânico sobre o osso em formação.

Para quem gostou, recomendo o download dos dois livros de ortopedia pediátrica que estão na coluna aqui da direita.

Hasta la Vista

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Criação da Associação Brasileira de Fisioterapia Neurofuncional

Olá Pessoal, estou divulgando a proposta de Criação da Associação Brasileira de Fisioterapia Neurofuncional. Esta iniciativa é importante para fortalecer nossa profissão e conta com profissionais do mais alto gabarito em sua câmara técnica. Quem quiser participar da lista de e-mail deste grupo basta se inscrever mandando um e-mail para
ctfisioneuro@crefito2.org.br.

Segue abaixo a proposta



"CÂMARA TÉCNICA DE FISIOTERAPIA NEUROFUNCIONAL”

Tendo em vista o grande desenvolvimento da Neurociência e suas implicações para a Fisioterapia Neurofuncional, faz-se necessária a consolidação de uma Representação Nacional desta atuação fisioterapêutica especializada e de alta complexidade.
Diante dos inquestionáveis benefícios da colaboração intelectual entre as disciplinas envolvidas, para que os avanços da Neurociência possam ter repercussões na prática fisioterapêutica e que, da mesma forma, as questões levantadas pelos fisioterapeutas na clínica possam ser estudadas pelos pesquisadores, é imprescindível o estabelecimento de uma ponte entre esses dois mundos.
A criação de uma Associação Brasileira de Fisioterapia Neurofuncional vem atender a essas aspirações. A definição da abrangência da especialidade, os critérios para a formação dos especialistas, a promoção de consensos acerca das condutas utilizadas em Fisioterapia Neurofuncional, a divulgação do saber científico e a promoção de espaços de interação entre profissionais, pesquisadores e docentes são algumas das funções pertinentes a uma Associação Científica.
A Fisioterapia Neurofuncional Brasileira se ressente da ausência de uma entidade representativa da especialidade em toda a sua abrangência e potencialidade. Daí a necessidade premente de nos organizarmos para fundar uma Associação de caráter Nacional. Diante desse cenário, nos sentiremos honrados com a sua participação nos debates acerca do tema, a fim de viabilizar a criação da Associação Brasileira de Fisioterapia Neurofuncional.
Para atingir essa meta e iniciar os trabalhos, solicitamos a autorização para incluir seu e-mail em nosso mailing list para que possamos disseminar, de forma ampla e objetiva, o planejamento estratégico e as propostas voltadas para a efetivação do projeto. Caso vc concorde em participar desta discussão, confirme através de e-mail para ctfisioneuro@crefito2.org.br.
Oportunamente, organizaremos um encontro presencial, em nível Nacional, para debatermos a viabilização dessa proposta.


Atenciosamente,
Câmara Técnica de Fisioterapia Neurofuncional do CREFITO 2:
Ana Paula Fontana
André Luís dos Santos Silva
Cristina Kurthy
Érika Rodrigues
Jaqueline Almeida Pereira
Marcos Rebel
Miriam Calheiros
Solange Canavarro

sexta-feira, 24 de julho de 2009

As sete personalidades mais influentes da fisioterapia ortopédica - Terceiro Lugar: Florence Peterson Kendall

A Sra. Kendall tornou-se fisioterapeuta no início da década de 1930, quando a fisioterapia ainda estava em sua infância. Com seu marido, Henry O. Kendall, ela atuou em Baltimore durante muitos anos, e veio a escrever um livro que ainda hoje é referência no campo dos testes musculares manuais e ajudou a conquistar o reconhecimento oficial da fisioterapia como uma profissão licenciada em Maryland nos EUA.
A Sra Kendall esteve diretamente envolvida com a fisioterapia nos últimos 70 anos de sua vida. Ela ensinou fisioterapia no departamento de fisioterapia da Universidade de Maryland. Também foi professora de Biomecânica da Escola de Enfermagem do Johns Hopkins Hospital além de consultora do Exército norte-americano em relação aos exercícios para os soldados.
Kendall e seu marido Henry (também fisioterapeuta) trataram pacientes com poliomielite no Children's Hospital por muitos anos, bem como em sua clínica particular.
Dado a extensa experiência dos Kendalls no tratamento da poliomielite (estamos falando da epidemia de pólio nos Estados Unidos, com números de casos na ordem de 9000 somente na primeira década do século!) neste contexto era inevitável a publicação de um livro. As técnicas e resumos de suas pesquisas foram incorporados na primeira edição do livro Livro Músculos: Provas e Funções, publicado em 1949.

"Nós não escrevemos o livro para sermos famosos. Pretendemos compartilhar com outros aquilo que havíamos aprendido em todo o nosso trabalho com polio, postura e condições dolorosas especialmente a lombalgia "
Florence Kendall

Ela é a autora de numerosos livros e artigos sobre fisioterapia, além de três filmes e um vídeo em cinco partes sobre testes musculares que foi traduzido para o italiano e japonês. Ela é provavelmente conhecida em todo o mundo pelo seu livro, "Músculos: Testes e Função", publicado originalmente em 1949, e que está agora em sua quinta edição. O livro foi traduzido em nove línguas e é reconhecido como o "padrão ouro" para avaliação Musculoesquelética.
A Sra. Florence Kendall faleceu em 2006 aos 95 anos de idade. Sendo um exemplo de vida e dedicação à profissão. Seu livro é leitura obrigatória para os estudantes de fisioterapia.
Para quem quiser saber mais um pouco sobre a vida e obra da Sra Kendall, eu recomendo a leitura do prefácio de seu livro de testes musculares e também o
arquivo em pdf da APTA sobre sua vida.

As sete personalidades mais influentes da fisioterapia ortopédica - Segundo Lugar: James Henry Cyriax.

James Henry Cyriax, M.D.
É provável que Henry James Cyriax, MD (1904-1985) tenha tido mais influência sobre os outros nomes na lista do que qualquer outro indivíduo. Sua influência sobre o campo de ortopedia, fisioterapia, chiropratica, massagem é profunda.
James Cyriax era um ortopedista britânico considerado o pai da medicina ortopédica. Formou-se em medicina no St Thomas's, em 1929, tornando-se um especialista (membro do Royal College of Physicians, MRCP) em 1954. Ele era completamente apaixonado por sua profissão, ao ponto de certa vez quando questionado se era religioso, ele respondeu: "eu acredito em Medicina Ortopédica." Cyriax acreditava que os fisioterapeutas eram os profissionais mais aptos para aprender técnicas manipulativas devido ao seu treinamento e sua estreita ligação com a medicina.
O Hospital St. Thomas's é um dos principais hospitais de Londres. James Cyriax percebeu que o trabalho no departamento de fisioterapia deste hospital consistia apenas em "calor-massagem-exercícios", obviamente sem obter resultados muito satisfatórios. Ele queria mudar, queria transformar o fisioterapeuta "indiferente" em fisioterapeuta "eficiente". Cyriax foi “o médico” que atualizou tanto a fisioterapia quanto a sua profissão. Ele estimulava a intensa e freqüente colaboração entre médicos e fisioterapeutas, cada um com suas próprias responsabilidades. Curiosamente esta mentalidade de interdisciplinaridade foi defendida há mais de 45 anos, e ainda hoje permanece atual (embora pouco praticada).

O seu maior legado a ambas as profissões é encontrado em seu livro clássico Orthopaedic Textbook of Medicine, Volume I, publicado originalmente em 1954. Neste livro ele estabeleceu as bases de um método lógico, clinicamente fundamentado de diagnóstico diferencial, o que ele chamava de "testes seletivos da tensão tecidual" utilizado para identificar o tecido específico (músculos, tendões, ligamentos, etc) responsável por uma dor ou disfunção de movimentos específicos. Esta filosofia clínica irrevogavelmente mudou a maneira como a terapia manual ortopédica era pensada, ensinada e praticada.
Cyriax estudou e escreveu sobre o conceito de dor referida. Ele também foi um dos primeiros a reconhecer o disco intervertebral como uma possível fonte de dor nos membros e coluna vertebral. Ao longo de sua vida escreveu extensivamente sobre os seus métodos de tratamento que consistiam em manipulações, massagens, tração e injeção. A técnica de massagem transversa profunda ainda hoje é largamente utilizada.
Os livros do Dr. Cyriax ainda são para muitos, a "Bíblia" da medicina ortopédica. Desde a sua morte, houveram grandes mudanças no ensino da fisioterapia ortopédica. Contudo, sua valorosa contribuição para a fisioterapia ainda hoje pode ser percebida, pois muitas de suas idéias permeiam conceitos conhecidos de terapia manual como por exemplo o método Kaltenborn, o conceito Maitland, Mob. Neural, e na técnica de tenofibrólise entre outros.
Fontes:
A History of Manipulative Therapy
Site: Physiobd.info

A que ponto chegou a preocupação com a Gripe Suína.

Recebi esta imagem hoje de manhã e não resisti. Tive de publicá-la no blog.

Sorria hoje é sexta-feira!!!!!!


Prometo que vou postar algo interessante no final de semana pra compensar essa bobagem aqui.

Fui

terça-feira, 21 de julho de 2009

As sete personalidades mais influentes da fisioterapia ortopédica

Em minhas andanças pela web encontrei a página de um fisioterapeuta Norte-Americano chamado Robert J. Schrupp. Este cara fez uma pesquisa entre os fisioterapeutas associados à Associação Norte Americana de Fisioterapia (APTA) questionando quais eram as personalidades mais influentes em fisioterapia ortopédica. O trabalho é bem singelo mas bastante interessante. Decidi traduzi-lo porque o autor faz uma breve descrição do perfil dos sete escolhidos. Curiosamente, era algo que eu estava tentando fazer no meu blog... deixar o perfil de algumas das grandes personalidades como Maitland, Mulligan, Madame Meziere, Bobath, Kabat, etc.
Bem, acho que ele me poupou algum trabalho.
Deixo a seguir a tradução do resumo do seu trabalho e o perfil da personalidade mais influente: Robin McKenzie

As Sete personalidades mais influentes em Fisioterapia Ortopédica Hoje.

" Se eu vi mais longe, foi por estar de pé sobre ombros de gigantes."
Isaac Newton 1676

Provavelmente o maior gênio de todos os tempos, Isaac Newton atribuiu seu sucesso a oportunidade de construir seu conhecimento a partir do trabalho de outros. Ele prontamente prestou homenagem aos "Gigantes" que vieram antes dele. As sete pessoas apresentadas neste artigo são os "gigantes" no campo da fisioterapia ortopédica. Por meio de seus trabalhos, eles influenciaram enormemente o pensamento e a prática atual dos fisioterapeutas. Eles estabeleceram uma extraordinária fundação de conhecimentos sobre a qual também podemos construir nossa obra.

Metodologia
Um questionário foi enviado para uma amostra aleatória de 320 fisioterapeutas da seção de ortopedia da APTA (American Physical Therapy Association). O questionário continha o nome de onze fisioterapeutas e um médico da área da fisioterapia ortopédica. A metodologia de pesquisa empregada para a escolha dos primeiros doze nomes foi baseada na premissa de que o talento reconhece o talento. Assim, fisioterapeutas de renome foram entrevistados e questionados quanto a quem entre os seus pares deveria ser incluído em uma lista dos “10 mais” influentes fisioterapeutas e médicos em fisioterapia ortopédica.
A lista completa de nomes recomendados é fornecida no final do artigo. A listagem inicial foi reduzida para doze indivíduos com base na freqüência de apresentação do nome, a originalidade das idéias, e a capacidade do indivíduo de difundir seus ensinamentos para uma audiência nacional ou mundial.
No último questionário enviado para os 320 membros da seção de ortopedia da APTA, os participantes foram convidados a indicar o quanto estas doze pessoas influenciaram seus pensamento ou práticas em fisioterpaia ortopédica.
A escala de influência foi a seguinte:

0- Sem influência
1- Baixa Influência
2- Influência moderada
3- Grande Influência
4- Muito Grande Influência
Cento e quarenta e oito participantes retornaram os questionários, em uma taxa de resposta de 46 por cento.
Os escores foram registrados e ponderados, e os indivíduos com os sete escores mais altos foram. A classificação final foi a seguinte:
1. Robin McKenzie 2,55
2. Dr. James Cyriax 2,44
3. Florence Kendall 2,33
4. Geoffrey Maitland 2,24
5. Stanley Paris 2,00
6. Shirley Sahrmann 1,81
7. Brian Mulligan 1,80
Freddy Kaltenborn recebeu uma menção honrosa com 1.78.
O trabalho destes sete gigantes é muito digno de estudo. Se alguém deseja aprofundar seus conhecimentos em fisioterapia ortopédica, seria um bom começo iniciar seus estudos pela obra destes homens e mulheres. Isto é particularmente verdade no caso dos novos alunos. Os alunos começam sua educação com um arquivo mental limpo e desde o início deveriam ser apresentados à algumas das melhores fontes disponíveis. O que se segue é um breve perfil dos sete gigantes mais influentes.

Robin McKenzie (http://www.mckenziemdt.org/)

Ninguém deveria ficar surpreso de encontrar o nome de Robin McKenzie no topo desta lista. McKenzie identificou que diversos exercícios poderiam alterar a localização e a gravidade da dor. Ele fez a descoberta acidental de que quando a dor recua a partir das extremidades com posicionamento ou com o exercício, um resultado positivo do tratamento era iminente. McKenzie foi o primeiro a reconhecer o fenômeno de centralização da dor. Assim como Sir Isaac Newton formulou a Lei da Gravitação Universal a partir da simples observação de uma maçã caindo de uma árvore, McKenzie foi capaz de desenvolver todo um conjunto conceitual para o tratamento da dor nas costas e no pescoço a partir desta observação.
O Método de McKenzie de Diagnóstico Mecânico e Terapia é agora usado no mundo inteiro por dezenas de milhares de fisioterapeutas, quiropráticos, e médicos.
O Método McKenzie é ensinada como um Programa Sequencial de Educação compreendendo cinco cursos (de A a E) em mais de trinta e dois países. O programa educacional é padronizado, com o conteúdo de cada nível consistente em todo o mundo. A extensa rede de ensino mundial é gerenciada pelo McKenzie Institute International (Instituto McKenzie Internacional).
Sediada em Waikanae, Nova Zelândia, esta organização internacional sem fins lucrativos também financia pesquisas em nível mundial. Robin McKenzie, publicou vários livros para os profissionais e leigos. Seus títulos foram traduzidos para muitas línguas, com milhões de cópias vendidas no mundo todo. Curiosamente, o objetivo do Método McKenzie é tornar o paciente independente de terapeutas. Por conseguinte, seus livros para os leigos têm uma temática de auto-tratamento. Seu último livro, uma co-autoria com Stephen May é direcionado para os profissionais e é a segunda edição do título: Coluna lombar - Diagnóstico e Terapia Mecânica. No prefácio desta edição, o Professor Nikolai Bogduk, professor de medicina da Dor da Universidade de Newcastle, Austrália, sintetiza com precisão o local que o método McKenzie ocupa no novo milênio.
Os fisioterapeutas mais influentes incluídos neste estudo foram:
Michelle Battie, David Butler, Robert Donatelli, Brian Edwards, Robert Elvy, Olaf Evjenth, Gary Gray, Ola Grimsby, Greg Johnson, Gwendolen Jull, Mark Laslett, Jenny McConnell, Wayne Rath, Mariano Rocabado Duane Saunders, Lance Twoomey, William Vicenzio, Paula Van Wejimen, Kevin Wilk, Dos Winkle, Michael Wooden.
Médicos influentes considerados para este estudo:
Alan Stoddard, M.D., D.O., Robert Maigne, M.D., James Mennel, M.D., Karel Lewitt, M.D., Lawrence Jones, D.O.

Vídeos de Osteopatia

Olá,
Deixo aqui um presentinho para aqueles que gostam de fazer manobras do tipo thrust. Uma série de vídeos ensinando a fazer estas manobras.
Os vídeos podem ser baixados na mnha pasta do 4shared, no link abaixo

Ah! estou fazendo o upload aos poucos, já disponibilizei os de cervical e dorsal, mas ainda falta os de lombar.

Mas deixo também um aviso aos navegantes ! ! !

Não saiam por aí manipulando a torto e a direito se não tiverem idéia do que estão fazendo!

Não basta ter juízo, tem de usá-lo também!

Grande abraço

segunda-feira, 20 de julho de 2009

O Conceito Maitland de Terapia Manual

O Conceito Maitland de Terapia Manual foi desenvolvido na década de 60 pelo fisioterapeuta australiano Geoffrey D. Maitland (esse aqui ao lado), e na postagem de hoje vou fazer uma breve introdução e discutir algumas características interessantes deste conceito Mas antes de começar, quero chamar a atenção para um detalhe importante: Esta abordagem de fisioterapia é sempre referida como um "conceito", e não como uma “técnica”. Sabem porque? Porque a ênfase do tratamento é colocada não sobre a técnica de mobilização articular em si, mas principalmente sobre uma filosofia que engloba a avaliação e o tratamento e que defende o raciocínio clínico baseado principalmente nos achados clínicos (saber quando, como e quais técnicas usar e adaptar a situações para cada paciente). De fato, as técnicas de mobilização articular empregadas no conceito Maitland são em sua maioria bastante simples, não há manuseios complexos ou ultra sofisticados que exijam meses de prática para a sua realização. Desta forma fica claro que o grande lance do conceito Maitland não reside nas técnicas, mas sim no processo de avaliação clínica meticulosa permite, inclusive, que quaisquer outras modalidades de mobilização ou manipulação possam ser agregadas, aplicadas e reavaliadas sem comprometer em absolutamente nada o processo de raciocínio clínico.


O advento do Conceito Maitland pode ser considerado um dos marcos mais importantes do desenvolvimento da Terapia Manual. Neste modelo de abordagem, a avaliação clínica baseia-se em uma anamnese minuciosa, em um exame físico detalhado e passível de registro (movimentos ativos, passivos e acessórios graduados em uma escala de 1 a 4), na avaliação dos sinais e sintomas, e reavaliação investigando os efeitos das técnicas sobre estes sinais e sintomas. Ao utilizar a filosofia do Conceito Maitland, os fisioterapeutas são encorajados a formular e testar várias hipóteses a fim de encontrar o melhor método de tratamento para o paciente.

O exame físico envolve a aplicação de movimentos vertebrais oscilatórios passivos e acessórios nas articulações para tratar a dor e a rigidez de natureza mecânica. As técnicas visam restaurar movimentos articulares e são classificados de acordo com a sua amplitude. Aqui temos um referencial histórico importante para a terapia manual, pois Geoff Maitland desenvolveu uma metodologia capaz de classificar as mobilizações articulares. Isto permitiu uma maior confiabilidade e registro adequado da técnica de mobilização empregada nos pacientes. Assim, as mobilizações podem ser classificadas em 4 graus:

Grau I: É um movimento de pequena amplitude, realizado abaixo da faixa de resistência e é adequado para o tratamento de condições altamente irritáveis. Grau II: É uma mobilização de maior amplitude porém ainda abaixo da resistência do tecido (R1). Uso de mobilizações Grau I e II são adequadas quando a mobilização gera dor antes da restrição do movimento articular. Grau III e IV são utilizados quando a resistência ao movimento é detectada antes da dor. Uma mobilização III é um movimento de grande amplitude executado dentro de resistência (R2) e geralmente utilizado para melhorar a amplitude de movimento. Grau IV é um movimento de pequena amplitude executado dentro resistência (R2), utilizadas para dores crônicas de baixa irritabilidade.

Esta é uma descrição extremamente sucinta das graduações, uma vez que este assunto é bem complexo e discutido ao longo de vários capítulos dos livros do conceito Maitland. Em um próximo post eu vou falar um pouco mais profundamente sobre os graus e sobre esta noção de resistência dos tecidos (R1 e R2).

Para finalizar é preciso compreender que o conceito Maitland é dinâmico, e continua a evoluir e modificar-se por meio da integração dos conhecimentos científicos atuais. É importante ressaltar que apesar das técnicas de tratamento serem basicamente técnicas de mobilização articular, o conceito Maitland não se concentra exclusivamente nos componentes do movimento articular, mas também engloba a avaliação e tratamento do sistema neural e as disfunções do sistema muscular. Assim, uma visão global do paciente permite que um tratamento específico possa ser programado.e sua efetividade avaliada.

domingo, 19 de julho de 2009

O teste Slump e as manobras de diferenciação estrutural

Os testes neurodinâmicos (ou de tensão neural) se popularizaram bastante e creio que já podemos considerá-los como parte da avaliação de pacientes com queixas musculoesqueléticas. No entanto, como qualquer outro teste ortopédico, a resposta dos testes neurodinâmicos deve ser interpretada dentro do contexto clínico do paciente.
Assim, no post de hoje vou falar um pouco do teste neurodinâmico chamado Slump test (também descrito como teste da inclinação anterior ou teste da postura encurvada) e sobre o raciocínio clínico envolvido nas manobras de diferenciação estrutural deste teste.
Calma, se você nunca ouviu falar em diferenciação estrutural não entre em pânico, eu explico: diferenciação estrutural nada mais é do que o uso de manobras aplicadas durante o teste neurodinâmico, como forma de realçar o papel de tecido neural em contraste aos tecidos musculosqueléticos (Butler, 2000). Em outras palavras: A diferenciação estrutural nos permite verificar se a queixa do paciente está relacionada predominatemente a estruturas neurais ou a estruturas não neurais. É importante termos em mente que nem todos os sintomas provocados pelos testes de tensão neural podem ser considerados patológicos, pois o estiramento do tecido neural pode causar dor e restrição do movimento mesmo na ausência de disfunção do nervi nervorum. Assim, é essencial que o fisioterapeuta saiba realizar as manobras de diferenciação estrutural e interpretar corretamente seus resultados.

O Teste Slump
O teste Slump foi descrito por Maitland, em 1985, como um teste para avaliar a mobilidade das estruturas sensíveis à dor no canal vertebral, e desde então tem sido utilizado como um instrumento de avaliação a identificação de alterações neurodinâmicas dos membros inferiores, e também como forma de tratamento. Segundo Butler 2000, procedimento para a realização do teste slump é composto de 8 etapas e envolve movimentos passivos e ativos por parte do paciente. Para não me alongar muito, vou fazer uma breve descrição das etapas do teste. Importante: Podem haver discretas variações na realização do teste, eu particularmente utilizo uma sequência um pouco mais rápida do que a que vou descrever aqui.



1- Com o paciente sentado na maca, questione-o sobre os sintomas. Neste momento você está identificando o nível de dor/sintomas em uma situação onde não há stress aplicado a estruturas neurais. Peça ao paciente para extender o joelho assintomático e depois o sintomático, avalie visualmente a ADM de extensão e questione sobre sintomas.

2- Posicione-o com a região poplítea bem na beirada da maca, joelhos unidos e mãos também unidas atrás das costas. Peça ao paciente que encurve-se, como na foto ao lado (flexão lombar e torácica). O examinador mantém a cervical em uma posição neutra (oriente o paciente a não fletir ao pescoço). Avalie novamente os sintomas do paciente.

3- Mantendo-se nesta posição encurvada, pede-se ao paciente para fletir o pescoço até encostar o queixo no peito. Uma pressão suave pode ser aplicada nesta posição de forma a forçar um pouco mais a flexaõ de torácica e lombar. Questione novamente o paciente sobre os sintomas.

4- Peça ao paciente para extender ativamente o joelho. Avalie a perna assintomática primeiro. Investigue diferenças na ADM de extenção de joelho entre os lados e questione sobre a presença de dor e/ou aumento dos sintomas.

5- Solicite novamente a extensão de joelho e peça ao paciente para que, mantendo o joelho esticado, realize uma dorsiflexão de tornozelo. (Avalie o lado assintomático primeiro e compare ADM de joelho e tornozelo e mudança nos sintomas)

6- Mantendo a posição de extensão de joelho e dorsiflexão, "libere a cervical", pedindo ao paciente que olhe para cima. Questione sobre mudanças nos sintomas e avalie se houve mudança na ADM de extensão do joelho.

Entendendo o teste
Os fundamentos biomecânicos, ou melhor dizendo: neurodinâmicos do teste Slump envolvem o preceito de que o sistema nervoso central e periférico devem ser considerados como uma unidade, já que formam um tecido contínuo. Desta forma, a flexão cervical tende a tensionar a medula, as meninges e consequentemente os nervos periféricos. A adição de flexão cervical e da dorsiflexão de tornozelo durante o teste são exemplos de manobras de diferenciação estrutural.

A flexão cervical aumenta a tensão mecânica sobre o Sistema Nervoso, ao passo que a extensão cervical reduz esta tensão.

A dorsiflexão aumenta e a plantiflexão reduz a tensão sobre o Sistema Nervoso.

A adição destas manobras implica aumento da sensibilidade do tecido neural, resultando em uma diminuição da amplitude de movimento e/ou aumento dos sintomas. Assim, podemos dizer que o teste Slump é considerado positivo se houver aumento dos sintomas ou redução importante da ADM de extensão de joelho nas etapas 4 e/ou 5 e reduzido, com a extensão cervical na etapa 6.


Questionamentos
Fisioterpauetas que trabalham com conceitos franceses (RPG, GDS, Osteopatia) podem argumentar que não é possível ter certeza de que estas manobras tensionam APENAS o Sistema Nervoso, pois as fáscias estabelecem um continuum ao longo do corpo, podendo também ser a fonte dos sintomas. De fato, foi demonstrado que a fáscia tóraco-lombar estabelece uma ligação direta do tronco com o membro inferior (Vleeming et al., 1995) e para os tendões dos músculos splenio capital e esplênio cervical no pescoço (Barker e Briggs, 1999). Isso levou à tese de que resultados positivos podem ser igualmente relacionados ao aumento da tensão no sistema fascial (Barker e Briggs, 1999).
Em defesa dos testes neurodinâmicos, utilizo dois argumentos:



[1] Foi realizado um estudo que investigou a capacidade das manobras estruturais ajudarem na distinção do envolvimento do tecido neural (Coppieters et al. The impact of neurodynamic testing on the perception of experimentally induced muscle pain. Manual Therapy 2005;10:52–60.). Coppieters et al, em 2005 conduziram um experimento utilizando dor muscular induzida nos músculos da perna. O experimento demonstrou que a adição das manobras estruturais no teste Slump e no teste de Elevação da Perna Retificada (outro teste de tensão neural) não tiveram qualquer efeito significativo sobre a percepção da dor. Ou seja: O teste neural não aumentou a dor induzida em estruturas sabidamente musculoesqueléticas, sugerindo que estas manobras seriam realmente específicas no tensionamento do Sistema Nervoso.

[2] Como eu disse no início desta postagem kilométrica, o teste deve ser avaliado dentro do quadro clínico do paciente. Uma boa avaliação das estruturas neurais envolve uma série de outros testes (veja os posts anteriores sobre mobilização neural). Desta forma, uma série de achados sugestivos de disfunção do nervi nervorum corroboram para fortalecer a hipótese de disfunção neurodinâmica como fonte de dor do paciente. Puxa, este post ficou muito maior do que o planejado.
Espero ter explicado mais do que complicado.

Sugestões de leitura:

Mobilização Neural - Aspectos Gerais

Sugiro também uma leitura no blog do David Butler. Tem só duas postagens, mas tem um e-mail de contato para receber notícias do seu grupo de pesquisas em mobilização neural.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

A manipulação torácica para o tratamento da cervicalgia

Hoje vou falar um pouco sobre manipulação da coluna dorsal, mas antes devo avisar aos navegantes que eu não tenho absolutamente nada contra a Osteopatia. Faço questão de deixar isso bem claro pois não quero que minha opinião sobre o assunto seja mal interpretada. Neste post vou defender a manipulação torácica ao invés da manipulação cervical como forma de tratamento da cervicalgia pelos fisioterapeutas. Eu não sou osteopata e justamente por isso não realizo o thrust em região cervical. Sei que muitos não-osteopatas (e mesmo leigos) costumam manipular a cervical de pacientes. Muita gente acha legal ficar "estalando" o pescoço dos outros e acha que está fazendo osteopatia. Não poderiam estar mais enganados!. O Thrust é apenas uma das técnicas utilizadas pelos osteopatas, e segundo um colega meu, é uma técnica que nem sempre é utilizada nos atendimentos de osteopatia. Fica aqui o aviso: Manipular a cervical sem o devido domínio da técnica pode ter complicações graves ! ! !

Pois bem, agora que estamos conversados podemos ir direto ao assunto:

A cervicalgia é uma ocorrência comum na prática clínica dos fisioterapeutas e apesar da manipulação cervical ser considerada uma intervenção apropriado para o atendimento, devo reforçar a minha opinião de que os fisioterapeutas devem pesar bem se os benefícios compensam os riscos potenciais desta técnica.

Porém, para aqueles que não abrem mão do thrust, alguns estudos sugerem que a técnica de thrust aplicada na coluna torácica pode ser uma alternativa útil no manejo de pacientes com dor cervical. Biomecanicamente falando, distúrbios da mobilidade torácica podem ser um fator contribuinte para o desenvolvimento de distúrbios cervicais devido a uma associação existente entre a diminuição da mobilidade da coluna torácica e a presença de disfunção cervical. Vários estudos sugerem que técnicas de thrust direcionadas à coluna torácica podem diminuir a dor e melhorar a função destes pacientes.
É importante ressaltar que o thrust na coluna torácica tem um risco muito menor de complicações graves. Assim, a manipulação torácica pode ser uma alternativa adequada ao thrust cervical.

Em um estudo publicado em 2007 na Physical Therapy, e disponível para download, foram identificadas 6 variáveis capazes de identificar pacientes com cervicalgia que teoricamente se beneficiariam da técnica de thrust em coluna torácica. Embora não tenha sido conduzido um estudo clínico para comprovar a validade destes achados vale a pena a gente ficar sabendo quais são estas características:

[1] Sintomas presentes a menos de 30 dias
[2] Ausência de sintomas distais ao ombro
[3] Olhar para cima (extensão cervical e capital) não agrava os sintomas
[4] Pontuação na subscala de atividade física do questionário FABQ (Fear-Avoidance Beliefs Questionnaire) menor que 12.
[5] Cifose da torácica alta reduzida ( redução da convexidade da coluna torácica alta, sendo neste estudo considerada torácica alta os segmentos entre T3–T5)
[6] ADM de extensão cervical menor que 30 graus

Em outro trabalho, também publicado em 2007 na Physical Therapy, foram investigados os efeitos a curto prazo da técnica de thrust em coluna torácica Vs Mobilização tipo PA central graus III ou IV (conceito Maitland), sendo que os pacientes que receberam o Thrust obtiveram uma redução mais acentuada na dor cervical. Este trabalho tem uma série de limitações, mas gera algumas evidências interessantes, principalmente em relação aos efeitos adversos os quais foram bastante modestos.

Um último trabalho que eu quero citar foi publicado em 1999 e que também está disponível para download fala sobre os riscos e benefícios da manipulação cervical. É sem dúvida o texto mais complexo dos três, com uma bagagem teórica bastante pesada. Mas considero leitura obrigatória para aqueles que pretendem se aprofundar nas técnicas de manipulação.

Para aqueles que leram esta postagem até o final eu deixo um pequeno presente: Links para o download de três vídeos de manipulação da coluna dorsal com explicação em inglês.
Da minha parte, já tive a oportunidade de observar melhora na dor cervical de pacientes logo após manipulação torácica. No entanto, eu só opto por realizar o thrust em pacientes com rigidez importante da torácica e que relatam muita dor durante a mobilização tipo PA central.
Para finalizar quero salientar mais uma vez que este é o ponto de vista de um fisioterapeuta não osteopata que se borra de medo de manipular a cervical de alguém e que fica de cabelo em pé quando ouve alguém dizer que aprendeu a "estalar o pescoço" ou que faz "cleck-cleck" no pescoço dos pacientes.
Pois bem, o post de hoje foi este, espero que tenham gostado.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

A Propriocepção

A propriocepção é o termo que descreve a percepção do próprio corpo, e inclui a consciência da postura, do movimento, das partes do corpo e das mudanças no equilíbrio, além de englobar as sensações de movimento e de posição articular. [1,2] Embora seja estudada há muito tempo, a propriocepção ainda é pouco conhecida. Este texto tem como objetivo fazer um breve apanhado da neurofisiologia deste tema tão complexo.
Inicialmente é impossível falar em propriocepção sem falar em receptores sensoriais. Afinal de contas são eles que "informam" o nosso SNC (aqui me refiro a SNC e não apenas ao cérebro pois existe a propriocepção consciente e inconsciente) sobre a posição articular e o nível de tensão muscular, por exemplo.
[1] Lent, R. Cem bilhões de neurônios: conceitos e fundamentos da Neurociência. Atheneu, 2001. [2] Kandel, E. R.; Schwartz, J.H.; Jessell, T.M.Princípios da Neurociência. Manole, 2003.

Receptores Sensoriais
Os
receptores sensoriais fazem parte do sistema sensorial somático, responsável pelas diferentes experiências sensoriais captadas e interpretadas pelo nosso corpo. A função mais elementar dos receptores sensoriais é prover o SNC com informações sobre o estado interno de estruturas orgânicas e do ambiente externo. São eles que definem o que chamamos de sentidos (visão, audição,sensibilidade corporal, olfação, gustação). Porém um único receptor não é capaz de identificar sozinho os diferentes estímulos que nos bombardeiam a cada instante. Desta forma contamos com diferentes tipos receptores sensoriais, cada um com características próprias que permitem que ele "sinta" diferentes estímulos. Podemos classificar os receptores sensoriais de acordo com a sua função (mecanoceptores, termoceptores, fotoceptores, quimioceptores e nociceptores). Além da classificação funcional, podemos também classificá-los de acordo com a sua localização anatômica: exteroceptor, interoceptor e proprioceptor (esta última classe é a que nos interessa no momento).

Proprioceptores
Os
proprioceptores são receptores que se lo­calizam mais profundamente nos músculos, aponeuroses, tendões, ligamentos, articulações e no labirinto cuja função reflexa é locomotora ou postural. Podem gerar impulsos nervosos, conscientes ou inconscientes. Os primeiros atingem o córtex cerebral e permitem que, mesmo de olhos fechados, se tenha a percepção do próprio corpo, seus segmentos, da atividade muscular e do movi­mento das articulações. Sendo portanto responsáveis pelo sentido de posição e de movimento (cinestesia). Os impulsos nervosos proprioceptivos inconscientes não despertam nenhuma sensação; são utilizados pelo sistema nervoso central para regular a atividade muscular, através do reflexo miotático ou dos vários centros envolvidos com a atividade motora, como o cerebelo. Em resumo: Os proprioceptores são essenciais para informar ao nosso cérebro a noção de posição dos membros, e por sua vez, esta informação de posicionamento corporal é essencial para o controle dos movimentos.





Estes receptores desempenham, em simultâneo, a função de detectar todas as variações mecânicas e de enviar a informação recolhida ao sistema nervoso central. Para além dos proprioceptores, o aparelho vestibular e o sistema visual também fornecem importantes informações somato-sensoriais. Pode-se dizer, portanto, que a propriocepção é responsável pelo envio constante de informação sobre eventuais deslocamentos de segmentos no espaço auxiliando-nos nas diversas tarefas motoras. Apropriadamente, os proprioceptores estão localizados nos músculos (fusos musculares), tendões (órgãos tendinosos de Golgi) e nas cápsulas articulares (corpúsculos de Ruffini e Pacini).

Muito bem. Até aqui aprendemos que a propriocepção depende dos receptores sensoriais, e que estes receptores são estruturas especializados, cuja função é de transformar a energia mecânica da deformação física (alongamento, compressão e pressão) em potenciais de ação nervosos que são transmitidos ao SNC, mais exatamente na medula espinhal. Ao chegar na medula, estes potenciais de ação seguem pelo fascículo grácil (local que recebe informações originadas de receptores do membro inferior) e/ou fascículo cuneiforme (recebe informações originadas de receptores do membro superior). Destas estruturas os estímulos seguem passando pelo diencéfalo e córtex cerebral, terminando assim na área somestésica (responsável pelo armazenamento de informações proprioceptivas). Ao atingirem esta área o movimento passa a ser reconhecido pelo cérebro. Este processo possui uma duração em torno de 80 a 100 m/s e é muito mais rápido que os estímulos dolorosos (estes seguem a uma velocidade de 1 m/s).

O cérebro tem uma representação do próprio corpo. A maioria das aferências somestésicas da metade do nosso corpo chega ao tálamo e projeta-se no córtex somestésico primário (S1) do giro pós-central contralateral. No córtex somestésico primário há um mapa corporal completo chamado homúnculo sensorial. Essa representação não é proporcional: a face e os dedos das mãos possuem a principal representação em relação a outras partes do corpo refletindo a densidade de receptores distribuídos pelo corpo. Assim determinadas regiões do corpo apresentam maior resolução espacial, ou seja, maior sensibilidade e maior precisão para identificar o estimulo. A sensibilidade tátil é a que tem melhor precisão. Não é à toa que a leitura Braille se executa com a superfície dos dedos indicadores e médios e não com a palma da mão.

A existência de um mapa foi corroborada pela 1ª vez pelo neurologista canadense Wilder Penfield que estimulou eletricamente determinadas regiões do córtex somestésico e obtinha relatos de formigamento na região correspondente do corpo. Atualmente as atividades corticais podem ser acompanhadas através da ressonância magnética funcional e técnicas de potencial evocado.O córtex somestésico possui 4 subáreas distintas que processam aspectos específicos da modalidade somestésica como é mostrado a seguir:
Subárea 3a: propriocepção
Subárea 3b: tato
Subárea s 1 e 2:



Este aí de cima é o homúnculo de penfield
Para ter maiores detalhes sobre as áreas corticais envolvidas na propriocepção, sugiro a leitura da
Apostila de fisiologia da Unesp-Botucatu
O que eu quero enfatizar com esta breve descrição é que o mapa somático cortical não é fixo: apresenta plasticidade de uso e desuso. Ex: Paciente com as mãos amputadas, relata sensação fantasma evocadas por estímulos faciais.

Conforme o uso que é dado a determinadas partes do corpo, a representação se torna proporcionalmente maior ou menor; os mapas são diferentes entre as pessoas. Mas o que isso significa e qual a implicação desta informação para um fisioterapeuta? Ora, significa que a propriocepção pode ser treinada. Creio que na verdade, o mais correto seria dizer que podemos treinar nosso SNC de modo a otimizar as reações motoras em resposta a alterações bruscas do posicionamento corporal. Em outras palavras: Tonar o cérebro mais atento às informações proprioceptivas e ensiná-lo a responder rapidamente a elas.

Após uma lesão articular e/ou ligamentar, os receptores proprioceptivos também são danificados, o que significa que a informação que é normalmente enviado para o cérebro fica prejudicada. Nestes casos, haverá um déficit na capacidade proprioceptiva do indivíduo. Isto pode deixar a pessoa propensa a se lesionar novamente, ou diminuir a sua coordenação durante o esporte. O treino proprioceptivo envolve geralmente superfícies instáveis. Esta instabilidade fornece ao organismo constantes oportunidades para avaliar a sua orientação no espaço, desenvolvendo e treinando a consciência corporal. Uma melhora na reposta proprioceptiva proporciona ao corpo com maior equilíbrio e estabilidade.


Espero que tenham gostado