Introdução (ou algo que o valha)

Já vou logo avisando.
Não atualizo esse blog com a frequência que vocês merecem, mas quando resolvo escrever uma postagem eu pesquiso o tema com uma dedicação canina e redijo o texto com carinho maternal. Quanto a isso, dizem por aí que só existem 3 certezas na vida: A Morte, o Imposto de Renda e as informações encontradas neste blog (essa última certeza é fruto de um dos meus delírios de grandeza, hehehe).
Espero que encontrem a informação que procuram, que tirem as dúvidas, e que algum dia eu ganhe sozinho na mega sena.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Movimentos do Polegar

Nem tudo se aprende na escola . . .
Ao longo de nossa vida profissional, aprendemos diversas técnicas de tratamento e manobras semiológicas, sendo que muitas delas não são descritas em livros e nem em artigos científicos. Porém não se tratam de conhecimentos ocultos ou apócrifos, mas sim de alguns macetes nascidos da experiência prática de colegas e professores, e que podem ser bastante úteis em nosso dia a dia. Hoje vou compartilhar um destes macetes que aprendi na época em que fui estagiário de um grande Hospital Universitário do Rio de Janeiro.

. . . Certo dia ao acompanhar a visita dos médicos residentes a enfermaria de ortopedia, tive a oportunidade de ver a avaliação de um paciente internado devido a um acidente com vidro estilhaçado. Se não me falha a memória, parece que o sujeito, por alguma razão, decidiu desferir um soco contra uma janela de vidro, o que lhe causou lesões de vasos e nervos. O mais bizarro disso tudo é que este tipo de “acidente” é mais comum do que eu costumava imaginar na época. Já tive a chance de atender outros dois “acidentes” bem parecidos, o que me faz lembrar as palavras de minha falecida avozinha que repetia a mesma frase sempre que assistia a algo de insólito na TV: “- Deus botou limite na inteligência das pessoas, mas não na burrice.”
Mas chega de lembranças de família, voltemos ao assunto.
Lembro-me que o paciente estava internado recuperando-se da microcirurgia de reparação e estava com o braço completamente engessado, sendo que a imobilização se estendia da axila até a mão. A única parte do braço livre do gesso era o polegar, mais ou menos como a figura abaixo.O ortopedista que liderava a visita (que era um professor velhinho de cabelos brancos) se deteve por alguns momentos à beira do leito, e aproveitou aquele caso para ensinar um macete semiológico para avaliar, baseado apenas nos movimentos do polegar, a integridade dos 3 principais nervos do plexo braquial. Este macete já me foi útil algumas vezes, porém nunca o encontrei descrito em nenhum livro ou artigo científico. Decidi então fazer uma pesquisa mais minuciosa e compartilhar este conhecimento no blog.

MOVIMENTOS DO POLEGAR
Parte importante do sucesso evolutivo do ser humano deve-se ao fato do nosso polegar ser capaz de realizar oposição aos demais dedos da mão. Graças a esta característica, somos capazes de manusear objetos e criar ferramentas. Sendo assim, vamos aproveitar o tema e relembrar um pouco dos movimentos do polegar. Segundo o livro Provas de Função Muscular (Daniels & Worthingham), os movimentos do polegar são os ilustrados abaixo:



Porém, vamos nos concentrar apenas em três movimentos bem específicos:

[1] Abdução no plano da mão,
[2] Abdução de 90 graus em relação ao plano da mão, e
[3] Oposição.
Lesões nos 3 principais nervos do membro superior (Ulnar, Mediano e Radial) podem vir a causar a perda de movimentos específicos do polegar. E a avaliação destes movimentos pode dar pista deste comprometimento em um paciente onde não seja possível avaliar a sensibilidade nem a motricidade da mão e antebraço como no caso do sujeito que está todo engessado.

Lesão do Nervo Ulnar
O nervo ulnar inerva o músculo adutor do polegar. Um teste rápido utilizando apenas o movimento do polegar para avaliar um possível comprometimento do nervo ulnar seria pedir ao paciente para deixar o polegar alinhado aos outros dedos, como na figura abaixo
Neste caso, vale também observar se o paciente não faz o sinal ou teste de Froment (mais um daqueles testes ortopédicos obscuros que ninguém conhece). Neste teste, o paciente é solicitado a segurar uma folha de papel utilizando somente o movimento da articulação metacarpofalangena do polegar (exatamente como na figura acima), se para compensar a falta de força, o paciente dobrar a ponta do polegar (utilizando a articulação interfalangeana), caracteriza a fraqueza do adutor do polegar , o que pode ser indício de lesão do nervo ulnar.

Existe um video do youtube demonstrando este teste. O link foi gentilmente enviado por concurso e fisioterapia (MUCHAS GRACIAS!)



Lesão do Nervo Mediano
Pode causar paralisia do músculo oponente do polegar, o qual vai obviamente influenciar o movimento de oponência. Para a testagem clássica, solicita-se ao paciente que mantenha a mão sobre a mesa, com a palma da mão para cima e pede-se que o polegar aponte em direção ao teto, e testa-se a força muscular como na figura abaixo.

Porém no caso de um paciente engessado, pede-se apenas que ele faça a oponência, tanto quanto possível. Lesão do Nervo Radial
O Nervo radial inerva os músculos extensor curto e longo do polegar (os mesmos da tendinite de de Quervain) e pode ser testado pedindo ao paciente fazer abdução no plano dos dedos, ou simplesmente fazendo "joinha" com o polegar.

Estes testes não são 100% exatos. Mas podem ser utilizados para o acompanhamento da recuperação do paciente. Obviamente estes testes só devem ser utilizados em pacientes onde só seja possível avaliar os movimentos do polegar, pois a avaliação completa da sensibilidade e da motricidade é muito mais confiável do que estes testes.

Bom, espero que este tipo de informação seja útil.
Abraços e Feliz Ano Novo

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Respeitável público


Ontem levei minha filha e sobrinhos para assistir ao último espetáculo da temporada 2010 da Universidade Livre do Circo (Unicirco) na Quinta da Boa Vista. Além do show de palhaços, trapezistas e demais artistas, fiquei particularmente impressionado com a participação de dois artistas deficientes físicos. A apresentação deles foi tão incrível que me fez refletir sobre o que é ser deficiente físico, pois a história de vida do Tião (capoeirista) e a apresentação do rapaz paraplégico realmente me fizeram questionar a definição oficial de deficiência.
O termo deficiência pode ser entendido como todo e qualquer comprometimento que afeta a integridade da pessoa e traz prejuízos na sua locomoção, na coordenação de movimentos, na fala, na compreensão de informações, na orientação espacial ou na percepção e contato com as outras pessoas (Artigo 3o do Decreto federal nº 3.298/1999). Caberia, de acordo com esta definição supormos o inverso; isto é, que para não sermos considerados deficientes, não podemos apresentar nenhum dos comprometimentos listados acima? E mais, quais seriam os limites de “normalidade” para definir alguém como tendo uma deficiência? Eu não consigo fazer metade das acrobacias do rapaz com paraplegia, neste caso não seria eu também um deficiente? Minha filha de 4 anos está em tratamento com fonoaudióloga devido a dislalia (um comprometimento da fala que atrapalha o contato com outras pessoas) neste caso seria ela classificada como deficiente?
Obviamente esta minha linha de pensamento não passa de um sofismo barato. De fato definir deficiência é algo extremamente difícil. Justamente por isso tenho tanta esperança na CIF.
A CIF toma em consideração os aspectos sociais da deficiência e propõe um mecanismo para estabelecer o impacto do ambiente social e físico sobre o indivíduo, ou seja: determina que a adaptação da pessoa ao seu ambiente é o ponto central da avaliação.

puxa, comecei falando do circo e terminei com a CIF... mas este é um tema que merece uma postagem exclusiva. Mas por enquanto, vamos ficar com algumas imagens do espetáculo da Unicirco.




sábado, 18 de dezembro de 2010

videos de Exercícios Terapêuticos II

Olá pessoal,
Encontrei outro site com videos gratuitos de exercícios terapêuticos, trata-se do site
"Therapeutic Exercise Videos", que apresenta uma proposta bem interessante. Os criadores do site tem o objetivo de aumentar o sucesso e a satisfação dos pacientes com os exercícios terapêuticos. Segue abaixo a tradução da justificativa deste esforço:

Pesquisas têm mostrado que as pessoas cometem mais erros e aderem menos ao exercício terapêutico, quando lhes são dadas apenas instruções sobre como fazer ao invés de instruções por video.[1-3] Em uma pesquisa, pacientes que receberam apenas instruções tiveram uma taxa de erro duas vezes maior quando comparados aos pacientes que receberam instrução por vídeo [3]. Frustrados por esta limitação, criamos o site TherapeuticExerciseVideos.com.

REFERÊNCIAS

[1] Cherkin DC, et al. Pitfalls of patient education. Limited success of a program for back pain in primary care. Spine 1996; 21:345-55.
[2] Cherkin DC, et al. A comparison of physical therapy, chiropractic manipulation, and provision of an educational booklet for the treatment of patients with low back pain. N Engl J Med 1998; 339:1021-9. [CLIQUE AQUI PARA BAIXAR]
[3] Reo JA, Mercer VS. Effects of live, videotaped, or written instruction on learning an upper-extremity exercise program. Phys Ther 2004; 84:622-33. [CLIQUE AQUI PARA BAIXAR]

Pois bem, além de compilar informação e disponibilizar o link, gostaria de deixar também algumas observações:

Primeiro: Este blog é direcionado a estudantes e profissionais de Fisioterapia, e estes videos não são de auto-ajuda pela internet, se você tem algum problema e quer se tratar, consulte um fisioterapeuta antes de iniciar qualquer exercício terapêutico.

Segundo: Alguns destes exercícios são exemplos evidentes de exercícios domiciliares utilizando princípios do conceito Mulligan, Estabilização Vertebral Segmentar e Mobilização Neural, além de técnicas de fortalecimento muscular de grupamentos musculares bastante específicos. Se você é fisioterapeuta, mas não conhece as indicações e danos potenciais da prescrição errada destes exercícios, pense bem antes de indicá-los.


Segue abaixo o link para os 37 videos do site



VIDEOS DE OMBRO

3 videos de alongamento e 6 de fortalecimento

VIDEOS DE PUNHO E MÃO
Por enquanto só tem um

VIDEOS DE CERVICAL E TORAX SUPERIOR
4 videos de alongamento, 1 de isometria e 2 proprioceptivos

VIDEOS TORÁCICA MÉDIA E COSTELAS
Apenas dois videos, um de auto mobilização e outro de fortalecimento

VIDEOS DE LOMBAR E PELVE
1 video de alongamento e 6 de fortalecimento

VIDEOS DE QUADRIL E COXA
2 videos de alongamento e 4 de fortalecimento

VIDEOS DE TORNOZELO E PÉ
1 video de alongamento e 4 de fortalecimento

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Videos de Exercícios Terapêuticos para download

Olá pessoal,
Estou quase terminando algumas de minhas tarefas de trabalho (este fim de ano tá sinistro !!), mas consegui um tempo para não interromper minhas postagens.
Hoje quero deixar links para o download de 62 exemplos de exercícios terapêuticos básicos em video.
Estes videos estão disponíveis para download gratuito no site da apple. Pelo fato de serem arquivos criados para rodar no iPhone, eles estão no formato .m4v . ( Não ganho Jabá da apple, mas se o Steve Jobs quiser doar um iPhone, um iPad ou Mac, eu aceito de bom grado).
Mas voltando ao assunto, pode ser que o seu computador não reconheça esta extensão. Neste caso, recomendo baixar o programa "Total Video Player" no Baixaki .
São exercícios bem simples, e me parece que são exemplos retirados da nova edição do livro de exercícios terapêuticos da Kisner & Colby.
Espero que gostem, abaixo seguem os links.


Mobilização articular - 13 videos

PNF - 5 videos

Exercícios Resistidos Manuais - 9 videos

Exercícios de Amplitude de Movimento - 9 videos

Exercícios de Estabilização I - 6 videos

Exercícios de Estabilização II - 7 videos

Exercícios de Alongamento -13 videos

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Respiração de Biot

A identificação dos ritmos respiratórios patológicos é um dos assuntos mais clássicos em fisioterapia respiratória, além de tema frequente em concursos públicos. Em uma postagem anterior, falei sobre o ritmo de Cheyne-Stokes e hoje abordarei o ritmo de Biot.
Uma dica legal para estudar esta matéria é reler a postagem sobre Cheyne-Stokes e tentar identificar as diferenças entre os dois ritmos, tanto em termos de padrão respiratório, quanto etiologia.
Infelizmente desta vez não consegui encontrar nenhum vídeo para enriquecer a postagem... fico devendo.
Bons estudos


Respiração de Biot

A Respiração de Biot (algumas vezes também descrita como respiração atáxica - embora alguns textos os considerem ritmos diferentes) é uma alteração rara do padrão respiratório, causada por uma compressão do tronco cerebral, levando a disfunção dos neurônios do Grupo Respiratório Dorsal do bulbo[*]. A Respiração ou ritmo de Biot é caracterizada por um ritmo irregular e sem qualquer tipo de periodicidade, podendo ocorrer grande variação de frequência e profundidade, algumas vezes seguidas de apnéia. Pode ser causada por envenenamento por morfina, estupor por hipercapnia, infartos do tronco cerebral, lesões na fossa posterior, meningite e tumores do sistema nervoso central.


[*} Na região bulbar, existem bilateralmente dois conjuntos de neurônios respiratórios, denominados Grupo Respiratório Dorsal (GRD) e Grupo Respiratório Ventral (GRV); o bulbo parece ser o responsável pelo controle da ritmicidade da respiração espontânea, pois a maioria dos neurônios que apresentam periodicidade respiratória está localizada no bulbo



terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Kinesio Tape e Linfedema pós mastectomia

Olá pessoal,
Após os conflitos armados entre polícia e traficantes aqui no Rio de Janeiro, finalmente me senti seguro para sair do meu Bunker subterrâneo e voltar a escrever no blog.
Mas deixando de lado os combates habituais da cidade maravilhosa, hoje vou postar alguns comentários sobre um artigo bastante interessante sobre Kinesio Tape.
Na verdade, trata-se de uma curiosidade. Nos últimos jogos olímpicos vimos muitos atletas utilizando a K-Tape, porém atletas são altamente motiváveis (e sugestionáveis) e nada exclui o efeito placebo nesta população (exatamente como no caso do power balance). Resolvi pesquisar no site PeDro o que existe em termos de pesquisas de alto nível utilizando Kinesio Tape. Irei comentar 4 artigos sobre K-tape. O de hoje é um ensaio clínico em pacientes com linfedema de Membro superior pós mastectomia, comparando dois protocolos de tratamento: No primeiro grupo utilizou-se atadura compressiva de baixa elasticidade enquanto que no segundo grupo utilizou-se a Kinesio-Tape. Em ambos os grupos, além da atadura e do K-tape, os pacientes receberam um protocolo de tratamento.
Deixo também o link para o download do artigo no final da postagem.

A propósito:
Não tenho o curso de K-tape e nem recebo jabá de nenhum curso ou empresa importadora das fitas K-tape (não que eu não aceite pagamento em espécie ou barras de ouro para este tipo de jabá).
Eu ficaria grato se alguém com experiência no uso da K-Tape ou no tratamento de linfedema deixasse comentários e opiniões a respeito.
Pois bem, vamos ao resumo, seguido de alguns comentários:

RESUMO

OBJETIVOS:
O objetivo deste estudo foi comparar os efeitos do tratamento de Terapia Descongestiva Linfática (TDL) e Terapia Descongestiva Linfática-Modificada (TDL-m). A diferença entre as duas intervenções está no uso de Kinesio Tape ao invéz da atadura compressiva de baixa elasticidade padrão.
MATERIAIS E MÉTODOS:
Foi realizado um ensaio clínico randomizado envolvendo 41 pacientes com linfedema devido a câncer de mama unilateral. As pacientes foram aleatoriamente agrupadas no grupo TDL (atadura, N = 21) ou no grupo TDL-m (K-tape, N = 20). A diferença de tratamento entre os dois grupos reside justamente na substituição da atadura padrão pela bandagem tipo Kinesio Tape (K-Tape).
O protocolo de tratamento envolveu cuidados com a pele, drenagem linfática manual de 30 minutos, terapia de compressão pneumática de 1h de duração (40mmHg), e 20 min de exercícios terapêuticos, e a aplicação de atadura ou K-tape de acordo com o grupo de intervenção. Entre as variáveis de desfecho monitoradas, destacam-se o tamanho dos membros, sintomas relacionados com linfedema, qualidade de vida e aceitação dos doentes para o uso de atadura ou k-tape.
RESULTADOS PRINCIPAIS:
Não houve diferença significativa entre os dois grupos em todas as variáveis desfecho (P> 0,05) durante o período do estudo. A circunferência foi reduzida significativamente tanto no grupo atadura quanto K-tape. A aceitação da K-tape foi melhor do que a atadura, sendop que os benefícios referidos peo grupo K-tape incluem maior tempo de uso, menor dificuldade no uso e maior conforto e comodidade (P<0,05).
CONCLUSÕES:
Os resultados do estudo sugerem que K-Tape pode substituir o uso de Atadura compressiva de baixa elasticidade na TDL, e que poderia ser uma opção alternativa para o paciente com linfedema que não tenha se adaptado a atadura. Se o período de intervenção e acompanhamento for prolongado, pode-se chegar a uma conclusão diferente. Além disso, estes dois protocolos de tratamento são ineficientes e levam muito tempo para a aplicação. Um protocolo de tratamento mais eficiente é necessária para a prática clínica.

= = = = = = = = =

Algumas observações:

Os autores calcularam que seria preciso 228 pacientes em cada grupo para uma estatística adequada. Isso indica que os resultados devem ser avaliados com critério e que pra variar novos estudos precisam ser conduzidos, com maior número de pacientes e com um tempo de acompanhamento mais longo.

Foram acompanhados 11 sintomas neste estudo: Sensação de pele esticada, peso, dor, rigidez, dolorimento (soreness), desconforto, calor, sensação de peso, formigamento, fraqueza e dormência. Estes sintomas foram avaliados por meio da escala visual analógica (VAS) de 0 a 10 (0 = nenhum sintoma e 10 = pior possível).
Quatro dos 11 sintomas no grupo atadura (sensação de pele esticada, dor, desconforto e peso) e seis dos 11 sintomas no grupo K-Tape (sensação de pele esticada, dor, rigidez, desconforto, peso e formigamento) foram significativamente aliviados (P <0,05)>

A aceitação da K-tape foi melhor do que a atadura, e os pacientes relataram maior facilidade de uso e maior conforto e comodidade nas atividades diárias. No entanto, houve mais feridas no grupo K-tape. No entanto é preciso enfatizar que um tratamento que cause maior índice de feridas é potencialmente danoso a esta população e deve ser avaliado com bastante critério.
(Retirado o ponto da K-Tape)

Para baixar o artigo original em inglês Clique Aqui
É isso aí pessoal, se não houver mais nenhuma guerrilha urbana eu continuo postando nos próximos dias . . . Hasta La Vista

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Vídeos de exercícios com resistência elástica

Olá pessoal,
Achei um site que pode interessar a muita gente. Trata-se do site de divulgação de um equipamento chamado freestyler, que consiste basicamente de uma prancha com adaptações para acoplar tubos elásticos e que permitem uma variedade de combinação de exercícios. Mas o grande lance deste site é que ele disponibiliza vários vídeos, alguns com sugestões bem interessantes de exercícios que podem ser perfeitamente improvisados sem a tal prancha.
Para acessar a página de download de vídeos, clique no endereço abaixo: http://www.freestylerpro.com/videocenter/Freestyler%20Exercises/
Tem sugestões de exercícios básicos, de reabilitação, dança, e até Pilates !
Veja o video abaixo que eu encontrei no youtube.


Divirtam-se

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Power Balance ou Placebo Balance ? ?

No Hospital em que trabalho eu atendo muitos adolescentes e estou me acostumando a ver coisas estranhas tais como meninos que pintam as unhas de preto, ou que fazem chapinha no cabelo, meninas que nunca tiram o fone do ouvido, e tantas outras coisas que não vale a pena ficar aqui comentando. O fato é que entre tantas bizarrices, o uso das pulseirinhas power balance me passou batido até outro dia.
Uma estagiária me contou ontem que colocou uma destas pulseiras em um paciente atáxico e pasmem! não viu diferença alguma... duh! Resolvi verificar o que existe na internet a respeito disso e descobri que o grande mérito do cara que inventou esse troço é ter a manha de ganhar dinheiro lançando moda e enganando muita gente no melhor estilo "cartilagem de tubarão", "Diet Shake" e o clássico: Facas Ginsu 2000.

Acima, vendedor de power balance do século 19. Os efeitos são os mesmos, a única diferença é que é vendido como xarope

Para saber mais sobre a farsa do power balance, assista a reportagem do detetive virtual abaixo e acesse o excelente texto do site ceticismo aberto, o qual inclusive cita um ensaio duplo cego conduzido com o objetivo de investigar o efeito placebo deste apetrecho.





Mas este assunto rende algumas reflexões interessantes para nós fisioterapeutas.

Primeiramente, que é o efeito do placebo?
O efeito do placebo é um fenômeno no qual os sintomas do paciente são aliviados por um tratamento sabidamente ineficaz (ex: comprimido de açúcar, injeção de soro fisiológico, ultra-som desligado, etc...). Trata-se de uma resposta psicológica ao tratamento. Isso ocorre porque o indivíduo acredita que a intervenção que está sendo aplicada realmente funciona.

Mas como o placebo funciona?
Seres humanos não são máquinas, e as emoções não são abstrações irrelevantes no tratamento de uma pessoa. Sentimentos como esperança, expectativa e confiança, associadas ao medicamento placebo, podem causar em algumas pessoas respostas positivas, como redução da dor e dos sintomas depressivos. Este efeito está associado a mudanças metabólicas em determinadas regiões do cérebro, assim como a liberação de endorfina. (leia o artigo The Functional Neuroanatomy of the Placebo Effect).
É interessante notar que pesquisadores que investigaram o efeito de comprimidos de placebos observaram que comprimidos grandes são mais eficazes do que pequenos, e coloridos são mais eficazes do que os brancos; mostrando que a identidade visual cria uma expectativa que afeta a resposta do paciente.

Placebo e Fisioterapia
Este é um tema bastante polêmico, mas acredito que é impossível desvincular os efeitos obtidos com a fisioterapia dos efeitos obtidos com placebo (a mesma lógica se aplica aos remédios, acupuntura e intervenções invasivas como infiltração de corticóides), ou seja: sempre haverá uma porcentagem de placebo nos resultados de nossas intervenções, principalmente se relacionadas a condições dolorosas.
Considero esta postagem importante, pois atendemos idosos em risco de queda, atáxicos, pacientes com desordens neurológicas que cursam com fraqueza e incoordenação, e que podem ser ludibriadas por este tipo de conto de fadas.
Mas apesar disso tudo, o efeito placebo não é necessariamente ruim (o que é ruim é gastar muito dinheiro comprando pilula de farinha), e nem se trata de charlatanismo. O fato de você atender bem ao paciente, ser atenciosos e passar segurança tem efeitos benéficos e certamente terá seu papel na evolução do tratamento, (Neste sentido, recomendo a leitura do artigo "BASES PSICONEUROFISIOLÓGICAS DO FENÔMENO PLACEBO-NOCEBO: EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS QUE VALORIZAM A HUMANIZAÇÃO DA RELAÇÃO MÉDICO-PACIENTE")

Recomendação de leitura:
Além dos links do texto, vale a pena acessar os seguintes sites:

Revista Cérebro & Mente - Efeito Placebo: O poder da píliula de açúcar


segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Como escolher o tema da monografia.


Você está nos últimos períodos da faculdade e não consegue pensar em nenhum tema legal para o seu TCC? Pra piorar ainda mais as coisas, você deixou pra decidir o tema na última hora? O desespero é tanto que você anda dormindo em cima do tratado de fisioterapia pra ver se consegue alguma ideia por osmose?
Então seus problemas acabaram ! Pois chegou o revolucionário TCC elaborator-escrivator-entregator Tabajara, o único editor de textos que escolhe, escreve, imprime e encaderna o TCC pra você. Mas espere, isso não é tudo! Ligando agora você recebe o exclusivo Skype-professor-sufocator Tabajara, um incrível aplicativo que descobre o número do celular do professor que avaliou seu TCC e faz ligações de hora em hora, com mensagens de voz pré-gravadas implorando por uma nota mais alta.
Se interessou pelo produto? O pior é que também, pena que é zoação minha.
Mas não entre em pânico! O Guia do Fisioterapeuta, em mais um serviço de utilidade pública oferece algumas dicas de como escolher um bom tema pro seu TCC de fisioterapia.

O que é e para que serve um Trabalho de Conclusão de Curso.
Ao longo da faculdade você precisou fazer diversas provas, pesquisas e seminários. Cada um destes testes avaliou seus conhecimentos e competências. Porém mesmo após completar todos os estágios e passar em todas as provas ainda lhe resta uma última tarefa: Redigir um trabalho final, o famoso TCC, que geralmente é uma monografia ou uma pesquisa de campo.
Bem, talvez eu tenha me expressado mal. O TCC não é apenas o trabalho final da faculdade, ele é uma oportunidade (sim, uma oportunidade !!) que o acadêmico tem de aprofundar seus conhecimentos em determinado tema da fisioterapia e defender suas conclusões diante de uma banca. - - - Ok, nem sempre é assim. Já ouvi falar de faculdades que além de dispensar a banca ainda chegam ao cúmulo de permitir que a monografia seja feita em grupo (!!!! BIZARRO !!!!).

Mas distorções da realidade à parte, o fato é que o TCC avalia:

#1- A habilidade do acadêmico de buscar informações relevantes sobre o tema,
#2- A capacidade de sintetizar a informações e redigir um texto em linguagem científica, apresentando os resultados de sua pesquisa de forma clara e organizada.
#3- Demonstrar o domínio do tema, ao defender seus resultados em apresentação oral diante de uma banca examinadora
Na teoria isso tudo é muito bonito, não é mesmo? Mas acho que talvez você esteja mais interessado(a) na próxima parte da postagem.

Como escolher o tema do TCC?
Aqui é onde a porca torce o rabo. Você não precisa fazer mandingas e nem simpatias para escolher um bom tema para o TCC. Deixe as ciências ocultas para quando precisar trazer a pessoa amada em 3 dias. Mas se você realmente não tem a menor ideia por onde começar, recomendo que você leia os 2 itens seguintes, só pra poder se situar.

O TCC deve ser sobre um assunto que você goste.
Ora, nada mais óbvio do que isso. Provavelmente você passará meses pesquisando e escrevendo sobre o assunto escolhido. Na boa, você não precisa transformar o TCC em técnica de tortura medieval. Se vai estudar tanto, que pelo menos seja algo que lhe agrade. Mas para eventuais indecisos, que dizem conseguir gostar de tudo ao mesmo tempo, irei ensinar a fazer um curtômetro (um termômetro das coisas que você curte fazer).

O TCC deve ser sobre um tema possível de ser pesquisado.
Mesmo que você adore Pilates e ache UTI Neo a coisa mais incrível do mundo, nada de sugerir temas loucos como “Pilates em UTI Neo”. Da mesma forma, evite temas que apesar de interessantes, possuem escassa literatura disponível, como por exemplo “Fortalecimento muscular em escolares com Leucemia”, ou “RPG no pós-operatório imediato de artrodese vertebral lombar” - Na verdade, estes temas podem até funcionar como trabalho de campo, mas jamais proponha isso como monografia sem antes pesquisar se existem artigos publicados ou algo nos livros sobre o tema. Pra finalizar tente, se possível, evitar temas por demais polêmicos (a menos que você tenha muita confiança no seu taco e nas argumentações na hora de apresentar o tema pra banca).

Observação importante:
Escolhido o tema, encontre um orientador que entenda do assunto. Mais uma vez isso parece óbvio, mas nem sempre o óbvio é tão óbvio quanto parece. Portanto certifique-se de que seu orientador realmente entende alguma coisa do tema que você escolheu (caso contrário você terá que lidar com um desorientador e estará condenado a fazer tudo sozinho)

O curtômetro
O curtômetro é uma espécie de gráfico baseado em um brainstorm (conhecido popularmente como “toró de idéias”) que te ajuda a decidir os assuntos que mais lhe agradam em fisioterapia. É muito simples de ser feito, e tenho certeza que vai ajudar bastante, principalmente aos indecisos.

Para fazer o seu curtômetro é muito simples, basta seguir as instruções abaixo:
#1- Cruze duas linhas retas perpendiculares, formando um sinal de “+” bem grande
#2- No Quadrante superior esquerdo, escreva todos os assuntos que você gosta de estudar ou que você domina com facilidade. Podem ser técnicas de tratamento ou patologias (ex: Mulligan, Propriocepção, Ventilação Não Invasiva, geriatria, fisioterapia desportiva, DPOC, etc..).
#3- No quadrante inferior esquerdo, escreva todos os assuntos que você curte, mas que você não domina tão bem assim.
#4- No quadrante superior direito, escreva os assuntos que você não gosta, mas que apesar disso você domina ou tem alguma facilidade de aprender.
#5- No quadrante inferior esquerdo, escreva os assuntos que você odeia e que ainda por cima você não tem facilidade e nem a menor vontade de aprender.


Quando terminar, terá um quadro mais ou menos como o daqui debaixo (OBS: este curtômetro é hipotético e não representa aopinião do blogueiro)


Enquanto estiver fazendo o seu curtômetro, irá perceber que a parte do gráfico com as coisas que você tem afinidade irá ficar muito mais cheia do que a das coisas que você não gosta. Não se preocupe, isso é absolutamente normal, pois lembramos mais facilmente daquilo que gostamos.

Interpretando o gráfico
Feito o curtômetro, ao visualizar o lado direito do gráfico fica fácil saber o que você NÃO deverá escolher como tema. O próximo passo é decidir se vai escolher um dos temas que você curte e domina OU um dos temas que você curte mas não domina (Eu recomendaria temas que você curte mas não domina, pois seria uma ótima oportunidade para aprender coisas novas de um assunto que você acha legal).
Agora sugiro que pense em algo envolvendo uma patologia ou disfunção que você colocou no curtômetro (Ex: AVC, LER/DORT, cirurgia de LCA, ataxia, entorse, atelectasia, etc...) Este será o eixo principal da sua monografia.
Também baseado no seu curtômetro, escolha uma intervenção fisioterapêutica que tenha haver com a patologia/disfunção que você escolheu (Ex: kinesio taping, VNI, treino proprioceptivo, alongamento), se quiser, defina também uma população específica (Ex: Atletas, dentistas, idosos, gestantes, pacientes ambulatoriais).
Pronto! Agora você já é capaz de elaborar um esboço do tema da sua monografia, combinando uma patologia/disfunção com uma intervenção e/ou uma população específica. Mas tome cuidado com temas absurdos como Pilates em UTI-Neo! O curtômetro é uma ferramenta de ajuda e não um oráculo de análise combinatória !
Assim, com os resultados do curtômetro, você poderá elaborar um esboço da ideia central da sua pesquisa. Ex: Treino de marcha em pacientes com AVC, OU Exercícios proprioceptivos para prevenção de quedas em idosos, OU Alongamento e ginástica adaptada para gestantes.... e por aí vai.

Por último. Não se esqueça de verificar se existem artigos ou referência na literatura para o tema escolhido, e com o esboço do tema em mãos, consulte seu orientador.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Aulas sobre Terapia Intensiva - UTI compartilhada Einstein


Olá Fisionautas,
Estou divulgando uma série de palestras online do projeto UTI Compartilhada Einstein, organizadas pelo Centro de Terapia Intensiva de Adultos do Hospital Albert Einstein, abordadndo diversos tópicos em terapia intensiva.
Estas palestras serão realizadas entre os dias 3 e 30 de novembro de 2010, das 11:00 às 12:00 (horário ingrato, né?)


O link é http://medicalsuite.einstein.br/uticompartilhada.asp
Segue abaixo a relação de palestras e datas
As palestras de fisioterapia estão assinaladas em vermelho.

09/11/2010
Prevenção de lesões de pele em UTI
Enfermeiras Mariana Franco e Renata Albaladejo Morbeck

10/11/2010
Prevenção de Pneumonia Associada a Ventilação Mecância
Fisioterapeuta Joyce Kelly Barreto


11/11/2010
Suporte Nutricional ao Paciente Grave: Objetivos terapêuticos e formas de administração (via enteral, via parenteral e via oral)
Dr. Leonardo R Ferraz.

12/11/1010
Atuação da Enfermagem na Monitorização.Hemodinâmica
Enfermeiras Andréia Pardini e Neide Marcela Lucínio

16/11/2010
Mobilização precoce, posicionamento e órteses (essa eu faço questão de assistir!!!!!)
Fisioterapeuta Patrícia Alves Pelegrini


17/11/2010
Humanização em Terapia Intensiva e Aspectos de Fim de Vida
Grupo de humanização: Dr. Manes R Erlichman (médico) e Ana Lucia (psicóloga)

18/11/2010
Farmácia – Monitorização de medicamentos (interação medicamentosa, indicadores de qualidade etc)
Representante da Equipe de Enfermagem

19/11/2010
Óxido Nítrico em Terapia Intensiva: aplicações clínicas e formas de utilização
Fisioterapeuta Cilene Saghabi


22/11/2010
Disfunção de Múltiplos Órgãos e Sistemas no ambiente de terapia intensiva
Dr Murillo S C Assunção

23/11/2010
Presença da família na UTI
Enfermeira Débora Puntel e psicóloga Ana Lucia

24/11/2010
Avaliação muscular respiratória e treinamento muscular respiratório
Fisioterapeuta Cilene Saghabi


25/11/2010
AVC – diagnóstico e tratamento
Dr. Antonio Capone Neto

26/11/2010
Atuação de Enfermagem na Terapia Dialítica
Enfermeiras Fabiana Sarmento e Marcele Pesavento

29/11/2010
Monitorização respiratória
Fisioterapeuta Karina Timenesky


30/11/2010
Desafios da Enfermagem em Neuro Intensiva
Enfermeiros Mauro Ricardo Ribas e Carla Andréia Rosa

Esta postagem foi mais uma contribuição da colega Ana Cury,

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

ENTENDENDO A COMPLACÊNCIA PULMONAR

O conhecimento das propriedades mecânicas do sistema respiratório é assunto fundamental para quem pretende atuar com fisioterapia respiratória. No entanto, quando este tema é apresentado pela primeira vez em sala de aula, muitas pessoas costumam dormir, outras entram em choque, algumas sofrem acessos incontroláveis de crise do pânico ou riem histericamente. Mas todo mundo concorda em uma coisa... ninguém entende lhufas.
Para escrever esta postagem contei com a ajuda inestimável de Ana Carolina Cury, fisioterapeuta de Minas Gerais, na primeira colaboração virtual deste blog. Espero que gostem!
Pois bem, a postagem de hoje é justamente a primeira de uma série digitada a quatro mãos, feita especialmente para pessoas que apresentam reações adversas a aula de mecânica pulmonar... hoje começaremos falando de complacência.


AS FORÇAS QUE MOVEM O AR QUE VOCÊ RESPIRA
O sistema respiratório tem várias funções no corpo, sendo a principal delas a troca gasosa e a homeostase. Esse sistema pode ser entendido como um conjunto de tubos e conexões que levam o ar até os capilares pulmonares onde são realizadas as trocas gasosas. Até aí tudo bem, é só uma revisão do que você aprendeu no ensino fundamental.
O que geralmente causa dificuldade na compreensão deste sistema é que esses tubos e conexões possuem propriedades elásticas, e que o sistema respiratório precisa se adaptar a diferentes pressões tanto dentro quanto fora do tórax e têm uma relação muito intrincada com outros órgãos e cavidades do corpo. Para entender melhor estas relações, estudamos a mecânica do sistema respiratório, que é basicamente composto pelo pulmão, vias aéreas e caixa torácica.
Vamos lá então, sem medo de fazer novas sinapses e botar os neurônios para trabalhar. Vamos tentar entender que mecânica é essa!

DEFINIÇÃO DE COMPLACÊNCIA PULMONAR
Toda estrutura elástica tem como propriedade fundamental oferecer resistência à deformação. O pulmão funciona de forma bem parecida. No caso, a capacidade que o pulmão tem de se expandir chama-se complacência.
Para expandir os pulmões é necessário um mínimo de esforço, que ocorre naturalmente, na atividade da respiração. Esse esforço é realizado pelo músculo diafragma e pelos músculos intercostais externos. Quando a capacidade de expandir está diminuída, diz-se que o pulmão tem a complacência reduzida, ou, em outras palavras, um pulmão com a complacência reduzida se expande com mais dificuldade, fica “duro”. A diminuição da complacência é particularmente perigosa, pois impõe um maior trabalho ao sistema respiratório para “abrir” os pulmões e “fazer o ar entrar”. Em uma situação aguda, o paciente pode evoluir rapidamente para a insuficiência respiratória, ou seja, o esforço muscular que ele realiza para respirar passa a não ser suficiente para expandir os pulmões e ele pode para de respirar. Em uma condição crônica, a insuficiência acontece do mesmo jeito (só que a prestação), e com o passar dos anos, o esforço também torna-se imenso dificultando a expansão pulmonar.

Agora vamos começar a complicar um pouco mais:
A definição clássica de complacência afirma que se trata de uma relação entre pressão e volume, ou seja, o quanto o pulmão é capaz de distender-se para acomodar o volume de ar que entra pelas vias aéreas.
É importante ter em mente que associada a variação dos volumes pulmonares ocorre também uma variação da pressão. Na faixa fisiológica normal de variação de pressão (- 5 a - 10 cmH2O) o pulmão é bem distensível, para cada variação de 1 cmH2O ocorre uma variação de 200ml de ar, porém se o pulmão já se encontra expandido, pequenas variações de volume, geram uma grande variação de pressão e impõe maior trabalho aos músculos inspiratórios.
Não entendeu? Faça o seguinte:
#1 – Respire normalmente e perceba o esforço que você faz ao iniciar a inspiração (pulmão em um momento de alta complacência – pequenas variações de pressão = grandes volumes)
#2 – Tente manter a mesma frequência respiratória, só que desta vez respire com o peito bem estufado de ar, sem deixar o ar sair completamente. Perceba como é mais difícil manter a mesma freqüência respiratória quando se está próximo do limite de expansão pulmonar (pulmão em momento de baixa complacência – fica cada vez mais difícil (trabalhoso) respirar (mesmo com pequena variação de volume).
#3 – Agora faça o contrário: solte quase todo o ar dos pulmões, segure só um pouco de ar e tente manter a mesma freqüência respiratória. Esse também é um momento de baixa complacência, se você mantiver isso por algum tempo algumas unidades alveolares entrarão em colapso. Esse outro extremo de volume pulmonar (volume muito baixo = complacência reduzida) também torna a respiração mais difícil.


A CURVA PRESSÃO X VOLUME

Se você chegou nessa parte do post sem ter nenhuma das reações adversas citadas lá no início, as suas chances de ter um ataque de narcolepsia ou de começar a ver duendes verdes agora é mínima. Vamos em frente. Gráficos são amigos, e facilitam muito a nossa vida, vale a pena gastar um pouco mais de tempo analisando as curvas e suas relações.

Tá vendo o gráfico acima? Ele ilustra 3 curvas Pressão X Volume distintas: Uma considerando apenas o Tórax, outra apenas os pulmões e a terceira para o conjunto Pulmões + Tórax (a qual descreve melhor as propriedades do sistema respiratório).

Neste gráfico é possível visualizar um detalhe importantíssimo: A curva Pulmão+Tórax tem um formato parecido com um “S”, indicando que a complacência do sistema respiratório não é constante ao longo do enchimento (ou esvaziamento) pulmonar.

A porção inicial da curva corrensponde a mecânica da parede torácica em com volume pulmonar baixo, nesse volume existem vias aéreas colabadas e é preciso uma pressão mínima para abrir essas vias aéreas. A segunda parte é uma subida quase retilínea, ou seja, os aumentos de volume correspondem a aumentos de pressão. È nessa parte da curva que avaliamos a complacência estática. A inclinação dessa curva é a complacência. A porção final da curva representa a hiperdistensão pulmonar, ou seja, todos os alvéolos estão abertos e a partir daí, com o aumento do volume a variação da pressão é muito pequena.

Percebam que a curva do conjunto Pulmões+Tórax tende a ficar horizontal próxima ao VR,
indicando uma complacência reduzida em baixos volumes (representa um volume pulmonar muito baixo, com vários alvéolos fechados que precisam receber uma pressão inicial para abrir e começar a insuflar.) e também tende a ficar horizontal próxima a CPT (hiperdistensão pulmonar - representa a distensão máxima, com todos os alvélos abertos. Não é possível distender muito o tecido). Nestas duas situações, é preciso uma grande variação de pressão para se obter pequenas variações de volume.

Você acabou de ler a explicação, em temos científicos, do esforço que se sente para tentar insuflar os pulmões quando eles já estão cheios ou para se tentar respirar com o pulmão quase vazio. Acredito que com esta explicação fica fácil de entender porque devemos estar atentos à inclinação da curva do gráfico para identificar quando a complacência está aumentada ou diminuída.

A fórmula matemática que rege essas forças é:
Complacência = Volume / Pressão.



O que pode alterar a complacência?
A complacência pode estar reduzida, causando maior trabalho da respiração para distender todo o sistema e “fazer o ar entrar”. De forma geral, condições que, impeçam a expansão e retração pulmonar diminuem a complacência. São condições que produzem fibrose ou edema ou reduzem a parte funcionante dos pulmões, como atelectasias, derrames pleurais, ascites e escoliose.

Outras situações que diminuem a complacência incluem: congestão dos vasos pulmonares, processo inflamatório alveolar com presença de líquido dentro dos alvéolos (redução do surfactante).

A complacência pode estar aumentada em idosos ou em pessoas com enfisema pulmonar. Nestes casos, há perda de fibras elásticas, e uma vez expandido, o pulmão não volta à posição inicial. Nesse caso, o problema está na expiração, com a redução do recuo elástico, que torna mais difícil a saída de ar.

A mesma propriedade que faz o pulmão ser capaz de se distender na inspiração é a que o faz retornar ao seu tamanho (volume) normal na expiração. O tecido elástico armazena energia e, por isso, a expiração normal não necessita de nenhuma ação muscular. No paciente com enfisema podemos observar esse esforço para expulsar o ar pra fora.
Pois é pessoal, esta foi a primeira postagem colaborativa do blog. Obviamente
não esgota o assunto e nem substitui a leitura de um bom livro de fisiologia
respiratória, mas espero que seja útil e que ajude a compreender melhor este
assunto complexo.

Vida longa e próspera

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Vídeos de padrões anormais de marcha

Deixo hoje um link para o download de um arquivo com vários vídeos com exemplos de marchas patológicas.
Infelizmente o audio está em inglês, mas estou pensando seriamente em dispensar algumas horas do meu dia para legendar alguns destes vídeos.
Espero que gostem,

domingo, 24 de outubro de 2010

RPG Fisio Cartoons

Outro final de semana de chuva aqui no RJ. E desta vez fiquei à mercê da minha filha de 4 anos, que me torturou com requintes de crueldade, me fazendo assistir ao Corcunda de Notre Dame algumas dezenas de vezes.

Um pouco antes do meu espírito sair do corpo pra vomitar (acredite, aquelas canções enjoadas da Disney podem fazer isso ! ), comecei experimentar um estado alterado de consciência, e em meio aos efeitos alucinógenos do desenho animado, me dei conta de um fato curioso de grande importância para a fisioterapia:
Se o Quasimodo é francês, por que ele nunca fez RPG?
Problemas de divulgação da sua clínica?

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Entendendo os Dermátomos

Esta semana me vi obrigado a estudar novamente o mapa corporal dos dermátomos e, como de praxe, decidi aproveitar os resultados dos meus estudos e criar uma postagem para compartilhá-los. De fato este é um assunto que a gente acaba esquecendo caso não pratique ou relembre com freqüência.
Quando estudamos neuroanatomia, aprendemos que os nervos espinhais são formados a partir das raízes nervosas dorsal (sensitiva) e ventral (motora) que se projetam para fora da medula. Pois bem, os músculos inervados por um único par de raízes motoras formam um miótomo, enquanto que as regiões da pele inervada por um único par de raízes sensitivas formam um Dermátomo.

O grande lance dos dermátomos é que cada raiz dorsal (sensitiva) garante a sensibilidade de regiões previsíveis do corpo humano, desta forma é possível criar um mapa corporal. Esta característica tem grande importância para o fisioterapeuta, pois a partir destes mapas é possível estimar, por exemplo, quais raízes nervosas sensitivas foram afetadas em um paciente com TRM, ou identificar qual raiz nervosa sensitiva está sendo comprimida por uma hérnia de disco (radiculopatia).
Em relação ao exame sensitivo, eu particularmente gosto de utilizar os pontos de referência recomendados pela ASIA (Associação Norte-Americana de Lesões da Coluna Vertebral) como forma de avaliação rápida. Obviamente, caso seja necessário, pode-se utilizar uma avaliação mais completa, pesquisando a descriminação de dor e temperatura. A descrição dos pormenores da avaliação sensitiva foge ao objetivo desta postagem, mas quem quiser aprender mais existe o site da Liga de neurocirurgia, com a descrição desta avaliação (acesso altamente recomendável!!!). Nos mapas, as fronteiras entre os dermátomos são geralmente bem definidas. No entanto estas fronteiras são apenas didáticas, pois existe uma considerável sobreposição de inervação entre dermátomos adjacentes. Além disso, é possível encontrar diferenças entre os mapas de dermátomos, mas de forma geral são diferenças discretas que não comprometem a acurácia da avaliação neurológica. .

Veja o mapa aqui em cima. Em verde temos os dermátomos originados nas raízes da coluna cervical, em azul os originados na coluna torácica, em rosa, lombar e por último, os dermátomos sacrais em vermelho. Parece caótico? sem lógica? Pois então veja a figura abaixo.


São os mesmos dermátomos, só que desta vez representados em um ser humano em uma postura quadrúpede. Veja agora como a distribuição parece muito mais ordenada... este é um possível resquício de nossos ancestrais quadrúpedes. Mas se é de fato ou não, pouco importa... isso é papo para uma mesa de bar numa sexta-feira, com direito a cerveja e bolinho de bacalhau. O que importa é que agora ficou mais fácil de visualizar os dermátomos e quem sabe até mesmo memorizá-los.

É isso aí galera, espero que tenha ajudado. Bom final de semana.
e que a Força esteja com vocês . . .

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Jogo online de Cirurgia Virtual de Artroplastia Total de Quadril

Olá Pessoal,
Mais uma vez pelas minhas andanças pela internet achei um site legal. Pra quem ainda não conhecia o site Edheads, vale a pena conferir. Ele contém alguns jogos online bem interessantes.
Hoje destaco o jogo de cirurgia virtual de artroplastia de quadril. Tudo bem que o jogo não é uma simulação exata do procedimento, mas convenhamos: quem teria saco de ficar horas e horas na frente do computador jogando uma cirurgia virtual?
O jogo é divertido e de certa forma instrutivo para fisioterapeutas. Vale a pena conferir.

Clique aqui para se divertir com este jogo online

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

O Desuso Aprendido

Existe um fenômeno bastante discutido em neuroreabilitação chamado desuso aprendido. Este fenômeno, mais evidente no membro superior, pode ser observado principalmente em pacientes com hemiplegia devido AVE e lesões de nervos periféricos. É muito comum que estes pacientes tendam a utilizar preferencialmente o membro sadio para realizar tarefas, mesmo quando o membro afetado possui alguma função motora residual.

A teoria por trás deste fenômeno baseia-se no fato de que os déficits motores resultantes de lesões neurológicas não são reultado apenas da lesão em si, mas também dos efeitos de um processo de “aprender a não utilizar um membro”. Como este blog me permite fugir da redação formal de textos científicos, ouso ser dramático em afirmar que o desuso aprendido nada mais é do que a face perversa da neuroplasticidade, é como se passássemos uma borracha sobre o homúnculo de Peinfield, apagando o membro afetado. È mais ou menos como se o paciente perdesse o software cortical do membro enquanto o hardware físico ainda está lá. Sacou?

MAS E DAÍ ?
... e daí que a falta de uso induzida por uma paralisia gerando um "não-uso aprendido", impede ou limita gravemente a recuperação motora, comprometendo assim as possibilidades de reabilitação. Devemos estar atentos a este fenômeno, não só nos pacientes adultos, mas também, e principalmente, nas crianças. É importante frisar que os pacientes pediátricos nem sequer formaram ainda o engrama motor, mas estão com o cérebro fritando em novas sinapses, em um processo conhecido como neuroplasticidade.

Em relação aos conceitos de neuroplasticidade, eu gosto de pensar que dois grandes avanços marcaram a reabilitação neurológica particularmente em relação ao tratamento do desuso aprendido nos últimos anos:
[1] O acúmulo de evidências que sustentam o fato de que a inatividade após uma lesão neurológica é capaz de gerar o desuso aprendido, sendo que este fenômeno é acompanhado por uma reorganização cortical; e
[2] O acúmulo de evidências demonstrando que a estimulação motora ou sensitiva de parte do corpo após uma lesão cerebral também é capaz de gerar uma reorganização cortical (reorganização uso-dependente) e, conseqüentemente, a possibilidade de "conduzir a plasticidade".

MAS NEM TUDO ESTÁ PERDIDO
Baseado no arcabouço teórico da reorganização cortical, foi criada uma estratégia de tratamento denominada terapia de restrição e indução (TRIM). A TRIM é baseada em estudos iniciais realizados por volta da década de 70 e 80, pelo Dr.Edward Taub. Este estudo, descrito por vários autores, consistiu na realização de rizotomia dorsal em primatas, com a privação das sensações somáticas da extremidade superior. Após a realização de tal procedimento, o animal cessava imediatamente o uso da extremidade desaferenciada, e a restauração do uso foi induzida pela imobilização do membro intacto por vários dias enquanto o membro afetado era treinado.
A TRIM vem demonstrando resultados promissores, por meio de uma melhora significativa da função e do nível de controle motor. A terapia de restrição e indução do movimento se baseia em dois componentes principais:
(a) o treinamento motor intensivo da extremidade superior mais afetada, e
(b) a restrição motora do menos comprometido

Pois é, achou legal?

então leia também estes artigos que eu selecionei e bons estudos

TRATAMENTO DE RESTRIÇÃO E INDUÇÃO DO MOVIMENTO NA REABILITAÇÃO FUNCIONAL DE PACIENTES PÓS ACIDENTE VASCULAR ENCEFÁLICO.

The learned nonuse phenomenon: implications for rehabilitation.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

13 de outubro, dia do fisioterapeuta

Fisioterapeutas, uni-vos !
Resolvi iniciar a postagem de hoje parafraseando a célebre frase do Manifesto Comunista, de Marx e Engels. Não por causa de minhas opiniões políticas, mas sim para lembrar que nós, fisioterapeutas, precisamos nos unir cada vez mais como categoria profissional para garantir respeito e melhores condições de trabalho.
Hoje é 13 de outubro, dia do Fisioterapeuta. Deixo os parabéns a todos os colegas de profissão e em especial aos estudantes, nossos futuros colegas. Que possam exercer a fisioterapia de forma digna e apaixonada.
Sou Fisioterapeuta, e meu trabalho faz diferença!
Hasta la Victoria Siempre !!!!!

Natação e asma, este mês no Jornal de Pediatria


Recebi por e-mail os trabalhos publicados este mês no Jornal de Pediatria (JPED para os íntimos), e como de costume acessei o site para ler na íntegra alguns dos artigos, sendo que um deles me chamou bastante atenção. O artigo chamado "Avaliação espirométrica e da hiper-responsividade brônquica de crianças e adolescentes com asma atópica persistente moderada submetidos a natação". O nome impressiona, mas não é só pelo título que recomendo a leitura deste trabalho. Trata-se de um ensaio clínico controlado e randomizado, com uma metodologia bastante interessante, com direito a cálculo de tamanho amostral e otras cositas más. Mas além da metodologia, o grande lance deste trabalho é que ele ajuda a responder a pergunta: Fazer natação é bom para quem tem asma?

Todo mundo já ouviu falar que natação é bom pra asma. Aproveito pra dizer que minha avó afirmava que banho frio também era muito bom pra asma. Aliás, ela também dizia que leite com manga era veneno e que assobiar de noite atraía cobras... Pois é, acabamos de entrar no terreno das crenças, e em alguns casos, as crenças populares podem ser muito convincentes. A relação entre asma e natação é uma destas situações. A propósito, quantos trabalhos científicos você já leu que justifiquem esta recomendação? Ou que compare um grupo de asmáticos nadadores a um grupo de asmáticos não nadadores?

O grande lance deste artigo é que ele investigou os efeitos da natação em uma população de asmáticos utilizando uma metodologia consistente e muito bem elaborada. Já na introdução os autores fazem uma mini revisão sistemática sobre o tema e levantam os trabalhos com resultados conflitantes e comentam a metodologia empregada. Vale ressaltar que este artigo mereceu um editorial, onde estas e outras questões também são levantadas. De fato o tema é fascinante e os autores fizeram um excelente trabalho (metodologia legal, leitura fácil e discussão brilhante) que certamente vai ajudar e muito a entendermos se natação é bom ou ruim para nossos pacientes asmáticos.

Quem quiser acesso ao texto integral, basta fazer o cadastro no JPED, é gratuito e de quebra você ainda recebe e-mails lhe avisando toda vez que sair um número novo da revista.

A propósito: Os resultados a curto prazo parecem indicar um efeito benéfico . . . mas faltam estudos de longo prazo para confirmar estes achados . . . Espero que o pessoal da UNICAMP prossiga neste estudo. Aguardo ansioso as cenas dos próximos capítulos.

Hasta la vista

domingo, 10 de outubro de 2010

Fisio cartoons

Eu sei que é bobeira, mas feriadão com chuva . . . nada de bom na TV . . . Junte isso tudo a uma tarde de domingo entediante, algumas cervejas e um pacote de biscoitinhos salgados que dá nisso.
Resolvi finalmente pegar papel e lápis para desenhar algumas de minhas idéias de cartoons de fisioterapia.
Não fiz questão de trabalhar a arte final... minha idéia é que seja bem amador mesmo (até porquê a cerveja já prejudicou um pouco minha coordenação motora).
Espero que gostem.

Problemas de comunicação com seus clientes ?

sábado, 9 de outubro de 2010

Ficha de estudo = Bupah

Olá pessoal,
Estou divulgando algumas Fichas de Estudo criadas pela estudante de fisioterapia e designer Tatiana Amery, proprietária do Blog Bupah (http://www.bupah.wordpress.com/
). Este material é direcionado para universitários. Eu gostei muito dos resumos e do layout das Fichas e tenho certeza que vão ajudar muito a galera que está em busca de boas notas na faculdade.
A Tatiana disponibilizou
a a opção de download de todas as fichas de estudo em um unico arquivo compactado (clique neste link - http://www.bupah.com.br/fichas/Fichas-de-estudo-BUPAH.rar)

São ao todo 12 fichas, que podem ser baixadas individualmente direto pelo blog Bupah, ou tudo de uma vez só, como explicado acima.

Vou deixar alguns comentários sobre as fichas que mais me chamaram a atenção.
Bons Estudos Galera!

MIÓTOMOS E GRUPOS MUSCULARES
O conhecimentos dos miótomos e dos dermátomos é essencial para o fisioterapeuta que pretende se especializar em Neurologia e Traumato-Ortopedia. Esta ficha traz uma tabela com os grupos musculares e raízes nervosas relacionadas. Muito útil, pois este tipo de coisa é meio chata de se memorizar, se você não usa acaba esquecendo e além disso, vira e mexe cai em concurso público. Portanto, façam o download e guardem o arquivo com carinho.
Interessou? Então faça o download desta ficha, clicando AQUI

MOVIMENTO OCULAR - MÚSCULOS E NERVOS
Você sempre se enrola quando vai estudar os pares cranianos relacionados aos movimentos oculares? Então seus problemas acabaram! Faça o Download desta ficha e aproveite as tabelas explicativas e as ilustrações dos músculos oculares e os movimentos produzidos por eles.
Clique AQUI e faça o download... aproveite e baixe também a ficha - 12 pares de nervos cranianos – Anatomia e função.

BASES BIOMECÂNICAS DO MOVIMENTO
Outro resumão bem legal sobre os princípios de biomecânica. Esta ficha está bem legal, pois relembra as 3 leis de Newton e também os tipos de alavanca do corpo humano.
Clique AQUI e faça o Download direto do blog Bupah

TIPOS DE CITAÇÕES - METODOLOGIA DA PESQUISA
Nesta ficha de estudo desenvolvida pelo Bupah, você encontra exemplos e explicações referentes aos tipos de citações utilizadas na elaboração de um trabalho metodológico: - Citação direta - Citação indireta - Citação de citação.
Basta clicar AQUI e você já sabe o que acontece.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Postura em quatro apoios.

A cinesioterapia é (ou pelo menos deveria ser) parte fundamental da maioria das sessões de fisioterapia. Além da correta prescrição e progressão dos exercícios terapêuticos, o fisioterapeuta deve prestar atenção especial ao alinhamento biomecânico do paciente. Saber identificar compensações e corrigir a postura durante um exercício é uma tarefa tão importante para o fisioterapeuta quanto saber prescrevê-lo corretamente.

Hoje vou falar sobre a postura de quatro apoios, que é o ponto de partida para muitos exercícios direcionados aos estabilizadores profundos da coluna lombar. Os exercícios em quatro apoios estão se tornando muito populares entre os fisioterapeutas graças aos conceitos de estabilização segmentar (core stability) e Pilates. Além disso, estes exercícios são também bastante utilizados nas sessões de fisioterapia neurológica.
Isso mesmo! Quatro apoios não serve só para malhar bumbum ou pra tratar pacientes com lombalgia. Pessoas com TRM, hemiplégicos e pacientes atáxicos também se beneficiam muito desta postura.

Os exercícios em quatro apoios recrutam grandes grupos musculares, como tríceps, glúteos, abdominais, interescapulares, além dos estabilizadores profundos da lombar e estabilizadores de ombro entre outros. Além disso, desde que realizados corretamente, estes exercícios ajudam bastante no controle neuromuscular.

O objetivo da postagem de hoje é comentar, mesmo que rapidamente, o posicionamento correto e os erros mais comuns que podem ocorrer ao se trabalhar um paciente na postura de quatro apoios.

POSTURA DE QUATRO APOIOS
Inicialmente, precisamos entender que quatro apoios não é a mesma coisa que “ficar de quatro” se assim fosse, atrizes pornô jamais teriam lombalgia ! ! ! !. O posicionamento correto nesta postura é fundamental para se obter o máximo de resultados. Desta forma, vamos ver o que é considerada como uma boa postura em quatro apoios:


#1 - Posição dos Membros:
Parece meio óbvio, mas devemos verificar se os joelhos estão alinhados com os quadris (tanto em termos de flexão/extensão quanto adução/abdução). E se os cotovelos estão posicionados em alinhamento com os ombros e os punhos alinhados com os cotovelos.
O detalhe mais importante referente aos membros superiores é NÃO TRAVAR O COTOVELO EM EXTENSÃO. Isso mesmo, uma leve flexão de cotovelo garante atividade muscular no tríceps braquial. Além disso, mão espalmada, dedos apontando para a frente e cotovelos em rotação externa (olécrano apontando para trás), garantem que os braços trabalhem ativamente para se manterem estáveis, fortalecendo os MMSS como um todo.
Na foto acima, podemos ver que embora o membro superior esteja alinhado, os cotovelos estão travados. Assim, não há atividade muscular, e a estabilidade é obtida simplesmente pelo alinhamento ósseo de forma totalmente passiva. Além disso, os membros inferiores não estão alinhados.

#2 – Alinhamento da lordose lombar.
Deve-se estar atento para a presença da lordose lombar aumentada ou invertida. O ideal é ajustar a pelve em posição neutra, com lordose lombar normal (ou o mais próximo possível do normal)
Na imagem acima, vemos que as costas formam um arco. Mantendo a coluna em uma longa cifose.

#3 – Escápula e ombros.
Assim como a lombar, é preciso ajustar a cifose lombar normal. Não permitir que o peito paciente “desabe”, deixando as escápulas em adução e elevação. Deve-se corrigir a postura do paciente de modo que as escápulas fiquem bem posicionadas no tórax (evitando que fiquem aladas, ou em adução ou elevação excessivas). O pescoço também não deve ficar afundado. É muito comum que os pacientes elevem os ombros utilizando o trapézio superior
#4 – Alinhamento da lordose cervical
Mesma coisa da lordose lombar, corrija a posição de modo a manter o alinhamento da curvatura cervical, sem se esquecer de orientar o paciente a manter o “queixo pra dentro” (ativação dos estabilizadores profundos do pescoço).



A foto acima é meramente ilustrativa. Ela foi retirada de um site sobre amiotrofia espinhal e nela é possível identificar (de forma bastante exagerada) diversos erros possíveis. Dá pra notar a lombar desabada, falta de alinhamento dos membros, travamento do cotovelo e também a ativação do trapézio superior, mesmo com o apoio para manter a cabeça elevada.

. . . Voilá, se você conseguiu fazer isso tudo parabéns ! Seu paciente estará em uma excelente postura! Caso não tenha conseguido, não se martirize, às vezes gasta-se bastante tempo só pra conseguir conscientizar um paciente para que ele fique na posição de forma adequada. O importante é evitar ao máximo as compensações e posturas erradas.

Antes de terminar, é preciso lembrar que estou me referindo apenas à postura estática em quatro apoios! Existem variações de exercícios onde o terapeuta irá de fato solicitar ao paciente que posicione-se com as pernas mais para trás, ou que arqueie suas costas, que exagere a curvatura lombar... isso tudo vai depender do objetivo terapêutico.

Muito bem, espero que tenham gostado. Aguardo comentários

Abraços

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Ataxia e fisioterapia

Após um bom tempo sem postar, estou de volta, e desta vez cheio de gás!
Já que o assunto é o resultados das eleições, aproveito para comentar o resultado de uma enquete que fiz há algum tempo atrás para saber quais informações mais interessam aos leitores do blog. A mais votada foi "postagens sobre tratamento fisioterapêutico", seguida de "artigos traduzidos", em terceiro lugar ficou "provas comentadas" e por último (porém com uma votação significativa) "postagens sobre o que bem me desse na telha".
Pois bem, hoje deixo algumas informações importantes sobre ataxia, e no final algumas reflexões sobre o tratamento. Espero que seja útil.

ATAXIA
A ataxia é um distúrbio do movimento caracterizado pela incoordenação dos movimentos e controle postural insuficiente.
Etimologia:

A, do grego = não, negação.

Taxia = do grego “táxis”, ordem.
Desta forma, ataxia, literalmente significa sem ordem, incoordenação. Neste momento, é importante salientar que a ataxia é um sintoma, e não uma doença ou um diagnóstico específico.

A ataxia pode surgir como resultado de um AVE, de um TCE ou de lesão das vias sensoriais em seu trajeto pela medula devido a fraturas vertebrais. Outras causas incluem hipóxia, abuso de álcool ou drogas, infartos cerebelares, disfunção vestibular além de causas hereditárias e congênitas. Obviamente é importante conhecer a etiologia da ataxia para o tratamento da causa subjacente, no entanto, para o fisioterapeuta o objetivo de tratamento é sempre o de alcançar o melhor resultado funcional possível.

As ataxias podem ser classificadas em:

# 1 - Ataxia Cerebelar,
É causada por comprometimento do cerebelo e de suas projeções aferentes e eferentes (vias cerebelares). De forma geral, o paciente apresenta falta de coordenação dos movimentos voluntários, por erros na força, direção ou extensão do movimento. Importante lembrar que lesões no cerebelo não causam paralisia, paresia ou qualquer déficit sensitivo.

# 2 - Ataxia Sensitiva, também denominada ataxia de sensibilidade proprioceptiva.
É causada por comprometimento das vias de sensibilidade profunda (fascículos grácil e cuneiforme), que regem o sentido das posições e dos deslocamentos segmentares (sensibilidade cinético postural)

# 3 - Ataxia Vestibular, também denominada ataxia labiríntica.
É causada por disfunção do sistema vestibular e de existência controversa. Cursa com comprometimento do equilíbrio, sem alteração da coordenação motora e dos movimentos apendiculares.

# 4 - Ataxia Frontal, uma forma rara de ataxia com comprometimento do córtex frontal (via cerebelo-frontal - responsável pelo planejamento do ato motor), podendo ser causada por infartos subcorticais frontais múltiplos; tumores frontais; hematomas subdurais.

Para mais detalhes sobre as lesões do cerebelo, resultando em problemas de fala, incoordenação motora, ataxia e aprendizagem motora, vale a pena sair da frente do computador, se deslocar até a biblioteca da faculdade e consultar o livro Fisioterapia, Avaliação, Tratamento e Procedimento 4ª Edição. O'Sullivan, Susan B. O'Sullivan, Thomas J. Schmitz.


TRATAMENTO
Na ataxia o paciente apresenta tremores, incoordenação, distúrbios de equilíbrio, postura e marcha. O atendimento de fisioterapia deve ser planejado de forma a promover a estabilidade postural, estimular precisão de movimentos dos membros (sem perder a estabilidade ! ), além do treino de marcha. A estabilidade postural pode ser melhorada com foco no controle da postura estática em várias posições diferentes, como por exemplo na posição de puppy (deitado com apoio nos cotovelos), sentado, quatro apoios, de joelhos, semi-ajoelhado e de pé. Esta progressão de posturas mais baixas para mais altas é usada para aumentar a demanda muscular por meio da variação da base de apoio, variação do centro de massa do corpo do paciente.

Além disso, é legal promover atividades de mobilidade controlada (deslocamento de peso, balanço, entrar e sair de posturas ou transições de movimento) como por exemplo, pedir ao paciente para realizar tarefas como alcançar um objeto com a mão enquanto mantém a postura estável, como semi-ajoelhado ou mesmo de pé. (os gringos chamam isso de mobility on stability, ou seja: a capacidade de movimentar os segmentos corporais mantendo uma boa postura estática)

Sabe, eu gosto de pensar que eu faço meio que treinamento circense com meus pacientes. É meio estranho de explicar, mas imagine o seguinte: A princípio, todos nós temos o potencial para nos tornar trapezistas ou malabaristas. O que nos falta é coordenação motora. Se treinarmos bastante, podemos superar o nosso nível basal de habilidade e coordenação, e quem sabe até conseguir trabalhar num circo. Com o paciente atáxico é mais ou menos a mesma coisa, só que o ponto de partida não é o nível de habilidade basal, mas sim o prejuízo na coordenação causado pela ataxia. O paciente será treinado para se tornar um "malabarista atáxico" (no caso desenvolvendo sua coordenação motora, até o mais próximo possível dos níveis de uma pessoa considerada normal)

Um importante objetivo da terapia é promover o equilíbrio seguro e funcional. Exercícios terapêuticos são capazes de ensinar o paciente com ataxia a reduzir a oscilação postural (freqüência e amplitude) e melhorar o controle da posição e do alinhamento corporal.
Ao longo do tratamento, pode-se utilizar bolas suíças para desafiar o controle postural do paciente em uma superfície instável (mas isso só se faz em uma fase adiantada de reabilitação !!!! )

Exercícios de Frenkel deveM ser realizados lentamente, com o paciente utilizando o feedback visual para orientar o movimento correto. Os exercícios feitos corretamente exigem um alto grau de concentração mental.

Algumas vezes, a aplicação de pesos leves (eu disse LEVES!!!!) pode ser utilizada para fornecer um input proprioceptivo. Alguns trabalhos descrevem o uso de cintos ou mesmo jaquetas de pesos, com o objetivo de diminuir a dismetria e tremores de membros e tronco.

A piscina é um importante meio terapêutico para praticar o controle postural estático e dinâmico. A água oferece resistência graduada que retarda o movimento do paciente atáxico e pode ajudá-lo na recuperação da coordenação e controle dos movimentos.

... postagem ficando kilométrica... continuo outro dia...

Câmbio desligo
hasta la vista !

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Cursos Internacionais de Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva - Conceito Kabat

Olá Pessoal,

Há algumas postagens atrás, eu traduzi um caso clínico de uma paciente tratada com o conceito PNF e também um breve descrição da história deste conceito. Hoje, volto a abordar o assunto, mas desta vez pra divulgar os cursos internacionais básico (níveis I e II) e avançado (nível III) que serão ministrados em dezembro no Rio de Janeiro.
Para quem está em dúvida se deve ou não investir seu tempo e dinheiro num curso de PNF, devo dizer que este curso é sem sombra de dúvidas um dos mais recomendados para quem quer trabalhar com reabilitação neurológica e ortopédica.
Nesta exata semana estou cursando a segunda etapa do módulo básico e confesso que estou adorando a idéia de ficar de terça até sábado, das 08:00 às 17:00 aprendendo, raciocinando e praticando PNF (este prazer todo não tem nada haver com as minhas perversões masoquistas . . . bem, talvez só um pouquinho).
Então galera, quem quiser investir em um bom curso, fica a dica. Abaixo segue a divulgação do curso.



CURSO INTERNACIONAL DE FACILITAÇÃO NEUROMUSCULAR PROPRIOCEPTIVA
CONCEITO KABAT – NÍVEIS I E II
“Reconhecido pela Associação Internacional de PNF”

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PROGRAMA:
História e filosofia da PNF, diagonais e padrões de movimento, procedimentos básicos, técnicas específicas, atividades no tatame e barras paralelas, biomecânica da marcha (avaliação e tratamento), funções vitais, avaliação e prescrição de tratamento para pacientes com disfunções do aparelho locomotor, CIF – classificação Internacional de Funcionalidade e conceitos de controle e motor e aprendizagem motora.

Curso direcionado para o tratamento de pacientes com disfunções neurológicas e ortopédicas.
Prática com pacientes durante o curso.

Ministrantes

José Vicente Martins:
­ Formação completa em PNF na Europa pela IPNFA
­ Instrutor Internacional de PNF reconhecido pela IPNFA (Associação Internacional de PNF)
­ Professor de Fisioterapia Neurológica da UFRJ
­ Chefe do Setor de Fisioterapia do Instituto de Neurologia Deolindo Couto
­ Professor do curso de Pós-Graduação em Ortopedia e neurologia da Atlântica Educacional
­ Sócio-proprietário do Cirta (Clínica de Reabilitação Neurológia e Ortopédica)

Paulo José Moté Barboza:
­ Instrutor Assistente de PNF reconhecido pela IPNFA (Associação Internacional de IPNFA)
­ Professor do curso de Pós-Graduação em Ortopedia e neurologia da Atlântica Educacional
­ Fisioterapeuta do CIRTA

Data: 08 á 12 de Dezembro de 2010 e 02 á 06 de Fevereiro de 2011.

Informações:
CIRTA - Centro Integrado de Reabilitação e Terapia Aquática
Falar com Adriana 2495-5871 ou cirta@cirta.com.br

Horário: 8:30 às 17:30
Público Alvo: Fisioterapeutas
Investimento: R$2.700,00 á vista ou R$3.000,00 em 08 parcelas de R$375,00.

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Curso Avançado de Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva
Nível III

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Local: CIRTA - Centro Integrado de Reabilitação e Terapia Aquática
Endereço: Av. Vitor Konder, 344 - Barra da Tijuca - RJ - Tel: 2495-5871
Data: 15 á 19 de Dezembro de 2010
Horário: 09:00 h às 18:00 h
Público Alvo: Fisioterapeutas
Investimento: R$ 1500,00 à vista ou 6 parcelas de R$ 250,00 sendo o ultimo cheque para o dia 10 de Dezembro de 2010

Organização: Associação Brasileira de PNF - Prof Mônica Cilento - Instrutora Internacional de PNF e Prof José Vicente Martins - Instrutor Internacional de PNF

Inscrições: CIRTA - (21) 2495-5871 falar c/ Adriana, e-mail cirta@cirta.com.br

Ministrantes

CARSTEM SCHAFER: - Instrutor Senior de PNF pela IPNFA
Presidente da IPNFA

JOSÉ VICENTE MARTINS: - Professor de Fisioterapia Neurologica da UFRJ - Instrutor de PNF pela IPNFA. Membro do Comitê Educacional IPNFA

OBS: O participante estará inscrito após o pagamento da 1.ª Parcela